Uma lembrança da minha juventude não sai tem saído da minha cabeça nestes últimos dias.
Estavam vários homens conversando numa rodinha quando chega um outro (maldoso) e fala: João (nome fictício), é bom tomar muito cuidado. Eu falo isto porque sou seu amigo. Tome cuidado com sua esposa. Eu a vi entrando na casa do Antônio ontem a tarde toda apressada, olhando para os lados. Parecia que não queria que ninguém a visse. O Antônio está de férias. Cuidado! Não confia muito não.
João sentiu a dor da informação no peito. Ficou nervoso, com o orgulho ferido. Seus “amigos” de conversa estavam com risinhos nos lábios. Dominado pelo orgulho e pelo julgamento precipitado ele correu até sua casa.
Chegando lá encontrou sua esposa fazendo suas atividades domésticas. Ao vê-la explodiu de ódio e começou a empurrá-la e xinga-la. A mulher chorava em prantos e se defendia com medo das agressões do marido. Foi necessário a intervenção de mais de um parente, que escutando os gritos vieram correndo para ajudar.
Este casal ficou 1 ano separado, os filhos sofreram e a mulher desmoralizada por algumas horas.
Sim, por algumas horas ela foi a puta traidora. Em pouco tempo a verdade apareceu completa.
O Antônio estava de férias e havia ido pescar com amigos no pantanal, a centenas de quilômetros de distâcia. A esposa do Antônio ajudava na igreja, junto com a mulher do João. Aproveitando a ausência do Antônio as mulheres do grupo de caridade da igreja se reuniram na casa dele para separarem a roupa do bazar. Lá estavam mais de 15 mulheres ajudando na separação e no conserto das roupas.
O que o maldoso falou era verdade, meia verdade.
O João se deixou dominar pelo orgulho ferido e pela influência de pessoas que queriam vê-lo infeliz.
Resultado: a família sofreu, sofreu muito.
O julgamento precipitado, baseado em emoções negativas, é um dos piores conselheiros que temos.
Tenho me lembrado desta história da minha infância por causa dos cartões corporativos do governo federal.
Hoje ouvi no rádio uma destas pessoas maldosas falando da farra, do uso do cartão por ministros marajás que aumenta a cada ano.
É a tal meia verdade.
Primeiro: O número de cartões tem aumentado ano a ano. São milhares de cartões, não é só ministro que os usa.
Segundo: os gastos com cheque diminuíram, diminuíram muito.
Terceiro: no governo Lula os gastos CORPORATIVOS são menores, bem menores do que no governo FHC. Estes gastos incluem cartões, cheques e dinheiro.
Quarto: hoje se sabe onde, quanto e quando há um gasto com estes cartões. Pela primeira vez se sabe onde um ministro, um assessor, um reitor de universidade, etc, gastam o dinheiro público. Antes do atual governo estas informações eram quase impossível de serem conhecidas.
Quinto: só temos esta informação transparente do governo federal. Onde estão os gastos dos governos estaduais. Será que os secretários do Serra não viajam? Será que não comem? Porque eles escondem estes gastos?
Quinto: a importância da transparência é justamente poder cobrar explicações e acumular experiência para que estes gastos possam ser feitos com mais equilíbrio.
Antes de destruir algo bom, devemos lutar para aprimorá-los.
Lembrem: existem muitas pessoas interessadas em dominar a mente das pessoas através da negativização constante da realidade.
Elas vivem disso, ganham dinheiro com isto e tem um enorme prazer com isto.
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