ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

julho 30, 2008

Censura: 1968 – Mordaça no Estadão, por Jasson de Oliveira Andrade

Filed under: WordPress — Tags:, , , , , — Servílio Gentil Lavapés @ 2:11 pm

Foto: Reprodução
O feitiço virou contra o feiticeiro. O exemplo deste ditado é o Estadão. Em 1964, além de liderar o golpe militar, o seu dono Júlio Mesquita Filho elaborou um Ato Institucional, instituindo penas rigorosas, piores ou pelo menos igual àquelas impostas por Getúlio Vargas no Estado Novo (1937-1945), que puniram o referido jornalista. O ato não foi adotado: era muito autoritário. Mais tarde, em 13 de dezembro de 1968, Costa e Silva editou o Ato-Institucional nº. 5. Era mais ameno do que aquele pedido pelo proprietário do Estadão, mas também autoritário. O ato puniu o jornal, censurando-o. Conto essa historia no artigo “A CENSURA DO ‘ESTADÃO”, que consta de meu livro GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA (página 269). Outros artigos explicativos sobre a época: “DISCURSO QUE PROVOCOU O AI- 5” (página 271) e OITO ANOS SEM MAGALHÃES TEIXEIRA (página 281). Agora, em 22 de junho de 2008, o Estadão publicou uma reportagem: “A luta do “Estado” contra a censura – Mostra conta como jornal manteve compromisso com o leitor e resistiu ao regime militar instituído nos anos 60”. O jornal revela o que é a mostra, sob o título 1968 – Mordaça no Estadão: “A história da resistência dos jornais O Estado de S.Paulo e Jornal da Tarde à censura, nos anos de regime militar”.
Revela o Estadão: “Sob a ditadura, enquanto quase todos os jornais do País aceitaram a determinação para que o material vetado pelos censores fosse substituído por outro, dando a impressão de normalidade, o Estado recusou-se a participar disso. Passou a preencher os espaços vagos com trechos do épico Os Lusíadas, de Luís de Camões. O JT [Jornal da Tarde] mostrou idêntica combatividade, recorrendo porém a inusitadas receitas culinárias”. Depois do AI-5 (13/12/1968), segundo o Estadão, “A liberdade de expressão e a independência da imprensa foram os primeiros alvos. A censura aos jornais passou a ser feita por meio de telefonemas, telegramas, telex, com listas de temas que não podiam ser noticiados ou comentados. A situação deteriorou-se nos anos seguintes, com a ascensão ao poder do general Emílio Garrastazu Médici, até que no dia 24 de agosto de 1972 os censores se instalaram nos jornais e começaram a cortar textos nas provas de impressão (…) Os censores só foram embora no dia 3 de janeiro de 1975, às vésperas das comemorações dos 100 anos de existência do jornal”.
A censura do Estadão terminou em 1975. No entanto, a Ditadura Militar só acabou dez anos depois, em 1985, com a eleição, ainda indireta, de Tancredo Neves. Seria o fim de um regime que a jornalista Maria Isabel Pereira, em reportagem ao jornal O MUNICÍPIO de São João da Boa Vista, publicado no dia 31 de março de 2004, definiu como UMA NOITE QUE DUROU 21 ANOS ( GOLPE DE 64 EM SÃO JOÃO DA BOA VISTA, página 106 ). Um texto que recomendo aos meus possíveis leitores.
No mesmo período abordado pelo Estadão, tivemos o recrudescimento da tortura. Mas essa é outra história.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
Portal Mogi Guaçu, 29/07/2008

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: