ENCALHE

julho 28, 2008

Carta a governadora Yeda crusius – julho 2008. – PDF 25K

CULTIVA.ORG.BR
Exma. Sra
Dra. Yeda Crusius
M.D. Governadora do Rio Grande do Sul
Palácio do Piratini- Porto Aelgre
gabinete.governadora@gg.gov.rs.br
Ilustre governadora,
Tomamos conhecimento pela imprensa, e por denuncias comprovadas realizadas por
parlamentares, entidades de direitos humanos e movimentos sociais gaúchos, sobre a prática
abusiva da Policia Militar do Rio grande do sul, na repressão aos movimentos sociais, cuja
responsabilidade direta é sua.
Comprovamos que sua politica de repressão aos movimentos sociais tem sido marcada pela
violencia e pelo impedimento do livre direito de manifestação.
Tomamos conhecimento dos seguintes fatos:
* Em 30 de setembro de 2006, Jair da Costa é assassinado em uma mobilização dos
sapateiros em defesa do emprego, em Sapiranga, no Vale dos Sinos. (ocorrido ainda no
governo anterior)
* Em 24 de abril de 2007 em Farroupilha, um protesto dos comerciários contra o trabalho no
domingo em frente a matriz das lojas Colombo, houve pancadaria e prisões.
* Em 26 de abril de 2007 em Panambi, paralisação na Tromink, repressão policial, identificação
e processo judicial de três dirigentes da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos.
* Em junho de 2007 uma ocupação do plenário da Assembléia Legislativa, por ocasião da
venda das ações do BANRISUL, responsabilização judicial de representantes da CUT.
* Em setembro e outubro de 2007 o MST realiza uma marcha a Coqueiros do sul, ao chegar
próximo o judiciário decreta o impedimento de entrar na comarca de Carazinho, sendo esta
composta de cinco municípios, aqui o direito de ir e vir foi suspenso.
* Em 30 de novembro de 2007 em ocupação do Prédio Vazio da CORLAC em Porto Alegre
pelo MTD, condução em fila indiana de 600 pessoas para três delegacias para identificação e
processo judicial.
* Em janeiro deste ano o MST realiza um encontro estadual com 1.100 pessoas em um dos
seus
assentamentos em Sarandi e a BM monta um aparato com 600 soldados para revistar todos
em busca de um anel, 200,00 reais e uma máquina fotográfica.
* Em fevereiro de 2008 o ELAOPA, encontro latino americano de organizações populares fez
manifestações em Porto Alegre, usando o teatro como ferramenta de comunicação, foi
reprimido e dispersado.
* Em 08 de março de 2008 repressão violenta com prisões das mulheres da Via Campesina em
função de protesto contra a invasão das faixas de fronteiras por empresas multinacionais, em
especial a Stora Enzo..
* Em 14 de março de 2008 uma atividade de protesto na SEC por parte dos professores
ligados ao
CPERS denunciando a enturmação e o fechamento de mais de 100 escolas, foram reprimidos
e lideranças presas.
* Em maio de 2008, em São Gabriel um forte aparato revista os acampados, separando as
crianças das mães por horas, impedindo a presença de deputados para acompanhar as
arbitrariedades da tal revista.
* Em 20 de maio de 2008 em Porto Alegre, o Levante da Juventude fez um manifestação em
frente a SEC, denunciando a precariedade do ensino público estadual e o fechamento de
escolas e estes também foram reprimidos sendo dois militantes presos.
* Em 11 de junho de 2008, repressão violenta com mais de uma dezena de feridos e mais de
uma dezena de prisões em função de um protesto no pátio do mercado nacional em Porto
Alegre com movimentos do campo e da cidade. O protesto era contra o alto preço dos
alimentos e o monocultivo de eucaliptos.
O direito de manifestação esta garantido no artigo V da Constituição Federal. Em todos os
tempos as sociedades de classes foram e são marcadas por profundas contradições. Os
conflitos de posição, de idéias, opiniões a cerca de como se da a organização das sociedades
é algo que ainda que alguns queiram, jamais será abolida.
Que motivações teria seu governo em aplicar tamanha repressão aos movimentos sociais e
sua slideranças?
Que interesses produziram esse grau de repressão, perseguição, criminalização?
Diante disso tudo, vimos a sua presença, protestar contra essa política repressiva, e ao
mesmo tempo exigir que se garanta o direito de manifestação, o direito de organização, o
direito universal e historico que a classe trabalhadora e os povos tem de lutarem sempre pelos
seus direitos, e pela melhoria das condiçoes de vida.
atenciosamente.
( LOCAL, DATA…
NOMES

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M.D. Governadora do Rio Grande do Sul
Palácio do Piratini- Porto Aelgre
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Ilustre governadora,
Tomamos conhecimento pela imprensa, e por denuncias comprovadas realizadas por
parlamentares, entidades de direitos humanos e movimentos sociais gaúchos, sobre a prática
abusiva da Policia Militar do Rio grande do sul, na repressão aos movimentos sociais, cuja
responsabilidade direta é sua.
Comprovamos que sua politica de repressão aos movimentos sociais tem sido marcada pela
violencia e pelo impedimento do livre direito de manifestação.
Tomamos conhecimento dos seguintes fatos:
* Em 30 de setembro de 2006, Jair da Costa é assassinado em uma mobilização dos
sapateiros em defesa do emprego, em Sapiranga, no Vale dos Sinos. (ocorrido ainda no
governo anterior)
* Em 24 de abril de 2007 em Farroupilha, um protesto dos comerciários contra o trabalho no
domingo em frente a matriz das lojas Colombo, houve pancadaria e prisões.
* Em 26 de abril de 2007 em Panambi, paralisação na Tromink, repressão policial, identificação
e processo judicial de três dirigentes da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos.
* Em junho de 2007 uma ocupação do plenário da Assembléia Legislativa, por ocasião da
venda das ações do BANRISUL, responsabilização judicial de representantes da CUT.
* Em setembro e outubro de 2007 o MST realiza uma marcha a Coqueiros do sul, ao chegar
próximo o judiciário decreta o impedimento de entrar na comarca de Carazinho, sendo esta
composta de cinco municípios, aqui o direito de ir e vir foi suspenso.
* Em 30 de novembro de 2007 em ocupação do Prédio Vazio da CORLAC em Porto Alegre
pelo MTD, condução em fila indiana de 600 pessoas para três delegacias para identificação e
processo judicial.
* Em janeiro deste ano o MST realiza um encontro estadual com 1.100 pessoas em um dos
seus
assentamentos em Sarandi e a BM monta um aparato com 600 soldados para revistar todos
em busca de um anel, 200,00 reais e uma máquina fotográfica.
* Em fevereiro de 2008 o ELAOPA, encontro latino americano de organizações populares fez
manifestações em Porto Alegre, usando o teatro como ferramenta de comunicação, foi
reprimido e dispersado.
* Em 08 de março de 2008 repressão violenta com prisões das mulheres da Via Campesina em
função de protesto contra a invasão das faixas de fronteiras por empresas multinacionais, em
especial a Stora Enzo..
* Em 14 de março de 2008 uma atividade de protesto na SEC por parte dos professores
ligados ao
CPERS denunciando a enturmação e o fechamento de mais de 100 escolas, foram reprimidos
e lideranças presas.
* Em maio de 2008, em São Gabriel um forte aparato revista os acampados, separando as
crianças das mães por horas, impedindo a presença de deputados para acompanhar as
arbitrariedades da tal revista.
* Em 20 de maio de 2008 em Porto Alegre, o Levante da Juventude fez um manifestação em
frente a SEC, denunciando a precariedade do ensino público estadual e o fechamento de
escolas e estes também foram reprimidos sendo dois militantes presos.
* Em 11 de junho de 2008, repressão violenta com mais de uma dezena de feridos e mais de
uma dezena de prisões em função de um protesto no pátio do mercado nacional em Porto
Alegre com movimentos do campo e da cidade. O protesto era contra o alto preço dos
alimentos e o monocultivo de eucaliptos.
O direito de manifestação esta garantido no artigo V da Constituição Federal. Em todos os
tempos as sociedades de classes foram e são marcadas por profundas contradições. Os
conflitos de posição, de idéias, opiniões a cerca de como se da a organização das sociedades
é algo que ainda que alguns queiram, jamais será abolida.
Que motivações teria seu governo em aplicar tamanha repressão aos movimentos sociais e
sua slideranças?
Que interesses produziram esse grau de repressão, perseguição, criminalização?
Diante disso tudo, vimos a sua presença, protestar contra essa política repressiva, e ao
mesmo tempo exigir que se garanta o direito de manifestação, o direito de organização, o
direito universal e historico que a classe trabalhadora e os povos tem de lutarem sempre pelos
seus direitos, e pela melhoria das condiçoes de vida.
atenciosamente.
( LOCAL, DATA…
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Palácio do Piratini- Porto Aelgre
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Ilustre governadora,
Tomamos conhecimento pela imprensa, e por denuncias comprovadas realizadas por
parlamentares, entidades de direitos humanos e movimentos sociais gaúchos, sobre a prática
abusiva da Policia Militar do Rio grande do sul, na repressão aos movimentos sociais, cuja
responsabilidade direta é sua.
Comprovamos que sua politica de repressão aos movimentos sociais tem sido marcada pela
violencia e pelo impedimento do livre direito de manifestação.
Tomamos conhecimento dos seguintes fatos:
* Em 30 de setembro de 2006, Jair da Costa é assassinado em uma mobilização dos
sapateiros em defesa do emprego, em Sapiranga, no Vale dos Sinos. (ocorrido ainda no
governo anterior)
* Em 24 de abril de 2007 em Farroupilha, um protesto dos comerciários contra o trabalho no
domingo em frente a matriz das lojas Colombo, houve pancadaria e prisões.
* Em 26 de abril de 2007 em Panambi, paralisação na Tromink, repressão policial, identificação
e processo judicial de três dirigentes da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos.
* Em junho de 2007 uma ocupação do plenário da Assembléia Legislativa, por ocasião da
venda das ações do BANRISUL, responsabilização judicial de representantes da CUT.
* Em setembro e outubro de 2007 o MST realiza uma marcha a Coqueiros do sul, ao chegar
próximo o judiciário decreta o impedimento de entrar na comarca de Carazinho, sendo esta
composta de cinco municípios, aqui o direito de ir e vir foi suspenso.
* Em 30 de novembro de 2007 em ocupação do Prédio Vazio da CORLAC em Porto Alegre
pelo MTD, condução em fila indiana de 600 pessoas para três delegacias para identificação e
processo judicial.
* Em janeiro deste ano o MST realiza um encontro estadual com 1.100 pessoas em um dos
seus
assentamentos em Sarandi e a BM monta um aparato com 600 soldados para revistar todos
em busca de um anel, 200,00 reais e uma máquina fotográfica.
* Em fevereiro de 2008 o ELAOPA, encontro latino americano de organizações populares fez
manifestações em Porto Alegre, usando o teatro como ferramenta de comunicação, foi
reprimido e dispersado.
* Em 08 de março de 2008 repressão violenta com prisões das mulheres da Via Campesina em
função de protesto contra a invasão das faixas de fronteiras por empresas multinacionais, em
especial a Stora Enzo..
* Em 14 de março de 2008 uma atividade de protesto na SEC por parte dos professores
ligados ao
CPERS denunciando a enturmação e o fechamento de mais de 100 escolas, foram reprimidos
e lideranças presas.
* Em maio de 2008, em São Gabriel um forte aparato revista os acampados, separando as
crianças das mães por horas, impedindo a presença de deputados para acompanhar as
arbitrariedades da tal revista.
* Em 20 de maio de 2008 em Porto Alegre, o Levante da Juventude fez um manifestação em
frente a SEC, denunciando a precariedade do ensino público estadual e o fechamento de
escolas e estes também foram reprimidos sendo dois militantes presos.
* Em 11 de junho de 2008, repressão violenta com mais de uma dezena de feridos e mais de
uma dezena de prisões em função de um protesto no pátio do mercado nacional em Porto
Alegre com movimentos do campo e da cidade. O protesto era contra o alto preço dos
alimentos e o monocultivo de eucaliptos.
O direito de manifestação esta garantido no artigo V da Constituição Federal. Em todos os
tempos as sociedades de classes foram e são marcadas por profundas contradições. Os
conflitos de posição, de idéias, opiniões a cerca de como se da a organização das sociedades
é algo que ainda que alguns queiram, jamais será abolida.
Que motivações teria seu governo em aplicar tamanha repressão aos movimentos sociais e
sua slideranças?
Que interesses produziram esse grau de repressão, perseguição, criminalização?
Diante disso tudo, vimos a sua presença, protestar contra essa política repressiva, e ao
mesmo tempo exigir que se garanta o direito de manifestação, o direito de organização, o
direito universal e historico que a classe trabalhadora e os povos tem de lutarem sempre pelos
seus direitos, e pela melhoria das condiçoes de vida.
atenciosamente.
( LOCAL, DATA…
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Carta a governadora Yeda crusius – julho 2008. – PDF 25K

