ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

outubro 4, 2013

Rússia acusa tropas sauditas de ataque químico na Síria

O ataque químico nos arredores de Damasco, na Guta Oriental, a 21 de agosto, que matou centenas de pessoas, foi realizado como provocação para desestabilizar a situação por um grupo especial enviado pela Arábia Saudita, informa a Interfax citando fontes diplomáticas russas.

“Com base em dados obtidos de várias fontes, pode-se concluir que a provocação criminosa em Guta Oriental foi realizada por um grupo especial enviado pelos sauditas a partir do território da Jordânia e que agiram sob a proteção do grupo “Liba al-Islam”, precisou a fonte da agência russa.
Outra fonte citada pela Interfax declarou que “visto que o próprio ataque químico e a sua discussão revoltaram a opinião pública, os sírios dos mais diferentes quadrantes políticos, incluindo os guerrilheiros da oposição, tentam ativamente levar todas as informações a esse propósito aos diplomatas e funcionários de estruturas internacionais que operam na Síria”.
Hoje, o Presidente sírio Bashar Assad acusou, numa entrevista ao canal turco Halk, “grupos terroristas” dos ataques químicos, sublinhando que não é do interesse dele o seu emprego e que ele nunca deu ordem para o emprego de armas químicas.

P.S. E se as acusações russas se provarem, quem e como irá sancionar a Arábia Saudita? Ou será isto um aviso de Moscovo aos sauditas para que deixem de apoiar a guerrilha islâmica no Cáucaso do Norte?

Extraído do site JOSÉ MILHAZES – DA RÚSSIA 

Original: RT

Jornalista Pepe Escobar: “O sociopata Netaniahu na ONU”

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:29 pm

Em comparação com o tom construtivo do presidente do Irã, o belicoso representante de Israel fez um vitupério totalmente fora de compasso com o espírito que reinou na maioria dos pronunciamentos da ONU (à exceção, é claro, do norte-americano, Obama, que ousou chamar seu desmedido e criminosos intervencionismo de “contribuição dos EUA” ao bem-estar do planeta).

O destempero do israelense levou o jornalista do Asia Times e do Russia Today, Pepe Escobar a se referir ao pronunciamento no artigo “O discurso de Netaniahu na ONU: soa como um sociopata?”, do qual reproduzimos algumas observações.

Escobar começa ressaltando na fala do israelense Bibi sua arenga contra o presidente iraniano, ao qual já chamara de “cínico” e de “armadilha hipócrita”, destacando que “os mísseis do Irã atingiriam Nova Iorque em três a quatro anos e que “um Irã nuclear é como 50 Coreias do Norte”.

Escobar ressalta outro trecho em que Bibi se refere a “Ahmadinejad como o lobo em pele de lobo enquanto que Ruhani seria o lobo em pele de cordeiro”.

Netaniahu disse ainda que Ruhani tentara se apresentar como “piedoso” mas estava sempre envolvido no “Estado de terror do Irã” e por aí vai.

Como ressalta Escobar, chamou o mundo a acabar com o “programa nuclear militar” do Irã que até o sistema de espionagem dos EUA diz que não existe.

Isso tudo depois do mesmo Netaniahu dizer a Barack Obama que esqueça para sempre a Resolução da ONU 242; a que determina a total retirada de Israel das terras ocupadas desde a guerra de 1967.

Vejam então quem é cínico e portavoz da verdadeira hipocrisia a serviço da limpeza étnica, ou seja, do genocídio do povo palestino, como pontua o jornalista do Asia Times: “O Estado de Israel não tem nenhuma fronteira internacionalmente reconhecida e é um Estado direcionado à expansão perpétua”.

“Israel desrespeita nada menos do que 69 Resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e foi ‘protegida’ de outras 29, cortesia dos vetos norte-americanos”.

“Tem ocupado território soberano do Líbano e da Síria sem dar o mínimo para decisões em contrário da ONU.

“Assinou os Acordos de Oslo prometendo parar de construir para sempre, qualquer novo assentamento na Palestina. Ao invés disso, construiu mais de 270, como parte de uma limpeza étnica de mais de seis décadas.

“Tem ameaçado bombardear o Irã, em ritmo semanal, por pelo menos três décadas.

“Israel é uma potência nuclear com cerca de 400 ogivas nucleares, recusa-se a assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear; barra inspeções internacionais, usou armas químicas em Gaza, nunca ratificou o Tratado sobre Armas Químicas, e tem um estoque desse tipo de arma muito maior do que qualquer país do Oriente Médio.

“O lobby israelense em Washington apoiou o bloqueio financeiro imposto ao Irã que para todos os efeitos é uma declaração de guerra, com drásticas consequências na vida dos iranianos comuns. Ainda por cima ameaçou de ataque unilateral ao Irã.

“Bibi não aceita nem mesmo que o Irã enriqueça urânio para propósitos civis, como definido pelo TNP.

Como conclui Escobar, o sonho de Israel é um Oriente Médio dividido entre petromonarquias submissas aos EUA de um lado e países balcanizados de outro. “Só que o Irã é uma potência emergente dos pontos de vista político e econômico e se chega a ter relações normais com EUA e Europa coloca em risco os planos de hegemonia de Israel no Oriente Médio, para seguir estocando armas nucleares e sendo Estado de colonização buscando varrer um povo inteiro – os palestinos do mapa. Quem duvidar que olhe o mapa”. ( HORA DO POVO )

outubro 2, 2013

As armas químicas secretas de Israel

Arquivado em: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:51 pm

 

Manlio Dinucci, Il Manifesto, Itália

Tradução: Vila Vudu

IRÃ NEWS

Os inspetores da ONU, que controlam as armas químicas da Síria teriam muito mais trabalho se fossem mandados controlas as armas nucleares, biológicas e químicas (NBQ) de Israel. Mas, pelas regras do ‘direito internacional’, não podem controlar nenhuma arma israelense. Israel não assinou o Tratado de Não Proliferação, nem a Convenção que proíbe armas biológicas; assinou, mas não ratificou o tratado que proíbe armas químicas.

Segundo o blog Jane’s Defense Weekly,[1] Israel – a única potência nuclear em todo o Oriente Médio – tem de 100 a 300 ogivas nucleares e os respectivos vetores (mísseis balísticos e de cruzeiro e caças-bombardeiros). Segundo estimativas do Centro Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo [Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI)][2], Israel produziu entre 690 e 950 kg de plutônio, e continua a produzir plutônio suficiente para montar, por ano, de 10 a 15 bombas do tipo usado em Nagasaki. Israel também produz trítio, um gás radiativo com o qual se produzem ogivas neurotrônicas, que causam contaminação radiativa menor, mas de mais alta letalidade.

Segundo vários relatórios internacionais, citados também pelo jornal israelense Ha’aretz, as armas biológicas e químicas são desenvolvidas no Instituto para Pesquisa Biológica, situado em Ness-Ziona, próximo a Telavive. Oficialmente, ali trabalham 160 cientistas e 170 técnicos, e o Instituto trabalha há mais de 50 anos em pesquisas em biologia, bioquímica, biotecnologia, farmacologia, física e outras especialidades. O Instituto é, com o Centro Nuclear de Dimona, “uma das instituições mais secretas de Israel”, sob jurisdição direta do primeiro-ministro.

O maior sigilo cerca a pesquisa de armas biológicas: bactérias e vírus que, lançados contra o inimigo, podem gerar epidemias. Dentre eles, a bactéria da peste bubônica (a “peste negra” da Idade Média) e o vírus Ebola, contagioso e letal, contra o qual ainda não há terapia disponível. A biotecnologia é instrumento para criar novos tipos de agente patogênicos contra os quais as populações-alvo não têm resistências, nem há vacina. Há também informação confiável sobre pesquisas, em Ness-Ziona, para desenvolver armas biológicas suficientemente potentes para neutralizar todo o sistema imunológico humano.

Oficialmente, o Instituto israelense em Ness-Ziona pesquisa vacinas contra bactérias e vírus, como sobre o antrax financiadas pelo Pentágono. Mas é evidente que o mesmo tipo de pesquisa permite desenvolver novos agentes patogênicos a serem usados como arma de guerra. O mesmo tipo de trabalho é feito também nos EUA e em outros países, para escapar às leis, acordos e convenções que proíbem o uso de armas biológicas e químicas.

Em 1999, a carapaça de sigilo que protege as pesquisas de armas nucleares, biológicas e químicas em Israel foi quebrada em parte pela investigação, realizada com a colaboração de cientistas, do jornalista holandês Karel Knip, editor sênior de ciências do diário holandês NRC- Handelsblad, e publicada sob o título de “Biologia em Ness Ziona”.[3] Ali ficou afinal comprovado que as substâncias tóxicas desenvolvidas pelo Instituto são utilizadas pelo Mossad para assassinar dirigentes palestinos.[4]

Depoimentos de médicos indicam que em Gaza e no Líbano, as forças israelenses utilizaram armas de concepção recente: deixam intactos os cadáveres, vistos externamente, mas agem por dentro, carbonizando o fígado e os ossos e fazendo coagular o sangue. É perfeitamente possível, com recursos de nanotecnologia. A Itália também colabora no desenvolvimento dessas armas, ligada a Israel por um acordo de cooperação militar e principal parceiro dos israelenses na pesquisa & desenvolvimento de armas biológicas. O orçamento italiano prevê dotação anual de 3 milhões de euros para esses projetos de pesquisa conjunta ítalo-israelenses. Exemplo dessa colaboração aparece no mais recente pedido de verbas para pesquisa do Ministério de Relações Exteriores italiano, que pede verbas para “novas abordagens para o combate de agentes patogênicos resistentes aos tratamentos.” Com essas verbas, o Instituto israelense para pesquisa biológica poderá tornar os agentes patogênicos ainda mais resistentes.

[1] http://www.ihs.com/products/janes/defence-business/news/defence-weekly.aspx

[2] http://www.sipri.org/

[3] “O centro IIBR já desenvolvia armas químicas e biológicas em segredo, até que, dia 4/10/1992, um avião, que fazia o voo n. 1862 da empresa El Al, caiu sobre um prédio de apartamentos em Bijlmer, bairro de Amsterdã, Holanda, a caminho de Telavive, levando a bordo três tripulantes, um passageiro e 114 toneladas de carga. Foi o pior desastre aéreo da história holandesa, que deixou 47 mortos em solo e arruinou a saúde de 3.000 moradores da área. Começaram a surgir doenças misteriosas, irrupções cutâneas, dificuldades respiratórias, doenças neurológicas e muitos casos de câncer, concentrados naquela específica área. Depois de vários anos de investigações detalhadas e profundas, o jornalista holandês Karel Knip, publicou, em novembro de 1999, a reportagem mais detalhada e mais repleta de fatos sobre o trabalho do IIBR israelense, narrada a partir do acidente aéreo em Bijlmer. Knip conseguiu provar que o avião levava uma carga da empresa Sokatronic Chemicals, de Morrisville, Pennsylvania, para o Instituto IIBR, em Israel, o que configura clara violação da Convenção para Armas Químicas. O carregamento incluía 50 galões de DMMP, quantidade suficiente para produzir 250kg de gás sarin, de efeito neurológico, 20 vezes mais letal que o cianureto. Knip descobriu que pelo menos 140 cientistas especializados em armas biológicas do Instituto IIBR tinham laços próximos com o Walter Reed Army Institute, a Uniformed Services University, o American Chemical and Biological Weapons Center em Edgewood e a Universidade de Utah. Descobriu também a estreita cooperação que há entre o IIBR israelense e o programa de armas biológicas britânico-norte-americano, e, também, o extenso programa de pesquisa de armas biológicas que há entre Alemanha e Holanda – o que explica que, até hoje, o governo holandês mantenha o mais absoluto silêncio sobre o avião que caiu em Amsterdam” (Global Research, em http://www.globalresearch.ca/israels-history-of-chemical-weapons-use/5352003).

