ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

setembro 29, 2011

Registros úteis sobre o suposto apagão aéreo


Remexendo nuns jornais velhos e não lidos encontrei um texto publicado no Estadão, em 24 de Julho ( falei que eram jornais velhos? ), em seu caderno Aliás, intitulado “Risco no ar”. É sobre o pesquisador da aviação Ivan Sant’Anna, que lançou 2 livros sobre acidentes aéreos. Um deles, publicado em 2011 ( “Perda Total” ), aborda os três acidentes que, segundo a reportagem, “mais chocaram o País do fim da década de 90 para cá”. O artigo, integral, pode ser lido AQUI. Da minha parte, me interessa transcrever abaixo a opinião de Ivan sobre os casos do Boeing da Gol que caiu na Amazônia ao se chocar com o Legacy pilotado por dois norteamericanos e o do Airbus da TAM que deslizou na pista de Congonhas, atravessou a avenida Washington Luís e explodiu após chocar-se com um depósito da empresa, tragédia que ceifou 200 vidas. Sobre este último, Lula disse em 2010 que foi seu pior momento no governo, quando tentaram imputar-lhe a responsabilidade pessoal sobre a ocorrência. Vejamos o que diz o especialista [ mas eu sugiro a leitura integral ]:

A tragédia do 1907
“Criticou-se muito a sobrecarga do sistema aéreo brasileiro após a queda do Boeing-737 da Gol na Amazônia, que colidiu com um Legacy. Só que aquele dia o tráfego aéreo não estava intenso e o clima na torre de comando era até monótono. O maior fator foi a total incapacidade daqueles pilotos americanos em levar o avião. Negligência e imperícia, pois eles treinaram poucas horas e não sabiam pilotar um Legacy, o que fica claro nas gravações da cabine. O avião ficou 54 minutos avisando que o transponder ( dispositivo automático que transmite dados como a altitude e localização da aeronave ) estava desligado e nem Joe Lepore nem Jan Paladino perceberam. O plano de voo que receberam também estava certo: eles não devem tê-lo lido. Ainda assim, não se pode atribuir a culpa só aos dois. Ela se deve, digamos em 40%, aos controladores de voo também, que não perceberam nada. Há um problema seriíssimo de língua. Nossos controladores falam um inglês péssimo e os pilotos americanos não fazem a menor questão de se comunicarem de maneira pausada e clara. Então, um finge que disse e o outro, que entendeu. A formação deficiente dos controladores é outro problema de infraestrutura. Leva-se quatro, cinco anos para se formar um profissional desses e os salários são baixos para atrair quem fala inglês fluente.

A queda do 3054
“O título do capítulo que escrevi sobre o acidente foi “Tragédia Anunciada”, mas se tivesse dito “Programado para Cair” não seria exagero. O Airbus-320 da TAM estava lotado e tinha os tanques de combustível cheios por causa do que eles chamam em aeronautiquês de “abastecimento econômico” [ grifo nosso ] – como o ICMS sobre combustível em Porto Alegre é mais barato que em São Paulo, ele vem com gasolina excedente para usar num próximo voo. A companhia desincentivava os pilotos a irem a um aeroporto alternativo, como Guarulhos, ou a arremeter – no que os pilotos da casa chamam de “doutrina TAM” [ idem ]. Nada disso é ilegal, mas imprudente num dia de chuva como aquele. Ainda mais porque a pista tinha sido repavimentada, liberada antes do grooving ( ranhuras no piso que aumentam a aderência dos pneus no pouso ) e estava um sabão. E o reverso daquele avião estava “pinado”, ou seja, desativado, aguardando manutenção, o que não interdita o voo mas reduz seus recursos. Então, os pilotos cometeram o erro de manter a manete esquerda em idle (ponto morto) e a direita em climb (aceleração). O computador não entendeu o que havia e aconteceu a catástrofe.

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