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Ilustre governadora,
Tomamos conhecimento pela imprensa, e por denuncias comprovadas realizadas por
parlamentares, entidades de direitos humanos e movimentos sociais gaúchos, sobre a prática
abusiva da Policia Militar do Rio grande do sul, na repressão aos movimentos sociais, cuja
responsabilidade direta é sua.
Comprovamos que sua politica de repressão aos movimentos sociais tem sido marcada pela
violencia e pelo impedimento do livre direito de manifestação.
Tomamos conhecimento dos seguintes fatos:
* Em 30 de setembro de 2006, Jair da Costa é assassinado em uma mobilização dos
sapateiros em defesa do emprego, em Sapiranga, no Vale dos Sinos. (ocorrido ainda no
governo anterior)
* Em 24 de abril de 2007 em Farroupilha, um protesto dos comerciários contra o trabalho no
domingo em frente a matriz das lojas Colombo, houve pancadaria e prisões.
* Em 26 de abril de 2007 em Panambi, paralisação na Tromink, repressão policial, identificação
e processo judicial de três dirigentes da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos.
* Em junho de 2007 uma ocupação do plenário da Assembléia Legislativa, por ocasião da
venda das ações do BANRISUL, responsabilização judicial de representantes da CUT.
* Em setembro e outubro de 2007 o MST realiza uma marcha a Coqueiros do sul, ao chegar
próximo o judiciário decreta o impedimento de entrar na comarca de Carazinho, sendo esta
composta de cinco municípios, aqui o direito de ir e vir foi suspenso.
* Em 30 de novembro de 2007 em ocupação do Prédio Vazio da CORLAC em Porto Alegre
pelo MTD, condução em fila indiana de 600 pessoas para três delegacias para identificação e
processo judicial.
* Em janeiro deste ano o MST realiza um encontro estadual com 1.100 pessoas em um dos
seus
assentamentos em Sarandi e a BM monta um aparato com 600 soldados para revistar todos
em busca de um anel, 200,00 reais e uma máquina fotográfica.
* Em fevereiro de 2008 o ELAOPA, encontro latino americano de organizações populares fez
manifestações em Porto Alegre, usando o teatro como ferramenta de comunicação, foi
reprimido e dispersado.
* Em 08 de março de 2008 repressão violenta com prisões das mulheres da Via Campesina em
função de protesto contra a invasão das faixas de fronteiras por empresas multinacionais, em
especial a Stora Enzo..
* Em 14 de março de 2008 uma atividade de protesto na SEC por parte dos professores
ligados ao
CPERS denunciando a enturmação e o fechamento de mais de 100 escolas, foram reprimidos
e lideranças presas.
* Em maio de 2008, em São Gabriel um forte aparato revista os acampados, separando as
crianças das mães por horas, impedindo a presença de deputados para acompanhar as
arbitrariedades da tal revista.
* Em 20 de maio de 2008 em Porto Alegre, o Levante da Juventude fez um manifestação em
frente a SEC, denunciando a precariedade do ensino público estadual e o fechamento de
escolas e estes também foram reprimidos sendo dois militantes presos.
* Em 11 de junho de 2008, repressão violenta com mais de uma dezena de feridos e mais de
uma dezena de prisões em função de um protesto no pátio do mercado nacional em Porto
Alegre com movimentos do campo e da cidade. O protesto era contra o alto preço dos
alimentos e o monocultivo de eucaliptos.
O direito de manifestação esta garantido no artigo V da Constituição Federal. Em todos os
tempos as sociedades de classes foram e são marcadas por profundas contradições. Os
conflitos de posição, de idéias, opiniões a cerca de como se da a organização das sociedades
é algo que ainda que alguns queiram, jamais será abolida.
Que motivações teria seu governo em aplicar tamanha repressão aos movimentos sociais e
sua slideranças?
Que interesses produziram esse grau de repressão, perseguição, criminalização?
Diante disso tudo, vimos a sua presença, protestar contra essa política repressiva, e ao
mesmo tempo exigir que se garanta o direito de manifestação, o direito de organização, o
direito universal e historico que a classe trabalhadora e os povos tem de lutarem sempre pelos
seus direitos, e pela melhoria das condiçoes de vida.
atenciosamente.
( LOCAL, DATA…
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Carta a governadora Yeda crusius – julho 2008. – PDF 25K

