ENCALHE

março 10, 2009

Dos grampos do Protógenes, descobre-se uma amizade

Fico confuso. Se vocês acompanharem a leitura de ” Protógenes sobre a vEJA: ‘Tudo mentira’ “, surgirá um trecho que eu destaquei em negrito. Esse trecho oferece uma informação que, particularmente, me interessa: parece que surge uma conversa, em meio a grampos, entre a filha de José Serra, Verônica e sua xará, de sobrenome “Dantas”, irmã do banqueiro ( “-bandido”, completaria Protógenes ). Segundo o delegado Protógenes, não tem nada demais, é apenas assunto “empresarial”.
Beleza. Só que, por mais que – lembram? – se tenha divulgado a associação empreendedorística entre as duas Verônicas, um dia recebi um email de alguém, que se apresentou como sendo da “assessoria de imprensa” da Serra, exortando-me a visitar um site onde estaria explicada a relação empresarial entre estas duas senhoras:

“19:36 (3 horas atrás) de CDN <cdn@cdn.com.br > parahumamad@gmail.comdata 30 de julho de 2008 19:36
assunto Escalrecimento Veronica Serra
Caro Humberto,
Somos a assessoria da Veronica Serra, e sobre o post “Verônica Serra nega relação comercial com irmã de Daniel Dantas
[ que eu reproduzi do Hora do Povo e acresci mais algumas coisas.
Vejam aqui. ] , publicado em 27/07 [ 2008 ], ela gostaria que você visitasse a página http://vallendeserra.googlepages.com, onde ela esclarece assuntos relativos a sua atuação profissional. Obrigado.www.cdn.com.br.”
Bom. No próprio post em questão eu havia já incluído a explicação da moça. Ou seja: “acusação” [ HP ] e “defesa” [ VS ]. E nessa “defesa”, há o seguinte trecho [ mas espero que vocês invistam alguns minutos na leitura toda ]:

” VERÔNICA DANTAS: Foi indicada pelo CVC Opportunity para representá-lo no conselho de administração da Decidir. Não conheço Veronica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail. Ela nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir – todas ocorriam mensalmente em Buenos Aires. O Citibank Venture Capital com sede em NY é quem mantinha o CVC Opportunity informado sobre a Decidir.”

Como o delegado Protógenes afirma ( se é que eu entendi direito ), nos grampos que a vEJA diz serem escandalosamente totalitaristas, há uma conversa entre as duas moças que, segundo a de sobrenome SERRA, nunca havia acontecido ( pelo menos, suponho, até àquela altura dos acontecimentos, ou seja, 27 de julho de 2008 ) por quaiquer meios ( email, telegramas, telefone, telepatia ). Posso então imaginar que a série de denúncias envolvendo todos estes personagens levou-as, FINALMENTE, a fortalecer os laços ( se haviam, eram finíssimos, tênues, distantes a ponto de não serem considerados como sérios ) que havia entre elas, até então. Isso motivou o estabelecimento de contatos diretos entre ambas, ainda que não presenciais. Uma forte amizade empresarial frutificou e até telefonemas estão trocando. Ironias à parte ( que ainda vão me fazer sair mal ), de concreto temos: não havia relação nem por telefone, e agora existe.
Não é nada, não é nada. É só para registro, OK? Não vão ficar imaginando conspirações cujas existências não possam ser comprovadas.
Protógenes sobre a Veja: “Tudo mentira !”
CONVERSA AFIADA, 09.03.09
Diálogo agora de manhã com o ínclito delegado Protógenes Queiroz sobre a “reportagem” de capa da Veja.
- Você viu a Veja?
- Li, comprei no aeroporto. (*)
- O que você acha?
- Eles estão querendo prorrogar a CPI (do Itagiba), que não deu em nada.
- Mas, e as denúncias?
- Tudo mentira.
- Eu imaginei que fosse assim: o juiz te autoriza a grampear o Naji Nahas, o Naji Nahas se encontra com o Papa e você tem o Papa na gravação. Não pode ser isso?
- Pode ser. Mas não é isso.
- Não tem ninguém ali que tenha aparecido no grampo de outro?
- Só tem a Dilma, mas isso aparece na Satiagraha.
- E a vida amorosa dela, isso que a Veja fala.
- Não tem nada.
- E o Gilmar Mendes?
- Não tem nada.
- Mas, pera aí, não tem nenhum documento, nada? O que acharam na casa do teu filho, no Rio?
- Nada.
- E na tua casa em Brasília?
- Nada. Tem o computador da minha mulher.
- E no teu pen-drive?
- Tem o material que eu já encaminhei à Procuradoria Geral da República. É material da Satiagraha.
- E do Fernando Henrique?
- Não tem grampo nenhum. Nada.
- E do José Serra?
- Nada. Só aparece uma conversa da filha dele com a irmã do Daniel Dantas. Mas, é uma relação empresarial. Não tinha nada a ver com a investigação.
- E o filho do Lula?
- Não aparece em nenhum momento, não tem nada.
- Mas, como é que a Veja ia inventar tudo?
- Cadê o áudio do grampo, Paulo Henrique? É só isso: um vazamento mentiroso.
(*) Protógenes estava a caminho de Porto de Galinhas, em Pernambuco, para comemorar o aniversário da mulher. Segunda-feira, ele participa de um debate em Recife sobre corrupção no Brasil.

novembro 18, 2008

Veja falsifica declarações de Protógenes

Hora do Povo, 19 e 20.11.08
A “Veja” saiu, no fim de semana, com mais um daqueles panfletos, sem parentescos com matéria jornalística ou reportagem, dessa vez afirmando que obteve a gravação da reunião que a direção da PF promoveu com o comando da Operação Satiagraha em julho – e que nesta gravação o delegado Protógenes Queiroz confessaria que grampeou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Queiroz teria afirmado, em certa altura da reunião: “Nós sabíamos que tinha um HC (habeas corpus) já preparado, já um outro HC, que estava sendo gestado no gabinete no Supremo Tribunal Federal… né? E em escritórios de advocacia. Isso em trabalho de inteligência que nós…”. E, logo em seguida, o delegado teria “ironizado”: “Vão surgir notícias de que nós grampeamos o Supremo, que a Abin grampeou…”.
E isso é tudo. Nada mais há em todo o panfleto de “Veja” que seja fato – ou possa ser fato – exceto esse trecho. O resto são calúnias e difamações contra o chefe da Abin, Paulo Lacerda, contra Protógenes e, em especial, contra o juiz De Sanctis, chamado de nazista por ter defendido que a democracia é o império da vontade do povo – naturalmente, para “Veja” a democracia é o império da vontade do Civita, dos amigos do Civita e dos patrões americanos do Civita, sem esquecer dos sul-africanos do apartheid que são sócios do Civita e, claro, da vontade do Daniel Dantas. Já a vontade do povo, é “nazismo”.
CÓPIA
Mas, voltando aos fatos, isto é, ao trecho da gravação: alguém vazou para “Veja” a gravação da reunião da PF. Não é necessário que seja alguém da PF, pois o trêfego deputado Raul Jungmann, puxa-saco de Dantas que pediu ao Conselho Nacional de Justiça que abra processo contra o juiz De Sanctis, andava por Brasília exibindo uma cópia da gravação que, segundo disse, iria entregar a Gilmar Mendes. Supõe-se que Jungmann tenha obtido a gravação na mal chamada “CPI do Grampo”, cujo presidente, Marcelo Itagiba, é um mix de serrista e dantista (se é que são duas coisas diferentes).
No entanto, em três horas de reunião, o único trecho reproduzido por “Veja” é o que nós citamos. Como é que pode? Por que somente esse trecho é reproduzido, de três horas de gravação?
Primeiro, porque só esse trecho, retirado do contexto, isolado e, portanto, deformado, presta-se à falsificação que é o objetivo de “Veja”. Entretanto, até para a “Veja” é uma falsificação muito imbecil. Nem chega a ser grosseira. É, simplesmente, idiota.
Aos fatos: o primeiro habeas corpus era público – o habeas corpus “preventivo” impetrado por Daniel Dantas depois que alguém na PF vazou a Operação Satiagraha e ela foi revelada num artigo de Andrea Michael, da “Folha de S. Paulo”, em abril deste ano. Diante da prisão iminente, Daniel Dantas viajou com a irmã e cúmplice, Verônica, para a República Dominicana, esperando que seus advogados entrassem com o pedido de habeas corpus no STF.
Por que os advogados demoraram a entrar com o pedido? Nas gravações feitas com autorização judicial pela Operação Satiagraha, Dantas, seus sequazes e advogados discutem quem era o melhor ministro do STF para que esse habeas corpus fosse concedido – o melhor, dizem, é Gilmar Mendes, mas não é seguro que o pedido caia no colo do favorito. Alguém chega a levantar que Eros Grau, a quem coube, realmente, esse pedido de habeas corpus, não seria má opção para os interesses de Dantas. Mas este acha arriscado confiar na decisão de Grau. Por isso, Dantas só volta ao Brasil depois que o STF entrou em férias e Gilmar Mendes estava respondendo por suas decisões, como presidente do tribunal.
Logo em seguida, Dantas foi preso. Seus advogados conseguiram, com o pedido de habeas corpus já dentro do STF, transformar um habeas corpus “preventivo” num habeas corpus “liberatório” – o que foi aceito (alguns dizem: orientado) por Gilmar Mendes, apesar de, como frisou o ministro Marco Aurélio Mello, isto ser uma irregularidade jurídica, que tinha como consequência fazer com que um único pedido de habeas corpus servisse para qualquer prisão.
Foi, aliás, o que aconteceu em seguida, quando Dantas foi solto por Gilmar Mendes sem que entrasse com outro pedido de habeas corpus e, depois, solto mais uma vez, com o mesmo pedido de habeas corpus, porque Mendes ignorou que a segunda prisão teve motivos diferentes da primeira.
IRONIA
O habeas corpus, portanto, foi detectado pela PF através da escuta com autorização judicial de Daniel Dantas, de sua irmã, e das conversas que eles mantêm com seus advogados. Tudo isso está no primeiro relatório da Operação Satiagraha e nada foi obtido – até porque não era necessário – pela escuta do presidente do STF.
Exatamente por esta razão, o delegado Queiroz diz, como a própria “Veja” descreve, em tom irônico: “Vão surgir notícias de que nós grampeamos o Supremo, que a Abin grampeou…”. O motivo pelo qual ele “ironiza” (sic) essas futuras notícias é, precisamente, porque elas são falsas – caso contrário, não seria “ironia”. Que o escriba de “Veja” não perceba que está se contradizendo quando fala do tom “irônico” em que o delegado falou a última frase, somente demonstra que o sujeito é uma besta. Mas é esse tipo de muar, que não sabe nem o que significa ironia, que o Civita consegue contratar hoje em dia.
Há outra razão para que “Veja” omita quase toda a gravação. Tudo indica que o resto da gravação não é nada favorável nem a Dantas, nem a “Veja”, nem aos que destituíram Queiroz da chefia do inquérito – cujas conclusões acabam de ser confirmadas pelo delegado que o substituiu. Por exemplo, é sabido que em determinado momento o delegado Protógenes diz a um dos seus interlocutores que sabe que foi ele quem vazou a Operação Satiagraha para a imprensa, e, em seguida, esse interlocutor admite e se desculpa, dizendo que “como um dos mais velhos delegados da PF”, não poderia ter cometido esse erro. Nenhum dos delegados que comandaram a Satiagraha se enquadra nessa descrição. Todos são relativamente jovens – e novos como delegados. Logo, supõe-se que o vazador confesso tenha sido um dos diretores da PF presentes à reunião.
Carlos Lopes
E MAIS…
GRANDES MOMENTOS DA REVISTA vEJA:

Veja falsifica declarações de Protógenes

Hora do Povo, 19 e 20.11.08
A “Veja” saiu, no fim de semana, com mais um daqueles panfletos, sem parentescos com matéria jornalística ou reportagem, dessa vez afirmando que obteve a gravação da reunião que a direção da PF promoveu com o comando da Operação Satiagraha em julho – e que nesta gravação o delegado Protógenes Queiroz confessaria que grampeou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Queiroz teria afirmado, em certa altura da reunião: “Nós sabíamos que tinha um HC (habeas corpus) já preparado, já um outro HC, que estava sendo gestado no gabinete no Supremo Tribunal Federal… né? E em escritórios de advocacia. Isso em trabalho de inteligência que nós…”. E, logo em seguida, o delegado teria “ironizado”: “Vão surgir notícias de que nós grampeamos o Supremo, que a Abin grampeou…”.
E isso é tudo. Nada mais há em todo o panfleto de “Veja” que seja fato – ou possa ser fato – exceto esse trecho. O resto são calúnias e difamações contra o chefe da Abin, Paulo Lacerda, contra Protógenes e, em especial, contra o juiz De Sanctis, chamado de nazista por ter defendido que a democracia é o império da vontade do povo – naturalmente, para “Veja” a democracia é o império da vontade do Civita, dos amigos do Civita e dos patrões americanos do Civita, sem esquecer dos sul-africanos do apartheid que são sócios do Civita e, claro, da vontade do Daniel Dantas. Já a vontade do povo, é “nazismo”.
CÓPIA
Mas, voltando aos fatos, isto é, ao trecho da gravação: alguém vazou para “Veja” a gravação da reunião da PF. Não é necessário que seja alguém da PF, pois o trêfego deputado Raul Jungmann, puxa-saco de Dantas que pediu ao Conselho Nacional de Justiça que abra processo contra o juiz De Sanctis, andava por Brasília exibindo uma cópia da gravação que, segundo disse, iria entregar a Gilmar Mendes. Supõe-se que Jungmann tenha obtido a gravação na mal chamada “CPI do Grampo”, cujo presidente, Marcelo Itagiba, é um mix de serrista e dantista (se é que são duas coisas diferentes).
No entanto, em três horas de reunião, o único trecho reproduzido por “Veja” é o que nós citamos. Como é que pode? Por que somente esse trecho é reproduzido, de três horas de gravação?
Primeiro, porque só esse trecho, retirado do contexto, isolado e, portanto, deformado, presta-se à falsificação que é o objetivo de “Veja”. Entretanto, até para a “Veja” é uma falsificação muito imbecil. Nem chega a ser grosseira. É, simplesmente, idiota.
Aos fatos: o primeiro habeas corpus era público – o habeas corpus “preventivo” impetrado por Daniel Dantas depois que alguém na PF vazou a Operação Satiagraha e ela foi revelada num artigo de Andrea Michael, da “Folha de S. Paulo”, em abril deste ano. Diante da prisão iminente, Daniel Dantas viajou com a irmã e cúmplice, Verônica, para a República Dominicana, esperando que seus advogados entrassem com o pedido de habeas corpus no STF.
Por que os advogados demoraram a entrar com o pedido? Nas gravações feitas com autorização judicial pela Operação Satiagraha, Dantas, seus sequazes e advogados discutem quem era o melhor ministro do STF para que esse habeas corpus fosse concedido – o melhor, dizem, é Gilmar Mendes, mas não é seguro que o pedido caia no colo do favorito. Alguém chega a levantar que Eros Grau, a quem coube, realmente, esse pedido de habeas corpus, não seria má opção para os interesses de Dantas. Mas este acha arriscado confiar na decisão de Grau. Por isso, Dantas só volta ao Brasil depois que o STF entrou em férias e Gilmar Mendes estava respondendo por suas decisões, como presidente do tribunal.
Logo em seguida, Dantas foi preso. Seus advogados conseguiram, com o pedido de habeas corpus já dentro do STF, transformar um habeas corpus “preventivo” num habeas corpus “liberatório” – o que foi aceito (alguns dizem: orientado) por Gilmar Mendes, apesar de, como frisou o ministro Marco Aurélio Mello, isto ser uma irregularidade jurídica, que tinha como consequência fazer com que um único pedido de habeas corpus servisse para qualquer prisão.
Foi, aliás, o que aconteceu em seguida, quando Dantas foi solto por Gilmar Mendes sem que entrasse com outro pedido de habeas corpus e, depois, solto mais uma vez, com o mesmo pedido de habeas corpus, porque Mendes ignorou que a segunda prisão teve motivos diferentes da primeira.
IRONIA
O habeas corpus, portanto, foi detectado pela PF através da escuta com autorização judicial de Daniel Dantas, de sua irmã, e das conversas que eles mantêm com seus advogados. Tudo isso está no primeiro relatório da Operação Satiagraha e nada foi obtido – até porque não era necessário – pela escuta do presidente do STF.
Exatamente por esta razão, o delegado Queiroz diz, como a própria “Veja” descreve, em tom irônico: “Vão surgir notícias de que nós grampeamos o Supremo, que a Abin grampeou…”. O motivo pelo qual ele “ironiza” (sic) essas futuras notícias é, precisamente, porque elas são falsas – caso contrário, não seria “ironia”. Que o escriba de “Veja” não perceba que está se contradizendo quando fala do tom “irônico” em que o delegado falou a última frase, somente demonstra que o sujeito é uma besta. Mas é esse tipo de muar, que não sabe nem o que significa ironia, que o Civita consegue contratar hoje em dia.
Há outra razão para que “Veja” omita quase toda a gravação. Tudo indica que o resto da gravação não é nada favorável nem a Dantas, nem a “Veja”, nem aos que destituíram Queiroz da chefia do inquérito – cujas conclusões acabam de ser confirmadas pelo delegado que o substituiu. Por exemplo, é sabido que em determinado momento o delegado Protógenes diz a um dos seus interlocutores que sabe que foi ele quem vazou a Operação Satiagraha para a imprensa, e, em seguida, esse interlocutor admite e se desculpa, dizendo que “como um dos mais velhos delegados da PF”, não poderia ter cometido esse erro. Nenhum dos delegados que comandaram a Satiagraha se enquadra nessa descrição. Todos são relativamente jovens – e novos como delegados. Logo, supõe-se que o vazador confesso tenha sido um dos diretores da PF presentes à reunião.
Carlos Lopes
E MAIS…
GRANDES MOMENTOS DA REVISTA vEJA:

Veja falsifica declarações de Protógenes

Hora do Povo, 19 e 20.11.08
A “Veja” saiu, no fim de semana, com mais um daqueles panfletos, sem parentescos com matéria jornalística ou reportagem, dessa vez afirmando que obteve a gravação da reunião que a direção da PF promoveu com o comando da Operação Satiagraha em julho – e que nesta gravação o delegado Protógenes Queiroz confessaria que grampeou o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.
Queiroz teria afirmado, em certa altura da reunião: “Nós sabíamos que tinha um HC (habeas corpus) já preparado, já um outro HC, que estava sendo gestado no gabinete no Supremo Tribunal Federal… né? E em escritórios de advocacia. Isso em trabalho de inteligência que nós…”. E, logo em seguida, o delegado teria “ironizado”: “Vão surgir notícias de que nós grampeamos o Supremo, que a Abin grampeou…”.
E isso é tudo. Nada mais há em todo o panfleto de “Veja” que seja fato – ou possa ser fato – exceto esse trecho. O resto são calúnias e difamações contra o chefe da Abin, Paulo Lacerda, contra Protógenes e, em especial, contra o juiz De Sanctis, chamado de nazista por ter defendido que a democracia é o império da vontade do povo – naturalmente, para “Veja” a democracia é o império da vontade do Civita, dos amigos do Civita e dos patrões americanos do Civita, sem esquecer dos sul-africanos do apartheid que são sócios do Civita e, claro, da vontade do Daniel Dantas. Já a vontade do povo, é “nazismo”.
CÓPIA
Mas, voltando aos fatos, isto é, ao trecho da gravação: alguém vazou para “Veja” a gravação da reunião da PF. Não é necessário que seja alguém da PF, pois o trêfego deputado Raul Jungmann, puxa-saco de Dantas que pediu ao Conselho Nacional de Justiça que abra processo contra o juiz De Sanctis, andava por Brasília exibindo uma cópia da gravação que, segundo disse, iria entregar a Gilmar Mendes. Supõe-se que Jungmann tenha obtido a gravação na mal chamada “CPI do Grampo”, cujo presidente, Marcelo Itagiba, é um mix de serrista e dantista (se é que são duas coisas diferentes).
No entanto, em três horas de reunião, o único trecho reproduzido por “Veja” é o que nós citamos. Como é que pode? Por que somente esse trecho é reproduzido, de três horas de gravação?
Primeiro, porque só esse trecho, retirado do contexto, isolado e, portanto, deformado, presta-se à falsificação que é o objetivo de “Veja”. Entretanto, até para a “Veja” é uma falsificação muito imbecil. Nem chega a ser grosseira. É, simplesmente, idiota.
Aos fatos: o primeiro habeas corpus era público – o habeas corpus “preventivo” impetrado por Daniel Dantas depois que alguém na PF vazou a Operação Satiagraha e ela foi revelada num artigo de Andrea Michael, da “Folha de S. Paulo”, em abril deste ano. Diante da prisão iminente, Daniel Dantas viajou com a irmã e cúmplice, Verônica, para a República Dominicana, esperando que seus advogados entrassem com o pedido de habeas corpus no STF.
Por que os advogados demoraram a entrar com o pedido? Nas gravações feitas com autorização judicial pela Operação Satiagraha, Dantas, seus sequazes e advogados discutem quem era o melhor ministro do STF para que esse habeas corpus fosse concedido – o melhor, dizem, é Gilmar Mendes, mas não é seguro que o pedido caia no colo do favorito. Alguém chega a levantar que Eros Grau, a quem coube, realmente, esse pedido de habeas corpus, não seria má opção para os interesses de Dantas. Mas este acha arriscado confiar na decisão de Grau. Por isso, Dantas só volta ao Brasil depois que o STF entrou em férias e Gilmar Mendes estava respondendo por suas decisões, como presidente do tribunal.
Logo em seguida, Dantas foi preso. Seus advogados conseguiram, com o pedido de habeas corpus já dentro do STF, transformar um habeas corpus “preventivo” num habeas corpus “liberatório” – o que foi aceito (alguns dizem: orientado) por Gilmar Mendes, apesar de, como frisou o ministro Marco Aurélio Mello, isto ser uma irregularidade jurídica, que tinha como consequência fazer com que um único pedido de habeas corpus servisse para qualquer prisão.
Foi, aliás, o que aconteceu em seguida, quando Dantas foi solto por Gilmar Mendes sem que entrasse com outro pedido de habeas corpus e, depois, solto mais uma vez, com o mesmo pedido de habeas corpus, porque Mendes ignorou que a segunda prisão teve motivos diferentes da primeira.
IRONIA
O habeas corpus, portanto, foi detectado pela PF através da escuta com autorização judicial de Daniel Dantas, de sua irmã, e das conversas que eles mantêm com seus advogados. Tudo isso está no primeiro relatório da Operação Satiagraha e nada foi obtido – até porque não era necessário – pela escuta do presidente do STF.
Exatamente por esta razão, o delegado Queiroz diz, como a própria “Veja” descreve, em tom irônico: “Vão surgir notícias de que nós grampeamos o Supremo, que a Abin grampeou…”. O motivo pelo qual ele “ironiza” (sic) essas futuras notícias é, precisamente, porque elas são falsas – caso contrário, não seria “ironia”. Que o escriba de “Veja” não perceba que está se contradizendo quando fala do tom “irônico” em que o delegado falou a última frase, somente demonstra que o sujeito é uma besta. Mas é esse tipo de muar, que não sabe nem o que significa ironia, que o Civita consegue contratar hoje em dia.
Há outra razão para que “Veja” omita quase toda a gravação. Tudo indica que o resto da gravação não é nada favorável nem a Dantas, nem a “Veja”, nem aos que destituíram Queiroz da chefia do inquérito – cujas conclusões acabam de ser confirmadas pelo delegado que o substituiu. Por exemplo, é sabido que em determinado momento o delegado Protógenes diz a um dos seus interlocutores que sabe que foi ele quem vazou a Operação Satiagraha para a imprensa, e, em seguida, esse interlocutor admite e se desculpa, dizendo que “como um dos mais velhos delegados da PF”, não poderia ter cometido esse erro. Nenhum dos delegados que comandaram a Satiagraha se enquadra nessa descrição. Todos são relativamente jovens – e novos como delegados. Logo, supõe-se que o vazador confesso tenha sido um dos diretores da PF presentes à reunião.
Carlos Lopes
E MAIS…
GRANDES MOMENTOS DA REVISTA vEJA:

julho 31, 2008

Assessoria de VERÔNICA SERRA contata blog B.F.I. e convida Humberto a visitar página em que Verônica esclarece pontos de sua carreira! Vô lá vê!

Escalrecimento Veronica
19:36 (3 horas atrás) de CDN <cdn@cdn.com.br > parahumamad@gmail.com
data 30 de julho de 2008 19:36
assunto Escalrecimento Veronica Serra
Caro Humberto,
Somos a assessoria da Veronica Serra, e sobre o post “Verônica Serra nega relação comercial com irmã de Daniel Dantas”, publicado em 27/07, ela gostaria que você visitasse a página http://vallendeserra.googlepages.com, onde ela esclarece assuntos relativos a sua atuação profissional. Obrigado.
www.cdn.com.br.
Para poupar os poucos leitores deste blog do trabalho, a CDN tem, como seu vice-presidente o jornalista Roberto D’Ávila. A empresa apresenta, em sua de clientes:
- Alfabetização Solidária
- Instituto Fernando Henrique Cardoso
- Consórcio Linha 4 – Amarela do Metrô
- TV Cultura
- ELPaso
- Santander Banespa
- LIDE
- Nossa Caixa
- Banco Central do Brasil
- Brasil Ecodiesel
Uau!! Sinto-me honrado!! Mas, é forçoso dizer, o referido esclarecimento de Verônica Serra aparece no mesmo post em questão, podem conferir: http://ocorreiodaelite.blogspot.com/2008/07/vernica-serra-nega-relao-comercial-com.html
Ou seja, não omiti essa informação. Ao contrário, ela foi devidamente inserida, servindo de contraponto às demais informações daquele post. O possível leitor terá as versões conflitantes agrupadas.

julho 27, 2008

Verônica Serra nega relação comercial com irmã de Daniel Dantas.

Verônica Serra diz que não era sócia da irmã de DVD, só colega de diretoria na mesma empresa
HORA DO POVO, ed. 2687, 25/07/2008
Segundo Verônica Serra, ela nunca viu a outra Verônica, a Dantas. Elas não eram sócias da empresa, apenas integravam o “conselho de administração”. No entanto, não é isso que consta no documento de registro da empresa. A diretoria executiva era composta por seis pessoas: Brian Kim (Citibank), Verônica Dantas (Opportunity), Guy Nevo (Decidir Argentina), Verônica Serra, Esteban Nofal e Esteban Brenman.

Desmentido de Verônica não desmente
Verônica Serra, filha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), emitiu nota em que tenta negar ter sido sócia de Verônica Dantas numa empresa chamada “Decidir.com”, cuja sede fica na Argentina. O esclarecimento surgiu com a prisão de Verônica Dantas e de seu irmão Daniel Dantas e após alguns órgãos de imprensa terem relembrado uma matéria publicada pelo HP em 24 de setembro de 2002, dando conta da parceria entre as duas.
Segundo Verônica, a Serra, ela nunca viu a outra Verônica, a Dantas. Elas não eram sócias da empresa, apenas integravam o “conselho de administração”, e o objetivo principal da Decidir não era o de facilitar que os seus clientes se tornassem fornecedores do Estado. De acordo com Verônica, a Decidir apenas prestava “serviços nas áreas de checagem de crédito, verificação de identidade e processamento de pagamentos”.
Na tentativa de rfutar o documento (ver ao lado) publicado pelo HP, Verônica traz novas revelações das engrenagens da empresa. De acordo com suas explicações, ela chegou até à Decidir através do grupo International Real Returns (IRR), que detinha uma participação minoritária na empresa argentina. “Eu era representante do IRR – não sua sócia e nem acionista”, diz. Junto com a sua entrada, por obra do destino, veio também o interesse de alguns investidores, como o fundo Citibank Venture Capital (CVC), que por “ter um acordo com o CVC Opportunity no Brasil, decidiu convidá-lo para co-investir na Decidir”.
Segundo Verônica Serra, foi aí que entrou Verônica Dantas, que fora alertada pelo Citi e indicada “pelo Opportunity para representá-lo no conselho de administração da Decidir”. Mas, a xará Dantas nunca compareceu às reuniões do conselho, que ocorriam uma vez por mês em Buenos Aires. Nem era preciso, Verônica Dantas podia ficar tranqüila, pois “o Citibank Venture Capital com sede em NY é quem mantinha o CVC Opportunity informado sobre a Decidir”.
No entanto, não é isso que consta no documento de registro da empresa (veja fac-símile). A Diretoria Executiva era composta por seis pessoas: Brian Kim (Citibank), Verônica Dantas (Opportunity), Guy Nevo (Decidir Argentina), Verônica Serra, Esteban Nofal e Esteban Brenman (ambos da Decidir Argentina).
Verônica Serra resolveu sair da Decidir em 2001. Junto com ela foram-se embora o Citi, o Opportunity e os investidores. Restaram apenas os argentinos, que mantêm a empresa até hoje e continuam sócios, ou membros do “conselho de administração”. A página da empresa na internet também foi remodelada, e a sua especialidade – a de oferecer em sua base de licitações “a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado” – foi apagada.
Além disso, uma breve pesquisa na internet mostra que a posição de Verônica não costumava se resumir a mera “conselheira”. Numa matéria publicada na revista “Istoé Dinheiro”, muito simpática à moça, ela é apresentada como a musa do capitalismo, com “excelentes contatos” e “parceiros estratégicos”. Sua forma de atuação era a seguinte: “Ela entra com assessoria, participação de 5% a 20% do negócio e, algumas vezes, atração de outros investidores”.
Isso havia lhe rendido participação em “quatro empresas na Argentina, duas no Chile e três nos Estados Unidos, lançadas por empresários latinos”. Um dos exemplos citados é a sua atuação na Patagon, site de finanças com sede na Argentina, na qual foi paga com ações da companhia. Ou seja, o seu trabalho de conselheira era pago com ações, vendidas posteriormente a peso de ouro.
Se a intenção de Verônica Serra era se esquivar de sua antiga ligação com Verônica Dantas, por esta ter sido presa pela Polícia Federal, não funcionou muito bem. Ela apenas colocou mais lenha na fogueira.

ESCLARECIMENTO
Visando esclarecer matérias publicadas em órgãos imprensa e na internet, que envolvem minha atividade profissional, eu gostaria de esclarecer o seguinte:
1. A diferença entre ser sócia e membro do conselho
A Decidir foi um investimento feito pelo fundo chamado International Real Returns (IRR), para o qual trabalhei entre Set/1998-Mar/2001. O IRR investiu na Decidir e deteve uma participação minoritária (4.2%). Eu era representante do IRR – não sua sócia e nem acionista . Nunca recebi ações do fundo e sim o representava em alguns de seus investimentos. Fiz parte do Conselho da Decidir, que significa Board of Directors em inglês. Na época do primeiro investimento, o fundo Citibank Venture Capital (CVC) através de seu escritório de NY, que cuidava de investimentos para a America Latina, foi líder na rodada de investimentos. Por ter um acordo com o CVC Opportunity no Brasil, decidiu convidá-lo para co-investir na Decidir. Outros investidores incluiam grandes fundos americanos que tinham experiência em investir no setor de tecnologia.
2. Veronica Dantas
Foi indicada pelo CVC Opportunity para representá-lo no conselho de administração da Decidir. Não conheço Veronica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail. Ela nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir – todas ocorriam mensalmente em Buenos Aires. O Citibank Venture Capital com sede em NY é quem mantinha o CVC Opportunity informado sobre a Decidir.
3. Serviços prestados pela Decidir
A empresa era uma “ponto-com” que provia três serviços: checagem de crédito, verificação de identidade e processamento de pagamentos. São estas as áreas de atuação não havendo qualquer ligação com licitações públicas como afirma a matéria. A própria empresa soltou uma nota em 2002 – na época das eleições, para desmentir este e outros fatos publicados erroneamente. Nunca houve nada ligado a licitações.
4. Empresa sediada em Miami.
A Decidir sempre foi sediada em Buenos Aires, onde viviam seus fundadores e onde estava o grupo de desenvolvimento de software. No auge da bolha da internet, foi aberta uma subsidiária em Miami pois havia a perspectiva de poder operar no mercado americano. Este plano foi logo abandonado, assim como foram abandonados os projetos de manter uma filial no Mexico e no Chile (vendidas aos executivos locais). Os investidores originais já não participam mais da Decidir. Eu não tenho nenhuma ligação com a empresa desde o primeiro semestre de 2001, quando me desliguei do fundo para o qual trabalhei e por consequência do conselho da Decidir.
5. Política e vida privada
Compreendo o interesse, independente da motivação, em vasculhar a vida de pessoas públicas. No meu caso, não foi minha escolha e me mantenho distante da vida pública, especialmente no que se refere `a minha atuação profissional. Quem trabalha ou trabalhou comigo sabe disto e pode testemunhar a respeito. Já àqueles que se dedicam a inventar e distorcer os fatos, só me resta ter de gastar meu tempo – que preferiria dedicar à minha família – tendo que explicar fatos e me defender de calúnias, passando pela desagradável experiência de ver meu nome publicado por aí ligado a um emaranhado de inverdades.
Veronica Serra

E MAIS:

Veronica Allende Serra
MercadoLibre, Inc
Appoints New Board Members
BUENOS AIRES, Argentina, Sep 20, 2007 (PrimeNewswire via COMTEX News Network)
Veronica Allende Serra is Founding Partner of Pacific Advisors where she advises funds and corporations in their acquisitions and strategy. Between 1998-2001, she ran the office for Latin American Investments for International Real Returns LLC, a holding of global investments with US$600M under management who’s principal capital was from the shareholders of Lazard Freres. Veronica has already invested in over a dozen companies in the United States and Latin America. She was an advisor and investor of Patagon, an on-line brokerage and bank that was sold to Banco Santander in the year 2000. Veronica is a member of the advisory board of Endeavor Brazil and of the International Advisory Board of Endeavor Global. Between 1997-1998, she was Vice President and Assistant to the CEO of Leucadia National Corporation, an investment holding company with a market cap over US$ 10 billion based in New York, NY. Veronica has an MBA from Harvard Business School and a Law degree from the University of Sao Paulo – USP. She also holds an Art and Advertising degree from the Escola Panamericana de Arte.

IstoÉ Dinheiro
Quarta-feira, 25 de Setembro de 2002
AS DUAS VERÔNICAS
Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, era sócia até 3 de maio último de Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, do Opportunity. Elas fundaram juntas uma empresa de internet, a Decidir.com, que continua em plena atividade. A empresa foi registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil. O site oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. A filha de Serra tirou o nome da empresa antes do pai ser oficializado candidato.

PERFIL
Verônica Serra
Você não conhece, mas a filha do ministro pode ser a mulher mais importante da Internet brasileira
Quantas mulheres importantes existem na Internet brasileira? Se você está com dificuldade em lembrar de um nome, anote este: Verônica Serra. Ela tem 30 anos e diz que já ganhou na rede mais dinheiro do que sonhava ganhar a vida inteira. Ativa e bem relacionada, a moça pilota do Itaim, como sócia, o escritório latino-americano da International Real Returns ( IRR ), uma empresa de administração de ativos com US$ 600 milhões de capital europeu. Nos últimos 13 meses, essa advogada com MBA em Harvard ajudou a criar 12 empresas de Internet ( oito delas fora do Brasil ) e montou uma teia de relações que a coloca no centro do nascente setor de capital de risco brasileiro. No seu currículo estão sites conhecidos como Zoyd, Decidir e Superbid. “Ela é uma das pessoas mais argutas que eu conheço”, opina o empresário Marcos de Moraes, sócio fundador do portal ZipNet, que andou discutindo negócios com a jovem capitalista. “Seu trabalho se destaca do resto do mercado pela qualidade dos projetos.” Ah, sim: Verônica é a filha mais velha do ministro José Serra, da Saúde, mas acredita que isso não tem importância no seu ramo de negócios. “Quem está na Internet não tem nada a ver com a área dele”, afirma. “Por ter feito o que fiz, tão cedo, as pessoas percebem que não há relação de favorecimento.”
Simpatia como arma. Ninguém deve imaginar Verônica parecida com o pai sisudo. Ela fala pelos cotovelos, sorri muito, usa a simpatia como arma. Nem é menina rica matando o tempo enquanto alguém toca o negócio. Dá expedientes de 11 horas, viaja até três vezes por mês ao exterior e despacha e-mails às três da madrugada. Nos finais de semana, para desgosto do marido, carrega o lap-top para casa. “Não acho que meu ritmo seja normal, mas eu adoro o que faço”, explica-se, sorrindo. Enquanto Serra é identificado com a Velha Economia, industrialista e keynesiana, sua filha é a cara da Nova Economia – financeira, digital, americanizada. O vocabulário e as referências de Verônica são Wall Street puro, ou puro Vale do Silício. Não há na conversa nenhum resquício da garota que foi diretora do Centro Acadêmico XI de Agosto, na Faculdade de Direito da USP, e puxou passeatas contra Fernando Collor. Ela lembra, irritada, que seu grupo no CA foi acusado de ser parte do PSDB e receber apoio financeiro da Fiesp. “Esse tipo de mentira me deixa tão indignada que eu prefiro não tomar parte da política”, diz ela. O pai político, por sua vez, também costumava ser cético em relação à Internet. Com o tempo, tranqüilizado pelo sucesso da filha, passou a se interessar e simpatizar. Agora, o ministro até manda recortes de jornais sobre o assunto. “Ele só acha que eu trabalho muito”, diz Verônica. Por conta do exílio do pai, ela nasceu no Chile e mudou-se aos quatros anos para os Estados Unidos. Chegou ao Brasil aos nove anos, em 1978. O lado bom dessa infância itinerante é que Verônica fala inglês e espanhol fluentemente.
O pulo do gato da sua carreira de capitalista de risco foi Harvard, para onde Verônica mudou-se em 1995 com uma bolsa de estudos. Lá, conseguiu o primeiro trabalho com fundos de investimentos, em uma companhia de administração de recursos chamada Leucadia. Seu desempenho ali levou-a à IRR. Mas os dois anos em Harvard serviram, sobretudo, para que montasse uma rede de relações pessoais que são a chave do seu trabalho, aquilo que os americanos chamam de networking. Mesmo os concorrentes que não gostam do seus estilo – arrogante, dizem — admitem que a moça tem excelentes contatos. Foi um amigo de curso que a colocou em contato, por exemplo, com os jovens argentinos que fundaram o site de finanças Patagon. Quando eles quiseram entrar no Brasil, em janeiro de 99, Verônica ajudou a contratar um CEO, arranjou parceiros estratégicos e deu conselhos gerais para o implante do negócio. Foi paga com ações da companhia. No início de março, quando o banco Santander comprou 75% da Patagon por US$ 550 milhões, as ações de Verônica já valiam 100 vezes mais. E ela não vendeu. Em julho próximo, quando a empresa entrar na Bolsa americana, o valor dos papéis poderá dar outro salto – ou não, porque há no ar um certo cansaço em relação aos papéis Internet. “Vamos ver. Talvez eu tenha tomado a decisão errada”, diz ela.
Quatro projetos Além de torná-la pessoalmente rica, o negócio da Patagon abriu para Verônica as portas para outros projetos latino-americanos. Hoje, ela tem no currículo quatro empresas na Argentina, duas no Chile e três nos Estados Unidos, lançadas por empresários latinos. Ela entra com assessoria, participação de 5% a 20% do negócio e, algumas vezes, atração de outros investidores. Os planos desses empreendedores chegam a ela, entre outras vias, pelo Círculo Pinguim – uma rede informal montada em torno dos fundadores da Patagon e seus amigos. A maioria deles, como Verônica, tem passagens nas universidades americanas. Isso é 100% networking, e funciona. “Na Internet, quem está fazendo sucesso se conhece”, diz ela. Trata-se, agora, de fazer-se conhecida também entre os brasileiros que ainda não fazem sucesso na rede, mas têm bons projetos de negócios. E a concorrência está dura. Pela primeira no Brasil, há mais dinheiro na praça do que boas idéias. E há uma moça obstinada correndo atrás delas.

 

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julho 16, 2008

Hora do Povo: "Presidente do STF solta duas vezes o ladrão que tentou subornar delegado. Procuradores pedem impeachment do meritíssimo" !!!

Mendes ignora TRF e STJ no afã de livrar Daniel Dantas
Fechou os olhos até para suborno comprovado

Ao fim da semana passada, alguns lembraram o processo movido pelo atual presidente do STF, Gilmar Mendes, contra o jurista Dalmo Dallari. Este havia escrito, quando Mendes foi nomeado por Fernando Henrique para o STF: “se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. (…) o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país”. A razão de Dallari era a atuação de Mendes como advogado-geral da União no governo Fernando Henrique. Pelos recentes acontecimentos, vê-se que ele não estava errado. O atual presidente do STF perdeu a questão contra Dallari na Justiça.
Na quarta-feira, enquanto a liderança do PSDB no Senado emitia nota em seu apoio, Gilmar Mendes declarava que a “jurisprudência do STF” (sic) era igual tanto para os pobres quanto para os ricos. O ministro se equivoca ou não sabe o que é jurisprudência – coisa em que não acreditamos. Ninguém está discutindo a “jurisprudência do STF”. O que está se discutindo são suas decisões unilaterais (“monocráticas”, como se diz em Direito), que, em menos de 24 horas, passando por cima de todas as instâncias intermediárias da própria Justiça, livraram duas vezes da cadeia um dos maiores escroques já aparecidos por aqui. Isso é muito diferente de discutir a “jurisprudência do STF”.
Como notou outro jurista, não há precedentes para tais decisões na história do judiciário brasileiro. Certamente, havia no inquérito sobejas provas de todas as acusações – gestão fraudulenta, formação de quadrilha, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, uso de informações privilegiadas e outros crimes, pois a carreira de Dantas é quase um Código Penal. Mas, o que tornava a prisão preventiva absolutamente mandatória era a ação de Dantas em interferir nas investigações – o que ficou claro pela oferta de suborno de um milhão de dólares a um dos delegados que o investigava. Essa tentativa foi gravada em áudio e vídeo, e, até mesmo, duas parcelas do dinheiro foram entregues ao delegado Vitor Hugo Rodrigues Alves. Portanto, estava demonstrada – mais do que isso era impossível – a tentativa de Dantas de interferir nas investigações, mais ainda quando o inquérito também demonstrou – como, aliás, era notório – que seu suborno também se estendia a comerciantes que dão plantão em certos jornais e revistas.
Porém, o presidente do STF considerou que o juiz de primeira instância, Fausto De Sanctis, “não indicou elementos concretos e individualizados, aptos a demonstrar a necessidade da prisão cautelar”.
A sentença do juiz De Sanctis tem 175 páginas – é um minucioso arrazoado dos motivos pelos quais a prisão preventiva de Daniel Dantas era não só cabível, como necessária. Além disso, não é preciso conhecer o Direito para saber que tentar subornar um delegado é interferir nas investigações.
No entanto, Mendes considerou, ao conceder o segundo habeas corpus, que o depoimento de Chicaroni (o emissário de Dantas para subornar o delegado) não é suficiente para concluir que Dantas está envolvido na tentativa de suborno, porque em apenas um momento ele é citado, quando o emissário “informa ter conhecimento que o controlador do Grupo Opportunity é Daniel Dantas e que Humberto (Braz, o outro emissário) estava na condição, naquele momento, de representante dos interesses do Grupo Opportunity”. O presidente do STF acha que isso não é indício de que Dantas tentava subornar o delegado. Nem as gravações, nas quais o emissário diz que Daniel Dantas está preocupado com a primeira instância, “uma vez que no STJ e no STF ele resolveria tudo” e que queria que o delegado “livrasse três, o Daniel, a irmã e o filho”. E nem o dinheiro, apreendido na casa de Chicaroni.
Sobre o papel de 2004 com a inscrição “contribuição para que um dos companheiros não fosse indiciado criminalmente”, Mendes afirma que é um papel apócrifo, que somente como exercício mental pode-se considerá-lo como um indício de alguma irregularidade. A respeito desse e de outros papéis que foram encontrados na casa de Dantas, Mendes diz que eles são de duvidosa idoneidade e vago significado, não justificando um pedido de prisão.
Por muito menos, houve gente que foi parar em Alcatraz. No entanto, a PF queria apenas uma prisão preventiva. Mas, segundo Mendes, os papéis, as gravações, enfim, as provas, não têm importância – quando o acusado chama-se Daniel Dantas.
Repare-se que Mendes recorreu a um expediente que, como apontaram vários juristas, é francamente ilegal e inconstitucional. O habeas corpus anterior havia sido concedido contra a prisão temporária, decretada pelo juiz De Sanctis, com o objetivo de impedir Dantas de destruir provas. A segunda prisão de Dantas, que não era temporária, mas preventiva, tinha outra base: impedi-lo de fugir, como o agora extraditado Cacciola, e de interferir nas investigações. Mas o presidente do STF tratou as duas prisões como se fossem a mesma – como se a PF e o juiz De Sanctis estivessem insistindo nos mesmos motivos – e saiu clamando contra um suposto “desrespeito” ao seu habeas corpus anterior. Assim, o seu segundo habeas corpus é uma reafirmação do primeiro habeas corpus, como se o pedido da PF e a sentença da primeira instância fossem iguais, apesar de serem inteiramente distintos.
Por que esse expediente? Com isso, Mendes passou por cima da segunda instância – o Tribunal Regional Federal (TRF) – e da terceira – o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assim, Dantas, em vez de fazer como todos os réus e recorrer ao TRF e depois ao STJ, recorreu logo à última instância, o STF, e foi atendido. Realmente, nunca houve uma sentença dessas na História do país. Criou-se, como observou o procurador Rodrigo de Grandis, um foro privilegiado para um único indivíduo: Daniel Dantas.
Gilmar Mendes era o menos indicado dos ministros do STF para conceder tal benefício a Dantas. Poderia, e teria razão, alegar suspeição – que não torna suspeito o juiz, mas, ao contrário, o livra de possíveis suspeitas se julgar determinada causa.
Mendes foi nomeado por Fernando Henrique, do qual foi Advogado-geral – e são evidentes os vínculos de Fernando Henrique e dos tucanos com Dantas (ver matéria nesta página e artigo na página 5).
Mais ainda: Mendes é amigo do advogado Luiz Carlos Madeira, um dos três advogados de Dantas que foram ao STF pedir prioridade para o habeas corpus do cliente. Madeira é advogado de Dantas quase desde a fundação do Opportunity, seu banco de segundo andar. Nesse mesmo período, foi também ministro do Tribunal Superior Eleitoral, tendo Gilmar Mendes por colega. No último dia 14 de maio, numa das gravações colhidas pela Operação Satiagraha, aparece a irmã e sócia de Dantas, Verônica, dizendo a alguém de nome Artur: “Precisa passar os detalhes sobre a legislação para o Madeira, que é amigo do Gilmar, e isso pode parar na mão dele (Mendes)”.
C.L.

