ENCALHE

janeiro 13, 2013

Revista Veja, a tática do cinismo, por Carla Luciana Silva, autora de “Veja: indispensável partido neoliberal”

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vejafuma

Em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto.
Uma forma de desvendar a revista Veja é ler as cartas dos leitores, de um entusiasmo algo monótono: “um farol iluminando o mar de lágrimas de nosso mundo político”; “não somente uma bússola [ética], mas também fonte de constância e competência”; uma publicação “livre, corajosa e obcecada pela busca da verdade”.1 Outra é, simplesmente, folhear um exemplar.
A Veja é a revista mais influente da América Latina, com uma tiragem de aproximadamente 1,2 milhão de exemplares, dos quais 925 mil por assinatura, e recruta três quartos de seus leitores entre os 12% de brasileiros mais abastados – população que, parece, não se incomoda com uma visão de mundo conservadora. A seção “Panorama”, por exemplo, exibe regularmente imagens e citações de homens e mulheres públicos: os primeiros, de terno, expressam sempre suas preocupações políticas; elas, pouco vestidas, se inquietam sobre o peso ou as nádegas. Já a publicidade ocupa em média mais de setenta das 140 páginas da publicação. Na edição de 7 de novembro de 2012, os leitores depararam com dezesseis páginas seguidas de propaganda da Procter & Gamble.
É necessário, contudo, desembolsar R$ 9,90 para comprar a Veja em uma banca – o equivalente a 1/60 do salário mínimo. Essa proporção, na França, significaria desembolsar mais de 18 euros por uma L’Express ou Le Nouvel Observateur. Papel fino e principalmente cinza, manchetes capitulares, capa sensacionalista: a Veja não é propriamente uma revista elegante. Sua ambição? Figurar entre as instituições “indispensáveis ao país que desejamos ser”, como proclama seu slogan. E o país a que a Veja aspira não gosta nada do Estado.
Na edição de 15 de agosto de 2012, o editorial enalteceu um programa de privatização que coloca o Brasil “em harmonia com a lei da gravitação universal”. Não sem advertir: “a presidente Dilma Rousseff vai se chocar contra as resistências evidentes de seu partido, o PT, e contra outras forças reacionárias da esquerda. Trata-se de uma batalha na qual necessitará do apoio da opinião pública. O apoio da Veja já está garantido”.
Editada pelo Grupo Abril, a Veja surgiu em 1968, mesmo ano do Ato Institucional n. 5, que marcou a radicalização da repressão exercida pela junta que chegou ao poder em 1964. Se, por um lado, a revista sempre teve uma relação ambígua com a ditadura, por outro se engajou a favor das reformas neoliberais desde o retorno da democracia, em 1985 – com a mesma devoção com que anuncia sua linha editorial de “jamais refugiar-se no conforto da imparcialidade”.
Em 1989, na primeira campanha presidencial democrática após a queda dos militares, a Veja apoiou Fernando Collor, cuja base política era frágil em relação à candidatura de Lula. Barbudo, sindicalista, sem diploma universitário, este entoava um discurso que ameaçava os poderosos. Na época, o proprietário do grupo Globo, Roberto Marinho, também escolheu seu lado. Sobre Collor, alertava seus funcionários: “Não criticamos esse jovem”.2 A Veja atuava da mesma forma, construindo a imagem de um candidato “jovem e sedutor” e grande “caçador de marajás”.
Nos anos seguintes, uma questão obcecou os economistas ortodoxos: a inflação, que acabava com as economias dos rentistas. E aterrorizou a Veja, que consagrou várias capas ao tema com, por exemplo, um vampiro com olhos esbugalhados (9 maio 1993), um crocodilo fotografado de frente e com a boca aberta (9 mar. 1994) ou ainda um dragão cujas labaredas de fogo parecem queimar a capa (4 dez. 2002).
A Veja também se alarma diante de protestos e manifestações populares: os organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os dos sindicatos. Assim, no dia 31 de maio de 1995, publicou na capa uma fotomontagem que apresenta o presidente Fernando Henrique Cardoso usando um capacete de soldado. A publicação o felicita por “domar” a central sindical mais importante do país ao reprimir uma greve de petroleiros com o Exército.
As “ditaduras populistas”
Preocupada com a chegada ao poder dos dirigentes progressistas na América Latina, a revista se empenhou em denunciar as “ditaduras populistas”. No dia 10 de maio de 2006, com a manchete “Essa doeu!”, representa um Lula visto de costas após ter recebido um chute no traseiro. A imagem era uma burla da suposta ingenuidade do chefe de Estado perante seu homólogo boliviano, Evo Morales, que acabava de nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, explorados por empresas brasileiras – porque, para a Veja, os interesses das multinacionais devem prevalecer. No dia 4 de julho de 2012, a revista denunciou uma tentativa de golpe de Estado no Paraguai: não a de Frederico Franco, exitosa, e sim a do presidente venezuelano Hugo Chávez, que teria tentado destituir Franco com o Exército paraguaio…
Até o início da década de 2000, o PT era o assunto que mais preocupava a publicação. No dia 23 de outubro de 2002, às vésperas da eleição que levou Lula à presidência, a Veja pegou pesado. A manchete “O que querem os radicais do PT” titulava uma imagem do candidato do partido segurando uma coleira com um cachorro de três cabeças – as de Lenin, Marx e Trotski –, que o desequilibrava. Enquanto Lula enviava sua “Carta aos brasileiros”, destinada a tranquilizar os especuladores, o periódico chamava a atenção para as franjas “extremistas” do partido.
A Veja se considera na vanguarda da luta contra a corrupção: um editorial de 5 de setembro de 2012 apresenta a revista como a “bússola ética” do Brasil. Mas esse comportamento desempenha, em primeiro lugar, a função de despolitizar. “Ao colocar a corrupção no centro do tratamento da informação política, a Veja transforma o político em policial e omite o fato de que sua própria conduta policial é eminentemente política”, analisa o jornalista Roberto Efrem Filho.3 Assim, em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto. Da mesma forma, em 2005, a Veja reivindicou a revelação do mensalão, quando em realidade a denúncia havia sido feita pela Folha de S.Paulo.
Mais grave, a própria revista está envolvida em casos de corrupção. Há ligações entre Policarpo Júnior, diretor da Veja em Brasília, e empresários como Carlinhos Cachoeira, acusado de desvio de dinheiro.
O caso desencadeou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito batizada de “CPI Cachoeira”. Policarpo, nomeado redator-chefe em janeiro de 2012 e encarregado das páginas políticas, aparece em gravações que o implicam na publicação de artigos e reportagens cujo único objetivo era promover o interesse de empresários.
Confrontada pelo ressentimento anticorrupção que ela mesma ajudou a alimentar, notadamente na internet, a Veja reagiu violentamente, chegando até a denunciar na capa as “táticas de guerrilha destinadas a manipular as redes sociais” ( 16 maio 2012 ). Nessa nota, acusa o PT de colocar um robô encarregado de publicar mensagens anti-Veja no Twitter. Solidário, O Globo apoiou a revista em nome da “defesa da liberdade”.

Carla Luciana Silva é autora de Veja: indispensável partido neoliberal ( 1989-2002 ), Edunioeste, Cascavel, 2009

Ilustração: André Dahmer

1 Respectivamente, 23 maio 2012, 12 e 19 set. 2012.
2 Citado por Christian Dutilleux em Lula, Flammarion, Paris, 2005.
3 Roberto Efrem Filho, “A revista Veja e o meu pai”, Brasil de Fato, São Paulo, 19 jun. 2008.

Le Monde Diplomatique Brasil, Edição 65, Dezembro de 2012

dezembro 6, 2012

Leitores percebem fraude e obrigam Veja admitir que foto de Lula era montagem

Ricardo Setti, colunista de “Veja” que publicou foto na qual Lula estava “supostamente” abraçado à ex-chefe de gabinete da presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, de um lado, e dona Marisa Letícia, do outro, retratou-se depois que a farsa foi desmascarada em páginas pessoais nas redes sociais. A foto original foi publicada junto com a divulgada por ele, que é uma montagem.
A foto verdadeira, feita a partir de foto do Carnaval de 2009, mostra Lula abraçado a Neguinho da Beija-Flor e à esposa do cantor, Eliane Reis. Apesar de uma montagem grosseira, a sofreguidão de “Veja” e seu colunista em desgastar a imagem do ex-presidente, explorando o chamado “Caso Rose” da forma mais baixa e sensacionalista levou a publicação a cometer mais uma fraude.
Setti postou em seu blog um acanhado pedido de desculpas. “Queria dizer que a suposta foto que até há alguns minutos ilustrava o post sobre o ‘Caso Rose’ que publiquei hoje, mostrando Lula supostamente abraçado a Rosemary Noronha, de um lado, e a dona Marisa Letícia, de outro, é na verdade uma montagem”, escreveu.
O suposto “envolvimento” de Lula no caso, investigado pela Polícia Federal (PF) na Operação Porto Seguro, foi rechaçado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em audiência pública na Câmara dos Deputados, na terça-feira (4). “Imaginar que o ex-presidente estivesse envolvido por trás disso está, a meu ver, desmentido”, afirmou.
Cardozo foi à audiência ao lado do diretor-geral Leandro Daiello e do superintendente da PF em São Paulo, Roberto Troncon. Todos disseram que o fato de Rosemary não ter tido seu sigilo telefônico quebrado foi uma escolha técnica, porque a interceptação não serviria para apurar indícios de crimes que já teriam o ocorrido. “Se alguém fez essas gravações, seguramente terá de responder, pois foram ilegais”, disse o ministro.
Na quarta-feira (5), o ministro foi ao Senado.
HORA DO POVO

novembro 8, 2012

Advogado de Valério denuncia conexão entre Gurgel e “Veja”

Arquivado em: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 7:46 pm

O advogado Marcelo Leonardo negou veementemente que ele ou seu cliente tenham feito qualquer revelação para “veículos de comunicação”. Somente ele, seu cliente Marcos Valério e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sabiam do conteúdo do depoimento. Ele denuncia que a revista Veja se utilizou de um “vazamento seletivo, parcial e ilícito”.
Advogado de Valério diz que Veja fez “vazamento ilícito”
Somente ele, Valério e o procurador-geral da República sabiam do conteúdo do depoimento na Procuradoria
O advogado de Marcos Valério, dr. Marcelo Leonardo, fez uma importante revelação na terça-feira (6) ao ser provocado pelo jornalista Luis Nassif sobre a divulgação, por setores da imprensa, de supostas ameaças e de um suposto pedido de proteção por parte de seu cliente à Justiça. O advogado enfatizou que manteve total sigilo e que a revista Veja e o jornal Estado de S. Paulo se utilizaram de um “vazamento seletivo, parcial e ilícito”. Somente ele, seu cliente [Marcos Valério] e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sabiam do conteúdo do depoimento. O advogado nega veementemente que ele ou seu cliente tenham feito qualquer revelação para “veículos de comunicação”.
“Sobre matérias veiculadas pela revista Veja e pelo jornal Estadão, contendo referências a suposto pedido de delação premiada, suposto pedido de proteção pessoal e suposto depoimento de Marcos Valério em setembro do corrente ano, não tenho nada a declarar, uma vez que tenho por hábito cumprir meus deveres ético-profissionais”, disse Marcelo Leonardo. “Se alguém ‘vazou’ de forma seletiva, parcial e ilicitamente alguma providência jurídico-processual que está sujeita a sigilo, eu não tenho absolutamente nada a dizer, a confirmar ou não confirmar. Obviamente, não tornei público nada sobre este tema sobre o qual não falei a nenhum veículo de comunicação”, completou.
A declaração do advogado, reforçando uma possível ligação ilícita entre o procurador-geral da República e a revista Veja foi feita ao responder ao seguinte questionamento de Nassif: “Agora, analise a seguinte hipótese: uma peça relevante na montagem do esquema Valério em Minas, alguém que se sinta ameaçado por futuras delações de Valério sobre o mensalão mineiro, que já tenha sido indiciado ou que ainda não tenha aparecido nas investigações. Tem-se uma ameaça potencial. Marcos Valério, que já se diz ameaçado, lança as suspeitas de ameaça sobre o lado petista [ao falar sobre o caso Celso Daniel]. Qualquer atentado que sofra será debitado automaticamente ao lado petista. Não é prato cheio?”, indagou.
Nassif prosseguiu: “É apenas uma hipótese que estou formulando, mas perfeitamente factível. Ao tornar público o pedido de proteção a Valério, insinuando que sua vida está em risco, e ao direcionar as suspeitas para o caso Celso Daniel, Marcelo Leonardo expõe seu cliente a possíveis atentados”. “Aguardo uma explicação de Marcelo Leonardo, pelo respeito que dedico, até agora, à sua competência de advogado”, concluiu Nassif.
Foi nesse contexto que o advogado Marcelo Leonardo fez questão de deixar claro ao jornalista que não foi ele quem tornou público o conteúdo da petição e do depoimento feitos por seu cliente à Procuradoria-Geral da República. Leonardo parece concordar plenamente com a opinião de Nassif de que, nestas circunstâncias, seu cliente estaria vulnerável a possíveis atentados que poderiam ser feitos por qualquer um dos já envolvidos ou não no valerioduto tucano. Isso ocorreria com boa chance da opinião pública e da Justiça acharem que esses atentados, como diz Nassif, “viriam do lado petista”.
A maneira contundente com que o advogado desmente o vazamento aponta para uma ligações entre no mínimo estranhas entre Roberto Gurgel e a revista Veja. Os “detalhes” revelados pela revista da marginal sobre o encontro só podem ter sido passados por quem estava participando do depoimento. Segundo consta, só estavam presentes três pessoas no encontro. Uma era Marcos Valério, o outro era o advogado, Marcelo Leonardo, e o terceiro era o procurador-geral, Roberto Gurgel.
Nassif lembrou que já houve mortes que podem ter ligações com o valerioduto tucano. “Em Belo Horizonte, há mortes que se tentam relacionar com o ‘mensalão mineiro’”, alerta o jornalista. “Há uma modelo que foi assassinada e um advogado que diz ter sido vítima de atentado”, prosseguiu Nassif. “Pode ser verdade, pode ser algo tão fantasioso quanto as versões criadas em torno da morte de Celso Daniel. De qualquer modo, durante algum tempo, Marcos Valério mostrou uma preocupação genuína ao enfatizar que jamais delataria alguém. Para quem ele falava? Para os réus do mensalão petista ou do mensalão mineiro?”, indagou.
Roberto Gurgel já teve um comportamento, no mínimo, estranho quando engavetou por mais de um ano investigações da Polícia Federal que apontaram o envolvimento do senador cassado Demóstenes Torres com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Gurgel só apresentou denúncia contra ele quando gravações feitas pela PF, com autorização judicial, vieram a público e ele não pôde mais abafar. Demóstenes sempre foi muito bem tratado por Veja, a exemplo de uma matéria que o considerava como um dos “mosqueteiros da ética”. O diretor da sucursal de Brasília da Veja, Policarpo Jr, foi flagrado em intensas conversações com o grupo criminoso de Carlinhos Cachoeira. Cerca de 200 ligações telefônicas entre Policarpo e Cachoeira e seu grupo foram detectadas pela PF. ( HORA DO POVO )

novembro 3, 2012

E lá vem a Veja, de novo, com Marcos Valério…

Sobre o retorno de Marcos Valério
Por PAULO NOGUEIRA via O ESQUEDOPATA

Até quando será tolerado no Brasil que a mídia publique acusações graves sem nenhuma prova?
E lá vem ele de novo, Marcos Valério.
Pobre leitor.
Mais uma vez, o que é apresentado – a título de “revelações” – é um blablablá conspiratório e repetitivo em que não existe uma única e escassa evidência.
Tudo se resume às palavras de Marcos Valério. Jornalisticamente, isso é suficiente para você publicar acusações graves?
Lula, no Planeta Veja, já não é apenas o maior corrupto da história da humanidade. Está também, de alguma forma, envolvido num assassinato. Chamemos Hercule Poirot.
Se você pode publicar acusações graves sem provas, a maior vítima é a sociedade. Não se trata de proteger alguém especificamente. Mas sim de oferecer proteção à sociedade como um todo.
Imagine, apenas por hipótese, que Marcos Valério, ou quem for, acusasse você, leitor. Sem provas. Numa sociedade avançada, você está defendido pela legislação. A palavra de Valério, ou de quem for, vale exatamente o que palavras valem, nada – a não ser que haja provas.
Já falei algumas vezes de um caso que demonstra isso brilhantemente. Paulo Francis acusou diretores da Petrobras de corrupção. Como as acusações – não “revelações” – foram feitas em solo americano, no programa Manhattan Connection, a Petrobras pôde processar Francis nos Estados Unidos.
No Brasil, o processo daria em nada, evidentemente. Mas nos Estados Unidos a justiça pediu a Francis provas. Ele tinha apenas palavras. Não era suficiente. Francis teria morrido do pavor de ser condenado a pagar uma indenização que o quebraria financeira e moralmente.
Os amigos de Francis ficaram com raiva da Petrobras. Mas evidentemente Francis foi vítima de si mesmo e de seu jornalismo inconsequente.
Por que nos Estados Unidos você tem que apresentar provas quando faz acusações graves, e no Brasil bastam palavras?
Por uma razão simples: a justiça brasileira é atrasada e facilmente influenciável pela mídia. Se Francis fosse processado no Brasil, haveria uma série interminável de artigos dizendo que a liberdade de imprensa estava em jogo e outras pataquadas do gênero.
Nos Estados Unidos, simplesmente pediram provas a Paulo Francis.
Uma justiça mais moderna forçaria, no Brasil, a imprensa a ser mais responsável na publicação de escândalos atrás dos quais muitas vezes a razão primária é a necessidade de vender mais e repercutir mais.
Provas são fundamentais em acusações. Quando isso estiver consolidado na rotina do jornalismo e da justiça brasileira, a sociedade estará mais bem defendida do que está hoje.
Paulo Nogueira é jornalista e está vivendo em Londres. Foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo, diretor de redação da Exame, diretor superintendente de uma unidade de negócios da Editora Abril e diretor editorial da Editora Globo.

novembro 1, 2012

CPI do Cachoeira ganha 48 dias para ouvir Policarpo

Arquivado em: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:23 pm

CPMI do Cachoeira prorrogada: Falta agora convocar o depoimento do diretor de Veja
O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), defendeu na quarta-feira (31) a prorrogação da CPI do Cachoeira por mais 48 dias em bora muitos parlamentares defendam um tempo maior. A leitura do requerimento ficou para a sessão desta quinta (1º), último prazo para os parlamentares tomarem uma decisão sobre o tempo de prorrogação, já que o encerramento dos trabalhos da comissão estava previsto para o dia 4 de novembro.
Um requerimento pedindo a prorrogação por 180 dias ainda dependia das assinaturas de 27 senadores (número já alcançado) e 171 deputados. Na reunião de quarta da CPI, a votação de 533 requerimentos constantes em pauta da comissão também foi adiada, a pedido do relator.
Entre os requerimentos, o mais importante é o que trata da convocação do diretor da sucursal de “Veja” em Brasília, Policarpo Jr., que foi flagrado pela operação Monte Carlo da Polícia Federal em negociações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, reveladas por inúmeras conversas telefônicas gravadas com autorização judicial. A convocação já foi discutida várias vezes e, apesar da reivindicação de alguns parlamentares favoráveis ao requerimento, a comissão jogou para avaliar mais adiante. O prazo de 48 dias é tempo suficiente para tomar o depoimento do diretor de Veja, sucursal Brasília.
A tendência era que a CPI seja prorrogada por 48 dias, pois o requerimento nesse sentido havia alcançado o número mínimo de assinaturas necessárias e, por isso, basta sua leitura em plenário. O processo de conferência de assinaturas impediu que isso ocorresse ainda na quarta. Lido o requerimento, os trabalhos devem seguir até 22 de dezembro, quando termina a sessão legislativa.
Parlamentares criticaram a tendência de acabar logo com os trabalhos da CPMI entre alguns colegas. O senador Pedro Taques (PDT/MT) não concordou com a prorrogação de 48 dias e afirmou que a comissão está “jogando o lixo para baixo do tapete”. O parlamentar é um dos que defendem novas quebras de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.
O senador do Psol, Randolfe Rodrigues, também criticou o tempo de prorrogação “pois não há tempo de receber mais informações nem disposição para mais quebras de sigilo”.
O deputado Odair Cunha rebateu as críticas. Para ele, haveria enterro da CPI se o relatório não fosse finalizado. “Nós estamos fazendo uma investigação aprofundada no prazo que o Congresso Nacional nos deu, de seis meses. Essa prorrogação de 48 dias é necessária para uma discussão transparente de todos os pontos do relatório”, disse. ( HORA DO POVO )

outubro 19, 2012

Esquema criminoso de VEJA-Demóstenes–Perillo-Cachoeira movimentou R$ 84 bilhões em 10 anos, revela relator da CPI

O parecer que será apresentado pelo relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT/MG), aponta que a organização criminosa chefiada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira movimentou, nos últimos dez anos, mais de R$ 84 bilhões. Esse volume de recursos foi detectado nas quebras de sigilo fiscal e bancário de 75 pessoas físicas e jurídicas.
Uma nova “lavanderia” de dinheiro sujo do esquema, em conjunto com a Delta Construções, também veio à tona com a análise das quebras de sigilo. A empresa de fachada Adécio & Rafael Construções e Terraplanagem recebeu mais R$ 37 milhões da Delta sem que prestasse qualquer serviços para esta. Até então a Alberto & Pantoja Construções era apontada como principal instrumento de lavagem de dinheiro do esquema – com repasses feitos a ela pela Delta de R$ 31 milhões, entre 2010 e 2012.
Os novos documentos confirmariam ainda que a mansão do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi realmente comprada por Cachoeira. Perillo alega que vendeu a casa para Walter Paulo Santiago, que teria feito o pagamento de R$ 1,4 milhão com cheques da empresa Excitante Indústria e Comércio de Confecções. Mas a quebra de sigilo mostra que a Excitante fez os pagamentos após receber os valores da Adécio & Rafael.
Na quarta-feira (17), os integrantes da CPI do Cachoeira decidiram por unanimidade prorrogar os trabalhos da comissão. O prazo, no entanto, depende ainda de um acordo entre os representantes partidários no colegiado para ser definido. ( HORA DO POVO )

setembro 15, 2012

Veja no fundo do poço: advogado de Marcos Valério diz que cliente não deu entrevista à revista da Abril: “Desde 2005 Valério não dá entrevistas”

Advogado de Valério nega que ele tenha acusado Lula
Criminalista Marcelo Leonardo disse que empresário não dá entrevistas desde 2005 e que o empresário não falou à Veja. Edição desta semana afirma que Valério tem dito que ex-presidente era o “chefe do mensalão”
O advogado do empresário Marcos Valério, o criminalista Marcelo Leonardo, disse neste sábado (15) que seu cliente não deu entrevista à revista Veja [ grifo deste blog ] e negou as declarações atribuídas a ele, acusando o ex-presidente Lula de ser o chefe do mensalão.
Desde 2005 Marcos Valério não dá entrevistas e não deu nenhuma entrevista para a revista Veja agora [ idem ]. Ele nega o teor das declarações atribuídas a ele”, disse Leonardo, por telefone, ao Globo
O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto, classificou de “ato de desespero” as declarações atribuídas a Marcos Valério. Segundo ele, o empresário estaria tentando envolver o nome do ex-presidente Lula no mensalão porque “sabe que vai parar na cadeia”. Ainda de acordo com o deputado, o assunto deve ter um “tratamento corriqueiro” pelo PT.
“Esse tipo de ação é um ato de desespero de quem está no banco dos réus, de quem sabe que vai ser preso, de quem sabe que vai parar na cadeia”, disse Tatto, referindo-se às condenações de Valério no Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com Tatto, a direção do partido não deve entrar com uma ação contra as denúncias que teriam sido feitas por Valério.
“Nem conversei com o presidente do PT (Rui Falcão). Mas, com certeza, esse assunto vai ter um tratamento corriqueiro”, disse.
Para Haddad, comportamento de réus do mensalão é imprevisível
De acordo com a Veja, Valério tem dito que Lula era o chefe do mensalão. O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu as acusações. O ex-ministro da Educação afirmou que Valério adota um “comportamento normal” às pessoas que sofrem processos dessa natureza, mas ele teme “um comportamento imprevisível” com o andamento do julgamento do mensalão, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda de acordo com o petista, o empresário deve estar fragilizado perante a família, e, por isso, apresenta “recorrentemente versões diferentes”.
“Existe um comportamento normal dessas pessoas que sofrem processos dessa natureza, de apresentar cada vez uma versão diferente. Isso acontece com as pessoas mais fragilizadas, que vão mudando as versões recorrentemente. Ele (Marcos Valério) está num momento difícil”, disse haddad, depois de uma carreata na Zona Norte da cidade.
Segundo ele, as denúncias publicadas na revista não devem afetar sua campanha. “A população tem compreensão de que se alguém se desviou do rumo certo, as acusações (sobre ela) têm que ser apuradas e julgadas”, afirmou.
Para o petista, no entanto, o comportamento dos envolvidos no esquema ainda deve render polêmica. “O comportamento dos condenados será imprevisível a partir de agora, tudo pode acontecer. Tem muita coisa em jogo na vida dele: mulher, filhos, parentes. É um momento de abalo psicológico muito forte”, disse. ( GAZETA DO POVO )

