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novembro 4, 2006

Abel Pereira pode ser indiciado por quatro crimes


 

Reportagem publicada na última quinta-feira (2) , pelo jornal Correio Braziliense, afirma que o empreiteiro paulista Abel Pereira, acusado de receber propina dos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, donos do Grupo Planam, para liberar verbas do Ministério da Saúde destinadas à compra de ambulâncias superfaturadas, deve ser indiciado pela Polícia Federal. O indiciamento se daria por quatro crimes: corrupção ativa, fraude em licitação, formação de quadrilha e crime contra a administração pública.
A matéria, assinada pelo repórter Leonel Rocha, informa que Abel Pereira será interrogado novamente na próxima semana pelo delegado Diógenes Curado que já conseguiu provas materiais dos delitos praticados por Pereira em 2002.
O deputado Eduardo Valverde (PT-RO) lembrou que Abel Pereira “é o grande intermediário na questão dos sanguessugas” em favor dos ex-ministros Barjas Negri e do tucano, José Serra. “A Polícia Federal está conseguindo desvendar a rede do tráfico de influência organizada pelo governo dos tucanos”, disse Eduardo Valverde.

Liberação
O jornal Correio Braziliense destaca que no final de 2002 Abel Pereira conseguiu que o então ministro Barjas Negri, seu amigo, liberasse R$ 500 mil para a construção de um hospital na cidade de Jaciara (MT), onde o empreiteiro tem uma fazenda. Com a abertura da licitação pelo então prefeito, a empreiteira vencedora foi a JPA, que pertence a Pereira. A obra terminou sendo tocada por outra firma por decisão da prefeitura em uma operação supostamente para esconder a participação de Pereira no negócio. E é por isso que Pereira será indiciado, afirma a reportagem.
A reportagem ressalta ainda que Abel Pereira é suspeito de ter sido, durante a gestão Barjas Negri, o intermediário entre a Planam, fornecedora das ambulâncias, e o governo. Ele foi acusado por Ronildo Medeiros, um dos sócios da Planam, de ter recebido 6,5% sobre o valor de todas as emendas para a compra de ambulâncias que conseguiu liberar em 2002.
A matéria afirma ainda que Abel Pereira também passou a ser investigado pela PF por ter tentado comprar dossiê dos Vedoin que comprometeriam os ex-ministros da Saúde José Serra — governador eleito de São Paulo — e Barjas Negri, hoje prefeito de Piracicaba, com a máfia dos sanguessugas. A PF descobriu que o empreiteiro manteve três encontros com os donos da Planam em São Paulo e em Cuiabá, supostamente para tentar comprar documentos da empresa fornecedora das ambulâncias e que comprometeriam os ex-ministros.
Abel Pereira admitiu, de acordo com a reportagem, que teve os encontros com os donos da Planam, mas disse que as conversas com a família Vedoin foram marcadas porque eles queriam vender provas de que o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), candidato derrotado ao governo paulista, teria interferido para liberar emendas destinadas a ambulâncias.
A reportagem informa ainda que o criminalista Eduardo Silveira Mello Rodrigues, advogado de Abel Pereira, disse que não vê motivo para o indiciamento.
A matéria do Correio Braziliense também ressalta que em depoimento de três horas e meia na Polícia Federal, o ex-funcionário do departamento de inteligência da campanha de Lula à reeleição Gedimar Passos negou que tenha tido encontro reservado com Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência da República, para combinar uma versão sobre a compra de dossiê contra políticos tucanos.

Conselho de Ética
O empresário Luiz Antônio Vedoin poderá depor, na próxima semana, no Conselho de Ética da Câmara. O Conselho já solicitou ao advogado de Vedoin o agendamento para o depoimento.

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Em nome de quem Abel ofereceu R$ 4 milhões para Vedoin calar sobre a gestão Serra-Barjas?

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Na última quinzena de agosto, o empresário Abel Pereira esteve duas vezes em Cuiabá, contactando com os Vedoin do escândalo das ambulâncias, o que foi registrado pela PF. Abel era o preposto através do qual eram liberadas as verbas e passada a propina quando o braço direito de Serra, Barjas Negri, era ministro. Fontes da PF afirmaram que ele ofereceu R$ 4 milhões para que os Vedoin não apresentassem à Justiça o material que depois ficou conhecido como “Dossiê Serra”. Resta saber quem estava por trás do preposto nessa operação.

Negociação de Abel Pereira com Vedoin denuncia tucanos

Operador de Barjas, braço direito de Serra, não se arriscaria tanto pelo silêncio dos Vedoin se não houvesse nada comprometedor

Nas últimas semanas do mês de agosto, a cidade de Cuiabá recebeu uma visita algo insólita. O empresário Abel Pereira, de Piracicaba, hospedou-se no apartamento 417 do hotel Taiamã. De lá, comunicou-se várias ve-zes com os donos do grupo Planam e principais envolvidos no escândalo das ambulâncias, Darci e Luís Antonio Vedoin. Alguns dias depois, ainda em agosto, o mesmo Abel Pereira voltava a Cuiabá. Repetiu o que fizera na visita anterior, e suas comunicações com os Vedoin foram registradas pela Polícia Federal, que esta-va monitorando os tele-fonemas destes.

RISCO

O que havia de insólito nas visitas e na conduta de Abel Pereira não é difícil de perceber: por que um milionário, cuja família é proprietária de 11 empresas que vão muito bem de vida, e que até então não havia sido mencionado nos jornais, revistas ou TV, viajaria a Cuiabá para manter contato com dois réus que estavam no centro de um escândalo que ocupava todos os jornais, revistas e noticiários televisivos? Obviamente, para quase todos os empresários do país, a companhia dos Vedoin era algo pior do que a companhia da lepra. Queriam vê-los longe, até porque não tinham nada a ver com seus mal-ajambrados negócios. No entanto, alguma coisa fez Abel achar que valia a pena correr o risco de chamar a atenção da polícia para a sua pessoa – ou, talvez, ele não tivesse outra alternativa.

Somente no dia 15 de setembro, com a publicação da entrevista dos Vedoin na “IstoÉ”, é que se soube que o hóspede do apartamento 417 do hotel Taiamã era, além de milionário e dono de empresas em Piracicaba, o operador de Barjas Negri, braço direito e sucessor de Serra no Ministério da Saúde. Barjas é, há muito tem-po, a pessoa mais próxima de Serra, personalidade que, sabidamente, não tem muitas pessoas próximas. Barjas, hoje guindado à prefeitura de Piracicaba, nunca teve na política o que se chama luz própria – sempre foi considerado não mais que um homem de Serra.

Quanto a Abel, era através dele, segundo o relato dos Vedoin, que as verbas para a compra de ambulâncias eram liberadas, evidentemente com um pedágio sobre o valor desses recursos.

LEILÃO

Assim, não era estranho que Abel estivesse em Cuiabá no final de agosto. Segundo agentes da PF ouvidos pela “IstoÉ”, Abel Pereira foi a Cuiabá oferecer R$ 4 milhões aos Vedoin para que não entregassem à Justiça os documentos que provavam a ligação com ele e Barjas. E, realmente, apenas no dia 13 de setembro, um dia antes de concederem entrevista à revista “IstoÉ”, esses documentos foram protocolados na Justiça federal.

Porém, desde a primeira quinzena de agosto, segundo a própria imprensa, os Vedoin falavam em entregar nova documentação à Justiça e à CPI. A revista “Época”, em especial, registrou o fato, numa matéria em que, por alguma razão, tratava de desestimular essa entrega, levantando que ela poderia provocar a revogação da “delação pre-miada” pela qual os Vedoin permaneciam fora da cadeia.

Logo depois disso, na segunda quinzena de agosto, Abel Pereira aparece duas vezes em Cuiabá e contacta com os Vedoin. Sobre isso, um agente da PF disse à “IstoÉ” que “os Vedoin fizeram um verdadeiro leilão com as informações que têm”.

Seja como for, Abel não iria se arriscar a ser envolvido publicamente com os Vedoin – como acabou acontecendo – se essas informações não fossem verdadeiras e comprometedoras. Aliás, é significativo que ele não tenha enviado um intermediário. Provavelme-nte, o que estava em risco era importante demais para que ele confiasse em um preposto. Ou, mais precisamente, Abel e os que estavam por trás dele sabiam que os Vedoin não aceitariam um preposto, pela simples razão de que já o consideravam um preposto.