[4] Um caso muito bem comprovado de uso de arma química por Israel, em atentado do Mossad contra Khaled Meshall, do Hamás palestino, em Amã, Jordânia, em 1997, está narrado em detalhes fartamente documentados no livro Kill Khalid. The Failed Mossad assassination of Khalid Meshall and the Rise of Hamas, do jornalista australiano Paul McGeough (EUA: The New Press, 1999) (http://www.amazon.com/Kill-Khalid-Failed-Mossad-Assassination/dp/B0078XWH2Q). Meshall foi atacado num aparente simples esbarrão na rua, quando agentes do Mossad disfarçados como turistas injetaram uma substância desconhecida dentro de seu ouvido. Os atacantes foram perseguidos por guardas da segurança de Meshall e, para não serem apanhados, entraram no prédio da embaixada de Israel em Amã. Meshall só foi salvo por interferência direta do rei da Jordânia, indignado com a ação de terroristas israelenses em território da Jordânia, que denunciou a ação terrorista ao presidente Clinton, dos EUA, o qual ordenou que Israel enviasse imediatamente o antídoto para salvar a vida de Meshall. Israel obedeceu, pressionado também pelo rei da Jordânia que já cercara a embaixada e ameaçava explodir o prédio, o que criaria um incidente internacional que todos os envolvidos tinham interesse em evitar a qualquer custo, gerado, de fato, pela incompetência dos agentes israelenses [NTs].

Rússia já entregou à ONU provas das armas químicas dos contras

O chanceler Lavrov afirmou, em entrevista ao Canal 1 de televisão de Moscou, que a Rússia entregou “aos nossos parceiros norte-americanos e ao Secretariado da ONU” provas de que o gás sarin usado em Ghouta, em 21 de agosto, “tinha a mesma origem do gás usado em 19 de março, só que em maior concentração”. Ou seja, foi “produzido artesanalmente” pelos contras.

Como ficou estabelecido pela investigação russa sobre o ataque químico em Alepo (localidade de Khan Al Assal) de 19 de março, através de um relatório “altamente profissional” e que foi posto à disposição do Conselho de Segurança da ONU e que está acessível ao público em geral, salientou Lavrov.

O gás sarin produzido artesanalmente (“homemade”, “kitchen sarin”) difere, como é amplamente sabido, do gás de fabricação industrial, e que constitui o arsenal do exército sírio, construído ao longo de décadas como uma modesta deterrence contra as armas nucleares de Israel.

A declaração foi feita após a aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU em apoio à ação da Organização pela Proibição das Armas Químicas (OPAC) para destruir todas as armas químicas na Síria e que responsabiliza quem quer que as venha a usar.

Lavrov assinalou, ainda, que o governo sírio entregou à Rússia os dados que tinha mostrando o envolvimento da “oposição” em vários incidentes em que armas químicas foram usadas – e que também foram entregues aos inspetores da ONU. O chanceler russo afirmou que “todos esses materiais requerem um exame cuidadoso”. Disse ainda “a oposição síria mais de uma vez” desencadeou “operações de bandeira trocada” com armas químicas, provocações, para acusar o governo sírio.
HORA DO POVO

outubro 1, 2013

Do derrubamento de Mossadegh à ofensiva contra a Síria, por Miguel Urbano Rodrigues

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , , , , — Humberto @ 8:05 pm

 

Recordar os acontecimentos do Irão há 70 anos ajuda a compreender a atual estratégia dos EUA para o Médio Oriente.

O discurso em que Obama anunciou que decidira bombardear a Síria inseriu-se numa política de dominação universal concebida no final da II Guerra Mundial.

Inseguro quanto à atitude do Congresso e ciente de que a maioria do seu povo condenava um ataque militar à Síria, o presidente recuou. Mas seria uma ingenuidade acreditar numa viragem da estratégia agressiva dos EUA para a Região. Nesta, o derrubamento do governo de Bashar al Assad é somente uma etapa do projeto que tem por alvo numa segunda fase o Irão, o grande país muçulmano que não se submete ao imperialismo norte-americano.

É útil lembrar que foi ainda em vida de Roosevelt que um grupo de sábios da Casa Branca e do Pentágono elaborou o War and Peace Program, ambicioso plano que visava a longo prazo estabelecer o domínio perpétuo dos EUA sobre a Humanidade, a partir da convicção de que a desagregação do Império Britânico estava iminente e era irreversível.

Ainda não fora criado o estado de Israel, mas a substituição da hegemonia da Grã-Bretanha no Médio Oriente figurava entre as prioridades desse Programa entre cujas metas se incluía o esfacelamento da União Soviética.

O êxito em 1953 do golpe de Estado que derrubou o governo progressista de Mohammad Mossadegh (1882-1967) e permitiu a recolonização do Irão contribuiu para acelerar a penetração política, económica e militar dos EUA no Médio Oriente.

ANTECEDENTES

Desde meados do seculo XIX, a Inglaterra e o Império russo, no contexto da sua confrontação no Afeganistão, desenvolveram um esforço permanente para colocar o Irão (ao tempo Pérsia) sob a sua “proteção”.

Após a Revolução Russa de Outubro de 1917 a situação mudou e as pretensões britânicas esbarraram com a firme oposição da União Soviética.

No final da I Guerra Mundial, a monarquia persa agonizava. Um general, Reza Khan, tornou-se primeiro-ministro em 1921 e tentou modernizar o país. Mas, ambicioso, usou a sua popularidade para promover um golpe de estado. Derrubou o soberano Ahmed Qajar e proclamou-se Xá, isto é, imperador.

Entre as personalidades que se opuseram ao novo regime ditatorial destacou-se um jovem que já desempenhara importantes funções públicas: Mohammad Mossadegh.

Filho de um ministro da monarquia e de uma princesa Qajar, Mossadegh estudara Ciências Sociais em França e posteriormente doutorara-se em Direito na Suíça.

Desde a juventude chamou a atenção pela sua honestidade. Ganhou a alcunha de “incorruptível”, como Robespierre. Mas, aristocrata pelo nascimento e educação, casou com uma princesa da última dinastia.

Reza Xá demitiu-o dos cargos que exercia e desterrou-o para Ahamadabad, sua cidade natal.

Nos anos que separaram as duas guerras, o petróleo adquirira uma importância enorme na economia mundial. E a Grã-Bretanha controlava as gigantescas jazidas de hidrocarbonetos do Irão através da Anglo Iranian Oil, um gigantesco polvo transnacional que atuava como monopólio na produção e extração.

