Um tucaninho de bico longo, ligado ao grupo de Geraldo Alckmin, me ligou a pouco para me contar a novidade do dia. José Serra providenciou a operação denominada Carta Branca, da polícia civil de São Paulo. A imprensa, especialmente a Folha, já saiu com a manchete “Delegado está entre os 18 presos suspeitos de emissão ilegal de CNH”…
junho 3, 2008
Serra imita a PF para desviar o foco do escândalo PSDB-Alstom
Um tucaninho de bico longo, ligado ao grupo de Geraldo Alckmin, me ligou a pouco para me contar a novidade do dia. José Serra providenciou a operação denominada Carta Branca, da polícia civil de São Paulo. A imprensa, especialmente a Folha, já saiu com a manchete “Delegado está entre os 18 presos suspeitos de emissão ilegal de CNH”…
maio 17, 2008
Se a Alstom pagou propina, alguém deve ter recebido, e eu explico.
São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo vai instaurar um procedimento para investigar a empresa francesa Alstom, suspeita de ter pago propinas em contratos assinados com o Metrô de São Paulo e outras empresas paulistas. Serão investigadas a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a Eletropaulo (distribuidora de energia elétrica), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
De acordo com a assessoria do MPF, o processo vai correr sob sigilo e será conduzido pelo procurador da República Rodrigo de Grandis. O objetivo do Ministério Público é investigar se a empresa Alstom, que se define como especialista em energia, cometeu crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro dos quais está sendo acusada..
O Ministério Público estadual também já abriu uma investigação para apurar os contratos fechados entre a Alstom, Metrô, Sabesp, Cesp, CTEEP, CPTM e Eletropaulo, que está sendo conduzido pelo promotor Silvio Marques.
Em nota, a direção do Metrô disse ter tomado conhecimento da investigação, que está sendo conduzida pela Justiça da Suíça. De acordo com a empresa, “tão logo haja informações a respeito do assunto, elas serão tornadas públicas pelo Metrô”. Já a CTEEP se colocou “à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos a respeito de contratos com fornecedores da companhia quando for solicitada”.
maio 13, 2008
maio 12, 2008
Alvaro Dias mentiu sobre vazamento de dados, diz Dr. Rosinha
Site do Dr. Rosinha
maio 9, 2008
DOSSIÊ DOS GASTOS DE FHC FOI ARMAÇÃO DO PSDB!!
Ontem, FHC veio com a história de que o “dossiê” sobre seus gastos era factóide. Por que isso, se permitiu que essa bobagem alimentasse a imprensa durante semanas e semanas da mais pura catarse, com ameaças de CPI, uma orquestração infernal da mídia, um patrulhamento virulento em cima de quem apontava para a armação?
Porque justo ontem? Ontem poderia ser um dia qualquer, não fosse o fato de que foi na véspera da divulgação da informação de que os dados saíram de um funcionário da Casa Civil direto para um assessor do senador Álvaro Dias.
Não foi chantagem, foi armação.
FHC sabia disso, mas só se preocupou em minimizar o episódio quando percebeu que a armação estava sendo desmascarada.
Na qualidade de publicação que recebeu a “denúncia” das mãos do senador Álvaro Dias, Veja sabia disso desde o começo e sonegou a informação sobre a origem do documento. Não era o caso de entregar a fonte. Mas, fosse um veículo com um mínimo de preocupação com a honestidade jornalística, informaria que um senador da oposição recebeu o arquivo com o material. A partir daí ficaria claro o propósito da divulgação do material. Chantagem consiste em ameaçar divulgar um arquivo e segurar ou inventar informações. Se o arquivo foi entregue a um senador da oposição, a intenção não podia ser chantagear, mas queimar a Ministra Dilma Rousseff.
Era uma denúncia com a marca da falta de credibilidade da “Veja”. Acabou renascendo das cinzas com a decisão da “Folha” de, mais uma vez, ir a reboque da revista.
Faça-se um apanhado das declarações definitivas, das afirmações sobre o futuro político da Dilma, as indignações ensaiadas, a dramatização do evento, tudo em cima de uma armação. E confira-se com a repercussão amanhã.
Após as investigações fica claro uma operação com o claro intuito de queimar uma eventual candidatura à presidência da República. Qual a dose de indignação que será utilizada para definir essa armação?
Igor Romanov
* Até quando, Meu Deus, o Brasil irá tolerar essas armações do PSDB, sem dar um basta a tudo isso?
abril 6, 2008
Mais uma proeza de "Risco" Requião: ele ficou de fora da relação de "melhores governadores", escolhidos pela revista vEJA! Parabéns, Requião!
Paulo Hartung, Aécio Neves, Sérgio Cabral, José Serra, José Roberto Arruda e Eduardo Campos: contas em ordem e bons índices de popularidadeMas, a bem da verdade, a vEJA não está sozinha na árdua tarefa de pintar o cocô de dourado: quem se deu o trabalho de ler os jornais nesta semana, sobre o Enem, deveria ter tido muito cuidado, pois a manipulação e a falta de escrúpulos pró-Serra deram o tom mais uma vez. Dos jornais menores, daqui de São Paulo, lidos pelo povão em sua maioria, eu tinha destacado o combativo AGORA, o “Mini-Me” da Folha de São Paulo. Vejam isto: “Líder do Enem na Capital é rígida com professor” [ grifo deles ]. Um destaque logo a seguir diz: “Escola com melhor desempenho no exame 2007 cobra presença de professores e faz reuniões semanais com os docentes”
O que se quer insinuar com isso? Que os professores é que estão precisando de disciplina! Os pobres alunos, que não são cobrados nem mesmo por seus próprios pais, são vítimas da falta de responsabilidade dos professores que “faltariam à vontade”… Que o sensacional governo tucano não consegue pôr em prática sua revolução educacional , por causa do “corporativismo” dos professores…
Por quê a categoria – posso arriscar – em sua maioria, se permite ser tão atacada e vilipendiada? O governo tucano fala, e as penas de aluguel correm a ampliar e divulgar a caçada! A prova disso é a seguinte: na mesma matéria, na página seguinte, o jornalzinho diz num título que o Estado de São Paulo teria só 3 colégios entre os melhores no Enem. No finalzinho da matéria, a informação que teve colocada sobre si uma pedra ( tipo do Metrô e do Fura-Fila ), que é para ficar bem escondidinha, senão o chefe tem chilique e desmaia…Ei-la: “(…) Para Paulo Fábio Salgueiro, que já coordenou vestibular ( sic ) da Uerj, não é possível determinar, nas escolas do Rio, uma característica única que explique o bom resultado dessas instituições [ OBS: "Eu arrisco uma: o Rio não teve 13 anos de governo tucano ] . Ele lembra, porém, que a origem social dos alunos explica bastante o resultado. “Mas os colégios valorizam também o professor”, afirma. (…)”.
Mmmm…Então os colégios bem sucedidos e melhor colocados valorizam o professor? Pois, de posse deste testemunho, já vislumbro uma bela manchete para os jornais de São Paulo: “Escolas super-campeãs do Enem valorizam professor e fazem SP comer poeira”.
Calma lá, Serra, não vai desmaiar, heim? Pois num mundo ideal ( parafraseando a secretária estadual de Educação ) o PSDB não vence eleição e não governa.
Prá finalizar: Parabéns Governador Requião. Seu currículo não foi manchado por ter sido “elogiado” pela vEJA. Deu-se, então, um certificado de confiabilidade e qualidade a sua administração! Pois isso não é notícia, e nem elogio: é quizumba!! Vade retro!
março 5, 2008
Apagão Elétrico Privatizado: Diretor da CTEEP diz que empresa teria que fazer "investimentos altíssimos". Mas não é essa a desculpa para privatizarem?
Uma falha em um disjuntor na subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) causou um apagão na zona sul da capital paulista e em parte da cidade de Embu, informou hoje o diretor de operação da empresa, Celso Cerchiari. Cerca de 690 mil clientes da Eletropaulo ficaram sem luz na manhã de hoje, ou cerca de 12% do total de consumidores da distribuidora na região metropolitana de São Paulo.
Segundo o diretor, toda a energia foi restabelecida em menos de uma hora após a empresa detectar o problema. Cerchiari disse que, em situações como a de hoje, ocorre uma transferência automática de apenas parte da carga de energia para outra subestação próxima. “Para você ter 100% da cargas com backup o investimento é altíssimo, e isso refletiria na tarifa do consumidor”, afirmou Cerchiari.
O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp) atribuiu o apagão à falta de investimento na transmissão e em fontes alternativas de energia. Segundo a entidade, o problema era “previsível”, por causa da sobrecarga de consumo de energia na capital paulista. “A questão do investimento não é uma atribuição da empresa ( !?!?? ) , todo o investimento hoje é regulado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE)”, disse o diretor da CTEEP. “Quando se fala em falta de investimentos, temos que olhar o que está planejado e ir ao órgão regulador.”
Apesar disso, o executivo reconheceu que o crescimento do Brasil impõe desafios ao setor energético. “Cada vez mais vamos ter que acelerar os investimentos, não só para atender a demanda mas para garantir a confiabilidade do sistema”, afirmou. “A expansão do sistema de transmissão está bem planejada, o que precisamos é viabilizar através do regulador que a obra saia a tempo e no momento certo.”
fevereiro 28, 2008
Tucanalha e Demos dizem que economia brasileira está bem graças a eles. Imprensalão vai na deles. Greg Palast levantou o tapete e encontrou sangue…
Em outubro de 1998, o presidente nominal do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi reeleito para o cargo por um único motivo: tinha estabilizado o valor da moeda brasileira e, portanto, contido a inflação. Na verdade, não tinha. O real brasileiro estava ridiculamente supervalorizado. Mas, com a aproximação das eleições, sua taxa de câmbio contra o dólar simplesmente desafiava a gravidade. Esse milagre levou Cardoso à linha de chegada com 54% dos votos.
Mas, não existem milagres.
Quinze dias depois da posse de FHC. o real despencou e morreu. Seis meses depois da eleição, ele tinha aproximadamente a metade de seu valor no dia da eleição. A inflação está aumentando e a economia implodindo. A taxa de aprovação de Cardoso, que se revelou um incompetente e uma farsa, caiu para 23% do eleitorado. Tarde demais. Ele já havia colocado a presidência no bolso.
Quer dizer, mais ou menos. Não restava muito da presidência de Cardoso além do título. Todas as políticas importantes do orçamento ao emprego, são ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e seu órgão irmão, o Banco Mundial. E por trás deles, dando as cartas, estava o secretário do tesouro, Rubin que governou de fato como presidente do Brasil sem precisar perder uma única festa em Mahattan. Mas esse é o preço que Cardoso pagou pelos serviços de Rubin na campanha eleitoral. Pois foi o secretário do Tesouro quem, junto com o FMI, manteve a moeda brasileira alta.
Rubin tem bons motivos para manter a dúbia moeda brasileira, além de ajudar FHC. Sabendo muito bem que a moeda seria destroçada logo depois da eleição, o Tesouro dos EUA garantiu que os Bancos Americanos conseguissem tirar seu dinheiro do país em condições favoráveis. Entre julho de 2002 e a posse em janeiro do ano seguinte, as reservas em dólar do Brasil caíram de 70 bilhões de dólares para 26 bilhões de dólares, um sinal de que os banqueiros pegaram seu dinheiro e fugiram. Mas, a moeda permaneceu em alta antes da eleição porque os EUA deixaram clara sua intenção de substituir as reservas perdidas por um pacote de empréstimos do FMI.
E também se deixou muito claro para os eleitores que os fundos seriam entregues a FHC, e jamais ao Partido dos Trabalhadores, da oposição. O apoio da elite internacional a FHC foi selado pela presença em julho, no Rio, de Peter Mandelson, cão-de-caça político do primeiro ministro britânico, Tony Blair. O estranho e inédito apoio de Mandelson a FHC marcou o ingresso oficial de Cardoso no projeto da Terceira Via de Clinton e Blair.
Um mês após a reeleição de Cardoso, o FMI ofereceu devidamente ao Brasil, um crédito no total de 41 bilhões de dólares. O Brasil não ficou com nada disso, é claro. Qualquer parcela que tenha realmente pingado no país embarcou no primeiro avião com os investidores e especuladores que o abandonaram.
Agora, os brasileiros têm que pagar a dívida. Mas essa é a menor de suas preocupações. Como parte da magia negra para manter a taxa de câmbio antes da eleição, Washington pressionou o Banco do Brasil a elevar a taxa de juros básica para 39%. O FMI pressionou por 70%. Nas ruas de São Paulo, isso se traduziu de taxas de juros de até 200% sobre empréstimos privados e créditos a empresas.
A confirmação do esquema de Rubin para salvar tanto FHC quanto os Bancos Americanos vem de uma fonte das mais interessantes: Jeffrey Sachs, da Universidade de Harvard. Sachs é mais lembrado como a Mary Tifóide do neoliberalismo, que disseminou teoremas do mercado livre e a depressão econômica pela extinta URSS. Sachs, que continua entre o falante grupo de atores no circulo das finanças internacionais, disse-me: “Você podia ver a economia [brasileira] caindo do precipício. Foi uma câmera-lenta. Mas, em vez de evitar a queda pela desvalorização controlada Washinton e o FMI incentivaram vigorosamente taxas de juros acima de 50%”, ele disse. “Washington queria a reeleição de FHC” , dando seis meses aos financistas americanos para vender os títulos e moeda do Brasil em condições favoráveis.