julho 13, 2012

‘Veja’ perde seu valete no Senado

O senador do Dem de Goiás, Demóstenes Torres, braço direito de Carlos Cachoeira e mosqueteiro da revista Veja, bem que tentou, mas não conseguiu enganar novamente seus pares do Senado. Foi cassado com 56 votos a favor e 19 contra. Cinco senadores se abstiveram e um não compareceu à sessão. Seus crimes foram tantos que ele passou a ser conhecido como o “despachante de luxo” do contraventor e, disse hoje, na sessão, que está se sentindo como um “cão sarnento”. Com a decisão, Demóstenes ficará inelegível por oito anos. O mosqueteiro disse, após a cassação, que apelará para o STF, na esperança que Gilmar Mendes faça algo por ele.
Senado varre Demóstenes ‘Veja’ Torres por 56 votos contra 19
Após a sessão do Senado que o cassou ele disse que vai recuperar seu mandato no STF
O senador eleito pelo Dem de Goiás e atualmente sem partido, Demóstenes Torres, braço direito de Carlinhos Cachoeira e “mosqueteiro” da revista Veja, bem que tentou, mas não conseguiu enganar novamente seus pares do Senado. Foi cassado na quarta-feira (11) por 56 votos a favor e 19 contra. Cinco senadores se abstiveram e um não compareceu à sessão.
Sua sociedade com os crimes de Cachoeira ficou tão explícita que ele passou a ser conhecido como o “despachante de luxo” do contraventor. Isolado, disse em discurso na sessão que o cassou que estava se sentindo como um “cão sarnento”. Com a decisão do Senado, Demóstenes ficará inelegível por oito anos contados a partir do fim do mandato (fevereiro de 2019).
Numa das últimas gravações divulgadas esta semana, Demóstenes aparece dizendo a Cachoeira que este tem que ajudar o Policarpo Jr., diretor da revista Veja, porque “ele [Policarpo] é de confiança”. A fala compromete ainda mais a revista com o crime organizado. “Ele [Policarpo] nunca furou com a gente”, arrematou Demóstenes. E o senador cassado, que chegou a defender durante a semana que mentir não é quebrar o decoro, insistiu em dizer que não mentiu aos senadores. “Mas, se tivesse mentido, não seria quebra de decoro”, afirmou.
O argumento de que não houve mentira foi demolido pelo relator do processo, na sua sustentação para o plenário da Casa. Bastou um exemplo do senador Humberto Costa para demonstrar que Demóstenes não só mentiu, como tentou fazer os senadores de bobo. Ele fez isso, lembrou Costa, quando disse, da tribuna do Senado, que sua relação com Cachoeira possuía somente caráter pessoal e que o principal assunto de suas conversas se referia a uma crise conjugal. Demóstenes se referia ao fato de Cachoeira ter tomado a mulher de seu suplente de senador. E que as conversas com o contraventor giravam em torno desse assunto. “Mas, em mais de 300 ligações telefônicas, não há qualquer referência a uma crise conjugal”, ressaltou Costa.
Quase todos os assuntos relacionados às atividades criminosas foram tratados por Demóstenes e Cachoeira nas gravações obtidas pela Polícia Federal. Em mais de dez mil horas de gravação não houve nenhuma referência à tal “crise conjugal”. Os senadores que por ventura ainda estivessem em dúvida, devem ter caído na real com a lembrança do relator. E aqueles que no dia do primeiro discurso de Demóstenes saíram em sua defesa, devem ter ficado ainda mais constrangidos com a enxurrada de mentiras do senador. O tucano Aécio Neves, por exemplo, chegou a fazer um discurso inflamado em sua defesa, logo que Demóstenes começou a ser julgado pelo Conselho de Ética.
Os assuntos que foram grampeados pela PF vão desde a análise de um projeto de lei sobre jogo onde Demóstenes alerta Cachoeira que “inclusive, te pega, né?”, até armação com Policarpo Jr para invadir o quarto de hotel onde José Dirceu costumava se hospedar em Brasília e onde ele recebia alguns políticos. As conversas passaram ainda pela derrubada de ministros do governo Dilma e pela viagem de Demóstenes à Itália – acertada pelo contraventor – para pedir desculpas a [Silvio] Berlusconi (ex-primeiro-ministro da Itália) pela decisão de Lula de dar asilo a Cesare Battisti, até uso de chantagens em favor da empresa Delta e para tentar desestabilizar Agnelo Queiroz. Além disso, a lista de órgãos que receberam a visita de Demóstenes para fazer lobby a favor de Cachoeira e da Delta é interminável. Mas, sobre crise conjugal, não apareceu nada. É por isso que Humberto Costa disse que “quem está punindo o senador Demóstenes não somos nós, é o seu passado”.
Ao repetir que Demóstenes utilizou o mandato para defender os interesses do contraventor Carlos Cachoeira, Humberto Costa citou diversos pontos apresentados em seu parecer para justificar o pedido de cassação. Um deles foi o caso do aparelho de celular e rádio da marca Nextel doado por Cachoeira a Demóstenes. Humberto lembrou que o contraventor ofereceu esse tipo de aparelho “a um seleto grupo de pessoas que compunha a cúpula da organização criminosa comandada por ele”.
O senador também mencionou o diálogo em que Demóstenes avisa Cachoeira sobre uma operação da Polícia Federal de combate a jogos de azar no estado de Goiás. Costa explicou que, nesse caso, a operação era uma simulação que tinha justamente o objetivo de descobrir quem estava vazando informações sobre as ações da polícia. E, ao refutar a alegação de Demóstenes de que não conhecia as atividades ilícitas de Cachoeira, Costa recordou que o senador acusado já foi procurador-geral de justiça e secretário de Segurança Pública de Goiás, além de ter sido integrante da CPI dos Bingos (que apontou o envolvimento de Cachoeira em diversos crimes, como o de formação de quadrilha).
A revista Veja deu amplo respaldo e divulgação aos crimes de Demóstenes. Ela sabia das ligações dele com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. E transformou o senador em herói, chegando até a considerá-lo como um dos “mosqueteiros da ética” (matéria da edição de 4 de julho de 2007). A intimidade de Cachoeira com a Veja e com Policarpo Jr era tanta que em um dos diálogos gravados pela PF, com autorização judicial, o bicheiro escolhe até a seção da revista Veja para colocar uma matéria de seu interesse. São mais de 200 ligações telefônicas trocadas entre Cachoeira e o diretor da revista em Brasília, Policarpo Jr.
À noite, pelo twitter, o senador cassado disse que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo seu mandato. “Vou recuperar no STF o mandato que o povo de Goiás me concedeu”, escreveu. Segundo ele, há “motivos suficientes” para tentar recuperar o mandato porque foi “cassado sem provas, sem direito a ampla defesa e sem ter quebrado o decoro”. Será que ele acha que o voto do seu amigo Gilmar Mendes, com o qual perambulou pela Europa juntos, vale mais do que os dos outros 10 ministros do STF? ( HORA DO POVO )

julho 11, 2012

Campanha do governador tucano do Tocantins foi financiada pela quadrilha de Carlinhos Cachoeira

