ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

setembro 14, 2013

Crime organizado ameaça ministro do STF

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Veja manda um recado: pode crucificar o decano

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Foi exatamente para isso que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, conduziu uma chicana nas últimas sessões da corte, contando com a ajuda dos ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello; os três queriam que houvesse uma capa de Veja no caminho do ministro Celso de Mello antes da decisão sobre os embargos; na última quinta-feira, ele pretendia votar, mas foi impedido pelo trio, na esperança de que o decano sucumbisse à pressão midiática; isso comprova que o jogo da mídia na Ação Penal 470, com a colaboração de alguns ministros do STF, é absolutamente imoral.

Brasil 247 – Pergunta número 1: por que Joaquim Barbosa encerrou prematuramente a sessão do Supremo Tribunal na última quarta-feira, às 18 horas, como se os ministros fossem burocratas com horário fixo para fechar o expediente? Pergunta número 2: por que Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello estenderam ao máximo seus votos na quinta-feira, como se fossem dois similares de Rolando Lero e não juízes de uma suprema corte? Pergunta número 3: por que Joaquim Barbosa, simplesmente, impediu Celso de Mello de votar na quinta, quando o decano disse que poderia fazê-lo em apenas cinco minutos? (saiba mais aqui)

A resposta sobre as motivações da chicana jurídica – demonstrada com antecipação pelo 247 na própria quinta-feira ( leia aqui ) – está nas bancas. O que se buscava era que, até a decisão final de Celso de Mello, houvesse tempo para uma capa da revista Veja. “Eis o homem”, diz o título da revista da família Civita. “Ele condenou os réus do mensalão, mas agora tem de decidir entre a tecnicalidade e a impunidade. Não pode lavar as mãos como Pilatos, mas corre o risco de ser crucificado”.

Num julgamento em que Veja e outros veículos de comunicação – Globo e Folha à frente – colocaram a faca no pescoço de vários ministros do Supremo Tribunal Federal para atingir não a justiça, mas sim seus objetivos políticos (leia aqui a análise de Hélio Doyle sobre esse fenômeno), há, agora, a tentativa de golpe derradeiro. Não com uma simples lâmina afiada, mas com uma cruz e alguns pregos.

Celso de Mello está avisado. Se decidir conforme suas convicções, já manifestadas de forma clara, no dia 2 de agosto do ano passado ( assista aqui ), em defesa do direito de defesa dos réus, ele será crucificado.

O que comprova a absoluta imoralidade da imprensa brasileira ao longo do julgamento da Ação Penal 470. Ela, sim, merece ser condenada.

PUBLICADO NO ESQUERDOPATA

CAPIVARAS HISTÓRICAS:

Ex-governador Hélio Gueiros: ‘Veja quis me chantagear’

O ex-governador do Pará, Hélio Gueiros, em sua coluna no jornal “Diário do Pará”, edição de quarta-feira, relatou como “Veja” tentou lhe extorquir quando foi governador do Estado. O também ex-senador e ex-prefeito de Belém conta que, apesar da pressão, recusou e não cedeu ao achaque para veicular matéria paga na revista. Leia abaixo o texto de Hélio Gueiros.

“A revista “Veja” fez uma reportagem indelicada, – indelicada não, mas grosseira e vulgar – visando a governadora Ana Júlia. Note-se que, dias antes, o jornal “O Globo”, usando o mesmo material – ou quase o mesmo -, publicou duas páginas atingindo a governadora paraense, mas sem os termos chulos e desrespeitosos da “Veja”.

Acho apropriado relembrar o que o semanário de circulação nacional fez comigo no governo. Por várias vezes me deu alfinetadas procurando comprometer o meu nome perante o leitor brasileiro. Anotei mas não dei troco.

Uma bela manhã, em Palácio, recebo a visita de um representante da revista. Fui cordial e atencioso com o empregado que me solicitou então uma matéria paga para “Veja”. Fiz ver a ele que não me sentia à vontade para contratar a publicidade porque eu daria a impressão de que estava me rendendo às cutucadas da revista. Ela então me disse que a área comercial da empresa nada tinha com a publicação da redação. Eram totalmente independentes e autônomas. – É… – respondi eu. – Mas para mim é tudo a mesma coisa.

E não dei a publicidade. Nem naquela altura nem ao longo dos meus quatro anos de governo. Um colega meu de jornalismo paraense, conversando comigo, me revelou: – Olha, Hélio, se você quiser – e pagar -, você pode até ser capa da revista com direito a foto e tudo.

Não mudei de atitude. Nunca paguei nada para “Veja” e ela, também, nunca deixou de me impinimar.

Pode ser arriscado. Mas não se deve ceder à chantagem mesmo disfarçada. Dá para reconhecer. ( Hélio Gueiros ).”
HORA DO POVO, Maio de 2007

( *** )

Pronunciamentos
Texto Integral

Autor: Roberto Requião ( PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro /PR )
Data: 24/09/1999
Casa: Senado Federal
Tipo: Pronunciamento

O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, trago ao plenário do Senado algumas informações que, somadas a outras trazidas por mim mesmo a esta Casa, desaguarão, mais cedo ou mais tarde, necessariamente, numa CPI da Editora Abril, do Grupo Civita.

Sr. Presidente, numa forma breve, quero trazer ao conhecimento dos Senadores um texto do jornalista Sebastião Nery, publicado na Tribuna da Imprensa , em que se diz:

“Os Senadores José Sarney e Antonio Carlos Magalhães estão chateados e preocupados. Quando Sarney era governador do Maranhão, doou o belo parque urbano de São Luís, na beira da praia, para o Grupo Abril construir um Hotel 4 Rodas e conservar o parque. Antonio Carlos, quando governador da Bahia, também doou o lindo parque de Itapoã para o Grupo Abril construir um Hotel 4 Rodas e conservar o parque.

O Grupo Abril vendeu os hotéis ao grupo espanhol Sofitel. Mas só vendeu e entregou os prédios dos dois hotéis. Os parques, patrimônios públicos das duas cidades, foram loteados, e estão construindo lá centenas de casas.”

Ou seja, o Grupo desmembrou o parque. Como V. Exª percebe, Sr. Presidente, não se trata de um grupo empresarial, mas de um grupo de gângsteres a espoliar o patrimônio público.

Informa-nos o jornalista Sebastião Nery que o Ministério Público já se debruça sobre os dois casos citados, para providenciar a devida reparação. Na verdade, essa é uma questão de polícia, não é nem uma questão de direito.

Por outro lado, aqui neste Senado, já contei um episódio que ocorreu entre mim, quando Governador do Estado do Paraná, e o Sr. Civita, e vou novamente relatá-lo para avivar a memória dos Senadores. Assumi o Governo do Estado e resolvi processar o Bamerindus por comportamentos que julguei extremamente danosos ao patrimônio do Paraná, ao Banco do Estado do Paraná e à seguradora pública do Paraná.

O Sr. José Eduardo de Andrade Vieira era meu adversário. Tomei, então, o cuidado de acioná-lo judicialmente, sem transformar o processo que eu movia em uma questão pública, para não me utilizar da condição de Governador e das informações que, por essa condição, eu tinha, no sentido de desgastar um adversário político. Deixei que a Justiça resolvesse o problema.

O Sr. Roberto Civita, de uma forma ou de outra, soube do processo e passou a me procurar para obter os dados. Eu argumentava com ele exatamente neste sentido: “Espere o julgamento dos processos!”.

Fui a São Paulo, e o Sr. Roberto Civita me convidou para um almoço e acabou me convencendo de que a questão era pública. Ele dizia: “Governador, o senhor não pode ocultar da opinião pública o comportamento do Sr. José Eduardo de Andrade Vieira e do Bamerindus em relação ao patrimônio do Paraná. É uma informação que deve ser divulgada”. Acabou me convencendo disso. O meu cuidado era muito grande e, talvez, excessivo do ponto de vista ético, se é que existe ética excessiva. Cedi, e o Sr. Civita mandou três ou quatro jornalistas especializados em assuntos econômicos ao Paraná, onde, por 15 dias, examinaram os problemas do conflito entre aquele Estado e o Grupo Bamerindus em relação ao Banestado e à Companhia Paranaense de Energia Elétrica.

