ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

agosto 22, 2011

Renúncia de Jânio: 50 anos, Por Jasson de Oliveira Andrade


Agosto é um mês trágico para a política brasileira. No dia 10 de agosto de 1995, faleceu o sociólogo Florestan Fernandes, que foi também deputado federal. Na opinião do intelectual americano, Matthew Shirts, em artigo no Estadão, ele era “uma espécie de Pelé da sociologia”. No dia 22 de agosto de 1976, morria o ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek, o JK, em desastre automobilístico na via Dutra, no município d Resende. Em 24 de agosto de 1954, o ex-presidente Getúlio Vargas se suicidava. Já em 25 de agosto de 1961, há 50 anos, o então presidente da República Jânio Quadros renunciou, com apenas sete meses de mandato.
A renúncia de Jânio é emblemática. Até hoje se discute o verdadeiro motivo dessa surpreendente atitude. A mais aceita é que ele renunciou, esperando uma revolta popular e Jânio, então, voltaria ao governo com amplos poderes. Ele se queixava que o Congresso causava-lhe empecilho. Como o Vice-Presidente João Goulart, o Jango, tinha forte oposição de setores militares, ele também esperava um reação militar, que não veio. Pelo menos neste momento. Posteriormente tentaram impedir a posse dele, sem sucesso. Três anos depois, em 1º de abril de 1964, Jango foi derrubado por um Golpe Militar. No entanto, em 1961, como esperava Jânio, isto não ocorreu. Por estes motivos, a estratégia dele não deu certa e a renúncia foi aceita pelo Congresso.
Um fato pitoresco foi um dos motivos de sua renúncia. Jânio convidou o então governador da Guanabara ( hoje Rio de Janeiro ), Carlos Lacerda, para uma visita à Brasília. Aí aconteceu um fato que se tornou conhecido como o ”crime da mala”. O jornalista e escritor Flávio Tavares contou o fato no seu livro “O dia que Getúlio matou Allende e outras novelas do Poder”, no Capítulo V, sob o título “Jânio: o crime da mala”. O escritor revelou que nessa visita Carlos Lacerda ia pernoitar no Palácio Presidencial. Antes, saiu para conversar com um ministro, deixando lá a sua mala. Quando voltou, a mala não se encontrava mais no Alvorada. Jânio a mandou para um Hotel, onde Lacerda seria hospedado. O governador da Guanabara se sentiu ofendido com o fato inusitado. Voltou ao Rio e, na TV, atacou, violentamente, o presidente, acusando-o de tramar um golpe. No entanto, Lacerda estava equivocado.
Flávio Tavares relata o que na verdade ocorreu: “Atônito, Jânio nem sequer a si mesmo sabe explicar a razão de tanta virulência por parte do governador da Guanabara. Até porque, ao devolver a mala, o Presidente não tinha nenhuma intenção expressa de enxotar ou romper com Lacerda. Apenas não quis que ele se hospedasse no Alvorada, e lá dormisse aquela noite, por um único motivo: simplesmente porque ele quis estar a sós com u`a mulher que não era a pacata dona Eloá, que estava em São Paulo (…) O seu “recatado amor paulistano”, aquela jovem e bela senhora separada, de 40 anos, havia dormido com ele no Alvorada. Não tinha sucedido nenhuma manobra política”. A mesma “estória” foi contada por Luís Nassif e consta de meu livro “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”, no texto: “A AMANTE E A RENÚNCIA DE JÂNIO” (página 213).
A renúncia de Jânio Quadros, ocorrida há 50 anos, pode ter acontecido, entre outros motivos, por um fato pitoresco. E causou, indiretamente, o Golpe de 64!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Agosto de 2011

Anúncios

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: