ENCALHE

maio 5, 2009

"Paraisópolis exige respeito": Camargo Corrêa pressiona por expulsão de moradores

Camargo Corrêa pressiona por expulsão de moradores
Ag. Brasil de Fato, 05/05/2009
Em conjunto com a prefeitura de São Paulo, empreiteira pressiona moradores de Paraisópolis a deixarem suas casas, que estão no caminho de grandes obras
Moradores e entidades ligadas à Paraisópolis lançaram, no dia 25, a campanha “Paraisópolis Exige Respeito”, que denuncia as desapropriações irregulares que vêm sendo tentadas pela prefeitura da cidade de São Paulo para que a empreiteira Camargo Corrêa efetive suas obras na região: a construção de prédios – segundo a empresa, para própria comunidade – e uma avenida que, até agora, não demonstrou sua funcionalidade. Ambos empreendimentos estão em andamento.
Um vídeo feito por um morador em uma reunião realizada no canteiro de obras da própria empreiteira entre uma funcionária da Secretaria Municipal de Habitação, conhecida como Maria Tereza, e 80 integrantes da comunidade, revela como a mulher tenta persuadir seus interlocutores. Ela argumenta que, após estes terem recebido, em meados de abril, intimação da prefeitura paulistana para imissão de posse do terreno – o que lhes dá um prazo de 20 dias para a desocupação – seria melhor que eles aceitassem a proposta das autoridades.
Ou seja, um apartamento e uma dívida a ser quitada em 25 anos. Caso contrário, a alternativa seria o recebimento de uma indenização de R$ 5 mil, quantia que, segundo a funcionária, traria um destino incerto aos moradores, que poderiam ser obrigados a ir a um albergue ou a um alojamento cedidos pela administração municipal.
José Maria, líder comunitário de Paraisópolis, indaga: “só conseguirão pagar esses apartamentos aqueles que ganharem cerca de seis salários mínimos. Por que não realizam um plano de moradia popular?”.
Marisa Ferfferman, representante do Tribunal Popular, explica que a prefeitura é, efetivamente, a dona dos terrenos, e que obteve suas posses por meio de um processo de desapropriação. No entanto, segundo ela, a Viela Passarinho (a área mais afetada pelas obras Camargo Corrêa até o momento), não foi desapropriada.
“Para caracterizar isso, precisaria de um decreto de utilidade pública, mais o pagamento do valor de mercado dos imóveis da zona, com indenização prévia, e em dinheiro. Entretanto, foram os processos de desapropriação dos terrenos vizinhos, que nem contêm moradias, que foram utilizados para solicitar ao juiz a ordem de desocupação, em uma atitude clara de má-fé”, desabafa.
Negociação com grileiros
São 6h da manhã do sábado, 25 de abril, as casas e barracos começam a tremer. São os tratores e as escavadeiras da empreiteira Camargo Corrêa que começam a trabalhar próximo às moradias, intimidando os moradores que resistem sair do local.
Maria José Pereira de Araújo teme não completar, em outubro, seus 67 anos de idade e 31 na Viela Passarinho, em Paraisópolis. Pois já está quase cedendo às pressões da empresa: “Cortam minha água, minha luz, jogam pedras no meu telhado e mandam pessoas seguirem minhas filhas quando voltam à noite do trabalho. Estou até sentindo vontade de sair, pois estou com medo”, denuncia.
Sua residência, que Maria José divide com duas filhas e dois netos, está no caminho da avenida em construção. Um vizinho conta que, no dia 24 de abril, percebeu a movimentação de oito homens da Camargo Corrêa nas imediações. “Eles se comunicavam por rádios e, quando suas filhas saíram para trabalhar, foram até lá e começaram a pedir para ela assinar um documento que passava a posse da casa para a empreiteira”.
O vizinho, então, aproximou-se e solicitou à senhora, analfabeta, que não assinasse nada sem a presença de suas filhas. De imediato, foi interpelado por um dos homens, que disse: “a Camargo Corrêa já pagou R$ 1 milhão a um grileiro pelas terras. Em 20 dias, ela sai daqui sem direito nenhum. Ela tem que se virar com a pessoa que tem o documento de proprietário do local”. Maria José confirma que recebeu a visita do grileiro que possui o documento de posse de sua casa. “Ele tentou negociar comigo, minha saída, me oferecendo dinheiro, mas não aceitei”, conta.
Usucapião
Para Feffermann, a prefeitura esconde a verdade dos moradores ao reconhecer os documentos apresentados pelos grileiros. “Esse procedimento fere as normas legais, na medida em que a comunidade que mora nessa região [Viela Passarinho] por tantos anos [mais de 15] já adquiriu o direito de ser proprietária desse lugar, através do instituto do usucapião. Sendo assim, os proprietários desse terreno são seus próprios moradores”, revela.
Num clima de terra de ninguém, onde a prefeitura, a Camargo Corrêa e grileiros negociam a área, os verdadeiros donos, os moradores, são os principais prejudicados. Ferffemann pontua: “não levam em conta as resoluções do Conselho Nacional das Cidades, que exigem participação popular na elaboração, implementação e gestão das políticas urbanas, e garantem o direito da população de baixa renda de morar junto à áreas urbanizadas, e não apenas em suas periferias”.
Além disso, segundo a representante do Tribunal Popular, essa área pertence a Zonas Especiais de Interesse Social. “Portanto, há um desvio de finalidade de um Plano Diretor, de um Plano de Urbanização. Desse modo, as políticas públicas continuarão seguindo no caminho errado, transformando em letra morta direitos sociais e democráticos previstos na Constituição Federal”, conclui.
MAIS SOBRE:
Comunidade de Paraisópolis resiste a ação da prefeitura
APROPUC-SP 24.04.09
Convocação: Paraisópolis, exige Respeito!
Blog do Ferréz 23.04.09
Paraisópolis exige respeito
Viomundo, 24.04.09
Campanha Paraisópolis Exige Respeito denúcia mais um abuso
Rede de Comunidades, 27.04.09

janeiro 24, 2009

Para ajudar Serra a se tornar presidente [ toc, toc, toc...] Kassab transferirá verba dos CEPAC’s Água Espraiada e Faria Lima para o Metrô

Dinheiro da Água Espraiada pode ir para as obras da Linha 5 do metrô
Jornal SP ZONA SUL, ed. 2405, 22.01.09

A Prefeitura vai transferir verba da venda de certificados de potencial construtivo, os chamados cepac´s, das Operações Urbanas Água Espraiada e Faria Lima para investir no metrô paulistano.
Como se sabe, a ampliação da malha metroviária é uma atribuição do Governo do Estado, mas, ainda em campanha pela reeleição, o prefeito Gilberto Kassab prometeu colocar dinheiro dos cofres públicos municipais no principal meio de transporte coletivo urbano. Mas, será que vale deixar de fazer outras obras prometidas, também de grande importância, como o prolongamento da Avenida Jornalista Roberto Marinho até a Rodovia dos Imigrantes? O jornal SP Zona Sul, que já vinha publicando matérias questionando a viabilidadede promessas recentes, esta semana publica duas matérias sobre a Operação Água Espraiada
GESTÃO
Para cumprir e até superar a promessa feita em campanha de investir R$ 1 bilhão na expansão do metrô, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) poderá transferir recursos previstos de outras importantes obras na cidade. Não há dúvidas de que a ampliação do metrô é importante, mas a Prefeitura precisa deixar de fazer projetos sob sua responsabilidade para repassar verbas ao Governo do Estado para que cumpra seus projetos? Esta mudança teria alguma relação com as eleições de 2010 – para Governo do Estado e presidência?
Como forma de angariar fundos, a prefeitura pretende vender na Bolsa de Valores R$ 700 milhões em títulos municipais para complementar o bilhão prometido à rede metroviária. As condições como o dinheiro seria repassado foram validadas por meio de dois convênios publicados recentemente no Diário Oficial.
Do total que pode ser transferido, R$ 500 milhões viriam de Certificados de Potencial Adicional de Construção(Cepacs) da Operação Urbana Faria Lima e outros R$ 200 milhões da Operação Urbana Água Espraiada. Esta última prevê no Jabaquara o tão reivindicado e empacado prolongamento – agora em túnel – da avenida Jornalista Roberto Marinho até a rodovia Imigrantes, além de toda revitalização paisagística da região.
Os Cepacs são títulos negociados no mercado que concedem à iniciativa privada o direito de construir acima da metragem máxima permitida pela lei de zoneamento.
A verba da operação Faria Lima seria transferida para a Linha 4 – Amarela, que liga o Centro ao Morumbi, na Zona Oeste, e o dinheiro proveniente da Operação Água Espraiada seria investido nas obras da Linha 5 – Lilás, que ligará Santo Amaro a Vila Mariana.
Até 31 de dezembro, a prefeitura diz já ter transferido para a expansão de novas linhas um total de R$ 503 milhões. Logo, somado o repasse dos possíveis R$ 700 milhões, o Metrô obterá mais de R$ 1,2 bilhão da gestão Kassab.
A prefeitura afirma que o dinheiro poderá ser transferido mesmo se os títulos não forem vendidos. Mas não há prazo para a Companhia do Metropolitano receber o R$ 1 bilhão prometido no primeiro mandato. O prefeito ainda garante que investirá outro R$ 1 bilhão até 2012.
Procurada pela reportagem, a Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), responsável pelas operações urbanas da Faria Lima e Água Espraiada, não comentou a eventual perda de recursos em ambos os projetos, ou atraso deles, até o fechamento desta edição.
MEMÓRIA

Em evento/ factóide eleitoral proibido por lei, Boneco entrega ( OPS! ) o checão sem fundos da Prefeitura para o presid, digo, governador de São Paulo. – 15.10.08

dezembro 20, 2008

Jaz São Paulo: "Revitalização do centro de SP premia obras faraônicas e especulação imobiliária", por João Whitaker

Revitalização do centro de SP premia obras faraônicas e especulação imobiliária
JOÃO WHITAKER
Correio da Cidadania
11-Dez-2008

Soube-se recentemente pelos jornais que os suíços Herzog e De Meuron, os festejados arquitetos autores do “Ninho de Pássaro”, palco das Olimpíadas de Pequim, foram contratados pelo governo do estado para projetar a futura sede da São Paulo Companhia de Dança e as novas instalações do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim.
Um imponente projeto, afinado com a política de recuperação do centro que o governo do estado começou a implementar com a Sala São Paulo e a prefeitura vem continuando com o Projeto Nova Luz. Uma política alavancada em obras públicas milionárias, porém sem ações de planejamento que visem coibir a natural valorização da área e a conseqüente expulsão da população mais pobre, que os urbanistas costumam chamar de “gentrificação”. Ao lado de tão vultosos investimentos em cultura, não vemos nenhuma ação para promover uma oferta pública de moradia à população pobre que usa e vive no centro, ou para incentivar o mercado privado de habitação de médio e baixo padrão, que corresponde à maior parte da demanda por moradia na região.
O projeto proposto prevê a construção de cerca de 20 mil m², para um extenso programa que inclui três teatros, uma sala de espetáculos, salas de ensaio e biblioteca.
A notícia repercutiu imediatamente, e de forma polêmica, entre os arquitetos: para eles, a questão é aceitar ou não que, em processo de escolha fechado (embora seja uma obra pública), tenha sido escolhido para o projeto um escritório estrangeiro em detrimento de um brasileiro, com a justificativa, apenas, da sua fama. A reclamação é plausível, não tanto quanto à nacionalidade, mas pelo uso da Lei Federal 8.666/93 para amparar o processo de escolha, que permite que não se faça licitação “quando houver inviabilidade de competição” na contratação de “serviços técnicos de natureza singular”, com profissionais “de notória especialização”.
Fama e sucesso internacional podem até ser uma garantia de que os arquitetos contratados são competentes, mas de forma alguma estabelece que o que eles fazem – projetos de arquitetura – não possa ser feito por outros profissionais. Seus festejados projetos podem ser singulares, porque todo projeto de arquitetura o é, mas o processo projetual em si pode ser feito por todo e qualquer arquiteto. Não há, portanto, “inviabilidade de competição”, nem tampouco “notória especialização”. O projeto deveria, independentemente da nacionalidade dos vencedores, e por tratar-se de verba pública, ser objeto de um concurso público de arquitetura.
Mas não é esse, porém, o verdadeiro escândalo que a notícia traz, mas sim os valores astronômicos em jogo. Estes sim deveriam ser alvo da indignação de todos, arquitetos ou não. O custo total da obra, que será arcado pelo governo do estado, é de R$ 300 milhões. Aos arquitetos, será pago algo entre R$ 19,5 milhões e R$ 25,5 milhões.
A título de comparação, a Universidade Federal do ABC, cuja obra já está adiantada, tem em seu programa equipamentos similares aos da nova escola de dança. Porém, sua área construída de cerca de 100 mil m² é cinco vezes maior, e foi licitada por R$ 96 milhões, 3 vezes menos do que o projeto para o centro! Os arquitetos vencedores do projeto receberam R$ 3 milhões! Em outro exemplo, as obras do novo terminal de passageiros do aeroporto de Florianópolis, que incluem a construção da infra-estrutura de circulação das aeronaves e de acesso viário, foram licitadas em R$ 259 milhões, menos do que a escola de dança e seus 20 mil m²! Também nesse caso, consta que o preço de todo o projeto executivo foi de R$ 3 milhões.
Como entender que o governo do estado gaste em um prédio de uma escola de dança mais do que o custo de um terminal aeroportuário? Será que não seria mais conveniente um projeto mais modesto, permitindo a destinação de parte desse dinheiro para outros projetos socialmente importantes, como de habitação na área central?
Há algo de errado no ar. Ou estamos na Suíça, e ninguém foi avisado, ou há dinheiro sendo jogado fora, em nome de uma suposta “revitalização” do centro que cria obras faraônicas para o deleite do mercado imobiliário, que muito lucrará com a conseqüente valorização da região.

João Sette Whitaker Ferreira é arquiteto-urbanista e economista, é professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e do Mackenzie, e membro do Conselho Municipal de Política Urbana.

outubro 15, 2008

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

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EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

DNA Paulistano: um pouco da Geografia local

Então vamos lá. Conheça um pouco de sua cidade e arredores. Como de costume, eu grifo uns trechos que julgo importantes. Não que sejam importantes para já. Além disso, tem um bocado de coisa complicada, que eu não faço idéia do que estão falando. Vai assim mesmo:
Luxo em alta
IstoÉ Dinheiro, ed. 575 – 08.10.08
Imóveis de quatro ou mais dormitórios puxam o crescimento do setor imobiliário no Brasil. Em São Paulo, respondem por quase 60% das vendas
Nos últimos três anos, o mercado imobiliário do País entrou em ebulição. Segundo especialistas, a alta é resultado principalmente do aumento da renda do brasileiro, que permitiu a milhões de novos consumidores comprarem seu imóvel. Mas, ao contrário do que muitos analistas previam, não foi apenas a classe C que puxou o setor. De acordo com dados do Secovi, sindicato das empresas de venda de imóveis do Estado de São Paulo, a participação de apartamentos ou casas de quatro ou mais dormitórios no total de negócios fechados foi de 58% em junho, ante 23% dos imóveis de três quartos e 15% dos de dois. Considerando o número de unidades comercializadas, os imóveis para as classes A e B também lideram, com 32,2% do total. Os indicadores revelam, portanto, que os ricos têm uma importância vital para o desenvolvimento do setor [ imobiliário ] no Brasil. “Como 40% deles [ dos ricos ] moram na região metropolitana de São Paulo, é fácil entender por que o mercado cresceu tanto na capital paulista” [ nota do blog: só faltou relacionar os bairros ] , afirma Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). Segundo Pompéia, em São Paulo o preço médio de um imóvel de quatro dormitórios é de R$ 634 mil – valor, convenhamos, que não cabe no bolso de qualquer um.
( … ) O levantamento constatou que esses consumidores compram o segundo imóvel a uma distância média de 3,7 quilômetros em relação ao primeiro. Ou seja, em geral eles se mantêm nos mesmos bairros, o que de certa forma limita as ofertas para áreas restritas das grandes cidades.
Para Fábio Romano, diretor de incorporação da Gafisa, outros bairros nobres terão de ser criados [ Mmm, é? Aonde? Cidade Tiradentes, que tá uma pechincha? ] . “Muitas pessoas [ sic ] querem comprar imóveis em regiões com potencial de valorização para investir [ especular ] em longo prazo [ especular mesmo, portanto ] ”, diz. Além dos empreendimentos de luxo em Moema e Itaim, que valem R$ 7 mil o metro quadrado, a Gafisa está lançando empreendimentos em Osasco e São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e outro no Tatuapé, na zona leste da capital, umas das regiões de maior potencial de crescimento da cidade. O setor de luxo vem atraindo até construtoras que antes tinham foco apenas em imóveis de baixo custo, como a Norcom, que atua no Nordeste ( … )”.
Dinâmicas urbanas do território metropolitano
LUME – FAU/USP, 2005
1.Substituição de padrão socioeconômico e funcional em bairros consolidados
Bairros consolidados do município de São Paulo vêm vivenciando um forte processo de substituição do estoque construído através da verticalização residencial. Tal mudança, intensificada na década de 1980, é acompanhada, muitas vezes, de um movimento de substituição da população de menor poder aquisitivo por moradores de maior renda. A transformação é acompanhada também pela instalação de atividades de comércio e serviços especializados.
Situações exemplares: Tatuapé, Jardim Anália Franco, Vila Prudente ( Jardim Avelino ), Itaim ( Vila Olímpia), Mooca, Moema.
2. Aumento da precariedade urbana nos conjuntos habitacionais periféricos
É uma dinâmica localizada de forma precisa em áreas formadas por conjuntos habitacionais de interesse social que apresentam graves problemas de inserção urbana e social de sua população.
A escala dos empreendimentos e sua concentração nas periferias do município de São Paulo e nas periferias metropolitanas contribuem para a formação de espaços socialmente confinados e distantes. Seus moradores reproduzem freqüentemente, nos trechos urbanos onde esses conjuntos se inserem, a prática de produzir ilegalidades, construindo informalmente espaços de comércio e serviços nas áreas de uso comum dos condomínios e no espaço público. O interior desses imensos territórios apresenta inclusive outras formas de invasões na forma de favelas, que ocupam muitas vezes os espaços destinados aos equipamentos de serviços previstos no projeto original, porém não executados, ou à beira de córregos e áreas íngremes.
Conjuntos habitacionais de interesse social na região metropolitana.
3. Grandes favelas que ganharam atributos de bairro
A ocupação ilegal do solo gerou, no interior da malha metropolitana, setores que concentram milhares de moradores em favelas formadas a partir de processos desorganizados deurbanização. Elas resultaram de invasões de grandes áreas que tinham, e ainda têm, problemas diversos de regularização fundiária. Alguns trechos dessas favelas existentes há décadasprosperaram como bairros, tanto em função dos investimentos públicos quanto dos realizados pelos próprios moradores. Demandam do poder público programas e projetos de reorganização urbana, tais como regularização fundiária e implantação de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Situações exemplares: Heliópolis, Paraisópolis.
4. Impactos da construção de avenidas de “fundo de vale” em zonas periféricas
A implantação de sistemas de infra-estrutura viária de grande extensão que atravessam áreas ocupadas por população de baixa renda promove mudanças no uso do solo e cria formas embrionárias de novas centralidades, ancoradas em funções comerciais. Os espaços adjacentes às inúmeras avenidas de fundo de vale, abertas sobretudo a partir da década de 1980, reúnem em pontos específicos condições propícias para a implantação de equipamentos urbanos de grande porte. Nesses locais se instalam complexos de redes de consumo e lazer.
Situações exemplares: Avenida Aricanduva, avenida Jacu Pêssego/Nova Trabalhadores, avenida Escola Politécnica.
Ver também Travassos, Luciana. A dimensão socioambiental da ocupação dos fundos de vale urbanos no Município de São Paulo
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
5. Consolidação de novas centralidades terciárias
O deslocamento das atividades terciárias do Centro tradicional no sentido do quadrante sudoeste do município de São Paulo percorreu ao longo dos últimos cinqüenta anos um caminho que incluiu as avenidas Paulista e Faria Lima, alcançando o eixo da marginal Pinheiros e estabelecendo ali “novas centralidades terciárias”. Esse percurso corresponde à movimentação do grande capital imobiliário que concentrou seus investimentos e na sua etapa atual ganha um novo perfil incorporando os setores de comércio, serviços especializados e edifícios corporativos.
Situações exemplares: Marginal Pinheiros, avenida Eng. Luís Carlos Berrini, Chácara Santo Antônio (rua Verbo Divino), avenida Água Espraiada.
6. Ocupação socioeconômica desigual de setores urbanos contíguos
A concomitância na ocupação de áreas urbanas por classes sociais muito distintas do ponto de vista socioeconômico tem sido freqüente tanto em setores de urbanização recente quanto em setores de urbanização mais antiga. Encontram-se presentes nessas áreas padrões residenciais extremamente distintos. Edifícios de alto padrão e favelas ocupam espaços urbanos muito próximos e, algumas vezes, contíguos. Essa situação aponta para o fenômeno já descrito como “proximidade física e distância social” e não chega a gerar formas de inclusão social ou urbana,uma vez que cada um dos grupos está assentado em sistemas urbanos isolados. Esse “isolamento” se deve em grande parte à organização do sistema viário e de transporte.
Situações exemplares: Região do Morumbi e Paraisópolis, Granja Viana e Carapicuíba.
7. Conjugação entre fragilidade ambiental e alto índice de expansão habitacional precária
Uma das principais expressões da expansão habitacional precária tem como sítio as áreas de fragilidade ambiental. Essa dinâmica, caracterizada pelo alto índice de expansão, compromete severamente os recursos hídricos, as áreas florestadas e as várzeas. Correspondem às áreas de ocupação ilegal, ou seja , clandestina ou irregular, impulsionada pelos assentamos residenciais de baixa renda em áreas impróprias para urbanização intensiva.
Situações exemplares: Área de proteção aos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo ( bacias hidrográficas das represas Guarapiranga e Billings ), área de proteção ambiental da várzea do Tietê, Parque Estadual da Cantareira.
Ver também Silva, Lucia Sousa e. Proteção ambiental e expansão urbana: a ocupação ao sul do Parque Estadual da Cantareira
Ver também Grostein, Marta Dora. Periferias Metropolitanas: uma questão urbano-ambiental
8. Adensamento habitacional junto aos trechos urbanos das rodovias
A partir dos anos 90, os trechos urbanos das rodovias que alcançam o município de São Paulo concentraram um número crescente de edifícios residenciais produzidos pelo mercado imobiliário. Trata-se de uma nova opção de localização utilizada pelo mercado que atende a faixas de renda média e média baixa. Os planos do poder público, através de seus órgãos especializados, de transformar esses trechos rodoviários em vias expressas com acessos locais deverão ampliara oferta habitacional nessas áreas.
Situação exemplar: Área urbana da rodovia Raposo Tavares.
9. Emergência de novos setores empresariais de alto padrão
Setores urbanos impulsionados e beneficiados por obras públicas viárias geraram, no interior de bairros consolidados, desapropriações e transformações de uso. Esses processos propiciaram a extensão e conexão de corredores de comércio e serviço, formando com outros setores empresariais preexistentes novas áreas qualificadas de comércio, serviço e habitação de padrão médio e alto.
Situações exemplares: avenidas Nova Faria Lima e Hélio Pelegrino, região da Vila Olímpia, extensão da avenida Eng. Luís Carlos Berrini.
10. Esvaziamento residencial dos “bairros centrais”
Nos últimos vinte anos os “bairros centrais” do município de São Paulo perderam população. Esse fato representa um paradoxo se compararmos a infra-estrutura neles instalada a outros que apresentaram crescimento populacional no mesmo período. Os casos mais exemplares dessas dinâmicas pressupõem a concomitância de três fenômenos: queda no número de moradores, diminuição no número de domicílios alugados e ausência de lançamentos imobiliários. A existência de dinâmica imobiliária (lançamentos) e novas posturas por parte do poder público em alguns bairros, como a Barra Funda, Mooca e Liberdade, embora crie uma grande expectativa, ainda não é passível de generalização.
Situações exemplares: bairros centrais que circundam o centro histórico: Barra Funda, Brás, Pari, Mooca, Bela Vista, Liberdade, Santa Efigênia, Campos Elíseos, Cambuci.
11. Promoção de setores urbanos através de instrumento urbanístico – operações urbanas
As operações urbanas são um instrumento de intervenção urbanística coordenado pelo poder público municipal, visando à transformação estrutural de áreas específicas da cidade. Envolve, em princípio, a participação de moradores, proprietários e investidores privados. Deve estar regulamentado pelo Plano Diretor e constará de um plano que deve conter os seguintes itens: definição da área a ser atingida, programa básico de ocupação da área, finalidades da operação, estudo prévio de impacto de vizinhança, programa de atendimento econômicoe social para a população diretamente afetada e a forma de controle da operação. Também se exige a contrapartida em função da flexibilização dos índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo. Visa também à reorganização de setoresurbanos com valor histórico nos quais a dinâmica imobiliária é inexpressiva. Até o momento os resultados são controversos do ponto de vista urbanístico, embora apresentem potencial para se tornarem dinâmicas urbanas de grande alcance.
Situações exemplares: operações urbanas existentes: Água Branca, Centro, Faria Lima e Água Espraiada; operações urbanas propostas pelo Plano Diretor 2002: Diagonal Sul, Diagonal Norte, Carandiru -Vila? Maria, Vila Leopoldina, Vila Sônia, Celso Garcia, Santo Amaro e Tiquatira.
12. O impacto dos projetos de infra-estrutura em escala local e metropolitana
A presença de grandes infra-estruturas urbanas, com ênfase nos sistemas de transporte de massa e na mobilidade, vem funcionando como elemento capaz de atender à expansão excessiva da mancha urbana e produzir maior coesão nos territórios metropolitanos. Sua função é organizar os sistemas e subsistemas urbanos que levam à consolidação ou expansão da malha urbana. Seu impacto positivo sobre o território está diretamente associado à sua capacidade de gerar ou anunciar a continuidade urbana. Seus aspectos negativos já foram examinados em outras dinâmicas e se relacionam, sobretudo, com as alterações do preço da terra quando incidem sobre zonas habitadas por moradores com baixo poder aquisitivo.
Situações exemplares: Traçado do Rodoanel, expansão do Metrô.
Ver também Meyer, Regina M. P. São Paulo Cidade Metropolitana.
13. Organização de pólo funcional de transporte metropolitano
“O novo padrão de organização do território metropolitano está intrinsecamente associado à mobilidade e é comandado, em grande parte, por seus novos atributos – dispersão e descontinuidade. Esse novo modelo espacial requer uma infra-estrutura de transportes cuja eficiência repousa na capacidade de integrar as atividades dispersas no território metropolitano e criar fortes e eficientes pólos articuladores locais” [ ?!?!? Entendi porra nenhuma! ]. O reconhecimento desses “pólos de convergência” é hoje um dos focos de planejamento e projeto urbano.
Situação exemplar: Pólo Luz.
14. Consolidação de subcentros regionais
Correspondem aos municípios em acelerado processo de transformação urbana, com elevado crescimento populacional e que reproduzem funções e dinâmicas antes circunscritas ao município de São Paulo. Desempenham o papel de fornecedores de postos de trabalho para os moradores dos municípios adjacentes. Verifica-se também um aumento considerável das atividades de comércio e serviços.
Situações exemplares: Osasco, Guarulhos.
15. Transformação funcional de tradicionais pólos industriais
Os municípios do pólo industrial criado nos anos 50 estão hoje em processo de reorganização funcional e territorial impulsionados pelas transformações produtivas, com redução significativa em suas taxas de crescimento populacional. Embora esse fenômeno já esteja instalado em tais municípios há pelo menos duas décadas, estes concentram ainda o maior estoque de indústrias ativas. Em contrapartida, apresentam também um forte processo de implantação de atividades terciárias.
Situações exemplares: Santo André, São Bernardo, São Caetano do Sul, Diadema.
16. Formação de núcleos urbanos autônomos
Estão instalados em municípios metropolitanos, porém circunscritos espacialmente, cujas características resultam do fato de corresponderem a empreendimentos imobiliários de grande porte. Sua implantação é baseada em projeto urbano também circunscrito, onde se utilizam tipologias de ocupação do solo que remetem ao conceito de subúrbio americano. A organização funcional dessas áreas se apresenta na forma de condomínios residenciais ou multifuncionais destinados à população de alta renda. Pelas suas próprias características, tais núcleos estabelecem com os municípios adjacentes poucas relações funcionais.
Situações exemplares: Alphaville e Tamboré ( nos municípios de Barueri e Santana do Parnaíba ); Arujá.
17. Novas formas de organização físico-espacial da atividade industrial
É uma dinâmica ainda incipiente que corresponde ao aumento de empreendimentos imobiliários, com novos padrões de organização espacial, na forma de condomínios industriais, localizados em municípios metropolitanos.
Situações exemplares: Cotia, Osasco, Arujá, São Paulo.
18. Pólo de âmbito nacional com impacto metropolitano
A instalação do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, repercutiu intensamente nas atividades dos municípios adjacentes. A relação desse equipamento com o município de Guarulhos e seu entorno estimulou a instalação de atividades complementares associadas a serviços diversos, tais como logística, aeroportuário, turismo, especialmente de negócios, impulsionando a instalação de hotéis, centros de convenções e de compras. Como desdobramento, está ocorrendo um grande crescimento populacional e a reprodução intensa do padrão periférico de urbanização nos arredores do aeroporto na forma de loteamentos ilegais e favelas.
Situação exemplar: Guarulhos/Aeroporto Internacional de Cumbica.
19. Expansão dos municípios-dormitório
É uma dinâmica que esteve presente em períodos anteriores à década de 1980 e que no momento está voltando a ganhar impulso. Corresponde a municípios com grande estoque habitacional e disponibilidade de áreas nas quais contrasta a baixa densidade de ocupação nos loteamentos e a alta densidade nos lotes. Os municípios onde essa dinâmica se acha mais presente correspondem a regiões precárias, com urbanização insuficiente e de baixo valor imobiliário. Concentram também um grande número de moradias produzidas pelo poder público na forma de conjuntos habitacionais, assim como de favelas e loteamentos irregulares. Do ponto de vista socioeconômico, são municípios que concentram população de baixa renda sem oferecer postos de trabalho na escala necessária.
Situações exemplares: Franco da Rocha, Francisco Morato, Poá, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba.
20. Aumento da população favelada e dispersão de novos núcleos na região metropolitana
A permanência de um déficit habitacional e a insuficiência da ação pública para atender à demanda das faixas de zero a três salários teve como resultante a multiplicação e a dispersão de núcleos de favelas nos diversos municípios metropolitanos. A gravidade desse problema social amplia-se na medida em que a ele se associa o problema ambiental. Os novos núcleos, assim como a ampliação dos já existentes, têm ocorrido principalmente sobre córregos, em áreas remanescentes de obras viárias e no interior de áreas de proteção ambiental.
Situações exemplares: municípios com grande incremento de população favelada: Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires, São Bernardo, Santo André.
21. Difusão do “condomínio fechado” como modelo habitacional
A multiplicação de empreendimentos residenciais na forma de condomínios fechados está ocorrendo tanto no município de São Paulo quanto nos demais municípios metropolitanos. Apesar da diminuição das taxas de crescimento populacional, verifica-se a extensão da mancha urbana sobre áreas com qualidade ambiental, atributo que acrescenta valor imobiliário aos empreendimentos residenciais mencionados. O mesmo ocorre em bairros residenciais onde predominavam moradias unifamiliares em grandes lotes. O pressuposto desses empreendimentos é ignorar o entorno onde se instalam, voltando-se exclusivamente para o interior da gleba ou lote do empreendimento. A tipologia do condomínio fechado está sendo adotada tanto para empreendimentos de alta renda, com os atributos mencionados, quanto para outros nas periferias populares, para faixas de renda média e média baixa.
Situações exemplares: condomínios ou loteamentos residenciais no município de São Paulo e em outros municípios metropolitanos; Granja Viana (no município de Cotia), Arujazinho (no município de Arujá).
22. Recuperação de áreas ambientalmente degradadas
Áreas ambientalmente degradadas que concentram moradias populares, loteamentos ilegais e favelas no interior das bacias hidrográficas dos principais sistemas produtores de água da metrópole e em outras áreas protegidas são atualmente objeto de programas de recuperação ambiental mediante ações públicas articuladas. A urbanização predatória que originou essasáreas compromete a qualidade da água e cria conflitos socioambientais. Vigora nessas áreas, desde os anos 90, uma nova abordagem de intervenção que busca recuperar a degradação, regularizar a ocupação urbana e conter os processos predatórios de expansão urbana.
Situações exemplares: áreas de proteção e recuperação dos mananciais na bacia hidrográfica do Alto Tietê (represa Guarapiranga e Billings) e área de proteção ambiental da várzea do Tietê (APA Tietê).
23. Espaços estratégicos para projetos urbanos de abrangência metropolitana
A identificação de um espaço urbano estratégico é fruto da dupla abordagem do território: análise e projeto de intervenção em escala metropolitana. Para que um espaço seja designado como estratégico, é necessário analisá-lo no contexto de um plano ou de um programa de obras abrangente e sistêmico, de tal maneira que se possa avaliar a sua disponibilidade no presente e sua potencialidade no futuro. Assim, o aspecto estratégico de um determinado setor urbano nasce da concomitância temporal e espacial entre a superação de sua função atual ou passada e as perspectivas que ele oferece para novos projetos que deverão criar melhores soluções e qualidade urbana.
Situação exemplar: a orla ferroviária nos distritos centrais do município de São Paulo.

A (re)estruturação das metrópoles: novos padrões de segregação espacial

( pdf )

EXPANSÃO URBANA DA CIDADE DE SÃO PAULO E A SEGREGAÇÃO SÓCIO-ESPACIAL DURANTE O PERÍODO DE 1850 A 1992
Enfim, façam bom proveito.

setembro 23, 2008

A segurança da baixa velocidade

BLOG DO CHICÃO
No bairro carioca da Tijuca …. As ruas da Tijuca serão primeiras a experimentar a segurança das “Zonas 30″, áreas onde a velocidade dos motorizados será reduzida para aumentar a segurança de ciclistas e pedestres.
Além da Tijuca, outros bairros do Rio de Janeiro poderão ser beneficiados pela redução do limite de velocidade, caso o projeto das “Zonas 30″, apresentado pela associação Transporte Ativo, seja colocado em prática.
Máquinas pesadas e velozes são uma ameaça à vida e uma das grandes barreiras para quem está começando a usar um veículo a propulsão humana.
A equação é simples: mais velocidade = menos tempo de reação, tanto para o motorista, quanto para os demais ocupantes das ruas.
A redução da velocidade é imprescindível para a criação de cidades humanas. Permitir que automóveis, ônibus, caminhões e motos trafeguem a 70 ou 80km/h dentro do perímetro urbano é legitimar o genocídio motorizado, perpetuando o assustador índice da OMS, que aponta os “acidentes” de trânsito como a principal causa de mortes de jovens e crianças no mundo.
Em 1961, os estadunidenses Paul e Percival Goodman já afirmavam que não havia razão para que os veículos em circulação na ilha de Manhattan trafegassem em velocidades superiores a 40km/h. Mais ousada era a proposta de simplesmente banir os automóveis da “grande maçã”.
Infelizmente um dos pilares do lobby automobilístico é o estímulo à velocidades criminosas, perpetuando a ilusão de que o deslocamento em automóveis é algo instantâneo: basta entrar, girar a chave, acelerar e pronto, você já chegou ao seu destino.
A redução da velocidade e as iniciativas que visam propagar o respeito e a convivência nas ruas são tão ou mais importantes que a construção de ciclovias. Aliás, faixas segregadas para bicicletas não seriam sequer necessárias se a velocidade máxima permitida em algumas ruas fosse a velocidade média do trânsito, ou seja, 30km/h.
-
do Blog Apocalipse Motorizado
http://apocalipsemotorizado.net/2008/09/12/a-seguranca-da-baixa-velocidade/

setembro 3, 2008

Aurélio Miguel: "Há que extinguir verba de publicidade (…) direção de jornal e revista corta aqui e ali e até suspende matéria e sou testemunha!"

Sessão 398-SO – Abertura da Comissão da Licença de Funcionamento e Alvará da cidade
02/09/2008
O SR. AURÉLIO MIGUEL (PR) – (Pela ordem) -Vou comentar sobre um tema importantíssimo para a cidade de São Paulo. Eu propus, há uns dois meses atrás, a abertura da Comissão de Estudos da Licença de Funcionamento e Alvará da cidade de São Paulo. Esse é um tema com que nós, Srs. Vereadores, deveríamos nos preocupar, porque hoje, segundo o Sr. Secretário das Subprefeituras, Sr. Andrea Matarazzo, 85% do comércio está irregular na cidade de São Paulo. E não tenho dúvidas de que a não-regularização desses comerciantes, empreendedores, se deva ao fato de que eles não querem estar regularizados. Acho que o maior culpado é o poder concedente, a Prefeitura, não esta Prefeitura atual. É um erro de todos os governos anteriores, porque não se preocuparam em trazer a Cidade para a legalidade. E o intuito da Comissão é justamente propor um Projeto para legalizar os comerciantes.
Fizemos um fórum, na segunda-feira, para o qual convidamos os Srs. Secretários pertinentes a esta matéria. Compareceu o representante da SEHAB, representando o Sr. Secretário Orlando. O Sr. Secretário da Desburocratização não esteve aqui. Vieram outros representantes da Prefeitura. E fiquei surpreso, de certa forma feliz, também. Mas acho que esta Casa não pode permitir isso.
Na sexta-feira, o Sr. Secretário da Desburocratização editou um Decreto, copiando muitas idéias do Projeto de Lei que propus nesta Casa, que viabilizava o Alvará provisório por um ano, podendo ser reeditado por mais um período de um ano, desde que a pessoa que entrasse com a documentação estivesse respeitando as posturas municipais, como o zoneamento, segurança, enfim.
Então, esta Casa está debatendo um Projeto de Lei, com questões relativas à Licença de Funcionamento, e não podemos aceitar que, por Decreto, se governe esta Cidade, porque parece que esta Casa não está fazendo nada. E, na verdade, está. Inclusive, existe uma Comissão de Estudos para resolver isso. Portanto, percebo que, infelizmente, a relação do Poder Legislativo com o Poder Executivo só funciona quando pressionamos. Só assim o Executivo tem uma iniciativa. Em vez de editar um Decreto, deveria mandar uma Lei, a ser aprovada nesta Casa, específica à Licença de Funcionamento e Alvará.
Não tenho nada contra os empreendedores da cidade de São Paulo. O meu questionamento sempre foi o de não poder punir os “pequenininhos”, sendo que os grandes podem tudo. Quando falo nos grandes, refiro-me aos shoppings centers, enfim, os estabelecimentos poderosos. Portanto, estou pedindo que o órgão fiscalizador autue o que está irregular, mas não porque sou contra essas pessoas. Sou a favor deles. Somente gostaria que a Cidade tivesse uma Legislação a qual atendesse a todos, de forma igual.
Outro tema importante – e nesse sentido a Casa tem de mostrar a sua força – é que a cidade de São Paulo está vivendo um boom imobiliário tremendo. E vamos ter gargalos porque o adensamento é grande e não vejo planejamento para o crescimento da cidade de São Paulo. Os prédios e as torres são obras magníficas, mas onde havia cem famílias haverá cinco mil famílias e serão mais cinco mil carros! Fico muito preocupado porque não há planejamento, e já temos um grande problema de mobilidade e, cada vez mais, vai piorar e não há planejamento para o crescimento da metrópole. O que falta neste país é planejar para o futuro, e isso não se faz neste momento.
Em relação às palavras do nobre Vereador Wadih Mutran, tenho a dizer que não sou contra à Imprensa realizar seu trabalho. Sou contra, sim, os maus profissionais da mídia, dos repórteres tendenciosos, e isso é mundial. E numa coisa nós podemos ajudar o tal quarto poder ser de verdade. É acabar com as verbas públicas para que haja publicidade na Rede Globo, Bandeirantes, SBT, e em todos os jornais. Porque gastam essa verba pública e acho que isso teria de ser mudado. Vou dar um exemplo para ilustrar. O então Governador Geraldo Alckmin tinha 140 milhões de reais para gastar com publicidade; o atual Governador Serra aprovou e tem 770 milhões de reais para gastar com divulgação do Governo do Estado de São Paulo. Ora, os senhores acham que alguém vai falar alguma do Governador Serra tendo S.Exa uma caneta de 770 milhões de reais? Esse é um tema para nós pensarmos. Porque, aí sim o quarto poder seria o quarto poder. E não, muitas vezes, por conta do jornalista que até faz até o seu trabalho, mas quando chega na direção do jornal tiram uma coisa daqui, outra dali. Eu sou testemunha disso, nesta Casa. Lembro-me muito bem porque ia sair publicação nas revistas Veja e IstoÉ e o pessoal andava, corria e suspendia a matéria. Isso não pode acontecer em nosso País. A Imprensa tem de ser – como antigamente – o quarto poder de verdade e não a farsa que é hoje.
Era isso que tinha a dizer.

março 18, 2008

Jaz São Paulo: Dane-se o trânsito na Capital!! Acomodados e mimados querem que o Mandrake dê um jeito!! Vão caçar sapo!!

Os poucos que lêem estes blog devem saber que um dos temas recorrentes é o automóvel. Talvez teríam pensado: “UAU! O trânsito na Capital bate recordes dia após dia! E o Cata-Milho não fala nada sobre isso… justo ele!”
Pois é, meus amigos – e inimigos: não devo tripudiar sobre os derrotados.
Quero cumprimentar o Roberto Scaringella, por sua coragem em dizer a óbvia, dolorosa e inconveniente verdade: o paulistano vai ter que se acostumar com os congestionamentos.
Na verdade, acho que já se acostumou, e há tempos. Se acostumou e contribuiu para seu aumento, não estava satisfeito com aquela mixaria. Ou pagou para ver. Em meio à avalanche de estímulos, incentivos, ordens, assédios e constrangimentos afins que obrigam o cidadão a pensar seriamente em comprar um carro, havia algumas vozes que alertavam para as mazelas geradas pelo transporte individual movido a gasolina.
Mas a macheza falou mais alto [ um post meu, anterior, intitulado "É o carro, estúpido..." foi parar no CMI, e vejam o comentário de um leitor:
"(...) Homem de verdade tem que ter carro
Zezinho 08/03/2008 05:18
Tá certo. Mas como é que faz pra comer mulher se não tiver carro? Estou em São Paulo tem 1 ano e descobri que a mulher paulistana só dá pra quem estiver motorizado. Elas dizem que homem de verdade tem que ter carro (...)";
Longe de mim discordar dessa afirmação. Essa explicação é velha e realmente acho que seja verdadeira. Geralmente, o camarada compra o carro tendo por finalidade "comer a mulherada", não é o transporte que interessa. As propagandas de carro e cerveja sempre se apóiam nessa sugestão para vender seus produtos. Eu sou adepto da idéia de que, em termos gerais, um homem, quando age como idiota, o faz porque a mulher assim deseja. Uma mulher estúpida, sem princípios, ordinária, burra, apenas empurra o homem ladeira abaixo. Vejam o poder que vocês têm nas mãos. Melhorem a si mesmas, e vocês melhorarão o homem e, a partir daí, o mundo. ( Acabei de fazer esta pequena reflexão, e tive a minha atenção desviada para um comercial de cerveja que passava na televisão ) ].
Portanto, o paulistano usa VIAGRA no motor de seu carro, para conseguir mais potência. Potência para ele, não para o carro.
Mas a vitória não está completa. Alguns ainda não estão convencidos das implicações das Leis da Física e as conseqüências de seus desejos ególatras quando saciados. Continuam achando que “o trânsito da Capital” refere-se a Marte. Bom, nem tão longe, pois ensimesmados, não sabem da existência dos outros planetas. Não conseguem conceber a existência de vida ( leia-se “O Outro” ou “O próximo” ) nem mesmo neste planeta. Só isso explica o desperdício de água potável para regar a calçada.
Mas eu li uma entrevista com um dirigente do Secovi, publicada na revista Construção e Mercado, da Editora Pini. Perguntado sobre as responsabilidades do crescente mercado imobiliário ( conseqüentemente, dos lançamentos imobiliários ) na questão do trânsito, ele propôs uma solução que parece radical até a mim: diminuir o ritmo de produção de automóveis como se encontra hoje.
( Li, e fiz uma série de anotações a partir desta entrevista, e reflexões saídas das informações e dados que o dirigente do Secovi trouxe, e que pretendia mostrar aqui; mas ficar no computador já está me enchendo o saco, mesmo sendo, a questão do urbanismo, um tema que me interessa razoavelmente )
Segundo ele, o mercado apenas supre uma demanda.
E eu pergutaria a ele: por quê o mercado não faz lançamentos que não possuam vagas para automóveis? Eduque o consumidor. E tem gente que vai atrás dessa história de “prédio ecológico”…
Prá começar, a própria verticalização pode ser questionada e interpretada como “anti-ecológica”, levando em conta a repercussão que surge com a instalação de um prédio numa localidade, quando esta seja predominantemente horizontal.
Enfim, à semelhança do dito no post anterior, também as peculiaridades inerentes à questão urbanística nos exigem ( a nós, cidadãos comuns ) humildade, interesse e dedicação, para serem apreendidas minimamente bem, sob o risco de, subordinados ao pensamento único – onipresente nas páginas dos jornais – do “mercado imobiliário” e dos investidores e, hipnotizados por cifras, hurras e celebrações autoconferidas, acabemos comemorando também a glória de outrem enquanto isso signifique, na verdade, a glória de uma minoria desapegada aos interesses do resto – ironicamente, quase o todo – da Cidade. Aliás, a bem da verdade, não é certo dizer que a vontade da maioria seja, obrigatóriamente, a melhor. Vejam os carros.
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