
Lembram-se do famigerado craterão tucano do Metrô? Lembram-se do então presidente do Metrô, Luiz Carlos Frayze David? Ele havia tido, em 2006 uma resposta publicada, se não me engano foi no Jornal do Brasil, à um artigo de autoria do grande Mauro Santayana, em que este criticava as PPPs dos governos tucanos. Infelizmente eu não encontro o texto de Santayana que deixou o sr. David irritado, a ponto deste responder-lhe de maneira algo ríspida ( vejam a seguir ):
Luiz Carlos David : em resposta ao jornalista Mauro Santayana e sobre às PPPs
29/08/2006
Orelhada bolchevique
Luiz Carlos David
No Brasil de hoje, no país do não sei, do não vi e do não conheço, até articulistas como Mauro Santayana, com larga experiência na Rádio de Havana, em Cuba, escrevem de orelhada, no melhor estilo bolchevique, sem nenhum compromisso com a verdade. Redigem para um jornal centenário, como escrevem para o site do PT ou para a revista do MST.
Como responsável pelo Metrô de São Paulo e assinante do “Jornal do Brasil”, tenho o dever de esclarecer os leitores e mostrar que é com seriedade que conduzimos as coisas públicas no Estado de São Paulo.
O projeto da Parceria Público-Privada (PPP) da Linha Amarela do Metrô é fruto de estudo há mais de três anos. Contou com a participação ativa da sociedade, por meio de audiência pública, além da disposição do edital no site do Metrô de São Paulo para consultas, sugestões e críticas da imprensa. Para maior clareza, informo que o Metrô não realiza nenhuma “privatização descabida” e, sim, uma concessão, por tempo determinado, por meio de uma PPP. São processos bem diferentes.
Se “é suspeito que essa mal chamada Parceria Público-Privada seja efetivada na hora em que o povo se prepara para decidir os destinos do País” é porque, apesar da Lei Estadual de 2004, a Lei Federal da PPP só foi aprovada pelo governo do PT em 2005. Mesmo assim, partidos políticos contrários à PPP do PT, ajuizaram ações junto ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e na Justiça paulista, o que provocou o atraso no processo do Metrô.
Vencemos no Tribunal de Contas do Estado. Paralelamente, ação de teor semelhante movida na Justiça, pelos mesmos autores, contra a PPP do Metrô, provocou nova análise do processo, que só avançou após liberação da 3a Câmara do Direito Público.
Hoje, com o vencedor da concessão definido, como autorizou a Justiça, aguardamos o julgamento do mérito da ação para assinatura do contrato. No governo de São Paulo seguimos a Justiça para que dirigentes de empresas públicas e secretários de Estado não sejam afastados sob acusação de cometimento de crime contra a administração pública, como acontece com ministros do governo federal.
São Paulo construiu sua rede de Metrô às custas do Tesouro da Prefeitura, do Estado, e também do chamado “capital alheio”. A Linha Amarela conta com US$ 418 milhões de financiamento do Banco Mundial e de um consórcio de bancos japoneses. Mas não contou com um “tostão” do dinheiro federal. Hoje, o Estado de São Paulo não busca novos empréstimos porque está com a sua capacidade de endividamento esgotada. PPP não é ideologia. É busca de recursos junto à iniciativa privada.
A abertura das propostas da PPP da Linha Amarela ocorreu às 9h e não “às cinco horas da manhã”. Estiveram presentes ao ato os presidentes do Sindicato dos Metroviários e da Fenametro. O edital de convocação foi publicado na imprensa, com plena transparência.
A proposta vencedora é de empresas brasileiras, com o apoio técnico de operadores estrangeiros. A futura empresa concessionária pode buscar empréstimos em qualquer lugar, inclusive no BNDES, que já financia o metrô de Hugo Chávez, em Caracas, e ônibus para Fidel, em Cuba.
O governo do Estado não garante o lucro presumido ao futuro concessionário. A tarifa será fixada pelo poder público, igual à das demais linhas do Metrô. Não é obrigação do concessionário “robotizar” o Metrô, mas utilizar tecnologia que supra a demanda de passageiros.
A China, como São Paulo, já realizou sua PPP, também na Linha 4 de Pequim, com 70% de investimento do governo e 30% da iniciativa privada, que irá explorar o sistema por 30 anos. Parece que dois mais dois é igual a quatro, aqui e lá.
A punição ao povo de São Paulo já foi aplicada pela greve dos metroviários. A punição aos metroviários cabe à Justiça, dentro dos parâmetros da lei e com direito a recurso. De quem é a prepotência?
Luiz Carlos David é presidente do Metrô de São Paulo e foi secretário dos Transportes do Estado de São Paulo.
Pois bem: tempos depois, o Metrô virou cratera, o senhor David virou demissionário e sumiu do noticiário. Só que nosso bom e velho Vinícius Duarte que, encarava as ruas disfarçado de chofer de praça, com o único propósito de garimpar capivaras descobriu que o ex-presidente do Metrô descolara um carguinho na DERSA:
Não consegui apurar se ele continua ali. Mas, ainda que não esteja, parece que deixou seu rastro de destruição, levando a este triste fiasco do Rodoanel. Sai, zica!!!