ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

outubro 7, 2011

Nossa missão é apoiar o protesto na Liberty Plaza, Por Michael Moore

Filed under: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 9:11 pm

Nova Iorque tem 8 milhões de habitantes; um milhão vive na pobreza. É uma vergonha. E, contudo, o sistema não acaba aqui. Não importa quanta vergonha possamos sentir; a máquina segue adiante, para fazer mais dinheiro. Novas maneiras de trapacear com as pensões; de roubar mais. Mas algo está sucedendo na Liberty Plaza.
Estive na Liberty Plaza para realizar algumas anotações. E voltarei. Sabia? Estão fazendo um grande trabalho ali. E estão recebendo cada vez mais apoio. Na outra noite, o sindicato dos empregados em transportes – os motoristas de ônibus, os condutores de metrô – votaram com entusiasmo pela manutenção do protesto. Há três dias, 700 pilotos de linhas aéreas – sobretudo da United e Continental – marcharam por Wall Street. Não sei se mostraram isso na televisão. Sei como foi a cobertura aqui: mostraram uns poucos hippies tocando tambores – as coisas típicas que buscam os noticiários. Por favor, que Deus abençoe os hippies que tocam seus tambores! Mas a verdade é que “eles” querem que vejamos apenas isso. E agora eu lhes digo o que vi naquela praça. Vi jovens, vi velhos, vi gente de todo tipo e de todas as cores e todas as religiões. Vi também as pessoas que votam em Ron Paul (o candidato presidencial ultraconservador que quer acabar com o Banco Central). Quero dizer, eram pessoas de todo tipo. Na praça estavam enfermeiros, professores, gente de todo tipo.
Hoje, terça-feira, uma nova manifestação: também os motoristas de ônibus e condutores do metrô marcharam por Wall Street. Ouvi dizer que o UAW (o sindicato dos trabalhadores da indústria automobilística) está pensando em algo parecido. Pensem, se o pior pesadelo se converte em realidade. Os hippies e os metalúrgicos marchando juntos! As pessoas entenderam. E toda essa história sobre as divisões internas, e isto e aquilo: as pessoas não se importam mais. Porque desta vez se trata de seus próprios filhos que correm perigo de não poderem mais ir à escola. Desta vez existe o risco de ficarem sem moradia. Isso é o que na verdade está em jogo.
Mas o que me parece mais estranho e bizarro, sobre os ricos, é como decidiram se excederem tanto. Quero dizer: tudo estava indo muito bem. Mas, não, para eles não era o bastante. Para os novos ricos não era o bastante. Os novos ricos que não fizeram suas fortunas graças a uma boa idéia. Nem a um invento. Nem com seu suor. Nem com seu trabalho. Os novos ricos que enriqueceram com o dinheiro dos outros; com o que jogaram como se fosse num cassino. Dinheiro e mais dinheiro. E agora nos encontramos com uma geração de jovens para quem os heróis que emulam são aqueles dos canais de televisão de negócios: aqueles que enriqueceram fazendo dinheiro sobre aqueles que fazem dinheiro.
Mas, quanta necessidade teremos de jovens que trabalhem para salvar este planeta? Para encontrar a cura para todos os males. Para encontrar uma maneira de levar água e serviços sanitários a milhões de pessoas que não os têm.
Isto é o que queria. Que em vez das 400 pessoas mais ricas desse país tenham mais riquezas, sejam os 150 milhões de norte-americanos, todos juntos, que possam viver melhor. Dirão, é uma dessas cifras que Michael Moore tira por aí. Mas é uma estatística certa: verficada pela Forbes e pela PolitiFact. As 400 pessoas mais ricas deste país são mais ricas que as 150 milhões juntas! A isso não se pode chamar de democracia. A democracia implica em uma certa igualdade: não digo que cada pedaço da torta deve ser da mesma medida, mas fomos muito além.
Agora esta boa notícia. Até mesmo para que alguém desafie a nossa democracia – enquanto a Constituição se mantenha intacta -, significará que cada um de nós terá o mesmo direito de voto que os senhores de Wall Street: um voto por pessoa. E eles poderão comprar todos os candidatos que quiserem; mas sua mão guiará a nossa mão quando estivermos em um quarto escuro. A mensagem de gritar forte é fazer chegar aos milhões de pessoas que se deram por vencidas – ou que foram convencidas por ignorância.
Conseguiremos fazer chegar nossa mensagem, para aqueles 400 será o maior dos pesadelos. Porque a única coisa que sabem fazer bem são as contas. Somos muito mais que eles. Depende só de nós. Basta de acordarmos pela manhã e dizer “Ok”. Agora basta. Decidi me envolver. Esta agora é a nossa missão, nos envolvermos. Por isso lhes digo: apoiem o protesto de Liberty Plaza.
( HORA DO POVO )

