ENCALHE

março 25, 2008

Desfecho diferente para operação policial que estourou uma biqueira em São Paulo. Nada de sangue derrubado inutilmente.

Polícia estoura ponto de tráfico em condomínio de luxo em Moema
Março 20, 2008
Policiais do 96º Distrito Policial estouraram um ponto de tráfico de drogas em um condomínio de luxo no bairro de Moema. Jovens também praticavam roubos de laptop, celulares, roubos de transeuntes e de veículos.
A delegada assistente do 96º D.P., Ancila Giaconi, contou que os vizinhos “não agüentavam mais o entra e sai nos dois apartamentos e nos procuraram. Então eu solicitei mandado de busca ao juiz e conseguimos fazer flagrante de tráfico de drogas em um dos moradores. No outro, a quantidade de droga era pequena, então ele vai responder como usuário”.
Ela também explicou que foram encontrados documentos e talões de cheque de outras pessoas em ambos os apartamentos. Esses itens foram levantados e descobriu-se que eram de vítimas de roubos. “Essas vítimas foram encaminhadas à delegacia e reconheceram um deles como o que tinha praticado o assalto. Em decorrência desse mandado de busca nós conseguimos elucidar vários outros crimes”.
Sampa Online

fevereiro 2, 2008

A CRIMINALIDADE É INTRÍNSECA AO CAPITALISMO

Celso Lungaretti (*)

O problema da escalada da criminalidade no Brasil vai muito além da ótica simplista e repressiva da nossa mídia. Tem a ver com o estilhaçamento da família e da sociedade sob o capitalismo globalizado.

No chamado capitalismo industrial, ambas ainda se mantinham razoavelmente estruturadas, apesar de todos os defeitos que tão bem conhecemos: desigualdades econômicas e sociais, elitismo, autoritarismo, etc.
No final da década de 1960, entretanto, esse modelo chegou ao esgotamento. O próprio capitalismo demandava uma desestruturação da antiga sociedade, para erguer uma nova sobre seus escombros. Os jovens, entretanto, tentaram ir mais longe: em vez da substituição de uma forma de dominação por outra, sonharam com o fim de todas as dominações. Com o fracasso das tentativas revolucionárias do período, implantou-se, em meio à paz dos cemitérios, a sociedade de massas, em que tudo e todos devem estar permanentemente disponíveis para o consumo.
A comunicação de massas deixou de lado a missão de formar (expoentes da elite) para o exercício do pensamento crítico, restringindo-se a apenas informar fragmentariamente e a repisar os valores capitalistas.
O trabalho perdeu qualquer atrativo que ainda tivesse como concretização do potencial criativo do ser humano. Tornou-se uma corrida de ratos atrás do dinheiro, sem ética nem o mínimo respeito pelo interesse público.
O ingresso em massa da mulher no mercado de trabalho aviltou remunerações e colocou toda a família a serviço do sistema, transformando o lar em mero dormitório.
A família foi desvalorizada pela influência atordoante da comunicação de massas. Pais e mães cansados não conseguem competir em sapiência com a telinha que hipnotiza as crianças, impingindo os valores consumistas.
Então, nada existe de estranho no fato de que as pessoas sem aptidões para competir dentro do sistema busquem atalhos para conseguir aqueles bens dia e noite propagandeados como objetos de desejo. Perplexos, muitos cidadãos gostariam de ver aplicadas aqui as punições drásticas dos países muçulmanos: que se cortassem as mãos dos ladrões, o pênis dos estupradores e a vida dos assassinos. Olho por olho, dente por dente.
Outros pedem mais policiais nas ruas, de preferência atirando primeiro e perguntando depois… nos bairros pobres ou quando os suspeitos são negros, pardos ou malvestidos, é claro.
E há os que defendem a maioridade penal a partir dos 14 ou 16 anos, o que somente fará os bandidos diminuírem proporcionalmente a idade do recrutamento de seus serviçais, até que tenhamos crianças empunhando fuzis e metralhadoras. O velho chavão moralista mudará de “hoje mocinho, amanhã bandido” para “hoje bandido, amanhã defunto”.
No fundo, tudo isso são paliativos. Inexiste forma ideal de se lidar com aqueles que já se tornaram bestas-feras, nocivos para si próprios e para a sociedade. Pode-se, quanto muito, controlá-los – e a um custo dos mais elevados para um país de tantas e tão dramáticas carências.
Exterminá-los, jamais! Isso levaria a violência a patamares apocalípticos, pois os bandidos não teriam mais nada a perder. Nós, sim, perderíamos, ao abrirmos mão da civilização arduamente construída nos milênios que nos separam da horda primitiva, voltando à estaca zero.
O xis do problema, no entanto, nunca é discutido: o fato de que a criminalidade é intrínseca ao capitalismo e subsistirá enquanto não substituirmos o primado da ganância e da competição pelo da solidariedade e da cooperação.
Vivemos numa sociedade que desperdiça o potencial já existente para se proporcionar uma existência digna a cada habitante do planeta; que faz as pessoas trabalharem muito mais do que o suficiente para a produção do necessário e útil; que condena parcela substancial da população economicamente ativa ao desemprego, à informalidade e à mendicância; que estimula ao máximo a compulsão consumista sem dar à maioria a condição de adquirir seus objetos de desejo; que retirou do trabalho qualquer atrativo como realização individual, tornando-o apenas um meio para obtenção do vil metal (ou seja, uma nova forma de escravidão).
Então, os que ainda têm emprego e os empreendedores continuarão irrealizados, esforçando-se demais para nunca obterem as gratificações almejadas, pois a lógica do capitalismo é perpetuar a insatisfação e mitigá-la com o consumo (a cenoura colocada à frente do asno para que ele continue puxando a carroça). Um círculo vicioso perverso que faz a fortuna dos analistas, dos farsantes religiosos e dos picaretas da auto-ajuda.
Alguns excluídos continuarão vivendo das esmolas dos programas oficiais e vão ajudar a eleger aqueles a quem convém mantê-los em eterna dependência.Outros tentarão obter pela força aquilo que jamais alcançarão pela competência. E servirão de espantalho para intimidar as classes superiores, fazendo-as crer que uma sociedade policial seria a solução.
É paradoxal que, em nossa época, formidáveis avanços científicos e tecnológicos coexistam com uma regressão ao ambiente medieval, com os nobres entrincheirados em condomínios de alto padrão, circulando em veículos brindados e só podendo levar vida social em shopping centers, não ousando mais exporem-se fora de suas fortalezas. No exterior desses espaços fortificados e vigiados, os bárbaros estão sempre à espreita, prontos para desferir seus golpes.
Uma previsão terrível de Friedrich Engels, um dos pais do marxismo: quando uma sociedade consegue aniquilar as forças progressistas que poderiam levá-la a um estágio superior de civilização, acaba sendo destruída pela barbárie. O paralelo é com Roma, que venceu os gladiadores de Spartacus mas sucumbiu aos povos atrasados, condenando o mundo a séculos de trevas.
Resta saber se, no século 21, a ameaça maior à civilização se corporifica nos criminosos cada vez mais abusados e no surto de populismo autoritário no 3º mundo, nos fanáticos religiosos que derrubam torres gêmeas ou na fúria com que a natureza começa a reagir às agressões sofridas.

* resumo da exposição de Celso Lungaretti na mesa-redonda “Metamorfoses sócio-econômicas, segregação sócio-espacial e o fenômeno da violência na Grande Vitória”, durante o “II seminário Internacional de Desenvolvimento Local”, realizado no mês de dezembro de 2007 em Vitória, ES. Artigos e crônicas de Celso Lungaretti estão disponíveis em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/

setembro 22, 2007

Internet na guerra política

Jasson de Oliveira Andrade
A internet entra na guerra política. E no terrorismo. É a tecnologia a serviço de atos bons e ruins. Para combater o mal, torna-se necessário que a tecnologia progrida muito mais. E a Lei também. Como năo se podem descobrir os anônimos, estes se aproveitam para destilar seu ódio. Caluniam à vontade. Pior. O terrorismo se aproveita dessa falha. É o que diz a reportagem de Mariana Della Barba, sob o título “Internet converte-se em arsenal e campo de batalha dos terroristas” e publicada no Estadăo (16/9/2007). Nessa matéria existe um quadro que explica o que acontece:
“CONTATOS
Antes da Internet: Em encontros, terroristas como Osama bin Laden, podiam ser presos.
Depois da Internet: Na rede, terroristas correm menos risco de ser identificados. “COMUNICAÇĂO
Antes da Internet: Usavam telefones e celulares, mais fáceis de ser rastreados.
Depois da Internet: Usam-se e-mails, põem mensagens em fóruns, enviam arquivos de vídeo [Como aconteceu com Bin Laden em 11 de setembro 2007]”.
Sem o mesmo mal, a Internet, no Brasil, entrou na política. Enviamos e recebemos emails. Alguns interessantes e esclarecedores. Outros nem tanto. Săo mentiras, meias verdades, muita calúnia, alguns desabafos e várias falsificações. É o que vamos mostrar.
A Internet na política já é um fato e entrou para a História. No livro “A Mídia nas eleições de 2006”, de Venício A. de Lima (Org.), existe um capítulo sobre o assunto. Clovis Barros Filho, Marcelo Coutinho e Vladimir Safatle escreveram o texto “Os usos das novas mídias na campanha presidencial de 2006”. Segundo os autores, “até onde pudemos verificar, tratou-se do primeiro estudo do gênero em nosso país”. Nas pesquisas que fizeram, constataram que “a maior comunidade (na internet) pró-Alckmin registrou 221 mil integrantes, enquanto a maior comunidade pró-Lula (“Nós votamos Lula Presidente 13”) atingiu 103 mil integrantes. (…) Tanto em relaçăo ao número de comunidades como ao de integrantes, a maior parte dos internautas era francamente contrária à candidatura de Lula”. Eles explicam o motivo. “Pelo perfil do uso da rede em nosso país: a maior parte das pessoas com acesso apresenta um perfil socioeconômico (renda e escolaridade) mais próximo dos eleitores de Alckmin do que dos eleitores de Lula”. Os autores publicaram emails divulgados na Comunidade Pró-Lula. Eis alguns: É Lula no 2° turno; Nós apoiamos Lula; Lula com a força do povo; Acredito na reeleiçăo do Lula; A Globo quer derrubar Lula; Fica Lula, fora imprensa. A Comunidade anti-Lula foi mais incisiva: Eu odeio o Lula e o PT; Fora Lula; Lula de novo năo!;Impeachment já! Lula; Lula nova praga da agricultura; Fora Lula…Kia p/ Presidente. A Comunidade mostrou seu preconceito com a deficiência física do Presidente: Cicarelli doe um dedo pro Lula [Cicarelli tem seis dedos nos pés]; Cicarelli robô (sic) o dedo do Lula; Cadê o dedinho do Lula!!!; Eu tenho mais dedos que o Lula. Tais manifestações agora estăo registradas em livro!
Alguns internautas exageram. Pior. Distorcem o que jornalistas escrevem. É o caso de Mauro Chaves. Ele reproduziu um artigo, explicando o motivo que o fez: “Como passou a circular na internet, com “acréscimos”, artigo que aqui [no Estadăo] publiquei em 23 de julho de 2005, reproduzo-o, para evitar confusões.” Pelo título do artigo, pode-se ver que os inescrupulosos năo precisavam fazer ACRÉSCIMOS: “Cambada de ladrões”. O anti-lulismo pode até levar ao crime. Recebi um email contendo um “desabafo de Luiz Nassif”. Nesse falso desabafo constavam baixarias. Năo vou transcrevê-las na íntegra. Apenas pequenos trechos: “Estou avisando meus filhos: Namorados petistas serăo convidados a năo entrar em minha casa. E dinheiro da mesada que eu pago năo financia balada e nem restaurante com petista. Sem Negociaçăo”. Existe ainda esse trecho preconceituoso: “Năo viajo mais para o Nordeste”. Desconfiei desse texto por dois motivos. Primeiro Luís Nassif năo assina Luiz com “z”. Depois ele năo escreve baixarias e năo é preconceituoso. Escrevi-lhe. Ele me respondeu: “Nos últimos meses vem circulando um spam [desabafo] atribuído a mim, sob o título “Elite Privilegiada”. Vai contra tudo o que eu penso. Meus leitores habituais sabem disso, os năo leitores, năo.”
Depois Nassif responde em forma poema. É longo. Transcrevo apenas uma parte. Pequena, mas explicativa: “Por isso, aqui, nessa hora/ Solicito ajuda vossa/ Para que espalhe o poema/ Esclarecendo a quem possa/ Que esse spam [desabafo atribuído mentirosamente a ele] é uma desforra/ Escrito baixo, rasteiro,/ De quem năo é brasileiro,/ E passa o ano inteiro, / Querendo sempre ir à forra”. Em outro trecho do poema, Luís Nassif aí sim faz um DESABAFO: “Por certo é leitor de “Veja”,/ Um viúvo da Daslu/ Que arrota camembert/ Depois de comer angu./ E que o bom Deus o proteja/ Pois sendo tăo RECALCADO (destaque meu)/ Só consegue andar de lado/ Falando mal do empregado/ Por mesquinho que isso seja”.
Apesar dos terroristas e dos RECALCADOS, a internet é uma grande conquista da Humanidade, mas que deve ser usada para o Bem e năo para o Mal!

Jasson de Oliveira Andrade é jornalista em Mogi Guaçu
Postado por Redaçăo Portal Mogi Guaçu
setembro 2007

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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