Se o Golpe de Estado de Rubin pareceu bem praticado, foi porque ele usou o mesmo método em 1994 para tornar-se presidente de fato do México. Mais uma vez, um partido governante sem credibilidade voltou ao poder pela força de sua moeda e das promessas de apoio dos EUA. Quatro semanas depois da posse do presidente Ernesto Zedillo o peso despencou, enquanto os credores americanos do México foram salvos por um fundo de empréstimo especial dos EUA.
FHC sabe que não adianta culpar as manipulações de Rubin pelos problemas do Brasil. Em vez disso, com ajuda de uma imprensa de direita (marrom), ele e o FMI atribuem o colapso econômico a vilões conhecidos: funcionários públicos, aposentados e sindicatos. São acusados de estourar o orçamento do governo.
Isso é maluquice. Os pagamentos dos juros, comenta Sachs, equivalem a monstruosos 10% dos gastos do país e são totalmente responsáveis pela duplicação do déficit federal. Comparadas a isso, as aposentadorias dos funcionários, principal alvo dos cortadores de orçamento, são uma gota no oceano.
Mas a analise de Sach é incompleta, ele diz que o “FMI falhou” porque os juros altos causaram a crise e a depressão. Está enganado. A crise é um elemento deliberado do plano.
A crise tem suas utilidades. Somente em caso de pânico econômico Rubin e o FMI podem soltar os Quatro Cavaleiros da Reforma: eliminar os gastos sociais, cortar a folha de pagamento do governo, quebrar os sindicatos e, o verdadeiro prêmio, privatizar empresas publicas lucrativas.
Mas, FHC não estava contente no papel de marionete de Rubin. Originalmente um sociólogo especialista em Teoria da Dependência, Cardoso deve ter lamentado pessoalmente a perda da soberania financeira de seu país.
Ele sobreviveu às eleições, mas a oposição varreu seu partido dos principais Estados, os novos governadores não lamentaram. Mostraram os dentes. Em janeiro de 1999, o ex-presidente Itamar Franco, recém-eleito Governador do Estado de Minas Gerais, recusou-se a pagar as dívidas com o Tesouro Nacional. Então outros seis governadores disseram a FHC o que qualquer pessoa sensata diria a um agiota que aumenta as taxas de juros de 10% para 60%: vá para o inferno. A imprensa mostra Franco como um bufão, enciumado de Cardoso. Seu objetivo é desviar a atenção da verdadeira ameaça a FHC e ao FMI: Olívio Dutra, popular governador do Rio Grande do Sul, era a estrela ascendente do Partido dos Trabalhadores. Filho de agricultores sem-terra, um militante jovem e educado da era da televisão, Dutra transformou a capital do estado em vitrine de desenvolvimento para o país.
Eles atacam Franco, mas é a Dutra que temem. FHC. Fez o possível para punir os gaúchos por sua eleição. Dutra não suspendeu os pagamentos ao governo federal, mas pagou os fundos, cerca de 27 milhões de libras, nos tribunais. FHC. reagiu com crueldade, retendo 37 milhões de libras em impostos coletados para o Estado de Dutra. O FMI bloqueou empréstimos para o Rio Grande do Sul. Contatado por telefone em seu escritório em Porto Alegre, Dutra disse-me que aceitava o fato de a crise exigir sacrifícios. Ele demitiu funcionários públicos, mas teve à audácia de sugerir à General Motors e à Ford que participassem do sacrifício e desistissem de isenções fiscais, que agora sangravam os cofres do estado.
O Brasil é um país rico, com um PIB, mesmo em depressão, de meio trilhão de dólares. Mas, como um hamster frenético na rodinha, está perdendo a corrida para captar seu próprio capital em fuga, que deve recomprar com taxas de juros de usura. Foi por isso que Dutra se esforçou tanto contra a privatização do banco de desenvolvimento de seu Estado, um motor da expansão autofinanciada do Rio Grande do Sul.
O Governador, que não é bobo, não desperdiçou balas contra o humilhado FHC. Ao organizar a resistência às exigências de Rubin e às condições de crédito do FMI, Dutra habilmente não visou as marionetes, mas seus manipuladores.
Dutra foi derrotado, e embora seu Partido dos Trabalhadores esteja na presidência (com Dutra como ministro), Lula está na prisão dos devedores, algemado pelas obrigações com o Citibank e seu braço policial, o FMI. E Rubin foi eleito para o cargo muito mais alto que o de presidente-sombra do Brasil: é presidente do comitê executivo do Citigroup, a corporação que é dona do Citibank, que é dono do Brasil.
POSTAIS DO CARNAVAL DA DESVALORIZAÇÃO
Eu acabara de me servir mais uma dose da pinga caseira dE Zeb. Era dezembro de 1998. Estava brindando a três conquistas extraordinárias do Brasil que haviam ocorrido naquele dia.
A primeira era a aprovação de uma linha de crédito de 42 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para o Brasil. A segunda, relacionada à primeira, era um salto de 4% no valor das ações na Bolsa do país. A terceira era o anúncio pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de que o Brasil finalmente havia superado o Chile como economia mais desigual do hemisfério.
O BID calcula que 10% das famílias mais ricas do Brasil, hoje, recebam 47% da renda do país. Os 10% mais pobres recebem menos de 1%.
A expectativa de vida no Brasil é hoje a mais alta das Américas. Menos de uma em cada cinco crianças mais pobres do país completam a escola primária, menos ainda que na Bolívia e no Peru.
No entanto, o economista-chefe do Banco Mundial aplaudiu as “boas condições dos fundamentos econômicos do Brasil”. A pergunta é: boas para quem?
O que marca os que visitam São Paulo não é a pobreza, mas sua riqueza organizada: fileiras e fileiras de luxuosos prédios de apartamentos, shopping centers e torres de escritórios – frutos de um BIP quase tão grande quanto o da Grã-Bretanha.
Se eu deixar cair um copo pela janela do meu hotel de luxo, matarei uma galinha na favela lá embaixo, uma das numerosas cidades de barracos que inundam os espaços entre as extravagantes torres urbanas.
A pinga me ajuda a entender essa louca mistura de pobreza e riqueza. Assim como um cartão-postal do Rio de Janeiro completamente preto. Os moradores do Rio, a Cidade Luz, enviaram centenas desses cartões escuros aos políticos locais, num protesto contra a light, a companhia de eletricidade do Rio, hoje apelidada de Dark.
