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maio 22, 2006

Ato Patriótico no Brasil


Passou meio que despercebido, graças ao destaque que o PCC recebeu nos últimos dias. O jornal USA Today publicou aquilo que deverá fazer a alegria de todo adepto das idéias convencionalmente ( mal ) definidas como ” teorias da conspiração”: o governo americano teria grampeado seu próprio povo desde o 11 de Setembro.
Modéstia. Os conspirólogos denunciam que isso é feito há muito mais tempo.
A desculpa do governo Bush é o surrado “combate ao terrorismo”. Como já foi o “combate ao comunismo” a justificativa pelo apoio a ditaduras sanguinárias ao redor do globo.
A novidade é que não se trata de artigo publicado em sites de ufologia e afins, mas de um “jornalão”. Todo cidadão norteamericano, suspeito ou não, teve seus telefonemas rastreados por um sistema de espionagem hi-tech, monitorado por agências de espionagem, como a NSA.
O que isso tem a ver com o Brasil?
Quase nada, mas serve como introdução ao tema a seguir: a paranóia observada no Estado de São Paulo, devido aos ataques atribuídos ao PCC, está servindo como justificativa para a recrudescência da brutalidade por parte dos agentes da lei.
A compreensível resposta vigorosa da PM ao crime no Estado veio acompanhada de relatos, suspeitas de abusos e, pior, assassinatos considerados gratuitos por testemunhas e conhecidos das vítimas. Chacinas e esquadrões da morte voltam a ser destaque nos noticiários e conversas cotidianas.
A”opinião pública” exige respostas e não irá se opor ao uso desmedido de violência contra pessoas que tiverem o azar de cruzar com uma polícia desmoralizada e às voltas com seus próprios conflitos internos de ordem moral, espiritual, psicológica e material. Locais onde a população prefere os bandidos à polícia são alvos da desforra indiscriminada.
Após o ataque às Torres Gêmeas, a música de uma nota só que passou a ser entoada, quase em uníssono, nas paradas americanas foi aquela que dizia: quem não está conosco, está contra.
O chamado Ato Patriótico, restringindo as liberdades civis dos cidadãos americanos, seria então imposto sob a bandeira da Segurança Nacional, e as vozes contrárias às represálias preconizadas por Bush e seu Ministério da Guerra, seriam colocadas em xeque, sujeitas à pecha irresistível de anti-patrióticas ou anti-americanas.
Semelhanças à parte, deve-se temer que velhos baluartes da troglodice tropical saiam de sua leve hibernação, brandindo seus tacapes e, auxiliados pela gritaria supersônica de programas de rádio e televisão, instiguem a população traumatizada pelos acontecimentos contra valores de seu próprio interesse, como os direitos civis e humanos que alguns insistem em preservar.

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