Ultimamente as notícias sobre suposta corrupção tucana têm sido divulgadas pela mídia. A manchete do Estadão (30/5/2008) é arrasadora: “Para Suíça, Alstom usou offshores em propina a tucanos”. Os jornalistas Sônia Figueiras e Eduardo Reina revelam: “Seis empresas offshore, duas das quais controladas por brasileiros, teriam sido utilizadas pela multinacional francesa Alstom para supostamente repassar propinas a autoridades e políticos paulistas entre 1998 e 2001. Os pagamentos seriam feitos com base em trabalhos de consultoria de fachada”. Outra manchete, esta da Folha (21/5), diz: “TCE julga irregular compra de R$ 223 mi de estatal de SP – CPTM usou contrato de 1995 para adquirir 12 trens da francesa Alstom em 2005 [ governo Alckmin ]”. Ao ser entrevistado pelo jornalista Valdo Albuquerque, o deputado Simão Pedro, vice-líder do PT na Assembléia, declarou: “Vamos continuar com o pedido de CPI. As denúncias que estão vindo à tona são muito graves, como a compra de 12 trens da Alstom pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) em 2005, utilizando contrato vencido cinco anos antes”.
Um dos tucanos citado em documentos que a Promotoria da Suíça enviou ao Brasil é Robson Marinho, o RM na citação e confirmado por ele. Robson foi Chefe da Casa Civil do governo Mário Covas, que posteriormente o nomeou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O jornal Estadão informou que a Alstom pagou viagem do conselheiro à Copa da França em 98. Esta ligação, ao que parece, favoreceu a empresa. Eis as manchetes, confirmando o favorecimento: “Membro do TCE investigado defendeu contrato da Alston – Robson Marinho foi o único voto favorável a um negócio de 13 anos com o Metrô (Folha, 4/6)”. “Robson Marinho deu parecer pró-Alstom no TCE em 3 meses – Análise de contrato com Eletropaulo foi um dos mais rápidos do tribunal (Estado, 5/6)”. “Voto de Marinho beneficiou Alstom – Conselheiro do TCE derrubou parecer que considerava ilegal reajuste de contrato entre grupo francês e Eletropaulo (Estado, 6/6)”.
Em vista dessa situação, os tucanos impedem a convocação de suspeitos. A Folha noticiou: “Base aliada de Serra abafa apuração do caso Alstom – Deputados estaduais ligados a tucano são maioria em CPI e rejeitam requerimentos”. O Estado também revelou em manchete: “Tucanos barram convocações no caso Alstom”. Já o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) declarou, segundo o Painel da Folha (9/6) – Tiroteio: “Para investigar o caso Alstom vamos ter que pedir ao Parlamento Europeu, porque em São Paulo é impossível vencer a blindagem tucana”.
Outra citação desagradável aos tucanos é essa notícia do Estadão (9/6): “Cúpula da polícia e do Detran sabia de fraudes em carteiras há 4 meses – Alerta foi dado pela Prodesp, que identificou irregularidades na coleta de digitais; ninguém foi afastado”. Depois de anunciar que Campos Machado (PTB) será o vice de Alckmin em São Paulo, o Estadão (10/10) faz essa revelação: “Nos últimos anos, [Campos Machado] defendeu o governo tucano e ajudou a barrar CPIs. No último dia 5[6], seu então chefe de gabinete, Carlos Alberto de Carvalho Thadeo, o Professor Thadeo, pediu exoneração após ter sido flagrado em escutas, intercedendo em favor de um funcionário da Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Ferraz de Vasconcelos, centro de esquema desarticulado neste mês”. Temos ainda o caso da Secretaria do Trabalho, dominado pelo PTB, com supostas irregularidades. O então secretário Walter Caveanha se defendeu. No entanto, esta é outra história, que provavelmente será relembrada neste ano eleitoral.
Poderíamos ainda citar a governadora tucana Yeda Crusius, a qual, devido à gravação do vice-governador com um secretário, contendo graves acusações de corrupção, exonerou (demitiu) quatro secretários. A grave crise gaúcha fica para outra vez.
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu e autor de “Golpe de 64 em São João da Boa Vista”
Junho de 2008