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outubro 27, 2007

Magia Negra faz PCC sumir do noticiário. Os bruxos responsáveis são os mesmos que resolvem finanças de cidades e apagões aéreos em apenas um mês.


FÁTIMA SOUZA: ACORDO MÍDIA-GOVERNO CENSURA O PCC
Conversa Afiada
26/10/07
A repórter policial Fátima Souza escreveu um livro em que retoma os dez anos de história do PCC (Primeiro Comando da Capital). “PCC – A Facção” é um livro-reportagem e foi editado pela editora Record.
Fátima Souza disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 26, que o PCC não acabou e que há um acordo entre a mídia e o governo para não falar sobre a facção (
clique aqui para ouvir o áudio).
“Está havendo um acordo em relação ao PCC. Um acordo entre as emissoras de rádio e de TV e o governo, visto que daqui a pouco tem eleições. Gente que foi daquela época que não se combateu o PCC volta a ser candidato”, disse Fátima Souza.
Fátima Souza disse que o PCC é “maquiado”. Segundo ela, quando o PCC realiza algum assalto, por exemplo, a mídia e a polícia evitam falar que se trata de uma ação da facção.
“Ações que hoje são feitas pelo PCC, como assaltos a condomínios, assaltos a bancos e roubo de carga não têm sido divulgados como sendo da sigla PCC. Uma parte da imprensa tem evitado falar da sigla”, disse Fátima Souza.
Segundo Fátima Souza, para combater o PCC é preciso, primeiro, acabar com a corrupção policial. Ela disse que é por meio da corrupção policial que entram os celulares – a maior arma do PCC – nas cadeias.
O livro de Fátima Souza também retoma o caso do “Castelinho”, que foi um episódio em que cerca de 300 policiais cercaram e mataram 12 supostos assaltantes numa estrada do interior, conhecida como Castelinho. A Operação, que ficou conhecida como “Castelinho”, ocorreu durante o governo de Geraldo Alckmin.
Fátima Souza ouviu os presos que sobreviveram à Operação. Ela disse que conta no livro a versão deles sobre a Operação Castelinho. Fátima Souza ouviu dos presos que a policiais se infiltrou no meio do grupo e fingiram ser bandidos para prender os integrantes do grupo.
Os presos disseram para Fátima Souza que a polícia agiu por vingança e que a polícia escolheu aquela quadrilha porque o grupo fez um resgate no mesmo local, em Sorocaba (SP), onde morreu um policial e outro ficou paraplégico. Segundo os presos, a polícia armou um esquema para executar os membros da quadrilha.
Clique aqui para saber mais sobre o livro “PCC – A Facção”.
Leia a íntegra da entrevista com Fátima Souza:
Paulo Henrique Amorim – Fátima, o PCC acabou?
Fátima Souza – O PCC não acabou, infelizmente Paulo. Ele está sendo maquiado, mas continua na ativa, continua agindo, continua nos mesmos moldes de antes. E infelizmente, do outro lado, com a falta de combate do crime organizado também, da mesma maneira.
Paulo Henrique Amorim – Como que ele é maquiado?
Fátima Souza – Na verdade Paulo, muitas ações que hoje são feitas pelo PCC como assaltos a condomínios, como aconteceu recentemente, assaltos a banco, roubo de carga, não tem sido divulgados como sendo da sigla PCC. Uma parte da imprensa tem evitado tratar da sigla tratando ela como uma quadrilha, como se isso fosse resolver o problema. De outro lado, também interessa ao governo que o PCC não esteja diariamente na mídia. Então, muitos casos que são apresentados na imprensa, embora os bandidos que fizeram o crime sejam do PCC, nem sempre isso tem sido divulgado, ao contrário do que acontecia antigamente.
Paulo Henrique Amorim – Como é que se pode dizer que aqueles assaltos a banco, a condomínio, roubos de carga são do PCC?
Fátima Souza – São bandidos ligados ao PCC. São bandidos conhecidos ligados ao PCC que continuam fazendo esse tipo de ataque em São Paulo. Bandidos conhecidos dentro do meio da própria Polícia, bandidos conhecidos por parte da imprensa e bandidos conhecidos dentro do PCC, o que não se tem feito é divulgar que eles fazem parte. Inclusive esse episódio que está acontecendo agora em relação ao delegado e os policias de São Paulo que teriam torturado e achacado um bandido na cidade de Campinas, é um bandido ligado ao Primeiro Comando da Capital.
Paulo Henrique Amorim – É o Abadía?
Fátima Souza – Não, o outro bandido, com relação aos crimes de Campinas.
Paulo Henrique Amorim – E ele é ligado ao PCC?
Fátima Souza – Ele é ligado ao PCC.
Paulo Henrique Amorim – Então você diria que está havendo uma censura ao PCC. O PCC está censurado.
Fátima Souza – Paulo, eu me dou a liberdade de dizer que está havendo um acordo em relação ao PCC. Um acordo entre as emissoras de TV, as emissoras de rádio e o governo, visto que daqui a pouco a gente tem eleição. Gente que foi daquela época, e não combateu o PCC, volta a ser candidato. Eu não consigo compreender como uma emissora como a Rede Globo, por exemplo, que tem uma grande penetração com o jornal dela, trate o PCC como quadrilha. Tem aquela história, “a imprensa faz o nome do bandido”, não, não precisa, Paulo, o PCC já faz o nome dele com tamanho alarde com os ataques de maio do ano passado que não precisa mais. Eu acho que falar, Paulo, é combater e não fingir que não existe. Foi o que o governo fez quando eu denunciei o PCC em 97. Você se lembra muito bem, a gente trabalhava na mesma emissora, e o governo disse que aquilo era uma balela, que era uma invenção para dar Ibope, nos taxando de irresponsáveis, jornalisticamente. O governo não combateu, o PCC cresceu. Agora, a gente continua não combatendo e escondendo debaixo do tapete, mas debaixo do tapete eles estão fazendo muita sujeira.
Paulo Henrique Amorim – Agora, vamos falar especificamente do teu livro, Fátima. Você pesquisa para fazer esse livro há quanto tempo?
Fátima Souza – Paulo, na verdade é um livro-reportagem onde eu conto os dez anos de história do PCC, de 97 a 2007, contando todas as histórias que ocorreram na cidade, alguns contatos meus com os dirigentes do partido criminoso, tentativa de fuga, tem um capítulo sobre as mulheres do PCC, que é muito interessante. O número de mulheres no mundo do crime é cada vez maior. Então eu faço um relato de reportagens que fiz, de contatos que tive, coisas que não puderam ir para o ar. Tem um episódio muito interessante do Castelinho, aquela operação em Sorocaba.
Paulo Henrique Amorim – Você conta aquilo?
Fátima Souza – Eu conto aquilo, Paulo, porque eu estive na cadeia com dois bandidos que foram recrutados pela Polícia queriam dar uma entrevista e o governo recusou, não permitiu que a imprensa fosse ouvi-los. E eu acabei indo como visita na cadeia e consegui entrar. Então eu conto a versão deles para os fatos.
Paulo Henrique Amorim – E qual é a versão deles?
Fátima Souza – A versão deles, como já foi até noticiado, é que a Polícia, usando aquele esquema que se usa muito nos Estados Unidos, é muito comum, a Polícia se integrar no meio dos bandidos fingindo ser bandido também e prendendo os integrantes. Agora, o que eles contam é que foi por vingança que a Polícia escolheu aquela quadrilha. A quadrilha tinha feito um resgate, por acaso, no mesmo local, em Sorocaba, onde tinha morrido um policial e outro ficou paraplégico. Então, aquela quadrilha foi escolhida por vingança. Conto aquela história da bala de festim, que a Polícia deu balas de festim para os bandidos que iriam fazer o suposto assalto, já que não havia avião-pagador em Sorocaba, isso era uma invenção da Polícia, e armou um esquema para fazer mesmo uma execução.
