ENCALHE

março 20, 2009

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

"Brasil e EUA na crise mundial", por Paulo Nogueira Batista Jr.

“É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo”
O primeiro encontro entre o presidente Obama e o presidente Lula, aqui em Washington, no sábado passado, parece ter transcorrido muito bem.
A relação Brasil-EUA é um tema vasto. Vou tratar apenas de um aspecto: a possibilidade de atuação conjunta dos dois países no enfrentamento da crise mundial –em especial no âmbito do G20. Em entrevista após o encontro na Casa Branca, os presidentes Lula e Obama anunciaram que as equipes econômicas dos dois países se reuniriam e formariam um grupo bilateral para discutir propostas e tentar traçar uma estratégia comum para a reunião do G20 no dia 2 de abril.
É possível chegar a uma posição comum com os americanos? Em diversos pontos, creio que sim. Existem divergências, claro, mas a minha experiência no FMI e no G20 sugere que há também pontos de convergência entre os EUA e o Brasil – algo que não ocorre na mesma medida entre Brasil e Europa, por exemplo.
Como se sabe, os chefes de Estado do G20 terão o seu segundo encontro, em Londres, no próximo dia 2. O primeiro ocorreu em Washington, em novembro, e produziu resultados bastante razoáveis – o comunicado dos líderes do G20 contribuiu, por exemplo, para acelerar reformas aqui no FMI e levou à ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira, com a inclusão de todos os países do G20.
O problema, evidentemente, é que a crise mundial continua se agravando. Existe a expectativa de que a reunião de Londres possa contribuir de forma mais decisiva para enfrentá-la.
Isso talvez não ocorra. E há mesmo o risco de retrocesso em relação à cúpula do G20 em Washington. A dificuldade é, em parte, política.
É notável o vácuo de lideranças no mundo. Os quatro principais países europeus, todos representados no G20, possuem governos enfraquecidos em seus países e/ou com pouca credibilidade internacional. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, parece querer usar a cúpula para tentar recuperar um pouco do seu prestígio doméstico. O Japão passa por um período de instabilidade política. A Índia e a Rússia estão enfraquecidas pela crise econômica ou por fatores políticos. Fora a China, que não exerce um papel de liderança em escala mundial, todos os demais integrantes do G20 ou estão sofrendo muito com a crise ou não têm peso econômico e governos prestigiados para desempenhar um papel decisivo na cúpula de Londres.
Para a maior parte dos temas, o principal foco de conservadorismo está na Europa. As posições europeias não são idênticas, mas há um traço comum entre elas: são nações que envelheceram, perderam a iniciativa e transformaram-se nas principais defensoras do “status quo” internacional. É delas que parte, por exemplo, a mais determinada resistência à democratização do FMI e do Banco Mundial – entidades em que é gritante a super-representação dos europeus.
Nesse ambiente, uma aliança com o novo presidente americano pode ser especialmente importante. Os presidentes brasileiro e americano estão entre os poucos líderes do G20 que têm força no seu próprio país e prestígio internacional.
O Brasil deve continuar articulando posições conjuntas com outros países do G20, como China, Índia, Rússia, Argentina e Japão (para citar alguns que têm posições próximas às do Brasil em diversas questões). Mas não podemos perder a oportunidade de dar uma sequência cuidadosa e bem preparada à iniciativa bilateral sugerida pelos presidentes Obama e Lula.