Governador tucano é outro que andou se banhando nessas águas insalubres

A análise das contas de campanha do governador de Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), indicam que quase metade dos recursos arrecadados pelo seu partido na eleição de 2010 vieram de empresários que tinham ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo os dados, R$ 4,3 milhões (41%) dos R$ 10,5 milhões declarados à Justiça Eleitoral foram doados por citados na investigação na Operação Monte Carlo.
O maior doador, com R$ 3 milhões, foi o empresário Rossine Aires Guimarães, dono de uma construtora, que é apontado pela Polícia Federal como o principal parceiro de negócios de Cachoeira no estado, junto com Cláudio Abreu, ex-diretor regional da empreiteira Delta.
Entre os doadores, com R$ 480 mil, também estão duas empresas do suplente de senador Ataídes de Oliveira (PSDB/TO), um dos políticos que mais aparece nos grampos da PF em conversa com Cachoeira. Marcelo Limírio Gonçalves, identificado como sócio informal de Cachoeira, doou R$ 300 mil. Outros R$ 500 mil vieram da JM Terraplanagem, empresa suspeita pela PF de envolvimento com Cachoeira.
A JM teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado pela CPI do Cachoeira e a comissão também aprovou a convocação do empresário Rossine Aires Guimarães.
O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), também foi flagrado negociando o apoio do empresário. Ele aparece em um vídeo gravado na época da campanha à prefeitura da capital, em 2004, tratando com Cachoeira sobre a realização de showmício. Na conversa, eles discutem ainda a possibilidades de contratos na prefeitura em troca de apoio na campanha.
Na semana passada, Raul Filho disse que o bicheiro teria pago um show do cantor Amado Batista, no valor de R$ 30 mil, que na prestação de contas enviada pelo PT à Justiça Eleitoral aparece como doação da agência de publicidade RJ Comunicações. No entanto, um dos sócios da empresa negou ter colaborado com a campanha do petista. ( HORA DO POVO )

junho 15, 2012

Hora do Povo: Agnelo liquida na CPI a última tentativa da gang para derrubá-lo

Cachoeira, Demóstenes, Veja, Delta deixaram as digitais em todas elas
Governador do DF desmascarou o complô
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), desmontou, durante seu depoimento à CPI do Cachoeira, nesta quarta-feira, a tentativa da quadrilha comandada pelo contraventor goiano de desestabilizar seu governo. “Os criminosos agiam associados com parte da mídia para me atacar e derrubar meu governo”, denunciou. “O grupo aqui investigado tramou a minha derrubada”, prosseguiu o governador, referindo-se à união de interesses entre Cachoeira, a empreiteira Delta, a oposição tucana e as armações golpistas da revista “Veja”.
( HORA DO POVO )

Agnelo: esse bando se juntou a parte da mídia para me derrubar
Governador do DF afirmou na CPMI que não deu moleza para a gangue de Cachoeira e por isso foi atacado. “Plantaram mentiras e meias verdades”
O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), desmontou, durante seu depoimento à CPMI , na quarta-feira (13), a tentativa da quadrilha comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira de desestabilizar seu governo. “Os criminosos agiam associados com parte da mídia para me atacar e derrubar meu governo”, denunciou. “O grupo aqui investigado tramou a minha derrubada. A derrubada do governo legitimamente eleito pelo povo do Distrito Federal”, prosseguiu o governador, referindo-se à união de interesses entre Cachoeira, a empreiteira Delta, a oposição tucana e as armações golpistas da revista “Veja”.
“E este grupo não agiu só. Não agiu sozinho Valeu-se das falsas acusações plantadas na imprensa, de vozes com acessos às tribunas políticas do país, da boa-fé das pessoas ao misturar mentiras e meias verdades”, continuou Agnelo, dizendo que estava ali para restabelecer a verdade. O governador questionou os reais motivos de sua convocação. Ou seja, de mais essa tentativa da gangue para desestabilizá-lo. “Tudo com o objetivo de me desgastar, desestabilizar e, por fim, me retirar do governo do DF”. “Meu governo estava impedindo que o crime entrasse, que se fizessem negociações, que tivesse favorecimento, que indicasse gente. Por isso queriam me derrubar”, destacou.
Ele deixou claro que sua convocação à CPI “é fruto da luta política”. “Não há no documento apresentado pelos deputados, meus opositores, nem um único fato que eu tenha praticado em favor do grupo de Carlos Cachoeira ou da empresa Delta”, disse Agnelo. Ele acrescentou que “o governo do DF vem sendo perseguido pelo crime organizado de forma constante e orquestrada”. Segundo Agnelo, a mídia que desinformou a população do DF não disse que a Delta tem apenas um contrato com o governo. O de coleta de lixo e varrição de ruas em duas partes do DF. “Sendo que esse contrato foi assinado no governo anterior”, explicou. “E ainda assim a mando da Justiça”.
Denunciando a campanha orquestrada contra ele, Agnelo disse que parte da mídia cobrava explicação sobre um ofício que teria sido assinado por ele para favorecer a Delta antes da posse. O ofício era dirigido ao então governador Rogério Rosso, pedindo para prorrogar serviços essenciais que vencessem no final de 2010 e janeiro de 2011, como medicamentos essenciais, coleta de lixo, varrição de ruas, programas sociais, etc, para não prejudicar os moradores da cidade. “Esse ofício não incluía a Delta, que tinha um contrato com vencimento em 2015”, desmascarou o governador.
“Há três hipóteses para explicar que alguém, baseado nesse ofício, afirmasse que eu beneficiei a Delta: a primeira é que não leu o documento. A segunda é que leu e não entendeu. E a terceira é que leu, entendeu, e movido por interesses partidários resolveu me atacar de forma leviana”, acrescentou. “Tratou-se de uma ação meticulosa e planejada. O objetivo era desgastar a imagem do governador até o limite do impossível”, denunciou.
Referindo-se principalmente à revista Veja, Agnelo disse que setores da mídia passaram a divulgar que ele tinha nomeado uma série de pessoas ligadas a Cachoeira em “cargos chaves” no governo. O governador garantiu que não há um nome sequer que tenha sido nomeado por indicação de Cachoeira. Um jornal, segundo ele, chegou a publicar o seguinte trecho das escutas da PF: “os caras nomearam só inimigos da Delta. O que esse povo me ajudou até hoje? Ninguém nomeou nem um gari”. “Essa frase, senhores deputados e senadores, foi gravada no dia 30 de março de 2011 e foi pronunciada pelo senhor Idalberto Matias. Mesmo assim, um jornal dava como manchete: ‘governo Agnelo negociou propina com empresa, diz PF’”.
O governador informou que a Delta entrou no DF em 2007, no governo Arruda. “Entrou com um preço mais baixo”, disse. “Segundo dados da licitação, preços 30% mais baratos do que as concorrentes”. “A empresa foi desclassificada por irregularidades na documentação. Decisão judicial obrigou o SLU a assinar contrato com a Delta. Num governo ‘amigo’, que permitisse ao grupo controlar a fiscalização, a empresa poderia lucrar mesmo com o preço mais baixo”, explicou Agnelo. “Mas”, prosseguiu, “o governo eleito não era e nunca foi amigo da Delta”.
Ele disse que apenas 26 dias após a posse determinou que a Secretaria de Transparência do DF fizesse uma auditoria profunda nas áreas com graves problemas deixados por administrações passadas. Um dessas áreas era o lixo. Os trabalhos dessa auditoria se prolongaram até maio de 2011. A auditoria detectou que o serviço de varrição e coleta de lixo era feita pela metade. “Endurecemos a fiscalização”.
“Hoje entendo porque Demóstenes Torres pediu o meu impeachment”
“Nos autos da Operação Monte Carlo, são de junho as primeiras gravações em que Carlos Cachoeira e seu grupo aparecem atacando a minha reputação como governador do DF”, denuncia. “Comentam reportagens ainda por serem publicadas em uma revista (Veja)”. “Reportagens contra mim, me atacando”. “Hoje eu compreendo porque o senador Demóstenes Torres protocolou um pedido de impeachmente contra mim na Câmara Legislativa do DF no início de novembro de 2011”, destacou. “Poucos dias antes desse pedido de impeachment, a Secretaria de Transparência tinha encaminhado investigações sobre contratos de lixo ao Ministério Público do DF. Claro, o grupo precisava de controle sobre o SLU”, completou Agnelo.
“O antagonismo entre meu governo e a Delta chega ao cume há cinco meses atrás quando chegam as balanças ao aterro sanitário. Diminuiu a fatura de entulhos de 1,3 milhão de reais em novembro de 2011 para uma média de 350 mil reais ao mês a partir de janeiro deste ano”, revelou o governador. E, segundo ele, volta a cronologia das escutas. “Em 30 de janeiro de 2012, Idalberto Matias diz que eu levaria 3 ou 4 meses para cair se continuasse apanhando da imprensa e do senador Demóstenes”. Cachoeira diz num dos diálogos: “agora ele cai”. Agnelo lembra que Cachoeira comemora uma reportagem publicada na revista Veja dois dias antes fazendo acusações falsas e despropositadas. “Pode avisar que vai continuar apanhando”, ameaça Cachoeira na escuta.
O governador informou ainda que o grupo de Cachoeria também tentou fraudar uma licitação para o sistema de bilhetagem dos ônibus do “DFtrans, através de uma empresa coreana”. “Tentaram, mas não conseguiram, porque a licitação nem foi realizada”, disse. Ele lembrou que o controle sobre a bilhetagem estava nas mãos das empresas privadas. “Retomamos o controle. O gasto do GDF com subsídio do transporte caiu de R$ 9 milhões para R$ 3 milhões ao mês. Tentaram entrar, mas não conseguiram. Em outubro passaram a querer me derrubar”.
Agnelo Queiroz também negou irregularidades em seu crescimento Patrimonial e, ao contrário de Marconi Perillo, abriu todos os seus sigilos. “Com a quebra dos sigilos você tira qualquer tipo de ilações. Abro meu sigilo para que possam ser checadas todas as informações necessárias que demonstram que tenho patrimônio compatível”, disse, recebendo aplausos do presentes.

Explicações de Perillo não convencem CPI e venda da casa continua estranha
O governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, tentou convencer os integrantes da CPMI, instalada para investigar as ligações do crime organizado com políticos e com a mídia, que receber cheques de uma empresa laranja de Cachoeira, assinados pelo sobrinho do contraventor, como pagamento pela compra de sua mansão em Goiânia, não tem nenhuma irregularidade.
Isso depois do representante da empresa Mestra ter dito que pagou em dinheiro vivo e não em cheque, como disse o governador. E, depois também de Cachoeira ter sido flagrado pela PF dizendo a um comparsa, no dia anterior, que “é para pegar o dinheiro e levar para o governador no Palácio”. Nessa escuta, Cachoeira fala em R$ 2,2 milhões, e Perillo afirma que recebeu R$ 1,4 milhão em cheques. Parece que alguma coisa foi passada mesmo em cheques e outra “em notas de cem e cinqüenta”, como disse Walter Paulo Santiago, representante da empresa Mestra. Outra gravação da PF mostra detalhes de uma combinação para entregar dinheiro vivo “em caixa de computador” no Palácio.
Perguntado sobre esses fatos, Marconi disse apenas que não sabia quem tinha assinado os cheques e que não conhecia Cachoeira. Essa resposta espantou os parlamentares da CPMI. Um deles questionou: ‘o pobre quando recebe um cheque de 50 reais olha na mesma hora quem assinou. O Sr. recebeu cheques no valor de R$ 1,4 milhão e não se interessou em saber quem tinha assinado?’. Perillo desconversou.
Outra questão que ficou sem reposta foi o fato de a empresa que deu os cheques para o governador, a “Mestra”, ter recebido depósitos vultosos, na véspera do pagamento, de uma outra empresa também de Cachoeira, a “Alberto e Pantoja”.
Além disso tudo, Perillo não explicou até hoje por que Cachoeira foi preso na casa que foi vendida por ele. E, para complicar ainda mais a vida do tucano, a “Alberto e Pantoja”, empresa da quadrilha que abasteceu as contas da Máster, emitente dos cheques para Perillo, é a mesma que Marconi usou para pagar R$ 40 mil ao seu ex-assessor de imprensa, Luiz Carlos Bordoni.
Diante de todas essas acusações sem resposta, Perillo, é claro, recusou-se a abrir seus sigilos bancário e fiscal. Para isso foi ajudado também pela gritaria histérica da tropa demotucana da CPMI. Faltou também, é certo, mais firmeza do relator para exigir a quebra dos sigilos e para fazer as perguntas adequadas e certeiras ao meliante. Afinal, Perillo contratou agentes de Cachoeira, negociou com a quadrilha, recebeu, segundo gravações feitas pela própria Polícia Federal, e divulgadas essa semana, dinheiro dos criminosos dentro do Palácio das Esmeraldas, e, por isso, não podia ter o comportamento que teve na CPMI. Ele não podia se recusar a abrir seus sigilos, por exemplo.
Só anunciou que iria abrir após o governador Agnelo Queiroz, na quarta-feira, prontamente se dispor abrir os seus sigilos. Assim mesmo não disse qual o sigilo está disposto a abrir. A sugestão de abrir seu sigilo telefônico parece que foi o que mais incomodou Perillo na sessão da CPMI.
Mas o que mais chamou a atenção dos parlamentares da CPMI foi a deferência com que o tucano tratou o bicheiro. Para Perillo, Cachoeira não é um contraventor, é um respeitável “empresário”. Só faltou chamá-lo de “Sua Excia Cachoeira”.

Desembargador dá voto que pode livrar Carlinhos Cachoeira da prisão
O desembargador Fernando Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), defendeu que as escutas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal (PF), que prendeu o contraventor Carlinhos Cachoeira e sua quadrilha, são ilegais e votou pela liberdade do bicheiro preso desde o dia 29 de fevereiro.
Relator do pedido de habeas corpus da defesa de Cachoeira, Tourinho alegou que as interceptações telefônicas não podem ser feitas a partir de “meros indícios”, que não havia situação excepcional para o uso de gravações e que não pode “haver banalização da interceptação telefônica para combater o crime”. Disse também que a PF pediu autorização para fazer as gravações com base em denúncia anônima.
A mesma benevolência do desembargador para com a versão de Cachoeira não é a mesma para com o lado da Polícia Federal, que investigou o caso. A PF contradiz Tourinho e afirma que antes de pedir a interceptação telefônica fez entrevistas com pessoas nos locais de exploração de jogos e apreensões de máquinas caça-níqueis. A polícia também mostra que a investigação não teve início só a partir das denúncias anônimas, mas nas informações da Promotoria de Justiça de Valparaíso (GO). Mas, se por acaso fosse assim, será que o brutal crime organizado deveria ser combatido com nome endereço, telefone, RG, CPF e talvez um foto 3 X 4 dos denunciantes?
Caso os outros dois juízes da turma acompanhassem o voto de Tourinho, as provas contidas nas escutas seriam anuladas e o fora da lei Carlinhos Cachoeira estaria livre. Mas um dos três desembargadores pediu vista e interrompeu o julgamento do habeas corpus, devendo apresentar o seu voto na próxima terça-feira (19). Caso venha a perder no TRF1, a defesa de Cachoeira vai usar o voto de Tourinho como argumento num possível recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Essa não foi a primeira decisão do desembargador Tourinho Neto que beneficiou o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Na segunda-feira da semana passada (4), a 3ª Turma do TRF1 decidiu libertar o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, grampeador e principal informante da máfia de Cachoeira. Foi de Tourinho Neto, também como relator, o voto para soltar Dadá, que, esse sim, banalizou as escutas, grampeando tudo e a todos a serviço de Cachoeira. Será que é só Dadá que pode fazer escutas?
Nesta quarta-feira (13), Tourinho concedeu liminar liberando José Olímpio de Queiroga Neto, acusado explorar casas de jogos no entorno do Distrito Federal e de pertencer ao esquema de Cachoeira. No mesmo dia, o TRF1 decidiu desbloquear os bens da Vitapan, empresa farmacêutica pertencente à máfia de Cachoeira. A Segunda Sessão da corte analisou liminar concedida pelo relator do processo, desembargador Tourinho Neto, em 26 de março, favorável à Vitapan.
Foi também Tourinho quem deu liminar suspendendo o depoimento de Cachoeira na Justiça, que iria acontecer no dia 1º de junho (sexta-feira). Por fim, foi ele quem autorizou em abril a transferência de Cachoeira do presídio federal de Mossoró (RN) para o da Papuda, em Brasília.

