ENCALHE

maio 24, 2009

Vale reduz "projeção" de investimentos mas, AO CONTRÁRIO DA FOLHA, não diz que é por causa da "crise"

Filed under: "Proxenetas da Crise", crise econômica mundial, Vale do Rio Doce — Humberto @ 3:14 am
Primeiro: press release da Vale, sobre seu desempenho no primeiro trimestre de 2009, dando um panorama da situação da companhia:
O desempenho da Vale no 1T09
Lidando com o cenário atual
6/5/2009
A Vale apresentou sólido desempenho no primeiro trimestre de 2009 (1T09), apesar do impacto desfavorável da mais severa recessão global no período pós-guerra.
Para enfrentar o cenário recessivo, temos focado na flexibilidade operacional e financeira, procurando maximizar eficiência, minimizar custos e contribuir para o reequilíbrio dos mercados onde atuamos. Nosso portfólio de ativos de classe mundial, solidez financeira e a rápida resposta dada à dinâmica da recessão, nos possibilitam continuar a gerar valor ao longo dos ciclos.
Os principais destaques do desempenho da Vale no 1T09 foram:
. Receita bruta de US$ 5,4 bilhões, tendo havido redução de 27,2% relativamente aos US$ 7,4 bilhões do 4T08.
. Lucro operacional, medido pelo EBIT ajustado(a) (lucro antes de juros e impostos), de US$ 1,7 bilhão, 16,3% menor do que 4T08.
. Margem operacional, medida pela margem EBIT ajustado, de 31,6%, com elevação de 390 pontos base em relação à margem do trimestre anterior.
. Geração de caixa, medida pelo EBITDA ajustado(b) (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização): US$ 2,3 bilhões no 1T09, comparado a US$ 2,7 bilhões no 4T08.
. Lucro líquido de US$ 1,4 bilhão, equivalente a US$ 0,26 por ação diluído, igual ao alcançado no 4T08.
. Investimento – excluindo aquisições – de US$ 1,7 bilhão contra US$ 3,5 bilhões no trimestre anterior.
. Distribuição de dividendos de US$ 1,25 bilhão – US$ 0,24 por ação ordinária ou preferencial – pagos em 30 de abril de 2009, correspondente a primeira parcela da remuneração mínima ao acionista para 2009.
. Sólida posição financeira, apoiada em expressivo caixa de US$ 12,2 bilhões, disponibilidade de linhas de crédito de médio e longo prazo para o financiamento de projetos e endividamento de baixo risco.
Olha, eu não entendo NADA desses assuntos, mas eu sei ler ( ao contrário dos futuros adultos que estão sendo AGORA alfabetizados pelo Apagão Educacional Continuado do governo Covas/ Alckmin/ Serra ), pelo menos. E, no fato relevante que a Vale mandou publicar [ abaixo ], não há nada que sugira que a empresa esteja tirando o pé do freio ( com relação ao iniciamente previsto – previsto, repito – em outubro de 2008 ) devido, especialmente, à crise. Vejam e digam se não tenho alguma razão:
VALE R DOCE (VALE-N1) – FATO RELEVANTE / RETIFICACAO (22/05) VALE R DOCE (VALE-N1) – Revisao do Orcamento de investimentos de 2009 – Fato Relevante – Retificacao DRI: Fabio De Oliveira Barbosa
A empresa enviou o seguinte fato relevante:
A Companhia Vale do Rio Doce (Vale) informa que o Conselho de Administracao aprovou a revisao do orcamento de investimentos de 2009 para US$ 9,035 bilhoes , ante US$ 14,235 bilhoes anunciado em 16 de outubro de 2008. Essa revisao reflete basicamente variacao de preco das moedas nas quais nossos dispendios sao denominados, revisao de custos de equipamentos e de implantacao,
atrasos associados principalmente a obtencao de licencas ambientais, e simplificacao ou mudanca de escopo de alguns projetos.
De acordo com o novo orcamento, serao investidos US$ 6,961 bilhoes em crescimento organico, dos quais US$ 5,930 bilhoes em projetos e US$ 1,031 bilhao em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Esperamos investir US$ 2,074 bilhoes na manutencao das operacoes existentes.
Serao investidos US$ 3,109 bilhoes em minerais nao-ferrosos, representando 34,4% do capex total para 2009, enquanto minerais ferrosos receberao o montante de US$ 2,302 bilhoes, 25,5% do capex total. Dispendios com infra-estrutura incluem US$ 630 milhoes em geracao de energia e US$ 1,858 bilhao em logistica, cuja maior parte sera destinada para suportar o plano de expansao de capacidade de producao de minerio de ferro. Planejamos investir US$ 578 milhoes no segmento de carvao em 2009.
Os projetos com maiores dispendios em 2009 sao: linha de transporte maritimo (US$ 595 milhoes), Goro (US$ 520 milhoes), Carajas 130 Mtpa (US$ 455 milhoes), Onca Puma (US$ 435 milhoes), Salobo (US$ 375 milhoes), Oma (US$ 353 milhoes), Moatize (US$ 319 milhoes), Bayovar (US$ 308 milhoes), Tubarao VIII (US$ 230 milhoes) e Serra Sul
MAIS:

Vale revisa orçamento de investimentos de 2009 para US$ 9,0 bilhões
http://www.vale.com/vale/media/0521RevCapex_p.pdf
Então. Tem a ver com câmbio ( pode ocorrer a qualquer época; e o que tem de empresa que especulou com o dólar e perdeu… “Culpa” da crise? ) e “demora” em licenças ambientais. Da mesma forma com que tratam a “sonegação” da Petrobrás, os jornais contam com a ignorância do público [ eu incluso ] sobre estas questões para divulgar o que quiserem.
Vejam como a Folha manchetou, em 22 de maio [ pág. B-1 ]:
“Abalada pela crise [ sic ], Vale corta U$ 5, 2 bi em investimentos”
O sub-título: “Empresa cita atraso em licença ambiental e real valorizado para explicar cortes”
Ou seja: nem com a própria Vale explicando, a Folha acata. E, pior, trata o que seria, originalmente, uma previsão [ uma "estimativa" ] da empresa, como um orçamento cristalizado e que, portanto, foi “cortado” antes de ter sido realizado. Quero dizer: a Vale não separou a grana – dinheiro vivo – num cofre e disse: “Ano que vem, este será o nosso gasto” para, sete meses depois, chegar e tirar alguns valores daquele que estava “reservado”. Aliás, isso pode ter acontecido sim: separou a grana e pôs no cofre, contando com uma licença ambiental que viria, só que esta não veio. E aí? Vai ficar com este dinheiro “parado” no cofre? Talvez seja melhor esperar um pouco. Enquanto isso, vamos comprar uns papéis do governo, antes que os juros baixem demais.
Prosseguindo. Ainda sobre a Vale, a matéria prossegue na página B-3:
“Vale corta 37% de seu investimento neste ano” [ Ou melhor: "Vale revê previsão de investimento em 2009, que poderá ser 37% menor que o estimado ].
Na verdade, estou indo pelo caminho errado: o câmbio está AJUDANDO A VALE. Vejam [ em vemelho ]:
Vale corta 37% de seu investimento neste ano
Mineradora diz que câmbio barateou investimentos, mas encolhe projetos.
Mineradora é uma das mais afetadas pela crise global, que reduziu a demanda por minério de ferro, seu principal produto.
Uma das empresas brasileiras mais afetadas pela crise global, a Vale do Rio Doce anunciou ontem uma redução drástica de seu plano de investimento para 2009. Os US$ 14,235 bilhões em investimentos anunciados em outubro de 2008 foram reduzidos agora para US$ 9,035 bilhões. Trata-se de um corte de 37% -ou US$ 5,2 bilhões.
Segundo a Vale, a valorização do real reduziu seus custos, permitindo que ela faça investimentos gastando menos recursos. A mineradora, segunda maior empresa do Brasil (atrás só da Petrobras), alega ainda que atrasos em licenças ambientais seguraram investimentos.
Essa revisão reflete basicamente a variação de preço das moedas nas quais nossos dispêndios são denominados, revisão de custos de equipamentos e de implantação, atrasos associados principalmente à obtenção de licenças ambientais e simplificação ou mudança de escopo de alguns projetos”, disse a Vale em comunicado no início da noite de ontem.
A empresa não atribuiu à crise o corte de investimentos, [ OBS: ao contrário da Folha ] mas ‘é natural rever projetos em momentos de forte desaceleração do consumo global de minério de ferro’ [ "É natural rever projetos", diz a Folha, com razão, mas não há nada dizendo que a Vale esteja aplicando essa teoria neste momento; isso é, no mínimo, uma elucubração do jornal, só que contrabandeada para o texto ]. A crise travou a produção siderúrgica mundial – que, em alguns país, foi reduzida à metade – e levou à reboque o mercado de minério de ferro, principal insumo do aço.
Diante desse cenário, a produção da Vale, maior produtora mundial do minério, caiu 25,9% no primeiro trimestre na comparação com o período de outubro a dezembro do ano passado. Segundo a companhia, uma “redução de demanda sem precedentes” provocou o tombo.
Com uma produção menor, a empresa viu seus ganhos minguarem. A mineradora lucrou R$ 3,151 bilhões no primeiro trimestre deste ano, abaixo da cifra recorde de R$ 10,4 bilhões do quarto trimestre de 2008.
Nos números apresentados à CVM, porém, a Vale ajustou o balanço do primeiro trimestre deste ano e os dos trimestres anteriores às novas regras contábeis [ É...Essa parte me parece importante mas, infelizmente, eu não entendo de Contabilidade ] e informou um crescimento de 29,1% no lucro no primeiro trimestre deste ano em relação ao quarto trimestre de 2008, que teve o valor revisado para R$ 2,4 bilhões. Se comparado o resultado do primeiro trimestre com os R$ 10,4 bilhões dos três meses anteriores (sem ajuste), a queda seria de 69%.
Projetos
Pelo novo orçamento, serão investidos US$ 6,961 bilhões em expansão de suas atividades -dos quais US$ 5,930 bilhões em projetos e US$ 1,031 bilhão em pesquisa e desenvolvimento. Outros US$ 2,074 bilhões irão para a manutenção das operações existentes.
Por áreas de negócio, US$ 3,109 bilhões serão alocados em minerais não-ferrosos (especialmente cobre e níquel), o que representa 34,4% do total. Os ferrosos receberão US$ 2,302 bilhões, 25,5% do investimento global.
Para a área de infraestrutura, foram alocados US$ 630 milhões em geração de energia e US$ 1,858 bilhão em logística -cuja maior parte será destinada para suportar o plano de aumento da produção de minério de ferro. Em carvão, a Vale investirá US$ 578 milhões.
Ações
Desde a eclosão da crise global, em 15 de setembro passado, as ações da Vale chegaram a cair 37%, mas se recuperaram e ontem acumulavam queda de 9,3% desde aquela data, ante 4,39% do Ibovespa.
- A “concorrência” [ no caso, o Estadão ] dando a mesma notícia:
Vale corta US$ 5 bilhões em investimentos
Estado, 22/05/2009
A Vale reduziu em US$ 5,2 bilhões sua projeção de investimentos para 2009. A decisão, aprovada ontem pelo conselho de administração da companhia, foi motivada por três fatores: redução de custos [ UAI! E isso é ruim ou é bom? ] , desvalorização do real e alongamento dos cronogramas de alguns projetos [ OBS: aqui não fala em "licenças ambientais" ] . A cifra supera o valor de todos os projetos de expansão do setor de papel e celulose para os próximos quatro anos, que soma cerca de US$ 4,5 bilhões, segundo estimativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em comunicado divulgado ontem ao mercado, a Vale informou que o novo orçamento para 2009 é de US$ 9,035 bilhões, 36,5% inferior aos US$ 14,235 bilhões projetados inicialmente. A possibilidade de revisão [ OPS! É apenas uma "possibilidade" de revisão? Agora eu me compliquei! ] dos investimentos foi sinalizada durante a divulgação do balanço do primeiro trimestre da companhia, em virtude das mudanças no cenário econômico desde o estouro da crise financeira mundial.
Em outubro de 2008, quando a companhia bateu o martelo e divulgou seu plano de investimento, o ambiente ainda não refletia uma desaceleração tão forte da economia mundial. O cenário piorou nos meses seguintes, obrigando a companhia a adotar uma série de medidas, como a demissão de 1,3 mil funcionários e a suspensão de atividades em algumas minas, com a concessão de férias coletivas aos trabalhadores. Por outro lado, naquela época, os custos estavam inflados por conta do ritmo acelerado de investimentos dos últimos anos.
A companhia diz que a revisão dos investimentos não significa que os projetos deixarão de ser tocados. Em alguns casos, a redução de gastos foi obtida com a queda no custo de insumos e matérias-primas nos últimos meses. Em outros, há o impacto da desvalorização cambial, que reduz o valor em dólar de encomendas de bens e serviços que são pagas em reais.
Mas há também a postergação de investimentos em projetos que não têm mercado consumidor neste momento. Nesse caso, se enquadram principalmente as operações em níquel, que tiveram redução de 18,2% nos investimentos previstos em 2009, para US$ 1,381 bilhão. No texto divulgado ontem, a empresa diz que os projetos de níquel Onça Puma, Goro, Totem e Salobo – com investimento total de US$ 7,9 bilhões – têm sua conclusão “sujeita às condições de mercado”.
O corte mais significativo, porém, recaiu sobre os projetos do segmento de minerais ferrosos, especialmente nas minas de Carajás e Serra Sul, ambas no Pará. A previsão era gastar com ferrosos US$ 4,554 bilhões este ano, volume reduzido para US$ 2,853 bilhões. Só o projeto Serra Sul teve seu orçamento encolhido de US$ 675 milhões para US$ 233 milhões.
Maior investimento individual da companhia atualmente, com o orçamento total de US$ 11,297 bilhões, tem início de operações previsto para o primeiro semestre de 2013.
A expansão da mina de Carajás para 130 milhões de toneladas de capacidade também sofreu corte expressivo, de US$ 798 milhões para US$ 455 milhões. A empresa projeta uma nova usina de britagem e ampliação da estrutura logística para 2011.
O vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, lamentou a redução de investimentos, mas reconheceu que a empresa tem de se ajustar ao cenário atual. “Ela está se adaptando à nova realidade de demanda internacional”, afirmou. Em abril, a companhia já havia anunciado uma redução de US$ 600 milhões em seus investimentos em logística programados até 2013, que caíram de US$ 12 bilhões para US$ 11,4 bilhões.

CONCLUSÃO: Que falta o Aloysio Biondi nos [ me ] faz…
AGORA SE VOCÊ, MEU SENTIMENTAL AMIGO, FICOU COM PENA DA VALE, LEIA ISTO:
Maria Antonieta não teria feito pior
Vale demite, reduz salários e distribui R$ 5 bi a acionistas
Conselho ratificou a indecorosa proposta da diretoria da empresa
Nos últimos meses, a Vale tem demitido e imposto reduções de salário, usando a crise como pretexto. Na segunda-feira, o Conselho de Administração da empresa anunciou que distribuirá entre os acionistas R$ 5,059 bilhões e que, depois de pagar esses dividendos, a empresa ainda terá, em lucros acumulados, R$ 15,178 bilhões, que serão mantidos como “reserva” – ou seja, irão para a especulação financeira. A Vale, roubada do Estado – isto é, do povo – e sorvendo bilhões do BNDES tem uma folha de pagamento mundial que é metade do que ela distribuiu em dividendos.
Vale usa a crise como pretexto para demitir e reduzir salários
HORA DO POVO, 18 DE MARÇO DE 2009
Empresa lucra R$ 15 bilhões, distribui R$ 5 bilhões em dividendos e demite 12 mil
Havíamos noticiado há algumas semanas que a Vale do Rio Doce, no mesmo momento em que demitia trabalhadores e chantageava sindicatos para que aceitassem reduções de salários, resolvia, por decisão de sua diretoria, distribuir US$ 2,5 bilhões – ou cerca de R$ 5 bilhões – em dividendos.
De lá para cá, a Vale demitiu, segundo fontes sindicais, alguns milhares de trabalhadores (o número de 1.300 demitidos, fornecido pela diretoria da empresa, segundo vários dirigentes sindicais, é totalmente subestimado; a CUT denunciou um total de 12 mil demissões, se incluídos os funcionários terceirizados). Além disso, alguns sindicatos fecharam acordos de redução de salário com a ridícula compensação de “estabilidade até 31 de maio”.
Na última semana, o Conselho de Administração da Vale anunciou que distribuirá entre os acionistas a quantia de 5 bilhões e 59 mil reais – ou seja, aprovou a proposta da diretoria. E, mais, declarou que depois de pagar esses dividendos, a empresa ainda terá, em lucros acumulados, R$ 15 bilhões e 178 milhões, que serão mantidos como “reserva”, o que, para bom entendedor, significa que estão sendo usados na especulação financeira, pois não existe a hipótese desse dinheiro ficar parado no banco ou no cofre do Agnelli – preposto que o Bradesco, acionista minoritário, encilhou na presidência da Vale ao módico salário de R$ 448 mil por mês.
Somente para frisar: não estamos falando de “entradas”, de “receita” ou de “faturamento” – o Conselho de Administração da Vale declarou que, depois de distribuir R$ 5 bilhões, ainda terá em caixa R$ 15 bilhões em lucros, ou seja, dinheiro líquido, já pagos os impostos e as despesas de produção.
Os números batem, exatamente, com aqueles citados pelos sindicatos de Congonhas, Ouro Preto e Itabira, em documento enviado à diretoria da Vale. Por essa razão, é possível confiar em outro dado fornecido por esses sindicatos: a folha de pagamento mundial da Vale equivale meramente à metade dos dividendos que estão sendo distribuídos aos acionistas. No entanto, há meses que a diretoria da Vale tenta cortar os salários em 50%, recorrendo a pressões a que alguns mais débeis cederam.
Mas, com R$ 15 bilhões de lucros em caixa e R$ 5 bilhões distribuídos aos acionistas, qual a necessidade de demitir ou reduzir salários? Ora, a necessidade é arrancar o couro dos trabalhadores, lucrar mais e mais, nem que seja pisando o pescoço dos funcionários.
Isso numa companhia que era estatal, que foi vendida a um preço tão irrisório que seu suposto “valor de mercado” hoje é quarenta vezes o da época da “privatização” – certamente não porque a diretoria seja mais competente que na época em que era estatal (nem os privatistas conseguiram ser cínicos o suficiente para fazer tal afirmação). Simplesmente, a privatização foi um roubo.
E, mais: é uma empresa que, depois de privatizada, vive dragando o dinheiro do BNDES. Somente uma das linhas de crédito que o BNDES concedeu à Vale, no primeiro semestre do ano passado, monta a US$ 7,3 bilhões (sete bilhões e 300 milhões de dólares – ver o recente artigo do presidente do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro, Paulo Passarinho, “A Vale do Rio Doce, a CUT e o governo Lula”).
Em suma, é uma empresa que foi roubada do Estado e do seu dono, o povo brasileiro, e que não realiza seus investimentos com financiamentos do Bradesco, mas com financiamentos do BNDES – dinheiro público e dinheiro dos trabalhadores, através do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), principal fonte de recursos do BNDES.
Depois disso tudo, a decantada “responsabilidade social” da Vale está em demitir e reduzir os salários dos trabalhadores, sem outra necessidade que a maximização do lucro por meios abertamente anti-sociais.
No entanto, os entes estatais – fundos de pensão públicos, o próprio BNDES e o governo federal – têm a maioria das ações da empresa. Estranhamente, o Bradesco, que emplacou o atual presidente, tem cerca de 8% das ações. Os fundos de pensão (Previ, do Banco do Brasil; Petros, da Petrobrás; Funcef, da Caixa Econômica Federal) mais o BNDES (através da BNDESPar) detêm 60,52% do “consórcio controlador”, a Valepar, que, por sua vez, controla 53,6% das ações com direito a voto da empresa – e, além disso, o governo federal ainda possui mais 6,8% dessas ações com direito a voto.
Portanto, em princípio, nada impede que o governo acabe com uma administração que transformou um dos maiores patrimônios do povo brasileiro numa fonte de desemprego e miséria – mesmo quando está abarrotada de lucros.
No entanto, as ações dos fundos de pensão e do BNDES – embora não aquelas pertencentes diretamente ao governo federal – têm servido apenas para catapultar interesses minoritários e lesivos ao país, especialmente aos seus trabalhadores. Não é racional – e, sobretudo, não é saudável – que isso continue por mais tempo.
CARLOS LOPES
Após demitir no Brasil, Vale explora africanos
HORA DO POVO, 01 DE ABRIL DE 2009
Após demitir mais de mil trabalhadores brasileiros no final do ano passado e de anunciar recentemente a compra de 50% de participação no capital das subsidiárias da TEAL Exploration & Mining Incorporated, que atuam em projetos de exploração e mineração na República Democrática do Congo, Moçambique, Namíbia e Zâmbia, a mineradora Vale do Rio Doce programa mais um investimento no exterior. Trata-se da construção de uma usina térmica a carvão em Moçambique, que deverá consumir cerca de US$ 2,8 bilhões.
Segundo informações de integrantes do governo local, o novo aporte da Vale é uma continuidade do projeto Carvão Moatize, que absorverá investimentos da ordem de US$ 1,3 bilhão. O objetivo seria a produção de energia elétrica para atender a própria demanda e para vender em outros países da África.
Em 2008, a Vale teve um lucro líquido recorde de R$ 21,279 bilhões, o que representa um crescimento de 6,36% em relação ao ano anterior. No início deste mês, a empresa aprovou a distribuição de US$ 2,5 bilhões – ou cerca de R$ 5 bilhões – em dividendos. Além disso, informou que mantinha em caixa, como “reserva”, R$ 15,178 bilhões. Ao mesmo tempo em que expande seus negócios para outros países e promove demissões no Brasil, a Vale recebe bilhões do BNDES em empréstimos subsidiados.

dezembro 14, 2008

LADRÃO ROUBA EMPRESA E AMEAÇA TRABALHADORES!!!

É notícia bem “mundo-cão sarnento”: o presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, em entrevista concedida ao Estadão ( ”É hora de medidas de exceção”leia aqui, que esta eu não reproduzirei no blog; tudo tem um limite!!! ), diz ter chegado até o Lula e proposto a “flexibilização” das leis trabalhistas ( talvez o dileto senhor não queira ter dito “flexibilização da Lei Áurea”, inclusive até “aumentando a base de incidência desta lei, para também incluir os brancos e demais raças e etnias que vivem aqui no torrão tropical? ) como medida para – claro… – ajudar a “combater a crise”. Antigamente, as “medidas de exceção” eram evocada para combater o comunismo, o inimigo externo, o interno, o terrorismo ( se estes atacariam, ou mesmo se existiam de verdade, era outra conversa ).
Em meio a toda essa gritaria vinda de todos os lados, além do próprio conhecimento limitadíssimo sobre a questão ( impossível para os leigos, eu incluído ), mesmo assim não acho que seja possível que, vai, “todos ( todos no mundo ) estejam perdendo tudo ao mesmo tempo”.
O que eu quero dizer é que, mesmo na base da adivinhação, é possível afirmar sem medo de errar, que a “crise”, a “marolinha”, o “crash”, essa por***ra deve estar sendo bem aproveitada por alguém ( ou “alguéns” ).
Por isso, veio meio “fora de tempo” estas propostas do seu Agnelli, já que debaixo da barafunda de informações, que se parece mostrar indecifrável até mesmo para os especialistas sérios, o cara vem sacar da manga, justamente, uma proposta de nabo para os trabalhadores. Um script previsível e já gasto. Um remédio vencido.
Mas novos remédios poderão ser ministrados: que tal o governo e as autarquias responsáveis pelo assunto façam todos os esforços necessários, afim de receber os impostos sonegados pelas grandes companhias?
Ou, melhor ainda: que tal retomar a discussão que pretende fazer a Vale do Rio Doce voltar a ser uma empresa estatal, e botar na cadeia os que a doaram, de mão beijada, a preço de banana, à iniciativa privada – além, claro, aquele que a receberam, pois não souberam recusar tamanha generosidade do governo FHC?
MEMÓRIA:
Principais argumentos contra a venda da Vale
CONGRESSO EM FOCO,
Confira os principais argumentos contra a venda da Companhia Vale do Rio Doce, nos quais a desembargadora federal Selene Maria de Almeida se baseou para redigir o voto acolhido pelos colegas do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Com a decisão, retomou-se o andamento de 69 ações populares que pedem a nulidade da privatização da Vale e sua exclusão do Programa Nacional de Desestatização.
1) O “sumiço” de 9,688 bilhões de toneladas em reservas de minério de ferro
Conforme relatório técnico da Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), em maio de 1995, a Vale informou à Securities and Exchange Commission – SEC, órgão responsável pela fiscalização do mercado de ações norte-americano – que suas reservas de minério de ferro nas minas do Sistema Sul, todas localizadas em Minas Gerais, totalizavam 7,918 bilhões de toneladas.
No edital de venda da empresa (item 6.5.1), o Sistema Sul aparece com apenas 1,4 bilhão de toneladas, ou seja, 6,518 bilhões de toneladas a menos.
A Vale informou à SEC que as reservas minerais do complexo de Carajás, situado no Pará, eram de 4,970 bilhões de toneladas. No edital, as reservas de Carajás foram estimadas em 1,8 bilhão de toneladas – 3,170 bilhões de toneladas a menos.
Quantificar o valor financeiro das reservas subavaliadas é tarefa bastante complicada. Tudo depende, afinal, da situação em que elas se encontravam à época da privatização. Os preços médios praticados no mercado eram de US$ 14 a tonelada (hoje, ficam entre US$ 22 e US$ 23) para o minério in natura. Mas tais valores certamente não poderiam ser o parâmetro para nenhum cálculo, já que incorporam o custo total de produção da tonelada, incluindo gastos administrativos, tributos e o transporte até o local da entrega do minério exportado.
Assim, ficariam duas referências: o valor do minério de ferro dentro da mina, estimado pela Coppe em dez centavos de dólar por tonelada, e o seu preço “na boca da mina”, isto é, já extraído. Nesse caso, o valor à época da privatização, de acordo com a Coppe, corresponderia a US$ 8 a tonelada.
Portanto, as reservas excluídas da avaliação representariam, em termos financeiros, entre R$ 1,094 bilhão e R$ 87,579 bilhões.
2) Critério de avaliação subestimou valor financeiro das reservas
Além da subavaliação física das reservas de minério, a Mineral Resources Development Inc. (MRDI) – subcontratada do consórcio liderado pela Merril Lynch e Bradesco S/A para avaliar o patrimônio da Vale – ignorou todas as reservas cujo produto já estivesse na boca da mina, concluiu a Coppe.
Desse modo, mesmo as reservas indicadas na avaliação teriam sido financeiramente subavaliadas, já que seu valor foi calculado como se todo o produto estivesse in situ, ou seja, dentro da mina. Como não se determinou o montante das reservas “na boca da mina”, faltam elementos para mostrar o impacto financeiro da subavaliação.
3) Subavaliação das reservas de manganês
A Vale informou ainda à SEC, em maio de 1995, que suas reservas lavráveis, provadas e prováveis, de manganês eram de 65 milhões de toneladas.
Em 28 de junho de 1996, depois de iniciado o processo de privatização, a MRDI avaliou as mesmas reservas em 26 milhões de toneladas. São 31 milhões de toneladas a menos.
Somente em duas reservas de manganês, Mina Azul e Urucum, a Coppe constatou uma diferença de 9 milhões de toneladas a menos.
Assim como ocorreu com as reservas de minério de ferro, a MRDI avaliou as reservas de manganês como se todo o produto estivesse in situ, ou seja, dentro da mina. O minério situado dentro da mina era cotado, em média, a US$ 0,5/tonelada, enquanto a cotação do minério mine gate (na boca da mina) subia para US$ 20/tonelada.
4) Subavaliação das reservas de ouro: diferença de pelo menos R$ 406,4 milhões
Segundo a Vale informou à SEC, em maio de 1995, suas reservas de ouro somavam 113,2 toneladas. Mas o edital de venda da empresa (item 6.5.3) indicou reservas de 106,4 toneladas. Uma diferença de 6,8 toneladas de ouro a menos.
Todas as reservas de ouro foram avaliadas como se o produto estivesse todo dentro da mina. Os técnicos da Coppe confrontaram os números obtidos na avaliação oficial e calcularam possíveis prejuízos com as reservas de ouro. A conclusão é que eles totalizaram, a preços da época, pelo menos R$ 406,4 milhões.
5) Subavaliação das reservas de bauxita
O relatório da Coppe, ao analisar as reservas de bauxita da mina de Trombetas (PA), aponta uma subavaliação de 192 milhões de toneladas. Tomando por base o valor unitário in situ de US$ 0,25/t, chega-se a um prejuízo estimado de US$ 48 milhões, ou R$ 54,24 milhões à época da privatização.
Atualmente, estima-se que a Vale detenha 11% das reservas mundiais de bauxita. No ano passado, a empresa investiu US$ 1,2 bilhão nas atividades de alumínio e bauxita, que já são sua segunda maior fonte de receita.
6) Minerais que não foram avaliados
As reservas minerais de titânio, nióbio, calcário, dolomito, fosfato, estanho/cassiterita, granito, zinco e grafita não foram avaliadas pela MRDI e, por isso, não entraram no edital como parte do patrimônio da Vale.
No entanto, conforme documento enviado em abril de 1997 pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, a CVRD detinha reservas provadas e prováveis de titânio de 92,5 milhões de toneladas.
O mesmo ofício do DNPM aponta reservas de nióbio de 69,1 milhões de toneladas.
O Brasil detém mais de 62% das reservas mundiais de titânio, e 79% dessas reservas pertencem à Vale. O titânio é um mineral estratégico para as indústrias químicas, nucleares, naval, aeroespaciais e outras.
Quanto ao nióbio, o Brasil possui 88% das reservas mundiais do minério, que é utilizado para a fabricação de aços de alta resistência, como os usados em naves espaciais. Os reatores nucleares também dependem do nióbio para fusão em altas temperaturas.
7) Subavaliação do setor de florestas, celuloses e papel
Em março de 1997, na época da avaliação, estimava-se que a Vale dispunha de 5.800 km2 de florestas replantadas. Nessa área, equivalente à da cidade de Brasília, extraía-se matéria-prima para a produção de 400 mil toneladas por ano de celulose.
O relatório da Coppe mostra que houve discrepância na avaliação das atividades da Vale nessa área, na qual a empresa atuava por meio da Bahia Sul Celulose S/A. Foram feitas duas avaliações, absolutamente divergentes (R$ 262 milhões e R$ 207 milhões), prevalecendo a mais baixa. Uma diferença de R$ 55 milhões. Para o Ministério Público Federal, deveria ter sido feita uma terceira avaliação da Bahia Sul.
8) Valor zero dos direitos de lavra
Antes da privatização, a Vale recebeu concessões, por tempo indeterminado, para realizar pesquisas de lavra em cerca de 23 milhões de hectares do território brasileiro, área equivalente aos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba e Rio Grande do Norte juntos. Essas concessões de lavra passaram à propriedade da Vale privatizada com “valor zero” – sem avaliação, na qualidade de meras “expectativas de direitos”.
Os engenheiros da Coppe estimam que 104 jazidas minerais ficaram de fora da avaliação do patrimônio da Vale, o que reduziu o valor contabilizado das reservas da empresa em mais US$ 114,5 milhões (R$ 129,38 milhões, pela cotação da época).
Em 31 de março de 1997, pouco mais de um mês antes do leilão de privatização, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES) e a Vale firmaram um contrato de risco para estabelecer uma cota de participação do banco nos eventuais lucros da Vale com as novas jazidas, ainda não exploradas comercialmente.
Ficou definido que cada parte investiria US$ 110 milhões, para custear as pesquisas de lavra, acertando-se que os lucros seriam divididos igualmente entre o banco e a CVRD. A respeito desse contrato, a assessoria de imprensa do BNDES informou que ele ainda está em vigência e que a União, representada pelo banco, detém 50% de lucro sobre as novas jazidas que a Vale descobrir e vier a explorar.
9) Transferência ilegal dos minerais nucleares
Segundo informações da própria Vale do Rio Doce, constantes de um documento da Comissão Nacional de Energia Nuclear de março de 1997 e do relatório da Coppe, confirmou-se a presença de urânio – mineral nuclear de uso estratégico – nas áreas denominadas Corpo Alemão e Corpo Salobo 3 Alpha (na área da Salobo Metais, subsidiária da Vale em funcionamento no Para).
Também verificou-se a ocorrência em Corpo Salobo 3 Alpha de tório, outro mineral radioativo. Na época, estimava-se que a Vale detinha 1,8 milhões de toneladas de urânio
Ocorre que de acordo com o artigo 21 da Constituição Federal, a exploração de minerais nucleares é monopólio da União Federal, incluindo direitos sobre pesquisa, lavra, enriquecimento e reprocessamento, industrialização e comércio desses minerais. Reforçando a exclusividade, a Emenda Constitucional 9/95 acrescentou que a pesquisa desses minerais não pode ser objeto de transferência por meio de contrato a empresas privadas.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), toda iniciativa de atividade nuclear está sob controle do Congresso Nacional, nos termos do artigo 49 da Constituição. Mas, com a privatização, a Vale levou consigo os trabalhos de pesquisa de minerais radioativos em seus campos de prospecção.
10) A ligação entre a Merril Lynch e a Anglo American
Ao longo dos trabalhos de avaliação do patrimônio da Vale, veio à tona a informação de que a empresa Merril Lynch, líder do consórcio contratado para realizar o serviço, adquirira, em 1995, a empresa Smith New Court, controladora de outra corretora, a Smith Borkum Hare (SBH). O problema é que a SBH atuava como corretora da Anglo American, concorrente internacional da Vale e potencial compradora da empresa.
A Anglo American participou do leilão de privatização, consorciada com o grupo Votorantim. Na visão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, os vínculos entre a Merril Lynch e a Anglo American comprometeram a imparcialidade do leilão.
Na época, a relação especial entre as empresas foi denunciada pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados, mas o BNDES amenizou o fato, argumentando que a ligação entre a SBH e a Anglo American era “puramente administrativa”.
O ex-deputado federal e advogado Marcello Cerqueira, membro das reuniões técnicas do grupo de trabalho da Comissão Externa da Câmara, chegou a receber pelo correio a cópia de um fax emitido em 13 de março de 1997, por um executivo da Merril Lynch no Brasil e endereçado ao vice-presidente do BNDES, dizendo estar enviando o material preparado “pelo nosso pessoal em Nova York” para uso pessoal dele. Em anexo, estava um texto escrito em inglês com tópicos que orientavam a resposta que viria a ser dada pelo presidente do BNDES em entrevista coletiva no dia seguinte, 14 de março. Esse documento foi usado em notificação judicial ao BNDES, que se explicou respondendo que se tratava de rotina do banco.
Sobre o fato, no acórdão do TRF, a juíza Selene assinala: “Essa circunstância específica objetivamente exige, até prova em contrário, que se analise com prudência a avaliação procedida pela Merril Lynch”.
11) Não avaliação da propriedade do Complexo de Carajás
Em 1986, por meio da resolução 331/86, o Senado autorizou a União a ceder, gratuitamente, à Companhia Vale do Rio Doce, o direito de uso sobre o imóvel de sua propriedade. No entanto, a cessão só foi efetivada mais de dez anos depois, com a edição de um decreto no dia 6 de março de 1997, depois de terminada a avaliação do patrimônio da Vale.
Dessa forma, a propriedade de 4.119,48 km2 – equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo – ficou de fora do edital de venda da empresa e, portanto, não entrou na avaliação do patrimônio.
ATUALIZADA EM: 13/04/2006
Associação de municípios acusa mineradoras de sonegação
Por: Agência Câmara
Data de Publicação: 15 de março de 2007
De acordo com o assessor jurídico da Associação dos Municípios Mineradores do Pará, Sebastião Tadeu Filho, é urgente adotar medidas para frear a sonegação de impostos por parte de empresas do setor. “Na maioria dos municípios do Pará, há empresas atuando há mais de dez anos sem que as prefeituras tenham sequer conhecimento de suas atividades”, disse o assessor. Ele lembrou que 65% dos impostos incidentes sobre a mineração são destinados ao municípios.
No Pará, continuou Tadeu Filho, as primeiras fiscalizações ocorreram em 2001 e foram encontradas dívidas que, em valores atuais, chegam a R$ 400 milhões. Em Minas Gerais, segundo ele, a primeira vistoria ocorreu no ano passado e os técnicos constataram sonegação de cerca de R$ 1 bilhão. Tadeu Filho afirmou ainda que, mesmo quando as dívidas são detectadas, as empresas recorrem a manobras judiciais para não pagá-las.
Sistemas de outorga
Outros problemas que o assessor considera como graves são os sistemas de outorga e de cotas de minério. Segundo ele, por causa do sistema de concessão a empresa Vale do Rio Doce concentra 90% das autorizações para exploração mineral no Pará, mas usa menos de 10% desse total. “O restante fica guardado para o futuro ou para ser negociado em bolsas de valores em momento propício”, atesta.
Somada ao sistema de cotas de exploração, essa realidade, segundo Tadeu Filho, gera concentração no setor. De acordo com ele, milhares de investidores interessados em investir na região para atender o mercado nacional não conseguem fazê-lo.
Na avaliação do secretário de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia, Claudio Scliar, um dos pontos imprescindíveis para a modernização das leis brasileiras que regulam o setor minerador é a alteração no processo de outorga. Outro ponto carente de regulamentação, segundo ele, é a mineração – hoje proibida – nos 150 km de fronteiras.
Reportagem – Maria Neves
Edição – Regina Céli Assumpção
Plebiscito retoma discussão sobre a privatização da Vale
25/10/2007
A insatisfação com a privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) fez com que uma articulação com mais de 60 entidades e movimentos sociais, conhecida como Assembléia Popular, organizasse a Campanha Nacional pela Nulidade do Leilão da Vale. A Vale foi criada na década de 40 com recursos públicos. Hoje, ela é a segunda maior mineradora do mundo em variedade de minérios e a maior produtora de minério de ferro mundial. Possui a maior frota de navios transportadores de grãos e as principais ferrovias brasileiras. A companhia ainda conta com 54 empresas, 110 mil empregados próprios e terceirizados, atuando em 14 estados brasileiros e em 17 países, nos cinco continentes. A venda da segunda maior empresa do país há dez anos, durante o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ainda é alvo de vários questionamentos. De acordo com os membros da Assembléia Popular o valor estimado da companhia em 1997, época do leilão, era de R$ 92 bilhões, mas a empresa foi vendida por R$ 3,3 bilhões, ou seja, 28 vezes menos. Este e outros questionamentos deram origem a mais de cem ações populares contra o leilão, das quais 69 ainda estão em andamento. Iniciada há dois anos atrás, em um encontro em Brasília com 8 mil participantes, a Assembléia Popular agora prepara o Plebiscito pela Nulidade do Leilão da Vale do Rio Doce para consultar o povo brasileiro sobre a privatização da empresa. Para saber mais sobre o plebiscito, a Radioagência NP entrevistou Luís Basségio, Secretário Continental do Grito dos Excluídos nas Américas e coordenador da Assembléia Popular.
Radioagência NP: Este não é o primeiro plebiscito que esta articulação de movimentos sociais organiza. Já aconteceram outros plebiscitos, que trataram de assuntos como a Dívida Externa e a Alca. Qual é a importância deste tipo de atividade?
Luís Basségio: Esse tipo de atividade nós entendemos como uma escola de formação política, é uma escola de cidadania, porque, na verdade, ao levantar um tema destes nós estamos debatendo questões relativas à um projeto popular para o Brasil. Que Brasil nós queremos? Como é que nós queremos que seja o Estado, a educação, a saúde, a questão da terra, o transporte, enfim, é ouvir a vontade popular sobre determinados temas. Porque nós entendemos que se não for o povo e os movimentos sociais os protagonistas, nós não vamos construir um projeto que atenda à maioria da população brasileira.
Radioagência NP: Porque questionar a privatização da Vale?
L.B.: Tem motivações econômicas, políticas, sociais, jurídicas, éticas que nos garantem essa luta. Não houve debate com a sociedade, o Congresso não aprovou, [a Vale] foi subfaturada, há entidades como o Bradesco que participaram da avaliação da Vale e que depois viraram acionistas. Além disto, ainda estão em curso 103 ações populares pedindo anulação do leilão. E do ponto de vista ético, a gente não pode vender o nosso solo, o mar, a água, o ar. E é a mesma coisa com o subsolo, quanto menos sem ter havido antes um grande debate.
Radioagência NP: O plebiscito tratará apenas da privatização da Vale do Rio Doce?
L.B.: Nós vamos tratar da nulidade do leilão, da reestatização da Vale, contra o processo de privatização. Nós vamos debater também a dívida externa, a reforma da previdência e, principalmente, a soberania do povo sobre as riquezas que estão no subsolo, a biodiversidade, a água, os minérios, o ar, etc. Então, este é todo o conjunto de temas que o plebiscito vai levantar.
Radioagência NP: Como as pessoas podem participar do plebiscito?
L.B.: As pessoas têm que procurar os movimentos sociais. No MST, na Via Campesina, nas Pastorais Sociais, como pastorais do Migrante, da Terra, Operária. Nas comunidades de base, nas igrejas, nos sindicatos e nas associações. Em cada estado há também um comitê organizador. Lá, busquem materiais e organizem dias de formação, tanto sobre o conteúdo como para organização em si do plebiscito. E há toda uma equipe nacional disponível para dar essa assessoria.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vinicius Mansur

novembro 6, 2008

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
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“Lucro da Vale quase triplica no 3º. trimestre e atinge recorde histórico”, 23.10.08
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“Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra”, 23.10.08
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“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
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“Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério”, 18.02.08
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“Vale interrompe embarque de finos de ferro para China”, 29.09.08
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“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
[ Continua aqui... ]
Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
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Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
[ Continua aqui... ]
Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
+
“Lucro da Vale quase triplica no 3º. trimestre e atinge recorde histórico”, 23.10.08
+
“Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra”, 23.10.08
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“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
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“Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério”, 18.02.08
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“Vale interrompe embarque de finos de ferro para China”, 29.09.08
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“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
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Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
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“Lucro da Vale quase triplica no 3º. trimestre e atinge recorde histórico”, 23.10.08
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“Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra”, 23.10.08
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“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
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“Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério”, 18.02.08
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“Vale interrompe embarque de finos de ferro para China”, 29.09.08
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“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
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Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

ECONOMALIA

“Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões”, 24.10.08
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“MEGACONTRATO DA VALE”, 16.10.08
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“Vale corta produção para se adequar a cenário global”, 31.10.08

Vale surpreende com lucro recorde de R$ 12,4 bilhões
Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.

Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08

Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.

MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.

Vale e siderúrgicas asiáticas acertam aumento de 65% no preço do minério
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.

Vale corta produção para se adequar a cenário global

O Globo Reuters, 31.10.08
SÃO PAULO – A Vale anunciou, nesta sexta-feira, que vai cortar sua produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas métricas anuais, quase 10% da previsão para 2008, a partir de 1º de novembro para se adequar ao cenário de desaceleração do crescimento da economia global e da chinesa em especial…
[ Continua aqui... ]
Vale interrompe embarque de finos de ferro para China
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações,
a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.
Finos – minério de ferro na forma de pó – é um das matérias-primas siderúrgicas mais comercializáveis.

maio 14, 2008

País super-atrasado, Japão ainda possui empresas estatais. Algumas delas fecham contratos com a supermoderna Vale privatizada

Vale assina parcerias com estatais do Japão
PanoramaBrasil
14/05/08
A Vale assina hoje três acordos de parceria com empresas estatais japonesas, que envolvem cooperação financeira e tecnológica.Para as empresas privadas japonesas que estão aderindo aos projetos da Vale, a Nippon Export and Investment Insurance vai garantir até US$ 2 bilhões.
Da mesma forma, o Japan Bank for International Cooperation vai criar uma linha de crédito de US$ 3 bilhões.
Já Japan Oil, Gas e Metals National Corp irá compartilhar tecnologia de sensores de localização remota de minerais em países africanos, em conjunto com a mineradora brasileira.
A parceira vai favorecer as mineradoras japonesas que estão perdendo competitividade por conta de falta de recursos financeiros e know-how operacional e frente à alta de preços das matérias-primas e do crescimento do poder da China na localização de minerais .
A Vale deve também investir US$ 4,4 bilhões em 2008 para aumentar a produção em 50% até 2013, afirmou Fidel Blanco, diretor de vendas internacionais de minério de ferro, em Monte Carlo.
Segundo ele, a empresa tem uma série de outros projetos que podem aumentar a produção ainda mais se for mantida a forte demanda da China. “Temos 26 projetos a serem implementados em função da demanda”, disse.
Por outro, a Vale também busca ampliar a demanda por minério de ferro no mercado interno, ajudando a estimular o investimento em siderúrgicas.Blanco foi questionado se haveria a intenção de a empresa passar a atuar no mercado de aço.
Ele afirmou que os investimentos estão relacionados ao Brasil e não a um setor.
“Ainda não definimos uma estratégia para entrar em siderurgia. Queremos desenvolver o mercado nacional”, disse.

maio 10, 2008

Privatização da Vale pode ter uma CPI

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu ontem a criação de uma CPI para investigar a privatização da companhia Vale do Rio Doce, feita durante o Governo Fernando Henrique. Da tribuna do Senado, Simon lembrou que a Vale do Rio Doce foi privatizada por US$ 3,3 bilhões, enquanto em apenas cinco anos obteve um lucro líquido de US$ 55 bilhões. «Como explicar ao povo brasileiro essa diferença?».
Para o senador, tudo indica que os economistas da Merrill Lynch – empresa responsável pela avaliação da companhia à época da privatização e pelo processo de venda – seguiram orientação eminentemente política. Simon ressaltou que a Merrill Lynch não considerou a emergência do mercado chinês para o consumo do aço, quando os dados de uma explosão de desenvolvimento na China já estavam disponíveis, além da reserva de minérios estratégicos.
HOJE EM DIA/MG
10/05/08
Não fique boiando:
As estatais, sacos sem fundos? ( PDF ) – Aloysio Biondi

abril 24, 2008

Vale é acusada de mentir em caso de invasão de assentamento

Blog do Sakamoto
Dando continuidade àquela história que eu havia soltado dias atrás, a Comissão Pastoral da Terra divulgou uma nova nota pública, refutando os argumentos da Vale no caso da invasão de assentamentos no Sul do Pará. Novamente, vale a leitura.
Na semana passada, a Comissão Pastoral da Terra, os STR’s de Tucumã e Ourilândia e as Associações dos Projetos de Assentamento Campos Altos e Tucumã, ingressaram com uma representação perante o Ministério Público Federal de Marabá, e também, com uma denúncia na Secretaria de Meio Ambiente do Estado contra a VALE em razão de ilegalidades que a empresa vem praticando contra as famílias daqueles assentamentos no processo de instalação do projeto de mineração Onça Puma.
Ato contínuo à denúncia apresentada pelas entidades, a VALE veio a público, através de nota oficial, amplamente divulgada pela imprensa, negando todas as denúncias e fazendo afirmações totalmente mentirosas sobre os fatos narrados na denúncia. A bem da verdade, e para que a opinião pública seja verdadeiramente informada, é que passamos a esclarecer:
1 – O que disse a VALE: que protocolou em 08.07.2003, junto ao INCRA o pedido de destinação de uma área de 7.404 hectares dos PA’s Tucumã e Campos Altos para mineração e que o órgão fundiário procedeu a “desafetação” da área destinando-a para esse fim.
A verdade dos fatos: O pedido protocolado pela VALE na referida data, se transformou em um processo administrativo (N. 54600.001477-2003-23), que está em tramitação no INCRA em Brasília, e, até a presente data, não foi decidido o pedido feito pela VALE. Portanto, a desafetação alegada pela empresa não existe. A última movimentação nesse processo foi a nomeação de uma equipe técnica do INCRA de Brasília para realizar um levantamento detalhado na área atingida e elaborar um nota técnica que dará subsídio para uma futura decisão da instância nacional do INCRA.
2 – O que disse a VALE: Que na área requerida pela VALE encontravam-se posseiros, os quais foram indenizados pela empresa e seus débitos perante o BASA quitados.
A verdade dos fatos: Não são posseiros que estavam residindo na área pretendida pela VALE, são famílias assentadas pelo INCRA em assentamentos de reforma agrária. Nesses assentamentos as famílias foram beneficiadas com recursos públicos destinados a construção de casas, projetos de produção, construção de estradas, escolas, eletrificação rural etc., razão pela qual, estão proibidos por lei, de vender suas benfeitorias e seus lotes sem a devida autorização do INCRA, a qual nunca existiu. Assim, as indenizações feitas pela VALE são nulas, constituem crime e a empresa terá que responder por isso perante a justiça.
3 – O que diz a VALE: Que técnicos do INCRA deram parecer afirmando que a área pretendida pela empresa é imprópria para a agricultura familiar e que os assentados foram realocados em outra área.
A verdade dos fatos: Para o INCRA criar um Projeto de Assentamento é obrigatório um laudo técnico atestando a viabilidade da área para agricultura familiar. Os dois assentamentos ficam próximos das cidades de Ourilândia e Tucumã e as famílias já estavam produzindo ali por mais de 10 (dez) anos, atestando com isso, a viabilidade do solo. Os técnicos que deram esse parecer atestando a inviabilidade da área para agricultura familiar terão que responder administrativamente, pois contraria aos laudos feitos pelo próprio INCRA no momento da criação dos assentamentos. Ressalte-se ainda que as famílias assentadas que foram ilegalmente indenizadas pela VALE não foram reassentadas como diz a empresa. Cada um tomou seu próprio rumo sem qualquer planejamento de continuidade em um assentamento, ou em qualquer outra área rural.
4 – O que disse a VALE: Que como o empreendimento está no seu início não há qualquer possibilidade de crimes ambientais.
A verdade dos fatos: as entidades não estão fazendo denúncia com base em especulação, mas sim, fundamentada em provas concretas e documentada. Para averiguar isso, basta a VALE analisar os documentos entregues ao Ministério Público Federal, anexados à representação.
Acima do poder e dos interesses da VALE está a JUSTIÇA!
Comissão Pastoral da Terra das dioceses de Conceição do Araguaia, Marabá e Prelazia do Xingú
23/04/08
LEIAM TAMBÉM:
Proposta do MST se aproxima de relatório e de iniciativa da ONU
Liderança do MST pede aceleração da reforma agrária frente ao aumento do preço dos alimentos: “São 150 famílias acampadas que querem terra para produzir”. Relatório de especialistas e FAO defendem mudanças na agricultura
Repórter Brasil
22/04/08

outubro 26, 2007

Privatizada, Vale faz "investimentos" em paraíso fiscal ( Ou: "A mesma notícia com outro título" )

Companhias do Brasil “descobrem” a Suíça
Valor Online
26/10/07
A Companhia Vale do Rio Doce, Aracruz, Votorantim Celulose e Papel (VCP), Suzano, Coimex e Vicunha Têxtil têm algo em comum: ampliam as operações internacionais a partir de subsidiárias na Suíça, paraíso fiscal por excelência para companhias.
A sede européia da Vale, instalada num vilarejo próximo de Genebra e de vinhedos, planeja triplicar seu quadro de funcionários, de 40 para 150, em futuro próximo, no rastro da aquisição da canadense Inco, que reforçou sua liderança no mercado global de minérios e metais, informam fontes do setor.
Mais empresas brasileiras demonstram interesse em fechar acordos de investimentos com o governo suíço para montar a sede internacional ou centro de distribuição, segundo um advogado que acompanha esse tipo de operações.
A Suíça permite que empresas ditas de domicílio (dominadas do estrangeiro sem atividade comercial no país) paguem pouco ou quase nada de impostos estadual ou local sobre os lucros obtidos fora do território helvético. As empresas são taxadas basicamente sobre sua fraca atividade direta no mercado suíço.
Por razões fiscais, todas as exportações da Votorantim Celulose e Papel (VCP) – desde venda para os vizinhos na América do Sul como para o outro lado do mundo – passam em termos contábeis pelo escritório de Zug, o maior dos paraísos fiscais na Suíça.
A empresa faturou US$ 1,3 bilhão no ano passado, dos quais 46% vem do mercado externo. Significa que quase metade do faturamento circulou por sua subsidiária em Zug.
Também no setor de papel e celulose, Aracruz e Suzano são quase vizinhas na cidade de Nyon, a dez minutos de Genebra.
A Coimex preferiu Genebra, um dos centros mundiais no financiamento de matérias-primas. A empresa capixaba diz ter instalado aqui a primeira trading brasileira no exterior para operacionalizar a comercialização de açúcar no mercado internacional como destinação final. Além de centralizar a venda internacional de etanol, a Coimex Suisse faz operações estruturadas de “trade finance”.
A Vicunha Europa transferiu sua sede da Bélgica para Gland, a trinta minutos de Genebra. É a única das empresas que fala abertamente de sua instalação e de seus planos a partir da Suíça. Seu diretor, Thomas Dislich, diz que está “longe de trabalhar num paraíso fiscal”, porque a estrutura comercial é diferente. O principal atrativo da Suíça, para Thomas, é a localização central, a facilidade para ir em direção dos clientes em poucas horas.
A VCP antes estava na Bélgica. A Vale do Rio Doce também abandonou Bruxelas e informa que decidiu reunir na Suíça estruturas antes espalhadas por vários países, porque o país oferece melhores condições de infra-estrutura e localização. A empresa recusa, porém, comentar as informações da expansão em Saint Prex, nas proximidades de Genebra, perto de vinhedos.
“O acordo de investimentos feito entre a Vale e o governo Suíço para a instalação da CVRD International está seguindo o cronograma normal”, diz um porta-voz da empresa. “‘Por respeito a confidencialidade com o governo, não podemos revelar os termos do acordo”, que inclui a expansão das operações.
As vésperas de uma grande reunião econômica entre os governos do Brasil e da Suíça, semana que vem em Berna, os comentários entre negociadores eram agora sobre fluxo de empresas brasileiras para o território suíço, e menos em direção do Brasil.
A questão é por quanto tempo as vantagens oferecidas pela Suíça a companhias estrangeiras serão mantidas, diante da batalha aberta pela União Européia, que denuncia vantagem competitiva desleal dada pelos cantões (estados) helvéticos.
Fontes suíças retrucam que a taxa de imposição no país é menos atrativa para as empresas estrangeiras do que na Irlanda, Luxemburgo e nos países do Leste, todos membros da própria UE. “Nosso sistema fiscal é a expressão do federalismo e resulta de uma escolha democrática”, diz o ministro suíço de finanças, Hans-Rudolf Merz.

outubro 17, 2007

Não é bem um "Cansei", mas: Mais de 3,7 milhões pedem a anulação do leilão da Vale

Organizadores da consulta popular realizada em setembro vão agora usar o expressivo resultado da votação para pressionar a Justiça a agilizar o julgamento das ações contra a venda da empresa.
Maurício Thuswohl
Agência Carta Maior
16/10/07
RIO DE JANEIRO – As entidades organizadoras do plebiscito sobre a Companhia Vale do Rio Doce divulgaram na semana passada os números finais da consulta popular que foi o ponto alto da mobilização do Grito dos Excluídos este ano. Mais de 3,7 milhões de pessoas votaram em 3.200 municípios distribuídos de Norte a Sul do Brasil. O resultado da votação não poderia ser mais claro, com 94,5% dos votantes afirmando que o controle da Vale deve sair das mãos do capital privado e voltar para as mãos do Estado.
Também foram divulgados os resultados das demais perguntas que constaram da consulta popular. A reforma da Previdência foi rechaçada por 93,4% dos votantes, enquanto 92,1% afirmaram que o governo federal não deve pagar os juros das dívidas interna e externa em detrimento da melhora nas condições de vida da população pobre do país. Também de forma esmagadora, com 93,7% dos votos, o plebiscito organizado pelas entidades dos movimentos sociais determinou que o capital privado não deve seguir explorando o setor elétrico.
“O plebiscito foi um grande exercício pedagógico de recriação da cidadania. Foram mobilizados mais de 104 mil militantes em todo o Brasil e o resultado foi uma grande pesquisa de opinião nacional”, afirma Luiz Bassegio, que é membro da Secretaria Continental do Grito dos Excluídos e foi um dos organizadores do plebiscito este ano. Bassegio avalia que a consulta popular deixou um claro recado para o governo: “Com um universo de quase quatro milhões de votantes e com um resultado desses, ficou comprovado que a população brasileira é amplamente favorável à anulação da privatização da Vale”, diz.
Terminada a contagem dos votos, agora vem a fase de trabalhar politicamente o expressivo resultado do plebiscito. O desejado encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, não deve acontecer: “Estamos tentando há semanas marcar um encontro para levar o resultado do plebiscito ao presidente, sem sucesso. Além disso, ele já disse publicamente que a questão da Vale não vai entrar em sua agenda de jeito nenhum. Por isso acredito que não seremos recebidos no Planalto”, lamenta Bassegio.
Além da difícil tarefa de conquistar a adesão do presidente da República, os movimentos sociais pretendem usar o resultado da consulta popular para pressionar os juízes da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a recusar o recurso apresentado pela direção da Vale do Rio Doce com o intuito de impedir o julgamento do mérito de 69 ações populares, iniciadas na 1ª Vara Federal de Belém, que pedem a anulação do leilão da empresa. Até o momento, somente dois dos oito juízes aptos a votar – Luiz Fux e José Delgado – já divulgaram seus votos, ambos favoráveis à direção da Vale. O julgamento permanece paralisado desde junho, quando o ministro João Otávio Noronha pediu vista do processo.
Grande mídia ignora plebiscito
Após ter divulgado com festa e estardalhaço que a Companhia Vale do Rio Doce havia ultrapassado a Petrobras e se tornado a maior empresa brasileira, os principais veículos de mídia praticamente ignoraram a consulta popular organizada pelo Grito dos Excluídos. Uma detalhada análise feita pelos jornalistas Antonio Biondi e Cristina Charão e publicada no Observatório do Direito à Comunicação mostra que os jornais não dedicaram mais do que pequenas notas ao plebiscito, enquanto algumas emissoras de tevê agiram como se a consulta que mobilizou mais de 3,7 milhões de pessoas simplesmente não tivesse existido.“Mais uma vez, a população demonstrou no plebiscito um saudável espírito de nação e de defesa de um Estado presente e atuante. A grande imprensa, por sua vez, reafirmou em sua cobertura a contrariedade em relação a um Estado que planeje e colabore com o desenvolvimento e o crescimento do Brasil e que atue em diversas áreas da economia e da sociedade de modo a promover a superação de desigualdades históricas”, afirma o documento produzido pelos dois jornalistas, que são integrantes do coletivo de comunicação social Intervozes.
Em sua análise, Charão e Biondi também chamam a atenção para “o divórcio verificado entre o que a população expressou como opinião e vontade de mudança e o que a grande imprensa buscou reportar em relação ao plebiscito”. O desejo da grande mídia, segundo eles, era claramente o de adulterar o verdadeiro caráter do plebiscito: “Apesar de a mídia corporativa não ter a capacidade de inventar de fato um outro povo e um outro país, a cobertura da mobilização sobre a Vale foi mais uma tentativa de criar uma versão dos fatos e da história em evidente desacordo com a realidade”.
Quando citou a consulta popular, a maior parte da cobertura feita pela grande imprensa, segundo o documento, “se limitou a usar o plebiscito como mote para criar uma confusão de identidade entre os movimentos populares e o governo e buscou oferecer claramente argumentos que apontam que a privatização foi responsável pela modernização da empresa”. A análise é concluída com a afirmação de que “de maneira geral, a imagem construída pela mídia sobre o plebiscito foi a de que se tratava de iniciativa anacrônica e restrita a uma pequena e pouco representativa parcela da sociedade, que seriam os movimentos sociais ou os setores de uma esquerda mais radical”.
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