outubro 17, 2008

"Recessão mundial?", por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Garantir o crescimento dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão global
O ÚLTIMO artigo que publiquei nesta coluna, há 15 dias, terminava assim: “É provável que grande parte do sistema financeiro acabe nas mãos do Estado”.
Desde então, os países no epicentro da crise deram passos largos nessa direção. Os europeus foram mais longe do que os americanos. As intervenções anunciadas na Europa e nos EUA nos últimos dias marcam uma mudança radical de atitude dos governos. Elas variam de país para país, mas apresentam três elementos centrais: a) a nacionalização de bancos ou o investimento do Estado em ações preferenciais de instituições financeiras; b) a ampliação drástica das garantias governamentais aos passivos do sistema financeiro (depósitos, linhas interbancárias etc.); e c) provisão ainda maior de liquidez aos mercados pelos bancos centrais (por exemplo, as linhas de “swap” entre o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça, que vinham sendo sucessivamente ampliadas, agora não têm mais qualquer limite e serão fornecidas conforme a demanda). Essa nova onda de medidas talvez marque o ponto de inflexão no desenrolar da crise. Com grande relutância, os governos dos países desenvolvidos resolveram tomar medidas extremas para domar a crise e evitar o colapso do sistema financeiro. Mas é cedo para cantar vitória, como ficou evidente pelo comportamento dos mercados ontem. O estrago provocado pelo surto especulativo dos últimos anos ainda demorará a ser digerido. É provável que os problemas no sistema financeiro venham a exigir medidas adicionais por parte dos governos. A economia real já começou a ser fortemente afetada pela “débâcle” financeira. A maioria dos indicadores está apontando para baixo. A presidente da Reserva Federal de San Francisco, Janet Yellen, observou que praticamente todos os principais setores da economia dos EUA foram atingidos pelo choque financeiro e previu que o PIB sofrerá uma contração no último trimestre do ano. A União Européia e o Japão também correm o risco de recessão. O perigo é que a recessão, ou uma desaceleração acentuada das principais economias, tende a provocar um apodrecimento adicional da carteira das instituições financeiras, realimentando a fragilidade dos bancos e de outros intermediários. A principal fonte de crescimento da economia mundial -a essa altura praticamente a única- são os países em desenvolvimento. As últimas projeções do FMI ainda indicam crescimento expressivo desses países em 2009. Lamentavelmente, a crise se espalhou para a periferia do sistema internacional. Diversos países, inclusive alguns que têm fundamentos macroeconômicos bastante fortes, vêm sofrendo as repercussões da desordem financeira nos Estados Unidos e na Europa. Alguns governos estão iniciando negociações aqui no FMI, em busca de apoio financeiro para fazer face a situações emergenciais. Em aliança com outras cadeiras da diretoria do FMI, a cadeira brasileira vem fazendo o possível para que a instituição responda com flexibilidade às demandas dos países-membros em dificuldade. Isso significa, por um lado, utilizar de maneira ágil os instrumentos existentes e, por outro, criar uma nova linha de liquidez que permita desembolsos volumosos e rápidos, com condicionalidade limitada. Garantir o crescimento econômico dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão mundial.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 53, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

"Recessão mundial?", por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Garantir o crescimento dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão global
O ÚLTIMO artigo que publiquei nesta coluna, há 15 dias, terminava assim: “É provável que grande parte do sistema financeiro acabe nas mãos do Estado”.
Desde então, os países no epicentro da crise deram passos largos nessa direção. Os europeus foram mais longe do que os americanos. As intervenções anunciadas na Europa e nos EUA nos últimos dias marcam uma mudança radical de atitude dos governos. Elas variam de país para país, mas apresentam três elementos centrais: a) a nacionalização de bancos ou o investimento do Estado em ações preferenciais de instituições financeiras; b) a ampliação drástica das garantias governamentais aos passivos do sistema financeiro (depósitos, linhas interbancárias etc.); e c) provisão ainda maior de liquidez aos mercados pelos bancos centrais (por exemplo, as linhas de “swap” entre o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça, que vinham sendo sucessivamente ampliadas, agora não têm mais qualquer limite e serão fornecidas conforme a demanda). Essa nova onda de medidas talvez marque o ponto de inflexão no desenrolar da crise. Com grande relutância, os governos dos países desenvolvidos resolveram tomar medidas extremas para domar a crise e evitar o colapso do sistema financeiro. Mas é cedo para cantar vitória, como ficou evidente pelo comportamento dos mercados ontem. O estrago provocado pelo surto especulativo dos últimos anos ainda demorará a ser digerido. É provável que os problemas no sistema financeiro venham a exigir medidas adicionais por parte dos governos. A economia real já começou a ser fortemente afetada pela “débâcle” financeira. A maioria dos indicadores está apontando para baixo. A presidente da Reserva Federal de San Francisco, Janet Yellen, observou que praticamente todos os principais setores da economia dos EUA foram atingidos pelo choque financeiro e previu que o PIB sofrerá uma contração no último trimestre do ano. A União Européia e o Japão também correm o risco de recessão. O perigo é que a recessão, ou uma desaceleração acentuada das principais economias, tende a provocar um apodrecimento adicional da carteira das instituições financeiras, realimentando a fragilidade dos bancos e de outros intermediários. A principal fonte de crescimento da economia mundial -a essa altura praticamente a única- são os países em desenvolvimento. As últimas projeções do FMI ainda indicam crescimento expressivo desses países em 2009. Lamentavelmente, a crise se espalhou para a periferia do sistema internacional. Diversos países, inclusive alguns que têm fundamentos macroeconômicos bastante fortes, vêm sofrendo as repercussões da desordem financeira nos Estados Unidos e na Europa. Alguns governos estão iniciando negociações aqui no FMI, em busca de apoio financeiro para fazer face a situações emergenciais. Em aliança com outras cadeiras da diretoria do FMI, a cadeira brasileira vem fazendo o possível para que a instituição responda com flexibilidade às demandas dos países-membros em dificuldade. Isso significa, por um lado, utilizar de maneira ágil os instrumentos existentes e, por outro, criar uma nova linha de liquidez que permita desembolsos volumosos e rápidos, com condicionalidade limitada. Garantir o crescimento econômico dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão mundial.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 53, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