Gurgel anuncia pedidos de inquéritos para constranger Agnelo no dia do depoimento
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o pedido de abertura de dois inquéritos para investigar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e um outro contra o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Os documentos foram enviados na segunda-feira (11), mas a procuradoria só divulgou a informação na quarta (13).
Curiosamente, a data do anúncio da formalização do procedimento coincidiu com o depoimento do petista na CPI do Cachoeira, servindo como elemento de pressão contra o governador do Distrito Federal no dia do seu comparecimento à comissão. Já o tucano Marconi Perillo, que prestou depoimento na terça-feira (12), foi poupado pelo procurador de passar pelo mesmo constrangimento.
Os três inquéritos chegaram ao tribunal superior sob segredo de Justiça e receberam os seguintes números 787, 788 e 789. O primeiro investigará relações de Perillo com o esquema criminoso chefiado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Em relação aos outros dois, que têm como alvo Agnelo Queiroz, um deles também tratará da suposta relação do governador com o esquema de Cachoeira e o outro sobre possível prática de crime do petista quando era diretor da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

junho 13, 2012

Hora do Povo: Globo abandona a canoa de Perillo e pede a sua cabeça. Mídia golpista cede mais um anel

“É pro governador, vamos logo pagar ele lá no Palácio”, diz Cachoeira em gravação revelada pela reportagem
Percebendo que mais cedo ou mais tarde seria inevitável o surgimento de novas denúncias envolvendo o seu tradicional aliado, Marconi Perillo, a Globo resolveu jogá-lo ao mar. Correram para publicar tanto em seu jornal como na TV a gravação, feita pela Polícia Federal, mostrando o contraventor Carlinhos Cachoeira mandando seu comparsa, o ex-vereador do PSDB, Wladimir Garcez, “entregar o dinheiro para o governador, no Palácio”. O dinheiro era para pagar a casa vendida por Perillo.
O diálogo não deixa dúvidas de que foi Cachoeira quem negociou e comprou a casa de Marconi Perillo. E foi nesta residência que o criminoso foi preso durante a operação Monte Carlo, da PF.
( HORA DO POVO )
Globo larga a mão de Perillo e o tucano se complica mais
“Fala: é pro governador. Vamos lá pagar ele logo no Palácio”, diz bicheiro para comparsa
Percebendo que, mais cedo ou mais tarde, seria inevitável o surgimento de novas denúncias envolvendo o seu tradicional aliado, Marconi Perillo, as Organizações Globo resolveram jogá-lo ao mar. Correram para publicar tanto em seu jornal como na TV a gravação, feita pela Polícia Federal, mostrando o contraventor Carlinhos Cachoeira mandando seu comparsa, o ex-vereador do PSDB, Wladmir Garcez, “entregar o dinheiro para o governador, no Palácio”. O dinheiro era para pagar a casa vendida por Perillo.
O diálogo não deixa dúvidas de que foi Cachoeira que negociou e comprou a casa de Marconi Perillo. E foi nesta residência do governador que o criminoso foi preso durante a operação Monte Carlo, da PF. Até agora, Perillo repetia a tática de Demóstenes e negava tudo. Dizia que não recebeu em dinheiro pela transação. Inventou uma versão de que teria recebido través de três cheques. Foi desmentido de cara por Walter Paulo Santiago, representante da empresa Mestra, que depôs na CPI e disse que pagou em dinheiro vivo. Em “pacotinhos” de notas de cem e cinqüenta reais, explicou. Com tudo isso, a Globo teve que desistir de ficar criando pseudo-crises contra Agnelo Queiroz para tentar tirar o foco dos crimes de Perillo.
Na ligação feitas através de seu aparelho Nextel, que reproduzimos abaixo, Garcez dá a entender que está esperando um emissário. Parece se tratar de Lúcio Fiúza, assessor especial de Perillo que pediu exoneração na semana passada, ou do professor Walter Paulo. O ex-vereador diz a Cachoeira que irá se encontrar com Jayme Rincón em um shopping. Antes, o contraventor questiona se seria bom ele estar presente, mas Garcez o desestimula, porque não vê uma boa explicação para justificar a presença do chefe.
Cachoeira: “Tá aí?”
Garcez: “Não. Ele ligou agora disse que tá chegando. Atrasou um pouquinho”.
Cachoeira: “Quer que eu vá ai?”.
Garcez: “Precisa não, você que sabe. O que você estaria fazendo aqui?”
Cachoeira: “É verdade, então não vou aí, não”.
Garcez: “O Jayme já está indo lá no Alpha Mall, marcou comigo, qualquer coisa vou encontrar com ele na Agetop”.
Cachoeira fala para o auxiliar ligar para Jayme Rincón e dizer que atrasou, mas que é para ele aguardar Garcez na própria Agetop. E demonstra pressa na conclusão da transação. Na ligação, Cachoeira manda Garcez fechar o negócio no mesmo dia.
Cachoeira: “Você liga para o Jayme, fala para ele te esperar na Agetop, que atrasou. Tô indo lá, encontrar com o menino. Vende este trem hoje, hein. Pega o dinheiro logo, urgente”.
Garcez: “Aquilo que nós combinamos. Não vou perder. Dois milhões a gente já fechou. Se ele não fizer mais nada que dois, mete bronca. Mas vou tentar os R$ 2.250. Se não der… aí eu te dou uma ligada disfarçada, daquele jeito, viu”.
Cachoeira pede para Garcez dizer que é para entregar o dinheiro para o governador, no Palácio.
Cachoeira: “Fala: é pro governador. Vamos lá pagar ele logo no Palácio, chega lá pro Jayme. Já manda ele levar o dinheiro. Já entrega a chave pra ele, entendeu. Depois tira os trens que tem que tirar aqui”.
Cachoeira: “cê vai lá, chama o Lúcio. O Lúcio, você conversa com ele. “Ô, Lúcio, é que eu vendi lá, então tô vendendo mobiliada já, por dois e tanto”.
Cachoeira: Quanto?
Garcez: Uai, Carlinhos, ele mandou, deixa eu ver aqui… Foi um e quinhentos em dinheiro e quinhentos mil em gado, sabe? Mas aí eu vou conversar pessoalmente com o doutor Lúcio, que esse trem por telefone é ruim demais.
Perillo disse que havia vendido a casa por R$ 1,4 milhão. As gravações mostram que as conversas foram feitas em julho ou seja, depois que o governador já tinha recebido pela venda da casa. Marconi Perillo declarou que recebeu o pagamento em três cheques, em março, abril e maio.
Com o cavalo de pau dado pelas Organizações Globo, abandonando um velho aliado, Perillo terá muito o que se explicar ao país e aos parlamentares. Em 2005, a Globo tinha dado ampla repercussão ao então governador de Goiás, quando ele inventou ter alertado o presidente Lula sobre uma suposta compra de parlamentares em seu governo. Perillo e Globo queriam com isso dar sustentação à armação golpista contra o então presidente Lula.
Agora, abandonado à própria sorte, Perillo terá muito trabalho, além da entrega do dinheiro de Cachoeira no Palácio, terá que explicar também o pagamento de seu ex-assessor de imprensa feito com dinheiro de uma empresa de Cachoeira. Luiz Carlos Bordoni, ex-assessor de imprensa de Perillo, revelou recentemente que o governador pagou por seus serviços com dinheiro de uma empresa de propriedade de Cachoeira, a “Alberto e Pantoja”. Segundo Bordoni, ele recebeu metade em dinheiro do próprio governador e a outra metade, R$ 45 mil, da empresa do contraventor.

