ENCALHE

setembro 3, 2009

PULITZER: BLOG CONSEGUE, EM PRIMEIRA MÃO, DIVULGAR O FAMIGERADO BILHETE EM FOLHA DE CADERNO, EM QUE TRAFICAS CONVOCAM A POPULAÇÃO DE HELIOPOLIS!!

Vale um Pullitzer. Ou melhor, um “Prêmio José Serra“, vulgo “Framboesa de Ouro”

SITE: QUANTO TEMPO DURA

Charge do Bessinha, sobre HELIÓPOLIS

Filed under: governo Serra, Heliópolis, PIG ( Partido da Imprensa Golpista ), violência policial — Servílio Gentil Lavapés @ 4:06 pm

Serra: pega, mata e come

Filed under: governo Serra, Heliópolis, PIG ( Partido da Imprensa Golpista ), violência policial — Servílio Gentil Lavapés @ 3:04 pm

Tenho andado ( modo de dizer, como se verá ) meio enfermo ( ciática, tornozelo, dor etc ) e não tenho acompanhado com o afinco necessário quase nenhuma questão. Mas alguém aqui de casa falou sobre a ação policial em Heliópolis. Que, como parece, divulgou o imprensalão gordo, teve até “oferta de cesta básica” por “traficantes do local”. Para quê? Oras, com o intuito de “enfraquecer a imagem do Serra”, já tem sabichão dizendo. Ou, enfraquecer, isso sim, o trabalho empreendido pelos próprios moradores de Heliópolis.
Mmmm.
O Onipresente transcrveu a opinião do bom e velho ( nem um nem outro ) Reinaldo Azevedo: TIO REI ACHA QUE JOSÉ SERRA FOI VÍTIMA DE UMA ARMAÇÃO EM HELIÓPOLIS ( Já lhes adianto: só mencionei o “Tio Rei” aqui por honestidade para comigo mesmo, não estou sugerindo que façam a leitura do Reinaldo; talvez esta do Onipresente seja interessante: São Paulo: A cidade dominada por milícias!, OK? )

Mas o que eu acho que merecem ser lidas são estas [ na ordem em que aparecem ], do EDUARDO GUIMARÃES. Destaques e comentários meus em vermelho:

- SÃO PAULO EM TRANSE
Em 2 de fevereiro deste ano, a policia militar paulista reprimiu duramente protesto feito por moradores da favela de Paraisópolis (zona oeste de São Paulo) por conta de um morador local ter sido morto por policiais que o consideraram “suspeito”. A favela permaneceu ocupada pela polícia por meses, fazendo ainda mais dura a vida da comunidade.
No mês passado, a mesma polícia militar jogou no olho da rua cerca de 800 pessoas que viviam em barracos em um terreno na região do Capão Redondo, zona sul da capital paulista. A operação teve como objetivo devolver o terreno à empresa de ônibus Viação Campo Limpo [ Que atende muito bem, por sinal, a população ]. Até agora, as famílias estão vivendo pelas ruas da cidade.
Nesta terça-feira, 1º de setembro, moradores da favela de Heliópolis, na zona Sul de São Paulo, protestaram contra a morte de uma estudante de 17 anos, morta pela polícia na noite anterior. O protesto teve inicio por volta das 19h. O grupo queimou ônibus e carros, bloqueou acessos à favela e continua sendo reprimido pela Polícia.
Dos 14 índices de criminalidade medidos pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, 10 cresceram A Secretaria registrou aumento expressivo nos casos de roubo, estupro, latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio em todo o Estado.
Segundo dados divulgados na semana passada, somente na capital foi contabilizado um aumento de 80% nos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), quando comparado com o primeiro trimestre de 2008.
Em qualquer área social de São Paulo, os números são catastróficos. Saúde, Educação, Saneamento Básico, Segurança Pública… Os salários de professores, policiais, médicos, estão entre os piores do país. A mendicância só faz aumentar em todo Estado, bem como a favelização.
No mês passado, porém, o instituto de pesquisas Datafolha detectou que o governador José Serra é aprovado por 57% dos paulistas. A taxa dos que consideram a gestão de Serra ótima ou boa tem apresentado evolução constante. Era de 39% em março de 2007, subiu para 49% em novembro do mesmo ano e foi a 53% em março de 2009.
Qual é a explicação para esse fenômeno? Por que os paulistas e, sobretudo, os paulistanos (como são chamados os paulistas da capital), que vivem cada vez pior, não associam seus problemas ao governo do Estado, que tem atuado tão mal?
O que ocorre em meu Estado é que desde que Mario Covas se elegeu governador, em 1994, a imprensa paulista simplesmente acoberta todo e qualquer problema relativo ao Estado. E quando não há como esconder, atribui ao governo federal a responsabilidade que é do governo do Estado.
Foi assim, por exemplo, em 2006, quando a facção criminosa PCC pôs São Paulo de joelhos, decretando toque de recolher por todo Estado. Globos, Folhas, Vejas e Estadões, entre outros, conseguiram convencer a população local de que a responsabilidade pela Segurança paulista era do governo Lula [ E a reação policial aos crimes do PCC viraram um banho de sangue ].
Os dois grandes jornais paulistas simplesmente não cobrem o governo do Estado e bloqueiam a quase totalidade das críticas ao governador. As tevês, idem.
O escândalo das propinas pagas pela multinacional Alstom a membros das administrações tucanas de São Paulo praticamente não aparece na mídia, e, quando aparece, poupa nomes e a sigla PSDB.
Quando os paulistas vêem as pesquisas de opinião mostrando a popularidade de Lula, o crescimento de Dilma e a queda nacional das intenções de voto em Serra, ficam perplexos ou dizem que as pesquisas são falsas, porque o povo de meu Estado não fica sabendo quem é o responsável por a vida aqui estar cada vez pior e, no resto do país, cada vez melhor.
Até o Rio Grande do Sul, que nesta década havia se convertido em curral eleitoral tucano, acordou. Mas São Paulo, com todas as suas tragédias, segue acreditando que vive na Suíça – ou “chuíça”, como diz o jornalista Paulo Henrique Amorim.
A situação social em São Paulo, como mostram os levantes sociais cada vez mais freqüentes por todo o Estado, está explodindo. O sofrimento dos mais pobres é cada vez mais intenso.
E até os mais ricos estão sofrendo. Em média, são registrados 20 assaltos por mês aos condomínios de luxo em São Paulo. Segundo as estatísticas, em 90% dos casos os ladrões entram pelo portão principal [ FUCK OFFFF! ].
São Paulo está em chamas, afundando numa gestão incompetente e autoritária, mas os paulistas são distraídos por leis que criminalizam fumantes de tabaco, vendidas pela mídia como o supra sumo da modernidade. Enquanto isso, no centro velho da capital paulista fuma-se crack em qualquer esquina e sob as barbas da polícia.
Ao conversar sobre política com um paulistano de qualquer classe social, nota-se que ele atribui todos esses problemas ao governo federal. [ Mas a ênfase, ao se tratar de culpar o Lula, vem da horrenda e ignara classe-média; é a idéia que faço deles, já que trabalhava em comércio na região da REBOUÇAS, na época da Marta e do "suposto mensalão"; um desses representantes da classe-média politizada e indignada, no dia da eleição de 2006, foi procurar num jornal o número do FERNANDO GABEIRA, a fim de dar-lhe seu voto para deputado federal ]
A grande maioria dos paulistas de todas as classes sociais não faz a menor idéia sobre para que serve o governo do Estado.
Existe, entre a grande maioria do povo de São Paulo, uma fé quase religiosa na grande imprensa. O paulista reproduz como papagaio cada chavão político anti-Lula da mídia e, sobretudo, os bordões de novelas e programas humorísticos.
As expressões indianas da novela global das oito, por exemplo, viraram uma praga. Não se consegue passar 10 minutos sem ouvir alguém proferi-las como se aquela fosse a tirada de maior inteligência e originalidade que já se viu e de um bom humor único. [ Perfeita observação do Eduardo. Ninguém merece... ]
O Estado de São Paulo deverá se tornar objeto de estudos sociológicos revolucionários, que mostrarão como meia dúzia de empresários da comunicação conseguiu hipnotizar dezenas de milhões de pessoas de forma a fazê-las obedecerem cegamente os seus menores caprichos.
- SOBRE BOM JORNALISMO
Diariamente venho aqui escrever sobre mau jornalismo.
Hoje, noite de quarta-feira, 2 de setembro de 2009, porém, terei o prazer de escrever sobre seu oposto, sobre jornalismo bom, além de, infelizmente, ter que escrever também sobre aquele tipo de jornalismo que, de tão ruim, nem pode ser chamado dessa forma.
As duas matérias que vi foram sobre mais um sofrimento atroz que as forças policiais comandadas pelo governo de São Paulo impuseram à população pobre da cidade num dos muitos guetos nos quais se abrigam centenas de milhares de paulistanos empobrecidos e esquecidos.
Refiro-me à revolta dos moradores da favela de Heliópolis, a maior da capital paulista, por conta do assassinato de uma estudante de 17 anos, a bela Ana Cristina de Macedo. O crime foi cometido por um policial que, conforme testemunhas relataram, saiu disparando contra “suspeitos” desarmados e acabou atingindo a menina.
A população em peso se levantou contra a ação da polícia e, em verdadeiro transe coletivo, saiu às ruas fazendo o que não deixa de ser compreensível diante da barbaridade desse crime: ateou fogo a veículos e, reprimida pela polícia, aos gritos de “assassinos” atirou pedras sobre os repressores.
Estamos falando de favelados, de pessoas atiradas à margem da sociedade, é bom que fique bem claro. Não estamos falando de “doutores” e de “madames” de algum condomínio fechado. É gente vitimada pela ignorância e pela pobreza, em boa parte, e foi só uma parte daquela população que partiu para o confronto com os que julgou serem os assassinos da bela Ana Cristina.
Apesar disso tudo, o Jornal Nacional fez uma cobertura que privilegiou a versão da polícia e do governador do Estado, José Serra, inclusive tentando carimbar nos moradores a pecha de “traficantes” ao mostrar uma folha de papel com alguns poucos rabiscos convocando a população ao protesto em troca de “cestas básicas”.
Os moradores revoltados com a polícia não tiveram voz no Jornal Nacional, e nada se reportou, além de uma foto e do nome, sobre a bela, a angelical menina Ana Cristina de Macedo, agora um anjo de verdade.
Triste, revoltado e chocado com a insensibilidade da emissora e com a acusação de “vandalismo” de Serra aos moradores traumatizados por aquela tragédia, usei essa invenção maravilhosa que é o controle remoto em busca de algum traço de decência no jornalismo brasileiro.
Foi no Jornal da Record que encontrei o que buscava, bom jornalismo. Apesar de não me ter compensado a revolta pelo que a Globo fez, deu-me alento àquela indignação e àquela tristeza. Uma reportagem questionadora dos métodos da Polícia, inclusive com opinião de Celso Freitas e de Ana Paula Padrão. Que deu voz aos moradores, os quais, na Globo, não puderam se defender das acusações monstruosas de Serra e denunciarem, como fizeram na Record, que o bilhete de “traficantes” convocando a manifestação era uma farsa.
O fato é que a história daquele bilhete manuscrito em folhas de caderno escolar [ que qualquer um poderia ter feito ] convocando a população a se manifestar na rua em troca de uma “cesta básica” [ Como se a dignidade das pessoas valesse uma cesta básica. Na verdade, aqui existem duas agressões ou promovendo-se dois preconceitos: as pessoas pobres só se organizariam em protestos, se estes fossem em troca de algo prosaico, banal e imediato - cestas básicas - e todo protesto deverá, obrigatoriamente, descambar para a violência ] , não “cola”, como disse um dos moradores de Heliópolis que a Record entrevistou mais cedo.
Segundo o Morador, é absurdo imaginar que traficantes escrevessem três mil bilhetes daquele e que dessem igual número de cestas básicas. Imaginem traficantes, bandidos impiedosos se expondo assim só porque uma garota “qualquer” (para eles) morreu.
E não foi só isso. A Record mostrou a indignação daquela comunidade majoritariamente de trabalhadores, de pessoas claramente sérias contra a ação da polícia, e mostrou um pouco da vida daquela menina linda, meu Deus, linda! E morta, meus amigos! Estupidamente!!
Hoje pude escrever sobre bom jornalismo. Sobre o exercício correto desse verdadeiro ofício que, quando o profissional quer, pode ser exercido com humanidade, sensibilidade e, acima de tudo, com senso de justiça.
Obrigado, TV Record.
Para terminar, senhores, um post do Blog do Azenha:
Globo aplica o golpe do bilhete (nos moradores de Heliópolis)
Atualizado em 03 de setembro de 2009 às 01:17 Publicado em 03 de setembro de 2009 às 00:41
por Luiz Carlos Azenha
Para quem ainda leva o Jornal Nacional a sério, os distúrbios em Heliópolis, a maior favela paulistana, foram causados por protestos… convocados por um bilhete, que prometia a distribuição de cestas básicas.
Um bilhete assinado por Tiras.
Que eu poderia ter escrito. Você. O Zé das Couves.
A Globo não só apresentou como real essa teoria, como fez uma afirmação cômica, de tão acintosa: “Até agora as cestas básicas não foram distribuídas”.
Vai ver que foram. Taí algo que eu, se organizador de um protesto, não faria diante da polícia, nem das câmeras de TV, nem de repórteres.
É uma versão tão fantasiosa quanto a idéia de que uma pessoa colocaria a própria vida em risco em troca de uma cesta básica…
Como se a morte de uma adolescente de 17 anos, mãe de uma criança, não valesse absolutamente nada. Como se as manifestações não acontecessem dentro de um contexto social. Houve outros episódios recentes de violência envolvendo a polícia em Heliópolis? A polícia pressionava traficantes da região? Além do bilhete, há mais indícios de que se tratou de um protesto organizado? Já aconteceu no passado?
Nesse caso, o JN não quis testar hipóteses. Cravou: a culpa é do bilhete.
E, assim, parece que tudo caiu do céu. Um infortúnio — a morte da adolescente — seguido de uma manifestação em que pessoas forjaram sua revolta em troca de comida.
Esse jornalismo da Globo não é resultado apenas das ordens superiores, que mandam proteger José Serra descaradamente, seja qual for a situação.
É resultado da distância crescente entre os jornalistas e o mundo real. As novas gerações de jornalistas, crescidas nos shopping centers da vida, encaram a profissão unicamente como o caminho para a fama e a fortuna. Compromisso com a verdade factual? Com a contextualização das notícias? Com o serviço público? Coisa de dinossauros.
Infelizmente, esse é um processo que se retroalimenta. Quanto mais os jornalistas se distanciam do grande público [isto é, dos milhões de brasileiros que vivem em favelas], mais nos tornamos incompreendidos e incompreensíveis.
Aqui, para ver a reportagem
LEITURAS COMPLEMENTARES [ aqui a intenção é mostrar que, talvez, a comunidade de Heliopolis não tivesse motivos para reagir com violência, a serviço de traficantes ainda por cima, em troca de cestas básicas já que, há anos vem lidando com seus problemas de forma criativa, chegando a ser elogiada até mesmo pelo secretário municipal de educação [ vejam a seguir ]:
” ( … ) Ações que deram certo
A favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, tem como referência uma interessante experiência de como a integração da escola com a comunidade pode diminuir a violência e transformar todo o local em um grande espaço de convivência. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Campos Salles, após o início de um trabalho de mobilização com a comunidade, a violência diminuiu cerca de 50% no período de 2001 a 2005. A idéia de chamar a atenção para a questão da violência começou em 1999, após o assassinato de uma jovem moradora da favela e estudante da EMEF. O diretor da escola, alguns professores e líderes da comunidade resolveram transformar a morte da adolescente em uma mobilização geral para obter mudanças. A escola ajudou a promover uma “caminhada pela paz” que, na época, contou com a participação de outros três colégios da região e alguns moradores. A mobilização, que desde então acontece todo mês de junho, em 2006 contou com a participação de cerca de 30 escolas, além dos moradores que comparecem em peso.
Forte ligação com a comunidade, além de reduzir a violência, ajudou a otimizar vários projetos
A forte ligação com a comunidade, além de reduzir a violência, ajudou a otimizar vários projetos. Heliópolis é carente de espaços de lazer. Em conjunto com os moradores e com a União de Núcleos Associações e Sociedades de Heliópolis e São João Clímaco (UNAS), o diretor da escola conseguiu construir o primeiro centro poliesportivo do local ( … )”. SITE PRÓ-MENINO
( … ) – 9ª caminhada: “Educação: direito e responsabilidade de todos”;
-Música-tema da caminhada: Girassol (cidade Negra);
-Dia da caminhada: 14/06/2007.
Há nove anos, Leonarda, adolescente de dezesseis anos e aluna da EMEF “PRESIDENTE CAMPOS SALLES” foi covardemente assassinada ao sair da escola. O crime chocou a comunidade que, já traumatizada por uma onda de violência que assolava a cidade, na época, e aparentemente cresceria com o passar do tempo – o que, de fato, ocorreu -, uniu-se num grande projeto, liderado pelo diretor da escola, Braz Rodriguez Nogueira, o professor Orlando Jerônimo da Silva e o líder comunitário João Miranda. Nasceu então o Movimento Sol da Paz, expressando o descontentamento da comunidade de Heliópolis com relação à omissão do Estado em oferecer políticas sociais que pudessem, além de diminuir a violência, propor amplas discussões objetivando estabelecer uma cultura de paz.
Nossa primeira caminhada contou com a participação de 10.000 pessoas, entre as quais representantes de algumas escolas da região, UNAS (União dos núcleos, sociedades e associações de Heliópolis e São João Clímaco) e Paróquias de São João Clímaco e Santa Edwiges.
O movimento Sol da Paz foi crescendo a cada ano, atraindo representantes de outras instituições da região, motivando, principalmente nas escolas, uma permanente discussão sobre a violência (no âmbito social e pessoal ), chegando a contar com um número aproximado de 15.000 pessoas em nossa última caminhada, no ano passado.
Alguns resultados concretos puderam ser constatados após o início de nosso movimento. Segundo o delegado do 95º distrito policial de Heliópolis, o índice de violência diminuiu consideravelmente na regiao, desde então. Obviamente, estamos satisfeitos com esse resultado. Mas ainda não é o bastante. Por isso, convidamos a todos que desejem integrar nosso movimento a participarem ( … )” – ( SITE COMUNIDADES FUNDAP )
Caminhada da Paz em Heliópolis
04/06/2009 ( BLOG DO ALEXANDRE SCHNEIDER – Secretário Municipal de Educação de SP )
Heliópolis, a maior comunidade de baixa renda de SP
VILA HELIOPOLIS ( Portal do Ipiranga )
UNAS - Site da comunidade de Heliopolis

agosto 31, 2009

Ecce povo: Classe média manda carta para jornal para acusar polícia de ter recebido propina OFERECIDA pela própria classe média!!

Como todos nós sabemos, “us pulíticus” são tudo o que há de pior neste país, até o momento em que nos lançamos na política e passamos a, bem, rever tudo o que havíamos dito até então. Enquanto não nos “tornamos pulíticus”, vamos exercendo a nossa corrupçãozinha diária, seja estacionando em local proibido, seja construíndo a calçada pública em frente a nossos imóveis de acordo com nossa própria conveniência, ou também escutando música alta sem fone de ouvido dentro do busão. Ou, oferecendo propina para não sermos multados…


A seguir: O estranho caso da dona Marta

Os relatos a seguir foram publicados na seção SÃO PAULO RECLAMA, do Estadão [ Caderno Cidades ], em 16 de agosto do ano corrente:

“Propina no trânsito
Em 30 de julho, por volta das 19h30, na Avenida Dr. Arnaldo, no viaduto sobre a Avenida Sumaré, meu filho foi parado por dois policiais com a alegação ( verdadeira, mas não percebida até o momento ) de que os números da placa traseira não estavam visíveis e que por isso deveriam apreender o carro. Meu filho, surpreso, concordou e, como moramos a dois quarteirões da avenida, sugeriu voltar para casa e trocar de carro. Os policiais não concordaram e, fazendo uma conta rápida ( guincho, multa, placa nova, estacionamento ), chegaram ao valor da multa: R$ 700. Percebendo a situação, meu filho perguntou como poderia resolver a questão. Diante do silêncio dos policiais, sugeriu R$ 50. Silêncio novamente. Aumentou para R$ 70 e ouviu do policial que precisava consultar seu companheiro, que aceitou a proposta. Como ele não tinha essa quantia na carteira, os policiais o escoltaram até um caixa eletrônico, esperaram que o dinheiro fosse sacado, receberam-no e o deixaram ir embora com o carro irregular. Não concordamos com o uso de propina para resolver questões legais e acreditamos que o correto seria o policial aplicar todas as sanções cabíveis. Os policias deveriam auxiliar no trânsito e os motoristas, inclusive, multá-los quando necessário. Amedrontado, meu filho se sentiu obrigado a ceder a essa chantagem. Esses policiais não são dignos da profissão que exercem!
MARTHA M.
São Paulo
A Polícia Militar esclarece que foi instaurada investigação para apurar os fatos narrados pela leitora, pois não compactua com ações ilegais eventualmente praticada por alguns de seus integrantes.”

A resposta não tardou, tendo sido publicada na mesma seção, na data de 19 de agosto. Vamos acompanhar:
“Mau exemplo
Estarrecedora a carta da sra. Martha M, Propina no trânsito (16/8). A missivista denuncia e verbera a aceitação de propina por parte de policiais militares, para “resolver a questão” (sic). A questão mencionada era uma infração do Código de Trânsito Brasileiro que policiais teriam verificado no carro do filho da reclamante. Ela, porém, revela que a iniciativa de oferecer propina aos agentes da lei partiu de seu filho. Ora, o filho da sra. Martha, fazendo oferecimento espúrio e ainda nele insistindo, tipificou o crime de corrupção ativa, cominado no artigo 333 do Código Penal. Ele não pode se eximir do dolo, por mais que sejam execrados os policiais envolvidos que, se aceitaram a propina, também incorreram em crime. Verifica-se, pela carta, quão enferma está nossa sociedade. A mãe de um infrator declarado não se acanha de vir a público acusar uma ilegalidade da qual seu filho foi o agente ativo, como se ele nada tivesse cometido de incorreto. Não conhecendo as pessoas em foco, não posso aquilatar suas qualidades nem seus defeitos, mas as declarações dela são altamente comprometedoras. A opinião da sra. Martha – por aquilo que escreveu – tolda de pessimismo minha opinião sobre os princípios de nosso povo, e, infelizmente, faz minimizar a má conduta dos políticos.”
ALAOR SILVA BRANDÃO
São Paulo
Que bronca, heim? O senhor Alaor, segundo nos disse o mestre Google, é oficial da PM. Ele tem QUASE toda a razão, não fosse o fato de que, se considerarmos correta a narração da dona Marta, os PMs foram “fazer conta” diante do meliante acusado. Isso é quase uma insinuação de corruptibilidade. E o meliante “pescou”. E apostou pra ver. Ocorre que “insinuação” velada não é, exatamente, um pedido claro. Em resumo, havia uma situação propícia, em que ambos [ mocinho e bandido ] mostraram a qual preço se venderiam. E todas as partes fecharam negócio, entraram num acordo. Posteriormente a dona Marta, talvez já acostumada a pagar propina, contanto que esta seja pedida às claras, nos fez o favor de botar a boca no mundo, sem se dar conta de seu papel ridículo. É bem aquela classe-média paulistana “indignada” com a podridão do mundo. Quando produzida pelos outros, bem entendido. Já o seu Alaor…bem…, todo mundo aqui entende [ penso eu ] que “policial fazendo contas de quanto vai custar a barbeiragem do motorista”, isso é altamente sugestivo.

junho 12, 2009

Reitora da USP e Secretário de Segurança de SP são convocados por Gianazzi para darem explicações sobre quebra-quebra na Universidade

CUT-SP emite nota contra violência de Serra na USP
A CUT-SP emitiu nota em questiona a falta de diálogo do governador José Serra com os servidores públicos. Mais uma vez, a atitude do governador se expressa de forma de viôlência policial contra estudantes e servidores na USP.
Leia a nota:
Para José Serra, diálogo só com as balas de borracha
A Central Única dos Trabalhadores do Estado de São Paulo repudia a ação truculenta da Polícia Militar contra os trabalhadores e estudantes, na tarde dessa terça-feira, dia 09 de junho, diante da entrada principal da Universidade de São Paulo.
Lamentavelmente, o uso da força contra a proposta de diálogo é a marca registrada da gestão José Serra. O governador paulista jamais aceitou conversar com os servidores do Estado, mesmo após a aprovação na Assembléia Legislativa de uma data-base do funcionalismo, em 2006.
As audiências e reuniões públicas dos trabalhadores sempre são cercadas de forte aparato de segurança, meio que Serra utiliza para se manter isolado no Palácio dos Bandeirantes. Em outras ocasiões, o tucano prefere tentar manipular a mídia ao alegar caráter político a qualquer manifestação de insatisfação diante da intransigência de seu governo.Há mais de um mês os funcionários da USP exercem o direito constitucional de greve para exigir que o Estado apresente condições dignas de trabalho. O confronto que ocorreu já estava previsto desde que a PM passou a ocupar o campus da universidade, na semana passada, da forma que só aconteceu no período da ditadura militar brasileira.
Até quando as respostas às reivindicações do funcionalismo paulista virão em forma de balas de borracha e bombas de efeito moral? Até quando o governador utilizará dinheiro público para publicidade – inclusive em outros Estados, de olho na próxima eleição – ao invés de aplicar nos trabalhadores e na melhoria dos serviços públicos?
Adi Lima, presidente da CUT/SP
Quarta-feira, 10 de junho de 2009
Professores da USP-RP estão em greve
Professores da USP de Ribeirão decidiram em assembleia, na manhã de ontem, aderir à greve dos colegas de São Paulo. Na capital, os professores cruzaram os braços na última sexta-feira.
A paralisação é um protesto contra a presença de policias militares no campus paulistano, determinada pela reitoria em 1º de junho, além das reivindicações de reabertura nas negociações para o reajuste salarial.
“Esse é um fato extremamente grave. Em vez de dialogar, a reitoria demonstra a falta de capacidade de administrar”, disse José Marcelino de Rezende Pinto, diretor regional da Associação de Docentes da USP (Adusp).
De acordo com Plauto Watanabe, representante da Faculdade de Odontologia de Ribeirão, a adesão à greve dos 917 docentes de toda a universidade era parcial ontem, mas, nos próximos dias, outros profissionais deveriam se unir à categoria.
“A tendência é união de todas os setores – funcionários, alunos e professores – assim como está acontecendo em São Paulo. Por isso, na próxima terça-feira, faremos nova assembleia para decidir se continuamos ou não a greve.”

Na quarta-feira, os alunos de Filosofia do campus de Ribeirão também fazem uma paralisação, em solidariedade aos grevistas.
“Estamos marcando uma assembleia geral para a próxima semana para decidir o que vamos fazer”, disse o diretor do Diretório Central de Estudantes (DCE), Lucas Garcia Von Zuben.
Segundo Carlos Alberto Orlandin, do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), todos os serviços estão parados e, ontem, o estacionamento foi fechado.
“Tem até carro de pró-reitor lá dentro, mas não vamos deixar sair tão cedo. Depois dessa falta de respeito que fizeram, colocando a tropa de choque contra alunos e professores em São Paulo, nosso movimento cresceu ainda mais e vamos continuar, agora mais fortes”.
Os 1,8 mil funcionários da entidade estão em greve geral há 37 dias. Serviços como o refeitório central, biblioteca, transporte e até laboratórios da Faculdade de Medicina estão parados.
Reivindicações
A greve, que ocorre por tempo indeterminado, é para pedir reajuste salarial de 17% e incorporação de mais R$ 200 e a readmissão do diretor do Sintusp, Claudionor Brandão, demitido em dezembro do ano passado.
Já os professores pedem um reajuste de 10% nos salários, além de mais verba para as universidades. Ambos exigem a saída da tropa de choque do campus da USP em São Paulo.
Ribeirão faz churrasco enquanto São Paulo vive tensão
Um dia depois dos confrontos entre servidores, estudantes e policiais em São Paulo, funcionários da USP de Ribeirão fizeram um churrasco de confraternização, com direito a cerveja, na sede do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que fica dentro da universidade.
A festa começou na hora do almoço e, por volta das 16h, cerca de 20 funcionários permaneciam no local. Na mesma hora, chegava uma caixa de cervejas, com 24 unidades.
“Não é hora para entrevistas e muito menos para fotos. Estamos em um momento de descontração agora, disse Dulce Helena de Brito, do comando de greve.
Enquanto, isso em São Paulo, o clima continuava tenso.
Na terça-feira, balas de borracha, bombas de efeito moral e gás de pimenta foram usados pela Polícia Militar contra manifestantes.
No início da tarde de anteontem, servidores e estudantes se reuniram em frente à reitoria e com carro de som e cartazes, eles reivindicavam a saída da PM da universidade e a reabertura de negociação salarial com o Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp), interrompida no último dia 25.
Três manifestantes foram detidos e dezenas ficaram feridos. Devido à ação, alunos e docentes da Unicamp também aderiram à greve.


Reitora da USP e secretário de Segurança Pública são convocados por deputado
11 de Junho de 2009
O deputado e professor Carlos Giannazi protocolou, no dia 9 de junho, 3 requerimentos nas Comissões de Educação, Segurança Pública e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa pedindo a convocação da reitora da USP, Suely Vilela, e do secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto, para explicarem a invasão da Tropa de Choque da PM no campus da capital da Universidade de São Paulo.
Ele esteve na USP na tarde desta terça-feira onde foi recebido pelo vice-reitor, Franco Lajolo. Sua intenção foi convencer a reitoria a pedir a retirada das tropas policiais do campus e reabrir o diálogo com o movimento. Amplamente noticiada pela imprensa, a presença da polícia foi atendida a partir de uma solicitação da reitoria da USP.
Giannazi, que é membro titular da Comissão de Educação da ALESP e já participou de 3 reuniões com a reitoria para exigir a retirada das tropas e a abertura de negociação com os servidores e professores, disse que é inconcebível chamar a força policial para resolver questões trabalhistas. “As cenas de violência de hoje (ontem, dia 09/06), promovidas pela Tropa de Choque, maculam a imagem da universidade”, constata o parlamentar.

"Para Serra, invadir USP e dissolver greve na porrada é missão da PM", diz Hora do Povo

Para Serra, invadir USP e dissolver greve na porrada é missão da PM
Desde a semana passada, a polícia militar está dentro do campus da USP dissolvendo piquetes e reprimindo a greve dos funcionários – agora com a adesão de professores e alunos. Diante do protesto e da indignação geral da sociedade contra a repressão, o governador José Serra (PSDB) justificou a ação da polícia dizendo que ela estava ali “apenas garantindo uma ação de reintegração de posse”. Não há posse nenhuma a ser reintegrada, pois nenhum prédio público foi ocupado.
HORA DO POVO, ed. 2773
12.06.09
Serra reprime greve na USP com bomba de gás e alega “reintegração de posse”
A greve dos funcionários, professores e alunos da Universidade de São Paulo (USP) já dura quase um mês e ainda não se conseguiu chegar a um entendimento sobre as reivindicações apresentadas. A USP ofereceu apenas 6,05% de reposição salarial. Os funcionários pedem 17% de aumento e os professores reivindicam 10% de reposição. Os estudantes participam do movimento protestando contra a implantação do ensino à distância na universidade.
Sem conseguir reabrir as negociações, o movimento ainda passou a se deparar, nos últimos dias, com uma violência policial poucas vezes vista na história da USP. Desde a semana passada, a polícia militar está dentro do campus dissolvendo piquetes e reprimindo os líderes do movimento.
Na tarde da última terça-feira, a Tropa de Choque da Polícia Militar, a mando do governo do estado, invadiu ostensivamente a universidade e usou bombas de efeito moral e balas de borracha contra cerca de 1500 manifestantes que protestavam pacificamente dentro das dependências do campus, em Pinheiros. Vários estudantes foram parar no Hospital Universitário da USP, localizado na cidade universitária, com ferimentos e problemas respiratórios provocados pela ação policial.
A Tropa de Choque começou a lançar bombas contra os estudantes próximo ao portão 1 da USP e perseguiram os manifestantes até próximo da reitoria para onde diversos manifestantes se dirigiam a fim de ocupar o prédio em resposta contra a repressão. Estes se depararam com a rua da reitoria tomada por policiais que lançavam bombas de gás e também gás de pimenta contra os estudantes, dispersando a manifestação e iniciando uma perseguição aos estudantes que se refugiaram no prédio da faculdade de História e Geografia. A ação da PM foi tão violenta que chegou a jogar bombas dentro do prédio dos cursos de História e Geografia deixando encurralados dezenas de estudantes sob o efeito de gás lacrimogêneo.
As cenas de violência indignaram toda a comunidade universitária e a greve se ampliou. Os professores decidiram em assembléia que só voltam a dar aulas quando a polícia deixar a universidade. Diante do protesto e da indignação geral da sociedade contra a repressão, o governador José Serra (PSDB) justificou a ação da polícia dizendo que ela estava ali “apenas garantindo uma ação de reintegração de posse”.
Serra apresenta a presença ostensiva da PM no campus da USP desde o dia 1º de junho e a ação repressiva desta terça-feira, como uma medida judicial irreversível na qual ele, como principal representante do governo do estado, não teria nenhum poder de ação, a não ser seguir as ordens da justiça que determinou que a PM garantisse a reintegração.
Segundo os líderes da greve, o governador está mentindo. Não há posse nenhuma a ser reintegrada. Nenhum prédio público foi ocupado. O que os grevistas vinham fazendo eram os piquetes comuns em todas as greves. A polícia foi acionada não para garantir reintegração de posse, mas para tentar dissolver a greve com violência, informaram os funcionários Ao invés de negociar, o que Serra passou a fazer foi tentar acabar com a greve reprimindo os trabalhadores, denunciam os organizadores do movimento.
A violência com que a PM agiu sobre os estudantes e funcionários foi, ao contrário do apresentado pelo governador, não uma ação determinada pela Justiça, mas diretamente comandada por ele que implantou na USP um verdadeiro estado de sítio. A partir de agora, o movimento agrega às reivindicações iniciais, a exigência da saída da reitora, Suely Vilela, e do governador José Serra.

abril 27, 2009

"Marzagão sabia da corrupção", diz delegado com 40 anos de carreira.

Delegado acusa Marzagão de omissão
Fernandes alugou apartamento, filmou conversas para provar corrupção de colegas e diz que, por isso, foi punido
O delegado Roberto Fernandes alugou um apartamento, instalou câmeras escondidas e gravou as conversas durante dois meses. Reuniu documentos e entregou o resultado das investigações aos superiores. Mas, em vez de ver os corruptos punidos, Fernandes é quem foi afastado e colocado em um cargo normalmente reservado a delegados que caem em desgraça: a delegacia de cartas precatórias, ao lado do Viaduto Aricanduva. Tudo, segundo ele, era de conhecimento do então secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, que “silenciou por completo e não tomou nenhuma providência no sentido de coibir os crimes narrados”. O ex-secretário nega.
Fernandes está há 40 anos na polícia. É delegado de classe especial, o nível mais elevado da carreira, há 20 anos. Trabalhou no antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) com o hoje senador Romeu Tuma (PTB-SP). Ele havia sido nomeado delegado seccional de Marília em 2007. Era então considerado um homem ligado a Marzagão. Em dezembro de 2007, foi exonerado.
As acusações de Fernandes contra integrantes da cúpula da Polícia Civil e contra Marzagão constam do depoimento que o delegado prestou em sigilo, em agosto de 2008, aos promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de Bauru, que apurava o caso em conjunto com Ministério Público Federal (MPF). Segundo o procurador da República Marcos Salati, o delegado se tornou uma das principais testemunhas da acusação. Suas informações ajudaram na decretação da prisão de 33 dos 52 réus no processo por contrabando, corrupção e formação de quadrilha contra a máfia dos caça-níqueis.
Fernandes conta que estava começando as investigações quando teve de interrompê-las, por causa de sua remoção de Marília, em outubro de 2007. O policial foi primeiramente classificado na subdelegacia-geral, em São Paulo. Ele decidiu tirar 60 dias de licença-prêmio. Foi até Bauru, sede do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4), que comandava Marília, Jaú, Lins e outras cidades em que o delegado sabia haver arrecadação de propina da máfia do jogo. Ali, Fernandes alugou um apartamento.
O delegado espalhou câmeras pelo imóvel e passou a se reunir com advogados e outros que teriam conhecimento do esquema de corrupção. Gravou 11 entrevistas, material suficiente para preencher sete DVDs e dois CDs. Neles haveria o relato de arrecadação de propina para que a máfia do jogo não fosse incomodada na região.
O policial reuniu tudo e, quando se apresentou em 22 de janeiro de 2008 na subdelegacia-geral, procurou o então ocupante do cargo, delegado Paulo Bicudo. Ali, fez a entrega dos documentos. Diante dos fatos, Bicudo chamou o delegado Francisco Alberto de Souza Campos, então diretor da Corregedoria da Polícia Civil. “Apanhei os documentos e entreguei o recibo”, disse o delegado. “Foi aberta uma investigação.”
Fernandes, no entanto, contou aos promotores que, um dia depois de entregar os documentos, foi novamente removido. Desta vez, soube pelo Diário Oficial do dia 23 de janeiro de 2008 que devia deixar a subdelegacia-geral, transferido para o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), onde assumiria a burocrática delegacia de cartas precatórias. Além disso, uma apuração preliminar foi instaurada contra ele, com base em representação de um dos delegados que acusava, o então diretor do Deinter-4, Roberto de Mello Annibal, que integrava a cúpula da polícia.
A retaliação, segundo Fernandes, era a tônica “da administração da Polícia Civil com relação ao próprio declarante, por conta do enfrentamento sistemático da corrupção”. Na época, a polícia era chefiada pelo secretário Marzagão. A corregedoria instaurou uma simples apuração preliminar sobre suas denúncias. Meses depois, ao ser procurado pelos promotores, Fernandes relatou que “a representação que sofreu” estava “em fase de apuração muito mais rápida” do que a denúncia que ele fizera.
Contou que um advogado havia procurado o delegado Annibal para “defender os interesses dos proprietários locais de máquinas caça-níqueis”. O advogado teria sido encaminhado por Annibal ao delegado seccional de Jaú, Antônio Carlos Piccino Filho que, por “conta de recomendações e tratativas, encaminhou o advogado ao chefe dos investigadores da seccional, Pavini, para passar a orientação de que a Polícia Civil não deveria mais atuar em repressão aos caça-níqueis”.
Segundo Fernandes, na reunião, o advogado encaminhado por Annibal a Jaú ofereceu ao investigador R$ 30 mil mensais “para que o investigador adotasse o mesmo tipo de entendimento”. Como recusou a proposta, Pavini foi destituído da chefia e “contou pessoalmente ao declarante (Fernandes)” o que havia ocorrido. “Ele acabou lotado no 4º DP, distante da sede anterior em mais de 20 quilômetros”.
Inquérito na corregedoria só foi aberto em 13 de outubro de 2008. Mas, antes que o órgão chegasse a uma conclusão, a Polícia Federal, acionada pelo MPF e pelo Gaeco, saiu a campo em 31 de março e prendeu 26 dos 33 acusados que tiveram a prisão decretada. Annibal e Piccino Filho, que negam as acusações, foram denunciados pelo procurador Salati, que pediu as prisões, mas elas foram negadas. A Justiça Federal, no entanto, abriu processo contra eles e decretou as prisões de outros sete policiais.
DEPOIMENTO
Roberto Fernandes
Delegado classe especial
“Os fatos referidos no dossiê e nas declarações e documentos que o instruem, incluindo gravações em mídia, são de inteiro conhecimento do senhor secretário da Segurança Pública, assim como também o são as retaliações que vem sofrendo desde que se lançou nessa empreitada. Entretanto, apesar desse profundo conhecimento dos fatos e circunstâncias, aquela autoridade silenciou por completo e não tomou nenhuma providência no sentido de coibir os crimes narrados ou de reparar a perseguição de caráter pessoal que vem sofrendo”
(
ESTADÃO, 26.04.09 )
E MAIS:
Mazelas de Marzagão obrigam Serra a trocar de secretário
Vermelho, 18 DE MARÇO DE 2009

"Marzagão sabia da corrupção", diz delegado com 40 anos de carreira.

Delegado acusa Marzagão de omissão
Fernandes alugou apartamento, filmou conversas para provar corrupção de colegas e diz que, por isso, foi punido
O delegado Roberto Fernandes alugou um apartamento, instalou câmeras escondidas e gravou as conversas durante dois meses. Reuniu documentos e entregou o resultado das investigações aos superiores. Mas, em vez de ver os corruptos punidos, Fernandes é quem foi afastado e colocado em um cargo normalmente reservado a delegados que caem em desgraça: a delegacia de cartas precatórias, ao lado do Viaduto Aricanduva. Tudo, segundo ele, era de conhecimento do então secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, que “silenciou por completo e não tomou nenhuma providência no sentido de coibir os crimes narrados”. O ex-secretário nega.
Fernandes está há 40 anos na polícia. É delegado de classe especial, o nível mais elevado da carreira, há 20 anos. Trabalhou no antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops) com o hoje senador Romeu Tuma (PTB-SP). Ele havia sido nomeado delegado seccional de Marília em 2007. Era então considerado um homem ligado a Marzagão. Em dezembro de 2007, foi exonerado.
As acusações de Fernandes contra integrantes da cúpula da Polícia Civil e contra Marzagão constam do depoimento que o delegado prestou em sigilo, em agosto de 2008, aos promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), de Bauru, que apurava o caso em conjunto com Ministério Público Federal (MPF). Segundo o procurador da República Marcos Salati, o delegado se tornou uma das principais testemunhas da acusação. Suas informações ajudaram na decretação da prisão de 33 dos 52 réus no processo por contrabando, corrupção e formação de quadrilha contra a máfia dos caça-níqueis.
Fernandes conta que estava começando as investigações quando teve de interrompê-las, por causa de sua remoção de Marília, em outubro de 2007. O policial foi primeiramente classificado na subdelegacia-geral, em São Paulo. Ele decidiu tirar 60 dias de licença-prêmio. Foi até Bauru, sede do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4), que comandava Marília, Jaú, Lins e outras cidades em que o delegado sabia haver arrecadação de propina da máfia do jogo. Ali, Fernandes alugou um apartamento.
O delegado espalhou câmeras pelo imóvel e passou a se reunir com advogados e outros que teriam conhecimento do esquema de corrupção. Gravou 11 entrevistas, material suficiente para preencher sete DVDs e dois CDs. Neles haveria o relato de arrecadação de propina para que a máfia do jogo não fosse incomodada na região.
O policial reuniu tudo e, quando se apresentou em 22 de janeiro de 2008 na subdelegacia-geral, procurou o então ocupante do cargo, delegado Paulo Bicudo. Ali, fez a entrega dos documentos. Diante dos fatos, Bicudo chamou o delegado Francisco Alberto de Souza Campos, então diretor da Corregedoria da Polícia Civil. “Apanhei os documentos e entreguei o recibo”, disse o delegado. “Foi aberta uma investigação.”
Fernandes, no entanto, contou aos promotores que, um dia depois de entregar os documentos, foi novamente removido. Desta vez, soube pelo Diário Oficial do dia 23 de janeiro de 2008 que devia deixar a subdelegacia-geral, transferido para o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), onde assumiria a burocrática delegacia de cartas precatórias. Além disso, uma apuração preliminar foi instaurada contra ele, com base em representação de um dos delegados que acusava, o então diretor do Deinter-4, Roberto de Mello Annibal, que integrava a cúpula da polícia.
A retaliação, segundo Fernandes, era a tônica “da administração da Polícia Civil com relação ao próprio declarante, por conta do enfrentamento sistemático da corrupção”. Na época, a polícia era chefiada pelo secretário Marzagão. A corregedoria instaurou uma simples apuração preliminar sobre suas denúncias. Meses depois, ao ser procurado pelos promotores, Fernandes relatou que “a representação que sofreu” estava “em fase de apuração muito mais rápida” do que a denúncia que ele fizera.
Contou que um advogado havia procurado o delegado Annibal para “defender os interesses dos proprietários locais de máquinas caça-níqueis”. O advogado teria sido encaminhado por Annibal ao delegado seccional de Jaú, Antônio Carlos Piccino Filho que, por “conta de recomendações e tratativas, encaminhou o advogado ao chefe dos investigadores da seccional, Pavini, para passar a orientação de que a Polícia Civil não deveria mais atuar em repressão aos caça-níqueis”.
Segundo Fernandes, na reunião, o advogado encaminhado por Annibal a Jaú ofereceu ao investigador R$ 30 mil mensais “para que o investigador adotasse o mesmo tipo de entendimento”. Como recusou a proposta, Pavini foi destituído da chefia e “contou pessoalmente ao declarante (Fernandes)” o que havia ocorrido. “Ele acabou lotado no 4º DP, distante da sede anterior em mais de 20 quilômetros”.
Inquérito na corregedoria só foi aberto em 13 de outubro de 2008. Mas, antes que o órgão chegasse a uma conclusão, a Polícia Federal, acionada pelo MPF e pelo Gaeco, saiu a campo em 31 de março e prendeu 26 dos 33 acusados que tiveram a prisão decretada. Annibal e Piccino Filho, que negam as acusações, foram denunciados pelo procurador Salati, que pediu as prisões, mas elas foram negadas. A Justiça Federal, no entanto, abriu processo contra eles e decretou as prisões de outros sete policiais.
DEPOIMENTO
Roberto Fernandes
Delegado classe especial
“Os fatos referidos no dossiê e nas declarações e documentos que o instruem, incluindo gravações em mídia, são de inteiro conhecimento do senhor secretário da Segurança Pública, assim como também o são as retaliações que vem sofrendo desde que se lançou nessa empreitada. Entretanto, apesar desse profundo conhecimento dos fatos e circunstâncias, aquela autoridade silenciou por completo e não tomou nenhuma providência no sentido de coibir os crimes narrados ou de reparar a perseguição de caráter pessoal que vem sofrendo”
(
ESTADÃO, 26.04.09 )
E MAIS:
Mazelas de Marzagão obrigam Serra a trocar de secretário
Vermelho, 18 DE MARÇO DE 2009

abril 17, 2009

Com bonecos representando obra e polícia, população de Ribeirão Pires protesta contra obra do ROUBOANEL e maus tratos a morador de rua

Manifestantes com o bonecos apreendidos posteriormente.
Manifestantes protestam contra Rodoanel em Ribeirão
ABCDMaior, 15/04/2009
Manifestação leva dois manifestantes para delegacia. Bonecos vão pra criminalística
Manifestantes aproveitaram o Sábado de Aleluia para protestar em Ribeirão Pires. Dois dos bonecos, a serem malhados na praça central da cidade, exibiam as frases: “Fora Roubo Anel” e “Guardas Municipais que atacam moradores de rua”. A alusão não foi bem recebida pela Guarda Municipal que, depois de receber a denúncia do protesto, apreendeu os bonecos e deteve dois dos manifestantes.
José Cantidio de Souza Lima integrante da Colutas (Comissão de Lutas da Vila Sueli) foi um dos envolvidos. “O que nós queríamos era chamar a atenção da população para discutir se a obra é boa ou não. E não fazer assim, sem muita discussão”, afirmou o eletricista de 53 anos, comparando com as manifestações que ocorreram no trecho sul da mesma obra. “A população tem que saber o que é a obra. Por onde vai passar. Tem todo um problema ambiental a ser discutido”.
Outro objetivo de José era divulgar uma caminhada que acontece no próximo dia 25. Nela integrantes da Colutas, Apeoesp, da Federação da Sociedade de Amigos de Bairro, e do Sindicato dos Engenheiros e Arquitetos de Ribeirão Pires, acompanhados pela promotora de justiça da cidade Thelma Thais Cavarzere caminharão no futuro trajeto da obra. “É para mostrar para a promotora onde é. Para ver o que tem ali”.
A outra envolvida foi a ex-vereadora petista de Ribeirão Pires, Elza da Silva Carlos. Ligada a Apeoesp, ela alega apenas ter confeccionado o segundo boneco, mas desconhece quem colocou a frase alusiva ao acontecimento no começo do ano – quando dois guardas municipais agrediram e humilharam um morador de rua com deficiência mental no centro da cidade.
“Isso mostra que existe uma insatisfação da população com o que aconteceu aos moradores de rua”, explica a professora que afirma ter ido até a delegacia por vontade própria. “Me ligaram dizendo que os bonecos tinham sido apreendidos. Então fui ver no que podia ajudar”, completa. “Só sei que eles foram levados pra criminalística, para analise”.

Com bonecos representando obra e polícia, população de Ribeirão Pires protesta contra obra do ROUBOANEL e maus tratos a morador de rua

Manifestantes com o bonecos apreendidos posteriormente.
Manifestantes protestam contra Rodoanel em Ribeirão
ABCDMaior, 15/04/2009
Manifestação leva dois manifestantes para delegacia. Bonecos vão pra criminalística
Manifestantes aproveitaram o Sábado de Aleluia para protestar em Ribeirão Pires. Dois dos bonecos, a serem malhados na praça central da cidade, exibiam as frases: “Fora Roubo Anel” e “Guardas Municipais que atacam moradores de rua”. A alusão não foi bem recebida pela Guarda Municipal que, depois de receber a denúncia do protesto, apreendeu os bonecos e deteve dois dos manifestantes.
José Cantidio de Souza Lima integrante da Colutas (Comissão de Lutas da Vila Sueli) foi um dos envolvidos. “O que nós queríamos era chamar a atenção da população para discutir se a obra é boa ou não. E não fazer assim, sem muita discussão”, afirmou o eletricista de 53 anos, comparando com as manifestações que ocorreram no trecho sul da mesma obra. “A população tem que saber o que é a obra. Por onde vai passar. Tem todo um problema ambiental a ser discutido”.
Outro objetivo de José era divulgar uma caminhada que acontece no próximo dia 25. Nela integrantes da Colutas, Apeoesp, da Federação da Sociedade de Amigos de Bairro, e do Sindicato dos Engenheiros e Arquitetos de Ribeirão Pires, acompanhados pela promotora de justiça da cidade Thelma Thais Cavarzere caminharão no futuro trajeto da obra. “É para mostrar para a promotora onde é. Para ver o que tem ali”.
A outra envolvida foi a ex-vereadora petista de Ribeirão Pires, Elza da Silva Carlos. Ligada a Apeoesp, ela alega apenas ter confeccionado o segundo boneco, mas desconhece quem colocou a frase alusiva ao acontecimento no começo do ano – quando dois guardas municipais agrediram e humilharam um morador de rua com deficiência mental no centro da cidade.
“Isso mostra que existe uma insatisfação da população com o que aconteceu aos moradores de rua”, explica a professora que afirma ter ido até a delegacia por vontade própria. “Me ligaram dizendo que os bonecos tinham sido apreendidos. Então fui ver no que podia ajudar”, completa. “Só sei que eles foram levados pra criminalística, para analise”.

Com bonecos representando obra e polícia, população de Ribeirão Pires protesta contra obra do ROUBOANEL e maus tratos a morador de rua

Manifestantes com o bonecos apreendidos posteriormente.
Manifestantes protestam contra Rodoanel em Ribeirão
ABCDMaior, 15/04/2009
Manifestação leva dois manifestantes para delegacia. Bonecos vão pra criminalística
Manifestantes aproveitaram o Sábado de Aleluia para protestar em Ribeirão Pires. Dois dos bonecos, a serem malhados na praça central da cidade, exibiam as frases: “Fora Roubo Anel” e “Guardas Municipais que atacam moradores de rua”. A alusão não foi bem recebida pela Guarda Municipal que, depois de receber a denúncia do protesto, apreendeu os bonecos e deteve dois dos manifestantes.
José Cantidio de Souza Lima integrante da Colutas (Comissão de Lutas da Vila Sueli) foi um dos envolvidos. “O que nós queríamos era chamar a atenção da população para discutir se a obra é boa ou não. E não fazer assim, sem muita discussão”, afirmou o eletricista de 53 anos, comparando com as manifestações que ocorreram no trecho sul da mesma obra. “A população tem que saber o que é a obra. Por onde vai passar. Tem todo um problema ambiental a ser discutido”.
Outro objetivo de José era divulgar uma caminhada que acontece no próximo dia 25. Nela integrantes da Colutas, Apeoesp, da Federação da Sociedade de Amigos de Bairro, e do Sindicato dos Engenheiros e Arquitetos de Ribeirão Pires, acompanhados pela promotora de justiça da cidade Thelma Thais Cavarzere caminharão no futuro trajeto da obra. “É para mostrar para a promotora onde é. Para ver o que tem ali”.
A outra envolvida foi a ex-vereadora petista de Ribeirão Pires, Elza da Silva Carlos. Ligada a Apeoesp, ela alega apenas ter confeccionado o segundo boneco, mas desconhece quem colocou a frase alusiva ao acontecimento no começo do ano – quando dois guardas municipais agrediram e humilharam um morador de rua com deficiência mental no centro da cidade.
“Isso mostra que existe uma insatisfação da população com o que aconteceu aos moradores de rua”, explica a professora que afirma ter ido até a delegacia por vontade própria. “Me ligaram dizendo que os bonecos tinham sido apreendidos. Então fui ver no que podia ajudar”, completa. “Só sei que eles foram levados pra criminalística, para analise”.

outubro 18, 2008

Secretário de Segurança Pública de SP já havia recebido, de entidades policiais, o diploma de "Persona non Grata". Vejam o diploma.

Site do Dep. Est. Major Olímpio ( PV )
11.10.08
Entidades representativas de Policiais Paulistas, conferem ao Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o diploma de ” persona non grata ”
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