Alegando simpatias do Xá pela Alemanha de Hitler, o governo britânico obrigou-o a abdicar em 1941, ocupou o Pais (com exceção da faixa Norte, fronteiriça da URSS) e colocou no trono o filho, Reza Pahlavi.

Mossadegh regressou então à política, primeiro como deputado, depois como ministro das Finanças e ministro dos Negócios Estrangeiros, e finalmente como Primeiro-ministro.

A NACIONALIZAÇÃO DO PETROLEO

Uma vaga de nacionalismo varria então o Irão. Mohammad Mossadegh foi o dirigente que soube encarnar as aspirações do seu povo, liderando a luta por uma independência real.

O Irão estava reduzido à condição de semi-colónia. Ousou o que parecia impossível: desafiou a Inglaterra imperial ao nacionalizar a Anglo Iranian, que era oficialmente propriedade do Almirantado Britânico.

Londres reagiu com sobranceria, apresentando queixa no Conselho de Segurança, mas o órgão executivo das Nações Unidas remeteu o caso para o Tribunal da Haia.

Mossadegh desenvolveu nesses meses uma atividade frenética em defesa da soberania iraniana. Esteve primeiro nos EUA e o seu discurso na ONU teve tamanha repercussão que a revista conservadora Time Magazine o nomeou Homem do Ano em 1951. Viajou depois para a Holanda e pronunciou um discurso histórico no Tribunal de Haia. A sua intervenção foi decisiva para o veredicto daquela alta corte de justiça. O tribunal concluiu que não tinha competência para julgar a denúncia da Grã-Bretanha.

De regresso a Teerão, Mossadegh fechou os consulados britânicos, expulsou todos os técnicos ingleses e rompeu as relações diplomáticas com o governo de Londres.

Restituíra ao Irão a dignidade perdida há séculos e o povo identificou nele um herói.

O GOLPE

O governo britânico, apoiado pelo norte-americano Truman, decidiu recorrer a métodos drásticos para afastar Mossadegh do poder. Intrigando junto do Xá, criou um conflito entre o monarca e o Primeiro-ministro. Mossadegh foi demitido em julho de 1952, mas essa decisão provocou tamanha indignação popular, com manifestações de protesto nas ruas, que o Xá o nomeou novamente Primeiro-ministro.

Fortalecido pelo apoio popular, pediu poderes especiais ao Parlamento para levar adiante 80 projetos de lei que beneficiariam as massas, esmagadas pelas engrenagens de uma sociedade arcaica.

Obteve-os. Mossadegh introduziu nos meses seguintes reformas revolucionárias que envolveram as finanças, o orçamento, a saúde pública, a Justiça, as pescas, a habitação, a previdência social, as comunicações, as forças armadas. Reformas nunca imaginadas numa sociedade islâmica marcada por heranças feudais.

Os acontecimentos precipitaram-se. O governo de Churchill comprou dezenas de deputados para sabotar a política de Mossadegh. Este reagiu convocando um referendo no início de Agosto de 1953 para dissolver o Parlamento. O povo iraniano votou a dissolução por ampla maioria.

A conspiração, entretanto, estava já muito avançada. No dia 15 houve uma tentativa de golpe de estado promovida pelo Parlamento.

Fracassou e o Xá fugiu para Roma.

Mas a CIA, que contava com todo o apoio do governo britânico, que pedira a colaboração de Truman, montara quase simultaneamente o seu golpe com colaboração do exército. Foi precedido de manifestações de rua com a participação de agentes provocadores e de ações de vandalismo no contexto de uma campanha de calúnias contra Mossadegh.

E esse segundo golpe teve êxito. Preso, Mossadegh foi julgado sumariamente por um tribunal militar que o condenou a três anos de prisão e, posteriormente, a residência fixa na sua província.

O Xá regressou de Roma, e em tempo mínimo, as leis progressistas de Mossadegh foram revogadas. O grande beneficiário da mudança foi, porém, o imperialismo norte-americano. As grandes petrolíferas dos Estados Unidos, já então fortemente implantadas na Arábia Saudita e no Iraque, cobiçavam os hidrocarbonetos iranianos. E abocanharam uma grande fatia à custa da Anglo Iranian que reapareceu com o nome de British Petroleum.

UM NACIONALISTA REVOLUCIONÁRIO

A Revolução iraniana de 1979 foi o desfecho da longa e cruel ditadura que, sob a liderança nominal do Xá Reza Pahlavi, se implantou no país após o golpe de 1953.

Recolonizado, o Irão foi o melhor e mais dócil aliado dos EUA no Médio Oriente. Durante um quarto de século, os gigantes transnacionais do petróleo foram no país o poder real.

O Ayatollah Komeiny não teria obtido a amplo apoio popular que lhe permitiu impor a sua República Islâmica xiita se o povo não sentisse uma repulsa tão forte pela arrogância imperial dos EUA e não estivesse maduro para se rebelar contra o monstruoso regime policial do Xá.

A memória do breve governo revolucionário de Mossadegh permanece viva e funciona como um estimulante no confronto dos atuais governantes com Washington. Obama não esconde que os EUA não aceitam um Irão insubmisso.

Mas a ofensiva de desinformação estado-unidense que continua a apresentar Mossadegh como um defensor do socialismo deforma a realidade. Ele foi um patriota que amou profundamente o seu povo e tinha um grande orgulho pela contribuição civilizacional para a Humanidade dos Aqueménidas e Sassânidas persas e do século de ouro dos Safévidas. Mas, apesar de anti-imperialista irredutível, não contestava o sistema capitalista.

O persa Mohammad Mossadegh foi um humanista. Herdeiro de grandes latifúndios, distribuiu as suas terras pelos camponeses que as trabalhavam. E como Primeiro-ministro ofereceu o seu vencimento a estudantes pobres de Direito.

Hoje é venerado como um herói pelo seu povo.

O Irão desconhecido

Contrariamente ao que pensam muitos portugueses, intoxicados por um sistema mediático perverso, o Irão não é um país subdesenvolvido.

Com uma superfície de 1 648 000 km2 (o triplo da França) tem uma população de 79 milhões de habitantes.

Herdeiro de grandes civilizações, o seu povo é o mais culto e educado do Islão, sendo muito baixa a percentagem de analfabetos.

Sociedade multinacional – somente 52% dos habitantes são persas – o idioma oficial, o farsi, é falado por toda a população. Foi durante séculos a língua da corte otomana e dos imperadores Mongóis da India.

O sector avançado da indústria é comparável ao de países como o Brasil e o México. Produz quase meio milhão de automóveis por ano, a maioria de marcas nacionais.

É o quarto produtor de petróleo do mundo e possui as maiores reservas de gás natural. Auto-suficiente na produção de cereais, conta com rebanhos bovino e ovino de muitas dezenas de milhões de cabeças.

Tive a oportunidade numa viagem de carro pelo planalto iraniano de passar em frente das instalações nucleares de Natanz. Soube ali que estão protegidas por misseis sofisticados, de produção nacional, capazes de atingir Israel.

Os generais do Pentágono admitem que bombas convencionais serão provavelmente ineficazes se utilizadas contra os bunkers subterrâneos de Natanz.

RESISTIR.INFO

setembro 28, 2013

Ministro russo Lavrov: oposição síria tem armas químicas

 

A oposição na Síria tem armas químicas, isso foi confirmado mais que uma vez, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em uma entrevista a jornalistas russos.

O ministro lembrou que, recentemente, foi interceptada uma conversa telefônica entre dois militantes islamitas sobre este tema.

“Nós apelamos aos países que apoiam a oposição de excluir qualquer possibilidade de novas tentativas do uso de armas químicas por parte de seus patrocinados. Sabemos que a oposição tem tentado repetidamente implementar tais provocações na Síria”, disse Lavrov.

“Aqueles que apoiam a oposição, têm uma responsabilidade especial”, disse o diplomata. ( VOZ DA RUSSIA )

setembro 27, 2013

Chanceler russo Lavrov: armas químicas em mãos dos contras devem ser destruídas

O chanceler russo Serguei Lavrov afirmou que é preciso destruir as armas químicas em posse dos contras na Síria. A declaração foi feita na terça-feira (24) após reunião com o secretário de Estado John Kerry, que discutiu a implementação do acordo de Genebra para controle e eliminação das armas químicas na Síria. Tanto os especialistas russos, como a inspetora da ONU Carla Del Ponte, já assinalaram que foram os contras que realizaram ataques com gás sarin, e Rússia e Síria pediram a investigação de mais quatro ataques com armas químicas em agosto.

“Tanto a parte russa como a norte-americana acentuamos que é necessário falar da destruição de todas as armas químicas que se encontram na Síria, porque há sérias preocupações de que parte dos componentes perigosos esteja em posse da oposição”, destacou Lavrov. “Nossas conversações foram produtivas e temos uma compreensão comum de como seguir adiante com base no acordo alcançado em Genebra”.

A reunião abrangeu a discussão sobre a preparação das decisões do Conselho Executivo da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) e a resolução do Conselho de Segurança da ONU em apoio à decisão de eliminar as armas químicas na Síria.

“Confirmamos a validade dos enfoques que estão estabelecidos nesse acordo. Estes enfoques foram respaldados pela esmaga-dora maioria dos países da ONU”, acrescentou o chanceler russo. “Esperamos poder chegar à Resolução dentro do acordo de Genebra. A resolução será aprovada enquanto os membros do Conselho Executivo da OPAC votem sua decisão. A OPAC desempenha um papel importante nesta questão”, finalizou. [ HORA DO POVO ]

setembro 26, 2013

A lei internacional contra o bandoleiro internacional, Por Mumia Abu-Jamal

Os Estados Unidos desempenham o seu mais recente papel de executor do direito internacional (à margem da ONU) e o faz a partir de uma posição de profunda fraqueza.

Isso não significa que o país esteja enfraquecido militarmente. Nem um pouco.

Mas, no campo do direito internacional, a sua fraqueza é a hipocrisia. Qualquer leitor da história sabe que existem poucas leis internacionais que os EUA não tenham violado.

Agora funciona um pouco como o bilionário vigarista Bernie Madoff reclamando de um ladrão de rua.

Quando os EUA agridem a Síria por supostamente usar armas químicas contra civis, parece conveniente esquecer o seu próprio uso de fósforo branco contra homens, mulheres e crianças em Faluja, no Iraque, forçando 300 mil pessoas a fugir aterrorizadas de suas casas.

Quando Israel usou as mesmas armas em Gaza, matando centenas de palestinos, os EUA não o denunciaram. Forneceram as armas!

Agora ameaçam violar o direito internacional mais uma vez, alegando que a Síria é que o teria feito. Será que isso faz sentido?

Parece que ser império significa nunca ter que pedir desculpas ou ter que obedecer à lei internacional.

Aplica-se a lei do forte contra o fraco.

É a lei da força.

Não é a lei da justiça.

A Síria, como o Iraque, é reduzida ao status de uma demonstração de poder imperial.

E isso não é justo!

* É o preso político mais antigo nos EUA

( HORA DO POVO )

setembro 20, 2013

Ataque com gás em Ghouta foi feito pelos contras, diz ex-diretor de Força-Tarefa antiterror dos EUA

O ex-diretor da Força-Tarefa Anti Terrorismo e Guerra Não-Convencional da Câmara dos Deputados dos EUA (1988-2004) e ex-assessor do Pentágono e do Departamento de Estado, Yossef Bodansky, afirmou que o ataque com gás em Ghouta do dia 21 de agosto na Síria “foi sem dúvida um ataque autoinfligido pela oposição síria a fim de provocar uma intervenção militar dos EUA e ocidental contra o governo baathista do presidente Bashar Assad”. Ele apontou, ainda, o papel saudita no ataque.

A afirmação chama a atenção, dada a ficha-corrida de Bodansky – como o apoio que prestou aos “mujahideens que combateram os soviéticos” e outras proezas do gênero -, e sua atuação posterior, como autor de livros e de artigos para a “Jane Defense Weekly” e outras publicações que não são propriamente conhecidas pelo viés progressista. Não estão claras as motivações de Bodansky, talvez a percepção de que atolar o país em mais uma guerra que não há como vencer seja contra os interesses de fundo dos EUA.