"Recessão mundial?", por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Garantir o crescimento dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão global
O ÚLTIMO artigo que publiquei nesta coluna, há 15 dias, terminava assim: “É provável que grande parte do sistema financeiro acabe nas mãos do Estado”.
Desde então, os países no epicentro da crise deram passos largos nessa direção. Os europeus foram mais longe do que os americanos. As intervenções anunciadas na Europa e nos EUA nos últimos dias marcam uma mudança radical de atitude dos governos. Elas variam de país para país, mas apresentam três elementos centrais: a) a nacionalização de bancos ou o investimento do Estado em ações preferenciais de instituições financeiras; b) a ampliação drástica das garantias governamentais aos passivos do sistema financeiro (depósitos, linhas interbancárias etc.); e c) provisão ainda maior de liquidez aos mercados pelos bancos centrais (por exemplo, as linhas de “swap” entre o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça, que vinham sendo sucessivamente ampliadas, agora não têm mais qualquer limite e serão fornecidas conforme a demanda). Essa nova onda de medidas talvez marque o ponto de inflexão no desenrolar da crise. Com grande relutância, os governos dos países desenvolvidos resolveram tomar medidas extremas para domar a crise e evitar o colapso do sistema financeiro. Mas é cedo para cantar vitória, como ficou evidente pelo comportamento dos mercados ontem. O estrago provocado pelo surto especulativo dos últimos anos ainda demorará a ser digerido. É provável que os problemas no sistema financeiro venham a exigir medidas adicionais por parte dos governos. A economia real já começou a ser fortemente afetada pela “débâcle” financeira. A maioria dos indicadores está apontando para baixo. A presidente da Reserva Federal de San Francisco, Janet Yellen, observou que praticamente todos os principais setores da economia dos EUA foram atingidos pelo choque financeiro e previu que o PIB sofrerá uma contração no último trimestre do ano. A União Européia e o Japão também correm o risco de recessão. O perigo é que a recessão, ou uma desaceleração acentuada das principais economias, tende a provocar um apodrecimento adicional da carteira das instituições financeiras, realimentando a fragilidade dos bancos e de outros intermediários. A principal fonte de crescimento da economia mundial -a essa altura praticamente a única- são os países em desenvolvimento. As últimas projeções do FMI ainda indicam crescimento expressivo desses países em 2009. Lamentavelmente, a crise se espalhou para a periferia do sistema internacional. Diversos países, inclusive alguns que têm fundamentos macroeconômicos bastante fortes, vêm sofrendo as repercussões da desordem financeira nos Estados Unidos e na Europa. Alguns governos estão iniciando negociações aqui no FMI, em busca de apoio financeiro para fazer face a situações emergenciais. Em aliança com outras cadeiras da diretoria do FMI, a cadeira brasileira vem fazendo o possível para que a instituição responda com flexibilidade às demandas dos países-membros em dificuldade. Isso significa, por um lado, utilizar de maneira ágil os instrumentos existentes e, por outro, criar uma nova linha de liquidez que permita desembolsos volumosos e rápidos, com condicionalidade limitada. Garantir o crescimento econômico dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão mundial.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 53, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

"Recessão mundial?", por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Garantir o crescimento dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão global
O ÚLTIMO artigo que publiquei nesta coluna, há 15 dias, terminava assim: “É provável que grande parte do sistema financeiro acabe nas mãos do Estado”.
Desde então, os países no epicentro da crise deram passos largos nessa direção. Os europeus foram mais longe do que os americanos. As intervenções anunciadas na Europa e nos EUA nos últimos dias marcam uma mudança radical de atitude dos governos. Elas variam de país para país, mas apresentam três elementos centrais: a) a nacionalização de bancos ou o investimento do Estado em ações preferenciais de instituições financeiras; b) a ampliação drástica das garantias governamentais aos passivos do sistema financeiro (depósitos, linhas interbancárias etc.); e c) provisão ainda maior de liquidez aos mercados pelos bancos centrais (por exemplo, as linhas de “swap” entre o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça, que vinham sendo sucessivamente ampliadas, agora não têm mais qualquer limite e serão fornecidas conforme a demanda). Essa nova onda de medidas talvez marque o ponto de inflexão no desenrolar da crise. Com grande relutância, os governos dos países desenvolvidos resolveram tomar medidas extremas para domar a crise e evitar o colapso do sistema financeiro. Mas é cedo para cantar vitória, como ficou evidente pelo comportamento dos mercados ontem. O estrago provocado pelo surto especulativo dos últimos anos ainda demorará a ser digerido. É provável que os problemas no sistema financeiro venham a exigir medidas adicionais por parte dos governos. A economia real já começou a ser fortemente afetada pela “débâcle” financeira. A maioria dos indicadores está apontando para baixo. A presidente da Reserva Federal de San Francisco, Janet Yellen, observou que praticamente todos os principais setores da economia dos EUA foram atingidos pelo choque financeiro e previu que o PIB sofrerá uma contração no último trimestre do ano. A União Européia e o Japão também correm o risco de recessão. O perigo é que a recessão, ou uma desaceleração acentuada das principais economias, tende a provocar um apodrecimento adicional da carteira das instituições financeiras, realimentando a fragilidade dos bancos e de outros intermediários. A principal fonte de crescimento da economia mundial -a essa altura praticamente a única- são os países em desenvolvimento. As últimas projeções do FMI ainda indicam crescimento expressivo desses países em 2009. Lamentavelmente, a crise se espalhou para a periferia do sistema internacional. Diversos países, inclusive alguns que têm fundamentos macroeconômicos bastante fortes, vêm sofrendo as repercussões da desordem financeira nos Estados Unidos e na Europa. Alguns governos estão iniciando negociações aqui no FMI, em busca de apoio financeiro para fazer face a situações emergenciais. Em aliança com outras cadeiras da diretoria do FMI, a cadeira brasileira vem fazendo o possível para que a instituição responda com flexibilidade às demandas dos países-membros em dificuldade. Isso significa, por um lado, utilizar de maneira ágil os instrumentos existentes e, por outro, criar uma nova linha de liquidez que permita desembolsos volumosos e rápidos, com condicionalidade limitada. Garantir o crescimento econômico dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão mundial.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 53, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

"Recessão mundial?", por PAULO NOGUEIRA BATISTA JR.

Garantir o crescimento dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão global
O ÚLTIMO artigo que publiquei nesta coluna, há 15 dias, terminava assim: “É provável que grande parte do sistema financeiro acabe nas mãos do Estado”.
Desde então, os países no epicentro da crise deram passos largos nessa direção. Os europeus foram mais longe do que os americanos. As intervenções anunciadas na Europa e nos EUA nos últimos dias marcam uma mudança radical de atitude dos governos. Elas variam de país para país, mas apresentam três elementos centrais: a) a nacionalização de bancos ou o investimento do Estado em ações preferenciais de instituições financeiras; b) a ampliação drástica das garantias governamentais aos passivos do sistema financeiro (depósitos, linhas interbancárias etc.); e c) provisão ainda maior de liquidez aos mercados pelos bancos centrais (por exemplo, as linhas de “swap” entre o Federal Reserve, o Banco Central Europeu, o Banco do Japão, o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça, que vinham sendo sucessivamente ampliadas, agora não têm mais qualquer limite e serão fornecidas conforme a demanda). Essa nova onda de medidas talvez marque o ponto de inflexão no desenrolar da crise. Com grande relutância, os governos dos países desenvolvidos resolveram tomar medidas extremas para domar a crise e evitar o colapso do sistema financeiro. Mas é cedo para cantar vitória, como ficou evidente pelo comportamento dos mercados ontem. O estrago provocado pelo surto especulativo dos últimos anos ainda demorará a ser digerido. É provável que os problemas no sistema financeiro venham a exigir medidas adicionais por parte dos governos. A economia real já começou a ser fortemente afetada pela “débâcle” financeira. A maioria dos indicadores está apontando para baixo. A presidente da Reserva Federal de San Francisco, Janet Yellen, observou que praticamente todos os principais setores da economia dos EUA foram atingidos pelo choque financeiro e previu que o PIB sofrerá uma contração no último trimestre do ano. A União Européia e o Japão também correm o risco de recessão. O perigo é que a recessão, ou uma desaceleração acentuada das principais economias, tende a provocar um apodrecimento adicional da carteira das instituições financeiras, realimentando a fragilidade dos bancos e de outros intermediários. A principal fonte de crescimento da economia mundial -a essa altura praticamente a única- são os países em desenvolvimento. As últimas projeções do FMI ainda indicam crescimento expressivo desses países em 2009. Lamentavelmente, a crise se espalhou para a periferia do sistema internacional. Diversos países, inclusive alguns que têm fundamentos macroeconômicos bastante fortes, vêm sofrendo as repercussões da desordem financeira nos Estados Unidos e na Europa. Alguns governos estão iniciando negociações aqui no FMI, em busca de apoio financeiro para fazer face a situações emergenciais. Em aliança com outras cadeiras da diretoria do FMI, a cadeira brasileira vem fazendo o possível para que a instituição responda com flexibilidade às demandas dos países-membros em dificuldade. Isso significa, por um lado, utilizar de maneira ágil os instrumentos existentes e, por outro, criar uma nova linha de liquidez que permita desembolsos volumosos e rápidos, com condicionalidade limitada. Garantir o crescimento econômico dos países em desenvolvimento talvez seja a única forma de evitar uma recessão mundial.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR., 53, escreve às quintas-feiras nesta coluna. Diretor-executivo no FMI, representa um grupo de nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).

outubro 5, 2008

O OCIDENTE PRECISA ACEITAR A RÚSSIA ASSIM COMO ELA É

Filed under: Cáucaso, EUA, Eurásia, Geopolítica, Guerra Fria, Ocidente, Rússia, União Européia — Humberto @ 2:27 am
A VOZ DA RÚSSIA, 03.10.08
A Rússia precisa ser aceita tal como ela é, e não como querem vê-la, declarou a alta comissária da União Européia para as Relações Exteriores e Política, Benita Ferrero-Valdner em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt. A representante da EU recordou sobre a verdade banal, porém visível na qual as pessoas devem se basear até mesmo no cotidiano. Por exemplo, contraindo matrimonio. A Rússia nunca pediu a ninguém relações de privilégios. Ela simplesmente deseja relações honestas, iguais, estáveis, previsíveis e de respeito mútuo com os países do Ocidente e também do Leste. Infelizmente nem sempre consegue isso. Nos EUA e em uma série de países da Europa existe uma constante percepção distorcida e negativa com relação à Rússia que foi preservada desde o tempo da guerra fria. Ela praticamente não muda, apesar de que há muito não somos mais divididos por divergências ideológicas, mas unidos pelos valores democráticos e fidelidade à economia de mercado. Analise a imprensa ocidental. Sobre que ela escreve? Que a Rússia é um determinado “buraco negro” gigantesco e sem saída aonde tudo vai mal. De acordo com os padrões ocidentais, o país de Puchkin, Tolstoi, Dostoievski, Gagarin – tudo é o mesmo urso terrível de maneiras imperiais. O exemplo mais visível dessa concepção sobre a Rússia é a reação impropriamente inadequada, desonesta e simplesmente vergonhosa dos EUA e duma série de países da Europa com relação aos recentes acontecimentos no Cáucaso. Desprezando todos os fatos visíveis e as regras do bom tom, Washington e Bruxelas se posicionaram ao lado do regime de Saakashvili que desfechou a agressão contra a Ossétia do Sul e atribuíram à Rússia a culpa por esta guerra. E além do mais eles ainda tiveram a ousadia de ensinar Moscou e assustá-la com os diferentes tipos de sanções. Parece que essas personalidades no Ocidente, depois da desintegração da União Soviética e o default de 1998, não calcularam que a Rússia se recuperasse rapidamente e começasse a defender seriamente os seus interesses nacionais no exterior. E aqui não existe caminho de volta. Está certa a senhora Benita Ferrero-Valdner quando diz que a Rússia é mercado importante para a Europa e jogador sério no cenário mundial. Verdadeiramente sem a Rússia é impossível solucionar as questões do desarmamento, os problemas com a proliferação nuclear, a luta contra o terrorismo e trafico de drogas, crime organizado, pobreza e muitas outras ameaças e desafios. De forma que se falarmos francamente os EUA e seus aliados não têm outra escolha se não levar em consideração a Rússia, respeitar seus interesses e aceitá-la como ela é. É lamentável que isso não chegue aos ouvidos de algumas pessoas no Ocidente; escreveu Victor Enikeiev.

O OCIDENTE PRECISA ACEITAR A RÚSSIA ASSIM COMO ELA É

Filed under: Cáucaso, EUA, Eurásia, Geopolítica, Guerra Fria, Ocidente, Rússia, União Européia — Humberto @ 2:27 am
A VOZ DA RÚSSIA, 03.10.08
A Rússia precisa ser aceita tal como ela é, e não como querem vê-la, declarou a alta comissária da União Européia para as Relações Exteriores e Política, Benita Ferrero-Valdner em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt. A representante da EU recordou sobre a verdade banal, porém visível na qual as pessoas devem se basear até mesmo no cotidiano. Por exemplo, contraindo matrimonio. A Rússia nunca pediu a ninguém relações de privilégios. Ela simplesmente deseja relações honestas, iguais, estáveis, previsíveis e de respeito mútuo com os países do Ocidente e também do Leste. Infelizmente nem sempre consegue isso. Nos EUA e em uma série de países da Europa existe uma constante percepção distorcida e negativa com relação à Rússia que foi preservada desde o tempo da guerra fria. Ela praticamente não muda, apesar de que há muito não somos mais divididos por divergências ideológicas, mas unidos pelos valores democráticos e fidelidade à economia de mercado. Analise a imprensa ocidental. Sobre que ela escreve? Que a Rússia é um determinado “buraco negro” gigantesco e sem saída aonde tudo vai mal. De acordo com os padrões ocidentais, o país de Puchkin, Tolstoi, Dostoievski, Gagarin – tudo é o mesmo urso terrível de maneiras imperiais. O exemplo mais visível dessa concepção sobre a Rússia é a reação impropriamente inadequada, desonesta e simplesmente vergonhosa dos EUA e duma série de países da Europa com relação aos recentes acontecimentos no Cáucaso. Desprezando todos os fatos visíveis e as regras do bom tom, Washington e Bruxelas se posicionaram ao lado do regime de Saakashvili que desfechou a agressão contra a Ossétia do Sul e atribuíram à Rússia a culpa por esta guerra. E além do mais eles ainda tiveram a ousadia de ensinar Moscou e assustá-la com os diferentes tipos de sanções. Parece que essas personalidades no Ocidente, depois da desintegração da União Soviética e o default de 1998, não calcularam que a Rússia se recuperasse rapidamente e começasse a defender seriamente os seus interesses nacionais no exterior. E aqui não existe caminho de volta. Está certa a senhora Benita Ferrero-Valdner quando diz que a Rússia é mercado importante para a Europa e jogador sério no cenário mundial. Verdadeiramente sem a Rússia é impossível solucionar as questões do desarmamento, os problemas com a proliferação nuclear, a luta contra o terrorismo e trafico de drogas, crime organizado, pobreza e muitas outras ameaças e desafios. De forma que se falarmos francamente os EUA e seus aliados não têm outra escolha se não levar em consideração a Rússia, respeitar seus interesses e aceitá-la como ela é. É lamentável que isso não chegue aos ouvidos de algumas pessoas no Ocidente; escreveu Victor Enikeiev.
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