Numa bela quarta-feira, Sr. Presidente, recebi, no Palácio do Iguaçu, um telefonema do Sr. Civita. Ele me disse: “Governador, o senhor achava que não publicaríamos notícia alguma”. Eu havia dito a ele exatamente isso, pelo fato de o Bamerindus ser um dos grandes anunciantes do Brasil. Disse ainda: “Compre a Veja no final da semana, que o senhor verá o que é uma revista independente”.

No fim da semana, a Veja chegou às minhas mãos, com quatro ou seis páginas de propaganda do Bamerindus, o que se repetiu durante seis meses a um ano, e nenhuma linha foi publicada sobre a denúncia. As informações obtidas junto ao Estado do Paraná, à Copel e ao Banco do Estado tinham servido para o Sr. Roberto Civita – já que quem fez o contato comigo foi ele e não o editor da revista ou os jornalistas isoladamente – para que o Bamerindus fosse chantageado.

São dois casos seriíssimos: a chantagem que o Bamerindus sofreu e pagou, na época, em forma de publicidade; e, agora, essa denúncia do jornalista Sebastião Nery.

Quero conseguir mais informações. Inclusive, quero colocar à disposição de todas as pessoas que tiverem notícias sobre o comportamento dessa quadrilha editorial o meu site na Internet, a minha home page no Senado e o meu gabinete. Estou disposto a receber informações e correspondências, afinal não é possível que a imprensa marrom domine a opinião pública nacional.

Recebi, na semana passada, uma retaliação das denúncias que fiz em relação ao Sr. Roberto Civita e ao Grupo Abril. Calhordamente, canalhamente, tentaram passar uma informação absolutamente errada, equivocada e de má-fé no sentido de que a minha mulher teria mandado dólares para o exterior. É evidente que isso não ocorreu. Levei documentos e provas definitivas para a reportagem do Grupo Abril, da revista Veja, e de nada isso bastou. A prática infamante foi levada à frente numa operação casada com a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado do Paraná. E, suportados em reprints da Veja, tentaram convencer a opinião pública do meu Estado e do País de que eu, o Senador que iniciou a investigação sobre remessa de dólares para o exterior, teria na minha família um caso de remessa de dólares [ VER AQUI ]. Acusação sórdida, canalha, safada, característica do comportamento editorial desse grupo de gângsteres! Realmente, esse grupo não é um grupo econômico, mas sim um grupo de gângsteres que atua na editoria e na publicação de revistas no País.

Quero receber, por parte do público que assiste à TV Senado , informações sobre o comportamento do Grupo Abril. Quero somar essas informações para dar consistência a essas duas primeiras denúncias e ampliar a consistência, porque consistentes são de sobejo. Vou me preparar para, mais cedo ou mais tarde, com o convencimento dos Colegas Senadores, iniciar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que termine pondo na cadeia os gângsteres da Editora Abril!

Muito obrigado, Sr. Presidente.

agosto 10, 2013

Veja acusa alienígenas do passado pela roubalheira em São Paulo

 

( SURRUPIADO DO BLOG O ESQUERDOPATA )

VEJAALIEN
Se ainda havia alguma dúvida sobre o engajamento político da revista Veja, ele desaparece por completo na edição desta semana; reportagem “O acerto que saiu dos trilhos” é capaz de gastar papel e tinta com o caso Siemens praticamente sem mencionar políticos tucanos e sem publicar nenhuma foto; sobra até para um petista, o ex-presidente Itaipu, Jorge Samek, que teria pedido favores para perdoar uma dívida da multinacional alemã; nada sobre Geraldo Alckmin, Mario Covas, Robson Marinho (acusado de receber propinas de US$ 20 milhões) ou Andrea Matarazzo, também indiciado pela Polícia Federal; na única citação a políticos, José Serra e José Roberto Arruda, Veja afirma que os dois aparecem “em situações não comprometedoras”; uma reportagem vergonhosa, que não traz de nada de novo sobre o caso Siemens, mas revela a natureza partidária de Veja.
Brasil 247 - Em grave crise financeira, a Editora Abril, que vem cortando títulos e demitindo profissionais, acaba de atirar de vez sua credibilidade no lixo. Numa reportagem vergonhosa, sobre o caso Siemens, a revista Veja é capaz de dedicar seis páginas ao escândalo que movimenta o debate político no Brasil como se ele ocorresse na lua ou em outro planeta – e não em São Paulo, onde fica a sede da editora.
Para quem ainda tinha alguma dúvida sobre o engajamento político da casa editorial dos Civita, Veja rasgou de vez a fantasia. É tucana, ou melhor, tucaníssima. E prova, com seu texto, que o cientista político André Singer tem toda a razão, ao falar sobre grupos sociais que articulam o debate contra a corrupção no Brasil. “Terão a mesma energia ou o ímpeto revelado irá esmorecer, agora que são outros os personagens na berlinda?”, indaga na Folha (leia mais aqui).
Assinada pela jornalista Laura Diniz, com reportagem de Bianca Alvarenga e Pieter Zalis, o texto conta a história da Siemens e explica o que é cartel, como se os leitores estivessem interessados em biografias empresariais ou aulas de teoria econômica. “A isso se dá o nome de cartel, crime no qual um grupo de empresas se une para lotear o mercado e combinar preços, de forma a atropelar a livre concorrência e aumentar seus ganhos, já que, em seus acordos secretos, nunca decidem fixar os preços para baixo”.
Ilustrada de forma asséptica, a reportagem não tem fotos de personagens, contrariando o padrão gráfico da própria Veja. Onde estão as fotos de Geraldo Alckmin, José Serra ou Mario Covas? Nada. Ou então de Robson Marinho e Andrea Matarazzo, acusados de receber propinas da Alstom, outra empresa partícipe do esquema? Também nada. Ou quem sabe de José Luiz Portella, o Portelinha, homem de confiança do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, citado num email da Siemens como articulador de um acordo que envolveria também José Serra? (leia aqui) O gato comeu.
Sem tucanos na mira, Veja conseguiu até a proeza de disparar contra um petista em sua leitura sobre o caso Siemens, ao resgatar uma história contra Jorge Samek, diretor-geral de Itaipu. Ele teria sido acusado de cobrar US$ 6 milhões para perdoar uma dívida da multinacional alemã.
Lá pelo finalzinho do texto, o leitor descobre, enfim, o nome de dois políticos. “Nos milhares de documentos e e-mails apreendidos, aparecem apenas os nomes de dois políticos, os ex-governadores José Serra (PSDB-SP) e José Roberto Arruda (DEM-DF). Os dois são apenas citados – e em situações não comprometedoras”, diz a revista. Ah, bom…
A reportagem de Veja é histórica não pelo que traz de novo sobre o caso Siemens – de onde menos se espera, é que não sai nada mesmo, como diria o Barão de Itararé. Ela ficará marcada como um exemplo da natureza perversa da própria imprensa brasileira.
Veja tem lado. A Editora Abril tem lado. E isso ficou explícito e absolutamente escancarado neste fim de semana. O grande problema, para a democracia brasileira, é que empresta seu poder de fogo para manipular e pressionar instituições públicas, como a procuradoria-geral da República e o Supremo Tribunal Federal, sempre em defesa de seus próprios interesses políticos e comerciais.

janeiro 13, 2013

Revista Veja, a tática do cinismo, por Carla Luciana Silva, autora de “Veja: indispensável partido neoliberal”

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vejafuma

Em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto.
Uma forma de desvendar a revista Veja é ler as cartas dos leitores, de um entusiasmo algo monótono: “um farol iluminando o mar de lágrimas de nosso mundo político”; “não somente uma bússola [ética], mas também fonte de constância e competência”; uma publicação “livre, corajosa e obcecada pela busca da verdade”.1 Outra é, simplesmente, folhear um exemplar.
A Veja é a revista mais influente da América Latina, com uma tiragem de aproximadamente 1,2 milhão de exemplares, dos quais 925 mil por assinatura, e recruta três quartos de seus leitores entre os 12% de brasileiros mais abastados – população que, parece, não se incomoda com uma visão de mundo conservadora. A seção “Panorama”, por exemplo, exibe regularmente imagens e citações de homens e mulheres públicos: os primeiros, de terno, expressam sempre suas preocupações políticas; elas, pouco vestidas, se inquietam sobre o peso ou as nádegas. Já a publicidade ocupa em média mais de setenta das 140 páginas da publicação. Na edição de 7 de novembro de 2012, os leitores depararam com dezesseis páginas seguidas de propaganda da Procter & Gamble.
É necessário, contudo, desembolsar R$ 9,90 para comprar a Veja em uma banca – o equivalente a 1/60 do salário mínimo. Essa proporção, na França, significaria desembolsar mais de 18 euros por uma L’Express ou Le Nouvel Observateur. Papel fino e principalmente cinza, manchetes capitulares, capa sensacionalista: a Veja não é propriamente uma revista elegante. Sua ambição? Figurar entre as instituições “indispensáveis ao país que desejamos ser”, como proclama seu slogan. E o país a que a Veja aspira não gosta nada do Estado.
Na edição de 15 de agosto de 2012, o editorial enalteceu um programa de privatização que coloca o Brasil “em harmonia com a lei da gravitação universal”. Não sem advertir: “a presidente Dilma Rousseff vai se chocar contra as resistências evidentes de seu partido, o PT, e contra outras forças reacionárias da esquerda. Trata-se de uma batalha na qual necessitará do apoio da opinião pública. O apoio da Veja já está garantido”.
Editada pelo Grupo Abril, a Veja surgiu em 1968, mesmo ano do Ato Institucional n. 5, que marcou a radicalização da repressão exercida pela junta que chegou ao poder em 1964. Se, por um lado, a revista sempre teve uma relação ambígua com a ditadura, por outro se engajou a favor das reformas neoliberais desde o retorno da democracia, em 1985 – com a mesma devoção com que anuncia sua linha editorial de “jamais refugiar-se no conforto da imparcialidade”.
Em 1989, na primeira campanha presidencial democrática após a queda dos militares, a Veja apoiou Fernando Collor, cuja base política era frágil em relação à candidatura de Lula. Barbudo, sindicalista, sem diploma universitário, este entoava um discurso que ameaçava os poderosos. Na época, o proprietário do grupo Globo, Roberto Marinho, também escolheu seu lado. Sobre Collor, alertava seus funcionários: “Não criticamos esse jovem”.2 A Veja atuava da mesma forma, construindo a imagem de um candidato “jovem e sedutor” e grande “caçador de marajás”.
Nos anos seguintes, uma questão obcecou os economistas ortodoxos: a inflação, que acabava com as economias dos rentistas. E aterrorizou a Veja, que consagrou várias capas ao tema com, por exemplo, um vampiro com olhos esbugalhados (9 maio 1993), um crocodilo fotografado de frente e com a boca aberta (9 mar. 1994) ou ainda um dragão cujas labaredas de fogo parecem queimar a capa (4 dez. 2002).
A Veja também se alarma diante de protestos e manifestações populares: os organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os dos sindicatos. Assim, no dia 31 de maio de 1995, publicou na capa uma fotomontagem que apresenta o presidente Fernando Henrique Cardoso usando um capacete de soldado. A publicação o felicita por “domar” a central sindical mais importante do país ao reprimir uma greve de petroleiros com o Exército.
As “ditaduras populistas”
Preocupada com a chegada ao poder dos dirigentes progressistas na América Latina, a revista se empenhou em denunciar as “ditaduras populistas”. No dia 10 de maio de 2006, com a manchete “Essa doeu!”, representa um Lula visto de costas após ter recebido um chute no traseiro. A imagem era uma burla da suposta ingenuidade do chefe de Estado perante seu homólogo boliviano, Evo Morales, que acabava de nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, explorados por empresas brasileiras – porque, para a Veja, os interesses das multinacionais devem prevalecer. No dia 4 de julho de 2012, a revista denunciou uma tentativa de golpe de Estado no Paraguai: não a de Frederico Franco, exitosa, e sim a do presidente venezuelano Hugo Chávez, que teria tentado destituir Franco com o Exército paraguaio…
Até o início da década de 2000, o PT era o assunto que mais preocupava a publicação. No dia 23 de outubro de 2002, às vésperas da eleição que levou Lula à presidência, a Veja pegou pesado. A manchete “O que querem os radicais do PT” titulava uma imagem do candidato do partido segurando uma coleira com um cachorro de três cabeças – as de Lenin, Marx e Trotski –, que o desequilibrava. Enquanto Lula enviava sua “Carta aos brasileiros”, destinada a tranquilizar os especuladores, o periódico chamava a atenção para as franjas “extremistas” do partido.
A Veja se considera na vanguarda da luta contra a corrupção: um editorial de 5 de setembro de 2012 apresenta a revista como a “bússola ética” do Brasil. Mas esse comportamento desempenha, em primeiro lugar, a função de despolitizar. “Ao colocar a corrupção no centro do tratamento da informação política, a Veja transforma o político em policial e omite o fato de que sua própria conduta policial é eminentemente política”, analisa o jornalista Roberto Efrem Filho.3 Assim, em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto. Da mesma forma, em 2005, a Veja reivindicou a revelação do mensalão, quando em realidade a denúncia havia sido feita pela Folha de S.Paulo.
Mais grave, a própria revista está envolvida em casos de corrupção. Há ligações entre Policarpo Júnior, diretor da Veja em Brasília, e empresários como Carlinhos Cachoeira, acusado de desvio de dinheiro.
O caso desencadeou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito batizada de “CPI Cachoeira”. Policarpo, nomeado redator-chefe em janeiro de 2012 e encarregado das páginas políticas, aparece em gravações que o implicam na publicação de artigos e reportagens cujo único objetivo era promover o interesse de empresários.
Confrontada pelo ressentimento anticorrupção que ela mesma ajudou a alimentar, notadamente na internet, a Veja reagiu violentamente, chegando até a denunciar na capa as “táticas de guerrilha destinadas a manipular as redes sociais” ( 16 maio 2012 ). Nessa nota, acusa o PT de colocar um robô encarregado de publicar mensagens anti-Veja no Twitter. Solidário, O Globo apoiou a revista em nome da “defesa da liberdade”.

Carla Luciana Silva é autora de Veja: indispensável partido neoliberal ( 1989-2002 ), Edunioeste, Cascavel, 2009

Ilustração: André Dahmer

1 Respectivamente, 23 maio 2012, 12 e 19 set. 2012.
2 Citado por Christian Dutilleux em Lula, Flammarion, Paris, 2005.
3 Roberto Efrem Filho, “A revista Veja e o meu pai”, Brasil de Fato, São Paulo, 19 jun. 2008.

Le Monde Diplomatique Brasil, Edição 65, Dezembro de 2012

dezembro 6, 2012

Leitores percebem fraude e obrigam Veja admitir que foto de Lula era montagem

Ricardo Setti, colunista de “Veja” que publicou foto na qual Lula estava “supostamente” abraçado à ex-chefe de gabinete da presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, de um lado, e dona Marisa Letícia, do outro, retratou-se depois que a farsa foi desmascarada em páginas pessoais nas redes sociais. A foto original foi publicada junto com a divulgada por ele, que é uma montagem.
A foto verdadeira, feita a partir de foto do Carnaval de 2009, mostra Lula abraçado a Neguinho da Beija-Flor e à esposa do cantor, Eliane Reis. Apesar de uma montagem grosseira, a sofreguidão de “Veja” e seu colunista em desgastar a imagem do ex-presidente, explorando o chamado “Caso Rose” da forma mais baixa e sensacionalista levou a publicação a cometer mais uma fraude.
Setti postou em seu blog um acanhado pedido de desculpas. “Queria dizer que a suposta foto que até há alguns minutos ilustrava o post sobre o ‘Caso Rose’ que publiquei hoje, mostrando Lula supostamente abraçado a Rosemary Noronha, de um lado, e a dona Marisa Letícia, de outro, é na verdade uma montagem”, escreveu.
O suposto “envolvimento” de Lula no caso, investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Porto Seguro, foi rechaçado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em audiência pública na Câmara dos Deputados, na terça-feira (4). “Imaginar que o ex-presidente estivesse envolvido por trás disso está, a meu ver, desmentido”, afirmou.
Cardozo foi à audiência ao lado do diretor-geral Leandro Daiello e do superintendente da PF em São Paulo, Roberto Troncon. Todos disseram que o fato de Rosemary não ter tido seu sigilo telefônico quebrado foi uma escolha técnica, porque a interceptação não serviria para apurar indícios de crimes que já teriam o ocorrido. “Se alguém fez essas gravações, seguramente terá de responder, pois foram ilegais”, disse o ministro.
Na quarta-feira (5), o ministro foi ao Senado.
HORA DO POVO

novembro 8, 2012

Advogado de Valério denuncia conexão entre Gurgel e “Veja”

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O advogado Marcelo Leonardo negou veementemente que ele ou seu cliente tenham feito qualquer revelação para “veículos de comunicação”. Somente ele, seu cliente Marcos Valério e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sabiam do conteúdo do depoimento. Ele denuncia que a revista Veja se utilizou de um “vazamento seletivo, parcial e ilícito”.
Advogado de Valério diz que Veja fez “vazamento ilícito”
Somente ele, Valério e o procurador-geral da República sabiam do conteúdo do depoimento na Procuradoria
O advogado de Marcos Valério, dr. Marcelo Leonardo, fez uma importante revelação na terça-feira (6) ao ser provocado pelo jornalista Luis Nassif sobre a divulgação, por setores da imprensa, de supostas ameaças e de um suposto pedido de proteção por parte de seu cliente à Justiça. O advogado enfatizou que manteve total sigilo e que a revista Veja e o jornal Estado de S. Paulo se utilizaram de um “vazamento seletivo, parcial e ilícito”. Somente ele, seu cliente [Marcos Valério] e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sabiam do conteúdo do depoimento. O advogado nega veementemente que ele ou seu cliente tenham feito qualquer revelação para “veículos de comunicação”.
“Sobre matérias veiculadas pela revista Veja e pelo jornal Estadão, contendo referências a suposto pedido de delação premiada, suposto pedido de proteção pessoal e suposto depoimento de Marcos Valério em setembro do corrente ano, não tenho nada a declarar, uma vez que tenho por hábito cumprir meus deveres ético-profissionais”, disse Marcelo Leonardo. “Se alguém ‘vazou’ de forma seletiva, parcial e ilicitamente alguma providência jurídico-processual que está sujeita a sigilo, eu não tenho absolutamente nada a dizer, a confirmar ou não confirmar. Obviamente, não tornei público nada sobre este tema sobre o qual não falei a nenhum veículo de comunicação”, completou.
A declaração do advogado, reforçando uma possível ligação ilícita entre o procurador-geral da República e a revista Veja foi feita ao responder ao seguinte questionamento de Nassif: “Agora, analise a seguinte hipótese: uma peça relevante na montagem do esquema Valério em Minas, alguém que se sinta ameaçado por futuras delações de Valério sobre o mensalão mineiro, que já tenha sido indiciado ou que ainda não tenha aparecido nas investigações. Tem-se uma ameaça potencial. Marcos Valério, que já se diz ameaçado, lança as suspeitas de ameaça sobre o lado petista [ao falar sobre o caso Celso Daniel]. Qualquer atentado que sofra será debitado automaticamente ao lado petista. Não é prato cheio?”, indagou.
Nassif prosseguiu: “É apenas uma hipótese que estou formulando, mas perfeitamente factível. Ao tornar público o pedido de proteção a Valério, insinuando que sua vida está em risco, e ao direcionar as suspeitas para o caso Celso Daniel, Marcelo Leonardo expõe seu cliente a possíveis atentados”. “Aguardo uma explicação de Marcelo Leonardo, pelo respeito que dedico, até agora, à sua competência de advogado”, concluiu Nassif.
Foi nesse contexto que o advogado Marcelo Leonardo fez questão de deixar claro ao jornalista que não foi ele quem tornou público o conteúdo da petição e do depoimento feitos por seu cliente à Procuradoria-Geral da República. Leonardo parece concordar plenamente com a opinião de Nassif de que, nestas circunstâncias, seu cliente estaria vulnerável a possíveis atentados que poderiam ser feitos por qualquer um dos já envolvidos ou não no valerioduto tucano. Isso ocorreria com boa chance da opinião pública e da Justiça acharem que esses atentados, como diz Nassif, “viriam do lado petista”.
A maneira contundente com que o advogado desmente o vazamento aponta para uma ligações entre no mínimo estranhas entre Roberto Gurgel e a revista Veja. Os “detalhes” revelados pela revista da marginal sobre o encontro só podem ter sido passados por quem estava participando do depoimento. Segundo consta, só estavam presentes três pessoas no encontro. Uma era Marcos Valério, o outro era o advogado, Marcelo Leonardo, e o terceiro era o procurador-geral, Roberto Gurgel.
Nassif lembrou que já houve mortes que podem ter ligações com o valerioduto tucano. “Em Belo Horizonte, há mortes que se tentam relacionar com o ‘mensalão mineiro’”, alerta o jornalista. “Há uma modelo que foi assassinada e um advogado que diz ter sido vítima de atentado”, prosseguiu Nassif. “Pode ser verdade, pode ser algo tão fantasioso quanto as versões criadas em torno da morte de Celso Daniel. De qualquer modo, durante algum tempo, Marcos Valério mostrou uma preocupação genuína ao enfatizar que jamais delataria alguém. Para quem ele falava? Para os réus do mensalão petista ou do mensalão mineiro?”, indagou.
Roberto Gurgel já teve um comportamento, no mínimo, estranho quando engavetou por mais de um ano investigações da Polícia Federal que apontaram o envolvimento do senador cassado Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Gurgel só apresentou denúncia contra ele quando gravações feitas pela PF, com autorização judicial, vieram a público e ele não pôde mais abafar. Demóstenes sempre foi muito bem tratado por Veja, a exemplo de uma matéria que o considerava como um dos “mosqueteiros da ética”. O diretor da sucursal de Brasília da Veja, Policarpo Jr, foi flagrado em intensas conversações com o grupo criminoso de Carlinhos Cachoeira. Cerca de 200 ligações telefônicas entre Policarpo e Cachoeira e seu grupo foram detectadas pela PF. ( HORA DO POVO )

novembro 3, 2012

E lá vem a Veja, de novo, com Marcos Valério…

Sobre o retorno de Marcos Valério
Por PAULO NOGUEIRA via O ESQUEDOPATA

Até quando será tolerado no Brasil que a mídia publique acusações graves sem nenhuma prova?
E lá vem ele de novo, Marcos Valério.
Pobre leitor.
Mais uma vez, o que é apresentado – a título de “revelações” – é um blablablá conspiratório e repetitivo em que não existe uma única e escassa evidência.
Tudo se resume às palavras de Marcos Valério. Jornalisticamente, isso é suficiente para você publicar acusações graves?
Lula, no Planeta Veja, já não é apenas o maior corrupto da história da humanidade. Está também, de alguma forma, envolvido num assassinato. Chamemos Hercule Poirot.
Se você pode publicar acusações graves sem provas, a maior vítima é a sociedade. Não se trata de proteger alguém especificamente. Mas sim de oferecer proteção à sociedade como um todo.
Imagine, apenas por hipótese, que Marcos Valério, ou quem for, acusasse você, leitor. Sem provas. Numa sociedade avançada, você está defendido pela legislação. A palavra de Valério, ou de quem for, vale exatamente o que palavras valem, nada – a não ser que haja provas.
Já falei algumas vezes de um caso que demonstra isso brilhantemente. Paulo Francis acusou diretores da Petrobras de corrupção. Como as acusações – não “revelações” – foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, a Petrobras pôde processar Francis nos Estados Unidos.
No Brasil, o processo daria em nada, evidentemente. Mas nos Estados Unidos a justiça pediu a Francis provas. Ele tinha apenas palavras. Não era suficiente. Francis teria morrido do pavor de ser condenado a pagar uma indenização que o quebraria financeira e moralmente.
Os amigos de Francis ficaram com raiva da Petrobras. Mas evidentemente Francis foi vítima de si mesmo e de seu jornalismo inconsequente.
Por que nos Estados Unidos você tem que apresentar provas quando faz acusações graves, e no Brasil bastam palavras?
Por uma razão simples: a justiça brasileira é atrasada e facilmente influenciável pela mídia. Se Francis fosse processado no Brasil, haveria uma série interminável de artigos dizendo que a liberdade de imprensa estava em jogo e outras pataquadas do gênero.
Nos Estados Unidos, simplesmente pediram provas a Paulo Francis.
Uma justiça mais moderna forçaria, no Brasil, a imprensa a ser mais responsável na publicação de escândalos atrás dos quais muitas vezes a razão primária é a necessidade de vender mais e repercutir mais.
Provas são fundamentais em acusações. Quando isso estiver consolidado na rotina do jornalismo e da justiça brasileira, a sociedade estará mais bem defendida do que está hoje.
Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.

novembro 1, 2012

CPI do Cachoeira ganha 48 dias para ouvir Policarpo

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CPMI do Cachoeira prorrogada: Falta agora convocar o depoimento do diretor de Veja
O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), defendeu na quarta-feira (31) a prorrogação da CPI do Cachoeira por mais 48 dias em bora muitos parlamentares defendam um tempo maior. A leitura do requerimento ficou para a sessão desta quinta (1º), último prazo para os parlamentares tomarem uma decisão sobre o tempo de prorrogação, já que o encerramento dos trabalhos da comissão estava previsto para o dia 4 de novembro.
Um requerimento pedindo a prorrogação por 180 dias ainda dependia das assinaturas de 27 senadores (número já alcançado) e 171 deputados. Na reunião de quarta da CPI, a votação de 533 requerimentos constantes em pauta da comissão também foi adiada, a pedido do relator.
Entre os requerimentos, o mais importante é o que trata da convocação do diretor da sucursal de “Veja” em Brasília, Policarpo Jr., que foi flagrado pela operação Monte Carlo da Polícia Federal em negociações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, reveladas por inúmeras conversas telefônicas gravadas com autorização judicial. A convocação já foi discutida várias vezes e, apesar da reivindicação de alguns parlamentares favoráveis ao requerimento, a comissão jogou para avaliar mais adiante. O prazo de 48 dias é tempo suficiente para tomar o depoimento do diretor de Veja, sucursal Brasília.
A tendência era que a CPI seja prorrogada por 48 dias, pois o requerimento nesse sentido havia alcançado o número mínimo de assinaturas necessárias e, por isso, basta sua leitura em plenário. O processo de conferência de assinaturas impediu que isso ocorresse ainda na quarta. Lido o requerimento, os trabalhos devem seguir até 22 de dezembro, quando termina a sessão legislativa.
Parlamentares criticaram a tendência de acabar logo com os trabalhos da CPMI entre alguns colegas. O senador Pedro Taques (PDT/MT) não concordou com a prorrogação de 48 dias e afirmou que a comissão está “jogando o lixo para baixo do tapete”. O parlamentar é um dos que defendem novas quebras de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.
O senador do Psol, Randolfe Rodrigues, também criticou o tempo de prorrogação “pois não há tempo de receber mais informações nem disposição para mais quebras de sigilo”.
O deputado Odair Cunha rebateu as críticas. Para ele, haveria enterro da CPI se o relatório não fosse finalizado. “Nós estamos fazendo uma investigação aprofundada no prazo que o Congresso Nacional nos deu, de seis meses. Essa prorrogação de 48 dias é necessária para uma discussão transparente de todos os pontos do relatório”, disse. ( HORA DO POVO )

outubro 19, 2012

Esquema criminoso de VEJA-Demóstenes–Perillo-Cachoeira movimentou R$ 84 bilhões em 10 anos, revela relator da CPI

O parecer que será apresentado pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT/MG), aponta que a organização criminosa chefiada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira movimentou, nos últimos dez anos, mais de R$ 84 bilhões. Esse volume de recursos foi detectado nas quebras de sigilo fiscal e bancário de 75 pessoas físicas e jurídicas.
Uma nova “lavanderia” de dinheiro sujo do esquema, em conjunto com a Delta Construções, também veio à tona com a análise das quebras de sigilo. A empresa de fachada Adécio & Rafael Construções e Terraplanagem recebeu mais R$ 37 milhões da Delta sem que prestasse qualquer serviços para esta. Até então a Alberto & Pantoja Construções era apontada como principal instrumento de lavagem de dinheiro do esquema – com repasses feitos a ela pela Delta de R$ 31 milhões, entre 2010 e 2012.
Os novos documentos confirmariam ainda que a mansão do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi realmente comprada por Cachoeira. Perillo alega que vendeu a casa para Walter Paulo Santiago, que teria feito o pagamento de R$ 1,4 milhão com cheques da empresa Excitante Indústria e Comércio de Confecções. Mas a quebra de sigilo mostra que a Excitante fez os pagamentos após receber os valores da Adécio & Rafael.
Na quarta-feira (17), os integrantes da CPI do Cachoeira decidiram por unanimidade prorrogar os trabalhos da comissão. O prazo, no entanto, depende ainda de um acordo entre os representantes partidários no colegiado para ser definido. ( HORA DO POVO )

setembro 15, 2012

Veja no fundo do poço: advogado de Marcos Valério diz que cliente não deu entrevista à revista da Abril: “Desde 2005 Valério não dá entrevistas”

Advogado de Valério nega que ele tenha acusado Lula
Criminalista Marcelo Leonardo disse que empresário não dá entrevistas desde 2005 e que o empresário não falou à Veja. Edição desta semana afirma que Valério tem dito que ex-presidente era o “chefe do mensalão”
O advogado do empresário Marcos Valério, o criminalista Marcelo Leonardo, disse neste sábado (15) que seu cliente não deu entrevista à revista Veja [ grifo deste blog ] e negou as declarações atribuídas a ele, acusando o ex-presidente Lula de ser o chefe do mensalão.
Desde 2005 Marcos Valério não dá entrevistas e não deu nenhuma entrevista para a revista Veja agora [ idem ]. Ele nega o teor das declarações atribuídas a ele”, disse Leonardo, por telefone, ao Globo
O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto, classificou de “ato de desespero” as declarações atribuídas a Marcos Valério. Segundo ele, o empresário estaria tentando envolver o nome do ex-presidente Lula no mensalão porque “sabe que vai parar na cadeia”. Ainda de acordo com o deputado, o assunto deve ter um “tratamento corriqueiro” pelo PT.
“Esse tipo de ação é um ato de desespero de quem está no banco dos réus, de quem sabe que vai ser preso, de quem sabe que vai parar na cadeia”, disse Tatto, referindo-se às condenações de Valério no Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com Tatto, a direção do partido não deve entrar com uma ação contra as denúncias que teriam sido feitas por Valério.
“Nem conversei com o presidente do PT (Rui Falcão). Mas, com certeza, esse assunto vai ter um tratamento corriqueiro”, disse.
Para Haddad, comportamento de réus do mensalão é imprevisível
De acordo com a Veja, Valério tem dito que Lula era o chefe do mensalão. O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu as acusações. O ex-ministro da Educação afirmou que Valério adota um “comportamento normal” às pessoas que sofrem processos dessa natureza, mas ele teme “um comportamento imprevisível” com o andamento do julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda de acordo com o petista, o empresário deve estar fragilizado perante a família, e, por isso, apresenta “recorrentemente versões diferentes”.
“Existe um comportamento normal dessas pessoas que sofrem processos dessa natureza, de apresentar cada vez uma versão diferente. Isso acontece com as pessoas mais fragilizadas, que vão mudando as versões recorrentemente. Ele (Marcos Valério) está num momento difícil”, disse haddad, depois de uma carreata na Zona Norte da cidade.
Segundo ele, as denúncias publicadas na revista não devem afetar sua campanha. “A população tem compreensão de que se alguém se desviou do rumo certo, as acusações (sobre ela) têm que ser apuradas e julgadas”, afirmou.
Para o petista, no entanto, o comportamento dos envolvidos no esquema ainda deve render polêmica. “O comportamento dos condenados será imprevisível a partir de agora, tudo pode acontecer. Tem muita coisa em jogo na vida dele: mulher, filhos, parentes. É um momento de abalo psicológico muito forte”, disse. ( GAZETA DO POVO )