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Exma. Sra
Dra. Yeda Crusius
M.D. Governadora do Rio Grande do Sul
Palácio do Piratini- Porto Aelgre
gabinete.governadora@gg.gov.rs.br
Ilustre governadora,
Tomamos conhecimento pela imprensa, e por denuncias comprovadas realizadas por
parlamentares, entidades de direitos humanos e movimentos sociais gaúchos, sobre a prática
abusiva da Policia Militar do Rio grande do sul, na repressão aos movimentos sociais, cuja
responsabilidade direta é sua.
Comprovamos que sua politica de repressão aos movimentos sociais tem sido marcada pela
violencia e pelo impedimento do livre direito de manifestação.
Tomamos conhecimento dos seguintes fatos:
* Em 30 de setembro de 2006, Jair da Costa é assassinado em uma mobilização dos
sapateiros em defesa do emprego, em Sapiranga, no Vale dos Sinos. (ocorrido ainda no
governo anterior)
* Em 24 de abril de 2007 em Farroupilha, um protesto dos comerciários contra o trabalho no
domingo em frente a matriz das lojas Colombo, houve pancadaria e prisões.
* Em 26 de abril de 2007 em Panambi, paralisação na Tromink, repressão policial, identificação
e processo judicial de três dirigentes da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos.
* Em junho de 2007 uma ocupação do plenário da Assembléia Legislativa, por ocasião da
venda das ações do BANRISUL, responsabilização judicial de representantes da CUT.
* Em setembro e outubro de 2007 o MST realiza uma marcha a Coqueiros do sul, ao chegar
próximo o judiciário decreta o impedimento de entrar na comarca de Carazinho, sendo esta
composta de cinco municípios, aqui o direito de ir e vir foi suspenso.
* Em 30 de novembro de 2007 em ocupação do Prédio Vazio da CORLAC em Porto Alegre
pelo MTD, condução em fila indiana de 600 pessoas para três delegacias para identificação e
processo judicial.
* Em janeiro deste ano o MST realiza um encontro estadual com 1.100 pessoas em um dos
seus
assentamentos em Sarandi e a BM monta um aparato com 600 soldados para revistar todos
em busca de um anel, 200,00 reais e uma máquina fotográfica.
* Em fevereiro de 2008 o ELAOPA, encontro latino americano de organizações populares fez
manifestações em Porto Alegre, usando o teatro como ferramenta de comunicação, foi
reprimido e dispersado.
* Em 08 de março de 2008 repressão violenta com prisões das mulheres da Via Campesina em
função de protesto contra a invasão das faixas de fronteiras por empresas multinacionais, em
especial a Stora Enzo..
* Em 14 de março de 2008 uma atividade de protesto na SEC por parte dos professores
ligados ao
CPERS denunciando a enturmação e o fechamento de mais de 100 escolas, foram reprimidos
e lideranças presas.
* Em maio de 2008, em São Gabriel um forte aparato revista os acampados, separando as
crianças das mães por horas, impedindo a presença de deputados para acompanhar as
arbitrariedades da tal revista.
* Em 20 de maio de 2008 em Porto Alegre, o Levante da Juventude fez um manifestação em
frente a SEC, denunciando a precariedade do ensino público estadual e o fechamento de
escolas e estes também foram reprimidos sendo dois militantes presos.
* Em 11 de junho de 2008, repressão violenta com mais de uma dezena de feridos e mais de
uma dezena de prisões em função de um protesto no pátio do mercado nacional em Porto
Alegre com movimentos do campo e da cidade. O protesto era contra o alto preço dos
alimentos e o monocultivo de eucaliptos.
O direito de manifestação esta garantido no artigo V da Constituição Federal. Em todos os
tempos as sociedades de classes foram e são marcadas por profundas contradições. Os
conflitos de posição, de idéias, opiniões a cerca de como se da a organização das sociedades
é algo que ainda que alguns queiram, jamais será abolida.
Que motivações teria seu governo em aplicar tamanha repressão aos movimentos sociais e
sua slideranças?
Que interesses produziram esse grau de repressão, perseguição, criminalização?
Diante disso tudo, vimos a sua presença, protestar contra essa política repressiva, e ao
mesmo tempo exigir que se garanta o direito de manifestação, o direito de organização, o
direito universal e historico que a classe trabalhadora e os povos tem de lutarem sempre pelos
seus direitos, e pela melhoria das condiçoes de vida.
atenciosamente.
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junho 13, 2008

Três empresas apenas controlam 98% do mercado de fertilizantes, o que acarreta no aumento dos preços dos alimentos!

“Bunge tem responsabilidade no encarecimento dos alimentos”, afirmam agricultores
A transnacional Bunge foi alvo de protestos no município de Araucária, no Paraná, nesta quinta-feira (12). Cerca de 700 trabalhadores foram para frente da fábrica de fertilizantes Ultrafértil/Fosfértil e protestaram contra a
privatização da empresa. A fábrica foi privatizada há 15 anos, quando foi comprada pela Bunge, que passou a ter grande controle da produção e distribuição do mercado de fertilizantes.
De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores de Produtos Químicos do Paraná (Sindiquímicos), Otênio Garcia, a Bunge, sozinha, controla 52% do mercado no Brasil. Em conjunto com as outras duas maiores empresas do ramo, o controle chega a 98%.
“O setor de fertilizantes está na mão de três grandes multinacionais, que é a Bunge, a Cargill e a Yara. Aí elas praticam o preço que querem, do jeito que querem, colocando o pequeno produtor de joelhos. Para você ter uma idéia, o preço da uréia era US$ 100 a tonelada quando a empresa era estatal, hoje passa dos U$ 450. Pelo lado dos trabalhadores, nós convivemos com a precarização das condições de segurança, precarização da manutenção, diminuição das conquistas históricas da categoria, diminuição do número de trabalhadores”.
Os manifestantes cobram do governo Lula a reestatização da empresa. Segundo Garcia, as empresas que monopolizam o setor de fertilizantes são grandes responsáveis pelos aumentos de preço dos alimentos. Em 2007, a Ultrafértil aumentou o lucro em 93%. A manifestação faz parte de uma jornada de lutas que ocorre em todo o Brasil ao longo desta semana. A jornada é organizada pela Via Campesina – entidade que reúne movimentos sociais de quatro continentes – e pela Assembléia Popular – movimentos de trabalhadores rurais e urbanos.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur.
12/06/08

