ENCALHE

junho 3, 2008

Serra imita a PF para desviar o foco do escândalo PSDB-Alstom

OS Amigos do Presidente Lula, 03.06.08
Um tucaninho de bico longo, ligado ao grupo de Geraldo Alckmin, me ligou a pouco para me contar a novidade do dia. José Serra providenciou a operação denominada Carta Branca, da polícia civil de São Paulo. A imprensa, especialmente
a Folha, já saiu com a manchete “Delegado está entre os 18 presos suspeitos de emissão ilegal de CNH”…
Tudo muito bom, se não fosse as verdadeiras intenções do governador Paulista José Serra. Desviar o foco PSDB-Alstom que nos últimos dias vem sendo divulgado por blogueiros e mídia. Em outras palavras, Serra está tentando jogar uma cortina de fumaça sobre o escândalo que envolve o tucanato paulista.
O barraco tucano vai pegar fogo
A Eletropaulo, que parecia ter entrado no caso Alstom a reboque do Metrô, pode se revelar problema maior para o PSDB. Quem teve acesso a dados da investigação na Suíça afirma: trata-se de encrenca que, no Brasil, atinge acima de tudo o setor elétrico.
Balanço fiscal da Alstom de 15 de maio de 2001 aponta o interesse na Eletropaulo. O documento cita o contrato “Gisel 2″, com transformadores de R$ 100 milhões, como prioridade no orçamento da empresa, ao lado de subestações de gás em Singapura e Dubai e sistemas de geração de energia na Flórida. Dois tucanos chefiaram a pasta estadual de Energia na época: Mauro Arce, atual secretário de Transportes, e Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras.
Por: Helena™
Eu acrescento: se for este o plano, o escândalo de carteiras de motorista remete a um caso parecido, e muito mais concreto: o do Detran do Rio Grande do Sul, e que envolve, vejam só, uma governadora também do PSDB. Talvez a intenção seja essa: vincular os dois casos, às custas até mesmo de Yeda Crusius, mantendo o interesse da opinião pública e o foco sobre a governadora gaúcha. Mas é apenas ilação minha. ( Humberto )

maio 17, 2008

Se a Alstom pagou propina, alguém deve ter recebido, e eu explico.

Quer dizer, explico nada. Só acho deveras curiosa a mania que o PIG/ imprensalão tem de, quando se trata de mais uma dessas grandes, de costume arraigado e tradicionais falcatruas do PSDB, o sujeito não aparece na frase como deveria. Sai assim: “Alstom pagou suposta propina por contratos em São Paulo”, quando o certo seria ( é ): “Alstom pagou propina para governo do PSDB em São Paulo. Alckmin, Covas e Serra na mira do MPF”. Mas são apenas elucubrações de minha parte.
MPF instaura procedimento para investigar Alstom
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo - O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo vai instaurar um procedimento para investigar a empresa francesa Alstom, suspeita de ter pago propinas em contratos assinados com o Metrô de São Paulo e outras empresas paulistas. Serão investigadas a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), a Eletropaulo (distribuidora de energia elétrica), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
De acordo com a assessoria do MPF, o processo vai correr sob sigilo e será conduzido pelo procurador da República Rodrigo de Grandis. O objetivo do Ministério Público é investigar se a empresa Alstom, que se define como especialista em energia, cometeu crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro dos quais está sendo acusada..
O Ministério Público estadual também já abriu uma investigação para apurar os contratos fechados entre a Alstom, Metrô, Sabesp, Cesp, CTEEP, CPTM e Eletropaulo, que está sendo conduzido pelo promotor Silvio Marques.
Em nota, a direção do Metrô disse ter tomado conhecimento da investigação, que está sendo conduzida pela Justiça da Suíça. De acordo com a empresa, “tão logo haja informações a respeito do assunto, elas serão tornadas públicas pelo Metrô”. Já a CTEEP se colocou “à disposição dos órgãos competentes para prestar quaisquer esclarecimentos a respeito de contratos com fornecedores da companhia quando for solicitada”.

maio 13, 2008

Até no Rio Grande do Sul, Lula é bem avaliado. Também, em confronto com Agripino, Arthur Virgílio e Yeda Cruzes, até eu!!

