ENCALHE

julho 25, 2007

Que adianta ter morrido ACM?

Sai daí, Waldir
Quando caiu o avião da Gol, no ano passado, este blog recomendou vivamente a demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires. Basta uma busca no Google ou mesmo um clique nos arquivos destas Entrelinhas para ler a recomendação, que continua a mesma. Waldir Pires é um homem honesto, honrado e competente, mas está no lugar errado, no momento errado. O presidente Lula tem razão em evitar queimá-lo, jogando o experiente Waldir às feras da mídia e da opinião pública como uma espécie de bode expiatório da crise. Cabe ao ministro pegar o seu banquinho e sair o quanto antes, porque a situação, que já era insustentável lá atrás, agora ficou chegou a um ponto em que nenhuma outra ação faz sentido. Vamos ser claros: Waldir não é o culpado pela crise, mas perdeu de tal forma a autoridade no ministério da Defesa que já não é mais um ministro de fato. Teria sido muito melhor se ele tivesse saído antes, mas Lula quis preservá-lo e a situação só piorou. Agora, não dá mais. Ou o presidente coloca no ministério alguém com capacidade de gerenciar uma crise, ou terá ele mesmo que agir neste sentido, o que além de arriscado é improdutivo, pois não é tarefa de presidente lidar com este tipo de questão. É preciso alguém com saúde e disposição para enfrentar lobbies poderosos e moral para comandar as Forças Armadas, coisa que não se encontra facilmente na praça. José Sarney, por exemplo, tem moral para comandar as três Armas, mas talvez não tenha coragem para enfrentar tão poderosos lobistas…
ENTRELINHAS

abril 23, 2007

CPI: De coisa séria a palanque político

Jasson de Oliveira Andrade

CPI é coisa séria. Pelo menos deveria ser. Quando se instalou, no primeiro governo Lula, a CPI que se tornou conhecida como a do Mensalão, graças às denúncias do então deputado Roberto Jefferson em 2005, esse Instituto parlamentar tornou-se popular. Era o comentário geral. As Tevês da Câmara e do Senado obtinham bom IBOPE. Devido a essa popularidade, houve deturpação de sua finalidade. Parlamentares aproveitaram para usá-las como palanque político. Queriam aparecer mais que os fatos a serem apurados. Lamentavelmente o mesmo poderá acontecer com a CPI do Apagão Aéreo. Os deputados oposicionistas querem instalá-la na Câmara. Os senadores da oposição, principalmente do DEM, querem-na no Senado. Assim esses senadores poderiam usá-la também como palanque. Exagero de minha parte? Não. Renata Lo Prete, no Painel da Folha, revela que “o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), escalou para a CPI César Borges, adversário do ministro Waldir Pires (Defesa) na Bahia. Se ACM se recuperar logo [está internado], vai indicá-lo também”. Pires deverá ser investigado pela CPI. Os dois senadores “democratas” baianos são seus adversários. E perderam a eleição na Bahia para Wagner (PT), aliado do ministro da Defesa, que é do mesmo partido do governador eleito. Essa escalação poderá servir agora como vingança. Não existe outra explicação.

A instalação da CPI do Apagão Aéreo na Câmara e no Senado é dose para elefante. Deveria ser ou numa ou no outro. Duas são demais. Segundo a jornalista Christiane Samarco, do Estadão (19/4): “Os dirigentes do DEM também estão convencidos de que, no Senado, a independência da oposição é maior. Ponderam que os cinco governadores do PSDB, sempre preocupados em manter boas relações com o governo, têm mais influência sobre as bancadas da Câmara do que do Senado. “No Senado, governador não manda em voto de ninguém”, resume um líder do DEM”. Revela ainda a jornalista: “O problema é que o PSDB da Câmara, que teve a iniciativa de pedir a CPI, não se conformava em ver o Senado sair na frente e, muito menos, em ficar fora da investigação, como sugeriam alguns dirigentes do DEM”. O governador José Serra sugeriu, então, uma CPI mista. Essa sugestão foi descartada pelo senador tucano Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado: “Na mista, a correlação de força é desfavorável a nós”. Serra aceitou a ponderação: “Pois, então, que se faça nas duas Casas”. Ficou em cima do muro. Como os tucanos da Câmara e do Senado querem a CPI como palanque, o governador paulista aceitou as duas. Se não fosse o palanque político, o correto seria apenas no Senado, onde é mais favorável aos oposicionistas, e descartaria aquela da Câmara.

O Estadão ouviu dois senadores sobre a CPI no Senado. José Agripino, líder do DEM no Senado, declarou: “A CPI será fundamental. Vamos descobrir o que o governo não sabe ou insiste em não explicar”. Em resposta, a senadora Ideli Salvatti, líder do PT no Senado, afirmou: “Eu não acredito nesse espírito de investigação da oposição. Se eles acreditassem mesmo nas investigações em CPIs eles as fariam também em outros lugares. Não impediriam a abertura de CPIs em São Paulo ou no Rio Grande do Sul”.

Elio Gaspari, em artigo na Folha (18/4), escreveu sobre o assunto, dizendo: “A CPI do Apagão começa com um truque. Todas as mutretas que confluirão ao seu plenário já estão sendo investigadas pela Controladoria Geral da União, pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério Público. Os sigilos fiscais e bancários de um ex-presidente e da diretora de engenharia da Infraero já foram quebrados. Os funcionários sob investigação chegam a 20, as malfeitorias talvez sejam umas 50. Nelas misturam-se a Infraero e fornecedores de equipamentos de uso civil e militar. Ao contrário do que sucedeu com o mensalão, a investigação já existe e deu frutos. É possível que já se tenha ido mais longe sem CPI no caso Apagão do que com CPI no mensalão. (…) O material disponível nos inquéritos em andamento é suficiente para que a Oposição, numa rotineira atuação parlamentar, faça suas denúncias da tribuna da Câmara e do Senado. A turma do discurso de geladeira prefere uma CPI porque é só abrir a porta e as luzes se acendem”. Em resumo: É O PALANQUE!

JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu – Abril, 2007

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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