“Estou ao inteiro dispor da CPMI para depor”, afirmou o ex-chefe do Dnit
O ex-chefe do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, e o ex-ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, foram derrubados de seus cargos após armação montada por Cachoeira e a revista Veja. A associação do contraventor com Policarpo Jr teve como objetivo defender os interesses da empreiteira Delta. Ele agora quer falar na CPMI. Por que o relator não quer ouvi-lo? Ele tem muita coisa a dizer sobre as armações de Veja e Cachoeira e as propinas cobradas no Rodoanel de São Paulo. “Estou ao inteiro dispor da CPMI para prestar depoimento”, reiterou.
Em entrevista recente, Pagot revelou que recebeu pressão dos tucanos nas obras do Rodoanel. “Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o Rodoanel financiava a campanha do Serra”, afirmou Pagot. Ele contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado por José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel. A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de Serra à Presidência da República em 2010.
“Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot. Disse também que, quando ocupava a diretoria do órgão que administrava bilhões em obras públicas em todo o País, recebeu o tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP). Ressaltou, no entanto, que as doações foram dentro dos parâmetros. “Cada um doou o que quis. As doações, no entanto, era feitas pelas vias legais. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, explicou Pagot.
Segundo ele, com os tucanos paulistas era diferente. Os pedidos eram para um caixa 2 e ele se recusou a atendê-los. Pagot contou que recebeu pressões para liberar R$ 264 milhões em aditivos para a conclusão do trecho sul do Rodoanel. Segundo ele, em meados de 2009, o então diretor da Dersa, empresa paulista responsável pelas estradas, Paulo Vieira de Souza, o “Paulo Preto”, solicitou uma audiência no DNIT. Levou assessores, engenheiros e um procurador para tentar convencer Pagot a liberar a quantia. As acusações foram tão sérias que Serra acusou o golpe e afirmou que seu partido pretende entrar na Justiça contra ele. Tudo isso pode ser esclarecido na CPMI.
Segundo o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), a convocação de Pagot é desnecessária nesse momento. Para ele, isso “não é objeto de análise da CPMI”. A posição do relator gerou críticas de seus colegas na comissão e do seu próprio partido. Nos perdoe o parlamentar, mas depois que o deputado tucano Fernando Francischini (PR) o chamou de “tchutchuca” na sessão da CPMI, por, segundo ele, proteger o governador Agnelo Queiroz (PT) e ser “tigrão” quando se tratava de Marconi Perillo (PSDB) vem agindo exatamente como os tucanos queriam ao convocar o governador do Distrito Federal.

junho 6, 2012

Demóstenes diz que já tem mais de trinta senadores no bolso

Cachoeira paga tudo e ainda dá carona
Se 41 dos 81 não derem o voto pela cassação, o pilantra continuará lá
O senador Demóstenes Torres, denunciado como membro da quadrilha de Cachoeira, disse que confia nos seus colegas para escapar da cassação do seu mandato e fez insinuação, reforçada por seu advogado, Antônio Carlos de Almeida, de que já teria o apoio de 30 senadores. “Estamos trabalhando”, declarou o advogado de Demóstenes. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) advertiu que “pesquisas feitas entre os senadores já constataram que Demóstenes precisa apenas de cerca de 10 votos para conseguir os 41 necessários à sua absolvição”.
( HORA DO POVO )
Demóstenes Torres diz que seus colegas o livrarão da cassação
Para ele, basta que mais 11 senadores não vá a plenário que evitará a perda do seu mandato
O senador Demóstenes Torres (sem partido), denuncia do como integrante da quadrilha de Carlinhos Cachoeira, disse que confia nos seus colegas para escapar da cassação do seu mandato e fez circular informação, reforçada por seu advogado, Antônio Carlos de Almeida, de que já teria o apoio de 30 senadores. “Estamos trabalhando” para impedir a perda do mandato, declarou o advogado de Demóstenes.
Sua estratégia seria a de que os senadores sob seu controle não compareçam à votação em plenário, já que na votação no Conselho de Ética ele deverá perder o mandato. Na semana passada, Demóstenes foi várias vezes ao plenário do Senado em busca de apoio. A cassação de seu mandato exige o voto de 41 dos 81 senadores.
Em discurso no plenário, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que “em que pesem todas as evidências e gravações que comprovam o envolvimento do senador Demóstenes Torres com o ‘empresário da contravenção’ Carlinhos Cachoeira, temos lido a toda hora que o senador goiano confia na sua absolvição quando, por causa do voto aberto, o Conselho de Ética do Senado recomendar a cassação de seu mandato”. “Pesquisas feitas entre os senadores já constataram que Demóstenes precisa apenas de cerca de 10 votos para conseguir os 41 necessários à sua absolvição, ou seja, metade mais um dos 81 senadores que compõem aquela Casa”, alerta Simon.
Demóstenes debochou dos senadores durante seu depoimento no Conselho de Ética quando jurou que não tinha relação nenhuma com Cachoeira. Mesmo diante de todas as evidências de que atuava intensamente na defesa dos interesses da quadrilha, ele teve tentou negar que tenha usado o mandato para fazer lobby para Cachoeira. Chegou a pedir para ser julgado pelo que fez e não pelo que falou.
Só que ele falou pelos cotovelos sobre quase todos os tipos de falcatruas com Cachoeira. Sua máscara de “vestal da moralidade” desabou. A Operação Monte Carlo, da PF, através de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, descobriu que o ex-líder do Dem trocou 298 telefonemas com o contraventor entre fevereiro e agosto de 2011. Quase todas essas conversas eram para defender interesses da empreiteira Delta, para achacar governadores, como Agnelo Queiroz, e ministros, como Alfredo Nascimento, ou para tentar, junto com a revista Veja, desestabilizar através de arapongas da quadrilha o governo federal ou ex-integrantes do governo, como José Dirceu.
No depoimento ao Conselho de Ética do Senado, Demóstenes admitiu ter recebido um dos aparelhos Nextel que Cachoeira distribuiu para os membros da quadrilha, acreditando que não seria grampeado, “mas apenas por comodidade, porque fazia ligações internacionais”. Alegou desconhecer que o “presente” fora dado a outros membros da quadrilha, para o chamado ‘Clube Nextel’. Questionado pelo relator, reconheceu que a conta era paga pelo contraventor. “Uns R$ 50, pagos nos Estados Unidos”, admitiu. Só o fato do senador receber um aparelho de telefone fornecido por um chefe de quadrilha e com conta paga por el já seria motivo mais do que suficiente para a perda do mandato, mas Demóstenes fez coisas muito piores do que isso.
Segundo a documentação reunida nos relatórios da Polícia Federal, o senador goiano recebia 30% da arrecadação geral do esquema financeiro armado por Cachoeira, calculado em, aproximadamente, 170 milhões de reais nos últimos seis anos. Fingindo abrir seu sigilo, ele negou ter recebido esse dinheiro. “Não tinha relação com Cachoeira”, mas ele e sua mulher ganharam de presente dele uma “cozinha americana” no valor de 24 mil dólares. “O que eu sabia era que me relacionava com um empresário que se relacionava com cinco governadores, e outras dezenas de políticos e empresários”, afirmou. “E o governador (Perillo) tinha me dito que ele não atuava mais na contravenção”, disse o ex-líder do Dem.
Mesmo diante de todas essas evidências, ele procurou negar que tenha usado o mandato para fazer lobby para Carlinhos Cachoeira. Numa das gravações, feitas pela PF com autorização judicial, Demóstenes – que é ex-delegado e ex-promotor – pede para Cachoeira “pagar uma despesa dele com táxi-aéreo no valor de R$ 3 mil”. Mais recentemente Cachoeira autorizou a liberação de um jatinho para buscar Demóstenes em São Paulo, vindo da Alemanha junto com Gilmar Mendes, para levá-los para Goiânia e Brasília.
Demóstenes disse que não sabia que Cachoeira “operava clandestinamente”. Mas alertou o contraventor de que ele poderia “ser pego” se um determinado projeto sobre jogatina, estudado por ele a pedido do mafioso, fosse aprovado. As gravações mostrando esse diálogo foram feitas em 2009. Vejam os detalhes da conversa:
Demóstenes: Eu peguei o texto, ontem, da lei para analisar. É aquela que transforma contravenção em crime. Que importância tem a aprovação disso?
Cachoeira: É bom demais. Aí também regulamenta as estaduais.
Demóstenes: Regulamenta não. Vou mandar o texto pra você. O que tá aprovado é o seguinte: transforma em crime qualquer jogo que não tenha autorização. Então, inclusive, te pega, né?
Cachoeira: Não, mas essa aí é boa também. Não pega ninguém, não. Pode mandar brasa aí.
“Essa frase está mais do que ratificada de que o senhor estava avisando algo a ele”, afirmou o senador Mário Couto (PSDB-PA), durante o depoimento de Demóstenes. Couto indagou a Demóstenes se a voz nos diálogos, que diz ‘inclusive te pega!’ – advertindo Cachoeira do risco que correria, era realmente dele.

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