ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

maio 20, 2011

A serviço do “mercado imobiliário”, Prefeitura de São Paulo inventa “área de risco” onde não havia e despeja moradores de favela


Famílias da comunidade do Boqueirão sofrem com despejo
A ação de despejo na comunidade do Boqueirão, localizada no Jardim da Saúde teve início na terça-feira (10). Segundo a presidente da Associação Beneficente Comunitária Amigos do Boqueirão, Sandra Maria da Costa, até ontem (18) 11 casas já haviam sido removidas. O número de casas condenadas na comunidade é de 78 e depois outros 30 barracos também serão removidos. Segundo a subprefeitura do Ipiranga, a remoção deve-se ao fato da favela estar em uma área de risco de desbarrancamento de casas e enchente do córrego que passa logo atrás do local. Porém moradores discordam das alegações da subprefeitura.
“Ver minha casa sendo destruída foi horrível, porque vivi seis anos aqui e tenho muitas lembranças. Eles falam que tem enchente aqui, mas nunca vi o córrego encher”, conta Juliana Alvim, de 34 anos, que teve sua casa removida. Muitos moradores desconfiam que o despejo tem ligação com um empreendimento imobiliário que está sendo construído logo atrás da favela. Será um condomínio luxuoso com três torres de prédios, com apartamentos a um preço médio de R$ 500 mil.
“Em outubro de 2010, recebemos um documento assinado pela Secretaria de Habitação falando que a área não tinha grandes riscos, era apenas nível 1. E que se tivesse que mexer na favela, mexeria só em 2016, já que haviam outras prioridades. E de repente tudo mudou”, contou a presidente da Associação da comunidade, Sandra Maria da Costa.
A subprefeitura do Ipiranga informou que as remoções estão baseadas na análise geológica do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, que verificou os riscos de escorregamento em áreas de encostas e de solapamento de margens de córregos. A área foi classificada de nível 4 (muito alto) e está sendo feita a remoção para que uma tragédia seja evitada. O órgão público também informou que as famílias que terão suas casas removidas foram cadastradas e já estão recebendo o Auxílio Aluguel por 34 meses, no valor de R$ 300 mensais pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab).
Mesmo com o auxílio, alguns moradores reclamam da dificuldade de se encontrar outra casa por R$ 300. O casal José Filho e Carmelita Conceição, estão com a casa condenada e tem um prazo de 15 dias para encontrar outro lugar. “Não estamos nem dormindo a noite, e nem comendo direito, temos muito medo do que vai acontecer. Estamos pra baixo e pra cima todo dia procurando outra casa para morar e não encontramos pelo valor de R$ 300. É triste deixar um lugar onde moro há 18 anos e investi R$ 15 mil ao longo do tempo. O pior é que estou saido daqui sem nunca ter visto uma enchente e um barraco cair”, conta José Filho, de 55 anos, que trabalha com reciclagem. ( IPIRANGA NEWS, 20/05/2011 )

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