ENCALHE ( Descontinuado em 05.10.2013 )

outubro 5, 2013

Fim do blog ENCALHE

Arquivado em: WordPress — Humberto @ 9:17 pm

‘‘Ever get the feeling you’ve been cheated?’’
John Lydon, no último show doa Sex Pistols, São Fancisco, 1978

Isso aqui já encheu. Anos atrás eu comparei escrever um blog a alimentar um tamagochi. Mas eu estava completamente errado. Um tamagochi te diverte. Isso aqui é obrigação, é compulsão. É trabalho voluntário não remunerado movido a auto-engano, a arrogância. Se me perguntassem o porquê de eu ter começado a escrever um blog, eu seria sincero e responderia: “Não sei!”. Também não sei responder o porquê de eu ter mantido ele por tanto tempo. Este blog, mais especificamente, só foi mantido por puro voluntarismo de minha parte. Eu tenho outro.

Comecei a escrever este blog lá por 2006. Não haviam muitos, se minha memória não falha.
Eu só fui comprar um computador no ano passado. Para quê? Para obedecer a uma compulsão travestida de desejo de informar. Ora, que pretensão. Sete anos depois, o que não falta são blogs e site mantidos por pessoas que entendem do riscado a que se propõem a falar. Não é meu caso. Eu não entendo nada de nada, desculpem a sinceridade, meus raros leitores.

Assim, chega disto. Se quiserem, poderão me acompanhar no Twitter. Lá, meus interesses são próximos ao que eu fazia aqui: https://twitter.com/humamad

Como certos assuntos e temas continuam a me interessar, eu devo dar continuidade a eles em meu outro blog, o Correio da Elite: http://ocorreiodaelite.blogspot.com.br/

Agora estou liberto. Fiquem com Deus ou com o deus de sua preferência.

outubro 4, 2013

Rússia acusa tropas sauditas de ataque químico na Síria

O ataque químico nos arredores de Damasco, na Guta Oriental, a 21 de agosto, que matou centenas de pessoas, foi realizado como provocação para desestabilizar a situação por um grupo especial enviado pela Arábia Saudita, informa a Interfax citando fontes diplomáticas russas.

“Com base em dados obtidos de várias fontes, pode-se concluir que a provocação criminosa em Guta Oriental foi realizada por um grupo especial enviado pelos sauditas a partir do território da Jordânia e que agiram sob a proteção do grupo “Liba al-Islam”, precisou a fonte da agência russa.
Outra fonte citada pela Interfax declarou que “visto que o próprio ataque químico e a sua discussão revoltaram a opinião pública, os sírios dos mais diferentes quadrantes políticos, incluindo os guerrilheiros da oposição, tentam ativamente levar todas as informações a esse propósito aos diplomatas e funcionários de estruturas internacionais que operam na Síria”.
Hoje, o Presidente sírio Bashar Assad acusou, numa entrevista ao canal turco Halk, “grupos terroristas” dos ataques químicos, sublinhando que não é do interesse dele o seu emprego e que ele nunca deu ordem para o emprego de armas químicas.

P.S. E se as acusações russas se provarem, quem e como irá sancionar a Arábia Saudita? Ou será isto um aviso de Moscovo aos sauditas para que deixem de apoiar a guerrilha islâmica no Cáucaso do Norte?

Extraído do site JOSÉ MILHAZES – DA RÚSSIA 

Original: RT

Jornalista Pepe Escobar: “O sociopata Netaniahu na ONU”

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , — Humberto @ 7:29 pm

Em comparação com o tom construtivo do presidente do Irã, o belicoso representante de Israel fez um vitupério totalmente fora de compasso com o espírito que reinou na maioria dos pronunciamentos da ONU (à exceção, é claro, do norte-americano, Obama, que ousou chamar seu desmedido e criminosos intervencionismo de “contribuição dos EUA” ao bem-estar do planeta).

O destempero do israelense levou o jornalista do Asia Times e do Russia Today, Pepe Escobar a se referir ao pronunciamento no artigo “O discurso de Netaniahu na ONU: soa como um sociopata?”, do qual reproduzimos algumas observações.

Escobar começa ressaltando na fala do israelense Bibi sua arenga contra o presidente iraniano, ao qual já chamara de “cínico” e de “armadilha hipócrita”, destacando que “os mísseis do Irã atingiriam Nova Iorque em três a quatro anos e que “um Irã nuclear é como 50 Coreias do Norte”.

Escobar ressalta outro trecho em que Bibi se refere a “Ahmadinejad como o lobo em pele de lobo enquanto que Ruhani seria o lobo em pele de cordeiro”.

Netaniahu disse ainda que Ruhani tentara se apresentar como “piedoso” mas estava sempre envolvido no “Estado de terror do Irã” e por aí vai.

Como ressalta Escobar, chamou o mundo a acabar com o “programa nuclear militar” do Irã que até o sistema de espionagem dos EUA diz que não existe.

Isso tudo depois do mesmo Netaniahu dizer a Barack Obama que esqueça para sempre a Resolução da ONU 242; a que determina a total retirada de Israel das terras ocupadas desde a guerra de 1967.

Vejam então quem é cínico e portavoz da verdadeira hipocrisia a serviço da limpeza étnica, ou seja, do genocídio do povo palestino, como pontua o jornalista do Asia Times: “O Estado de Israel não tem nenhuma fronteira internacionalmente reconhecida e é um Estado direcionado à expansão perpétua”.

“Israel desrespeita nada menos do que 69 Resoluções do Conselho de Segurança da ONU, e foi ‘protegida’ de outras 29, cortesia dos vetos norte-americanos”.

“Tem ocupado território soberano do Líbano e da Síria sem dar o mínimo para decisões em contrário da ONU.

“Assinou os Acordos de Oslo prometendo parar de construir para sempre, qualquer novo assentamento na Palestina. Ao invés disso, construiu mais de 270, como parte de uma limpeza étnica de mais de seis décadas.

“Tem ameaçado bombardear o Irã, em ritmo semanal, por pelo menos três décadas.

“Israel é uma potência nuclear com cerca de 400 ogivas nucleares, recusa-se a assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear; barra inspeções internacionais, usou armas químicas em Gaza, nunca ratificou o Tratado sobre Armas Químicas, e tem um estoque desse tipo de arma muito maior do que qualquer país do Oriente Médio.

“O lobby israelense em Washington apoiou o bloqueio financeiro imposto ao Irã que para todos os efeitos é uma declaração de guerra, com drásticas consequências na vida dos iranianos comuns. Ainda por cima ameaçou de ataque unilateral ao Irã.

“Bibi não aceita nem mesmo que o Irã enriqueça urânio para propósitos civis, como definido pelo TNP.

Como conclui Escobar, o sonho de Israel é um Oriente Médio dividido entre petromonarquias submissas aos EUA de um lado e países balcanizados de outro. “Só que o Irã é uma potência emergente dos pontos de vista político e econômico e se chega a ter relações normais com EUA e Europa coloca em risco os planos de hegemonia de Israel no Oriente Médio, para seguir estocando armas nucleares e sendo Estado de colonização buscando varrer um povo inteiro – os palestinos do mapa. Quem duvidar que olhe o mapa”. ( HORA DO POVO )

#TREMSALÃO: Tucano Jorge Fagali Neto foi responsável por pagar propinas da Alstom a agentes públicos, diz PF

Jorge Fagali Neto, ex-secretário de Transportes Metropolitanos de São Paulo e irmão de José Jorge Fagali, ex-presidente do Metrô durante o governo de José Serra está na lista dos onze pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal pelo envolvimento no esquema de propinas da multinacional francesa Alstom junto os governos tucanos no estado.

Atuando hoje em dia como “consultor”, Jorge Fagali Neto divide a lista dos que a Justiça autorizou a quebra de sigilo com o tucano de alta plumagem Andréa Matarazzo, que atualmente é vereador na capital paulista, mas que ocupou cargos em todas administrações tucanas nos últimos 20 anos.

Seu irmão, José Jorge Fagali que foi presidente do Metrô e que também está sendo investigado pelo Ministério Público.

Segundo a Polícia Federal, Jorge Fagali Neto era responsável por receber e intermediar o pagamento de propinas da multinacional francesa Alstom a autoridades do PSDB paulista nas gestões Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, todos eles tucanos.

Fagali Neto é autor de uma série de e-mails delatores entregues ao Ministério Público, em junho de 2010, pela sua ex-secretária, Edna da Silva Flores. Os e-mails deixam clara a proximidade dele com agentes públicos e o seu interesse em contratos do Metrô paulista e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). A propina paga para os representantes do governo, através de empresas de consultoria de Fagali chega a R$ 52 milhões.

Em 2006, Fagali trocou mensagens e recebeu planilhas por e-mail de Pedro Benvenuto, então coordenador de gestão e planejamento da Secretaria de Transportes Metropolitanos, órgão responsável pelas estatais. Entre os documentos, estavam as discussões sobre o Programa Integrado de Transportes Urbanos do governo até 2012, que ainda não estava definido. Após a descoberta do envolvimento Pedro Benvenuto pediu demissão do cargo de secretário-executivo do Conselho Gestor do Programa de PPPs do governo de São Paulo, fato que aconteceu na última quarta-feira (25).

A Bombardier diz que Fagali Neto prestou consultoria para projetos que incluíam a sinalização de uma estrada de ferro na Colômbia, sinalização de transporte ferroviário urbano no Brasil e modelagem para a reforma de trens da CPTM. A companhia afirma ter todas as notas e contratos e que os pagamentos à BJG (empresa de Fagali Neto) foram feitos “pelos meios oficiais, tanto que foram identificados no relatório da PF”, segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo no último dia 30.

A Alstom diz que “desconhece o teor das investigações” da PF. Nesse inquérito são acusados ex-executivos da Alstom e a atual diretoria não foi chamada pela PF.

Em depoimento ao Ministério Público, Fagali Neto afirmou que não tinha contas no exterior e não cometeu crimes. Porém em uma das contas investigadas, segundo o inquérito da PF, era dele.

A PF afirma ainda que Jorge Fagali Neto “integrou o esquema de distribuição de valores para agentes públicos paulistas que ele mantinha conta não declarada no exterior e que ocultou a origem de valores recebidos em virtude de pagamento de propinas, também no exterior”. Por isso, ele foi um dos indiciados. ( HORA DO POVO )

outubro 3, 2013

#TREMSALÃO: Sujeira entre cartel e tucanos rompe décadas de blindagem

Protegidas pela imprensa e por uma maioria esmagadora na Assembleia Legislativa, pessoas encasteladas no governo de São Paulo desde 1995 desdenham das finanças do estado e da vida de passageiros

Não nasceram em julho, quando a revista IstoÉ ­pu­­bli­cou reportagem sobre o caso, as denúncias da empresa alemã Siemens de prática criminosa de cartel em diversas licitações para o transporte ferroviário do estado. O que os executivos da companhia detalharam ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) envolve um esquema de pagamento de propinas para viciar concorrências públicas desde o governo Mário Covas (1995-2001), passando pelas administrações de José Serra (2007-2010) e de Geraldo Alckmin (2001-2006 e desde 2011).

Datam de 2008 as primeiras de um total de 15 representações encaminhadas ao Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal pela bancada petista na Assembleia Legislativa do estado, apontando denúncias de superfaturamentos e aditamentos de contratos. Nenhuma foi concluída. O jornalista Gilberto Nascimento, hoje no jornal Brasil Econômico, havia revelado em 2009, em reportagem na Carta Capital, documentos que a imprensa desprezou e dados como novidades por jornais e TVs no início de agosto.

Nos bastidores da política, circulam burburinhos de que as denúncias de corrupção no ninho tucano só foram jogadas no ventilador por obra de “fogo amigo” no interior do próprio PSDB, entre os grupos de Aécio Neves e de José Serra­, que vivem em briga de foice no túnel, ambos com muitos amigos nas redações.

Em São Paulo, contratos suspeitos somam R$ 30 bilhões e teriam sido firmados com superfaturamento de 30% – segundo a Siemens. Isso representaria R$ 9 bilhões, o suficiente para pagar a construção de 20 quilômetros de metrô, nas contas dos parlamentares da oposição. Conforme a revista, a manipulação de licitações e a corrupção de políticos e autoridades governistas continuaram mesmo depois do escândalo da Alstom, de 2008. A multinacional francesa assinou 237 contratos com o estado, de 1989 a 2009, somando R$ 10,6 bilhões. Na época, o Ministério Público suíço descobriu o pagamento de propinas do grupo a funcionários da gestão paulista. Algo em torno de R$ 848 milhões.

A empresa foi punida em todos os países onde aplicou a prática. Menos no Brasil. Só em abril de 2011 o Superior Tribunal de Justiça abriu investigação sobre o – ainda – vice-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), Robson Marinho, suspeito de receber propina da Alstom para conseguir contratos adicionais. Chefe da Casa Civil de Covas entre 1995 e 1997, ele teria movimentado US$ 3 milhões, segundo autoridades suíças.

Com a repercussão da denúncia da Siemens, Alckmin afirmou não ter conhecimento de esquema e que, se o caso do cartel for comprovado, “o estado é vítima”.
A denúncia ao Cade veio a público um ano depois de um incêndio criminoso na P.A. Arquivos, em Itu (SP). A firma de digitalização de documentos tem entre seus clientes o Metrô. Em julho do ano passado, nove homens encapuzados roubaram dez computadores e incendiaram o galpão – . É provável que ali houvesse documentos relacionados a irregularidades.

Em 1996, para alavancar a campanha de José Serra à prefeitura, Covas retomou obras do Metrô, apesar dos contratos considerados irregulares e superfaturados pelo Ministério Público e pelo TCE. Na época, o tribunal apontava favorecimento a empreiteiros na construção do trecho Clínicas-­­­-Vila Madalena, da Linha Verde. Em 1998, ­Covas apresentou os trens da espanhola Renfe, que os “doou” ao estado com a condição de receber R$ 93,2 milhões por um contrato para reforma e adaptação.

Em abril de 2004, o TCE suspendeu a continuidade da licitação da Linha Amarela, com obras estimadas em R$ 786 milhões. Dos sete consórcios aptos à disputa, venceram o Via Amarela, formado pela CBPO, OAS, Alstom e Queiroz Galvão; e o Camargo Corrêa, com Siemens, Mitsui e Andrade Gutierrez.

Três anos depois, sete pessoas morreram quando uma cratera se abriu próximo às obras da estação Pinheiros. Dezenas de representações foram encaminhadas ao Ministério Público, que em novembro de 2008 já contabilizava mais de 20 inquéritos para apurar irregularidades em contratos com a Alstom. Dezesseis desses inquéritos eram para investigar a CPTM, que em 2005 assinou contratos de R$ 50,7 milhões com a multinacional francesa. Inquéritos, arquivados por falta de provas, foram reabertos.

Tristes coincidências
A longa temporada de suspeitas coincide com um período em que a população passou a ser cada vez mais prejudicada por acidentes e panes no transporte paulista. O Metrô, que durante muitos anos foi símbolo de qualidade, não acompanhou o crescimento da demanda – nem com a expansão da rede, nem, ao que parece, com a conservação. Um dos episódios mais marcantes é o de 21 de setembro de 2010. Problemas entre as estações Pedro 2º e Sé, entre as 7h50 e 9h15, deixaram desesperados os passageiros, que quebraram os vidros, desceram e andaram por túneis e vias.

O Metrô chegou a dizer que uma blusa impedira o fechamento das portas, lideranças tucanas afirmaram ser intriga da oposição e um laudo técnico atestou se tratar de problemas no fornecimento de energia. Em julho de 2011, dois trens se chocaram na estação Barra Funda, deixando 42 feridos. Nova colisão em maio de 2012, entre as estações Penha e Carrão, por falha no sistema de automação, deixou 49 feridos. No 5 de agosto passado, um trem descarrilou a 300 metros da estação Barra Funda. Causa: quebra de um jogo de rodas na composição. Ninguém se feriu.

Os problemas na CPTM também são cada vez mais frequentes. Em julho de 2000, nove pessoas morreram e 115 ficaram feridas num acidente na estação de Perus. Uma composição vazia não conseguiu parar num trecho de declive. Segundo o sindicato dos trabalhadores da empresa, recomendações de um relatório da investigação das causas só começaram a ser implementadas um ano depois.

Em maio de 2008, uma pane levou 2 mil pessoas a sair da composição e a ocupar os trilhos entre as estações Tatuapé e Brás. O ar-condicionado foi desligado, após problema no sistema de freio que levara ao acionamento do sistema de emergência. Houve confusão e depredação.

No final de novembro de 2011, um técnico e dois engenheiros da CPTM foram atropelados e mortos por um trem de passageiros quando testavam uma composição. Um quarto atropelado sobreviveu.

A empresa chegou a afirmar que as vítimas não seguiam normas de segurança. Dois meses adiante, outros dois trens se chocaram entre as estações Itapevi e Engenheiro Cardoso, deixando feridos cinco passageiros e o maquinista. Em fevereiro de 2012 a empresa demitiu por justa causa o maquinista de um trem que descarrilou na Linha Esmeralda.

Em março, problema no sistema de tração de um trem causou tumulto e quebra-quebra no Brás, com seis pessoas detidas; no final do mês, novo “apagão”: a quinta pane no sistema num mesmo dia deixou passageiros revoltados e houve depredações. Em julho do ano passado, duas composições se chocaram na Barra Funda, matando cinco pessoas e deixando 47 feridas. Em dezembro, dois trens bateram em Francisco Morato, ferindo 29.

Aumentou a pressão sobre os parlamentares que apoiam o governador Alckmin. É praxe na Assembleia Legislativa o esforço para impedir a abertura de CPI que incomode o Palácio dos Bandeirantes. A oposição ( PT, PCdoB, PSOL e um deputado do PDT ) não consegue alcançar as assinaturas necessárias para superar a blindagem montada pela base do governador ( PSDB, PDT, PV, PMDB e PSD ). “Uma maioria dá guarida para o governador”, lamenta o líder do PT na Casa, Luiz Cláudio Marcolino. É possível que parte desses acidentes pudesse ser evitada se recursos públicos não tivessem tomado o trem errado.
REDE BRASIL ATUAL

outubro 2, 2013

As armas químicas secretas de Israel

Arquivado em: WordPress — Tags:, , — Humberto @ 6:51 pm

 

Manlio Dinucci, Il Manifesto, Itália

Tradução: Vila Vudu

IRÃ NEWS

Os inspetores da ONU, que controlam as armas químicas da Síria teriam muito mais trabalho se fossem mandados controlas as armas nucleares, biológicas e químicas (NBQ) de Israel. Mas, pelas regras do ‘direito internacional’, não podem controlar nenhuma arma israelense. Israel não assinou o Tratado de Não Proliferação, nem a Convenção que proíbe armas biológicas; assinou, mas não ratificou o tratado que proíbe armas químicas.

Segundo o blog Jane’s Defense Weekly,[1] Israel – a única potência nuclear em todo o Oriente Médio – tem de 100 a 300 ogivas nucleares e os respectivos vetores (mísseis balísticos e de cruzeiro e caças-bombardeiros). Segundo estimativas do Centro Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo [Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI)][2], Israel produziu entre 690 e 950 kg de plutônio, e continua a produzir plutônio suficiente para montar, por ano, de 10 a 15 bombas do tipo usado em Nagasaki. Israel também produz trítio, um gás radiativo com o qual se produzem ogivas neurotrônicas, que causam contaminação radiativa menor, mas de mais alta letalidade.

Segundo vários relatórios internacionais, citados também pelo jornal israelense Ha’aretz, as armas biológicas e químicas são desenvolvidas no Instituto para Pesquisa Biológica, situado em Ness-Ziona, próximo a Telavive. Oficialmente, ali trabalham 160 cientistas e 170 técnicos, e o Instituto trabalha há mais de 50 anos em pesquisas em biologia, bioquímica, biotecnologia, farmacologia, física e outras especialidades. O Instituto é, com o Centro Nuclear de Dimona, “uma das instituições mais secretas de Israel”, sob jurisdição direta do primeiro-ministro.

O maior sigilo cerca a pesquisa de armas biológicas: bactérias e vírus que, lançados contra o inimigo, podem gerar epidemias. Dentre eles, a bactéria da peste bubônica (a “peste negra” da Idade Média) e o vírus Ebola, contagioso e letal, contra o qual ainda não há terapia disponível. A biotecnologia é instrumento para criar novos tipos de agente patogênicos contra os quais as populações-alvo não têm resistências, nem há vacina. Há também informação confiável sobre pesquisas, em Ness-Ziona, para desenvolver armas biológicas suficientemente potentes para neutralizar todo o sistema imunológico humano.

Oficialmente, o Instituto israelense em Ness-Ziona pesquisa vacinas contra bactérias e vírus, como sobre o antrax financiadas pelo Pentágono. Mas é evidente que o mesmo tipo de pesquisa permite desenvolver novos agentes patogênicos a serem usados como arma de guerra. O mesmo tipo de trabalho é feito também nos EUA e em outros países, para escapar às leis, acordos e convenções que proíbem o uso de armas biológicas e químicas.

Em 1999, a carapaça de sigilo que protege as pesquisas de armas nucleares, biológicas e químicas em Israel foi quebrada em parte pela investigação, realizada com a colaboração de cientistas, do jornalista holandês Karel Knip, editor sênior de ciências do diário holandês NRC- Handelsblad, e publicada sob o título de “Biologia em Ness Ziona”.[3] Ali ficou afinal comprovado que as substâncias tóxicas desenvolvidas pelo Instituto são utilizadas pelo Mossad para assassinar dirigentes palestinos.[4]

Depoimentos de médicos indicam que em Gaza e no Líbano, as forças israelenses utilizaram armas de concepção recente: deixam intactos os cadáveres, vistos externamente, mas agem por dentro, carbonizando o fígado e os ossos e fazendo coagular o sangue. É perfeitamente possível, com recursos de nanotecnologia. A Itália também colabora no desenvolvimento dessas armas, ligada a Israel por um acordo de cooperação militar e principal parceiro dos israelenses na pesquisa & desenvolvimento de armas biológicas. O orçamento italiano prevê dotação anual de 3 milhões de euros para esses projetos de pesquisa conjunta ítalo-israelenses. Exemplo dessa colaboração aparece no mais recente pedido de verbas para pesquisa do Ministério de Relações Exteriores italiano, que pede verbas para “novas abordagens para o combate de agentes patogênicos resistentes aos tratamentos.” Com essas verbas, o Instituto israelense para pesquisa biológica poderá tornar os agentes patogênicos ainda mais resistentes.

[1] http://www.ihs.com/products/janes/defence-business/news/defence-weekly.aspx

[2] http://www.sipri.org/

[3] “O centro IIBR já desenvolvia armas químicas e biológicas em segredo, até que, dia 4/10/1992, um avião, que fazia o voo n. 1862 da empresa El Al, caiu sobre um prédio de apartamentos em Bijlmer, bairro de Amsterdã, Holanda, a caminho de Telavive, levando a bordo três tripulantes, um passageiro e 114 toneladas de carga. Foi o pior desastre aéreo da história holandesa, que deixou 47 mortos em solo e arruinou a saúde de 3.000 moradores da área. Começaram a surgir doenças misteriosas, irrupções cutâneas, dificuldades respiratórias, doenças neurológicas e muitos casos de câncer, concentrados naquela específica área. Depois de vários anos de investigações detalhadas e profundas, o jornalista holandês Karel Knip, publicou, em novembro de 1999, a reportagem mais detalhada e mais repleta de fatos sobre o trabalho do IIBR israelense, narrada a partir do acidente aéreo em Bijlmer. Knip conseguiu provar que o avião levava uma carga da empresa Sokatronic Chemicals, de Morrisville, Pennsylvania, para o Instituto IIBR, em Israel, o que configura clara violação da Convenção para Armas Químicas. O carregamento incluía 50 galões de DMMP, quantidade suficiente para produzir 250kg de gás sarin, de efeito neurológico, 20 vezes mais letal que o cianureto. Knip descobriu que pelo menos 140 cientistas especializados em armas biológicas do Instituto IIBR tinham laços próximos com o Walter Reed Army Institute, a Uniformed Services University, o American Chemical and Biological Weapons Center em Edgewood e a Universidade de Utah. Descobriu também a estreita cooperação que há entre o IIBR israelense e o programa de armas biológicas britânico-norte-americano, e, também, o extenso programa de pesquisa de armas biológicas que há entre Alemanha e Holanda – o que explica que, até hoje, o governo holandês mantenha o mais absoluto silêncio sobre o avião que caiu em Amsterdam” (Global Research, em http://www.globalresearch.ca/israels-history-of-chemical-weapons-use/5352003).

[4] Um caso muito bem comprovado de uso de arma química por Israel, em atentado do Mossad contra Khaled Meshall, do Hamás palestino, em Amã, Jordânia, em 1997, está narrado em detalhes fartamente documentados no livro Kill Khalid. The Failed Mossad assassination of Khalid Meshall and the Rise of Hamas, do jornalista australiano Paul McGeough (EUA: The New Press, 1999) (http://www.amazon.com/Kill-Khalid-Failed-Mossad-Assassination/dp/B0078XWH2Q). Meshall foi atacado num aparente simples esbarrão na rua, quando agentes do Mossad disfarçados como turistas injetaram uma substância desconhecida dentro de seu ouvido. Os atacantes foram perseguidos por guardas da segurança de Meshall e, para não serem apanhados, entraram no prédio da embaixada de Israel em Amã. Meshall só foi salvo por interferência direta do rei da Jordânia, indignado com a ação de terroristas israelenses em território da Jordânia, que denunciou a ação terrorista ao presidente Clinton, dos EUA, o qual ordenou que Israel enviasse imediatamente o antídoto para salvar a vida de Meshall. Israel obedeceu, pressionado também pelo rei da Jordânia que já cercara a embaixada e ameaçava explodir o prédio, o que criaria um incidente internacional que todos os envolvidos tinham interesse em evitar a qualquer custo, gerado, de fato, pela incompetência dos agentes israelenses [NTs].

Rússia já entregou à ONU provas das armas químicas dos contras

O chanceler Lavrov afirmou, em entrevista ao Canal 1 de televisão de Moscou, que a Rússia entregou “aos nossos parceiros norte-americanos e ao Secretariado da ONU” provas de que o gás sarin usado em Ghouta, em 21 de agosto, “tinha a mesma origem do gás usado em 19 de março, só que em maior concentração”. Ou seja, foi “produzido artesanalmente” pelos contras.

Como ficou estabelecido pela investigação russa sobre o ataque químico em Alepo (localidade de Khan Al Assal) de 19 de março, através de um relatório “altamente profissional” e que foi posto à disposição do Conselho de Segurança da ONU e que está acessível ao público em geral, salientou Lavrov.

O gás sarin produzido artesanalmente (“homemade”, “kitchen sarin”) difere, como é amplamente sabido, do gás de fabricação industrial, e que constitui o arsenal do exército sírio, construído ao longo de décadas como uma modesta deterrence contra as armas nucleares de Israel.

A declaração foi feita após a aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU em apoio à ação da Organização pela Proibição das Armas Químicas (OPAC) para destruir todas as armas químicas na Síria e que responsabiliza quem quer que as venha a usar.

Lavrov assinalou, ainda, que o governo sírio entregou à Rússia os dados que tinha mostrando o envolvimento da “oposição” em vários incidentes em que armas químicas foram usadas – e que também foram entregues aos inspetores da ONU. O chanceler russo afirmou que “todos esses materiais requerem um exame cuidadoso”. Disse ainda “a oposição síria mais de uma vez” desencadeou “operações de bandeira trocada” com armas químicas, provocações, para acusar o governo sírio.
HORA DO POVO

Gastos públicos com juros já atingem R$ 230 bilhões

Arquivado em: WordPress — Tags:, — Humberto @ 6:06 pm

 

A elevação da taxa Selic fez explodir o desperdício de dinheiro público com juros. Em agosto, os gastos com juros totalizaram R$ 21,871 bilhões. Nos oito primeiros meses do ano, foram torrados R$ 163,358 bilhões (5,23% do PIB), enquanto que no acumulado de 12 meses, nada menos que R$ 229,640 bilhões (4,94% do PIB) foram para o cofre dos bancos através do pagamento de juros, segundo números divulgados pelo Banco Central na segunda-feira (30/09).

No ano, o superávit primário – desvio de recursos orçamentários para pagamento de juros – alcançou R$ 54,013 bilhões e no acumulado de 12 meses, R$ 84,739 bilhões. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabeleceu para este ano a meta de R$ 155,841 bilhões para o superávit primário, mas podendo abater R$ 65 bilhões em função dos investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O governo já informou que pretende abater até R$ 45 bilhões, o que reduz a meta para R$ 110,9 bilhões.

O superávit primário suga recursos de investimentos em saúde, educação, transporte e de outros setores para se entregue aos bancos. Mesmo assim, não tem sido suficiente, gerando déficits nominais – R$ 109,345 bilhões no acumulado do ano -, que são cobertos com emissão de títulos, aumentando a divida pública. Em agosto, a dívida líquida do setor público alcançou R$ 1,537 trilhão (33,8% do PIB).
HORA DO POVO

outubro 1, 2013

Do derrubamento de Mossadegh à ofensiva contra a Síria, por Miguel Urbano Rodrigues

Arquivado em: WordPress — Tags:, , , , , , , — Humberto @ 8:05 pm

 

Recordar os acontecimentos do Irão há 70 anos ajuda a compreender a atual estratégia dos EUA para o Médio Oriente.

O discurso em que Obama anunciou que decidira bombardear a Síria inseriu-se numa política de dominação universal concebida no final da II Guerra Mundial.

Inseguro quanto à atitude do Congresso e ciente de que a maioria do seu povo condenava um ataque militar à Síria, o presidente recuou. Mas seria uma ingenuidade acreditar numa viragem da estratégia agressiva dos EUA para a Região. Nesta, o derrubamento do governo de Bashar al Assad é somente uma etapa do projeto que tem por alvo numa segunda fase o Irão, o grande país muçulmano que não se submete ao imperialismo norte-americano.

É útil lembrar que foi ainda em vida de Roosevelt que um grupo de sábios da Casa Branca e do Pentágono elaborou o War and Peace Program, ambicioso plano que visava a longo prazo estabelecer o domínio perpétuo dos EUA sobre a Humanidade, a partir da convicção de que a desagregação do Império Britânico estava iminente e era irreversível.

Ainda não fora criado o estado de Israel, mas a substituição da hegemonia da Grã-Bretanha no Médio Oriente figurava entre as prioridades desse Programa entre cujas metas se incluía o esfacelamento da União Soviética.

O êxito em 1953 do golpe de Estado que derrubou o governo progressista de Mohammad Mossadegh (1882-1967) e permitiu a recolonização do Irão contribuiu para acelerar a penetração política, económica e militar dos EUA no Médio Oriente.

ANTECEDENTES

Desde meados do seculo XIX, a Inglaterra e o Império russo, no contexto da sua confrontação no Afeganistão, desenvolveram um esforço permanente para colocar o Irão (ao tempo Pérsia) sob a sua “proteção”.

Após a Revolução Russa de Outubro de 1917 a situação mudou e as pretensões britânicas esbarraram com a firme oposição da União Soviética.

No final da I Guerra Mundial, a monarquia persa agonizava. Um general, Reza Khan, tornou-se primeiro-ministro em 1921 e tentou modernizar o país. Mas, ambicioso, usou a sua popularidade para promover um golpe de estado. Derrubou o soberano Ahmed Qajar e proclamou-se Xá, isto é, imperador.

Entre as personalidades que se opuseram ao novo regime ditatorial destacou-se um jovem que já desempenhara importantes funções públicas: Mohammad Mossadegh.

Filho de um ministro da monarquia e de uma princesa Qajar, Mossadegh estudara Ciências Sociais em França e posteriormente doutorara-se em Direito na Suíça.

Desde a juventude chamou a atenção pela sua honestidade. Ganhou a alcunha de “incorruptível”, como Robespierre. Mas, aristocrata pelo nascimento e educação, casou com uma princesa da última dinastia.

Reza Xá demitiu-o dos cargos que exercia e desterrou-o para Ahamadabad, sua cidade natal.

Nos anos que separaram as duas guerras, o petróleo adquirira uma importância enorme na economia mundial. E a Grã-Bretanha controlava as gigantescas jazidas de hidrocarbonetos do Irão através da Anglo Iranian Oil, um gigantesco polvo transnacional que atuava como monopólio na produção e extração.

Alegando simpatias do Xá pela Alemanha de Hitler, o governo britânico obrigou-o a abdicar em 1941, ocupou o Pais (com exceção da faixa Norte, fronteiriça da URSS) e colocou no trono o filho, Reza Pahlavi.

Mossadegh regressou então à política, primeiro como deputado, depois como ministro das Finanças e ministro dos Negócios Estrangeiros, e finalmente como Primeiro-ministro.

A NACIONALIZAÇÃO DO PETROLEO

Uma vaga de nacionalismo varria então o Irão. Mohammad Mossadegh foi o dirigente que soube encarnar as aspirações do seu povo, liderando a luta por uma independência real.

O Irão estava reduzido à condição de semi-colónia. Ousou o que parecia impossível: desafiou a Inglaterra imperial ao nacionalizar a Anglo Iranian, que era oficialmente propriedade do Almirantado Britânico.

Londres reagiu com sobranceria, apresentando queixa no Conselho de Segurança, mas o órgão executivo das Nações Unidas remeteu o caso para o Tribunal da Haia.

Mossadegh desenvolveu nesses meses uma atividade frenética em defesa da soberania iraniana. Esteve primeiro nos EUA e o seu discurso na ONU teve tamanha repercussão que a revista conservadora Time Magazine o nomeou Homem do Ano em 1951. Viajou depois para a Holanda e pronunciou um discurso histórico no Tribunal de Haia. A sua intervenção foi decisiva para o veredicto daquela alta corte de justiça. O tribunal concluiu que não tinha competência para julgar a denúncia da Grã-Bretanha.

De regresso a Teerão, Mossadegh fechou os consulados britânicos, expulsou todos os técnicos ingleses e rompeu as relações diplomáticas com o governo de Londres.

Restituíra ao Irão a dignidade perdida há séculos e o povo identificou nele um herói.

O GOLPE

O governo britânico, apoiado pelo norte-americano Truman, decidiu recorrer a métodos drásticos para afastar Mossadegh do poder. Intrigando junto do Xá, criou um conflito entre o monarca e o Primeiro-ministro. Mossadegh foi demitido em julho de 1952, mas essa decisão provocou tamanha indignação popular, com manifestações de protesto nas ruas, que o Xá o nomeou novamente Primeiro-ministro.

Fortalecido pelo apoio popular, pediu poderes especiais ao Parlamento para levar adiante 80 projetos de lei que beneficiariam as massas, esmagadas pelas engrenagens de uma sociedade arcaica.

Obteve-os. Mossadegh introduziu nos meses seguintes reformas revolucionárias que envolveram as finanças, o orçamento, a saúde pública, a Justiça, as pescas, a habitação, a previdência social, as comunicações, as forças armadas. Reformas nunca imaginadas numa sociedade islâmica marcada por heranças feudais.

Os acontecimentos precipitaram-se. O governo de Churchill comprou dezenas de deputados para sabotar a política de Mossadegh. Este reagiu convocando um referendo no início de Agosto de 1953 para dissolver o Parlamento. O povo iraniano votou a dissolução por ampla maioria.

A conspiração, entretanto, estava já muito avançada. No dia 15 houve uma tentativa de golpe de estado promovida pelo Parlamento.

Fracassou e o Xá fugiu para Roma.

Mas a CIA, que contava com todo o apoio do governo britânico, que pedira a colaboração de Truman, montara quase simultaneamente o seu golpe com colaboração do exército. Foi precedido de manifestações de rua com a participação de agentes provocadores e de ações de vandalismo no contexto de uma campanha de calúnias contra Mossadegh.

E esse segundo golpe teve êxito. Preso, Mossadegh foi julgado sumariamente por um tribunal militar que o condenou a três anos de prisão e, posteriormente, a residência fixa na sua província.

O Xá regressou de Roma, e em tempo mínimo, as leis progressistas de Mossadegh foram revogadas. O grande beneficiário da mudança foi, porém, o imperialismo norte-americano. As grandes petrolíferas dos Estados Unidos, já então fortemente implantadas na Arábia Saudita e no Iraque, cobiçavam os hidrocarbonetos iranianos. E abocanharam uma grande fatia à custa da Anglo Iranian que reapareceu com o nome de British Petroleum.

UM NACIONALISTA REVOLUCIONÁRIO

A Revolução iraniana de 1979 foi o desfecho da longa e cruel ditadura que, sob a liderança nominal do Xá Reza Pahlavi, se implantou no país após o golpe de 1953.

Recolonizado, o Irão foi o melhor e mais dócil aliado dos EUA no Médio Oriente. Durante um quarto de século, os gigantes transnacionais do petróleo foram no país o poder real.

O Ayatollah Komeiny não teria obtido a amplo apoio popular que lhe permitiu impor a sua República Islâmica xiita se o povo não sentisse uma repulsa tão forte pela arrogância imperial dos EUA e não estivesse maduro para se rebelar contra o monstruoso regime policial do Xá.

A memória do breve governo revolucionário de Mossadegh permanece viva e funciona como um estimulante no confronto dos atuais governantes com Washington. Obama não esconde que os EUA não aceitam um Irão insubmisso.

Mas a ofensiva de desinformação estado-unidense que continua a apresentar Mossadegh como um defensor do socialismo deforma a realidade. Ele foi um patriota que amou profundamente o seu povo e tinha um grande orgulho pela contribuição civilizacional para a Humanidade dos Aqueménidas e Sassânidas persas e do século de ouro dos Safévidas. Mas, apesar de anti-imperialista irredutível, não contestava o sistema capitalista.

O persa Mohammad Mossadegh foi um humanista. Herdeiro de grandes latifúndios, distribuiu as suas terras pelos camponeses que as trabalhavam. E como Primeiro-ministro ofereceu o seu vencimento a estudantes pobres de Direito.

Hoje é venerado como um herói pelo seu povo.

O Irão desconhecido

Contrariamente ao que pensam muitos portugueses, intoxicados por um sistema mediático perverso, o Irão não é um país subdesenvolvido.

Com uma superfície de 1 648 000 km2 (o triplo da França) tem uma população de 79 milhões de habitantes.

Herdeiro de grandes civilizações, o seu povo é o mais culto e educado do Islão, sendo muito baixa a percentagem de analfabetos.

Sociedade multinacional – somente 52% dos habitantes são persas – o idioma oficial, o farsi, é falado por toda a população. Foi durante séculos a língua da corte otomana e dos imperadores Mongóis da India.

O sector avançado da indústria é comparável ao de países como o Brasil e o México. Produz quase meio milhão de automóveis por ano, a maioria de marcas nacionais.

É o quarto produtor de petróleo do mundo e possui as maiores reservas de gás natural. Auto-suficiente na produção de cereais, conta com rebanhos bovino e ovino de muitas dezenas de milhões de cabeças.

Tive a oportunidade numa viagem de carro pelo planalto iraniano de passar em frente das instalações nucleares de Natanz. Soube ali que estão protegidas por misseis sofisticados, de produção nacional, capazes de atingir Israel.

Os generais do Pentágono admitem que bombas convencionais serão provavelmente ineficazes se utilizadas contra os bunkers subterrâneos de Natanz.

RESISTIR.INFO

setembro 30, 2013

Justiça quebra sigilo bancário de Andrea Matarazzo e de outros tucanos envolvidos no escândalo do #TREMSALÃO!!

JUSTIÇA QUEBRA SIGILOS DE MATARAZZO E MAIS DEZ
Homem forte de todos os governos tucanos, passando por Mario Covas, José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso, o vereador Andrea Matarazzo teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado por determinação da Justiça; ele é suspeito de ter arrecadado propinas de US$ 20 milhões junto à empresa francesa Alstom; parte dos recursos foi usada no caixa dois da campanha à reeleição de FHC; escândalo atinge em cheio o ninho tucano; ex-presidente do Metrô, José Fagali Neto, também teve sigilo quebrado, assim como outros nove personagens da trama

247 - A Justiça Federal de São Paulo tomou uma decisão que atinge o coração do PSDB. Determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal de 11 pessoas, incluindo do vereador Andrea Matarazzo, que participou da arrecadação do caixa dois da campanha à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, e ajudou a levantar cerca de US$ 20 milhões junto à Alstom.

A quebra do sigilo autorizada pela Justiça abrange o período entre 1997 a 2000. O furo de reportagem é do jornalista Fausto Macedo, do Estado de S. Paulo. As pessoas atingidas pela decisão judicial são: Andrea Matarazzo (atual vereador do PSDB e ex-secretário de energia), Eduardo José Bernini, Henrique Fingerman, Jean Marie Marcel Jackie Lannelongue, Jean Pierre Charles Antoine Coulardon, Jonio Kahan Foigel, José Geraldo Villas Boas, Romeu Pinto Júnior, Sabino Indelicato, Thierry Charles Lopez de Arias e Jorge Fagali Neto, (ex-presidente do Metrô).

Em 6 de agosto deste ano, o 247 publicou a informação de que Matarazzo já havia sido indiciado pela Polícia Federal (leia aqui). No dia 13 de agosto, outra reportagem apontou que R$ 3 milhões levantados junto à Alstom foram direcionados para o caixa dois da campanha à reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – o que, à época, chegou até a ser denunciado por Folha e Veja (leia aqui).

No entanto, apesar de todos os indícios, Matarazzo e o comando do PSDB em São Paulo vinham sendo poupados. Com a determinação de quebra do sigilo bancário e fiscal dos envolvidos, rompe-se o cerco, muito embora ainda exista certa cautela. O G1, por exemplo, noticia a quebra do sigilo de 11 pessoas. O que importa, no entanto, é a presença de Andrea Matarazzo no time. Lá, ele não é apenas um entre onze.

NOTA DO BLOG: JUSTIÇA SEJA FEITA!

Post-Scriptum: um tuiteiro leitor da nefanda Veja indicou-me uma leitura – indicação que não aceitei,  óbvio – um link, cujo título seria algo como “a quebra de sigilo que não ocorreu”. Como não quero cometer nenhuma injustiça – não sou o Batman do STF – resolvi dar uma vasculhada no Google. A notícia publicada no Estadão sob o título “Justiça abre sigilo de 11 investigados do caso Alstom” insiste na versão da “quebra de sigilo bancário e fiscal” dos investigados. Destaco um trecho:
” ( … ) O criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, defensor do vereador Andrea Matarazzo (PSDB), considera que a decisão judicial não significa quebra de sigilo fiscal e tributário de seu cliente. “O ofício judicial enviado à Receita e ao Banco Central requisita informações relativas aos investigados se declararam manter contas bancárias no exterior naquele período. A medida visa saber se (os investigados) informaram sobre contas mantidas ou não no exterior.”
Não disponho de conhecimentos jurídicos e a leitura inteira da matéria no Estadão, onde são apresentados fac-símiles de diversos documentos ( como este ) parece dar razão ao advogado de Matarazzo. Fica feita a ressalva. Mas o título do post eu não mudo!

setembro 28, 2013

A peleja de Celso de Mello contra o Imprensalão da Maldade

Celso de Mello diz que mídia tentou obrigá-lo a votar contra embargos

Os principais meios de comunicação do Brasil tentaram obrigar, por meio de ameaças, o ministro Celso de Mello a votar contra a validade dos embargos infringentes no julgamento do mensalão. A denúncia parte do próprio ministro.

“Eu honestamente, em 45 anos de atuação na área jurídica, como membro do Ministério Público e juiz do STF, nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação sociais buscando, na verdade, pressionar e virtualmente subjugar a consciência de um juiz”, afirmou o decano do Supremo Tribunal Federal à Folha de São Paulo.

Subjugar significa exatamente isto: obrigar a realização de algo por meio da força ou de ameaças.

“Essa tentativa de subjugação midiática da consciência crítica do juiz mostra-se extremamente grave e por isso mesmo insólita”, afirmou Celso de Mello.

O decano acrescentou ser “muito perigoso qualquer ensaio que busque subjugar o magistrado, sob pena de frustração das liberdades fundamentais reconhecidas pela Constituição. É inaceitável, parta de onde partir. Sem magistrados independentes jamais haverá cidadãos livres.”

O ministro ressalta a importância da liberdade de crítica da imprensa, mas pondera que muitas vezes é feita com base em fundamentos irracionais e inconsistentes. “É fundamental que o juiz julgue de modo isento e independente. O que é o Direito senão a razão desprovida da paixão?”

O decano diz que não se deixou dobrar pelas pressões e que sempre se sentiu “absolutamente livre” para formular seu voto. ( DM )

LEIA TAMBÉM:

Celso de Mello: massacrado por cumprir a lei - LUIZ FLÁVIO GOMES

Ministro russo Lavrov: oposição síria tem armas químicas

 

A oposição na Síria tem armas químicas, isso foi confirmado mais que uma vez, declarou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em uma entrevista a jornalistas russos.

O ministro lembrou que, recentemente, foi interceptada uma conversa telefônica entre dois militantes islamitas sobre este tema.

“Nós apelamos aos países que apoiam a oposição de excluir qualquer possibilidade de novas tentativas do uso de armas químicas por parte de seus patrocinados. Sabemos que a oposição tem tentado repetidamente implementar tais provocações na Síria”, disse Lavrov.

“Aqueles que apoiam a oposição, têm uma responsabilidade especial”, disse o diplomata. ( VOZ DA RUSSIA )

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