Paulo Henrique Amorim – Foi uma execução?
Fátima Souza – Foi uma execução. Colocando 300 policiais a espera de 12 bandidos que iriam fazer um assalto que a Polícia inventou. Eles contam uma coisa super grave, que o ônibus que estava levando os bandidos foi roubado com a anuência da Polícia. Que na época se fingia de bandido colocando em risco, inclusive, o motorista do ônibus. Então, tem uma versão deles de como é que a coisa teria acontecido.
Paulo Henrique Amorim – E nessa operação do Castelinho tem alguma autoridade, algum policial em julgamento?
Fátima Souza – Não Paulo. Esses policiais só foram afastados, o Grad, que era a Polícia responsável na época pela ação, que contou também com outros integrantes da Polícia Militar naquele cerco de 300 policiais, mas o Grad era o responsável. Depois das denúncias, o governo extinguiu o Grad e os policiais só foram remanejados, alguns foram para Guarulhos, foram espalhados. Por enquanto não houve punição.
Paulo Henrique Amorim – Agora, me conta uma coisa, como é que se organiza hoje o PCC dentro da cadeia?
Fátima Souza – O PCC já é bastante organizado porque já tem hoje representantes em todas as cadeias de São Paulo. Apenas quatro presídios não estão sob o comando do PCC. Um deles está sob o comando do TCC, que é o Terceiro Comando da Capital uma nova facção de dissidentes do PCC, e outros três presídios são liderados pelo CBRC, Comando Brasileiro da Criminalidade, que é um grupo contrário ao PCC. Os outros presídios todos são comandados pelo PCC que tem pilotos dentro de cada cadeia, são assim que eles chamam o representante em cada cadeia, de piloto que organiza e recebe as ordens dos chefões e repassa ali dentro das cadeias. É claro, não é Paulo, a grande arma do PCC, o grande aliado do PCC no crime é o telefone celular, que é uma festa dentro das cadeias, todo mundo sabe disso.
Paulo Henrique Amorim – Continua a ser?
Fátima Souza – Continua a ser, Paulo.
Paulo Henrique Amorim – Mas o governador José Serra quer acabar com o telefone celular nas escolas.
Fátima Souza – Pois é, isso é até irônico, não é Paulo, eu acho que, é claro, tem os seus limites. Você está assistindo um aula e ficar atendendo o telefone constantemente atrapalha o professor, atrapalha o andamento da aula. Talvez alguma coisa tipo, desliguem os seus telefones quando estiverem na aula, como desliga-se no teatro, como desliga-se antes de ir ao cinema. Até aí beleza, agora impedir que o aluno entre na escola e não impedir que tenha um celular dentro da cadeia é até cômico, não é?
Paulo Henrique Amorim – Deixa eu te perguntar uma outra coisa. E o Marcola, ainda é o líder do PCC?
Fátima Souza – O Marcola ainda é o líder do PCC ao lado do Julinho Carambola, o Júlio César Guedes de Moraes, que é o braço direito dele, são os dois homens que ainda comandam o PCC.
Paulo Henrique Amorim – E a Polícia sabe disso?
Fátima Souza – A Polícia sabe disso. O Deic, divisão de crimes organizados daqui de São Paulo, tem, inclusive, um organograma, Paulo, oficial, que eu até publico no meu livro, onde aparece lá “cabeça: Marcola; abaixo de Marcola Julinho Carambola; abaixo de Julinho Carambola, Andinho”, aquele seqüestrador, um dos financiadores e aí vai. Para você ter idéia do tamanho do PCC, basta dizer que o que causou aqueles ataques horrorosos que aconteceram aqui, no ano passado, foi porque a Polícia resolveu separar o que ela chamava de líderes e chefes do PCC em um único presídio. E foram 775 homens. Então, se o PCC tem 775 chefes identificados pela Polícia, você vê o tamanho da facção.
Paulo Henrique Amorim – Mas agora, o governo de São Paulo fez uma supertransferência de presos e não aconteceu nada. O PCC não teve nenhuma reação.
Fátima Souza – Porque essa supertransferência de presos, segundo a Secretaria, é benéfica aos detentos. Estariam transferindo presos de um presídio para outro para que se reserve alguns presídios, se esvaziem alguns presídios para que eles funcionem em regime semi-aberto. Então, hoje muitos presos não conseguem ir para o regime semi-aberto porque não tem vaga. E para eles é interessante estar aqui na rua, não é?! Então, é por isso que a situação ficou tranqüila, aparentemente seria benéfico a eles.
Paulo Henrique Amorim – Por isso não houve reação. E você acha que o PCC não acaba tão cedo?
Fátima Souza – Eu acho muito difícil o PCC acabar tão já.
Paulo Henrique Amorim – E como é que se faz para acabar com ele?
Fátima Souza – Bom, primeiro você precisaria acabar com a corrupção policial que ainda é muito grande e facilita muito a vida dos bandidos. A corrupção nas cadeias que deixa o celular entrar, o que é gravíssimo, a corrupção nas ruas, onde bandidos são presos e soltos mediante pagamento. Então, você acabar com a corrupção policial seria a metade do caminho para você acabar com o PCC. E um combate um pouco mais forte ao crime organizado. Também acho que deveria acontecer uma revisão no nosso Código Penal, porque hoje é muito fácil, não é Paulo, se você vai preso, você cumpre um sexto da pena e está na rua. Então, é uma das coisas que eu não concordo com o Código Penal. O indivíduo fez um crime, recebeu 30 anos de cadeia, tem que ser 30 anos de cadeia para ele, Paulo. Porque o direito de cumprir um sexto da pena e ir para a rua, isso facilita a vida dos bandidos. Então, você tem um sistema Judiciário que não funciona direito, você tem uma Polícia corrupta e você tem um Código Penal que favorece a vida dos bandidos, fica até fácil ser bandido, não é? O cara sabe que ele vai pegar dois anos de cadeia e cumprir quatro. Então, talvez aí uma mudança no Código Penal, nem que seja para crimes mais graves, que seja mantida um sexto da pena para crimes leves. E que seja cortado um sexto da pena para crime grave.
Questões ( do blog ) que o tempo responderá:
Será que Júlio Lancelotti estaria sendo, no fim das contas, extorquido mesmo é pelo PCC?;
Será que já se saberia disso, mas aproveitam-se para sangrar e desacreditar o religioso perante a opinião pública, que já não deve gostar muito da atuação de Júlio Lancelotti?;
A mesma polícia corrupta e ligada ao PCC – mas que pode muito bem jogar nos dois times, dependendo da conveniência – estaria, então, encarregada de “desvendar” a extorsão contra o padre, ainda que cometida pelo PCC?;
Pois, se for verdade esta história de “esconder” a facção nos noticiários, isso também seria feito no caso de Júlio Lancelotti. “Melhor” ainda: a ausência da sigla serviria muito bem à causa, capacitando transformar vítima em algoz; a menos que Júlio pertença ao PCC, e aí não se falaria nele;
Em todos esses anos de convívio com o quinhão marginalizado da sociedade, jamais Júlio foi procurado pelo PCC, nem para um simples bate-papo informal ou alguma singela ameaça?
Em todos esses anos de convívio com o quinhão marginalizado da sociedade, jamais Júlio foi procurado pela Polícia, nem para um simples bate-papo informal ou alguma singela ameaça?

Não precisamos que o imprensalão faça as perguntas por nós. Sabemos ao lado de quem eles estão.

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