Em 1997, o governo federal privatizou a Rio Light, vendendo-a para a Electricité de France e a Houston Industries, do Texas. Os novos proprietários, que haviam prometido melhorar o serviço, rapidamente eliminaram 40% da força de trabalho da empresa.
Infelizmente, o sistema elétrico do Rio não está totalmente mapeado. Os funcionários d companhia elétrica guardavam na cabeça a localização dos cabos e transformadores. Quando foram demitidos, levaram consigo os mapas mentais.
Quase todos os dias um novo bairro ficava às escuras. Os proprietários estrangeiros culpavam o clima no oceano Pacífico. O Rio fica no Atlântico, é claro.
Mas para os proprietários em Paris e no Texas nem tudo era escuridão. As conseqüências dos cortes de salários e aumento de tarifas ajudaram os donos estrangeiros a obter dividendos de mil por cento. O preço da ação da Rio Light saltou de 194 reais para 259 reais.
Em 1998, o governo brasileiro pôs em leilão a empresa de eletricidade de São Paulo. Apesar de gritos e processos movidos por organizações de consumidores, a companhia foi ganha pelo único licitante, que pagou o preço mínimo pedido: o mesmo consórcio corrupto Houston-Paris. Imediatamente os novos donos anunciaram um excesso de mil funcionários.
O objetivo desta história de privatização é esclarecer os detalhes sórdidos, raramente relatados, do que o Banco Mundial chama de “criar um ambiente amigo do mercado”.
As condições dessa liquidação de ativos brasileiros são ditadas por um volumoso documento da consultoria americana Coopers & Lybrand (hoje chamada Price Waterhouse-Coopers). Enquanto o termo “mercado” é borrifado por todo o texto, o projeto é feudal e não capitalista. A Coopers divide a infra-estrutura vendável do país em monopólios legalmente aceitáveis, destinados a garantir superlucros aos novos donos, na maioria estrangeiros, sem empecilhos do controle do governo ou da concorrência.
Ele tem como modelo o sistema medieval de “arrendamento fiscal”, em que, por um único pagamento, os reis permitiam que coletores de impostos limpassem os camponeses. Os termos da privatização beneficiaram outros clientes da Coopers, as mesmas companhias que faziam ofertas pelos ativos brasileiros.
O Banco Mundial afirma que a liquidação de todas as empresas públicas do Brasil foi lançada pelo governo brasileiro. “sem pressão externa”. Ah, claro!
A venda acelerada dos bens brasileiros – no valor de 40 bilhões de dólares em 2003 – é uma condição inegociável das linhas de crédito de banco e agências internacionais.
Supostamente, a venda de empresas públicas, portos e rodovias reduz as dívidas do país. Não é verdade. Privatizar a infra-estrutura reduz a dívida do governo, mas não a dívida pública. A menos que os cidadãos desistam da eletricidade e da água, o público ainda é responsável pelas dívidas desses serviços. Na verdade, o governo está cobrindo os custos dos seus empréstimos por meio de um terrível imposto regressivo, na forma de aumento dos preços da eletricidade e da água cobrados aos trabalhadores do país (e aos desempregados das favelas)
É claro que a elite brasileira recebe uma parte do saque. O governo exige que qualquer consórcio estrangeiro que compre propriedade estatal inclua um sócio da língua portuguesa. Provavelmente, você não ficará chocado ao saber que amigos do partido governante estão recebendo tratamento especial.
Em 1998, o Ministério das Comunicações e o diretor do programa de privatizações demitiram-se depois que transcrições de conversas em telefones celulares interceptadas revelaram suas tentativas de influenciar as ofertas por companhias telefônicas estatais, para favorecer amigos ligados a operadoras européias.
O processo de “reformas” imposto por credores externos não se limita à tomadas de bens estatais.
O Brazilian Council da Grã-Bretanha promoveu uma reunião em Londres, em novembro de 1998, sobre os serviços públicos do Brasil. Foi apresentado um plano para “melhorar a eficiência no mercado de trabalho”, financiado pelo Banco Mundial. Os brasileiros não deveriam ver o documento. Mas eu obtive uma cópia e decidi contar o que há nele.
O Plano Mestre do Banco Mundial propõe cinco aperfeiçoamentos para esse país que tem o menor compromisso com a educação e outros serviços públicos do hemisfério. Ele diz claramente;
Reduzir salários e benefícios Cortar pensões Aumentar as horas de trabalho Reduzir a estabilidade no emprego e o emprego.
Mas a recompensa, a linha de crédito de 42 bilhões de dólares, não vai, em última instância, pingar sobre pessoas nos barracos?
Não, diz Ildo Sauer, professor de energia da Universidade de São Paulo (licenciou-se para exercer o cargo de diretor de Gás e Energia da Petrobrás – N.E.). “Tudo vai para saldar os prejuízos do jogo”. – o esforço frenético do governo para manter a taxa de câmbio do real contra o ataque de especuladores.
O Brasil está pagando juros incríveis de 40% sobre sua dívida interna para convencer sua elite a guardar o dinheiro em São Paulo, em vez de Miami. Os 42 bilhões de dólares não vão cobrir os juros de um ano.
Estive hospedado numa casa maravilhosa na praia, perto de Santos (por motivos de pesquisa, legitimamente cobrada do The Observer). O proprietário diz que a residência vale cerca de 500 mil dólares. É sua terceira casa. Ele paga imposto de propriedade de apenas mil dólares por ela.
Os pobres do município não mandam seus filhos à escola porque a captação de impostos não é suficiente para pagar livros, uniformes ou o transporte dos alunos.
E agora, dois anos depois, vemos que os 42 bilhões de dólares do FMI simplesmente permitiram que o banco americano deixasse o Brasil e os ricos espertos mandassem seu dinheiro para o exterior.
É março de 2000. Com a aproximação de terça-feira de carnaval, as conversas políticas ao som da batucada são sobre o salário mínimo, que a Constituição do país efetivamente fixa em 100 dólares pro mês. Com a desvalorização da moeda e a inflação maciça dos bens básicos (a eletricidade aumentou 250%), o mínimo deveria subir automaticamente de 130 reais para menos 170 reais
Sobre esse socorro à população de baixa renda, o presidente Fernando Henrique Cardoso, portados da tocha da Terceira Via na América Latina, permanecia inescrutavelmente perplexo. Mas seus ministros, as câmaras de comércio e seus acadêmicos encheram colunas de jornais com argumentos para se eliminar a “inflexibilidade” da Constituição.
Como tudo o mais durante o carnaval, o debate sobre o salário mínimo é uma farsa. A questão já fora decidida e anunciada em novembro de 1998 pelo Banco Mundial e seu primo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, em um relatório ao British Council em Londres (cujo segredo agora violo com alegria).
Em troca dos empréstimos usados para sustentar o valor do real – um completo fracasso -, o Brasil teria de cortar os salários e aposentadorias do governo e, em especial, fazer cortes nos serviços básicos como saúde e educação. Alguns salários e aposentadorias do Estrado são definidos como múltiplos do salário mínimo – por isso tem de ser cortado sem piedade.
Para aplicar sua decisão (ou, como diz o banco, para “ajudar”), o BID transferiu 160 milhões de dólares das verbas de saúde e seguridade social do Brasil para esse projeto “estrutural”. Nem todo o dinheiro foi desperdiçado. Minha própria dispendiosa viagem pelo Brasil foi paga com essas verbas, numa coordenação do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da velha frente da CIA, a USIA. (Não pergunte)
Meu trabalho era instruir os brasileiros em processo democráticos para consumidores e sindicatos dentro dos direitos básicos de uma sociedade civil. Isso é bem americano: primeiro atire em suas pernas, depois dê a eles aulas de samba.
***
A disputa sobre o salário mínimo é um tanto teórica nos estados do Norte do Brasil que cercam a bacia Amazônica, onde qualquer salário é um luxo. Por isso fiquei especialmente tocado pela batalha de um grupo, na maior parte dessa área da Amazônia, conhecido simplesmente como Donas da Casa. As mulheres, cujo trabalho típico consiste em colocar alimentos e roupas para os mais pobres dos pobres do país, deram um susto no complexo bio-industrial internacional com uma ação legal, aberta para elas pelos advogados do IDEC, uma associação de consumidores do Brasil, para impedir a venda pela Monsanto de soja “Round Up Ready”.
A Monsanto modifica o DNA dessas sementes mágicas para sobreviver a uma forte dosagem do herbicida da companhia, Round Up. Andréa Libério, uma líder da Casa, enfurece-se diante da alegação condescendente da indústria de que esse produto vai alimentar os pobres brasileiros, enquanto ela lê que os supermercados britânicos Tesco se recusam vender produtos contaminados por ele. No início, a briga das Donas de Casa parecia a de um peixe de aquário contra Godzilla. Mas os peixinhos estão ganhando.
A Monsanto, em vez de apresentar evidências num tribunal, entregou a defesa da companhia ao juiz em sua casa, à noite. Mas escolheu o juiz errado. Este, aparentemente, lembrava-se de um tempo não muito distante em que o governo militar ia à noite entregar as decisões “certas” aos juízes, ou os levava embora. O juiz Antonio Souza Prudente decidiu que os brasileiros não lutaram pára depor a ditadura militar e vê-a substituída por um comercial. Em seu tribunal, denunciou os visitantes noturnos e proibiu a venda das sementes manipuladas.
A decisão de agosto de 1999 encorajou o diretor da agência ambiental do país a aliar-se aos consumidores e às donas de casa. Não foi uma decisão profissional acertada – o presidente Cardoso o demitiu do cargo. Depois, o governo FHC foi favorável na apelação da Monsanto.
Mas a decisão do juiz parece juridicamente intocável. O Brasil, segundo meus conselheiros da embaixada americana, tem leis ambientais mais rígidas que os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha, com multas maiores contra os poluidores. Olhei pela janela do carro para as colunas de fumaça cáustica que dá a partes de São Paulo a aparência do terceiro anel de Hades, “ah… Todo ano o presidente Cardoso decreta uma anistia, assim ninguém paga as multas”.
***
Antes de me reunir com o vice-presidente da Justiça do Estado de São Paulo, meu guia do Departamento de Estado sugere que eu use a nova linguagem criada por consultorias de grupos de interesse. Os cidadãos não são mais cidadãos, e sim “clientes”. O poder do mercado substitui os direitos humanos. “Existe toda uma atitude no Brasil em relação ao público”. Passamos por cima de alguns “clientes” que dormiam sobre as saídas de ventilação do hotel.
O secretário ficou contente ao me ver. Isso lhe deu uma desculpa para escapar de duras negociações com líderes dos Sem-Terra e Sem-Teto que haviam ameaçado montar um acampamento permanente em volta da Secretaria. Eu comentei em inglês: “The roofles meet the rubles” [ Os sem-teto encontram os sem-piedade]. Acho que a tradução foi difícil.
Enquanto garçons serviam xícaras de café, o homem do Departamento de Estado estava ansioso para me mostrar o lado progressista de FHC.. Apontou para a maquete de um grande edifício que ocupava a mesa do secretário. “Acho que é o novo projeto habitacional do governo”.
O secretário sorriu. “Na verdade, é nossa nova prisão. O mais moderno projeto americano. Imagino que seja colocar os “clientes” em ALGUM LUGAR.
***
Notas da entrevista.
Por que aquele homem estava cortando árvores? Para obter lenha para cozinha. Ele não pode comprar gás engarrafado. O preço aumentou 150% em um ano.
E por que? Porque o governo FHC. Eliminou os subsídios e controles do gás engarrafado.
Por que aumentou o preço do gás do país? Para que os que podem pagar prefiram o gás encanado ao engarrafado.
Por que o governo não promoveu o gás encanado? Para tornar a privatização da companhia estatal, Comgás, mais interessante aos investidores estrangeiros.
Por que vender a Comgás? Cardoso precisava de dez bilhões de dólares por mês só para pagar os empréstimos para salvar a moeda.
Quem a comprou? A Shell Oil e a British Gás.
Quando? Em 1997, pouco depois que Tony Blair mandou seu principal assessor em visita ao presidente Cardoso.
***
“Relaxe, é carnaval” , me diz a embaixada. Lá está o presidente Cardoso num pequeno fio-dental verde, ajoelhado na frente de Bill Clinton. Ele cantando a balada de Jobim “Eu serei palhaço…”. De certa forma, os humoristas do desfile são mais verossímeis que a coisa real. Bem, chega. Tenho de vestir minhas plumas. Como diz o Departamento de Estado, “se você não consegue enriquecer, pelo menos pode ficar nu”.
fevereiro 27, 2008
Trabalhadores e estudantes convocam protesto contra privatização da Cesp
Várias entidades sindicais e estudantis realizarão, na próxima sexta-feira (29), às 14 horas, ato público em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, em protesto contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), marcada para ocorrer no próximo mês. Entre as entidades que convocam a manifestação, estão Apeoesp, Sindsaúde, as Centrais CUT, CGTB e CTB, além da UNE e UBES.
Em manifesto, as entidades denunciam que o governo de São Paulo pretende abrir mão de “um importante instrumento de indução do desenvolvimento”, a partir da privatização de uma das maiores geradoras de energia elétrica do País. “Geração de energia não é qualquer atividade econômica, mas sim interesse de Estado com importantes repercussões na vida da população, na atividade industrial e na economia em geral”, diz o texto.
Neoliberalismo - O manifesto de convocação do ato denuncia também que o principal banco de fomento de São Paulo, a Nossa Caixa ” é mais uma das estatais na mira do governo do Estado”. “Os ventos neoliberais, soprados pelo PSDB, têm varrido o Estado de São Paulo nos últimos 13 anos, com conseqüências desastrosas para os serviços públicos”, diz .
“O setor de transportes, especialmente do Metrô, também tem sofrido com a falta de investimentos público, com a terceirização de mão-de-obra e com a privatização da Linha 4. Conseqüências: sucateamento do serviço, especialmente da manutenção preventiva, com constantes acidentes. As obras da Linha 4, em andamento, deixaram de ser fiscalizadas pelo Metrô, gerando o grande acidente em Pinheiros”, acrescenta.
Mais informações:
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TCU conclui que Bolsa Família não teve uso eleitoral
fevereiro 13, 2008
Na Assembléia paranaense, Requião apresenta os números da administração que o credencia à Presidência!! Tremei, censores, facínoras e serviçais!!
Venho a esta Assembléia sob o signo da censura. Passaram-se semanas e confesso que o meu espanto hoje é o mesmo dos primeiros minutos seqüentes ao conhecimento da assombrosa medida. A decisão – que eu saiba inédita – é de tal forma drástica que pergunto às senhoras e aos senhores deputados se não temem que minha presença, neste momento, na tela da TV Assembléia, que transmite ao vivo a sessão, não poderá causar transtornos à emissora. Afinal, em minha fala, inevitavelmente, como é meu dever constitucional, vou dar publicidade às ações do Governo, o que talvez possa ser entendido como promoção pessoal; farei críticas à oposição pelo açodamento e irresponsabilidade de algumas denúncias; e não pouparei parte da imprensa pelo comportamento no episódio, omissa quando não entusiasta da censura.Senhoras, senhores deputados é exatamente isso que proíbem que faça na Paraná Educativa. É possível, então, entender a exorbitância do que foi imposto? Aproveito a ocasião para agradecer às tantas, comoventes e firmes, manifestações de solidariedade. Elas não cessam de chegar. A solidariedade não é devida a mim. O protesto não é a meu favor. Não sou eu o objeto da indignação. Não estou em causa, não sou a causa. Sendo assim, não lamento as declarações a favor da censura, porque não há o que esperar de quem se alegra com a mordaça em adversários. Da mesma forma, não deploro o silêncio de entidades que, pela sua natureza, deveriam se por na vanguarda dos protestos, porque não há o que prantear na tibieza, na frouxidão.
Há certas coisas que consideramos impossíveis, improváveis, até que aconteçam.
Examinemos a história, meditemos sobre os precedentes, não desprezemos tantas lições e alertas, não subestimemos a capacidade do homem de reincidir. Sejamos tão radicais quanto Voltaire e sua frase síntese em defesa da liberdade de expressão: “Posso discordar de tudo o que você diz, mas vou morrer defendendo a sua liberdade de dizê-lo”.
Ao mesmo tempo, quero que não restem dúvidas quanto ao meu apreço pelo Judiciário e pelo Ministério Público. É impressionante o esforço de alguns para emaranhar, enredar, embaraçar, comprometer as minhas relações com um e outro. Que os intrigantes ensaquem a viola e vão açular em outra paróquia.
Não afronto, confronto. Discordo e manifesto as minhas divergências. Legitimamente. Enfaticamente. Lealmente. Harmonia não quer dizer submissão. Respeito não é sinônimo de servilismo.
Não afronto, confronto. Divirjo. Ao longo de minha vida pública, toda ela sustentada pela mais legítima das confirmações que é o voto popular, tenho enfrentado incompreensões e dissabores por minha obstinação em defender pontos de vista nem sempre tão palatáveis, tão dulcinosos ao gosto de alguns. São os percalços das posições que assumo.
Senhoras e senhores deputados, de todo modo, trago a esta Assembléia uma mensagem de otimismo. Uma mensagem de alegria e satisfação pelos avanços e conquistas nesses últimos cinco anos.
Olhando para trás, sinto orgulho do que fizemos e, confesso, não imaginei que fosse possível corrigir tantas distorções em tão pouco tempo, retificar caminhos, melhorar extraordinariamente os indicadores sociais, recuperar as finanças, equilibrar a gestão, resgatar as funções típicas do Estado, investir fortemente em infra-estrutura, gerar empregos, melhorar a vida das pessoas.
Olhando para trás, confronto-me com o balanço da Copel de 2002 e afronta-me o prejuízo recorde de 320 milhões de reais. A curtíssimo prazo, o pior dos cenários: a empresa teria dificuldade para pagar a folha de março e não sobreviveria a outubro de 2003, quebraria. A sangria da Copel, sua contínua e implacável exaustão dava-se principalmente por contratos de compra de energia. Contratos altamente lesivos que ninguém, em sã e boa consciência, entendia como tinham sido assinados. Decidi, então, rever os contratos, renegocia-los. Foi um deus-nos-acuda. Poucas vezes em minha vida fui tão agredido. Foram dias de solidão, de isolamento. Lembram-se do “Risco Requião”? Lembram-se da quantidade de editoriais furiosos, dos discursos coléricos e dos vitupérios?
Entre as tantas e irritadas críticas, lembro-me das declarações do então líder do Governo Senado, Aloísio Mercadante, dizendo que estava afugentando investimentos estrangeiros no País.
No entanto, depois de longas, difíceis, cansativas, mas sempre respeitosas negociações com os nossos parceiros espanhóis e norte-americanos refizemos os contratos e a Copel livrou-se da condenação à insolvência. De tal forma que, já no primeiro ano, em 2003, fechamos o balanço com lucro acima de 171 milhões de reais. De lá, até setembro do ano passado, a Copel acumulou lucros superiores a três bilhões de reais. E investiu dois bilhões e 500 milhões de reais em obras para ampliar, modernizar e melhorar os sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia, e na sua rede de fibras óticas.
A disponibilidade de energia para o desenvolvimento e bem-estar dos paranaenses aumentou com a construção das usinas do complexo do Rio Jordão, com as incorporações da Termelétrica de Araucária e da Usina Eólica de Palmas. E será fortemente ampliada a partir de 2011 com a entrada em operação da Usina de Mauá, onde investiremos 950 milhões de reais.
Observe-se que a Copel tem hoje a menor tarifa de energia elétrica do País e que perto de um milhão de paranaenses estão incluídos no programa “Luz Fraterna”, portanto não pagam a conta de luz. Além das tarifas diferenciadas para a irrigação noturna, para setores da nossa economia que precisam do apoio do Governo, como a criação de aves e de suínos.
Não quero elogios por ter cumprido o meu dever como governante, e nem espero que a oposição e a mídia penitenciem-se dos graves erros de avaliação, para dizer o mínimo, sobre o episódio.
Quebramos o dogma do “Pacta sunt servanda”. Mostramos que todos os contratos lesivos ao interesse público podem e devem ser renegociados.
Olhando para trás, confronto-me com a difícil situação das empresas paranaenses, especialmente os micros e pequenos empreendimentos. E afrontam-me os privilégios régios de que se beneficiavam investimentos multinacionais. De uma só penada, logo nos primeiros meses de 2003, isentamos as microempresas do ICMS e cortamos fundo o imposto das pequenas empresas. Hoje, das 214 mil empresas cadastradas na Receita Estadual, 165 mil beneficiam-se do programa. Registre-se que, em 2006, radicalizamos o programa, cortando ainda mais a carga tributária das pequenas empresas.
Não apenas isso. De 2003 a dezembro do ano passado, assinei 62 decretos isentando, diminuindo, diferindo, suspendendo pagamento de impostos ou concedendo crédito presumido de ICMS.
Transformamos a política fiscal em um forte e ativo instrumento de apoio ao desenvolvimento paranaense, de incentivo a quem quer empreender, investir, crescer e vencer. E os resultados estão aí, tão cristalinos, incontestáveis.
Hoje, o Paraná apresenta o menor índice nacional de mortalidade de micro e pequenos empreendimentos. Uma taxa em torno de 2,1 por cento. Quando assumimos, em 2003, o índice era de 4,5 por cento. Também aqui, um avanço significativo.
Dias desses, vi repercutida com destaque a afirmação de um deputado oposicionista dizendo que o nosso Governo não trouxera nenhuma grande fábrica ao Paraná. Não acredito que a eficiência de uma administração possa ser medida pelo tamanho da fábrica que atrai. E sim pela qualidade do investimento, pelos empregos e impostos que gera. Não parece que o governo que me antecedeu possa dar bons exemplos disso.
De qualquer forma, quero compartilhar com o deputado ótimas notícias. Além da isenção e corte de impostos das pequenas e microempresas, temos ainda o programa “Bom Emprego”, que estimula a implantação, reativação e expansão de indústrias, dilatando em até 48 meses o recolhimento de parte do ICMS. Com um detalhe: quanto menor for o IDH do município onde houver o investimento, maior a vantagem da empresa, cuja dilação de imposto poderá chegar a 90 por cento. Embora poucos saibam – afinal, parece que boa notícia não é notícia – esse programa é um sucesso. Até o momento, ele totalizou três bilhões e 100 milhões de reais em incentivos. São 88 médias e grandes empresas beneficiadas, instaladas em 40 municípios diferentes, especialmente em regiões mais pobres do Estado, gerando perto de 50 mil empregos diretos e indiretos. E se querem grandes fábricas, podemos falar de grandes fábricas e de outros grandes investimentos. Como a Hexal, em Cambé, com 550 empregos diretos; a SIG, em Campo Largo, com 250 empregos; a Zadville, em Pato Bragado, mais cem empregos; o Centro de Distribuição Destro, na Cidade Industrial de Curitiba, com mil empregos; o Centro de Distribuição das Casas Bahia para a região Sul, em São José dos Pinhais; a Prati Donaduzzi, uma grande unidade de medicamentos, em Toledo; expansões e novas unidades da Klabin, da Sadia, da Perdigão, da Petrobrás, da Mascarello. Um dos preceitos básicos do jornalismo – de resto, da vida – é buscar a verdade nos fatos. Vamos, então, em um esforço de reportagem, aos fatos e, através deles, à verdade. O fato é: esse conjunto de políticas fez com que o Paraná se transformasse, em proporção ao seu número de habitantes, no Estado que mais gera empregos diretos no País. Nesses cinco anos, foram criados mais de 460 mil empregos com carteira assinada. Enquanto que, nos oito anos do governo que me precedeu, o governo das grandes fábricas, foram gerados apenas 37 mil e 882 empregos formais. Isso é fato. Isso está registrado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho, o CAGED.
O Paraná, sozinho, acumula hoje perto de 50 por cento dos empregos com carteira assinada da região Sul. Embora a discrepância seja tanta, ainda assim, não vi ninguém interessado em investigar o assunto. Sem querer pauta-los, isso me parece uma boa pauta. Ainda em relação à economia, partilho outras boas notícias. As nossas exportações elevaram-se de sete bilhões e 200 milhões, em 2003, para 12 bilhões e 350 milhões, em 2007. Nossos negócios com o exterior crescem acima da média nacional. As missões comerciais para os países do Mercosul, à Europa, Canadá, Estados Unidos e Ásia reuniram mais de 500 empresas paranaenses, grande parte delas realizando sua primeira experiência internacional. Só com os nossos vizinhos, elas fizeram transações superiores a 500 milhões de dólares.O dinamismo de nossa economia revela-se ainda no aumento da arrecadação ano passado, 25 por cento maior que em 2006, contra o crescimento médio nacional de 16 por cento.
Mais boas novas: os empregos com carteira assinada na indústria de alta tecnologia tiveram um incremento de 41 por cento, nos dois últimos anos. Isso é mais do que a metade do crescimento registrado em uma década. Quer dizer, a indústria de alta tecnologia paranaense experimenta uma expansão extraordinária, colocando o nosso Estado entre os mais avançados no setor.
Aqui, destaco a grande contribuição de nossas universidades, de nossos institutos de pesquisas, do Tecpar, do Lactec, do Iapar, da Fundação Araucária. A pesquisa científica no nosso Paraná fixou-se como prioridade. Hoje, mais de 300 projetos de ciência e tecnologia estão em andamento, através de redes de inovação.
Alta tecnologia significa o futuro. Estamos abraçando o futuro.
Olhando para trás, confronto-me com tarifas de pedágio abusivas e com a malha rodoviária estadual destruída. Dupla afronta aos paranaenses.
As recentes licitações para a implantação de pedágio em rodovias federais que cortam o Paraná demonstraram, de vez por todas, que tínhamos razão em classificar as tarifas vigentes como um verdadeiro assalto à economia paranaense. E consolida a nossa decisão de rever contratos.São mais de 40 ações na Justiça. Ao contrário do que os detratores caluniam, não recuso a negociação. O que não aceito são os pequenos descontos, ridículas concessões tendo em vista o desaforo das tarifas em vigor, e ao que já arrecadaram, em relação ao que pouco investiram. Os paranaenses não me elegeram para fazer salamaleques e genuflexões a esse verdadeiro sancta-sanctorum da selvageria neoliberal.
fevereiro 11, 2008
Privatização da CESP: Mais um crime na interminável lista de malfeitos dos tucanos do Demo.
O PED paulista é cria de uma resolução formulada um ano antes. Em 25 de abril de 1995 fora anunciada pelos ministros Raimundo Brito (Minas e Energia) e José Serra (Planejamento) a decisão do Conselho Nacional de Desestatização de incluir o Sistema Eletrobrás na rota das privatizações. Nenhum estado segue tão à risca como São Paulo o projeto “Estado mínimo” conduzido durante a era FHC. Para especialistas, acadêmicos, sindicalistas e trabalhadores do setor foi o começo da privataria que provocaria aumento de tarifas, desemprego de profissionais especializados, queda da qualidade dos serviços – e, como se pode notar, em nada “induziu a competição”.
Fevereiro de 2008. José Serra já não está na “cabeça” do programa federal de desestatizações, mas no governo de São Paulo. E retoma com vigor o projeto de privatizar o que restou do patrimônio energético paulista – a Cesp, terceira maior geradora do Brasil, responsável por 63% da energia produzida em São Paulo e por 10% da geração nacional. São 7,5 megawatts gerados por seis usinas hidrelétricas dos rios Paraná, Tietê e Paraíba do Sul.
A Cesp foi fatiada em três empresas. Duas passaram ao controle de investidores de capital norte-americano em 1999 e se transformaram nas atuais AES Tietê (que controla outras usinas no rio) e Duke Energy (que opera usinas no Rio Paranapanema). E estão sendo denunciadas em ação popular por não cumprirem os contratos que as obrigavam a expandir a capacidade instalada do seu sistema de geração em no mínimo 15% em oito anos. A ação responsabiliza também a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o governo estadual, por não exercerem seu dever de fiscalizar. A terceira fatia da Cesp, a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), havia sido excluída da lista de privatizações pela lei que criou o PED.
Todas as dívidas da antiga Cesp, mais de R$ 10 bilhões, permaneceram com o que restou de seu comando estatal. Depois de duas tentativas frustradas de venda e do desgaste sofrido durante a última campanha presidencial, o ex-governador Alckmin deixou para Serra a continuação do serviço. Antes, alterou a lei que criou o PED e incluiu a CTEEP – única e rentável empresa de transmissão paulista, comprada pela estatal colombiana ISA em 2006. O dinheiro arrecadado foi injetado para sanear o mico da Cesp e voltar a atrair compradores.
Serra tem engatilhada uma megaprivatização, anunciada em outubro, com 18 estatais na mira, incluindo a Sabesp, a Nossa Caixa e o Metrô. Candidato, o tucano reconhecia a importância estratégica das empresas públicas. Eleito, apressa-se em vendê-las para distanciar o desgaste da eleição presidencial de 2010. No apagar das luzes de 2007, anunciou nos grandes jornais que está tudo pronto para a venda da Cesp. Será a terceira tentativa de leilão dos 95,31% das ações ordinárias (com direito a voto) e dos 17,99% das preferenciais sob controle do estado, o que representa 43,31% do capital total da companhia. Duas fracassaram. A primeira, em 2000, por falta de interesse da iniciativa privada diante da dívida. Outro leilão, em 2001, não andou devido ao “apagão”.
Uma liminar concedida em ação popular movida por parlamentares e por dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de SP (Sinergia) também impediu a realização do leilão. A decisão da Justiça Federal, que julgou o mérito da ação popular, saiu em meados do ano passado e reconheceu a ilegalidade do preço mínimo do edital de venda, então de R$ 1,7 bilhão. Se o leilão tivesse ocorrido, depois de seis anos a decisão da Justiça tornaria sem efeito todo o processo.
Artur Henrique da Silva Santos, dirigente do Sinergia e presidente da CUT, relembra que, se o fracasso aconteceu, não foi por falta de aviso: “Alertamos que o mais sensato seria suspender qualquer privatização. Se o capital privado quer investir no setor, que invista na expansão da oferta de energia. Aliás, o problema crônico de falta de investimentos alimenta o temor de crise e de novos apagões”.
Para Ildo Sauer, professor titular do Instituto de Energia e Eletrotécnica da Universidade de São Paulo, privatizar a Cesp agora continua sendo um equívoco: “Por motivos estratégicos e históricos, pois a energia volta à cena em situação delicada”. Sauer destaca o vínculo da Cesp com o uso múltiplo das águas, irrigação, saneamento e transporte fluvial da hidrovia Tietê/Paraná. “Não é admissível que o estado abra mão dessa capacidade de fomentar o desenvolvimento. Ainda há tempo para voltar atrás, adotando a mesma postura dos governos do Paraná e de Minas, que continuam participando do esforço para garantir a energia elétrica para o Brasil.”
Mesmo sem ter definições importantes, como cronograma de venda, o governo deu início aos trâmites legais para a privatização. A audiência pública obrigatória para prestar esclarecimentos à sociedade ocorreu em 15 de janeiro, na Bolsa de Valores de São Paulo. As respostas aos questionamentos variaram entre “ainda não há definição” e “estamos estudando”. Entre as regras definidas, continuam valendo a possibilidade de participação de estatais estrangeiras e a proibição para estatais locais. O governo desistiu de exigir o compromisso de ampliação da capacidade de geração em 15% em oito anos e abriu mão da golden share, ação especial que lhe daria direito de continuar participando de decisões depois de eventual venda. Com o edital publicado logo após o Carnaval, o leilão pode acontecer a partir do dia 20 de fevereiro. O lance mínimo, ainda indefinido, é estimado em R$ 5 bilhões.
A falta de informações frustrou eventuais compradores, jornalistas e sindicalistas. “Se estivesse presente à audiência, a população certamente sairia com muitas dúvidas. Justo ela, a verdadeira dona desse patrimônio e que será a maior prejudicada”, diz Gentil Teixeira de Freitas (foto), funcionário da Cesp e secretário-geral do Sinergia. Os trabalhadores, que conquistaram algumas garantias em privatizações anteriores, convivem com a insegurança. No dia da audiência, protestaram diante da Bovespa e com paralisações nas usinas de Ilha Solteira, Porto Primavera e Jupiá. “A resistência pode chegar até uma greve por tempo indeterminado”, avisa Gentil. A categoria quer manutenção de direitos e um acordo coletivo por três anos. “Seria uma garantia mínima de proteção em caso de mudança de controle da empresa.”


TRIVELA
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CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
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