ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

abril 26, 2011

EUA mantiveram presos centenas de inocentes em Guantánamo

Arquivado em: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:03 pm

Os EUA mantiveram presos em Guantanamo durante anos mais de 150 pessoas inocentes de qualquer crime mas sujeitos a interrogatórios, onde não raro se praticava a tortura como método de interrogatório, e sem culpa formada. Em contrapartida, libertaram uma série de indivíduos que, alegando inocência, vieram a revelar-se mais tarde extremamente perigosos para a segurança dos Estados Unidos e dos seus aliados.
As novas revelações têm como base uma série de 700 telegramas entregues pelo Wikileaks a uma série de jornais ocidentais, na maioria diários, e publicados esta terça-feira, nomeadamente pelo New York Times. Os telegramas têm origem na base na base militar norte-americana de Guantanamo situada na ilha de Cuba.

A fazer fé nos documentos revelados esta terça-feira, os Estados Unidos terão mantido em Guantanamo centenas de pessoas inocentes, ou que representavam um fraco risco para a segurança dos Estados Unidos, ou dos seus aliados, acabando por libertar outros que representavam, esses sim, um “elevado risco”, mantendo essa situação em segredo.

Mais de 150 pessoas foram privadas da liberdade e mantidas por trás das grades de Guantanamo durante anos, sujeitas a interrogatórios ferozes, sem nunca terem sido objeto de alguma acusação. Eram predominantemente afegãos ou paquistaneses. Agricultores, motoristas ou cozinheiros tinham apenas em comum estarem no local errado à hora errada. Todos foram capturados por engano assumido posteriormente pelas forças militares norte-americanas.

Outros tiveram sorte bem diferente. Alegando inocência e afirmando desconhecer a al-Qaida, almejaram e conseguiram ser libertados e repatriados para o Afeganistão, onde logo assumiram as suas verdadeiras identidades e organizaram milícias, atentados terroristas.

A administração norte-americana, lamentando embora a publicação dos telegramas, apressou-se a explicar “ter feito tudo o que podia para agir com grande rigor e empenho na transferência dos detidos de Guantanamo”.

È precisamente desta intenção anunciada de transferir os detidos e de encerrar a prisão de Guantanamo, reiterada mais uma vez no início do mês de abril, que várias organizações de direitos humanos desconfiam.

Hina Shamsi, da União Americana das liberdades cívicas, Vince Warren, do Centro dos Direitos Constitucionais, não acreditam na bondade da intenção do presidente Obama em encerrar a prisão de Guantanamo, transferir os seus presos e garantir um julgamento justo e isento aos acusados.

Dizem estes defensores dos direitos humanos que, se Obama realmente pretendesse, como sempre anunciou, fechar este capítulo mais negro da história norte-americana com a manutenção em prisão de centenas de pessoas sem culpa formada e sem expectativa de virem a ser julgados, seria por sua iniciativa que a realidade tornada pública pela revelação dos telegramas do Wikileaks seria agora conhecida.

È que, revelando o seu teor Barack, Obama mostraria os quão fracos são os indícios de prova dos investigadores norte-americanos contra a maior parte dos presos nessa prisão especial onde não gozam de nenhuns dos direitos constitucionalmente garantidos a qualquer detido.

Serviços secretos paquistaneses apelidados de terroristas

Os telegramas agora conhecidos revelam, por exemplo, que os Estados Unidos tinham em muito pouca consideração os serviços secretos paquistaneses a quem apelidavam de organização terrorista.

O Paquistão, tradicional aliado dos Estados Unidos, reagiu na passada terça-feira vigorosamente em defesa dos seus serviços de inteligência após a publicitação de mais um conjunto de telegramas pelo Wikileaks em que é revelado que os poderosos inter-Serviços de Inteligência (ISI) paquistaneses figuravam numa lista secreta criada em 2007 de 70 organizações consideradas “terroristas ou apoiantes de entidades terroristas”.

“A ISI é difamada na cena internacional sem vergonha” clamou indignado o ministro paquistanês do Interior Rehman Malik em conferência de imprensa realizada em Carachi. “O ISI não faz nem nunca fez política” acrescenta o responsável governamental realçando os excelentes serviços prestados pela inteligência paquistanesa no país.

“A ISI é uma organização patriota que desenvolve um papel muito importante na luta contra o terrorismo. E os que tentam destruir a sua reputação não conseguirão atingir os seus fins”, concluiu o ministro.

No telegrama redigido em Guantanamo e difundido no passado domingo pelo Wikileaks fica a saber-se que os Estados Unidos colocam o ISI do país aliado no mesmo plano do Hamas, do Hezbolah e dos serviços secretos iranianos que são inimigos de longa data dos Estados Unidos.

Por coincidência, ou não, a publicação do documento surge poucos dias depois do oficial de maior graduação norte-americano, o almirante Mike Mullen ter acusado o ISI de manter lações com o fundo Haqqani dos talibans afagãos, e cuja principal base de treino da retaguarda se situa na região tribal do Paquistão.

O Paquistão apoiou a criação dos Talibãs que tomaram o poder no Afeganistão no ano de 1996. Islamabad aliou-se aos Estados Unidos aquando da invasão do Afeganistão na sequência dos atentados de 11 de Setembro de 2001 e ao longo dos anos desde então tem consecutivamente rejeitado as acusações de jogo duplo.

EUA acreditavam que a Al Qaida preparava novos ataques

No conjunto de documentos revelados este domingo pelo Wikileaks, chega-se também à conclusão e precisamente quanto aos ataques às torres gémeas em 11 de Setembro de 2001, que os Estados Unidos acreditavam que um pequeno grupo de dirigentes do grupo de Osama Bin Laden refletiam e preparavam um novo ataque a alvos norte-americanos antes de serem enclausurados na prisão de Guantanamo, em Cuba.

O pequeno grupo, liderado pelo cérebo dosatentados, Khaled Cheikh Mohammed, pretendia levar a cabo um conjunto de ataques recorrendo a armas de destruição massiva de acordo com o New YorkTimes.

O Wikileaks cedeu a uma série de jornais ocidentais, documentos militares com data de um período compreendido entre 2002 e 2009 relativos a 704 dos 779 homens que passaram pela prisão de Guantanamo.

Na sua edição de terça-feira, o New York Times explica que Saifoullah Paratacha, um dos 172 prisioneiros que continuam detidos na prisão da base naval norte-americana em Cuba, tinha ajudado a encaminhar para os Estados Unidos o plástico em porta-contentores que transportavam roupas para mulheres e crianças.

“Esse prisioneiro queria ajudar a Al-Qaida a fazer qualquer coisa de grande contra os Estados Unidos” confessou aos seus interrogadores um co-conspirador Ammar al-Baloutchi, de acordo com o documento revelado no jornal nova-iorquino.

Al-Baloutchi procurava fazer entrar nos EUA armas biológicas e nucleares mas revelar-se-ia preocupado com a presença de detetores nos portos que poderiam de alguma forma dificultar “a entrada clandestina das substâncias radioativas no país”.

Khaled Mohammed e os seus cúmplices discutiram também outros temas como a fuga, nova vaga de atentados com aviões ao longo da costa norte-americana, explosões de bombas de gasolina, ou mesmo o corte de cabos da Ponte de Brooklyn, em Nova Iorque.

( RTP )

LEIA TAMBÉM:

Ex-preso de Guantánamo é um dos líderes dos rebeldes da Líbia

About these ads

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS para comentários sobre este post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O tema Silver is the New Black Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.502 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: