Kátia Leite
Conforme a Folha publicou com exclusividade na última edição, os trabalhos de abertura do túnel que vai ligar as estações Tamanduateí e Vila Prudente, da Linha 2 – Verde do Metrô, foram suspensos na terça-feira retrasada, dia 4, depois que técnicos da construtora Odebrecht, responsável pela obra, constataram o rebaixamento de cerca de 4 centímetros no terreno sobre o túnel, além de acúmulo excessivo de água. Por medida preventiva de segurança, cinco imóveis das ruas Oliveira Gouveia e Pires Pimentel foram interditados e os moradores alojados em hotéis. A escavação do subsolo só foi retomada na última segunda-feira, dia 11, depois que as medições realizadas a cada duas horas no terreno não acusaram novas alterações. Na mesma data, as residências foram liberadas para o retorno das famílias.
A construtora Odebrecht informou ontem à Folha que a paralisação da obra não vai provocar atraso no cronograma estipulado porque os trabalhos estavam adiantados quando surgiu o problema. A previsão da Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô é que as estações Tamanduateí e Vila Prudente entrem em operação no primeiro trimestre de 2010. Ainda de acordo com a Odebrecht a infiltração no subsolo foi solucionada com a execução de drenagens profundas adicionais a vácuo. O excesso de água pode ter sido decorrente das próprias condições do terreno, antiga várzea do córrego da Mooca ( hoje canalizado sob a avenida Anhaia Mello ) e que ainda hoje sofre com problemas de alagamentos. Vale lembrar que o mês de julho bateu recorde histórico de chuvas.
Faltam cerca de 40 metros para conclusão da escavação a cargo da Odebrecht. Este túnel vai se encontrar com o que será perfurado pela construtora Andrade Gutierrez a partir do poço da estação Vila Prudente. Os moradores começaram a retornar aos imóveis na tarde da segunda-feira e destacaram a pronta assessoria que receberam da construtora e do Metrô. “Nos detalharam o que estava acontecendo e entendemos a situação, antigamente aqui era só terra, argila, areia e água.
Garagem foi escorada na rua Pires Pimentel e dentro do imóvel, paredes chegam a ter buracos
Mas, foi um susto e estamos felizes por voltar para casa”, comentam os moradores do número 71 da rua Oliveira Gouveia, Valmir e Deise Marsola, que passaram uma semana em um hotel na Mooca.
No local eles ainda mantém um comércio e informaram que a construtora vai negociar a parte financeira. “Como tiveram que desligar a energia elétrica, perdi coisas no refrigerador, além dos dias que fiquei parado”, comenta Valmir cuja família é proprietária do imóvel há 50 anos.
Rachaduras
A vizinhança comenta que não são as residências do trecho interditado na semana passada que apresentam os piores problemas de rachaduras e portas emperradas.
No bar localizado na esquina oposta a das casas evacuadas, há um rasgo na parede e a porta do banheiro já não fecha direito por conta do desalinhamento do solo.
A sua vizinha na rua Oliveira Gouveia chega a ter buracos abertos na parede. “Os funcionários da construtora vêm olhar e fazem marcações na parede. Falam que preciso esperar a obra acabar para arrumar”, comenta a moradora Geraldina Amorim. Ela também teve que cortar parte da porta de entrada que não estava fechando.
Na Oliveira Gouveia moradora teve que cortar parte da porta
Na rua Pires Pimentel, o imóvel no número 222 está com a garagem escorada por madeiras e soma grande quantidade de rachaduras, que também chegam a formar buracos por toda residência. “Mudei para esta casa há três meses e estava em ordem. Fico assustada com esta situação, dá muito medo, mas os técnicos vêm fazendo visitas periódicas e falam que não tem risco”, comenta Gladis Montgomery Rubba que desde que veio do Uruguai há 40 anos, vive na região. Sua vizinha, Leila de Oliveira, também viu rasgos surgirem nos quartos e lavanderia, mas, o grande problema é a porta de passagem da cozinha para o quintal. “Ela emperra de tal forma que não tenho força para abrir. Também tive problema nos azulejos. Me garantiram que tudo isso será consertado no término da obra”, comenta.
A construtora Odebrecht informou em nota encaminhada à redação que “após a conclusão do túnel, os danos serão reparados, tendo como base a vistoria prévia realizada nos imóveis antes das obras”. A assessoria do Metrô também foi indagada, mas não se pronunciou até o fechamento desta edição.






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