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abril 9, 2009

"Droga do esquecimento": substância pode "apagar" memórias. Aparentemente, pretendem utilizá-la com fins pura e altamente altruístas

Filed under: cérebro, Ciência, Mundo Conspirativo, Yadin Dudai, ZIP ( Neurologia ) — Humberto @ 6:46 am

A droga do esquecimento
Descoberta abre porta para apagar memórias ruins e evitar a demência
Suponha que cientistas possam apagar certas memórias com a aplicação de uma única substância no cérebro. Isso poderia fazer você esquecer um medo crônico, uma perda traumática ou mesmo um mau hábito.
Pesquisadores de Nova York recentemente conseguiram fazer algo semelhante, com uma única dose de um remédio experimental, injetada em áreas do cérebro críticas para o armazenamento de um tipo específico de memória, como associações emocionais, conhecimento espacial e habilidades motoras.
Nos últimos meses, grupos de pesquisa europeus e americanos apresentaram estudos sobre substâncias que poderiam supostamente apagar memórias. Um tipo de droga seria o dos betabloqueadores, normalmente usados para o controle da pressão alta. O outro é uma molécula específica. Porém, neste último caso, os pesquisadores só foram capazes de alterar a memória de animais geneticamente modificados. Essas duas linhas de pesquisa ainda estão longe de oferecer segurança para testes em seres humanos.
A droga anunciada agora bloqueia a atividade de uma substância que o cérebro aparentemente precisa para reter informações. Se for aperfeiçoada, ela poderia ser usada para tratar demências e outros tipos de problema de memória.
Por enquanto, a pesquisa foi realizada apenas com animais. Mas os cientistas estão convencidos de que a droga terá basicamente o mesmo efeito em seres humanos.
— Se essa molécula se provar tão importante quanto parece, teremos muitas aplicações. Será útil no tratamento de traumas e mesmo de vícios, que são comportamentos aprendidos. Também poderá ser usada para melhorar a capacidade de memória e aprendizado — disse Todd C. Sacktor, neurocientista do SUNY Downstate Medical Center, em Nova York, que testou a droga.
Curto-circuito nas lembranças
Pesquisas anteriores já mostraram que células cerebrais ativadas por uma determinada experiência são capazes de “ligar” outras, como se fossem um grupo de pessoas que testemunhou um fato importante. Essas células passam a trabalhar juntas e retém informações importantes como sons, cores, odores e imagens, por exemplo.
O cérebro parece guardar memórias através do crescimento de linhas de comunicação entre essas células ativadas.
Porém, ninguém sabe como o cérebro faz isso. Desde os anos 60, vêm sendo descobertas moléculas com alguma função na formação da memória. Mas seu papel exato é difícil de identificar.
O grupo de Sacktor elegeu trabalhar com uma molécula chamada PKMzeta. Uma série de estudos realizada pela equipe de Sacktor revelou que a PKMzeta estava presente e era ativada nos neurônios do cérebro assim que eles eram “ligados” por células vizinhas.
As moléculas PKMzeta parecem conseguir se reunir dentro das células, ligando um neurônio a outro. E uma vez ativadas, elas permanecem assim para sempre.
— Passamos então a investigar como essa molécula influenciava o comportamento — disse Sacktor.
Nessa fase do estudo, ele contou com a colaboração de André A. Fenton, também do SUNY Downstate, que estuda a memória espacial em ratos e camundongos. Fenton é o criador de uma técnica que estimula os animais a memorizarem lugares onde são escondidos certos objetos.
Uma vez que os animais aprendem, não esquecem mais, mesmo passados algumas semanas ou meses. Mas, quando injetados diretamente no cérebro com a droga chamada ZIP, eles esqueciam todo o caminho arduamente aprendido — com os estímulos de choques elétricos. A ZIP impede o trabalho da PKMzeta.
Fenton fez numerosas variações da experiência. E em todas os animais esqueceram o aprendido. Um outro grupo de estudo também testou a ZIP. Pesquisadores liderados por Yadin Dudai, do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, descobriram que uma dose de ZIP fez esquecerem que destetavam certo sabor de uma substância que os fizera adoecer, três meses antes. Depois de serem injetados com ZIP, eles começaram a gostar da substância.
— A possibilidade de alterar e editar a memória abre uma série enorme de possibilidades e levanta sérias questões éticas — alerta Steven E. Hyman, um neurobiologista da Universidade de Harvard.
Ele adverte que se memórias traumáticas podem ser torturantes, lembrar que coisas ruins existem é essencial para a formação da consciência moral.
Porém, antes que a ZIP possa chegar ao mercado, cientistas ainda precisam responder a uma série de questões. A mais importante e fundamental é o risco de alterar o cérebro. Além disso, a PKMzeta não é a única molécula envolvida na formação da memória humana e bloquear recordações complexas pode exigir o controle de muitas outras substâncias. (Benedict Carey, do New York Times)
(O Globo, 7/4)
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