Não subestimem o alcance dos pequenos jornais. Há um aqui em São Paulo, chamado Agora, que é o “Mini-Me” do Grupo Folha. Ele foi criado a partir do cancelamento dos antigos Notícias Populares e Folha da Tarde. Diz meu amigo, o jornaleiro onde vou filar as notícias sem pagar, que quem costuma comprar este jornal são, em sua esmagadora maioria, aposentados e taxistas. E que esse é o jornal que ele mais vende em sua banca. Esse jornal suplantou o Diário de São Paulo ( antigo Diário Popular, o então “Rei das Bancas” ) na preferência popular ( bom, provavelmente ele não considerou o Lance! e aqueles jornais que são distibuídos de graça no Metrô ).
Logo, ao nível do populacho, essa é a leitura e fonte de notícias/ informações mais consultada, que não seja televisão e rádio.
Em matéria publicada no dia seguinte ao 2º. turno municipal, o Agora veio triunfante: “Em 21 dias, Kassab toma 8 redutos de Marta”.
Logo, ao nível do populacho, essa é a leitura e fonte de notícias/ informações mais consultada, que não seja televisão e rádio.
Em matéria publicada no dia seguinte ao 2º. turno municipal, o Agora veio triunfante: “Em 21 dias, Kassab toma 8 redutos de Marta”.
Quais são esses “redutos”? Minha opinião é a seguinte: a apresentação dos números é que é o importante, a forma como eles são mostrados ao público, e os efeitos gerados no estado de espírito da população para, aí sim, abrir o jogo. Os redutos seriam:
Capela do Socorro, Cidade Ademar, Pirituba, Vila Jacuí, Itaquera, Conjunto José Bonifácio São Miguel Itaim Paulista. Essa é a lista apresentada pelo Agora. E os números:
Não quero me estender. Começa assim:
“A fama de rainha dos extremos da candidata Marta Suplicy ( PT ) encolheu ontem. Desde 2004*, quando perdeu para José Serra ( PSDB ), e no primeiro turno contra Gilberto Kassab ( DEM ), ela registrava vitórias nas periferias das zonas sul, leste e norte. No segundo turno foi diferente. Em 21 dias – intervalo entre o primeiro e segundo turnos – Kassab conseguiu engolir oito zonas eleitorais que pertenciam a Marta.”
“O cinturão vermelho recuou com a perda de tradicionais redutos petistas, como Itaquera, na zona este, e Capela do Socorro, na zona sul (…)”.
“A fama de rainha dos extremos da candidata Marta Suplicy ( PT ) encolheu ontem. Desde 2004*, quando perdeu para José Serra ( PSDB ), e no primeiro turno contra Gilberto Kassab ( DEM ), ela registrava vitórias nas periferias das zonas sul, leste e norte. No segundo turno foi diferente. Em 21 dias – intervalo entre o primeiro e segundo turnos – Kassab conseguiu engolir oito zonas eleitorais que pertenciam a Marta.”
“O cinturão vermelho recuou com a perda de tradicionais redutos petistas, como Itaquera, na zona este, e Capela do Socorro, na zona sul (…)”.
De acordo com O Globo, o primeiro turno ficou assim:
“Com 100% das urnas apuradas, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) obteve 33,61% dos votos e vai disputar o segundo turno com Marta Suplicy (PT), que somou 32,79%. Geraldo Alckmin (PSDB) ficou em terceiro lugar com 22,48%.”
Capela do Socorro – 1º. Turno – 2º. Turno
Kassab 32,30% 50,57%
Marta 42,43% 49,43%
Somando os dois candidatos Anti-Marta ou Anti-PT, o segundo turno deu quase um empate técnico. Mas, como no primeiro turno, Marta obteve 10% a mais que o prefeito, e não aparece o percentual conseguido por Alckmin, fica parecendo uma lavada martista e uma reviravolta colossal de Kassab no segundo. Beleza, deu Kassab. Vamos aos outros:
Cidade Ademar
Kassab 32,16% 56,17%
Marta 36,93% 43,83%
Aqui também um primeiro turno equilibrado. Dá mesmo para considerar a Cidade Ademar um “reduto” petista?
Pirituba
Kassab 30,91% 60,3%
Marta 31,86% 39,7%
Outro primeiro turno equilibrado. Que redutos irredutíveis. O segundo, o Kassab levou de lavada.
Vila Jacuí
Kassab 30,16% 57,41%
Marta 37,07% 42,59%
Aqui a Marta teve uma vantagem sobre Kassab um pouco maior no primeiro turno. No segundo, ele se recuperou bem.
Itaquera
Kassab 31,95% 58,25%
Marta 35,38% 41,75%
Primeiro turno disputado, uma leve vantagem para Marta. No segundo turno, vitória fácil do Kassab.
Conjunto José Bonifácio
Kassab 31,32% 55,23%
Marta 36,75% 44,77%
A tônica dos “redutos” petistas: dão cerca de “astronômicos 1/3 de seus votos à petista no primeiro turno, quase a mesma coisa para os outros dois mais fortes pleiteantes ( talvez uma votação nostálgica, mas não forte, a Maluf ou Erundina ) e depois, no segundo turno, os 2/3 se fundem em um candidato só, e não é do PT.
São Miguel
Kassab 32,64% 58,36%
Marta 35,47% 41,64%
Primeiro turno também parelho ( não como foi no Rio, é evidente ), e “unidos venceremos” Marta, no segundo. Finalmente:
Itaim Paulista
Kassab 27,59% 49%
Marta 46,53% 51%
Exato, ao contrário do que apregoou o jornal, com manchete e tudo, no Itaim Paulista a Marta ganhou nos dois turnos, apesar de, ao contrário dos demais exemplos, o segundo turno ter sido pau-a-pau. O afã em criar os tais “redutos” petistas – que estariam “cristalizados”, e devem ser conquistados – fez com que o jornal tirasse um desses “redutos” de Marta na marra.
E aí é que chega onde eu quero: da mesma maneira que a tucanalha do Demo e seus jornais e revistas conseguiram fazer colar diversas pechas em Marta ( como, por exemplo, a de quem cria – pior, a única pessoa que faz isso - impostos a seu bel prazer, o que está astronômicamente distante da verdade ) que acabaram pegando mesmo, não há dúvida, trabalhar a imagem do oponente é o que mais lhes dá esperança de conseguir alguma chance.
Pois antipático Serra também é. Arrogantes o PSDB tem para encher uma sacola. Impostos, aliás, é com eles mesmos. Obras ruins? Alguém falou em Fura-Fila que cai, ou Metrô que vira cratera? E por quê silenciaram quando naquela chuva que inundou São Paulo ( não lembro se foi em novembro do ano passado ou em março deste; só sei que inundou o Ipiranga, Vila Prudente, São Caetano, a água invadiu o Shopping Central Plaza, e eu cheguei em casa às 3 da manha estando às 22:40 no terminal Ana Rosa ) o túnel Rebouças não alagou?
Frases desastrosas? Oras, se a Marta tivesse dito que em São Paulo não tinha jeito de evitar enchente, só remediar, e isso desde José de Anchieta, ela não ia mais poder sair na rua, coisa que não ocorreria – e de fato não ocorreu – com o autor dessa frase ( da qual eu, sinceramente, não discordo ), o prefeito Kassab, em Novembro de 2007.
O problema é que, sendo verdade ou não, conseguiram pegar essas qualidades isoladas dos tucanos e vincularm-nos, todos juntos, numa única pessoa, Marta Suplicy. Mas é fundamentar entender que, sem o imprensalão golpista isso jamais teria sido possível.
É a explicação que eu tenho. Pois me dá o gancho para a outra teoria: sim, os preparativos PSICOLÓGICOS para 2010 já começaram.
Por isso, a exploração de supostas derrotas acachapantes tem que vir na forma de um blitzkrieg. É o que eu acho que mostrei aqui. Pois no dia seguinte, as Relações Públicas tucanodemos jornalísticas já vieram rapidamente com o papo de que a “nova” Administração vai governar voltada à periferia, ou seja, os “redutos” petistas. Não se deve aceitar essa visão. Aceitá-la significa aceitar uma idéia falsa: a de que, um dia, o PT obteve os corações e mentes paulisatnos de fato, e isso jamis ocorreu. Marta só foi eleita em 2000 porque o Covas deu-lhe seu apoio. Com isso, a classe-média que pretendia esquecer seu passado malufista e posar de moderninha ( ou seja, “tucana” ) se viu obrigada a votar contra seus próprios princípios, contra o velho ídolo Maluf.:
Kassab prepara governo voltado à periferia para tirar redutos do PT
Prefeito interpreta baixa votação que recebeu nos extremos da cidade como sinal de reprovação à sua gestão
Estado, 28.10
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai atacar a força do PT em seus derradeiros redutos no município de São Paulo. Ele interpretou que a baixa votação que recebeu nos extremos das zonas sul, leste e noroeste deve ser encarada como uma reprovação daquelas populações a sua primeira gestão, aprovada no resto do município. E essa reprovação terá uma resposta no segundo mandato: a nova administração Kassab vai investir pesado nessas três regiões, as mais pobres do município.
Prefeito interpreta baixa votação que recebeu nos extremos da cidade como sinal de reprovação à sua gestão
Estado, 28.10
O prefeito Gilberto Kassab (DEM) vai atacar a força do PT em seus derradeiros redutos no município de São Paulo. Ele interpretou que a baixa votação que recebeu nos extremos das zonas sul, leste e noroeste deve ser encarada como uma reprovação daquelas populações a sua primeira gestão, aprovada no resto do município. E essa reprovação terá uma resposta no segundo mandato: a nova administração Kassab vai investir pesado nessas três regiões, as mais pobres do município.
“Nunca mais perderemos lá”, profetizou Kassab a três dezenas de aliados, parentes e amigos no domingo, na sala de seu apartamento, nos Jardins, logo após o anúncio da pesquisa de boca-de-urna que lhe dava ampla vitória sobre a rival Marta Suplicy (PT). Enquanto os amigos festejavam, o prefeito revelou sua preocupação com a sombra que a ampla vitória, por mais de 21 pontos porcentuais de diferença, projeta na extrema periferia da cidade.
Ali o PT voltou a ganhar em alguns bairros com grande vantagem, embora com menos força do que em 2004. Kassab decidiu que, em sua segunda gestão, vai ampliar investimentos nessas regiões de baixo sucesso para PSDB e DEM – ainda que a aliança tenha, em 2008, “empurrado” Marta e o PT mais para a periferia. Kassab quer amplificar esse efeito, de forma que, em 2012, a coligação consiga virar o jogo contra o tradicional adversário também nos extremos onde o PT ainda reina.
ELEIÇÃO DIFERENTE
Lugares como Sapopemba ou São Miguel Paulista, em que o então candidato José Serra perdeu feio para Marta em 2004, agora deram a vitória a Kassab. Nas regiões mais extremas, no entanto, houve uma eleição com características inversas às da média da cidade, como se fosse outro pleito, embora com os mesmos candidatos.
Em Parelheiros, no extremo sul, por exemplo, Marta venceu o segundo turno com 75,77% dos votos válidos, contra apenas 23,23%; no Grajaú, também na região sul, a vitória da petista deu-se por 74,94% a 25,06%. Na zona leste, a Cidade Tiradentes, que impôs uma derrota ao candidato José Serra, em 2004, agora voltou a derrotar Kassab por 68,82% a 31,18% – e lá o prefeito tinha esperanças de obter um resultado melhor.
Kassab quer acabar com a tese de que o PT é “o partido que combate a miséria”, que Marta tanto apregoou na campanha, apresentando-se como “candidata dos pobres”. Para o prefeito, essas regiões votam no PT nem tanto pelo que a gestão do partido na prefeitura fez por elas, mas porque são iludidas pelo discurso populista que emoldura a pobreza. “Eu tenho compreensão do papel do governante moderno”, disse Kassab. “E esse papel me incentiva a investir cada vez mais em saúde, educação e segurança. E a investir tanto mais quanto mais pobre seja a região”, finalizou.
O cara admite, na caradura, que vai investir na periferia apenas para derrubar o PT. Já que, também admite, não fez isso até agora. E a classe-média cabotina e ignara paulistana, vai permitir que Kassab gaste o dinheiro dos impostos com essa “pobraiada que só sabe fazer filhos” ou esse discurso mesquinho é só quando a Marta, Erundina ou Lula estão no governo? Isso não é populismo? Claro que não: é a habitual hipocrisia paulistana. E vejam como são as coisas: a periferia, para essa gente, é “LÁ”. Ali se disputam “outras eleições”, diferentes da “nossa”, que é democrática, racional, cidadã, iluminista e com dentes bonitos.
A Marta conseguiu, no primeiro turno, vitórias apertadas em locais que o imprensalão já denominou “redutos”. Ora, seria terrível para o PT se ela perdesse no Grajaú no primeiro turno. Alí, sim, temos um reduto petista. Da mesma forma, na Rebouças o PT não entra. Pois é um reduto da classe-média paulistana, eleitora de Jânio, Maluf, Pitta, Serra, FHC, Collor, e ninguém tasca.
Ou locais como os que deram a vitória para gente do naipe de Wadih Mutran, o rei da Vila Maria: isso são redutos. E Kassab herdou para si esses redutos malufistas.
O resto pode ser discutido caso a caso, e considerando-se um bocado de coisas, como o uso da máquina da prefeitura e do Estado, a simpatia jornalística, o crescimento econômico do país.
E devemos agradecer aos demais estados do país ( EM ESPECIAL OS DO NORDESTE, MUITO OBRIGADO! ) que mantiveram e mantém as votações excepcionais ao Lula, e que garantiram que o Brasil não caísse nas garras de pessoas muito bem estimadas aqui em “Sampa”, sempre muito elogiadas pelo imprensalão, pois vocês já sabem do que a classe-média paulistana é capaz e como ela vota. O Nordeste não permitiu, em 2002 e 2004, que os “cidadãos de bem competentes” de São Paulo continuassem governando ( entregando ) o país. Saibam vocês que o preconceito contra sua região ainda prossegue aqui: paulistanos – não todos, claro – não escondem a opinião de que vocês são ignorantes e que nós, sim, sabemos votar.

TRIVELA
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