Em seu artigo, ele assinala que o agente químico usado no ataque não foi o sarin em aerosol do equipamento militar padrão do exército sírio, com origem soviética, mas um tipo líquido, “um sarin de cozinha, artesanal”, como pode ser visto nos vídeos, em que o pessoal que aparece para socorrer, sem máscaras e sem roupas de proteção, não é vitimado imediatamente, como seria o caso.

“As ogivas usadas em Damasco foram tanques cilíndricos que racharam permitindo uma mistura dos líquidos ao estilo do ataque do metrô de Tóquio, ao invés de mistura pressurizada e vaporização a nível molecular pela força da explosão do núcleo em uma ogiva química padrão de estilo soviético”, registrou o ex-diretor da Força Tarefa Antiterrorismo.

Bodansky se referiu a um vídeo do Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio (Memri, na sigla em inglês), dito ser do ataque de Goutha, mas que para ele mais provavelmente se trata de um teste à luz do dia do lançador. Ele observa que o lançador montado em um caminhão “incluía uma luva química para absorver vazamentos das ogivas improvisadas e não prejudicar a tripulação do lançador; precaução que dificilmente seria tomada com uma arma militar”.

QUEM FEZ?

“O mais importante, certamente, é a pergunta: “quem fez isso”, questiona o ex-assessor do Pentágono. “Evidências coletadas por numerosas fontes árabes no terreno na área da Grande Damasco apontam para comandantes específicos do Liwaa Al Islam e do Jabhat Al Nusra sabidamente cooperando no teatro oriental de Damasco”.
A Al Nusra é tida amplamente como filiada à Al Qaeda, e o Liwaa Al Islã, como o próprio Bodansky esclarece depois, é virtualmente um braço armado saudita operando na Síria, e sob controle do príncipe Bandar “Bush”. Foi o Liwaa Al Islã que em julho de 2012 explodiu o QG do Conselho de Segurança Nacional Sírio no centro de Damasco assassinando o ministro da Defesa e outros altos mandos.

Enquanto a entidade dos Veteranos da Inteligência pela Sanidade, dos EUA, aponta diretamente o ataque de Ghouta como uma provocação previamente montada pela CIA, sauditas e turcos para criar um pretexto para o bombardeio, Bodansky narra que o ataque foi realizado, embora com esse mesmo objetivo, no contexto da maior derrota sofrida pela “Frente de Libertação da Capital” da Al Nusra e do Liwaa Al Islã, diante do exército sírio, que se desenhou na noite de 20 para 21 de agosto, na véspera do ataque com gás. Foi o maior enfrentamento desde o começo do conflito, com “os jihadistas agrupando uma grande força de mais de 25 mil combatentes de 13 kitaeb [batalhões]”.

Os contras haviam ficado numa situação crítica. “A entrada de Jobar era uma das últimas áreas que restara à oposição com acesso ao coração de Damasco de onde poderiam lançar carros-bomba e investidas”. Era ainda, a única rota para reforços e suprimentos vindos da base dos EUA em Al Mafraq, na Jordânia. Segundo Bodansky, a chamada rota oriental “é tão importante que as operações ali são supervisionadas pessoalmente pelo príncipe Bandar ‘Bush’”.

Nesse quadro adverso, os chefes dos contras “deslocaram uma força de elite para bloquear a qualquer preço o acesso dos militares sírios à entrada da área de Joba”, constituída por integrantes do Liwaa Al Islã e da Al Nusra, e chefiada pelo saudita de nome de guerra Abu Ayesha. (O mesmo que foi identificado por um residente de Ghouta, Abdul Monein, como o responsável pelo armazenamento em túneis de armas com “estrutura do tipo tubos” e “grandes garrafas de gás”, que acabaram vazando e matando seu filho e mais outros 12 combatentes).

O “reforço” incluía a assim chamada “Frente de Armas Químicas”, encabeçada por Zahran Alloush, líder supremo do Liwaa Al Islã, e que é filho do sheik Abdullah Alloush, operativo da inteligência saudita no Afeganistão nos anos 1980.
“Quando a frente jihadista entrou em colapso, os líderes jihadistas decidiram que somente um ataque químico poderia barrar o avanço do exército sírio e provocar um ataque militar dos EUA que desfecharia uma vitória estratégica para os jihadistas. Os agentes químicos foram então carregados no que a inteligência russa definiu como ‘foguetes manufaturados artesanalmente para portar armas químicas’. Eles foram lançados de uma área controlada pelo Liwaa Al islã. A fonte a que Bodansky dá credibilidade é o analista militar libanês Brigadeiro Ali Maqsoud.

PROVOCAÇÃO

Para Bodansky, “o ataque químico visou provocar uma intervenção militar dos EUA para derrubar Bashar Assad e pôr no poder um governo islâmico em Damasco”. “Na primavera passada, os principais líderes da oposição síria e seus patrocinadores regionais pressionaram Washington sobre a gravidade da situação e advertiram que a menos que houvesse uma grande intervenção militar durante o verão, a luta pela Síria poderia estar perdida no outono”. A eles foi reiterado o compromisso da Casa Branca de intervir.

Conforme assinalou Bodansky, “dado o clima político nos EUA e no Ocidente, foi dito aos líderes árabes que era imperativo para os EUA ter um claro casus belli de absoluta característica humanitária”.

Bodansky encerra seu artigo relatando a “decepção” dos contras e patrocinadores regionais: “se sentem enganados, pois houve a catástrofe humanitária em Damasco com todas as características do procurado casus belli, e ainda, nada de bombardeio dos EUA contra a Síria”. ( HORA DO POVO )

Rússia levará à ONU provas de que mercenários lançaram o sarin

A Rússia está formalmente apresentando provas dos ataques químicos nos dias 22, 23 e 24 de agosto na Síria, cometidos pelos contras, e que já haviam sido entregues em Damasco aos inspetores da ONU, mas foram ignoradas no relatório.

HORA DO POVO

Rússia denuncia à ONU mais três ataques dos contras com sarin

“Temos provas suficientes de que os rebeldes armados recorrem com frequência a essas provocações [ataques com gás] para causar uma intervenção estrangeira”, disse o chanceler Lavrov

A Rússia anunciou que vai entregar ao Conselho de Segurança da ONU as provas que recebeu nesta quarta-feira (18) do governo sírio demostrando que o ataque com gás sarin em Ghouta no dia 21 de agosto, nos subúrbios de Damasco, foi cometido pelos contras.