julho 13, 2012

‘Veja’ perde seu valete no Senado

O senador do Dem de Goiás, Demóstenes Torres, braço direito de Carlos Cachoeira e mosqueteiro da revista Veja, bem que tentou, mas não conseguiu enganar novamente seus pares do Senado. Foi cassado com 56 votos a favor e 19 contra. Cinco senadores se abstiveram e um não compareceu à sessão. Seus crimes foram tantos que ele passou a ser conhecido como o “despachante de luxo” do contraventor e, disse hoje, na sessão, que está se sentindo como um “cão sarnento”. Com a decisão, Demóstenes ficará inelegível por oito anos. O mosqueteiro disse, após a cassação, que apelará para o STF, na esperança que Gilmar Mendes faça algo por ele.
Senado varre Demóstenes ‘Veja’ Torres por 56 votos contra 19
Após a sessão do Senado que o cassou ele disse que vai recuperar seu mandato no STF
O senador eleito pelo Dem de Goiás e atualmente sem partido, Demóstenes Torres, braço direito de Carlinhos Cachoeira e “mosqueteiro” da revista Veja, bem que tentou, mas não conseguiu enganar novamente seus pares do Senado. Foi cassado na quarta-feira (11) por 56 votos a favor e 19 contra. Cinco senadores se abstiveram e um não compareceu à sessão.
Sua sociedade com os crimes de Cachoeira ficou tão explícita que ele passou a ser conhecido como o “despachante de luxo” do contraventor. Isolado, disse em discurso na sessão que o cassou que estava se sentindo como um “cão sarnento”. Com a decisão do Senado, Demóstenes ficará inelegível por oito anos contados a partir do fim do mandato (fevereiro de 2019).
Numa das últimas gravações divulgadas esta semana, Demóstenes aparece dizendo a Cachoeira que este tem que ajudar o Policarpo Jr., diretor da revista Veja, porque “ele [Policarpo] é de confiança”. A fala compromete ainda mais a revista com o crime organizado. “Ele [Policarpo] nunca furou com a gente”, arrematou Demóstenes. E o senador cassado, que chegou a defender durante a semana que mentir não é quebrar o decoro, insistiu em dizer que não mentiu aos senadores. “Mas, se tivesse mentido, não seria quebra de decoro”, afirmou.
O argumento de que não houve mentira foi demolido pelo relator do processo, na sua sustentação para o plenário da Casa. Bastou um exemplo do senador Humberto Costa para demonstrar que Demóstenes não só mentiu, como tentou fazer os senadores de bobo. Ele fez isso, lembrou Costa, quando disse, da tribuna do Senado, que sua relação com Cachoeira possuía somente caráter pessoal e que o principal assunto de suas conversas se referia a uma crise conjugal. Demóstenes se referia ao fato de Cachoeira ter tomado a mulher de seu suplente de senador. E que as conversas com o contraventor giravam em torno desse assunto. “Mas, em mais de 300 ligações telefônicas, não há qualquer referência a uma crise conjugal”, ressaltou Costa.
Quase todos os assuntos relacionados às atividades criminosas foram tratados por Demóstenes e Cachoeira nas gravações obtidas pela Polícia Federal. Em mais de dez mil horas de gravação não houve nenhuma referência à tal “crise conjugal”. Os senadores que por ventura ainda estivessem em dúvida, devem ter caído na real com a lembrança do relator. E aqueles que no dia do primeiro discurso de Demóstenes saíram em sua defesa, devem ter ficado ainda mais constrangidos com a enxurrada de mentiras do senador. O tucano Aécio Neves, por exemplo, chegou a fazer um discurso inflamado em sua defesa, logo que Demóstenes começou a ser julgado pelo Conselho de Ética.
Os assuntos que foram grampeados pela PF vão desde a análise de um projeto de lei sobre jogo onde Demóstenes alerta Cachoeira que “inclusive, te pega, né?”, até armação com Policarpo Jr para invadir o quarto de hotel onde José Dirceu costumava se hospedar em Brasília e onde ele recebia alguns políticos. As conversas passaram ainda pela derrubada de ministros do governo Dilma e pela viagem de Demóstenes à Itália – acertada pelo contraventor – para pedir desculpas a [Silvio] Berlusconi (ex-primeiro-ministro da Itália) pela decisão de Lula de dar asilo a Cesare Battisti, até uso de chantagens em favor da empresa Delta e para tentar desestabilizar Agnelo Queiroz. Além disso, a lista de órgãos que receberam a visita de Demóstenes para fazer lobby a favor de Cachoeira e da Delta é interminável. Mas, sobre crise conjugal, não apareceu nada. É por isso que Humberto Costa disse que “quem está punindo o senador Demóstenes não somos nós, é o seu passado”.
Ao repetir que Demóstenes utilizou o mandato para defender os interesses do contraventor Carlos Cachoeira, Humberto Costa citou diversos pontos apresentados em seu parecer para justificar o pedido de cassação. Um deles foi o caso do aparelho de celular e rádio da marca Nextel doado por Cachoeira a Demóstenes. Humberto lembrou que o contraventor ofereceu esse tipo de aparelho “a um seleto grupo de pessoas que compunha a cúpula da organização criminosa comandada por ele”.
O senador também mencionou o diálogo em que Demóstenes avisa Cachoeira sobre uma operação da Polícia Federal de combate a jogos de azar no estado de Goiás. Costa explicou que, nesse caso, a operação era uma simulação que tinha justamente o objetivo de descobrir quem estava vazando informações sobre as ações da polícia. E, ao refutar a alegação de Demóstenes de que não conhecia as atividades ilícitas de Cachoeira, Costa recordou que o senador acusado já foi procurador-geral de justiça e secretário de Segurança Pública de Goiás, além de ter sido integrante da CPI dos Bingos (que apontou o envolvimento de Cachoeira em diversos crimes, como o de formação de quadrilha).
A revista Veja deu amplo respaldo e divulgação aos crimes de Demóstenes. Ela sabia das ligações dele com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. E transformou o senador em herói, chegando até a considerá-lo como um dos “mosqueteiros da ética” (matéria da edição de 4 de julho de 2007). A intimidade de Cachoeira com a Veja e com Policarpo Jr era tanta que em um dos diálogos gravados pela PF, com autorização judicial, o bicheiro escolhe até a seção da revista Veja para colocar uma matéria de seu interesse. São mais de 200 ligações telefônicas trocadas entre Cachoeira e o diretor da revista em Brasília, Policarpo Jr.
À noite, pelo twitter, o senador cassado disse que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo seu mandato. “Vou recuperar no STF o mandato que o povo de Goiás me concedeu”, escreveu. Segundo ele, há “motivos suficientes” para tentar recuperar o mandato porque foi “cassado sem provas, sem direito a ampla defesa e sem ter quebrado o decoro”. Será que ele acha que o voto do seu amigo Gilmar Mendes, com o qual perambulou pela Europa juntos, vale mais do que os dos outros 10 ministros do STF? ( HORA DO POVO )

julho 11, 2012

Campanha do governador tucano do Tocantins foi financiada pela quadrilha de Carlinhos Cachoeira

Governador tucano é outro que andou se banhando nessas águas insalubres

A análise das contas de campanha do governador de Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), indicam que quase metade dos recursos arrecadados pelo seu partido na eleição de 2010 vieram de empresários que tinham ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo os dados, R$ 4,3 milhões (41%) dos R$ 10,5 milhões declarados à Justiça Eleitoral foram doados por citados na investigação na Operação Monte Carlo.
O maior doador, com R$ 3 milhões, foi o empresário Rossine Aires Guimarães, dono de uma construtora, que é apontado pela Polícia Federal como o principal parceiro de negócios de Cachoeira no estado, junto com Cláudio Abreu, ex-diretor regional da empreiteira Delta.
Entre os doadores, com R$ 480 mil, também estão duas empresas do suplente de senador Ataídes de Oliveira (PSDB/TO), um dos políticos que mais aparece nos grampos da PF em conversa com Cachoeira. Marcelo Limírio Gonçalves, identificado como sócio informal de Cachoeira, doou R$ 300 mil. Outros R$ 500 mil vieram da JM Terraplanagem, empresa suspeita pela PF de envolvimento com Cachoeira.
A JM teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela CPI do Cachoeira e a comissão também aprovou a convocação do empresário Rossine Aires Guimarães.
O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), também foi flagrado negociando o apoio do empresário. Ele aparece em um vídeo gravado na época da campanha à prefeitura da capital, em 2004, tratando com Cachoeira sobre a realização de showmício. Na conversa, eles discutem ainda a possibilidades de contratos na prefeitura em troca de apoio na campanha.
Na semana passada, Raul Filho disse que o bicheiro teria pago um show do cantor Amado Batista, no valor de R$ 30 mil, que na prestação de contas enviada pelo PT à Justiça Eleitoral aparece como doação da agência de publicidade RJ Comunicações. No entanto, um dos sócios da empresa negou ter colaborado com a campanha do petista. ( HORA DO POVO )

junho 15, 2012

Hora do Povo: Agnelo liquida na CPI a última tentativa da gang para derrubá-lo

Cachoeira, Demóstenes, Veja, Delta deixaram as digitais em todas elas
Governador do DF desmascarou o complô
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), desmontou, durante seu depoimento à CPI do Cachoeira, nesta quarta-feira, a tentativa da quadrilha comandada pelo contraventor goiano de desestabilizar seu governo. “Os criminosos agiam associados com parte da mídia para me atacar e derrubar meu governo”, denunciou. “O grupo aqui investigado tramou a minha derrubada”, prosseguiu o governador, referindo-se à união de interesses entre Cachoeira, a empreiteira Delta, a oposição tucana e as armações golpistas da revista “Veja”.
( HORA DO POVO )

Agnelo: esse bando se juntou a parte da mídia para me derrubar
Governador do DF afirmou na CPMI que não deu moleza para a gangue de Cachoeira e por isso foi atacado. “Plantaram mentiras e meias verdades”
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), desmontou, durante seu depoimento à CPMI , na quarta-feira (13), a tentativa da quadrilha comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira de desestabilizar seu governo. “Os criminosos agiam associados com parte da mídia para me atacar e derrubar meu governo”, denunciou. “O grupo aqui investigado tramou a minha derrubada. A derrubada do governo legitimamente eleito pelo povo do Distrito Federal”, prosseguiu o governador, referindo-se à união de interesses entre Cachoeira, a empreiteira Delta, a oposição tucana e as armações golpistas da revista “Veja”.
“E este grupo não agiu só. Não agiu sozinho Valeu-se das falsas acusações plantadas na imprensa, de vozes com acessos às tribunas políticas do país, da boa-fé das pessoas ao misturar mentiras e meias verdades”, continuou Agnelo, dizendo que estava ali para restabelecer a verdade. O governador questionou os reais motivos de sua convocação. Ou seja, de mais essa tentativa da gangue para desestabilizá-lo. “Tudo com o objetivo de me desgastar, desestabilizar e, por fim, me retirar do governo do DF”. “Meu governo estava impedindo que o crime entrasse, que se fizessem negociações, que tivesse favorecimento, que indicasse gente. Por isso queriam me derrubar”, destacou.
Ele deixou claro que sua convocação à CPI “é fruto da luta política”. “Não há no documento apresentado pelos deputados, meus opositores, nem um único fato que eu tenha praticado em favor do grupo de Carlos Cachoeira ou da empresa Delta”, disse Agnelo. Ele acrescentou que “o governo do DF vem sendo perseguido pelo crime organizado de forma constante e orquestrada”. Segundo Agnelo, a mídia que desinformou a população do DF não disse que a Delta tem apenas um contrato com o governo. O de coleta de lixo e varrição de ruas em duas partes do DF. “Sendo que esse contrato foi assinado no governo anterior”, explicou. “E ainda assim a mando da Justiça”.
Denunciando a campanha orquestrada contra ele, Agnelo disse que parte da mídia cobrava explicação sobre um ofício que teria sido assinado por ele para favorecer a Delta antes da posse. O ofício era dirigido ao então governador Rogério Rosso, pedindo para prorrogar serviços essenciais que vencessem no final de 2010 e janeiro de 2011, como medicamentos essenciais, coleta de lixo, varrição de ruas, programas sociais, etc, para não prejudicar os moradores da cidade. “Esse ofício não incluía a Delta, que tinha um contrato com vencimento em 2015”, desmascarou o governador.
“Há três hipóteses para explicar que alguém, baseado nesse ofício, afirmasse que eu beneficiei a Delta: a primeira é que não leu o documento. A segunda é que leu e não entendeu. E a terceira é que leu, entendeu, e movido por interesses partidários resolveu me atacar de forma leviana”, acrescentou. “Tratou-se de uma ação meticulosa e planejada. O objetivo era desgastar a imagem do governador até o limite do impossível”, denunciou.
Referindo-se principalmente à revista Veja, Agnelo disse que setores da mídia passaram a divulgar que ele tinha nomeado uma série de pessoas ligadas a Cachoeira em “cargos chaves” no governo. O governador garantiu que não há um nome sequer que tenha sido nomeado por indicação de Cachoeira. Um jornal, segundo ele, chegou a publicar o seguinte trecho das escutas da PF: “os caras nomearam só inimigos da Delta. O que esse povo me ajudou até hoje? Ninguém nomeou nem um gari”. “Essa frase, senhores deputados e senadores, foi gravada no dia 30 de março de 2011 e foi pronunciada pelo senhor Idalberto Matias. Mesmo assim, um jornal dava como manchete: ‘governo Agnelo negociou propina com empresa, diz PF’”.
O governador informou que a Delta entrou no DF em 2007, no governo Arruda. “Entrou com um preço mais baixo”, disse. “Segundo dados da licitação, preços 30% mais baratos do que as concorrentes”. “A empresa foi desclassificada por irregularidades na documentação. Decisão judicial obrigou o SLU a assinar contrato com a Delta. Num governo ‘amigo’, que permitisse ao grupo controlar a fiscalização, a empresa poderia lucrar mesmo com o preço mais baixo”, explicou Agnelo. “Mas”, prosseguiu, “o governo eleito não era e nunca foi amigo da Delta”.
Ele disse que apenas 26 dias após a posse determinou que a Secretaria de Transparência do DF fizesse uma auditoria profunda nas áreas com graves problemas deixados por administrações passadas. Um dessas áreas era o lixo. Os trabalhos dessa auditoria se prolongaram até maio de 2011. A auditoria detectou que o serviço de varrição e coleta de lixo era feita pela metade. “Endurecemos a fiscalização”.
“Hoje entendo porque Demóstenes Torres pediu o meu impeachment”
“Nos autos da Operação Monte Carlo, são de junho as primeiras gravações em que Carlos Cachoeira e seu grupo aparecem atacando a minha reputação como governador do DF”, denuncia. “Comentam reportagens ainda por serem publicadas em uma revista (Veja)”. “Reportagens contra mim, me atacando”. “Hoje eu compreendo porque o senador Demóstenes Torres protocolou um pedido de impeachmente contra mim na Câmara Legislativa do DF no início de novembro de 2011”, destacou. “Poucos dias antes desse pedido de impeachment, a Secretaria de Transparência tinha encaminhado investigações sobre contratos de lixo ao Ministério Público do DF. Claro, o grupo precisava de controle sobre o SLU”, completou Agnelo.
“O antagonismo entre meu governo e a Delta chega ao cume há cinco meses atrás quando chegam as balanças ao aterro sanitário. Diminuiu a fatura de entulhos de 1,3 milhão de reais em novembro de 2011 para uma média de 350 mil reais ao mês a partir de janeiro deste ano”, revelou o governador. E, segundo ele, volta a cronologia das escutas. “Em 30 de janeiro de 2012, Idalberto Matias diz que eu levaria 3 ou 4 meses para cair se continuasse apanhando da imprensa e do senador Demóstenes”. Cachoeira diz num dos diálogos: “agora ele cai”. Agnelo lembra que Cachoeira comemora uma reportagem publicada na revista Veja dois dias antes fazendo acusações falsas e despropositadas. “Pode avisar que vai continuar apanhando”, ameaça Cachoeira na escuta.
O governador informou ainda que o grupo de Cachoeria também tentou fraudar uma licitação para o sistema de bilhetagem dos ônibus do “DFtrans, através de uma empresa coreana”. “Tentaram, mas não conseguiram, porque a licitação nem foi realizada”, disse. Ele lembrou que o controle sobre a bilhetagem estava nas mãos das empresas privadas. “Retomamos o controle. O gasto do GDF com subsídio do transporte caiu de R$ 9 milhões para R$ 3 milhões ao mês. Tentaram entrar, mas não conseguiram. Em outubro passaram a querer me derrubar”.
Agnelo Queiroz também negou irregularidades em seu crescimento Patrimonial e, ao contrário de Marconi Perillo, abriu todos os seus sigilos. “Com a quebra dos sigilos você tira qualquer tipo de ilações. Abro meu sigilo para que possam ser checadas todas as informações necessárias que demonstram que tenho patrimônio compatível”, disse, recebendo aplausos do presentes.

Explicações de Perillo não convencem CPI e venda da casa continua estranha
O governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, tentou convencer os integrantes da CPMI, instalada para investigar as ligações do crime organizado com políticos e com a mídia, que receber cheques de uma empresa laranja de Cachoeira, assinados pelo sobrinho do contraventor, como pagamento pela compra de sua mansão em Goiânia, não tem nenhuma irregularidade.
Isso depois do representante da empresa Mestra ter dito que pagou em dinheiro vivo e não em cheque, como disse o governador. E, depois também de Cachoeira ter sido flagrado pela PF dizendo a um comparsa, no dia anterior, que “é para pegar o dinheiro e levar para o governador no Palácio”. Nessa escuta, Cachoeira fala em R$ 2,2 milhões, e Perillo afirma que recebeu R$ 1,4 milhão em cheques. Parece que alguma coisa foi passada mesmo em cheques e outra “em notas de cem e cinqüenta”, como disse Walter Paulo Santiago, representante da empresa Mestra. Outra gravação da PF mostra detalhes de uma combinação para entregar dinheiro vivo “em caixa de computador” no Palácio.
Perguntado sobre esses fatos, Marconi disse apenas que não sabia quem tinha assinado os cheques e que não conhecia Cachoeira. Essa resposta espantou os parlamentares da CPMI. Um deles questionou: ‘o pobre quando recebe um cheque de 50 reais olha na mesma hora quem assinou. O Sr. recebeu cheques no valor de R$ 1,4 milhão e não se interessou em saber quem tinha assinado?’. Perillo desconversou.
Outra questão que ficou sem reposta foi o fato de a empresa que deu os cheques para o governador, a “Mestra”, ter recebido depósitos vultosos, na véspera do pagamento, de uma outra empresa também de Cachoeira, a “Alberto e Pantoja”.
Além disso tudo, Perillo não explicou até hoje por que Cachoeira foi preso na casa que foi vendida por ele. E, para complicar ainda mais a vida do tucano, a “Alberto e Pantoja”, empresa da quadrilha que abasteceu as contas da Máster, emitente dos cheques para Perillo, é a mesma que Marconi usou para pagar R$ 40 mil ao seu ex-assessor de imprensa, Luiz Carlos Bordoni.
Diante de todas essas acusações sem resposta, Perillo, é claro, recusou-se a abrir seus sigilos bancário e fiscal. Para isso foi ajudado também pela gritaria histérica da tropa demotucana da CPMI. Faltou também, é certo, mais firmeza do relator para exigir a quebra dos sigilos e para fazer as perguntas adequadas e certeiras ao meliante. Afinal, Perillo contratou agentes de Cachoeira, negociou com a quadrilha, recebeu, segundo gravações feitas pela própria Polícia Federal, e divulgadas essa semana, dinheiro dos criminosos dentro do Palácio das Esmeraldas, e, por isso, não podia ter o comportamento que teve na CPMI. Ele não podia se recusar a abrir seus sigilos, por exemplo.
Só anunciou que iria abrir após o governador Agnelo Queiroz, na quarta-feira, prontamente se dispor abrir os seus sigilos. Assim mesmo não disse qual o sigilo está disposto a abrir. A sugestão de abrir seu sigilo telefônico parece que foi o que mais incomodou Perillo na sessão da CPMI.
Mas o que mais chamou a atenção dos parlamentares da CPMI foi a deferência com que o tucano tratou o bicheiro. Para Perillo, Cachoeira não é um contraventor, é um respeitável “empresário”. Só faltou chamá-lo de “Sua Excia Cachoeira”.

Desembargador dá voto que pode livrar Carlinhos Cachoeira da prisão
O desembargador Fernando Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), defendeu que as escutas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF), que prendeu o contraventor Carlinhos Cachoeira e sua quadrilha, são ilegais e votou pela liberdade do bicheiro preso desde o dia 29 de fevereiro.
Relator do pedido de habeas corpus da defesa de Cachoeira, Tourinho alegou que as interceptações telefônicas não podem ser feitas a partir de “meros indícios”, que não havia situação excepcional para o uso de gravações e que não pode “haver banalização da interceptação telefônica para combater o crime”. Disse também que a PF pediu autorização para fazer as gravações com base em denúncia anônima.
A mesma benevolência do desembargador para com a versão de Cachoeira não é a mesma para com o lado da Polícia Federal, que investigou o caso. A PF contradiz Tourinho e afirma que antes de pedir a interceptação telefônica fez entrevistas com pessoas nos locais de exploração de jogos e apreensões de máquinas caça-níqueis. A polícia também mostra que a investigação não teve início só a partir das denúncias anônimas, mas nas informações da Promotoria de Justiça de Valparaíso (GO). Mas, se por acaso fosse assim, será que o brutal crime organizado deveria ser combatido com nome endereço, telefone, RG, CPF e talvez um foto 3 X 4 dos denunciantes?
Caso os outros dois juízes da turma acompanhassem o voto de Tourinho, as provas contidas nas escutas seriam anuladas e o fora da lei Carlinhos Cachoeira estaria livre. Mas um dos três desembargadores pediu vista e interrompeu o julgamento do habeas corpus, devendo apresentar o seu voto na próxima terça-feira (19). Caso venha a perder no TRF1, a defesa de Cachoeira vai usar o voto de Tourinho como argumento num possível recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Essa não foi a primeira decisão do desembargador Tourinho Neto que beneficiou o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Na segunda-feira da semana passada (4), a 3ª Turma do TRF1 decidiu libertar o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, grampeador e principal informante da máfia de Cachoeira. Foi de Tourinho Neto, também como relator, o voto para soltar Dadá, que, esse sim, banalizou as escutas, grampeando tudo e a todos a serviço de Cachoeira. Será que é só Dadá que pode fazer escutas?
Nesta quarta-feira (13), Tourinho concedeu liminar liberando José Olímpio de Queiroga Neto, acusado explorar casas de jogos no entorno do Distrito Federal e de pertencer ao esquema de Cachoeira. No mesmo dia, o TRF1 decidiu desbloquear os bens da Vitapan, empresa farmacêutica pertencente à máfia de Cachoeira. A Segunda Sessão da corte analisou liminar concedida pelo relator do processo, desembargador Tourinho Neto, em 26 de março, favorável à Vitapan.
Foi também Tourinho quem deu liminar suspendendo o depoimento de Cachoeira na Justiça, que iria acontecer no dia 1º de junho (sexta-feira). Por fim, foi ele quem autorizou em abril a transferência de Cachoeira do presídio federal de Mossoró (RN) para o da Papuda, em Brasília.

Gurgel anuncia pedidos de inquéritos para constranger Agnelo no dia do depoimento
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o pedido de abertura de dois inquéritos para investigar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e um outro contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Os documentos foram enviados na segunda-feira (11), mas a procuradoria só divulgou a informação na quarta (13).
Curiosamente, a data do anúncio da formalização do procedimento coincidiu com o depoimento do petista na CPI do Cachoeira, servindo como elemento de pressão contra o governador do Distrito Federal no dia do seu comparecimento à comissão. Já o tucano Marconi Perillo, que prestou depoimento na terça-feira (12), foi poupado pelo procurador de passar pelo mesmo constrangimento.
Os três inquéritos chegaram ao tribunal superior sob segredo de Justiça e receberam os seguintes números 787, 788 e 789. O primeiro investigará relações de Perillo com o esquema criminoso chefiado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Em relação aos outros dois, que têm como alvo Agnelo Queiroz, um deles também tratará da suposta relação do governador com o esquema de Cachoeira e o outro sobre possível prática de crime do petista quando era diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

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