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maio 25, 2011

A difícil situação do professor no Brasil, Por Jasson de Oliveira Andrade


A professora Amada Gurgel falou em audiência pública na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte, realizada no dia 10 de maio de 2011. O pronunciamento dela repercutiu na imprensa escrita e falada por ter mostrado a difícil situação do professor no Brasil. Dora Kramer, em artigo no Estadão (20/5), sob o título UMA FOTO DO BRASIL, revelou: “Professora diz meia dúzia de verdades irrefutáveis sobre a educação e cala deputados”. O que se vai ler a seguir, entre aspas, são alguns trechos desse pronunciamento, constantes do texto da jornalista.
“Como as pessoas sempre apresentam muitos números e dizem que eles são irrefutáveis, eu também gostaria de apresentar um número que é composto por três algarismos apenas, bem diferentes de tantos números que são apresentados aqui com tantos algarismos: é o número do meu salário R$ 930, com nível superior e especialização.
“Eu perguntaria a todos aqui, mas só respondam se não ficarem constrangidos, se vocês conseguiriam sobreviver ou manter o padrão de vida que vocês mantêm, com esse salário. Certamente não conseguiriam.
“Não é suficiente nem para pagar a indumentária que os senhores e as senhoras utilizam para poder freqüentar esta Casa. A minha fala não poderia partir de um ponto diferente, porque só quem está em sala de aula, só quem pega três ônibus por dia para chegar a seu local de trabalho é que pode falar com propriedade.
“A secretária [de Educação] disse que não podemos ser imediatistas, que precisamos pensar a longo prazo. Mas a minha necessidade de alimentação é imediata. A minha necessidade de transporte é imediata, a necessidade dos alunos de ter uma educação de qualidade é imediata.
“É para pagar a alimentação de seus filhos, para pagar a prestação de um carro que muitas vezes compram para se locomover mais rapidamente entre uma escola e outra.
“Não me sinto constrangida de apresentar meu contracheque, porque penso que o constrangimento deve ser de vocês.
“Não podemos ser responsabilizados pelo caos que na verdade só se apresenta para a sociedade quando nós estamos em greve, mas que está lá todos os dias dentro da sala de aula em todos os lugares”.
Tem razão a professora Amada Gurgel. Essa difícil situação do professor se encontra em todos lugares, inclusive em Mogi Guaçu e região, mas só aparece quando os mestres fazem greve! Quantas de nossas professoras precisam lecionar em duas ou mais escolas para sobreviverem economicamente? Os governantes falam muito em Educação, mas não se preocupam com essa difícil situação dos professores. Talvez tenha sido por este motivo que a fala da professora tenha tido muita repercussão. Infelizmente, daqui a pouco os administradores vão esquecer o pronunciamento dela e tudo vai voltar ao “normal”. Como escreveu a jornalista Dora Kramer: essa situação é “uma foto do Brasil”. Ela também escreveu sobre a fala da professora do Rio Grande do Norte: “É isso. Embora não seja apenas isso”.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Maio de 2011

 

 

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