O governo de Moscou tem sido taxativo em afirmar que o ataque foi uma “provocação” cometida pelos contras para propiciar a entrada direta dos EUA na guerra, bombardeando a Síria e salvando os mercenários da sua difícil situação militar atual.

“Temos provas suficientes de que os informes sobre armas químicas refletem o fato de que os rebeldes armados recorrem com freqüência a essas provocações para causar uma intervenção estrangeira”, ressaltou o chanceler russo Serguei Lavrov.

A Rússia também contestou em termos duros o relatório dos inspetores da ONU sobre Goutha, classificando-o de “tendencioso, parcial e unilateral”, e de ignorar as denúncias russas e do governo Assad sobre o comprovado uso de armas químicas pelos contras. “Estamos decepcionados com o enfoque da secretaria da ONU e dos inspetores da ONU que estavam na Síria, que prepararam seu relatório de forma seletiva e incompleta, sem levar em consideração elementos que havíamos destacado repetidas vezes”, afirmou o vice-chanceler Serguei Ryabkov. “Sem uma visão completa, o caráter das conclusões só pode ser descrito como politizado, parcial e unilateral”, disse.

Ryabkov denunciou que os inspetores da ONU ignoraram provas do uso de armas químicas pelos contras que lhes foi entregue pelo governo Assad, assim como evidências propiciadas por Moscou. É por isso que o relatório é “tendencioso e é necessário reinvestigação”, apontou, em entrevista ao site “Russia Today”.

“As autoridades sírias conduziram sua própria coleta de amostras, investigações e análises em termos de possíveis evidências de os rebeldes serem responsáveis pelos trágicos episódios do dia 21 de agosto, mas também dos dias 22, 23 e 24”, afirmou o vice-chanceler russo, que visitou Damasco.

“Este novo material – novo para nós – mas não é completamente um novo material para a ONU”, assinalou Ryabkov, acrescentando que na verdade ocorreram vários ataques químicos na Síria em agosto e que os inspetores da ONU, chefiados pelo cientista sueco Dr. Ake Salstrom, foram informados, mas ignoraram a informação em seu relatório”. Como reiterou o vice-chanceler, as provas entregues pelos sírios e pela Rússia “simplesmente foram anuladas e desconsideradas”.

Ryabkov acrescentou que esse material que a Rússia está reapresentando já havia sido “entregue com discrição a Ake Salstrom, a quem foi pedido que examinasse e eventualmente adicionasse essa nova evidência no relatório. O que nunca aconteceu”. “Essa é uma das razões pelas quais nós criticamos a velocidade com que o relatório foi lançado e também seu conteúdo incompleto”.

A Rússia quer que os inspetores da ONU retornem à Síria e prossigam com suas investigações a fim de determinar quem é responsável pelo ataque químico. “Esperamos que o Secretariado da ONU envie Salstrom e sua equipe de volta à Síria para continuar a investigação dos três incidentes remanescentes, e também para redigir um completo e extenso relatório que leve em conta toda a informação que eles receberam”, sublinhou Ryabkov. Ele acrescentou que “uma das poucas áreas” onde a missão da ONU “manteve sua palavra” foi o anúncio de que foram usadas armas químicas sem especificar quem as lançou.

O diplomata russo conclamou os inspetores da ONU a seguirem o enfoque da análise feita pelos especialistas russos do ataque químico que ocorreu na Síria em 19 de março (em Khan Al Assal), “que foi profissional e continha a análise médica, química e biológica do incidente”.

ENFOQUE

“Este é o enfoque que deveria também ser perseguido pela equipe de Sellstrom. Nós os convidamos a fazer assim. Nós achamos que eles deveriam voltar à Síria, para continuar a investigação e então ter algo diferente do – sim, relatório inicial tendencioso”, finalizou Ryabkov.

Nos últimos dias, o chanceler russo tem se dedicado a intensa maratona de reuniões com o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para definir os termos do acordo para ingresso da Síria na Organização de Proibição de Armas Químicas e colocação do arsenal químico sob controle internacional e posterior destruição.

A Rússia tem barrado, com o apoio da China, no Conselho de Segurança da ONU, manobras dos EUA, França e Inglaterra para deixar aberta a porta para uma invasão da Síria por suposto “não cumprimento” – que poderia até mesmo ser uma operação de “bandeira trocada” com gás, pelos contras ou qualquer atraso na destruição do arsenal químico – através da inclusão, na resolução que está em discussão, de referência ao capítulo VII da Carta da ONU.
ANTONIO PIMENTA

setembro 18, 2013

Ex-refém de “rebeldes” sírios por 150 dias, veterano jornalista italiano diz que ” ‘revolução’ se tornou propriedade de fanáticos e bandidos sem compaixão”

Depois de libertado, Domenico Quirico diz que na Síria “a revolução perdeu a honra”
O jornalista italiano de 62 anos raptado por um grupo rebelde em Abril e libertado na semana passada relata os 152 dias de um cativeiro “desumano”.

Medo, fome e humilhações em pequenos quartos escuros de janelas fechadas sob um calor abrasador. Domenico Quirico viveu 152 dias em que foi tratado de forma desumana, conta ao seu jornal, o diário italiano La Stampa, depois de ter sido libertado, há dez dias. Sente-se “traído” por “uma revolução que se tornou propriedade de fanáticos e bandidos”. “A Síria transformou-se no País do Mal, a terra onde o mal triunfa”, diz.

Quirico foi libertado numa noite de domingo. O relato ao seu jornal, que o semanário britânico The Observer reproduz em parte, começa numa outra noite “doce como o vinho”, 8 de Abril, em Qusair, bastião dos rebeldes, a cerca de 30 quilómetros de Homs, norte de Damasco, quando ainda acreditava naquilo que o tinha levado à Síria.

“Vim para relatar mais um capítulo da guerra na Síria. Em vez disso, seguiram-se 152 dias de cativeiro. Enfrentei duas execuções fingidas, o silêncio de Deus, da minha família e do mundo”, escreve. Sofreu com a fome e a falta de compaixão. “Estávamos presos como animais.”

