ENCALHE

janeiro 23, 2008

Adib Jatene discorre sobre a febre amarela e cita equívocos

Filed under: Adib Jatene, Aedes Aegypti, Dengue, epidemias, febre amarela, Fiocruz, OMS, vacinas — Humberto @ 5:48 pm
Em artigo publicado na Folha de S. Paulo desta terça-feira, o médico e ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, fala sobre os equívocos na abordagem da febre amarela. “A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela reduz a disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade”, diz num trecho.
Leia a íntegra:
Febre amarela
ADIB D. JATENE
NO PERÍODO em que estive à frente do Ministério da Saúde, tomei conhecimento da importância da relação entre dengue e febre amarela silvestre e o eventual risco da reurbanização desta última. Desde 1942, não ocorreu nenhum caso de febre amarela urbana. Entretanto, persiste, e é impossível eliminar, sua forma silvestre. É por essa razão que o Ministério da Saúde vem vacinando sistematicamente toda a população das áreas de risco, onde há ocorrência de casos humanos, adquiridos sempre nas áreas de mata. Já vacinamos, nos últimos 12 anos, mais de 60 milhões de pessoas.
Nas matas, existe alta concentração de mosquito transmissor e animais, principalmente macacos, portadores do vírus. Daí o risco de pessoas não vacinadas incursionarem em regiões com alta concentração de mosquito, onde alguns estão contaminados e, por isso, são capazes de transmitir a doença. Assinale-se que, nos últimos 12 anos, tivemos 349 casos confirmados, com 161 óbitos, todos adquiridos por pessoas não vacinadas que freqüentaram áreas de mata.
A incidência desses casos variou de ano a ano. Tivemos anos com apenas três casos, enquanto em outros, como 1999, 2000 e 2003, ocorreram, respectivamente, 76, 85 e 64 casos, com mortes de 29, 40 e 23 pacientes.
Por que com essas três centenas e meia de casos, em doze anos, não tivemos transmissão urbana, já que, nas cidades, existe o Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela?
As razões são três: em primeiro lugar, o número de doentes com febre amarela silvestre no mesmo espaço urbano e ao mesmo tempo é muito pequeno, o que reduz significativamente a chance de infectar o mosquito Aedes aegypti; em segundo lugar, é preciso alta concentração de mosquito, ao redor de 40% de infestação, o que corresponde a 40 habitações em cada 100 com a presença do mosquito, segundo a OMS, para que seja possível a transmissão da febre amarela; e em terceiro lugar, porque temos altos índices de cobertura vacinal na área endêmica, portanto, sem susceptíveis em número suficiente para sustentar uma transmissão.
A concentração do Aedes aegypti nas cidades brasileiras onde ocorre a dengue não ultrapassa, em média, 5 domicílios infestados em cada 100, suficiente para transmitir a dengue devido ao número alto de doentes, mas absolutamente insuficiente para transmitir a febre amarela urbana. Os que retornam às cidades afetados pela febre amarela silvestre são hospitalizados e têm desenlace, seja para cura, seja para óbito, em prazo relativamente curto.
Não há, portanto, nenhuma razão para vacinar as pessoas que não residem em área endêmica nem pretendem adentrar a mata dessas áreas. Vi na televisão pessoas que sempre residiram na cidade de São Paulo e que não pretendem viajar desesperadas, em filas para se vacinarem, alegando que tinham direito*. Certamente não tinham necessidade e se expõem aos efeitos adversos de uma vacina com vírus vivo.
Nos últimos quatro anos, foram registrados pelo sistema de informação de efeitos adversos pós-vacinação 478 casos (muito mais que os 349 casos de febre amarela registrados em 12 anos), desde reações simples até exantemas generalizados, febre alta e, em dois casos, meningite.
Em relação à vacina contra a febre amarela, a Fiocruz é, praticamente, a única produtora em todo o mundo. Há só um outro laboratório privado no exterior, produzindo cerca de 5 milhões de doses por ano, enquanto a produção da Fiocruz é o dobro.
A corrida pela vacina por pessoas que não precisam dela **reduz sua disponibilidade para os que efetivamente têm necessidade. Diante da imunização da quase totalidade da população de áreas de risco, o que vem sendo feita há décadas, as recomendações do Ministério da Saúde são suficientes, ratificadas por especialistas e pela própria OMS, para garantir que o país não corre risco de reintrodução de febre amarela urbana, o que seria catastrófico.
Em um país em que freqüentemente se busca desmoralizar iniciativas governamentais, disseminando desconfiança na palavra oficial, que se preserve a seriedade com que são tratados assuntos como a febre amarela. Nunca é demais ressaltar a luta por recursos para o setor, seriamente afetada pela decisão -inegavelmente democrática, mas, sem dúvida, perversa- que permitiu retirar R$ 40 bilhões destinados a atender a população de baixa renda e entregá-los a empresas e parcelas da população mais bem aquinhoadas, causando sério risco ao esquema financeiro para o setor.
ADIB D. JATENE , 78, cardiologista, é professor emérito da Faculdade de Medicina da USP e diretor-geral do Hospital do Coração. Foi ministro da Saúde (governos Collor e FHC), secretário da Saúde do Estado de São Paulo (governo Maluf) e diretor do InCor.
INFORMES PT
*Aquilo que Adib Jatene não quis dizer, por se tratar de uma pessoa elegante ( só que EU não sou ) mas está escancarado: “direitos” surgem do nada, como esse de tomar vacinas aos montes e sem necessidade, até a morte…
Como há gente burra e egoísta neste país. Desinformada e burra. Consumista e burra.
E, como de costume, costumam fazer notar sua presença maciça em São Paulo.
A informação preciosa que dr. Jatene dá é a seguinte: a Fiocruz é a quase-única e a maior do mundo na produção de vacina contra a febre amarela. Só que poucos darão atenção e a devida importância a esse fato.
** Há pirão suficiente, mas quem não precisa dá cotovelada na boca de quem precisa. Quem ainda pensa em “Revolução” neste país, “união do povo” e blablabla?
( Humberto )

dezembro 1, 2007

Mortes por sarampo em África caem 91%

Filed under: África, doenças, fome e miséria, Ghana, mortalidade infantil, sarampo, vacinas — Humberto @ 2:13 am
BBC
29/11/07
Agências internacionais de saúde referem progressos significativos na redução do número de mortes em África causadas pelo sarampo.
A vacina contra o sarampo é segura, eficaz e barata
Segundo as agências, o número de fatalidades caíu em mais de 90% nos primeiros seis anos da presente década.
Em 2000 morreram cerca de 400 mil crianças em África devido ao sarampo. Em 2006 este número caíu para menos de 40 mil.
A Directora-Geral da Organização Mundial de Saúde, Margaret Chan, descreveu estes resultados como “um importante sucesso na área da saúde pública.”
Para a Doutora Chan, isso deveu-se a um compromisso dos governos africanos, assumido há sete anos, para começar a vacinar todas as crianças contra o sarampo. A taxa de mortalidade caíu agora em mais de 90%.
Em termos globais, o sarampo foi totalmente eliminado nos países mais ricos, mas nas regiões mais pobres, as crianças mal nutridas continuam vulneráveis e registam muitas mortes.
Em 2001, várias agências internacionais constituiram a Iniciativa Contra o Sarampo, para erradicar esta doença à escala mundial.
Gigantescas campanhas de vacinação tiveram um grande impacto na redução do número de mortes.
‘Realidade inaceitável’
De 2000 a 2006, cerca de 478 milhões de crianças entre os 9 e os 14 anos foram vacinadas contra o sarampo em 46 dos 47 países mais afectados por esta doença.
Em 2006, a vacinação rotineira global contra o sarampo atingia cerca de 80% pela primeira vez – dos 72% seis anos antes.
As melhorias mais assinaláveis registaram-se em África e na região leste do Mediterrâneo.
Mas ainda há muito por fazer, especialmente na Índia e no Paquistão, onde as mortes devido a esta doença atingem os índices mais elevados do mundo.
Segundo a Directora-Executiva da UNICEF, Ann Veneman, o sarampo continua a matar diariamente em todo o mundo cerca de 600 crianças com menos de 5 anos de idade.
“Trata-se de uma realidade inaceitável quando existe uma vacina segura, eficaz e barata que pode ser usada para evitar esta doença.”

Cerca de 600 crianças morrem todos os dias devido ao sarampo

Ghana, um exemplo
O Ghana é um dos países mais bem sucedidos na redução da incidência do sarampo.
O Doutor Kwadwo Antwi Ageyei, o director do Programa Ghanense de Vacinação Contra o Sarampo, disse à BBC que os dados alcançados no seu país foram extraordinários.
“Nos últimos quatro anos, no Ghana, não houve mortes causadas pelo sarampo. Há cerca de vinte anos estávamos a perder entre 5 e 10 crianças todos os dias.”
Para o Doutor Kwadwo Antwi Ageyei, uma das formas de medir o sucesso da campanha anti-sarampo no seu país foi que começou a tornar-se cada vez mais difícil encontrar crianças infectadas.
“Em termos do número de casos de sarampo, passámos de cerca de 12 mil casos anuais para 2 mil há algum tempo atrás e para menos de 500 há cinco anos. Mas agora os casos de sarampo são tão raros que se tornou difícil encontrar doentes para serem analisados pelos estudantes de medicina.”



Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.