ENCALHE

setembro 11, 2007

Provocação total: 11 de Setembro é o dia em que "O Capital" de Karl Marx veio ao mundo, e eu vou colocar aqui só para irritar!!!!


Eu não sabia e nunca li. Mas é 11 de Setembro ( se você tiver TV a cabo em sua casa, ligue hoje às 23:30hs na GNT que vão transmitir o Farenheit de Michael Moore ) e o Bush vai tentar capitalizar o medo do terrorismo que serviu para, entre outras coisas, promulgar o Ato Patriótico Permanente Mundial e aterrorizar o resto do mundo que não estava contra ( Correção: que não estava “com” ) ele. Portanto, se existe algo que sirva para não deixar que o Bush monopolize a data, publique-se. Se por um lado, em nome dos trabalhadores e etcetera, o comunismo legou ao mundo histórias como a do Camboja ou da URSS e China, pelo outro a retórica da “defesa da liberdade” serviu para dezenas de ditaduras e governos autoritários massacrarem povos ao redor do globo, patrocinados pelos EUA e seus golpes de Estado promovidos pela CIA. E nós no meio do tiroteio e da disputa pelo poder.
Pêsames ao povo chileno, ao povo iraquiano e aos afegãos. E aos americanos de boa-fé, lesados pelo golpista do petróleo.

1867: Publicado “O Capital”, de Karl Marx
A obra principal de Karl Marx chegou às livrarias no dia 11 de setembro de 1867. Desde então, a filosofia marxista tornou-se base de constantes polêmicas. Em seu nome foram promovidas inúmeras revoluções e estabelecidos diversos tipos de organização estatal comunista.
Com mais de 2.500 páginas, O Capital sempre foi uma leitura literalmente pesada para os interessados. Mas também o autor pelejou com a sua obra durante 15 anos. E só terminou o primeiro volume. Os dois outros livros foram concluídos após a sua morte, pelo seu amigo Friedrich Engels, com base em fragmentos, bilhetes e anotações, deixados em grande quantidade por Marx.
O filósofo, que nasceu em Trier no ano de 1818 e faleceu em Londres em 1883, é tido ainda hoje como um analista perspicaz e um pensador brilhante, mesmo que as suas teorias não tenham correspondido inteiramente à realidade.

Na sua obra principal, O Capital, Marx construiu um gigantesco complexo filosófico com os seus conhecimentos de Ciências Econômicas, História e Sociologia, misturados com uma porção de polêmica e de propaganda. Suas conclusões foram apoiadas por numerosas notas de pé de página e citações de referência – um enorme esforço tanto para o autor, como para os seus leitores.

Libertação dos trabalhadores
A idéia central de Marx era a convicção da derrocada da sociedade capitalista, à qual se seguiria a vitória do comunismo, libertando a classe trabalhadora da exploração por parte do empresariado.
No primeiro livro de O Capital, Marx ocupa-se amplamente com a circulação do dinheiro, com as mercadorias, com os valores de troca e de usufruto e com a mais-valia, com taxas de lucro e forças de produtividade. Ele fala do “engolir de todos os povos pela rede do mercado mundial” e da necessidade de eliminar as relações que escravizam as pessoas.
O ideólogo e advogado da classe operária nunca viu uma fábrica por dentro. Para a sua obra de três volumes, ele pesquisou exclusivamente na biblioteca do Museu Britânico, em Londres: lá, – segundo suas próprias palavras – “juntou-se enorme quantidade de material” sobre o tema.
Marx tornou-se famoso com a publicação de O Capital – talvez não tivesse sido necessário ele mesmo escrever críticas negativas e positivas, sob diversos pseudônimos, para aumentar as vendas do livro.
Mas só muito depois da sua morte é que o autor obteve reconhecimento. Quando foi criado o Estado alemão-oriental, a extinta RDA, Marx foi elevado à categoria de herói do socialismo científico, ao lado de Engels e de Lenin. Sua doutrina foi considerada dogma irrefutável.

Leitura obrigatória na ex-Alemanha Oriental
Durante muitos anos, o partido único alemão oriental, SED, manteve quase o monopólio de interpretação e de publicação das obras de Marx. No final da década de 60 e início da década de 70, os famosos livros de capa azul, publicados pelo Instituto de Marxismo-Leninismo do Comitê Central do SED, eram tidos como leitura obrigatória e não podiam faltar na estante de nenhum estudante de esquerda na República Federal da Alemanha. Numerosos estudantes inscreviam-se então nos chamados “cursos do Capital”, nas universidades, a fim de obter embasamento ideológico.
Hoje, Marx é um clássico e tornou-se assim objeto de estudo da pesquisa histórica. Richard Löwenthal, professor de Ciências Políticas: “A atuação histórica de Marx baseia-se numa ligação ímpar entre constatações científicas revolucionárias e uma entusiasmada visão utópica, que inspirou os pioneiros do movimento operário a uma espécie de religião deste mundo. E uma doutrina que cumpre funções religiosas sempre corre o risco de cristalizar-se em dogma nas cabeças dos fiéis e dos pregadores.”
De qualquer maneira, a bíblia do proletariado nunca se tornou realmente popular. Para muitos, ela era uma leitura difícil. Para outros, ela foi superada pelos acontecimentos reais – mesmo que Marx tenha formulado premissas revolucionárias para a sua época.
A história, contudo, superou as suas teorias. O professor Löwenthal acredita que “o desenvolvimento transcorreu, sob muitos aspectos, de forma diferente ao que Marx esperava. Como outras pessoas modernas, não avaliamos a realidade de hoje com as teorias de Marx e sim, o valor atual destas teorias em relação ao desenvolvimento real. E acreditamos que, exatamente assim, é que podemos ser fiéis ao espírito crítico do cientista Karl Marx.”
Até mesmo aqueles para quem O Capital foi escrito, só o conheciam de ouvir dizer. August Bebel, por exemplo, o criador do movimento operário alemão, admitiu: “Eu não li O Capital até o fim.”Cornelia Rabitz (am)

DEUTSCHE WELLE

agosto 25, 2007

Os EUA entre a contenção e a agressão ao Irã

Filed under: EUA, falcões, Guerra Fria, Irã, Oriente Médio, URSS — Humberto @ 12:21 am
Newton Carlos *
Num press release Nicholas Burns, subsecretário de Estado americano, reproduziu o que disse depois numa comissão do Congresso sobre o Irã no lugar da ex-União Soviética na Guerra Fria. O regime iraniano representaria hoje o que Moscou foi no passado, o maior desafio aos interesses do Ocidente, sobretudo dos EUA. É adotada a mesma estratégia que derrotou e acabou destruindo a ex-URSS, a da “contenção”. Emprego de “diplomacia pesada”, com inserções de ameaças militares, como o envio ao golfo Pérsico de um segundo porta-aviões. A ABC News informou que Bush autorizou a CIA a executar “operações encobertas” que desestabilizem o Irã. É a velha guerra suja, ontem contra a “ameaça comunista”, hoje contra a “ameaça islâmica radical”. Em 1953, ela ajudou a derrubar o governo nacionalista do mesmo Irã. A “contenção” pode esticar limites, mas a sua essência, como foi feito com a ex-URSS, é alcançar objetivos por meio de pressões e intimidações, sem chegar às vias de fato. Há riscos; e sérios. Um especialista em Oriente Médio, Roger Hardy, avisou que “tanto em Washington como em Teerã existem diferentes centros de poder com agendas próprias, de pombos a falcões”. O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed el Baradei, falou da existência de “malucos que gostariam de ir em frente e bombardear o Irã”. O alvo da irritação foi a turma do vice-presidente americano, Dick Cheney. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, a cargo da “contenção” junto com o secretário da Defesa, Robert Gates, saiu em campo de imediato. “Nossa opção é a diplomacia”, afirmou Rice. Ela e Gates conduzem a montagem de uma frente anti-Irã juntando paises árabes “moderados” e Israel. As promessas de entregas bilionárias de armas são parte do esquema. Nele também se incluem manifestações de “soft power”. Washington gasta milhões de dólares em transmissões em farsi. Como não tem relações com o Irã, instalou escutas sobretudo em Dubai, onde é grande a concentração de iranianos. E se a contenção falhar, não conseguindo isolar o Irã, conter a expansão de sua influência e ambições nucleares? Uma das hipóteses é a de que o caminho ficaria livre para a turma de Cheney, da qual faz parte Elliot Abrams, um dos personagens de ponta da guerra dos anos 80 na América Central. Hoje cuida do Oriente Médio no Conselho de Segurança Nacional.
(*) O jornalista Newton Carlos é especialista em questões internacionais
PSB
10/08/2007

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