Há farta prova contra o dono do Opportunity, afirma Tarso
O ministro da Justiça, Tarso Genro, avaliou que a revogação da prisão de Daniel Dantas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, “repercute de maneira negativa na população” e que a liberação pode facilitar a fuga do dono do Opportunity. “Essa possibilidade (a fuga) realmente existe”, disse, considerando que isso “depende da liberação que foi dada, se tem restrição ou não no território nacional”.
Tarso declarou que há “farta prova dentro do processo” contra Daniel Dantas, e que além dos crimes financeiros é um fato “praticamente comprovado” que ele tentou subornar um delegado da PF.
Sobre a alegação da defesa de Dantas de que haveria perseguição política por causa da disputa do comando da Brasil Telecom com setores do governo, como os fundos de pensão, Tarso disse que isso não tem “força moral”. “Eu pergunto: tem valor essa alegação, feita por uma pessoa contra quem já está praticamente comprovado no processo que tentou comprar um policial federal para distorcer o andamento do inquérito?”, afirmou.

Carvalho desmente que procurou Ministério a pedido de Greenhalgh
O chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República, Gilberto Carvalho, divulgou nota nesta segunda-feira esclarecendo o contexto de conversa com o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, divulgada na mídia sobre a Operação Satiagraha.
“No dia 28 de maio, o Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela Polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como Tenente da Polícia Militar de Minas Gerais exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa”, diz a nota de Carvalho.
“Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido Tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao Dr. Greenghalg, que na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades”.

Abin nega envolvimento na Operação Satiagraha
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) afirmou em nota, nesta segunda-feira, que são “absurdas e levianas” as informações de que tenha realizado grampo telefônico em apoio às ações da Polícia Federal na Operação Satiagraha que resultou na prisão de Daniel Dantas.
“A direção geral não tem e não teve nenhuma participação ou iniciativa, muito menos ingerência, nos fatos que resultaram na referida operação policial. Desde que deixou a direção do Departamento de Polícia Federal, em agosto de 2007, o atual diretor geral da Abin dedica-se exclusivamente à sua função”, diz a nota.
“A Abin não realiza quaisquer atividades para as quais não possua respaldo na legislação em vigor. Por isso, considera absurdas e levianas as declarações de que tenha executado monitoramento telefônico de quaisquer pessoas, sejam elas do setor público ou privado”.
Eike Batista é alvo da PF por fraude em licitação, sonegação e desvio de ouro
A Polícia Federal investiga o empresário Eike Batista, dono do grupo EBX, sobre denúncia de fraude na concessão de uma estrada de ferro no Amapá. Na última sexta-feira, a PF deflagrou a Operação Toque de Midas, que cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Eike Batista e nos escritórios do grupo no Pará, Amapá, Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
“Foram encontrados indícios de direcionamento da licitação”, diz a PF, para a Acará Empreendimentos, uma segunda empresa da EBX, que repassou a concessão para a primeira empresa, a MMX.
Segundo a polícia, “a referida concessão foi obtida por uma segunda empresa perante o governo do Estado do Amapá. A companhia vencedora repassou a concessão para a primeira empresa, ambas do mesmo grupo econômico”.
Além disso, a PF investiga o desvio de ouro lavrado nas minas do interior do Amapá, “havendo fortes suspeitas de que o minério não esteja sendo totalmente declarado perante os órgãos arrecadadores de tributos, principalmente a Receita Federal”, disse a nota da polícia.
A MMX teve o controle vendido no início do ano para a mineradora sul-africana Anglo American. A operação resultou na criação da Newco, que ficou com duas das quatro minas de ferro da MMX, o sistema Amapá e o sistema Minas-Rio.
Além do ramo de mineração, onde atua através da MMX, Eike Batista recentemente ingressou no ramo de petróleo com a OGX – criada há cerca de um ano – a empresa que protagonizou a maior abertura de capital da história do país. Em novembro do ano passado participou da nona rodada de licitação da ANP, de onde o governo retirou 41 blocos na camada do pré-sal. Arrivista financiou candidaturas
A Polícia Federal apreendeu no apartamento de Daniel Dantas a planilha “Contribuições ao Clube”. A planilha lista o pagamento de R$ 25 milhões, em 2004, “para despesas da campanha de Letícia”. Outra citação refere-se a pagamentos em outubro de 2002 e janeiro de 2003 para a “campanha de João à Presidência”, no valor total de R$ 5,5 milhões.
Além disso, está registrado o pagamento de 1,5 milhão (de reais ou dólares) feito em 2004, a titulo de contribuição para que um de seus colaboradores não fosse indiciado criminalmente. A pessoa que intermediou o acerto foi um tal de “Pedro” e foi pago em dinheiro vivo.

Governo e privatizações de FH fizeram fortuna de DD
Apesar de algumas aventuras anteriores ( especialmente na época do Plano Collor, onde várias notícias dão conta de que ele se valeu de informações privilegiadas às vésperas do confisco ), foi somente no governo Fernando Henrique que Daniel Dantas conseguiu turbinar a sua fortuna.
1) Em 1993 ele fundou o Opportunity. Mas, até Fernando Henrique assumir o governo, esta pequena arapuca financeira não tinha nenhuma importância. Em 1996, passou a fazer parte do esquema do Banestado – o envio ilegal de divisas para fora do país – junto com o Araucária, na época o banco da família Bornhausen e outros. O Opportunity especializou-se em colocar para dentro do Brasil dinheiro antes evadido como se fosse capital estrangeiro, para burlar o fisco.
2) Mas nada se comparou às privatizações. Em 1997, antes que começassem as privatizações da telefonia, US$ 2,5 bilhões foram depositados em um fundo do Opportunity, o CVC/Opportunity Equity Partners FIA. Os depositantes haviam sido os fundos de pensões das estatais, controlados por Ricardo Sérgio – então diretor do Banco do Brasil – e por Eduardo Jorge, secretário de Fernando Henrique. Havia centenas de melhores investimentos que os fundos de pensão poderiam fazer. O único efeito – a rigor, o único objetivo – desse depósito, era bancar Dantas, preparando o Opportunity para ser o principal representante tucano nos “consórcios” com empresas estrangeiras.
3) Aproveitando-se do dinheiro dos fundos de pensão estatais, Daniel Dantas, em conluio com uma certa Mary Lynn Turner, diretora do Citibank, fez com que esse banco americano formasse o CVC/Opportunity Equity Partners Ltd. e o nomeasse administrador. Assim, Dantas controlava os dois fundos, o primeiro, conhecido como “CVC/nacional”, e o outro, conhecido como “CVC/internacional”, sem colocar dinheiro de seu – exceto 0,06%.
4) No ano seguinte, com esses dois fundos, Dantas apropriou-se da Telemig Celular e da Amazônia Celular (junção das divisões de telefonia celular das teles do AM, PA, AM, RR e MA). Além do dinheiro dos fundos de pensão depositado no “CVC/nacional”, o governo ainda obrigou esses fundos a montarem um consórcio com o Opportunity – assim, a parte de Dantas no consórcio com os fundos das estatais era bancada por esses próprios fundos – e com a multinacional canadense TIW.
5) Em junho de 1998, Dantas açambarcou a Brasil Telecom (junção das teles do DF, RS, SC, PR, GO, MS, MT, TO, RO e AC). O consórcio foi outra vez entre o Opportunity e os fundos de pensão, mais a Italia Telecom. Dantas havia progredido: dessa vez entrou com 0,56% de recursos próprios.
6) Em ambas as privatizações mencionadas, o governo Fernando Henrique, montou um “acordo acionário”. Na primeira, os fundos de pensão eram obrigados a votar com Dantas nas assembléias do consórcio, a Telparte Participações S.A. Assim, os fundos das estatais depositavam dinheiro seu no Opportunity, eram obrigadas a se submeter a ele na privatização e, depois, obrigados a sustentá-lo na direção das empresas privatizadas. Estabeleceu-se que Dantas só poderia ser destituído da direção do CVC se a oposição a ele tivesse mais de 90% dos cotistas. Por fim, estava previsto que se um fundo de pensão votasse contra Dantas teria seu direito de voto suspenso por 12 anos.
7) Na segunda privatização acima mencionada, estourou o escândalo das gravações do BNDES, com conversas telefônicas onde Mendonça de Barros, Persio Arida, André Lara Resende, Ricardo Sérgio e o próprio Fernando combinavam a entrega da Telemar – a junção de teles de 16 Estados – ao Opportunity e à Telecom Italia. Mendonça de Barros pede que Ricardo Sérgio (diretor do BB, controlador, através de alguns prepostos, da Previ, o fundo de pensão do banco, e arrecadador de Serra e Fernando Henrique) banque o Opportunity. Este fala que “estamos no limite da irresponsabilidade”. Mendonça responde, algo eufórico: “É isso aí, estamos juntos. E Ricardo Sérgio: “Na hora que der merda, estamos juntos desde o início” (v. artigo de Gilson Caroni na página 8). Na verdade, Ricardo Sérgio fazia jogo duplo. Ao final, bancou em parte o Opportunity, mas fez os fundos jogarem principalmente no seu competidor, o grupo Jereissati. Mesmo assim, após o leilão, o governo impõe o Opportunity como sócio minoritário na Telemar.
8) Dantas também entrou na privatização do porto de Santos, através da “Santos Brasil”, na das empresas elétricas (Escelsa – Espírito Santo Centrais Elétricas – e Cemig – Companhia Energética de Minas Gerais), na do Metrô do Rio, sempre com os fundos das estatais à sua disposição, e na maior das privatizações, em que os fundos de pensão se consorciaram com a CSN, a da Vale do Rio Doce, no último momento o Opportunity entrou no açambarcamento da maior mineradora do mundo. Sabe-se o nome de quem aplainou o caminho para o Opportunity na Vale:
Ricardo Sérgio de Oliveira.

Lula apóia as prisões e as investigações da PF
O presidente Lula afirmou que a Polícia Federal cumpriu o seu papel ao prender Daniel Dantas durante a Operação Satiagraha. “A PF faz a sua investigação e toma suas decisões com base em decisão judicial. Ela não pode prender ninguém sem uma decisão judicial, não pode entrar na casa de ninguém sem decisão judicial”, declarou Lula, em entrevista durante a sua visita ao Vietnã, respondendo às críticas contra a ação da polícia.
Para Lula, a única maneira de alguém evitar uma investigação da PF é “andar na linha”. “Quem acha que pode viver de picaretagem, pode viver, mas um dia cai. Aí, vai ter que arcar com as conseqüências. Nós vamos continuar investigando toda e qualquer denúncia contra toda e qualquer pessoa”, assinalou. Quando um repórter perguntou sobre as prisões da PF contra “pessoas importantes” no Brasil, Lula ironizou: “Importante para quem, cara pálida?”. “Do que vi até agora, nenhuma pessoa envolvida tem qualquer importância político-eleitoral”, frisou.
Lula destacou que não quer “nem punir antecipadamente, nem absolver antecipadamente”. O presidente advertiu que “é importante que a PF trabalhe com todo o cuidado para não criar manchetes envolvendo nomes de pessoas que depois se transformam em inocentes e ninguém pede desculpas”.
Na segunda-feira (14), o presidente Lula e os ministros da coordenação política avaliaram como “consistente” e “exitosa” a Operação Satiagraha, em reunião no Palácio do Planalto. Concluíram, contudo, que foi um erro a PF dar exclusividade para a Globo nas imagens das prisões.

PF aponta colunistas e revistas na folha de pagamento de Dantas
O relatório final da Operação Satiagraha, assinado pelo delegado da Polícia Federal, Protógenes Pinheiro de Queiroz, afirma que a organização criminosa de Daniel Dantas manipula a mídia e compra jornalistas. O documento tem um capítulo inteiro sobre o envolvimento da mídia com a organização do dono do Opportunity.
O delegado escreve que as revistas “Veja” e “IstoÉ Dinheiro” estão a serviço do grupo de Dantas. O documento cita nominalmente Diogo Mainardi e a “Veja” como colaboradores da organização criminosa. Em um trecho do relatório, o delegado descreve: “… recente artigo publicado no dia 12.04.2008, edição 2054, da própria revista Veja, elaborado por um dos jornalistas colaboradores dessa organização criminosa, Diogo Mainardi [ OBS: Olha o duplo sentido involuntário: qual é a organização criminosa com a qual Mainardi colabora? A quadrilha do Dantas, ou a vEJA? ], sob o título ‘Entendeu, Tabatha’, eles retomaram algumas das práticas mais antigas e mais imundas do jornalismo, como a chantagem, a mentira, a propaganda do poder e a matéria paga”. A resposta de Mainardi ao relatório da PF foi um insulto ao delegado Protógenes. “É uma citação bisonha, uma patetice que infelizmente pode colaborar para que quadrilheiros escapem”, disse Mainardi.
O documento se refere também à jornalista da “Folha”, Andréa Michael, como “integrante da organização criminosa”, “travestida de correspondente da jornal Folha de São Paulo na cidade de Brasília”. Andréa Michael foi autora de reportagem, em abril, que antecipou, com exclusividade, a operação da PF. Em um diálogo descrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu blog, Andréa diz a Guilherme Henrique Sodré Martins (Guiga), membro do círculo íntimo de Daniel Dantas: “Avisa ao Daniel que tenho uma matéria de encomenda para ele”.
A PF revela também que Roberto D’Ávila, da “TVE Brasil”, recebeu R$ 50 mil em 2007 de Nahas e que Leonardo Attuch, editor da “IstoÉ Dinheiro” e colunista da “IstoÉ”, teria feito “artigos jornalísticos encomendados”.
No relatório constou também que no dia 13/01/2007, Daniel Dantas manteve diálogos com a irmã Verônica Dantas e Danielle Silbergleid afirmando textualmente da necessidade de utilizar a conexão direta entre ele e a imprensa como instrumento para plantar informações a fim de confundir a opinião de autoridades públicas nacionais e internacionais na disputa do grupo Opportunity, Citigroup, Telecom Italia pelo controle da BrT.

julho 15, 2008

Dantas falou "PT" e, para o imprensalão, isso basta!! Mas e o Echelon* que a filha de Serra e a irmã de Dantas tinham?

1) Essa daqui eu mandei para a Carta Capital ( site e revista ) quando percebi que o Estadão botou um monte de páginas que levavam a entender que Daniel Dantas surgiu em primeiro de Janeiro de 2003:
“Saudações,
Atualmente, é duro verificar que os jornalões estão inundando suas páginas com as peripécias de Daniel Dantas. E também é fácil verificar que a grande maioria da – assim chamada – opinião pública, ignora quem seja o personagem.
Mas os leitores de Carta Capital o conhecem bem. Pois a revista trouxe as andanças de Dantas pelo universo empresarial brasileiro, de modo que as denuncias conta ele não constituem surpresa.
Mas, voltando aos jornalões ( e revistas ), não acho que seja justo que faturem, agora, esgotando seus repartes, devido ao assunto, quando sabemos que a Carta foi a pioneira e os mesmos jornalões nada traziam a respeito. Por isso, quero sugerir à redação da revista, que lance nas bancas uma compilação das matérias mais importantes sobre Dantas, desde as que saíram quando Carta ainda tinha sua periodicidade mensal; uma espécie de “Guia”, para melhor situar o público nesse imbróglio. Vocês poderiam, até, junto aos textos, trazer as capas de jornais e revistas nos períodos correspondentes, para que possamos comparar quais assuntos eles destacavam, enquanto que Carta Capital trazia mais uma do Dantas.
Sem trocadilho, acho que vocês não devem perder esta “oportunidade”. “
2 ) Sim pois, a vinculação de Dantas ao PT ( e apenas a este ) desvincula o banqueiro das maiores relações, que foram com o governo do FHC. Sem contar a proximidade de sua irmã com a filha de José Serra, que já mencionei aqui algumas vezes. Mas, sem o brilhantismo deste post, publicado hoje no Entrelinhas, de Luiz Antonio Magalhães, que traz uma revelação chocante: entre os vários serviços que a empresa das duas Verônicas oferecia, havia algum tipo de “pesquisa cadastral” num “banco de dados” ( ou seria uma planilha? Tá, bom. Brincadeira. Desculpe. ) de 70 milhões de registros de brasileiros; de onde viriam tais informações? Da Kroll? Da Knowx ( ou, mais precisamente, da ChoicePoint )? Quiçá, da base de dados dos paulistas que a Secretaria de Segurança de SP pensava em vender ( leia: “Dados ou vendidos?“, neste blog, em 06.06.06 ) para a iniciativa privada ( apesar de, honestamente eu não saber dizer se a idéia se concretizou ) ? Bom, se não estou enganado, Greg Palas afirmou que dados de colombianos e brasileiros estariam sendo adquiridos pela ChoicePoint. Depois eu levanto essa capivara decentemente.
Luiz conclui o post afirmando que o empreendimento tem todo o jeito de coisa típica do Serra:
A pergunta que a mídia não faz: filha de Serra tem relações com a irmã de Dantas?
Blog ENTRELINHAS, 15.07.08
Verônica Serra, filha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantem hoje algum tipo de participação na empresa Decidir.
Com, da qual fez parte em sociedade com Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Valente Dantas?
Esta pergunta, pelo menos ao que este blog tenha conhecimento, não foi nem sequer formulada pelos jornalões e revistonas da grande imprensa brasileira. A nota abaixo, publicada em setembro de 2002 na revista IstoÉ Dinheiro, informa que Verônica Serra “tirou o seu nome” da empresa antes do pai ser formalmente indicado candidato do PSDB à presidência.
AS DUAS VERÔNICAS
Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, era sócia até 3 de maio último de Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, do Opportunity. Elas fundaram juntas uma empresa de internet, a Decidir.com, que continua em plena atividade. A empresa foi registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil. O site oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. A filha de Serra tirou o nome da empresa antes do pai ser oficializado candidato.
Ora, passadas as eleições, Verônica Serra voltou a se associar com a sua xará? Uma visita ao site Decidir.com traz algumas pistas, mas não todas. É possível saber que entre os investidores do negócio está o Opportunity, porém não há nenhum link para a diretoria da empresa ou equipe que comanda o empreendimento.
A visita, no entanto, vale a pena só pela descoberta do tipo de negócio com o qual as duas Verônicas se envolveram. Entre os produtos oferecidos estão:
1. Informações de Crédito – consultas sobre CPFs, protestos, cheques devolvidos, etc.
2. Serviço de Verificação de Identidade
3. Segurança Eletrônica
O segundo “produto” é oferecido com a seguinte descrição:
O que é o Serviço de Verificação de Identidade (SVI)?
O SVI representa a solução mais simples, ágil e prática para o problema de cadastros e mailings com dados duvidosos ou desatualizados. Se você quiser otimizar a utilização das bases de dados de clientes ou prospects e ainda ampliar os dados que possui de um cadastro pré-definido, o SVI é o seu maior aliado em uma ação eficiente para alcançar o target desejado.
• Como funciona o SVI?
1. Através do SVI, você enviará à DECIDIR a lista com apenas um dos campos dos seus registros preenchidos (ex. CPF).
2. A DECIDIR realizará as verificações sobre a validade dos dados, utilizando as bases de dados do seu sistema que compreendem mais de 70 milhões de registros em todo o Brasil.
3. Em poucas horas você recebe de volta a listagem original dos CPFs com os dados estatísticos que apontam a qualidade daquela base de dados. Para os registros válidos encontrados na base da DECIDIR, você receberá todas as informações que estão relacionadas àquele CPF. Como o leitor pode perceber, é até possível que Verônica Serra já não esteja mais neste ramo, mas que o negócio tem toda a cara do pai dela, ah, isto tem!
3 ) * ECHELON - saiba mais
4 ) Hoje, a Folha traz a informação de que o Dantas contratou advogados “ligados” ao PT, sem contrato formalizado ou rastro disso. São os atuantes Kakay e Teixeira, e seus serviços teriam sido prestados entre 2003 e 2005 ( ou seja, do começo do governo Lula, até a época dos eventos conhecidos como “Escândalo do Mensalão ); esses pagamentos teriam sido detectados durante uma auditoria feita na Brasil Telecom, em 2005 [ OBS: a matéria fala em "documentos inéditos" da auditoria ocorrida há 3 anos? Ninguém se interessou em divulgá-los desde então? ] a partir de pedido dos fundos de pensão, quando estes conseguiram o controle sobre a empresa, que vinha sendo comandada por Dantas. Essa auditoria constataria, também, que Dantas usava dinheiro da BrT para pagamento de funcionários dos quadros do Opportunity, informação – e denúncia – incluída na representação contra Dantas, apresentada contra ele pelos novos diretores da BrT, junto à CVM. O que nos leva a Teixeira e Kakay. Eles teriam recebido grana da BrT para fazer serviços de interesse do Opportunity. Mas, isso somente diria respeito a Dantas e a BrT, pois, a menos que os advogados soubessem que o dinheiro era da telefônica, isso é assunto interno que deve ser resolvido pelos acionistas.
Uma coisa que me parece inexplicável é por quais motivos um sujeito como Daniel Dantas [ que, ao que parece, capaz de grampear um monte de gente ( ironicamente, parece que até Naji Nahas e Paulo Maluf foram investigados pelo SSD - Serviço Secreto Dantesco ), contratar os serviços de espionagem da Kroll, comprar parte substancial do imprensalão ( se não a maior parte ) ] contrataria justamente para “prestar serviços” ( não estou sendo irônico, é que a expressão é vaga ) um advogado ligado a Lula e outro a Zé Dirceu, com tantos à disposição no país? E por quê um advogado nessas condições aceitaria “prestar serviços” a alguém com a biografia de Dantas, sabendo que isso poderia resultar em suspeitas, não contra Teixeira ou o Kakay, mas contra Lula, Dirceu, Dilma ou seja lá quem fosse? Ingenuidade assim, nem nos contos de fada sob a ótica de Walt Disney. Ainda mais se pensarmos que em 2002, ao que parece, Dantas já mandava grampear pessoas que fariam parte do governo Lula ( o que me faz refletir, agora, se Celso Daniel não teria sido, também, um dos personagens grampeados pelo esquema; isso poderia ter mudado completamente seu destino ).
Outa coisa: parece haver um movimento na direção de indispor a opinião pública contra os “excessos” da PF. Isso significaria dar, automaticamente, o aval às seguidas decisões de Gilmar Mendes que soltou Dantas por duas vezes. Mostrar petistas como Dirceu e Greenhalg se queixando das supostas arbitrariedades, ao contrário de parecer isenção, objetiva sugerir que tudo é feito pela PF na base da força excessiva, não importando quem seja ( incluíndo-se aí, é claro, a prisão com algemas de Dantas ). Para levar-nos a crer que o Juiz Sanctis e a PF estão errados e Gilmar Mendes, certo, haja ginástica.
E o vazamento de informações à Globo não é, simplesmente, um excesso, mas um favorecimento muito esquisito, e não atenta contra algum direito dos presos, em particular, mas de todos os cidadãos, que devem se perguntar o por quê dessa preferência:
Dantas pagou advogados ligados ao PT sem contrato
15/07 – – Folha de SP
Defensores próximos de Lula e Dirceu dizem ter prestado serviços entre 2003 e 2005
Dados sobre os pagamentos estão em auditoria feita a pedido dos novos donos da BrT, que foi gerida pelo banco de Dantas até 2005
RUBENS VALENTE
DA REPORTAGEM LOCAL
LEONARDO SOUZA DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Documentos inéditos da auditoria interna da Brasil Telecom de 2005 sobre a passagem do banqueiro Daniel Dantas no controle da companhia telefônica revelam pagamentos de R$ 1,2 milhão para o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e de pelo menos R$ 3 milhões para o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, amigo do ex-ministro José Dirceu (PT), sem que os auditores tivessem encontrado os contratos para a prestação de serviços de advocacia.
Kakay recebeu ao todo R$ 8,3 milhões. A auditoria encontrou apenas um contrato de R$ 5,3 milhões -sobre o qual afirmou não ter localizado nenhuma comprovação de efetiva prestação de serviços advocatícios. Teixeira afirmou que tem consigo uma cópia do contrato.
A Brasil Telecom foi controlada pelo banco de Dantas até meados de 2005, quando os fundos de pensão de estatais conseguiram na Justiça assumir o controle da companhia. Os novos donos então determinaram uma ampla auditoria.
A Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que investiga e prendeu Dantas na semana passada, apura atividades de advogados remunerados pelo banqueiro sem atuar formalmente em processos judiciais relacionados ao banco, como o ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Para a PF, tratava-se de lobby político. Ele nega irregularidades.
De acordo com documentos do relatório da auditoria da telefônica, aos quais a Folha teve acesso, o escritório de Roberto Teixeira foi pago pela BrT “para prestar serviços para o Opportunity”. Em dezembro de 2005, os auditores concluíram: “Não foram localizados contratos de Roberto Teixeira com a Brasil Telecom. Foram localizados pedidos de compra sem contrato e pagamentos para Roberto Teixeira, que somam R$ 1,2 milhão, entre abril de 2003 e março de 2005″.
Teixeira, segundo o histórico dos pagamentos, passou a ser remunerado três meses depois da chegada de Lula à Presidência. Os auditores citaram Teixeira como “advogado muito próximo de Lula”.
Em outra parte do relatório, os auditores listaram 39 pagamentos a empresas e pessoas físicas feitas a partir de “pedidos não vinculados a contratos”. São pagamentos de cerca de R$ 285 milhões. Entre os beneficiários, o escritório de Kakay, em Brasília, com R$ 8,3 milhões. Esse trecho do relatório é descrito como “análise de pedidos não vinculados a contratos, realizados pela presidência [da Brasil Telecom] e outras diretorias”.
A parte do relatório que trata dos serviços de Kakay traz um resumo das ligações políticas do advogado: “Conhecido como Kakay; advogado de DD [Daniel Dantas] no caso Kroll, juntamente com Nélio Machado e Oliveira Lima. Seriam também advogados de Carla Cicco no caso Kroll; Almeida Castro é muito amigo de José Dirceu (advogado desse) e diversas vezes ofereceu ajuda política a DD para aproximá-lo do governo por meio de Dirceu; DD recebe forte auxílio do PFL (ACM, Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes)”.
A auditoria também localizou um e-mail trocado entre um escritório de advocacia do Rio e o ex-diretor da Brasil Telecom Participações Humberto Braz, que se entregou ontem à PF, no decorrer da Operação Satiagraha. Ele é acusado de ter participado da tentativa de suborno dos delegados que atuam no caso, Victor Hugo Ferreira e Protógenes Queiroz.
O e-mail revela que Braz tinha um papel importante na relação entre a Brasil Telecom e advogados. Ele participou de uma reunião “no escritório do Kakay”, em Brasília, na qual foi “acertado” o pagamento de honorários “a título de êxito” no valor de US$ 1 milhão. Os advogados queriam suspender um mandado de segurança no STF ( Supremo Tribunal Federal ).
A auditoria na Brasil Telecom, concluída em dezembro de 2005, investigou pagamentos, contratações e serviços entre os anos de 2002 e 2005.
Outro lado
Advogado diz que prestou serviço a BrT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA REPORTAGEM LOCAL
O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que os R$ 8,3 milhões que recebeu da Brasil Telecom se devem a dois serviços prestados, um diretamente à companhia e o outro na defesa de Carla Cicco, ex-presidente da companhia, e do banqueiro Daniel Dantas em processo criminal em São Paulo.
O advogado Roberto Teixeira informou, por meio de assessoria, que tem em mãos o contrato prestado para a Brasil Telecom. “Se os auditores não acham o contrato, o problema é deles. A nossa cópia está conosco”, informou Teixeira, por escrito. Indagado, por intermédio da assessoria, sobre prazos, condições, objetivos e pagamentos do contrato, ele respondeu que “os advogados não têm o contrato à mão e consideram má-fé dos auditores dizerem que não há contrato”.
O primeiro caso citado por Kakay se refere ao acompanhamento de dois procedimentos de investigação no Ministério Público Federal sobre a privatização da CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações), comprada em 2000 pela BrT.
Por conta desse primeiro contrato, Kakay recebeu R$ 5,3 milhões. Segundo ele, sua função era orientar os advogados da BrT sobre como proceder nos trabalhos de investigação do Ministério Público.”Dizem que eu não fiz nada nesse caso. Atuei diretamente com os advogados da BrT, orientando-os passo a passo durante todo o tempo”, disse Kakay, acrescentando que seus honorários se justificam pelos valores envolvidos.
Os outros R$ 3 milhões, afirma o advogado, dizem respeito à defesa de Dantas e de Cicco, como pessoas físicas, no inquérito da Operação Chacal, que apurou a participação dos dois na contratação da agência Kroll para investigar autoridades do governo brasileiro.
A assessoria do banco Opportunity em SP informou que as notícias sobre os pagamentos sem contratos a Teixeira e Kakay “já foram divulgadas” em anos anteriores. Disse que o jornal poderia buscar “em seus próprios arquivos” as respostas sobre as indagações feitas pela reportagem ontem à noite.
Outro lado
Petistas negam tráfico de influência
EM SÃO PAULO
O ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) voltou ontem a negar que tenha feito tráfico de influência no Planalto em prol do banqueiro Daniel Dantas, mas se recusou a comentar a nota do chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho.
Também em nota, Greenhalgh disse que atuou como advogado e criticou a acusação da Polícia Federal de que ele transita “nos subterrâneos” dos tribunais com o objetivo de favorecer Dantas.”Não é possível classificar como ato ilícito o fato de um advogado transitar nos tribunais, inferiores ou superiores, bem como nas delegacias… Isso faz parte da rotina diária de todo advogado.”
O ex-deputado negou ainda ter tratado do caso em encontro que teve no aeroporto de Brasília com José Dirceu (PT), em maio. “Nunca tratamos sobres Dantas, nem nesse encontro nem em outros.”
Dirceu também negou: “Audácia e certeza da impunidade não têm limites na PF”.
“Evanise Santos é minha namorada e nessa condição foi procurada por Greenhalgh, e não como funcionária da Presidência”, disse em seu blog.
íntegra
“Não fiz contato algum com a PF”, afirma Carvalho
DA REDAÇÃO
Leia a íntegra da nota de Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete do presidente Lula.
“Esclarecimentos do chefe do gabinete pessoal do presidente da República, Gilberto Carvalho, sobre o contexto das conversas que teve com o advogado e ex-deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, mencionadas no noticiário relacionado à Operação Satiagraha da Polícia Federal.
No dia 28 de maio, o dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como tenente da Polícia Militar de Minas Gerais, exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa. Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao dr. Greenhalgh, que, na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas autoridades.
Presidente diz a ministros ver excessos em operação policial
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em reunião ontem com seus principais ministros, o presidente Lula avaliou a Operação Satiagraha como “consistente do ponto de vista investigatório” e “positiva” para a imagem do governo, segundo relatos obtidos pela Folha.
Lula fez dois reparos à operação. Disse que o vazamento da prisão do ex-prefeito Celso Pitta para a TV Globo é um excesso e pediu que o ministro Tarso Genro (Justiça) tome providências disciplinares. Também julgou excessivo o uso de algemas. Disse, porém, que deve haver um critério único.
O presidente defendeu o chefe-de-gabinete, Gilberto Carvalho, que apareceu em um grampo conversando com Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Disse em conversa reservada que ele, Carvalho e o ministros devem redobrar cuidados com pleitos de amigos e de partidários sem cargo público em audiências e telefonemas. (KENNEDY ALENCAR E VALDO CRUZ)
Defesa critica Tarso e diz que Abin é “SNI”
Advogado de Dantas afirma ter constatado grampos ilegais de conversas entre advogados, segundo ele uma “barbaridade”
Para Nélio Machado, que vê interesse político de Tarso, é reprovável ministro ter dito que será “muito difícil” para Dantas provar sua inocência
ROBERTO MACHADO
DA SUCURSAL DO RIO
O advogado Nélio Machado, que defende Daniel Dantas, acusou a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) de estar agindo de forma ilegal e paralela à investigação da Polícia Federal e criticou o comportamento do ministro da Justiça, Tarso Genro, no episódio da prisão do dono do Opportunity.
Preso duas vezes na semana passada e beneficiado por habeas corpus concedido pelo STF ( Supremo Tribunal Federal ), Dantas é acusado de chefiar uma quadrilha responsável por diversos crimes financeiros e fiscais a partir das empresas do grupo Opportunity.
O advogado afirmou que existem indícios de que agentes da Abin interceptaram ilegalmente conversas telefônicas. “Eu constatei interceptação da conversa de advogados, o que é uma barbaridade. Tem inclusive interceptação de conversa do meu cliente com um advogado dele nos Estados Unidos.”
Segundo Machado, há indícios de que a Abin tenha monitorado a comunicação entre os advogados de Dantas, no Rio e em Brasília. “Incluindo troca de e-mails entre o meu escritório e o do Pedro Gordilho e Alberto Pavie. Também com o de Luiz Carlos Madeira, em Brasília. São todos advogados da maior seriedade. É uma audácia interferir mediante grampo, que eu acredito que seja ilegal.”
Disse ter indícios de que a ida de Pavie ao STF, na última terça, horas após a prisão de Dantas, foi monitorada pela Abin: “Essa investigação é muito estranha porque revela, de maneira chapada e indisfarçável, a presença de uma entidade que não tem nenhuma atribuição de atuar em investigação de natureza penal, que eu chamo de SNI [Serviço Nacional de Informações, antigo nome da Abin].”
O advogado de Dantas afirmou que Tarso teria interesses políticos no episódio. “Vê-se que o presidente da República lançou, ou pelo menos prestigiou, a ministra Dilma [ Rousseff ]. Subitamente vê-se o ministro Tarso ocupar espaço. Ele integra o Executivo e está agindo meio à solta. O próprio presidente deu declarações posteriores muito mais comedidas.”
Machado disse que a avaliação de Tarso, em entrevista à Folha publicada no domingo, de que seria “muito difícil” para Dantas provar inocência é “reprovável” ( OBS: “reprovável” é a Folha colocar a frase como manchete; isso o Genro não tem controle sobre; mas foi prematura essa entrevista, sim ) . “Ele está agindo como o algoz. Faz juízo de valor.”
Sobre o depoimento de Hugo Chicaroni, que disse ter recebido dinheiro para tentar subornar um delegado da PF em benefício de Dantas, Machado afirmou tratar-se de ação “isolada”. “Não há envolvimento do meu cliente com aquela ação.”
Ao criticar a atuação do juiz da 6ª Vara Criminal de São Paulo Fausto De Sanctis, que ordenou as prisões de Dantas, Machado antecipou uma das linhas que utilizará na defesa. “Um juiz tem que se preocupar com o julgamento técnico. Esse caso está viciado desde o início porque violaram o HD [disco rígido] do banco [Opportunity] contra uma ordem judicial do STF. Juiz de primeira instância não pode ir contra o Supremo.”
Agência admite atuação, mas nega “clandestinidade”
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) confirmou que agentes secretos, a pedido do delegado Protógenes Queiroz, participaram da Operação Satiagraha ( OBS: Não é necessário algum tipo de documento de requisição entre as agências? Lembrei dum caso envolvendo arapongas no Ministério da Saúde, à época de Serra; se não me engano, eram necessários certos procedimentos para tal fim ) O órgão negou ter atuado “clandestinamente”, mas sua atuação foi considerada irregular pelo governo.
Ontem, durante reunião de coordenação, o ministro Tarso Genro (Justiça) confirmou a participação de agentes da Abin na operação e afirmou que esse foi um dos erros cometidos por Queiroz. Tarso disse ao presidente Lula que o delegado não adotou o procedimento normal -fazer o pedido à Abin pela diretoria de operações da PF ( OBS: Ah! Tá aqui! ).
Em nota, a Abin afirmou ontem que o diretor-geral do órgão, Paulo Lacerda, “não tem e não teve nenhuma participação ou iniciativa, muito menos ingerência, nos fatos que resultaram” na ação, mas que é comum a “cooperação com os demais órgãos públicos”. “[A Abin] não realiza quaisquer atividades para as quais não possua respaldo na legislação.”
A Folha revelou, no dia 10, que agentes da Abin atuaram no caso à revelia da direção da PF. Em maio, agentes seguiram o carro de Humberto Braz, assessor de Dantas, pelas ruas do Rio. (LUCAS FERRAZ e VALDO CRUZ)
Procuradores avaliam pedido de impeachment para Mendes
DA REPORTAGEM LOCAL
Não está consolidado, mas procuradores da República estudam a possibilidade de pedir o impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que determinou a soltura do banqueiro Daniel Dantas mesmo sem analisar as provas e a decisão do juiz de 1ª instância.
A idéia, que seria encabeçada pela procuradora Ana Lúcia Amaral, vem sendo discutida na intranet do Ministério Público. Procuradores entendem que Mendes cometeu crime de responsabilidade ao ignorar os tribunais de 2ª e 3ª instâncias.
Alguns acreditam que a iniciativa teria o apoio da classe (179 procuradores assinaram carta de apoio ao juiz Fausto Martin De Sanctis) e dos magistrados (cerca de 400 juízes do Tribunal Regional Federal assinaram manifesto de repúdio à decisão de Mendes).
O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse ontem que a Casa tem competência para avaliar um impeachment. “Mas acho difícil prosperar. O que está sendo discutido é uma decisão judicial, não é crime de responsabilidade, a não ser que o documento traga alguma consistência em relação ao crime.”

julho 13, 2008

No passado, a explicação do presente: Memorial sobre a atuação de Dantas e do Opportunity ( 2005 )

O destaque em vermelho é meu.
ANAPAR apresenta Memorial sobre a atuação do banqueiro Daniel Dantas e do Grupo Opportunity
Boletim Eletrônico ANAPAR
21/09/2005 – Ano V – Nº 176
A ANAPAR apresentou, a deputados e senadores, um Memorial sobre a atuação do banqueiro Daniel Dantas e do Grupo Opportunity. O documento foi elaborado a partir de farto material divulgado por grandes veículos de imprensa brasileiros e de processos, inquéritos e investigações públicos feitos pela Polícia Federal, Comissão de Valores Mobiliários e tribunais brasileiros. O objetivo é elucidar a atuação do Opportunity e de seu controlador, Daniel Dantas, nas empresas em que aparece como sócio de doze fundos de pensão brasileiros. Previ, Petros, Funcef, Centrus, Eletrocee, Celos, Forluz, Fundação Copel, Fachesf, Valia, Telos, Sistel e Fundação 14 aplicaram recursos em um fundo de investimentos, conhecido originalmente por CVC Nacional e atualmente como FIA, e em participações diretas em seis empresas – Brasil Telecom, Telemig Celular, Amazônia Celular, Santos Brasil, Metrô do Rio de Janeiro e Sanepar. O Citibank também aportou recursos em outro fundo – CVC Equity Partners, o fundo estrangeiro – que participa das mesmas empresas. Estes dois fundos foram administrados pelo Opportunity, que também controla um terceiro – Opportunity Fund, com sede nas Ilhas Cayman. Dantas montou uma teia de empresas de participação administradas por seus prepostos, sempre em benefício do chefe e em prejuízo dos fundos de pensão e dos demais sócios. Estas empresas nunca pagaram dividendos aos fundos. Em 2003 os fundos de pensão conseguiram afastar o Opportunity da administração do fundo FIA, por irregularidades na administração e descumprimento de dever fiduciário. Em março de 2005 o Citibank, até então aliado de Dantas, também o afastou, por medida judicial, do controle do CVC estrangeiro e move contra ele ação de indenização de cerca de US$ 300 milhões. Desde então, sucessivas assembléias vêm afastando os prepostos do Opportunity do comando das empresas de participação. No dia 30 de setembro será realizada a assembléia da Brasil Telecom, maior e mais importante das empresas. A cada dia novos prejuízos, irregularidades e descalabros praticados pelos comandados de Dantas são revelados. Os gastos irregulares e exorbitantes com advogados, aviões, taxas de administração, comissões e outras rubricas chegam a centenas de milhões de reais, sempre em prejuízo dos fundos de pensão e outros investidores. O Opportunity e seus controladores foram indiciados, acusados ou condenados em processos no Brasil, nos Estados Unidos e nas Ilhas Cayman. Várias são as acusações: roubo de documentos, falsificação de documentos e provas, descumprimento de dever fiduciário, administração irregular, investigação ilegal de membros do governo e de outras instituições, escuta telefônica clandestina, descumprimento de decisões judiciais, formação de quadrilha, participação irregular de brasileiros em fundos de investimento destinados a estrangeiros, dentre outras.
CPMI pode ajudar a clarear muitas questões – Hoje, dia 21 de setembro, Daniel Dantas prestará depoimento em sessão conjunta das CPMIs do Mensalão e dos Correios. Muitas questões precisam ser respondidas por ele e as comissões parlamentares têm poderes para solicitar documentos e informações, tais como as investigações realizadas pela Kroll e pelo espião de origem israelense Avner Shemesch; a interferência de membros do governo FHC no processo de privatização das empresas de telefonia, em benefício do Opportunity; os investidores brasileiros que aplicaram recursos no Opportunity Fund, sediado no paraíso fiscal das Ilhas Cayman; os depósitos de pelo menos R$ 165 milhões, feitos pela Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular nas contas das empresas de Marcos Valério, depósitos que acontecem desde 1998, logo após a privatização das teles; os vôos feitos pelos aviões do Consórcio Voa Brasil, de propriedade das três empresas controladas pelo Opportunity – há suspeitas de vôos para paraísos fiscais e para regiões onde as empresas proprietárias não operam, muitas vezes com boa freqüência de políticos e figuras ilustres; os acordos e práticas lesivas aos fundos de pensão e demais sócios – Citibank, Telecom Itália e outros. É preciso, ainda, abrir os dados das contas 368 nas Ilhas Cayman, movimentadas pela irmã de Daniel, Verônica Dantas, para sabermos quem são os investidores do Opportunity Fund. Muitas questões precisam ser esclarecidas, inclusive a tentativa de venda da Telemig Celular para a Vivo, sem consulta aos demais sócios. Há graves suspeitas de que o Opportunity utilizaria o dinheiro desta venda para comprar a participação do Citibank na Brasil Telecom. Pagamento que seria feito com dinheiros dos outros, como ocorreu no leilão de privatização. As CPMIs precisam pedir os dados do Hard Disk de computador apreendido pela Polícia Federal durante as investigações envolvendo escutas clandestinas. Muitas revelações poderão ser feitas. É muito provável que o depoente – munido de hábeas corpus concedido pelo ministro do STF Gilmar Mendes – queira jogar uma cortina de fumaça sobre todas estas informações, sem responder a questões formuladas. A história e os fatos dirão. 400 mil participantes de 12 fundos de pensão querem ver levantados os prejuízos causados aos seus investimentos, e se irregularidades forem comprovadas, que os fundos sejam indenizados.

julho 12, 2008

Caso Daniel Dantas. Nova soltura. Chegou a hora do Impeachman do ministro Mendes.

Wálter Fanganiello Maierovitch, do IBGF – Instituto Brasileiro Giovanni Falcone
12.07.08

Prezados, segue a entrevista que dei para o Portal do Terra e ao jornalista Diego Salmen.

Para o desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Wálter Maierovitch, o novo habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, ao banqueiro Daniel Dantas mostra que o presidente do STF está “extrapolando suas funções”.
- Ele (Gilmar Mendes) está atuando com abuso de direito. Está extrapolando as funções dele. O Supremo virou ele – critica.
Presidente e fundador do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, Maierovitch diz que já é hora de pensar num impeachment do presidente do presidente do Supremo.
- Para o presidente da Republica tem impeachment, o ministro Celso Mello considera que pode haver impeachment para ministros do próprio Supremo. Está na hora de se pensar num impeachment do Gilmar Mendes.
Leia a seguir a entrevista com Wálter Maierovtich:
Terra Magazine – Como avalia a nova libertação de Daniel Dantas?
Wálter Maierovitch - Eu vejo isso da pior forma possivel. Pelo seguinte: a prisão preventiva é necessária. O Daniel Dantas até falou hoje que ia abrir a boca. Se trata de uma potentíssima organização criminosa que age ininterruptamente. Os documentos comprovam o poder corruptor dela.
Na decisão, Gilmar Mendes argumenta que “não há fatos novos de relevância suficiente a permitir a nova ordem de prisão expedida”.
Os fatos novos existem, tanto que foram usados documentos aprendidos nas diligências da Polícia Federal. Os institutos são diferentes: a prisão temporária garante o sucesso das operações, a preventiva é para garantir a ordem pública. Outra coisa: o Supremo é um órgão colegiado. O Gilmar Mendes é um preparador do que os outros vão julgar. Ele está contrariando a jurisprudência, que diz que liminar em habeas corpus liberatório só pode ser concedida quando há abuso evidente. Quando não é evidente, tem que mandar para o plenário do Supremo. Ele está atuando com abuso de direito. Está extrapolando as funções dele. O Supremo virou ele.
Imagine alguém que esteja preso por homicídio. Aí a vítima aparece viva. Tem que assinar uma liminar para o acusado pelo homicidio sair da cadeia. Aí sim. Ele (Gilmar Mendes) tá exagerando nisso. Existe prova nova, não só isso, como também se aplicou outra forma de cautela, que é a prisão preventiva. E está evidente que Dantas em liberdade irá intimidar e atrapalhar as investigações.
Um assessor de Daniel Dantas disse que seria “fácil” resolver uma eventual indiciação de Daniel Dantas no STF. Isso não constrange o ministro Gilmar Mendes?
Isso pode ser uma bravata, mas o que dizer de um fato tão grave quanto esse, que é quando a Ellen Gracie impediu a abertura do disco rigído do Opportunity. O Daniel Dantas já foi muito beneficiado pela Justiça. Para o presidente da Republica tem impeachment, o ministro Celso Mello considera que pode haver impeachment para ministros do próprio Supremo. Está na hora de se pensar num impeachment do Gilmar Mendes.

MAIS:
Continue acompanhando o caso pelo TERRA MAGAZINE . Evite o imprensalão.
Em conversas na PF, Daniel Dantas afirma ter corrompido jornalistas
Portal Imprensa, 11.07.08
121 juízes demonstram indignação com Mendes
Terra, 11.07.08
Jornal confunde os Dantas e publica foto de ator no lugar de banqueiro
Comunique-se, 11.07.08

Apoiamos o juiz federal Fausto De Sanctis
Esse blog tem como único objetivo demonstrar o apoio de muitos brasileiros aos atos do juiz federal Fausto Martin De Sanctis no conhecido “caso Daniel Dantas”

Estadão mostra foto de Lênin e diz que é Stalin
ENCALHE 28.05.07
Jornal OESP, edição de Domingo, Caderno de Cultura, pag. D4
Resenha de Ronaldo Bressane, sobre livro de Martin Amis.
Ilustrando o texto a foto de uma estátua do camarada Lênin; sob ela, a inscrição: “ESCULTURA DE STALIN”. ( Só que, infelizmente, não traz a foto. Fica para registro, mas um dia eu descolo, devo ter em algum lugar )

Anamatra divulga nota sobre a Operação Satiagraha
Entidade se manifesta em defesa da independência judicial

julho 10, 2008

Motivos políticos

Já houve alguém acusando a prisão de Dantas, Pitta e Nahas ter sido por motivos políticos ou eleitorais?
Sim, porque a prisão de Pitta pode constranger Maluf e Kassab, e a de Verônica Dantas, que compôs uma sociedade comercial com a filha de José Serra, bom, pode dar pano pra manga.

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