Chegou a Qusair, já devastada pela guerra, numa coluna dos rebeldes do Exército Livre da Síria e ao fim de um percurso feito no escuro por estradas controladas pelo regime. Estava com o professor belga Pierre Piccinin. Os dois foram raptados e libertados nos mesmos dias.

Os dois foram surpreendidos por homens de cara tapada saídos de duas carrinhas de caixa aberta, que os levaram para uma casa e os espancaram. Diziam trabalhar para a polícia do regime. Eram afinal fervorosos islamistas que às sextas-feiras ouviam sermões contra o Presidente Bashar al-Assad, conta Domenico Quirico. “A prova final foi quando foram bombardeados do ar. Era claro que tínhamos sido raptados pelas forças rebeldes.”

Não eram mais que um grupo de bandidos e não islamistas ou revolucionários. “O Ocidente confia neles mas aprendi a meu custo que estamos a falar de um novo e perturbante fenómeno na revolta: a emergência de bandidos ao estilo da Somália que, usam o islão e o contexto da revolução para controlarem pedações de território, extorquirem dinheiro da população, raptarem pessoas e encherem os bolsos”, diz. “Na Síria, a revolução perdeu a honra”, acrescenta numa entrevista ao jornal francês Le Figaro.

Nenhuma compaixão
O chefe era um autodenominado emir, Abu Omar, que várias vezes sorria perante a crueldade infligida sobre outros. Neste caso, sobre Domenico Quirico. Uma vez, “sentado como um lorde” e “rodeado dos seus combatentes” chamou o jornalista para se sentar a seu lado. E permaneceu impávido perante a súplica deste: “Pedi-lhe [que me emprestasse] o seu telefone, disse-lhe que os meus familiares provavelmente pensavam que eu estava morto e que ele estava a destruir a minha vida e a da minha família. Riu-se, e disse que não havia rede na zona. Não era verdade.”

Uma única vez, diz, ele e Pierre Piccinin foram tratados de forma humana: quando, devido aos bombardeamentos, tiveram de ser entregues, por uma semana, ao grupo Jabhat al-Nusra, “a Al-Qaeda da Síria”. “Foi a única vez em que fomos tratados como seres humanos. Davam-nos por exemplo da mesma comida que eles comiam”, conta. “São fanáticos que esperam construir um Estado islâmico na Síria e por todo o Médio Oriente. Mas em relação aos seus inimigos – e sendo brancos, cristãos e ocidentais, nós eramos seus inimigos – têm um sentido de honra e de respeito.”

Tentativas de fuga falhadas
Duas vezes tentou fugir com o professor belga, raptado pelo mesmo grupo. E duas vezes foram apanhados para serem depois violentamente castigados, mas não mortos. “O nosso valor para eles era como o de uma mercadoria. (…). Podem agredir-te mas não matar-te porque se acabam contigo não poderão vender-te”, diz Quirico.

O jornalista veterano, de 62 anos de idade e acumulada experiência em cenários de guerra, acreditou que ia ser morto. Esse medo sentiu-o pelo menos duas vezes, quando o encostaram à parede com uma arma colada à cabeça. “Longos momentos seguiram. [Nessa situação] Sentimos vergonha de nós mesmos. Sentimo-nos zangados e com medo”, confessa. E quando o largaram (a ele e ao companheiro de sequestro) no escuro, junto à fronteira, e disseram para os dois caminharem. “Pensei que iam disparar sobre nós por trás. Estava escuro, era um domingo à noite, depois do pôr-do-sol. (…) Tinha a certeza de que nos iam eliminar. Eu tinha visto as suas caras, sabia os seus nomes. Mas nenhum deles usou a sua kalashnikov. Inshallah (se deus quiser), este era o momento da nossa libertação.” ( PUBLICO )

Síria entregou aos russos provas sobre uso de armas químicas pela oposição

Vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo considerou relatório da ONU “politizado” e “tendencioso”.

A Síria deu à Rússia provas sobre o uso de armas químicas por parte da oposição, anunciou nesta quarta-feira o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Riabkov, que considerou que o relatório das Nações Unidas sobre o tema está “politizado e é tendencioso”.

O relatório concluiu que foram usadas armas químicas na guerra síria e debruça-se sobre o ataque de Agosto nos arredores de Damasco em que terão morrido mais de 1400 pessoas, muitas delas crianças. O relatório não atribuiu culpas claramente a um dos lados do conflito – não era esse o mandato dos investigadores de armas químicas.

Mas o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, não hesitou em dizer que foi cometido “um crime de guerra”. Estados Unidos, França e Reino Unido, analisando os pormenores técnicos do relatório, atribuíram claramente a responsabilidade do ataque, afirmaram claramente que, pelo tipo de armamento usado, pela trajectória seguida pelos projécteis usados para o bombardeamento com gás sarin dos subúrbios de Damasco na madrugada de 21 de Agosto é indesmentível que as tropas de Bashar al-Assad estão por trás do ataque.

A Rússia, no entanto, recusa-se a aceitar esta leitura. Riabkov denunciou o relatório, que considerou ter manipulado as provas para apontar a culpa a um dos lados do conflito que dura há já dois anos e meio — em guerra estão o Exército governamental e a oposição armada, que tenta derrubar o regime, tendo-se juntado à guerra civil milícias com uma grande quantidade de estrangeiros, com objectivos distintos (islamistas, por exemplo).

O vice-ministro russo disse que os inspectores da ONU só verificaram as provas relativas ao ataque de 21 de Agosto e ignoraram os outros três ataques com armas químicas que aconteceram antes dessa data. O Governo sírio, disse, tem provas materiais sobre estes ataques anteriores que atribuem a responsabilidade à oposição. Os inspectores da ONU frisaram sempre, no entanto, que querem voltar à Síria para investigar outros locais onde houve denúncias de ter havido ataques químicos.

A Síria aceitou entregar as armas químicas para destruição, de acordo com um plano russo que impediu uma intervenção punitiva americana contra o Governo de Assad. Mas o chefe da missão de inspectores da ONU, Ake Sellstrom, disse à BBC que será muito difícil encontrar e destruir o arsenal químico do Governo sírio. Esse trabalho, explicou, dependerá da vontade de cooperar e negociar do Governo e da oposição. “Vai ser um trabalho de muito stress”, disse. ( PUBLICO )

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