PREPOSTO

É exatamente, aliás, o que os Vedoin disseram a “IstoÉ”, na entrevista feita em setembro, por-tanto, depois das tratativas com Abel, que fo-ram nas últimas semanas de agosto. Literalmente:

ISTOÉ – Quem é Abel Pereira?

Luiz Antônio – É um empresário de Piracicaba que operava dentro do Ministério da Saúde para nós. Era ele quem conduzia todo o processo e fazia sair todos os empenhos… Era um operador, uma pessoa indicada e muito ligada ao Barjas Negri, secretário executivo do Ministério quando José Serra era o ministro e seu sucessor.

Darci – O Barjas Negri é o braço direito do José Serra. Nosso esquema já funcionava no Ministério. Quando o Serra saiu, o Barjas assumiu o Ministério e foi indicado o Abel para continuar a operar.

Portanto, em relação aos Vedoin, Abel sempre foi um preposto, assim era conhecido e assim se apresentava. Os Vedoin não iriam negociar com o preposto de um preposto. Daí a necessidade do próprio Abel ir a Cuiabá.

Estabelecida a sua condição de preposto, a questão é: em nome de quem Abel ofereceu R$ 4 milhões para que os Vedoin ficassem calados e não entregassem a documentação à Justiça? Em outras palavras: Abel era preposto de quem, quando foi a Cuiabá começar esse leilão de documentos e provas?

Ou, usando o velho princípio do Direito Romano: a quem beneficiaria nesse momento o silêncio dos Vedoin? Quem sairia prejudicado se todas as provas que estavam com os Vedoin fossem divulga-das naquele momento? Que acontecimento era tão importante que Abel e seus mentores arrisca-ram tanto para que não fosse influenciado pela divulgação dessas provas?

CARLOS LOPES

HORA DO POVO, 29.07.2006

“Estou sendo punido por falar a verdade”

Quércia: “Articulador dos vampiros  fazia churrasco na casa de Serra”

“E até agora o Serra está fugindo de dar explicações das acusações”

O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Orestes Quércia, afirmou que a decisão do TRE de tirar do ar seu último programa eleitoral “foi injusto”. “Estou sendo punido por falar a verdade, por mostrar a revista IstoÉ com a reportagem do dossiê Vedoin, e o Serra não se explicou. Ele ainda não explicou a questão e no último dia de campanha eu não tenho programa”, declarou Quércia, referindo-se às acusações de envolvimento do candidato José Serra (PSDB) com a máfia dos sanguessugas.

“Não vou brigar com a Justiça, porque não se briga com padre nem juiz, mas é o fim do mundo eu não ter programa porque Serra mentiu quando disse que acabou com as escolas de lata. Mas o próprio Kassab ( prefeito Gilberto Kassab ) confirmou que ainda há escolas de lata”, lembrou Quércia, nesta quarta-feira, durante visita à Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, no bairro da Liberdade, sobre outro programa do candidato retirado do ar.

Para o candidato do PMDB, há uma proteção em torno do nome de José Serra. “Ainda ontem foram denunciados os vampiros. Um deles é o Platão. Ele fazia churrasco no final de semana na casa do Serra. Está indiciado. Era o grande articulador dos vampiros e não sai nada do Serra em jornal nenhum. A proteção que eu falei foi isso. As coisas têm de ser explicadas”, ressaltou Quércia.  Platão Fischer foi gerente do Departamento de Programas Estratégicos do Ministério da Saúde nomeado por Serra.

Na avaliação do ex-governador de São Paulo, o debate realizado terça-feira pela TV Globo com os candidatos, revelou “muito mais do que todas aquelas fantasias e ilusões que o Serra mostra na televisão. Espero poder ter transmitido minhas posições e tenho convicções de ir para o segundo turno e ganhar as eleições”, declarou Quércia.

Sobre o suposto dossiê contra os tucanos, Quércia afirmou: “Esse negócio do dossiê não convenceu a mim nem a ninguém. O PT não explicou direito essa questão. E até agora o Serra está fugindo de dar explicações das acusações”.

A quem interessa o dossiê dos Vedoin?

“A operação abafa dos tucanos segue em marcha”, denuncia o deputado estadual pelo PMDB, Romeu Tuma, questionando o conteúdo do dossiê

“Não é à toa que o PSDB abomina referências ao conteúdo da papelada apreendida pela Polícia Federal. O calhamaço envolve gente graúda, como o secretário-executivo e depois ministro da Saúde de FHC, Barjas Negri”, denuncia o deputado Romeu Tuma no artigo cuja íntegra publicamos abaixo. E assevera: “Braço direito de Serra, Negri é amigo íntimo do empreiteiro Abel Pereira, apontado pelos Vedoin como a porta de entrada para o início das falcatruas no Palácio do Planalto”

ROMEU TUMA*

José Serra é o principal disseminador da “Lei de Ricupero”, que foi cunhada pelo ex-ministro de mesmo nome no final do governo Itamar Franco: “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”. Entre as preferidas dos tucanos, também podemos separar aquela máxima lançada pelo ex-jogador Gérson décadas atrás, que dizia que era bom levar vantagem em tudo. Só isso pode explicar a desfaçatez dos tucanos, sobretudo os mais graduados, que aparecem na TV cobrando soluções contra quem queria comprar o dossiê da família Vedoin sobre a máfia das ambulâncias.

O principal problema dos petistas gira em torno da origem dos recursos que foram utilizados para a frustrada compra dos documentos. Quanto ao uso do material, existe muito barulho, mas poucas certezas até o momento. Ninguém conseguiu provar que as acusações seriam utilizadas contra José Serra. Também não ficou claro se os petistas queriam agir rapidamente para evitar que o dossiê fosse parar nas mãos dos inimigos. Afinal, até onde se sabe, a munição que poderia ser utilizada em um lado do front causaria estragos iguais, senão maiores, do outro lado do campo de batalha.

Não é à toa que o PSDB abomina referências ao conteúdo da papelada apreendida pela Polícia Federal. O calhamaço envolve gente graúda, como o secretário-executivo e depois ministro da Saúde de FHC, Barjas Negri. Braço direito de Serra, Negri é amigo íntimo do empreiteiro Abel Pereira, apontado pelos Vedoin como a porta de entrada para o início das falcatruas no Palácio do Planalto. O empresário Pereira transitava livremente pelos corredores da gestão tucana, mas pouca gente tem se preocupado em saber como ele foi parar em Brasília. Dizem até que nos últimos dias o senhor Abel Pereira esteve na cidade atrás do tal dossiê. Será que ele iria esconder o documento?

Outro personagem curioso nessa crise é Geraldo Alckmin. Do jeito que fala, o ex-governador paulista nem parece ser a mesma pessoa que entregou as cadeias aos bandidos do PCC nos últimos 12 anos. Serra engrossa o coro. Não comenta, e sequer é questionado sobre a investigação da Polícia Federal em torno da Máfia dos Vampiros, quadrilha especializada na venda de produtos hemoderivados superfaturados na gestão tucana. A investigação indicava que Serra sabia de tudo o que acontecia. Na última hora, porém, seu nome saiu do relatório e foi trocado pelos petistas Humberto Costa e Delúbio Soares. A uma semana da eleição.

Estranhamente, ninguém se lembra que Serra montou um “SNI” paralelo no Ministério da Saúde, dirigido por Barjas Negri e alguns arapongas, que conseguiu destruir a candidatura de Roseana Sarney pelo PFL em 2002, quando se “descobriu” um milhão de reais no cofre da empresa de seu marido no Maranhão. Ao mesmo tempo, eles foram incapazes de desvendar a máfia dos sanguessugas e dos Vampiros, que movimentava o andar abaixo da sala do então ministro. Afinal, foi incompetência ou má fé?

A operação abafa dos tucanos segue em marcha. Não se vê qualquer menção sobre seus projetos para o país ou para os estados. Não se discute educação, saúde, saneamento básico ou segurança pública. Alguém se lembra do PCC? Ou do desvio de verbas públicas da Nossa Caixa para fazer publicidade nas revistas dos amigos de Alckmin? Não há uma linha sobre esses assuntos, embora haja espaço de sobra para estampar manchetes sobre um dossiê que ninguém viu, que não chegou a ser utilizado, e sobre o qual pairam suspeitas a respeito da autenticidade. Mas o modus operandi do tucanato não falha nunca. Doa a quem doer.

* Romeu Tuma é delegado de Classe Especial da Polícia Civil, deputado estadual (PMDB), ex-presidente e atual integrante da Comissão de Segurança Pública, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor e Corregedor da Assembléia Legislativa de SP 

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