LEIA TAMBÉM:
Até o Jornal Nacional não pôde mais esconder
Ocupação de Wall Street fura bloqueio da mídia no 19º dia
Com a adesão de sindicatos, universitários e de dezenas de entidades e organizações sociais, o movimento “Ocupem Wall Street” reuniu nesta quarta-feira mais de dez mil pessoas no centro de Nova Iorque. O muro de silêncio da mídia que já durava 19 dias foi furado.
Marcha a Wall Street tem apoio de 15 sindicatos e da central AFL-CIO
Multidão tomou as ruas de Nova Iorque pelo fim dos privilégios do sistema financeiro, por uma política de geração de empregos e contra as guerras
Com o apoio de 15 sindicatos, dos estudantes universitários e de dezenas de entidades e organizações sociais, o movimento “Ocupem Wall Street” voltou a tomar o centro de Nova Iorque na quarta-feira (5), quatro dias após a detenção de 700 manifestantes, agora com mais de dez mil pessoas nas ruas. Ocorreram ainda atos em Boston, Seattle e Hartford, prosseguindo os atos que já se estendem por mais de 50 cidades.
Nesta sexta-feira o acampamento completa três semanas, contra a ganância dos bancos, por uma política de geração de empregos; pelo fim das guerras, que Obama prometeu acabar e não cumpriu; pelo fim dos privilégios das corporações financeiras e dos armamentos, e todas as demais; contra o contínuo aumento das armas de destruição em massa pelo governo dos EUA e por mudanças fundamentais para 99% da população norte-americana. (Ver matéria do cineasta Michael Moore na página 7).
No país de 25 milhões de desempregados, um coro ainda mais alto de “All day, all week, occupy Wall Street” [O dia todo, a semana toda, ocupem Wall Street] e “Somos os 99%” foi ouvido na Praça Foley, perto da prefeitura. Os acampados se deslocaram desde a Praça Liberty, nas imediações da Bolsa de Nova Iorque, até se encontrarem com as colunas de trabalhadores convocados pelos sindicatos e entidades. Os manifestantes empunhavam cartazes como “façam postos de trabalho e não cortes” e “cobrem imposto de Wall Street”.
Centenas de estudantes universitários deixaram as aulas para engrossar o ato. Trabalhadores metalúrgicos, dos transportes, de serviços, professores, enfermeiras, aposentados, mutuários e desempregados participaram. Entre as organizações sociais, a Answer, a MoveOn.org e a Coalizão dos Sem Teto. Houve protestos em cinco campi da Universidade de Nova Iorque e uma centena em universidades no país inteiro.
A central sindical AFL-CIO também se fez presente e o presidente Richard Trumka divulgou no site da entidade mensagem em que afirma que “o Ocupem Wall Street capturou a imaginação e paixão de milhões de americanos que tinham perdido a esperança”. “Nós apoiamos os manifestantes em sua determinação de imputar Wall Street e criar bons empregos”.
“Estes jovens estão falando pela vasta maioria de americanos que estão frustrados pelos banqueiros e especuladores”, afirmou o presidente do sindicato de transportes Atwu, Larry Hanley. “Enquanto nós batalhamos duro dia após dia, mês após mês, os milionários e bilionários de Wall Street se aboletam, sem serem penalizados, e pontificam sobre o nível do nosso sacrifício”.
Michael Mulgrew, presidente da Federação Unida dos Professores, que representa 200 mil mestres, disse aos manifestantes que “a forma como nossa sociedade é dirigida não funciona para 99% das pessoas, assim, quando o Ocupem Wall Street começou, captou isso e foi capaz de gerar um debate nacional que nós pensamos que há anos precisava ser instaurado”.
“Somos os indignados de Nova Iorque, os indignados dos Estados Unidos, os indignados do mundo”, definiu o secretário do Sindicato dos Trabalhadores em Serviços, Hector Figueroa. No final da noite, a polícia voltou a realizar prisões e lançar spray de pimenta contra manifestantes, deixando claro que, as liberdades de expressão e manifestação nos EUA são mera fantasia quando o exercício destes direitos questionam os privilégios dos banqueiros, dos especuladores e dos monopólios. Como agora na praça Liberty Plaza e na ponte do Brooklin, em Nova Iorque, quando, os manifestantes são espancados e presos e o monopólio de mídia tenta abafar as manifestações sob uma cortina de silêncio, que apenas começa a ser rompida após quase 20 dias de persistência dos manifestantes e ampliação do apoio ao acampamento em Wall Street. ( HORA DO POVO )

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: