ENCALHE

outubro 4, 2008

Poucas horas para eu não votar em [ quase ] ninguém…

Antes de mais nada, parece que a Marta e o Kassab disputarão a prefeitura. Alckmin vem caindo [ de acordo com as pesquisas ] há tempos. Kassab conta com mais tempo no Horário Eleitoral Nada Gratuito, além de continuar como prefeito de São Paulo. Isso tem lhe garantido bastante visibilidade. O Imprensalão, como de praxe, está a seu lado, já que é o candidato de Serra. Este último conseguiu lhe transferir a habitual cobertura favorável da imprensa. Portanto, as denúncias de casos de corrupção em Subprefeituras – a última em Santana – não significam nada ainda.
Além disso, a crise da “economalia” americana tem conseguido ofuscar um monte de coisas daqui, como os eventos acima mencionados ( das Subprefeituras ) e o golpe dos advogados de Dantas que requerem a destruição de dados conseguidos pela PF.
A notícia deste expediente saiu, bem pequeno, na página A9 da Folha, como “Defesa de Dantas pede destruição de dados – Advogado nos EUA alegou, em carta enviada para Condoleezza Rice, que a PF violou ‘sigilo profissional’”. No Folha Online está “Defesa de Dantas pede ajuda a Condoleezza Rice para destruição de dados “. Noutros tempos [ tempos de golpe ] isso estaria na capa, nos editoriais e até na seção de Horóscopo.
Pois bem, voltando às eleições municipais. No segundo turno, o tempo na TV e rádio será igual para os dois que passarem de Domingo próximo. Alguns dias atrás, surgiu um papo dando conta que covistas e montoristas poderiam votar em Marta. E que desgostosos no PV e PMDB – partidos da coligação de Kassab – também poderiam fazer o mesmo. Isso, se não me engano, começou a correr quando Alckmin ainda estava bem na fita. Como também estou conseguindo – e vocês podem comprovar isso neste blog mesmo, onde as postagens não estão atingindo aquele patamar de produtividade a que acostumei minha nobre audiência, e o assunto “eleição” tampouco tem vindo à baila por aqui – ficar praticamente imune ao noticiário, não sei bem o que está rolando, só ouço falar e olhe lá.
Porque já me decidi: eu quero que São Paulo afunde. Que as águas de Março, Abril, Maio e tudo o mais transformem essa cidade numa Atlântida tropical do Terceiro Mundo. Acho que deixei isso claro, com meus posts sobre o “Homenzinho Amarelo”, em que busco retratar o cidadão daqui, em seus costumes e cotidiano.
Acho que,em grande parte, aquilo que as pessoas conseguem fazer retrata aquilo que as pessoas querem/são.
Há bastante tempo eu não falo do seguinte: o bairro onde moro, eu continuo sem fazer compras aqui. São uns 7 meses já. Não é muito o meu gasto, eu não tenho uma compulsão consumista. Pelo contrário. Também não tenho muita grana, mesmo… O que não signifique que os meus familiares acompanhem minha ação nesse sentido. As despesas continuam sendo feitas ali.
Mas eu não gosto do que se tornou este lugar, com a consequência da especulação imobiliária e razoável verticalização que tem ocorrido. Um pouco por causa da Economia do país, que tem feito a alegria do setor imobiliário e da construção, o nível de emprego, o crédito, enfim, essas coisas; além disso, a vinda do Metrô para Vila Prudente – que, apesar de ser apontado como fator para as pessoas deixarem de comprar carros – parece ter trazido mais gente para cá e eles trouxeram seus carros junto.
Para quem mora em locais que se tornaram “vedetes” imobiliárias, como Vila Leopoldina, aquilo que eu entendo como tendo havido uma “destruição” do meu bairro, não deve ser nada. Mas não precisa muito, já que o bairro é pequeno. Se você quisesse ir nalgum lugar ( uma farmácia, um “petshop” ), bastaria ir a pé. Mas não é o que ocorre. O trânsito – minúsculo, se compararmos com outros bairros – de que tanto falam os jornais, programas de rádio, aqui virou um caso perdido, já que os moradores ( na verdade, não sei se são novos moradores, ou se estão de passagem, se estão aqui por causa de algum desvio causado pelas obras do Metrô e do Fura-Fila nas proximidades ) preferem cobrir um percurso de 500 metros até o Largo de carro, ao invés de ir a pé.
Teve um tempo que surgiu aqui uma moça, que depois elegeu-se deputada estadual pelo PV, filha do prefeito de Mauá, e “liderou” a campanha da população deste bairro, que em tese, desejava melhoras no trânsito do Largo, onde fica boa parte do comércio local. Estavam ocorrendo acidentes, principalmente atropelamentos. Os jornais de bairro do pedaço faziam a cobertura do andamento da coisa, reunião com a CET, projetos de reforma viária.
Aí, fizeram algumas pequenas coisas ( duas “ilhas”, pinturas de faixas ) e tudo ficou nisso. A moça do PV sumiu ( acho que tem até a ver com um processo que ela e papai enfrentam no município de onde ele é o prefeito ), mas deixou um candidato a vereador como seu “preposto”. O que o PV fez para impedir as coisas de chegar a tal ponto, eu desconheço ( em lista publicada num jornal, dando os nomes dos candidatos a vereador paulistano, percebi que o PV tem mais candidatos que o PT ) , já que a especulação continuou. Recentemente, uma grande rede de farmácias inaugurou uma loja bem no Largo, onde antes funcionava um bar e restaurante. No ponto, vagas para 3 ou 4 carros. O local não podia ser mais impróprio. Se um zé ruela tiver dificuldade de manobrar para entrar/ sair, o fluxo todo vai se complicar. É como se estreitasse ainda mais a boca de um funil. Então: quem teria permitido uma abominação dessas? A Prefeitura? A vizinhança, claro, compra no local, chegando até lá obviamente de carro.

Mais uma coisa: também, há pouco, houve uma série de reformas num cruzamento movimentado ( Rua das Heras X Av. Zelina X Pinheiro Guimarães X Francisco Falconi ). Tudo a facilitar para os automóveis. Acontece que essa rua das Heras é uma via estreita, de duas mãos de direção além de ser uma ladeira estilo “perseguição de carros em São Francisco”. Não há muito comércio, apenas pequenos mercados, oficinas.
Por essa rua, passam inclusive caminhões. Dois sentidos, lembrem-se.
Só que as calçadas, de ambos os lados, além de estreitíssimas, têm a irregularidade como norma em sua superfície. Digamos que ao pedestre parece, ao passear por estas calçadas, que ele sobe ou desce uma escada. São degraus. Os passeios não são lisos ou possuem sutis elevações. Nada disso. Os moradores rebaixam para a entrada de carros e, como seu imóvel está num nível acima do vizinho, ele termina sua parte exatamente na divisa com este, formando um declive ( acho que é isso ) em 90º. Ou seja, um degrau. Calçada estreita, degraus e árvores. Mas já não dá para andar no meio da rua, pois o trânsito é violento, e nos dois sentidos. AH! Faltou dizer que carros estacionados sobre estas calçadas são praxe.
Oras, ninguém pôs um revólver na cabeça destes moradores, obrigando-os a manterem assim tais calçadas. Eles fazem porque assim desejam e fazem. E, já que não há fiscalização, K.da 1-K.da 1…
Só falei do trânsito, mas poderia ter falado sobre os jardins cimentados, sobre as mesas nas calçadas…
Ah, sobre as mesas…sim…
Quando instalaram um posto policial móvel no Largo, os policiais faziam o que lhes competia: multavam os carros que faziam barbaridades em seus narizes. Acontece que a comunidade, a mesma que pediu pela instalação desse posto, começou a chiar; um cidadão até mandou uma carta para um jornal do bairro reclamando que isso era “um absurdo”, que as coisas pelas quais o motorista estava sendo autuado, JÁ ERAM COSTUME!!
Ou seja, os crimes eram cometidos impunemente, desde a fundação do bairro.
E os policiais deveriam relevar, então.
Além disso, um bar famoso ( por aqui, claro ) começou a botar mesas na calçada, geralmente aos domingos. Ele ganha dinheiro a partir de um delito: as pessoas poderiam não frequentar o local, se este estivesse “lotado”. A solução encontrada pelo dono, para aumentar a capacidade do estabelecimento, e assim, atender muito mais pessoas, foi simples: método K.da 1-K.da1.
Meliante ele e os clientes. É necessário reforçar isso: os clientes são igualmente meliantes.
E são eleitores. Assim como eu e vocês.
Aí eu pergunto: o que eu tenho ( em termos de querer algo ) em comum com tais cidadãos? NADA.
O que eu tenho em comum com pessoas que escutam música – sem os fones – dentro do ônibus, e fazendo com que os outros passageiros também sejam obrigados a escutar? NADA.
O que eu tenho em comum com sujeitos que estacionam em local proibido, em calçadas, passam no sinal vermelho, que colocam auto-falantes no carro e aumentam ainda mais a poluição sonora duma cidade cada dia mais estressante e barulhenta? NADA.
Ou com pessoas que jogam móveis nas ruas quando compram novos?
Que desperdiçam água potável lavando a calçada ( em tese, por gostarem de coisas “bonita” ) mas não se intimidam em jogar na cidade todo o tipo de detrito que puderem produzir?
Gente que não consegue pedir uma informação no ponto de ônibus, usando expressões como “por favor” e “obrigado”. Isso, meus caros, virou português arcaico!
Eu podia seguir o resto do dia enumerando atitudes que têm tornado o cotidiano – uma simples saída de casa – insuportável. Pequenos gestos de incivilidade cujos efeitos resultam em desculpas para mais incivilidades.
Pensamentos que deveriam ser classificados como absurdos. Vejam: se um candidato prometesse e pudesse cumprir a promessa de fazer com que NUNCA MAIS CHOVESSE EM SÃO PAULO, o que pareceria ser uma brincadeira, uma pândega, teria apoio da grande maioria da população. Chuva atrapalha, a natureza atrapalha. Eis o modo de pensar que prevalece.
Portanto, a depender dos moradores de São Paulo, nunca mais choveria no município, em parte por causa do trânsito, e outra porque sol o ano inteiro é bom. Respirar é ruim.
Em resumo: o que eu vejo como problema, os eleitores vêm como solução; o que entendo por absurdo, eles enxergam como desejável.
Sou voto vencido. Por isso, quero que as pessoas tenham aquilo que desejarem. E não quero que a Marta ( em quem eu, a princípio, pretendia votar ) passe de novo pela dor de cabeça de comandar este Zoológico. Então, mesmo que ela ganhe ( o que, antigamente, a meu ver, poderia ser visto como uma atitude positiva do eleitorado ) para mim tanto faz. E não vai levar meu voto. É um voto de protesto, não contra “us pulíticus”, mas contra a população.
Como a Lídia Correa, do PMDB, falou contra a especulação imobiliária e contra as privatizações do DEMo-tucanato, vai ganhar, pela primeira vez, o meu voto.
Para terminar:
Atenção adolescentes “grávidas para chamar a atenção” ( como saiu no Estadão domingo passado ) e que vêm a gravidez precoce como projeto de vida: eu decidi que não vou tomar a vacina contra a rubéola. De propósito. Eu posso lidar com uma gripezinha. Mas, se ficar doente, farei questão de sair de casa todos os dias, pegar ônibus e Metrô lotados. Se seus filhos nascerem deformados ou mortos por isso, lembrem-se da velha canção que toca nos celulares paulistanos: “K.da1-K.da1…”.

maio 9, 2008

Jaz São Paulo: Paulistas e paulistanas ( Curtas )

1 – Quem lê este blog deve saber de meu boicote ao comércio do bairro onde resido ( Vila Zelina – ZL da Capital ). Quem não sabe, por favor, pesquise no blog e saberá os motivos. Bom, um deles eu vou dizer: de repente fomos tomados por uma onda de especulação imobiliária sem precedentes. A “qualidade de vida” baixou, já que o perfil dos bárbaros que para cá vieram é de classe-média, o que dispensa maiores esclarecimentos. A partir daí, começaram os “problemas no trânsito”. Como sempre, a origem é dada como “ignorada” ou “inexplicável”. De repente, baixou aqui para resolver os problemas uma deputada estadual do Partido Verde, que “encabeçou” uma campanha pela reforma do largo do bairro. Voltou a existir uma associação dos moradores. A tal deputada ocupava páginas e páginas dos jornais do bairro ( temos basicamente dois, cuja tiragem – gratuita – beira em 55 mil exemplares, em média, em distribuição semanal ), notadamente do “Paulistano” de propriedade de Wagner Salustiano, do PSDB ( detalhes podem ser encontrados no blog ). Há algum tempo, a dona deputada do PV ( cujo pai é prefeito de uma cidade do grande ABCDM ) simplesmente desapareceu no pedaço. Algumas reformas no citado largo já estão sendo feitas. Vocês não acreditam na lenga-lenga que se dava, desde o início da “polêmica” toda. A cada edição, ficávamos sabendo das visitas que dona deputada fazia, para acompanhar as discussões, ou representantes da prefeitura, do DSV, da CET. Este não é, nem de longe, o bairro mais carente da região. Para quem não sabe, fiquem sabendo que o populosíssimo bairro do Sapopemba havia iniciado um abaixo-assinado pedindo que o Metrô contemplasse o bairro com uma ou duas estações, acrescidas ao traçado da linha Verde que está chegando à Vila Prudente. Isso favoreceria os moradores de São Mateus, Guaianases, Sapopemba, que precisam ir até a Penha ou Tatuapé.
Bem, não consta – pelo que sei – alguma participação da deputada na pressão que os moradores de Sapopemba fazem, pedindo a ida do Metrô ao bairro. Acho que ela não apareceu nem para tomar um café com os moradores ou as lideranças. Mas em Vila Zelina houve notável empenho.
Depois, PUFF! Nem lembrava mais da mulher, até que começaram os spots do PV no rádio. Aí resolvi teclar umas linhas para não cair no esquecimento.
Ah, lembrei o que ia dizer, quando iniciei este post. Eu prometi que boicotaria ( não que eu gaste muito, claro ) o comércio do bairro – fiz estas juras, creio que em Dezembro do ano passado – e tenho cumprido a promessa à risca. Quer dizer, excetuando as três vezes que precisei carregar meu Bilhete Único, eu não gastei um mísero tostão no bairro. Em Janeiro ( foram quase 40 dias de cama ), minha mãe adoeceu e, nos meus raros dias de folga, eu me deslocava – a pé – a outro bairro ( Vila Prudente ) para comprar mantimentos. Gastava meia hora para ir e outra meia no retorno. Não me queixo de andar. Às vezes fazia as compras no caminho de retorno do trabalho.
E pretendo continuar assim.
2 – O secretário-adjunto da Segurança Pública do estado de São Paulo caiu. Não demorou muito, desde que a parcimoniosa imprensa pró-Serra publicou as primeiras linhas sobre o escândalo de chantagem de policiais feita contra membros do PCC. Sempre parcimonioso, este imprensalão ainda não se dedicou a interpretar a dimensão do problema. Quer dizer, quanta violência se permitiu ocorrer, derivada diretamente deste conluio/chantagem PCC-polícia corrupta-Secretaria de Segurança de SP. Vai se saber quantas mortes mais horríveis que a da Izabella ocorreram, e que são mocozadas ou tratadas como estatísticas. Trocando em miúdos: A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, se fosse chefiada por Dilma Roussef, já teria dado munição para o imprensalão golpista tentar derrubar o governador, contanto que este não fosse José Serra. Um fato curioso: antes de cair, José Dirceu brigou muito pelo mandato. Ao contrário do secretário Malheiros que afirmou fazer isso para se dedicar à sua defesa ( vejam abaixo ).
Acusado de pegar propina, Malheiros entrega o cargo
Diário do Comércio
O secretário-adjunto da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Lauro Malheiros Neto, pediu demissão ontem. Acuado pela denúncia de favorecimento ao investigador Augusto Pena, acusado de achacar a cúpula da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), Malheiros Neto tomou a decisão de deixar a secretaria um ano e 5 meses depois de tomar posse no cargo e seis dias após o caso ser divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo . Ele vai cuidar de sua defesa em tempo integral.
Anteontem, a ex-mulher de Pena, Regina Célia Lemes de Carvalho, afirmou, em depoimento à Corregedoria da Polícia Civil, que o investigador repartia com Malheiros Neto parte do dinheiro de origem ilícita obtido pelo policial. Homem de confiança do secretário da Segurança, Ronaldo Marzagão, responsável pelo convite para que assumisse o cargo, Malheiros Neto alega inocência.
O anúncio do pedido de demissão de Malheiros Neto ocorreu pouco antes das 15 horas, quando o governador José Serra (PSDB) teria o primeiro compromisso público no Estado – no Hospital do Câncer – desde o início do escândalo das escutas telefônicas usadas para achacar a cúpula do PCC. No evento, o governador disse que, para o seu governo, o caso envolvendo Malheiros Neto não era grave. “Até agora, não é grave. Houve denúncias e insinuações, mas nenhuma prova. Ele pediu para se afastar do cargo e eu aceitei”, afirmou Serra. [ OBS: "Não há provas", disse Serra. Desde quando provas têm alguma importância para o holding PSDB/ imprensalão? ]
Pouco antes, o secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, havia confirmado à Agência Estado o afastamento de Malheiros. “Ele decidiu se defender dessas acusações levianas”, disse. Ferreira e Serra disseram que o secretário-adjunto escolheu deixar o governo porque não gostaria de prejudicar a condução dos trabalhos na secretaria. Um dia antes, o secretário-adjunto havia sido chamado ao Palácio dos Bandeirantes para uma reunião de emergência.
Malheiros Neto ainda relutava em entregar o cargo, mas acabou convencido de que não teria tempo para cuidar do dia-a-dia administrativo ao mesmo tempo em que teria de preparar sua defesa. Em sua carta de demissão, o secretário-adjunto justificou ter razões pessoais para deixar o cargo e disse que a decisão foi tomada para se defender das acusações de envolvimento com Pena.
Pena e seu colega, o investigador José Roberto Araújo, foram presos na semana passada. Os dois são suspeitos de manter um esquema de escutas telefônicas em Suzano (SP), entre 2005 e 2006, com o objetivo de achacar integrantes da cúpula do PCC. Eles são acusados ainda de seqüestrar Rodrigo Olivatto de Morais, de 28 anos, enteado de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola , líder do PCC, e exigir R$ 300 mil para libertá-lo.
Em depoimento à polícia, o delegado Nelson Silveira Guimarães revelou que recebeu, em 2006, informações sobre o seqüestro do enteado de Marcola . Preventivamente, ele contou que determinou o afastamento de Pena e de Araújo do trabalho das ruas. Segundo Guimarães, dias depois de tomar posse na Secretaria, Malheiros Neto telefonou para ele com um pedido. Queria interceder em favor de Pena, para que o policial fosse transferido justamente para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic).
O pedido do secretário-adjunto, segundo Guimarães, foi atendido e Pena foi enviado para a Delegacia de Estelionato do Deic. Ali, segundo sua ex-mulher, o policial se envolveu em outro caso rumoroso: o furto de uma carga de videogame PlayStation de dentro do depósito do Deic, na avenida São João, no Centro de São Paulo.
Regina Célia confirmou à Corregedoria da Polícia Civil que Pena ganhou R$ 1 milhão com o desvio da carga e entregou R$ 100 mil para Malheiros Neto. O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende Malheiros Neto, disse que a acusação é uma vingança por ele ter trabalhado no processo de separação de Pena e de Regina Célia, defendendo o investigador. (AE)
3 – Curioso o tratamento que o Estado deu à paralização dos ônibus, ocorrida em 7 de Maio em São Paulo. No caderno Metrópole do dia 8, está a manchete: “Acordo adia reajuste de ônibus em SP” ( aliás, SP é Estado, não sei se pode usar esta sigla para tratar do município ).
A matéria não fala quase nada dos motoristas e cobradores, sendo que ELES teriam feito a paralisação, exigindo algumas coisas. Só que o jornal se detém nas negociações feitas entre a Prefeitura e os EMPRESÁRIOS. Segue um trecho ” (…) Após quase três meses (!!?) de negociações com a gestão Gilberto Kassab ( … ) os empresários conseguiram ontem, em meio à ( sic ) ameaça de paralisação geral dos ônibus a partir de terça-feira, a promessa de receber do governo um reajuste de 4,24% sobre o contrato entre a Prefeitura e as empresas ( … )”.
Quer dizer, “em meio a uma greve de trabalhadores” a Prefeitura acena com um reajuste “para os empresários” e já haviam negociações há três meses com essa finalidade.
Qual o papel do Sindicato dos Motoristas nisso? Para o público, a carga negativa caiu nas costas de motoristas e cobradores, que ficaram como os vilões da história. Se aumentar o busão – o que deve ocorrer após as eleições municipais – os empresários e a Prefeitura dirão que foi graças a aumentos de salários e mais benefícios trabalhistas. Resta saber se os trabalhadores conseguirão receber aquilo que pedem. Ou vai parecer que a greve se deu apenas para que os empresários conseguissem dobrar a Prefeitura.
4 – Carga tributária e Estado Mínimo: Caderno Dinheiro da Folha, em 8 de Maio:
“Nova forma de cobrar ICMS eleva preços”
Produtos de higiene e limpeza sobem 15% com tributo pago antecipadamente pela indústria, segundo supermercados
Onde isso? Ahh! No Estado de São Paulo, governado pelo PSDB. Mesmo que o governo afirme que apenas mudou a forma de cobrança, não importa. Se alguém está se beneficiando disso, sob alegações de “aumento de tributos”, coisa difícil de um cidadão comum apurar, o fato é que seu bolso está sendo a vítima. Claro que o governo pode estar correto, e coisa e tal. Mas, se os fabricantes aumentam os preços para alguma “compensação prévia”, parece razoável supor que os cofres estaduais também levam uns trocos na cobrança de impostos sobre os preços majorados.
Além disso, alguém pode negar que, quando se pretende mostrar a “farra arrecadatória” do governo Federal, situações semelhantes são mostradas na capa dos jornais e revistas? E com nomes aos bois? Notem que, na manchete e na outra chamada que a segue, não há menção a “onde” e “quem”. Fica até parecendo um fato geral e amplo, envolvendo todos os Estados, e não restrito a São Paulo.

março 2, 2008

TCE multa Câmara e prefeitura de Mauá

29/02/08
O TCE (Tribunal de Contas do Estado) multou a Câmara e a prefeitura de Mauá por conta por realizarem contratações sem licitações. A decisão foi tomada na última terça-feira (4). De acordo com o TCE, o Legislativo não realizou a licitação para a contratação da empresa Amil, que presta serviços de assistência médica. Já no Executivo, a irregularidade apontada foi a dispensa de licitação do contrato com a empresa Repress Distribuidora, responsável pelo fornecimento de medicamentos injetáveis para o Hospital Radamés Nardini e UBSs (Unidades Básicas de Saúde).

fevereiro 23, 2008

Vila Zelina: Pai de Vanessa Damo tem contrato considerado irregular pelo TCE

TCE julga irregular contrato de R$ 1,5 mi em Mauá
Repórter Diário
22/02/08
O TCE ( Tribunal de Contas do Estado ) julgou irregular o contrato de R$ 1,5 milhão assinado em 2006 entre a prefeitura de Mauá e a empresa Laft Comércio de Materiais para Diagnósticos Laboratoriais, de São Bernardo. O órgão também multou o prefeito Leonel Damo ( PV ) em R$ 7,4 mil por ter feito a contratação se utilizando da inexigibilidade de licitação, quando apenas uma empresa pode prestar o serviço contratado. Essa é a oitava vez que o prefeito de Mauá tem uma ação contestada pelo TCE desde que tomou posse.

fevereiro 1, 2008

Jaz São Paulo: Escola de Vila Zelina é acusada de jogar livros clássicos no bueiro! Eu estudei nessa escola. Pensei que, quando saísse, ela melhoraria

Filed under: cidade de São Paulo, escola pública, Literatura, livros, Vila Zelina — Humberto @ 1:27 pm
Escola pública de SP joga obras literários no lixo
Moradores da região da Vila Prudente, na zona leste de São Paulo, encontraram anteontem cerca de 400 livros que foram descartados pela Escola Municipal Ruth Lopes Andrade. Eram obras literárias de Federico Garcia Lorca, Machado de Assis e Guimarães Rosa, amontoadas em sacos pretos de lixo jogados próximos a um bueiro.
Moradores do bairro tentaram entrar em contato com a escola ao ver os livros na rua, mas a unidade já estava fechada. “Alguns livros chegaram a molhar porque foram jogados perto de um bueiro, mas a maioria estava em bom estado”, disse o contador Manoel Rodrigues , de 59 anos, que pegou do lixo O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, entre outros clássicos. Um dos moradores do bairro ligou ontem para a escola e obteve a informação de que as obras foram descartadas por causa de cupim. “É duro você ensinar para os filhos o valor da leitura enquanto uma escola comete esse absurdo. Os livros estão em bom estado.”
Circe Bittencourt, coordenadora do Programa de Banco de Dados de Livros Escolares Brasileiros da USP, afirma que não há nada que justifique a atitude da escola. A Diretoria Regional de Educação Ipiranga informa que, considerando a gravidade da denúncia envolvendo a escola, determinou uma apuração para esclarecer o que ocorreu. Por meio de nota, a diretoria informou que só a partir daí será possível saber o que houve. A escola não se pronunciou. As informações são do Jornal da Tarde.
MSN Notícias
COMENTÁRIO: Ainda que estivessem corroídos por cupins, brocas ou até mofados, não é – tão óbvio, pô – em bueiros ou córregos que deveriam ter sido despejados. Dupla burrice. Bom, vamos esperar para saber mais e melhor. Não sejamos injustos.

dezembro 4, 2007

Jaz São Paulo: Vila Zelina e seus comerciantes, aceitem meu boicote a vocês e seus produtos!!

Hoje comecei a minha campanha solitária e libertadora: não compro mais nada no bairro de Vila Zelina ( Subprefeitura de Vila Prudente – Z. Leste de São Paulo ).
Não entrarei em detalhes, mas que nos acompanha já deve saber minhas motivações. Talvez futuramente eu reproduza aqui algumas matérias de nosso estimado jornal de bairro “O Paulistano”, de propriedade de Wagner Salustiano ( ex-Revista de Fato, que dispensa apresentações ).
Bem. Agora a briga aqui no bairro é a seguinte: o Largo da Vila Zelina deverá passar por alguma remodelação, visando a “melhora no trânsito”. Um bairro há poucos anos tranquilo e bucólico virou uma Zona Verde, com direito a verticalização, assaltos, trânsito excessivo. Enfim, o progresso chegou.
E eis que, diretamente do riquíssimo e desenvolvido município de Mauá ( ABC ), pinta por aqui a deputada estadual do suspeitíssimo Partido Verde, e passa a “liderar” as mudanças e “exigências” feitas pelos moradores. Na vanguarda e na base das boas relações que tem com o governo estadual, baixou aqui para resolver nossos problemas. A base móvel da polícia, recentemente instalada no Largo, só foi mesmo implantada porque ela ameaçou espirrar em Serra ( segundo histórias que ouvi, o sujeito é meio hipocondríaco ). Sem ela, nosso bairro estaria parecendo aqueles filmes do Charles Bronson. E Mauá, um lugar plenamente desenvolvido, deve receber nossos agradecimentos, já que permitiu que Vanessa dividisse seu tempo entre a Suíça do ABC e a desconhecida Vila Zelina.
Prosseguindo. O supra-mencionado jornal “O Paulistano” saiu, na edição que chegou nesta 6a. Feira, com a seguinte informação, que trago aqui, mas não ipsis letteris: os comerciantes e moradores de Vila Zelina são “unânimes” ( SICCCC!!!! ) em afirmar que não gostaram do projeto proposto ( não sei se pela CET ou pela Subprefeitura ) pois isto implicaria na extinção de vagas para os carros estacionarem. Ou seja, todos os residentes no bairro foram ouvidos, e todos eles, sem exceção, são motorizados. Já mencionei aqui, em outra vez, que a cabine de polícia do Largo saiu pela culatra, já que os próprios moradores – aí, sim – mais antigos estavam acostumados a fazer certas coisas, só que agora estão sendo multados. O Estado de mão única que vocês desejam não existe.
A bem da verdade, a dona Vanessa Damo, poderia também, exigir por nós, vilazelinenses, que a polícia ou até a CET ( ou “Homens de Amarelo: limpando as ruas da corja automobilística” ) passassem também a circular por outras ruas daqui do bairro, como a Pinheiro Guimarães onde, simplesmente, dezenas de carros estacionam na calçada, no sentido Anhaia Mello-Av. Zelina. A estreita rua das Heras, via de mão dupla também tem suas calçadas tomadas, também no pedaço próximo à avenida Zelina.
Pois então. Os comerciantes e moradores do bairro, “unanimemente” não desejam que desapareçam vagas para os automóveis. Os comerciantes reclamam que perdem clientes com isso. O pedestre não é cliente.
Também alguém se queixou dos ônibus, e que estes teriam, digamos, “privilégios” espaciais. Talvez se retirássemos os ônibus, ou os proibíssemos de circular pelas ruas de nosso belo bairro. Que tal fecharmos as ruas? Tem uma pessoa que vive se queixando, na sessão de cartas do Diário de São Paulo, que moradores de uma rua no Campo Belo, sem permissão da Prefeitura, fecham o logradouro, tornando-o particular. Parece que a Prefeitura baixa lá, reabre, mas passa um tempo e eles incorrem no crime.
Aliás: já que a Prefeitura de Andrea Matarazzo e também – já ia me esquecendo – Kassab criaram a Lei Cidade Limpa – que muito comerciante detestou – que tal a minha sugestão: a Lei Calçada Legal!!!
É o seguinte: quando você anda, por exemplo, pela calçada da Avenida Zelina, tropeçará nela adoidado, já que os empreendedores que abriram suas casas ali cuidaram de construí-las, sem quaisquer preocupações com quem ali caminhará. Os níveis variam, de acordo com a visão empresarial do sujeito. É comum você levantar a perna uns 30 cm a mais do que o trecho referente ao imóvel ao lado. Um verdadeira prova de resistência e obstáculos. É só chegar na porta da Caixa Econômica Federal e comparar a calçada da agência, com a do Unibanco, por exemplo. Não quer se meter com um banco? OK. Atravesse a rua e veja a dificuldade que é andar na calçada da farmácia que abriu recentemente.
E o espaço público merece mais respeito-cidadão, e é isso que mostro. Tem uma banca de jornais na Avenida Zelina, ao lado da igreja, que parece um brexó. Quer um fax? Lá você encontra. Tá precisando de um 3 em 1? Sem problema. Aparelho de telefone? É só escolher o seu. Há grande variedade.
O fato deste comércio estar totalmente ilegal, e o dono já deveria ter sua TPU cassada há muito, me faz supor que não existe muita fiscalização da Prefeitura nesta cidade. Acho que dá para imaginar que ocorram coisas semelhantes nos outros bairros. O mesmo vale para as calçadas desniveladas, carros estacionados nas mesmas, bancas de jornais vendendo artigos não-previstos ( fax, telefone, sorvete ), bingos, caça-níqueis, festas em Subprefeituras pagas com dinheiro de exploradores de cassinos eletrônicos, etc.
E lembrei-me do bairro principal, a Vila Prudente: na mesma edição do Paulistano em que Vanessa aparece compenetrada, cuidando da gente boa de Vila Zelina, ficamos sabendo que uma das principais ruas de Vila Prudente, a Cap. Pacheco e Chavez, se encontra tétricamente às escuras, e não é de hoje. Perdõe-me srta. Damo, incomodá-la, mas poderia usar de seu poder e prestígio junto aos “gestores” do município, e pedir que arrumem a iluminação daquela rua? A senhora poderá capitalizar para si também esta conquista da comunidade e, com isso, reforçar sua imagem junto ao eleitorado. Até poderá sair na foto do Paulistano, que tão bem fala de você, ao contrário do que faz com o vereador Adilson Amadeu, não sei ainda porque a tal pirraça do jornal com o petebista.
Eu sei que tá faltando algo neste post, mas outra hora eu vejo.
Num futuro post:
Folha de Vila Prudente x O Paulistano
Em editorial, o Paulistano critica os jornais de bairro que possuem “vários anúncios, até mesmo na capa” ( clara alusão à Folha ), e pede que anunciem com ele. Ocorre que a natureza dos jornais de bairro é justamente a de viver dos pequenos anunciantes da comunidade em que circula. Estranho, mesmo, é um jornal novato e obscuro de bairro ter, entre seus anunciantes, uma rede de televisão, como é o caso da RedeTV. Nossa Caixa, nem pensar.
E também:
Saiu no Estadão: a Globo temia a queda de audiência, caso o Corínthians caísse para a Segundona. O Timão vai dar audiência à RedeTV, que detém os direitos de transmissão. Mas não é só torcedor do Corínthians que irá assistir a seus jogos, mas do Palmeiras, Vasco, nem que seja por um tempo. Logo, o IBOPE será maior ainda. Jornalistas esportivos da Globo debandarão?

novembro 12, 2007

Jaz São Paulo: Nunca antes na história desse país tantos se preocuparam com o destino de Vila Zelina!!!

Publicado em Folha de Vila Prudente
COLUNÃO – ed. 808 – 09 a 15/11/07

Trânsito na Vila Zelina
Há anos e em várias edições, a Folha vem reivindicando melhorias para o trânsito no centro de Vila Zelina e em todo seu entorno. O assunto já mereceu até reportagem de capa. Agora, depois de tanta bronca, parece que a Cia. Engenharia de Tráfego (CET) está se propondo a fazer um grande projeto de reestruturação da malha viária daquela comunidade.
Seguindo um nocivo hábito de antigos políticos da região, a jovem deputada estadual Vanessa Damo (PV) está mandando releases capitalizando as obras para si. No trotar da carruagem, a deputada vai entrar para o conselho gestor do trânsito da região.
Para quem não se lembra os conselhos gestores, assim como as comissões de festa do bairro, são useiros e vezeiros em botar ovos em ninhos dos outros.

novembro 9, 2007

Jaz São Paulo: Vila Zelina e trânsito caótico. Nunca imaginei que essas duas expressões viriam um dia na mesma frase. No entanto, parabéns à PM.

Quem acompanha nosso blog já percebeu que alguns dos temas preferidos são o trânsito, os automóveis e os bairros satélites de Vila Prudente, como Vila Zelina. E já perceberam, também, que cada linha escrita a esse respeito vem carregada do lamentar pelas “transformações” por que vem passando a Vila Zelina, recentemente tomada pela especulação imobiliária voraz. Não sou especialista, apenas um morador, e apenas posso supor que houve alguma mudança no Plano Diretor, e que isso resultou numa maior ocupação espacial deste bairro. As conseqüências são as mesmas pelas quais outros bairros já passaram. Também existe a sugestão de que o interesse por esta região se dá pela proximidade da vinda do Metrô para cá, algo prometido desde o governo Quércia. Então, se dá aquilo que os “investidores/corretores/especuladores” chamam de – puta, que termo infeliz – “valorização” de um local. Só o Metrô, apenas, traria esta “valorização”? Acho que não, mas é um fator importante. Acho que até mesmo os bairros da Zona Leste que receberam estações, como Itaquera, passaram por uma “valorização”, mas deve ter sido de fôlego curto. Existe a questão do perfil sócio-econômico dos locais e também dos potenciais compradores dos imóveis. De acordo com o noticiário, a economia brasileira vem passando, há alguns anos, por leve crescimento e o chamado mercado imobiliário, por um “boom” de construção e consumo, apoiado fortemente na oferta de crédito. Mas é assunto longo e complexo para mim. Volto à Terra.
Enfim, não sei muito bem reconhecer todos os elementos que contribuíram para isso, mas é algo fácil de perceber: o bairro de Vila Zelina ficou mais congestionado, mais murado e mais violento. Tornou-se um bairro comum. Ainda é muito melhor do que grande parte dos outros bairros, e é aí que reside o problema: sua força torna-se sua fraqueza. Os problemas do trânsito estão sendo minimizados pela firme e forte presença de um posto móvel da Polícia Militar, recentemente instalado no Largo de São José. A PM – HURRA!!! -, de acordo com relatos de moradores, passa o lápis sem dó. Esses moradores – se é que o são, mesmo – desejam, suponho, uma relação de mão-única com o Estado em que este apenas cuide de seus patrimônios, sem ônus. Querem, portanto, privilégios. Palmas para a PM. Falta apenas a CET.
Não tardou, e lá vieram os oportunistas eleitoreiros se “apoderar” da “liderança” do bairro, prometendo resolver “problemas” pelos quais este bairro jamais passara. Acho até que, em certa medida, tais “novos líderes” tenham responsabilidade direta no aparecimento destes “problemas”, mas preciso apurar melhor. Só que eu sou teimoso e não mudo de idéia fácil assim.
Houve, recentemente, uma festa – a primeira da história do bairro – comemorando os 80 anos de fundação de Vila Zelina. Não sei se foi fundada por Lituanos ou se, aqui, a presença de pessoas desta nacionalidade tenha sido superior à de outras, mas o fato é que aqui é um bairro de imigrantes europeus, provavelmente na sua maioria originários dos Balcãs e da Rússia.
Lá pelos anos 80, acho que na Administração Jânio Quadros, foi feito um plebiscito. Os moradores foram consultados sobre a mudança do nome do bairro para “Parque Lituânia”. Mas não passou, e o nome “Vila Zelina” permaneceu. Falava-se que tínhamos a segunda maior colônia de lituanos no mundo, atrás apenas da Califórnia.
Mas eu divago. Putz.
Bem, falei das comemorações de 80 anos.
Os dois principais jornais distribuídos aqui no bairro – já conhecidos pelos leitores do blog, mas não custa nada lembrar : A Folha de Vila Prudente ( a mais antiga ) e O Paulistano ( caçula, o jornal surgiu na seqüência do cancelamento da Revista de Fato, da propriedade de Wagner Salustiano – do PSDB e, se me recordo com exatidão, ex-malufista ) – cobriram o evento, que me abstenho de detalhar. Ocorre que, não é de hoje, há uma perceptível rivalidade, não sei se entre os dois veículos ou apenas entre colunistas, mas publicam-se alfinetadas de lá e de cá. A festa da Vila Zelina gerou novas alfinetadas. Tem algo a ver com exclusividade. Tipo, “sei-lá-quem, caiu de pára-quedas na região e já tomou prá si o papel de “dono” do evento”, ou então “o sujeito nem mora no bairro e quer aparecer mais do que todo mundo”, e coisas assim. Nem sei como foi essa festa. Teve danças típicas da Lituânia, acho que missa rezada pelo padre, também lituano. Algumas pessoas, antigas no bairro foram homenageadas. O doutor Fuad Kassab – grande ser humano, mesmo – não pôde comparecer ao evento, e o prêmio que receberia, foi entregue a seu filho, Fábio Kassab ( este, por sua vez – se estou correto- , deverá concorrer à Câmara dos Vereadores, pelo PPS ). Sim, são parentes do prefeito formal de São Paulo.
Não sei ao certo, mas acho que houve esquecimentos. Fiz uma pesquisa rápida, pois tinha um nome em mente: Antonio Danilevic, cujas fotos ilustravam as páginas de um antigo jornal da região, a Gazeta da Vila Prudente, que encerrou atividades na década de 90.
“Antonio Danilevic o “Rato”
Olhos azuis, chapéu de palha, andar cauteloso parando e observando todos acontecimentos. No rosto marcas do passado. Linhas de expressões demarcadas por manchas do sol e do tempo. Sorriso discreto. Fala contagiante, contando piadas, expressando-se com as mãos e com o corpo. Nos bolsos largos carrega a sua vida;seu trabalho e um pouco da história de nosso bairro. Quem não conhece este velhinho tão simpático, que caminha pelas ruas de Vila Zelina? Conversa com os comerciantes, brinca com os cachorros e com as crianças. Qual é o seu nome perguntei. Ele responde seriamente: “ Meu nome é Rato”. Nascido no bairro do Bom Retiro em São Paulo, Antonio Danilevic o “Rato” mudou-se para o bairro de Vila Zelina em 1940. Seus pais Fernando e Tofilha Danilevic queriam ficar próximos da comunidade lituana, na época a maioria em relação ao brasileiros. Em 1961 “Rato” durante um jogo de cartas entre amigos decide flagrar a ocasião do jogo, quando seu amigo o incentivou a fazer fotos da região. Comprou então uma máquina profissional , e começou a registrar acontecimentos de interesse público. Em 1970 foi contratado para fazer parte da imprensa local e em suas fotos guardadas até os dias atuais registrou enchentes, congestionamentos causados pela falta de vias de acesso para escolas, centros e cemitério, motivando a construção e planejamento de nossa região.”
Guia da Moóca
Como este, outros nomes parecem ter sido esquecidos. Numa rápida seqüência, minha mãe cita nomes de 10 pessoas em dois minutos. Ela também, nasceu aqui, há quase 70 anos.
Deve haver alguma meritocracia nisso tudo, algum fator excludente. Pois, apesar de eu ainda gostar daqui, reconheço que nem tudo foram flores.
Mas, como não estou envolvido nessa política, não sei direito. Apenas quis deixar registrado. A cidade, como um todo, é formada por suas partes, os bairros.
Agora, vamos ler esta matéria publicada na edição deste semana, da Folha de Vila Prudente. Vejam como o progresso chega, se instala, muda nossas vidas e hábitos e nos manda pro necrotério.
ANTES TARDE DO QUE NUNCA: CET DÁ INDÍCIOS DE VAI PROMOVER MELHORIAS NO CAÓTICO TRÂNSITO DO ENTORNO DO LARGO DA VILA ZELINA
Depois de anos de muito caos, um dos trechos viários mais críticos da região, o Largo da Vila Zelina, finalmente está recebendo atenção da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) – pelo menos, o órgão está desenvolvendo um estudo com melhorias. Nas imediações da praça República Lituana é bastante comum presenciar pedestres se arriscando entre veículos para fazer a travessia da avenida Zelina, conforme diversas denúncias já publicadas, várias delas pela Folha, sendo a última em junho deste ano. O ponto concentra intenso comércio, inclusive com agências bancárias e uma unidade dos Correios, no entanto, os semáforos são distantes e as faixas de sinalização há muito sumiram da via por falta de manutenção. Na manhã da última terça-feira, dia 6, técnicos da Companhia apresentaram ao subprefeito de Vila Prudente/Sapopemba, Felipe Sigollo, as propostas de mudanças para o trecho, antes de ser implantado posto da Polícia Militar. A deputada estadual Vanessa Damo (PV), que vem encabeçando a luta pela implantação da base policial, também esteve presente. O estudo em desenvolvimento prevê a construção de ilhas para pedestres, pintura de faixas de sinalização no chão e escolha de locais para estacionamento.
Pedestres x veículos: confronto é rotina no trecho
A idéia, segundo os técnicos, é não interferir no traçado original da praça, mas fazer uma readequação viária, melhorarando o fluxo viário naquele entorno que é bastante confuso, principalmente as sextas-feiras, dia de feira livre em uma das travessas.
O subprefeito ressaltou que são vitais algumas restrições quanto à circulação no largo do bairro, porque, segundo ele, ‘hoje, do jeito que está, é muito perigoso’. “Como os carros vêm de várias vias e convergem para um mesmo ponto, a praça, essas readequações vão ser necessárias”, afirmou. A deputada estadual garantiu que antes de qualquer mudança a comunidade será consultada. “São reformas muito necessárias, pois envolvem a segurança da população. Mas, para a obtenção dos resultados esperados, é preciso saber quais são as expectativas da comunidade, que é a principal envolvida”, declarou.
Festival de multas
Depois da aprovação das mudanças viárias, será apontado o ponto que abrigará a base fixa da Polícia Militar, que já está atuando na praça República Lituana por meio de uma viatura móvel. No entanto, a maior expectativa dos comerciantes é que os policiais se empenhem mais na segurança do que nas multas. Desde que a base móvel está no trecho, comerciantes e usuários do ponto vêm reclamando da freqüência de autuações de trânsito. “Muitos clientes aqui do comércio já foram multados, este trecho da avenida Zelina é uma total bagunça e os PMs, ao invés de auxiliar, já que querem se dedicar ao trânsito no lugar da segurança, só têm atenção para o talão de infrações”, comenta o funcionário de uma padaria. “As pessoas estacionam seus veículos nos locais onde sempre pararam, já que não há indicação correta de nada, e quando eles teimam, saem multando todo mundo”, completa um cliente.

outubro 27, 2007

O Cata-Milho chama a atenção de jornal de bairro de Wagner Salustiano

Redação_______________________________________________
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Sucesso na net 1
Tem um blog na internet, que se chama “Cata-Milho” (pelo menos, é assim que se apresenta), comandado por Humberto Capellari e Vinicius Duarte, que sempre se utiliza das matérias do PAULISTANO para repercutir ou opinar sobre os assuntos. Na última, eles abordaram o tema que foi capa de nossa edição nº 105, o qual aborda a instalação da base da polícia no Largo de Vila Zelina, que trouxe segurança e, além disso, está “canetando” várias infrações de trânsito.
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Sucesso na net 2
Agradecemos a divulgação do nosso jornal e o destaque para as matérias de interesse e relevância para a região. Temos lido sempre, até imprimido e guardado todos os comentários a nosso respeito.
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Jornal O Paulistano
edição 107
Coluna Direto para você
pg. 4
Comentários do Blog:
1. Cata-Milho é nosso nome. Eu sou lento na datilografia;
2. Leiam de novo os posts a que se referem, pois acho que não pegaram o espírito da coisa;
3. Sou eu quem agradece a gentileza. Entendi o recado;
4. Eu também guardo muita coisa, a meu respeito e também sobre outras pessoas. Eu nado em recortes de jornais velhos;
5. Se algum leitor ( Ei, você, acorde!! ) de nosso blog tiver novidades sobre as verbas publicitárias da Nossa Caixa, alguma informação relevante sobre práticas desagradáveis de especuladores imobiliários, alguma queixa sobre as calçadas de Vila Zelina, ou sobre bancas de jornais que vendem produtos que não estejam previstos na lei paulistana ( o que pode revelar mais que um simples desleixo da fiscalização a cargo das Subprefeituras ), mande para mim que eu publico. Nossa audiência é modesta ( ou, se preferirem, ridícula ) mas isso não nos incomoda. Talvez eu até crie um outro blog, que se chamará, obviamente “JAZ São Paulo”.

outubro 18, 2007

Jaz São Paulo – Paroquianas: Bairro invadido por especulação imobiliária e suas conseqüências, deseja relação de mão-única com Estado!!

É isso mesmo!! SENSACIONAL!!

Os poucos leitores de nossos blogs ( muito obrigado, aliás ) já devem conhecer o processo de adensamento pelo qual o bairro onde resido vem passando e a piora na “qualidade de vida” ( puta, que termo infeliz ) de quem já está aqui há bastante tempo. Sob minha ótica, claro, eu não nego. Porém, como não possuo os conhecimentos de urbanismo necessários, sou obrigado a apelar à minha memória e conversar com outros, que tampouco dispõem deste conhecimento especializado. E, inclusive, buscar alguma história semelhante de outros bairros. Um dia eu conto uma pequena situação engraçada que ocorreu comigo, tendo como ponto de partida o imóvel onde foi filmado o “DURVAL DISCOS”. O referido local, próximo a Pinheiros, não existe mais: foi derrubado para a construção de uma ou duas torres de apartamentos; em resumo, quero dizer que, por mais que uma incorporadora ou um investidor venham tentar vender a idéia de que o “progresso” teria que vir, obrigatoriamente, precedido por seus lançamentos e construções, por menor instrução que eu tenha, eu não sou convencido disso nem a pau. Quando comecei a perceber a mudança deste bairro aqui- a Vila Prudente mas, em especial, a Vila Zelina – busquei ver a entrelinha da coisa da forma que eu conseguisse. Para falar a verdade, sucintamente, a derrubada impiedosa de imóveis antigos em bom estado e sua substituição por caixas de concreto não mais para uma, mas duas ( e até três ) famílias foi o que começou a chamar a minha atenção, até por uma questão de interesse pessoal: eu moro aqui, gosto daqui, mas pago aluguel. Com a especulação, os imóveis para aluguel foram encarecendo ou escasseando, de modo que, no caso de uma improvável possibilidade de eu descolar algum dinheiro nos próximos 200 anos para comprar uma residência, com certeza esse valor não será suficiente para continuar por aqui mesmo. Imóveis, aluguéis mais caros…que mais? Ah, aumento do número de automóveis circulando por um bairro de ruas estreitas e habitado – pelo menos estava assim – por idosos, majoritariamente. Quando dei por mim, nos jornais do bairro ( sim, “nos” jornais, existem uns 3 ou 4 que circulam por aqui, semanalmente ) começaram a aparecer insistentemente matérias relatando atropelamentos próximo à praça central do bairro. E, não tardou, surgiram as propostas de se colocar fiscalização da CET no pedaço. Acho que eu nunca tinha visto uma viatura da CET por aqui, sério. Fixar um fiscal de trânsito na praça seria o troféu da derrota. Eu não cheguei a falar aqui da fila dupla que as mães faziam ( fazem ) na frente dum colégio na Avenida Zelina ( Marco Zero )? Parece até matéria do JT falando do DANTE, daquela falta de educação, da carteirada… Engraçado que, nesse lugar onde as infrações são flagrantes, não se ouve exigir uma fiscalização mais atuante.

Bom, daí, tentando entender o que estava se passando, mas com uma certa noção, contatei por email 3 ou 4 vereadores: dois me responderam, deram uma ou duas sugestões, mas daí percebi que era muita areia para meu caminhão. Teria que estudar o Plano Diretor, aprender um bocado de coisa técnica ou especializada até baixei no site da Prefeitura uns mapas cheios de siglas, e aí fudeu… ZEI, ZEI-2, vixi… e até que serviu – um pouco – para entender certas mudanças que se iniciaram há algum tempo, mas se acentuaram ultimamente. Se existiu alguma consulta à gente do bairro eu desconheço, pois um prédio instalado onde até sobrados estavam proibidos de serem levantados, ou a permissão para que em determinado local se possa abrir um estabelecimento, onde só havia residências, implica em mudanças sensíveis no modo de vida do morador.

Se fosse uma construção, eu não tinha nem o alicerce, eu ainda estava fazendo o curso de pedreiro, sem chance. Eu já percebia que isso estava ocorrendo também no Ipiranga e dei conta de que eu não havia ainda sequer considerado a vinda do Metrô para esta região e o que costuma suceder quando isso acontece. Fora o “boom imobiliário” pelo qual o País tem passado. Enfim, é demais para uma pessoa só. Começou com o lamentar por uma casinha derrubada aqui, outra lá; uma suspeita de que uma obra próxima não esteja sendo fiscalizada devidamente ou que nem devesse estar ocorrendo; um prédio de 10 andares brotando, outro ali, e tudo então agigantou-se. Menos, Humberto, menos. Caindo na real, decidi que posso, ao menos, acompanhar de longe o andamento das coisas. Se tiver alguma coisa que eu possa escrever aqui, eu escrevo; fazer isso, acho eu que consigo.

E de repente, apareceu – ou eu finalmente soube – o ( a ) político ( a ) carreirista. Surge do nada, sem raízes no bairro, e já quer liderar.

“Credenciais? Papai prefeito de outro município, por exemplo. Noivo, funcionário de gabinete. Liderança: esse bairro está sendo tomado pelo crime? Não tem problema: me relaciono muito bem com o Governador, e já estou exigindo um posto policial aqui para a comunidade. Ah, sabiam que eu estou ME MUDANDO para cá? Pelo menos, é o que um jornal do bairro disse ( e não é o jornal que pertence ao Wagner Salustiano/WAS/Revista de Fato/ Nossa Caixa não ). Tem um outro que não está MORANDO aqui, mas tem mostrado sua fuça por aqui direto… sabe, acho até que vamos tentar transformar esta localidade em um CURRAL ELEITORAL nosso; o Metrô já está chegando – e nós é que fizemos, apesar do atraso de 10 anos – e isso está causando transformações, sem as quais jamais perceberíamos que este lugar existe; o perfil de classe média/ média alta em que vêm se transformando os bairros daqui é justamente o perfil de nosso eleitorado, então temos que estar MUITO PRÓXIMOS da nossa base; a região pode se tornar uma nova trincheira, tipo a Rebouças, então temos que dar muita atenção a este eleitorado exigente, que paga impostos, não quer ser assaltado, quer andar de carro ou Metrô sem problemas, e exige qualidade de vida. Agora temos motivo para fincar nossa bandeira aqui neste rincão.”

Bom, espero que esse texto, que inicialmente não devia ser tão extenso, torne clara a minha forma de pensar. E, finalmente, servirá para entender o título do post e o significado daquele ditado: “Cuidado com o que deseja, pois pode acabar conseguindo”, que, penso tem a ver com a reportagem abaixo, publicada – aí sim – no jornal de bairro O PAULISTANO, que circula por estes lados, em sua edição de número 105 ( de 11 a 16/10/07 ). Notícia local, mas tema de alcance geral.

Vila Zelina pediu policiamento, agora reclama de multas no trânsito
Saudada por comerciantes e moradores do bairro, a chegada há pouco menos de duas semanas da Base Móvel Comunitária da Polícia Militar na Praça República Lituana, em Vila Zelina, está trazendo maior sensação de segurança e ar de tranqüilidade. As principais manifestações da comunidade são de rasgados elogios pela iniciativa. Por coincidência, porém, desde que no mesmo intervalo de tempo um destacamento especial da Polícia Militar passou a fiscalizar o trânsito em toda a cidade, motoristas da região reclamam do excessivo rigor das multas aplicadas perto da Praça República Lituana, o conhecido Largo de Vila Zelina. Esses PMs habilitados a multar estão identificados com braçadeira de cor branca no ombro. Suas investidas não perdoam os mínimos deslizes de indisciplina no trânsito local. Outros alvos de reclamações são as poucas vagas disponíveis para estacionamento na Avenida Zelina, a falta de sinalização de solo e a ausência de placas de orientação. Enquanto isso, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) anuncia reajuste nos valores das multas, que estão congelados há sete anos.

Depois de assaltos, multas geram reclamações
Comerciantes saúdam presença da Base Comunitária Móvel da PM no Largo de Vila Zelina, mas sobram queixas sobre multas
( Legenda para foto ) Base móvel da Polícia Militar é recebida com elogios, mas multas aplicadas por destacamento especial recebem queixas.

( Legenda para foto ) Mesmo com a ação da polícia, infrações continuam, como parar em local proibido.

Saudada por comerciantes e moradores do bairro, a chegada há pouco menos de duas semanas da base móvel da Polícia Militar na Praça República Lituana, em Vila Zelina, está trazendo maior sensação de segurança e ar de tranqüilidade. As principais manifestações da comunidade são de rasgados elogios pela iniciativa. Por coincidência, porém, desde que no mesmo intervalo de tempo um destacamento especial da Polícia Militar passou a fiscalizar o trânsito em toda a cidade, motoristas da região também reclamam do excessivo rigor das multas aplicadas perto da Praça República Lituana, o conhecido Largo de Vila Zelina. Esses PMs habilitados a multar estão identificados com braçadeira de cor branca no ombro. Suas investidas não perdoam os mínimos deslizes de indisciplina no trânsito local.

“Antes as queixas eram com a falta de policiamento e com os constantes assaltos a clientes de bancos, pois ao sacar valores eles tinham seus passos vigiados para os roubos nas ruas e se tornavam vítimas dos ladrões”, comenta o impressor gráfico aposentado Vitor P. Starkovs, morador no bairro há mais de 40 anos. “Agora, escuto diversas reclamações de motoristas que, ao estacionar em fila dupla ou em local proibido, receberam multas recentemente. O ser humano é complicado”. De acordo com Vitor, isso mostra a grave situação a que chegaram as irregularidades e as indisciplinas no trânsito nessa parte do bairro. “Nos dias da feira-livre [sexta-feira], aqui virava um território livre para abusos e precisava de um basta”, relata. “A lei existe para ser respeitada e para oferecer convivência entre as pessoas”. As situações de risco eram freqüentes, antes da instalação da base da PM. “Somente numa noite tivemos duas ocorrências, uma com um senhor que foi pego na Rua Rio do Peixe e teve que sacar dinheiro no Bradesco e entregar seu carro para os bandidos e outra com uma senhora na Rua Manaias”, relata o dono de uma farmácia da Avenida Zelina, Alexandre Casado. “Hoje, estamos notando que a PM também interpela carros e pessoas em atitudes suspeitas”. Para o comerciante aposentado Leandro Vera Fernandes, de 90 anos, e que sempre está observando a movimentação perto do largo, a situação mudou da água para o vinho. “É sempre boa a presença da polícia, que espanta os bandidos”, comenta o aposentado que mora na Vila Zelina há 47 anos. “Desde que eles chegaram, não tive notícia de ocorrência policial”. Já o gerente de uma famosa padaria da praça, Edmilson Barros dos Santos, afirma que no local havia também muitos roubos de carros. “Precisamos que eles [policiais militares] também possam ficar à noite ou até mesmo 24 horas”, observa. “Sei que estão batalhando para isso virar realidade”.

PAPEL DA POLÍCIA “Não estou pedindo vista grossa, mas tolerância da PM para certas situações, pois não há locais disponíveis para estacionar e comprar remédio na farmácia”, reclama a comerciante Edileuza Peres. Ela reside no Jardim Avelino e vai quase que diariamente aos estabelecimentos comerciais da Vila Zelina. Recentemente, foi multada por estacionar quase na esquina da Rua Inácio com o Largo de Vila Zelina. “Estou pedindo um pouco de compreensão, mesmo porque meu carro não estava atrapalhando o fluxo de trânsito”. O dono de um açougue das proximidades, Valdemar Loureiro Filho, acredita que o policiamento da base móvel é sempre bem-vindo, pois traz mais segurança, mas faz algumas ressalvas na questão do monitoramento do trânsito por outros policiais. “A aplicação de multas deveria continuar exclusiva com os agentes da CET [Companhia de Engenharia de Tráfego], pois o papel da polícia é na questão da segurança pública, no combate aos assaltantes”, argumenta. “A polícia militar deveria sim, ao ver irregularidades, acionar os ‘marronzinhos’ para cuidar do trânsito e até multar quem comete essas infrações”.

Para o vendedor de uma loja das proximidades do largo, Reinaldo Gomes Conrado, as multas estão sendo aplicadas de forma contínua. “O pessoal faz coisas erradas como dirigir sem cinto de segurança, atendendo aos telefonemas nos celulares e parando em locais proibidos. As multas não são de graça”, comenta. “Mas até que melhorou, pois já faz mais de uma semana que são raros os motoristas que param em fila dupla na frente dos bancos”. Uma das pessoas mais indignadas não propriamente com as multas, mas com a falta de coerência da Prefeitura, é o bancário aposentado, Nelson F. Castanho de Bastos. “Se pelo menos o dinheiro arrecadado com as multas fosse investido em melhorar as condições do trânsito, seria justo”, argumenta. “Há anos estamos solicitando pinturas de faixas para travessia e até agora nada”. Já o projetista mecânico Paulino Jorge prefere enaltecer o bom comportamento dos motoristas, mas aponta o mesmo problema da ausência das faixas. “O motorista que obedece à sinalização jamais vai receber multa, mas deve-se considerar que a falta de sinalização [horizontal] e vertical [placas] podem fazer com que elas sejam anuladas”, disse. “A faixa de pedestre é sinal de cidadania e não entendo porque a CET [Companhia de Engenharia de Tráfego] não atende às reivindicações. Afinal, qual o custo da pintura de uma faixa em relação ao montante obtido com as multas?”, questiona.

outubro 4, 2007

Vila Zelina: eu sou CONTRA a instalação de um posto policial

É o seguinte: tem uma dama do Partido Verde que, até onde sei, tem ( ou teve ) seu curral eleitoral em Mauá. Amiguinha do PSDB, ela e mais um outro que nunca esteve morando aqui estão, aos poucos, tentando criar uma área de influência no bairro de Vila Prudente, e eu não entendo porquê, já que papai da dama é prefeito de Mauá e, até onde eu saiba, este município apresenta carências e desafios muito mais a ser enfrentados que o bairro de Vila Zelina.
Aqui, um bairro que, aos poucos e progressivamente vem sendo pilhado e saqueado pela especulação imobiliária.
Faz tempo que estou para escrever sobre isso, mas sempre acho que não sei o suficiente. Vai na raça, com o coração e com o fígado.
Este bairro ( leiam os posts anteriores ) já foi o bairro mais sossegado desta cidade, e não há muito. Residencial e sem prédios ( um ou dois ). Casas antigas, em bom estado, do tipo que tem mutos e portões baixos e jardins na frente do imóvel. Chegava a ser chato, até. Muitos idosos. Poucas casas comerciais.
E, de repente ( eu não sei como nem quando ) veio o progresso. Esqueci das aspas.
As ruas ficaram estreitas para tantos carros. Os jardins foram cimentados. As casas colocadas abaixo e em seus terrenos construídos dois ou três residências – extremamente apertadas, claro – e vagas para automóveis. Os muros cresceram. As belíssimas escolas modernas de arquitetura deram as caras e fizeram uma plástica no bairro.
Eu sei bem que está resumido, mas este é o aspecto mais aparente. Eu não faço idéia de quantas casas antigas foram derrubadas e nem quantos prédios apareceram, mas uma coisa é certa: isso aqui não é mais tão sossegado.
Vê só: um dos principais atrativos deste bairro é justamente o que está levando-o a perdê-lo: a tranquilidade ( inclua-se aí a tão procurada “segurança” ).
Já fui assaltado. Cerca de 5 ou 6 vezes, num comércio ( na região de Pinheiros/ Jd. América ) em que trabalhava ( sozinho, por sinal, e à noite ). Sempre à mão armada. Num destes eu reagi e, não fossem os dois sujeitos em nada parecidos com o que o Marcelo Rezende ou o Datena mostra toda noite, teriam me matado, só que não o fizeram. Acho que um pouco das crises de pânico que eu tive vieram daí. Bastaria terem me matado. Ponto final. Vivinho da Silva.
Conclusão: não tenho o perfil de “defensor dos direitos humanos para bandidos” ( se é que isso existe ) e, em tese, não teria motivos para isso. Pelo contrário, eu deveria ser o tipo paranóico e metido a valente, daqueles que chegam no lugar – tipo, na padaria – com seu jeito expansivo, falando alto e forte, sempre com uma notícia policial na ponta da língua e dando a entender que, quando tiver concurso público para isso, vai dormir na porta para pegar o melhor lugar na fila de admissão para carrasco. Vai assistir o “Tropa de Elite” umas dez vezes. Manja, aquele sujeito que tá sempre com um cano na cintura ou no porta-luvas, sempre exibindo pros amigos, com a desculpa de que tem que “se proteger de vagabundos”, mas acaba usando em briga de trânsito ou de bar, por causa de mulher. Entendeu, né? O cara que diz ser macho, só que precisa provar isso o tempo todo. O tal que é contra a restrição ao porte e uso de armas. Não se garante contra as ameaças que, na maioria das vezes, tá em sua cabeça.
Não é policial. Eu os chamo de paga-pau de polícia – apesar de que, curiosamente, têm o maior preconceito contra os caras ( os policiais ) que arriscam a vida para proteger seu patrimônio maior ( o carro, não é a vida, não ) – e mantém um discurso meio ambíguo, de acordo com a audiência e conveniência.
Muito parecidos com o camarada de classe-média que reclama do menor de rua mas não tá nem aí quando surgem denúncias que a Nestlé ou a Coca-Cola envenenam ou exaurem fontes de água potável, o típico paga-pau de patrão. Reclama do chefe mas quer, ardentemente virar chefe, e é capaz de quase tudo para atingir seu objetivo ambicioso. Grana manda.
Ambiciosos e extremamente apegados aos bens materiais, desejam que a roda do Estado gire sempre a seu favor e de sua mesquinhez. Votam por interesse, mas se queixam de que outro faça igual. Gastam 300 reais de conta do celular – que a filha usa durante as aulas ( eu disse DURANTE ) – desperdiçam água lavando o asfalto e o carro, fazem o diabo para sonegar e passar os outros para trás, mas são os primeiros a apontar o dedo acusador para o Governo, quando este se dispõe a suprir, minimamente, as necessidades de outros.
Ganhar e roubar, para eles têm o mesmo significado. Um Bolsa-Família, por exemplo, para este sujeito que descrevo, é um roubo.
Mas não só: receber uma multa merecida de trânsito é um roubo. Rodízio de automóveis é um roubo.
O Governo, os sem-terra, a CET e o PCC estão na esquina, escondidos, prestes a dar o bote. Vão tirar tudo o que ele tem de importante: carro, relógio, celular. Às vezes ele é morto pelos delinqüentes, e isso é notícia e deverá ser foco de todas as atenções do aparelho repressivo, já que quem morreu era um sujeito honesto, inteligente, trabalhador, pagador de impostos e tinha um futuro pela frente, uma família bonita.
Seus semelhantes vão cuidar de manter o assunto na pauta. Vão cobrar providências. Vão pressionar. Os bodes expiatórios que se cuidem – uma pessoa ou um monte delas – pois, ao contrário do sujeito acima, não têm nome, sobrenome, diploma superior ou Cursinho Universitário caro, família considerada, carreira profissional a ser mencionada como “prova” de inquestionável superioridade moral, estes destaques sociais todos que fazem a vítima merecer atenção especial do Governo. Já uma chacina, esta é espetacular ( no sentido de “espetáculo” ) mas só. Gado tem sempre a mesma cara e cai logo no esquecimento. A gente acostuma, tão comum se torna a morte no atacado de pessoas que moram na multidão. Mais um Silva morreu, mas qual? Tem tantos. Mas se um membro – ou a família inteira – Rodovalho de Mesquita Vergueiro – na ( mais que improvável ) hipótese de que seja vítima de uma chacina policial, a Cidade “ganhará” um Memorial em sua homenagem. Destaque. Lágrimas e editoriais.
Eu me distraio…
Pois bem, depois de tantas voltas, chego ao ponto: qual a razão de um posto policial no bairro ( Vila Zelina ) ? Moro aqui há mais de 30 anos. A região – majoritariamente a Vila Prudente, como Subdistrito – teve vários candidatos a diversos cargos eletivos. Cito, de memória: Anercides Valente, Manoel Sala, João Prando, Brasil Vita ( este acho que não morou aqui, mas aqui é seu curral eleitoral ), Adriano Diogo, mas jamais vi alguém se colocar à frente dos supostos interesses da Vila Zelina, como a Dama do PV. Um senhor que não está “morando” aqui também gosta de tirar uma casquinha do bairro. Não sei dizer ainda o porquê, mas meu palpite é que ( eu ainda não mencionei ) o perfil sócio-econômico do bairro e dos adjacentes teve uma mudança – para cima -, em termos aquisitivos e veio gente de “fora”, talvez fugindo da falta de “segurança” e excesso de trânsito de outros bairros da Capital e buscando, também, bons lugares, só que um pouco mais baratos. Quando encontram, tratam de transformá-lo naquilo que deixaram para trás… É o tipo de público que tem suas demandas e reclamações de classe-média alta prontamente acolhidos pelo poder público, ainda mais considerando que é o eleitor alvo do PSDB, o perfil padrão e entre suas demandas, a segurança ocupa lugar privilegiado, já que ( em sua própria opinião ), eles têm mais coisas importantes a perder que nós, proletas.
Mas eles não têm motivos, coitados? Esse lugar, a Vila Zelina, não é um local idílico?
Não, não é. Tá cheio de assalto. É direto.
Mas adivinha quem trouxe junto.

abril 27, 2007

Para quê serve o Partido Verde?

Filed under: Partido Verde, PSDB, Vila Zelina — Humberto @ 3:48 am

Esta mulher, levando seu apoio a Alckmin, durante evento batizado “ABC Decente” ( Apagão Educacional Continuado version: “ABÇ Dessente” ) é Vanessa Damo, do PV. Foi eleita Deputada Estadual na última eleição, tendo sua base no pobre município de Mauá, no ABCDM.

Jornal daqui do bairro ( Vila Prudente, SP ) diz que ela estaria se mudando para nossa região. Outro dia, falou um colunista, a nossa deputada manifesta sua vontade de lutar pelo bairro, a começar pela tentativa de instalar um posto policial permanente no Largo de Vila Zelina.

Este bairro, antes de ser tomado pelos bucaneiros da especulação imobiliária e invadido pela classe ( co) média ( que sabe-se-lá de onde veio ) era tranquilo lugar, uma ilha de sossego incrustada na Zona Leste. Após a invasão bárbara, que trouxe consigo a verticalização e o trânsito de automóveis massivo, isso aqui virou um lugar qualquer. Tipo esses bairros que aparecem no JT, com a burguesia-menor reclamando de “violência” e “assaltos”.

A mulher não deve saber que o sr. Penna, candidato a governador do PV, propôs um tipo de policiamento comunitário, diferente dessas experiências truculentas que a dona Damo prega. E, sendo um partido “verde”, deveria ser questão de honra para este partido combater a verticalização e a especulação imobiliária, além dos automóveis. Só que a dona Damo, que enfrenta problemas junto aos tibunais eleitorais não deve ter sangue verde de verdade, como o partido reboque do PSDB que tornou-se essa legenda ridícula.

( OBS ): A foto que ilustra o post deve ser relativa a outro evento. As fotos a que me refiro no início saíram de circulação e eu não consigo localizá-las. Vão se virando com essa mesmo.

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