ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

abril 4, 2011

Cala a boca, Bolsonaro!, Por Vinícius Duarte

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Humberto @ 10:01 pm

O falatório estridente da semana na internet ficou na conta do deputado Jair Bolsonaro, autor de (mais) declarações estapafúrdias sobre homossexuais, cotas raciais e outros temas de seu (des)apreço.
Jair Bolsonaro foi eleito deputado federal com 120.646 votos no estado do Rio de Janeiro (11º, de 46 cadeiras). É seu SEXTO mandato parlamentar consecutivo. Sua plataforma eleitoral sempre foi calcada no ódio e intolerância contra homossexuais, na defesa da mão pesada das autoridades contra o que ele chama de “baderna” e “desestruturação da família” e a defesa do regime militar e seus métodos. Portanto, pode-se inferir que ele não enganou seus eleitores, pois vem repetindo no exercício do mandato tudo o que sempre disse fora dele.
Muita gente (mas muita, mesmo) no Brasil concorda com as posições de Bolsonaro. Alguns, de maneira apaixonada e explícita, outros veladamente. Então, por que não dar voz a um representante do pensamento de parcela significativa da sociedade brasileira, como defende Ricardo Noblat e vários outros? Não seria antidemocrático cercear a opinião de quem quer que seja, sob o risco de termos nossa própria opinião cerceada futuramente? A minha resposta é NÃO.
O discurso conservador “a la bolsonaro” é de fácil assimilação para o cidadão médio: apresenta um modelo de Estado provido de uma espécie de “autoridade do pai bravo”, que resolve as “distorções” na base da chinelada e do castigo; sugere a chamada ditadura da maioria (se todo mundo é de um jeito, por que você quer ser o diferentão? só pode estar querendo aparecer!); dá cabo de uma “aberração” contida no princípio constitucional da isonomia (tratar os desiguais como desiguais), colando na testa deste princípio a pecha de “privilégio de uma minoria”. E, quem faz parte da maioria (ele, o tal cidadão médio) se vê representada por esse discurso.
Numa sociedade individualista e, sob muitos aspectos, primitiva como a nossa, a fala desses caras soa como música. E, não à toa, a maioria das teses defendidas pelos Bolsonaros da vida encontra respaldo e sustentação em religiosos, que usam trechos da Bíblia descrevendo relações sociais e “acontecimentos” de quase 2000 anos atrás para justificar suas posições.
Sim, mas e o direito de se dizer o que quer? Ora, NINGUÉM tem o direito de dizer tudo o que quer, nunca teve e nunca terá. Assim fosse, seria permitido a pedófilos, por exemplo, externar livremente suas preferências sexuais. “Ah, mas pedofilia é crime!”. Sim, e discriminação pela cor da pele ou orientação sexual, é o quê? E se aparecer uma tese malucona apoiada por milhares de pessoas dizendo que pedofilia é uma forma de sexo como outra qualquer? É a sociedade, dentro de seus anseios, crenças e convicções, que define o que é crime ou não, e quais são as penas aplicáveis. Não existe Código Penal Universal.
Ao contrário do que muitos pensam, discursos como o do deputado fomentam o CAOS, não a ordem. E é fácil entender isso: quando você trata, por exemplo, homossexuais como cidadãos promíscuos e sacanas de segunda classe, está autorizando seus adeptos a promoverem o linchamento e a discriminação dessas pessoas “em nome da ordem e da família”; quando defende posturas autoritárias do Estado “contra a baderna e a subversão”, dá oportunidade deste calar a boca de todos os seus desafetos. Quando te obrigam a ser como a média, ou te sonegam direitos por estar fora dela, tem alguma coisa errada: ser a média não é ser “o certo”.
Portanto, veja o paradoxo: ao darmos liberdade a vozes conservadoras do naipe do Jair, estaremos, sim, condenados à prisão da nossa própria voz e ao cerceamento de direitos conquistados. Eles sempre rugem mais alto e vencem pela intimidação.  Afinal, se você teve um pai bravo, sabe muito bem de quem era a palavra final e quem definia o que era melhor para você.
( Publicado no blog COM FEL E LIMÃO )

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