março 15, 2008

Italianos escolhem Paraná para fornecer soja orgânica e convencional

AEN/PR
14/03/2008
A Secretaria da Agricultura e do Abastecimento vai firmar parcerias na área do agronegócio entre o Paraná e a região Emilia-Romagna, na Itália, e um dos projetos será o de fornecer soja orgânica e convencional para aquela província. Esse foi um dos temas abordados durante visita de técnicos nesta sexta-feira (14), representando agricultores, universidades, secretarias de Agricultura e a Organização Não-Governamental (Ong) ICEA ao secretário Valter Bianchini.
O fornecimento de soja será efetivado a partir da execução de vários projetos, que serão administrados por um escritório da região italiana que funcionará em Curitiba, a partir de junho. O processo de cooperação entre o Paraná e a província de Emilia Romagna terá ainda a parceria com o Sebrae-PR, Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Além da missão italiana, participaram da visita ao secretário o diretor-superintendente do Sebrae no Paraná, Allan Marcelo de Campos Costa, o diretor-técnico do Sebrae, Julio Cezar Agostini, o presente do Conselho Deliberativo do Sebrae, Darci Piana, o diretor da Ocepar, Nelson Costa e o superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR), Ronei Volpi.
A missão italiana ficou uma semana no Estado e encerrou nesta sexta-feira, com a visita ao secretário. Para iniciar os trabalhos no escritório em Curitiba, que irá funcionar nas dependências do Sebrae, foram definidas quatro diretrizes.
Será feito um trabalho de organização da produção de hortifrutigranjeiros nos entornos das grandes regiões metropolitanas do Paraná; capacitação de técnicos com efeito multiplicador, para produção de leite e queijos com padrão europeu, desenvolvimento e formação de lideranças para o cooperativismo e o desenvolvimento e integração de produtores de soja convencional e orgânica.
A missão retorna à Itália neste sábado (15) para concluir os projetos e levantar fundos de financiamentos junto ao Ministério das Relações Exteriores do governo italiano e à Comunidade Européia para execução dos trabalhos.
Para Valter Bianchini, esse trabalho de forma organizada é bem vindo ao Estado e certamente a estrutura do governo do Paraná irá se somar a esse esforço. O secretário mostrou à missão o crescimento da produção de orgânicos no Estado e fez também um histórico sobre o trabalho da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, que tem como foco o atendimento à Agricultura Familiar.
Segundo Bianchini, esse trabalho está em sintonia com a política do governo federal e o resultado é o avanço das atividades típicas da Agricultura Familiar no Estado como a diversificação da propriedade com a exploração da bovinocultura de leite, produção de frutas e hortifrutigranjeiros e da agroindústria familiar.
Por conta dessa integração entre lavoura e pecuária, Bianchini disse que muitas desigualdades regionais estão sendo superadas como na região Sudoeste, que além de ser tradicional produtora de grãos está despontando como importante bacia leiteira, atraindo investimentos de laticínios de médio e grande porte. Outro destaque apresentado foi o das políticas públicas de preservação ambiental que favorecem a produção orgânica.
Missão nacional investiga denúncias contra Syngenta
Acabou nesta sexta-feira (14) a missão nacional que investiga denúncias contra a estação experimental da Syngenta no Paraná. A Plataforma Dhesca Brasil, organização civil que atua na defesa de direitos humanos, sociais, culturais, ambientais e econômicos, investigou nos últimos dias as denúncias feitas pelo Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea/PR) contra a empresa transnacional produtora de sementes. O resultado final das investigações só será divulgado dentro de 30 dias, mas nesta sexta-feira (14) representantes da Plataforma estiveram na Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social para conversar sobre a missão e apresentaram uma prévia do que encontraram na visita à Santa Tereza do Oeste, sede da Syngenta. O estudo completo será entregue para entidades do Governo estadual e federal e também para a Organização das Nações Unidas (ONU).
As denúncias contra a Syngenta são estudadas por três relatorias diferentes, de meio ambiente, alimentação e direito à terra. Os enfoques da missão foram a questão ambiental envolvendo o plantio de transgênicos no entorno do Parque Nacional do Iguaçu e o ataque aos militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), ocorrido na estação experimental da Syngenta em 21 de outubro de 2007. Na data, seguranças particulares, contratados pela empresa, trocaram tiros com homens e mulheres ligados ao MST, que ocupavam a fazenda. Dois trabalhadores rurais morreram e seis pessoas ficaram feridas. O governador Roberto Requião chegou a declarar que a Syngenta não é bem vinda no Paraná e ordenou que a Secretaria de Segurança Pública agisse com a máxima dureza no caso. Em uma ação rápida e eficaz os policiais do Centro de Operações Policiais (Cope) prenderam o dono da empresa de segurança privada e mais três envolvidos. Os participantes da missão visitaram o Acampamento Terra Livre, da Via Campesina, e agricultores da região. Como parte das atividades da missão, eles tiveram audiências com o Ministério Público e com a Polícia Federal, em Cascavel. Em Curitiba os relatores da missão participaram, além da reunião do Consea, de encontros com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto de Terras, Cartografia e Geociências (ITCG) e com a Procuradoria Geral de Justiça, entre outras.
O relator Clóvis Roberto Zimmermann adiantou que o relatório deve pedir providências urgentes para as autoridades paranaenses, brasileiras e internacionais. “Esse relatório conterá recomendações no sentido de defender direitos humanos, sociais, ambientais. Mais tarde faremos o monitoramento das recomendações para verificar se estão sendo cumpridas. Temos legitimidades para fazer com que os órgãos cumpram as recomendações”, frisou.
Zimmermann falou também a respeito da preocupação da organização em implementar o direito humano à alimentação adequada no Brasil. “Quando há fome em um país, ele está violando um direito humano, e queremos que isso seja fiscalizado”, enfatizou. A presidente do Consea/PR, Silvia do Amaral Rigon, lembra que o trabalho do conselho é de construção de políticas públicas de segurança alimentar e, para isso, todos os setores da sociedade envolvidos nesse processo devem trabalhar em conjunto.
A relatora da missão Marijane Lisboa explicou que um dos objetivos do trabalho foi justamente conversar com agricultores que tiveram seu plantio de soja convencional contaminado por transgênicos e não têm condições de se defender. O site da Plataforma Dhesca divulgou no início da semana o caso de nove produtores de soja orgânica, que tinham contrato com uma empresa que comercializava estes produtos e ao entregarem a soja para venda tiveram a produção negada por apresentar transgenia. De acordo com documentos da empresa, a verificação foi realizada com três repetições com o Kit de testes Trait Rur da Gehaka, desenvolvido para detectar a proteína CP4 EPSPS, presente na soja Roundup Ready. Por esta razão, a Gebana Brasil, que comercializa e exporta apenas soja orgânica, deixou de comprar a produção do citado produtor, conforme previsão contratual da Cláusula 8º, parágrafo 3 º. Segundo a Plataforma, em 2006 foram identificados 4 casos de contaminação de transgênicos no Paraná, número que aumentou em mais de 100% na safra de 2007, passando para 9 casos registrados no ano passado.
Outra preocupação da investigação foi verificar o fato de que a unidade da Syngenta planta transgênicos no entorno do Parque Nacional, o que é proibido por lei, e a relação com o confronto entre funcionários da empresa e militantes do Movimento Sem Terra. Durante a reunião desta sexta-feira os integrantes do Consea-PR defenderam que o entendimento do conselho é que: “As famílias de agricultores tiveram como objetivo durante a ocupação da propriedade defender a soberania e segurança alimentar e nutricional de toda a população paranaense, uma vez que intencionou lutar para que a área de experimentos ilegais de transgênicos da Syngenta fosse transformada em Centro de Agroecologia e de produção de sementes crioulas para agricultura familiar camponesa e a Reforma Agrária”.

dezembro 11, 2007

TRF concede liminar que suspende obras de transposição do São Francisco

O MPF (Ministério Público Federal) informou que o TRF-1 (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região suspendeu liminarmente as obras de transposição do rio São Francisco. Em nota, a Procuradoria informa que há três problemas no projeto.Entre os problemas apontados pela Prouradoria estariam a violação do plano de recursos hídricos, dos princípios da gestão descentralizada da água e da participação popular e o fato do aporte hídrico pleiteado para a transposição ser alvo de um procedimento administrativo no Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.Procurada pela reportagem, o Ministério da Integração Nacional informou que se manifestaria mais tarde sobre a decisão.
Greve de fome
O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, 61, está em greve de fome há 14 dias contra a transposição das águas do rio São Francisco. Ele apoiou as manifestações promovidas ontem por MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e Via Campesina.
Dom Luiz afirmou ainda que o governo federal “fez calar as forças sociais” e tornou-se “refém dos grandes”.
Para o bispo, que jejua na igreja de São Francisco, em Sobradinho (540 km de Salvador), mobilizações como a de ontem “são importantes para a redescoberta de identidades pelos próprios movimentos sociais”.
Dom Luiz recebeu ontem a visita do dirigente nacional do MST João Paulo Rodrigues. O líder sem-terra anunciou a adesão do movimento à campanha contra a transposição.
“O MST entra agora com toda sua força política nessa luta”, afirmou Rodrigues. “Entre Lula e o bispo, ficamos com o bispo. Não queira Lula fazer o teste”, declarou. “A partir de agora, vamos iniciar a luta contra as empresas transnacionais e em defesa do rio São Francisco. A briga vai ser boa.”
A estratégia do MST é nacionalizar o tema e desenvolver atividades, principalmente no Rio de Janeiro, envolvendo intelectuais e artistas. Em São Paulo, o movimento planeja realizar amanhã um ato público na praça da Sé.
Obras
A transposição –ou, como é chamada pelo governo, Projeto São Francisco– é a maior obra anunciada pelo governo Lula desde o primeiro mandato e foi uma das contempladas pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Estimada em R$ 4,5 bilhões, até 2010, as obras serão dividas em 14 lotes. Somente neste ano, serão investidos R$ 483 milhões, além de R$ 247 milhões, que serão utilizados em projetos de revitalização, como tratamento de esgoto de municípios próximos ao rio, replantio de matas e recuperação de nascentes, em Minas Gerais, Estado que responde por aproximadamente 70% das afluências do rio.
O projeto de transposição divide a região Nordeste. Bahia, Sergipe, Alagoas e Minas Gerais –Estados que são chamados de “doadores” das águas do rio– são contrários às obras. Por outro lado, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará — que serão receptores das águas transpostas — defendem a liberação da licença ambiental para que o projeto tenha início.O rio São Francisco nasce em Minas Gerais e cruza o Nordeste pelos Estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco e Alagoas. Pelo projeto de transposição, canais a serem construídos levariam água para o interior de Pernambuco, para o Ceará, para a Paraíba e para o Rio Grande do Norte.
Agência Folha
11/12/07

outubro 24, 2007

Boletim de Ocorrência prova que líder de sem-terra estava marcado para morrer

AEN
23/10/2007
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Valmir Mota de Oliveira, o Keno, morto no último domingo (21) em um confronto com seguranças particulares, estaria marcado para morrer desde março deste ano. A Subdivisão de Cascavel registrou, no dia 28 de março, um boletim de ocorrência sobre a ameaça de morte, alertada em um telefonema anônimo, contra Keno, Celso Ribeiro Barbosa e Célia Lourenço. De acordo com o registro da ocorrência, a pessoa fez o alerta dizendo para que tomassem cuidado porque a “UDR (União Democrática Ruralista) estava preparando uma armadilha para eles”.
A advogada da ONG Terra de Direitos, Gisele Cassano, informou que o presidente da Sociedade Rural do Oeste, Alessandro Meneghel, contratou seguranças particulares para ameaçar os sem-terra. “Meneghel declarou à imprensa que a cada reintegração que o governo não cumprisse, os próprios ruralistas iriam retirar os sem-terra das propriedades”, afirma Gisele. Segundo ela, a NF segurança é contratada pela Syngenta, Sociedade Rural do Oeste e pelo Movimento de Produtores Rurais para fazer as reintegrações de posse.
Os sem-terra confirmam que a intenção dos seguranças ao voltar na fazenda Syngenta no domingo passado era a de matar as lideranças. “Temos certeza de que a intenção deles era matar o Keno, a Celinha e eu. Eu não estava lá à tarde e atiraram na Isabel Maria Nascimento de Souza, achando que era a Celinha, pois são parecidas. Deu para perceber que só atiraram para matar nos líderes, nos outros deram tiros no pé e em outros membros não vitais. Se eu estivesse lá naquela hora, com certeza teria sido assassinado e Keno já era carta marcada para morrer”, contou Celso Ribeiro Barbosa, uma das vítimas da ameaça e que pertence à coordenação estadual do MST e da Via Campesina.
Segundo Barbosa, os telefonemas de alerta no início do ano foram anônimos e feitos para o número da Secretaria do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, em Cascavel. “A recepcionista atendeu as ligações da pessoa avisando que nós iríamos morrer. Achamos que as ameaças vieram mesmo da UDR, mas é complicado de dizer ao certo quem é”, disse Barbosa.
Ele contou que sua casa, que fica em um assentamento a 15 quilômetros da Syngenta, em Santa Tereza do Oeste, está sendo cercada e vigiada pela empresa NF de segurança o tempo todo. “Eles ficam rondando a casa e acendem os faróis dos veículos todas as noites para ver se não tem ninguém. Por conta disso, eu e minha família não temos ido mais lá, por medo das ameaças. Muitos vizinhos estão dizendo para a gente não ir e não vamos mesmo, por medo”, relatou.
Ele contou ainda, que vigilantes da empresa NF teriam entrado algumas vezes no assentamento que faz divisa com a fazenda da Syngenta, dando tiros para o alto e fazendo ameaças. “Eles ameaçam as famílias assentadas com o objetivo de intimidá-las, para que não ousem mais invadir”, disse.
A advogada da ONG Terra de Direitos, Gisele Cassano, confirma a informação fornecida por Barbosa sobre as ameaças e diz que entrou no caso por causa da violação dos direitos humanos. “Eles vêm sofrendo ameaças e em novembro do ano passado, Keno já havia sido agredido pela Sociedade Rural Oeste (SRO) durante o encerramento da Jornada da Educação na Reforma Agrária, promovida pelo MST em Cascavel”. Segundo ela, enquanto os participantes se dirigiam à fazenda da Syngenta, para uma manifestação pacífica, dentro de um ônibus, na estrada que liga Cascavel a Foz do Iguaçu, foram parados por um bloqueio feito pela Sociedade Rural do Oeste. Seus integrantes, liderados pelo presidente Alessandro Meneghel, aguardavam o ônibus com pedaços de pau, barras de ferro e armas de fogo, fazendo uma barreira humana. Mesmo com o bloqueio, os trabalhadores decidiram continuar a rota a pé, mas foram violentamente atacados.
Delegado desconfia de depoimento do proprietário da NF
O proprietário da empresa de segurança NF, Nerci de Freitas, confirmou que é contratado pela empresa multinacional Syngenta Seeds para prestar serviços de segurança na fazenda experimental onde aconteceu o confronto. A confirmação foi feita em depoimento prestado ao delegado Amadeu Trevisan Araújo, chefe da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, na tarde desta terça-feira (23). Freitas eximiu a empresa multinacional de ter dado ordens para que os seguranças voltassem armados para desocupar a fazenda. O dono da empresa NF negou à polícia que os seguranças voltaram à fazenda para fazer a reintegração das terras “por conta própria”. Segundo ele, os seguranças foram apenas buscar coletes e lanternas, que eles teriam deixado na fazenda. “Acho isso muito pouco provável. É um motivo muito pequeno, não justifica o retorno dos seguranças ao local”, garantiu o delegado Araújo. “Como os sete seguranças presos disseram que só irão prestar seus depoimentos em juízo, ainda não conseguimos confirmar essas informações”, disse o delegado. Ainda segundo o delegado, uma das armas usadas no dia do confronto foi entregue à polícia por um advogado do MST no domingo à tarde. Segundo o delegado, a arma estaria registrada no nome da empresa NF, mas em depoimento Nerci de Freitas teria dito que a arma não pertenceria à empresa. “Ele disse desconhecer a arma, mas sabemos que isto é mentira”, informou o delegado. Por enquanto esta seria a única arma apreendida pela polícia. Ainda nesta terça-feira os sete seguranças presos foram submetidos a exames de lesão corporal. O resultado deve sair nesta quarta-feira (24). Também nesta quarta-feira (24) o delegado pretende começar a ouvir integrantes do movimento sem-terra. “Agora quero começar a ouvi-los para tentar descobrir de quem partiram os tiros”, concluiu.
Polícia Federal diz que empresa de segurança NF tem contrato com Sociedade Rural do Oeste
Relatório feito pela unidade da Polícia Federal de Cascavel aponta que a empresa NF Segurança, responsável pela contratação dos cerca de 25 homens que trocaram tiros com trabalhadores sem-terra no domingo, tem a Sociedade Rural do Oeste do Paraná como um de seus clientes. O relatório se transformou em um inquérito que, no mês passado, terminou com a prisão da dona de empresa, Maria Ivanete Campos de Freitas, por porte ilegal de munição. O inquérito da Polícia Federal também já indiciou o outro dono da NF, Nerci de Freitas, por porte ilegal de munição. Há cerca de quinze dias, o delegado da Polícia Federal de Cascavel, José Alberto de Freitas Iegas, aguarda uma definição da Justiça Federal sobre os pedidos de busca e apreensão que fez para aprofundar as apurações.
Como diz o documento que deu início ao inquérito, o relatório é resultado de “investigações realizadas sobre ações praticadas por um grupo de seguranças particulares contratados pelo Movimento dos Produtores Rurais (MPR), recentemente criado na região de Cascavel, no sentido de repugnar violentamente ações dos movimentos sociais de luta pela terra”. De acordo com as apurações, os seguranças contratados pela empresa têm antecedentes criminais e a maioria das pessoas contratadas, como afirma o documento, “nem mesmo tem capacitação e autorização para atuar como seguranças particulares, agindo assim na ilegalidade, e inclusive conforme constam de depoimentos e relatos de integrantes do movimento sem-terra, vários deles vêm incorrendo no crime de porte ilegal de arma de fogo”.
O documento cita os exemplos do segurança Carlos Antônio dos Santos, autuado por disparo de arma de fogo em via pública, de João Carlos Fogaça dos Santos, autuado por embriaguez ao volante e de Marcelo Victor Stieven, autuado por porte ilegal de arma. Todos eles respondem a inquéritos que tramitam na 15ª Subdivisão Policial de Cascavel e trabalhariam para a empresa NF. Coincidentemente ou não, Carlos Stieven está preso por envolvimento direto com o tiroteio que terminou em duas mortes no domingo, na sede da fazenda experimental da Syngenta Seeds. Além dele, Rodrigo de Oliveira Ambrósio, segurança contratado pela NF e também preso por envolvimento direto no tiroteio, é citado no relatório da Polícia Federal como sendo o “responsável em recrutar diretamente os homens que atuam nas desocupações, além de ocupar o cargo de supervisor rondante em tal empresa”.
O relatório também traz a confirmação de que a Sociedade Rural do Oeste do Paraná contratou os serviços da empresa de segurança. “Após solicitação verbal feita por estes policiais ao sr Nerci de Freitas, proprietário da empresa NF Segurança, que apresentasse quem são os principais e mais regulares tomadores dos serviços prestados por aquela empresa de segurança, foi indicada por ele, dentre outras empresas, a Sociedade Rural do Oeste do Paraná, onde inclusive fica sediado o MPR – Movimento dos Produtores Rurais”, esclarece textualmente o documento. O delegado Iegas, que chefia a Delegacia da Polícia Federal de Cascavel, contou que também o próprio presidente da Sociedade Rural, Alessandro Meneghel, confirmou ter contratado a NF para prestar serviços de segurança. “Ele também afirmou em depoimento que fundou o Movimento dos Produtores Rurais”, disse o delegado que hoje (23) encaminhou cópias do inquérito à Polícia Civil de Cascavel para subsidiar e ajudar nas investigações sobre o tiroteio na Syngenta.Iegas ainda contou que prendeu, no dia 27 de setembro, uma das sócias da empresa NF, Maria Ivanete Campos de Freitas, por porte ilegal de munição. De acordo com o delegado, foram encontrados na sede da NF 42 munições calibre 380, noventa cartuchos de 38, 47 estojos deflagrados de 38 e outros 25 deflagrados de 380. Como as munições não foram previamente vistoriadas e aprovadas pela Polícia Federal, como determina a lei que regula as empresas de segurança, Maria Ivanete foi presa e Nerci de Freitas foi indiciado por porte ilegal de munição. “Agora esperamos uma resposta da Justiça Federal para poder continuar com as investigações sobre a legalidade das ações desta empresa”, disse o delegado.

julho 19, 2007

Termina desocupação da área da empresa Syngenta

Filed under: Estado do Paraná, MST, Sygenta, transgênicos, Via Campesina — Humberto @ 12:27 am
Os cerca de 150 integrantes da Via Campesina que ocupavam a fazenda experimental de transgênicos da multinacional Syngenta Seeds, no cinturão de proteção ecológica do Parque Nacional do Iguaçu, em Santa Tereza do Oeste, no Oeste do Paraná, concluíram no final desta terça-feira (17) a retirada dos pertences da propriedade. “A desocupação foi realizada tranqüilamente, sem incidentes violentos. As chuvas atrapalharam o processo, mas os campesinos estão saindo no prazo de sete dias que haviam pedido”, disse o comandante do 16.º Batalhão de Cascavel, major Celso Luiz Borges.Segundo o major, os ocupantes limparam toda a área. Segundo a polícia, os próprios campesinos têm caminhões e tratores para levar seus pertences. A previsão é que, nesta quarta-feira (18), um oficial de justiça vá até a fazenda para fazer a vistoria e para dar certidão de posse aos proprietários.Com mais esta desocupação, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná completa 166 ordens de reintegração de posse cumpridas, desde 2003. Desde este período não houve mortes nas desocupações realizadas no Estado e praticamente todas foram concluídas sem o uso efetivo da força policial.Início da desocupação – De acordo com o 6.º Batalhão da Polícia Militar, os líderes da Via Campesina se reuniram com a Polícia Militar e decidiram pela saída pacífica. Em novembro do ano passado, a fazenda, com 143 hectares, já havia sido desocupada pela PM, em obediência à ordem judicial. Nesta última desocupação, os trabalhadores rurais haviam pedido prazo de sete dias para deixar totalmente a propriedade, o que foi respeitado.

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