Saiba Mais em:
Povo avalia Yeda, Lula e Fogaça – Correio do Povo/RS

maio 12, 2008

Alvaro Dias mentiu sobre vazamento de dados, diz Dr. Rosinha

Deputado do PT defende que senador tucano seja ouvido pela CPI dos Cartões e que sua postura seja investigada pelo Conselho de Ética do Senado.
Site do Dr. Rosinha
09/05/08
O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), vice-presidente do Parlamento do Mercosul, defendeu nesta sexta-feira (9/5) a convocação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) para prestar depoimento à CPI mista dos Cartões Corporativos.
“Álvaro Dias mentiu no plenário do Senado, no início de abril, ao dizer que não sabia de nada sobre o vazamento de informações da Casa Civil”, afirmou Dr. Rosinha.
“Não basta convocar os dois servidores que trocaram e-mails. A CPI precisa ouvir também o próprio senador Álvaro Dias, principal suspeito de ter tornado público o suposto dossiê.”
Conforme laudo do ITI (Instituto de Tecnologia da Informação), órgão vinculado à Casa Civil, os dados teriam sido passados por e-mail a André Eduardo da Silva Fernandes, assessor de Álvaro Dias. O autor da mensagem seria o servidor José Aparecido Nunes Pires, lotado na Casa Civil.
No último dia 2 de abril de 2008, no plenário do Senado, Alvaro Dias negou saber a autoria do vazamento de dados na Casa Civil. “Se eu soubesse, senadora Ideli, quem vazou a informação do Palácio do Planalto, eu diria, eu denunciaria. Ocorre que eu não sei”, afirmou o senador, num aparte concedido por Ideli Salvatti (PT-SC).
Na ocasião, o deputado Dr. Rosinha já havia defendido uma investigação do Conselho de Ética do Senado sobre Álvaro Dias por eventual quebra de decoro parlamentar.
“Se o próprio tucano reconhece que teve acesso a um documento ilegal, por que não acionou o Ministério Público e a Polícia Federal?”, questionou o parlamentar petista.
Já em entrevista concedida hoje (9/5) à rádio CBN, Dias disse que sabia quem tinha passado as informações para seu assessor, mas não revelou porque ele havia pedido sigilo da fonte.
“O importante é quem ordenou usando a máquina pública com o objetivo de fazer chantagem política. Quem vazou o dossiê já se sabe.”
Dr. Rosinha elogia análise publicada pelo jornalista Luis Nassif em seu blog. “O único senador que tomou contato com o tal dossiê – pelo que se sabe até agora – foi Álvaro Dias. E os dados vieram através da iniciativa de um funcionário da Casa Civil que tinha relações pessoais com seu assessor”, escreve Nassif.
O jornalista observa que não há nenhum indício de chantagem, como foi insinuado inicialmente pela revista “vEJA” [ OBS: O CATA-MILHO corrigiu e reescreveu a inicial da revista com minúscula, que é como ela merece ]. Para Nassif, não foi chantagem, foi uma armação para tentar “queimar” a ministra Dilma Roussef (Casa Civil).
“Só existe uma certeza: o senador Álvaro Dias atuou como cúmplice”, conclui Luis Nassif.

maio 9, 2008

DOSSIÊ DOS GASTOS DE FHC FOI ARMAÇÃO DO PSDB!!

Blog de coxipodaponte
08/05/08
*Do Blog do Nassif
As peças se encaixam
Ontem, FHC veio com a história de que o “dossiê” sobre seus gastos era factóide. Por que isso, se permitiu que essa bobagem alimentasse a imprensa durante semanas e semanas da mais pura catarse, com ameaças de CPI, uma orquestração infernal da mídia, um patrulhamento virulento em cima de quem apontava para a armação?
Porque justo ontem? Ontem poderia ser um dia qualquer, não fosse o fato de que foi na véspera da divulgação da informação de que os dados saíram de um funcionário da Casa Civil direto para um assessor do senador Álvaro Dias.
Não foi chantagem, foi armação.
FHC sabia disso, mas só se preocupou em minimizar o episódio quando percebeu que a armação estava sendo desmascarada.
Na qualidade de publicação que recebeu a “denúncia” das mãos do senador Álvaro Dias, Veja sabia disso desde o começo e sonegou a informação sobre a origem do documento. Não era o caso de entregar a fonte. Mas, fosse um veículo com um mínimo de preocupação com a honestidade jornalística, informaria que um senador da oposição recebeu o arquivo com o material. A partir daí ficaria claro o propósito da divulgação do material. Chantagem consiste em ameaçar divulgar um arquivo e segurar ou inventar informações. Se o arquivo foi entregue a um senador da oposição, a intenção não podia ser chantagear, mas queimar a Ministra Dilma Rousseff.
Era uma denúncia com a marca da falta de credibilidade da “Veja”. Acabou renascendo das cinzas com a decisão da “Folha” de, mais uma vez, ir a reboque da revista.
Faça-se um apanhado das declarações definitivas, das afirmações sobre o futuro político da Dilma, as indignações ensaiadas, a dramatização do evento, tudo em cima de uma armação. E confira-se com a repercussão amanhã.
Após as investigações fica claro uma operação com o claro intuito de queimar uma eventual candidatura à presidência da República. Qual a dose de indignação que será utilizada para definir essa armação?
Igor Romanov
* Até quando, Meu Deus, o Brasil irá tolerar essas armações do PSDB, sem dar um basta a tudo isso?
Escrito por coxipodaponte

abril 6, 2008

Mais uma proeza de "Risco" Requião: ele ficou de fora da relação de "melhores governadores", escolhidos pela revista vEJA! Parabéns, Requião!

Mas não vou perder-me em delongas. Quem quiser saber mais, clique aqui.
Mas não esqueça: é da vEJA que estou falando! No centro, com as garras sobre seu pulso direito, o Presidente eleito, mas que ainda não tomou posse. Sádica a revista, mostrando como um dos incontáveis pontos fortes da quase-perfeita administração serrista, a “revolução educacional” empreendida pelos tucanos. “Recuperando” o que eles mesmos destruíram em 12 anos…
Paulo Hartung, Aécio Neves, Sérgio Cabral, José Serra, José Roberto Arruda e Eduardo Campos: contas em ordem e bons índices de popularidade

Mas, a bem da verdade, a vEJA não está sozinha na árdua tarefa de pintar o cocô de dourado: quem se deu o trabalho de ler os jornais nesta semana, sobre o Enem, deveria ter tido muito cuidado, pois a manipulação e a falta de escrúpulos pró-Serra deram o tom mais uma vez. Dos jornais menores, daqui de São Paulo, lidos pelo povão em sua maioria, eu tinha destacado o combativo AGORA, o “Mini-Me” da Folha de São Paulo. Vejam isto: “Líder do Enem na Capital é rígida com professor” [ grifo deles ]. Um destaque logo a seguir diz: “Escola com melhor desempenho no exame 2007 cobra presença de professores e faz reuniões semanais com os docentes”

O que se quer insinuar com isso? Que os professores é que estão precisando de disciplina! Os pobres alunos, que não são cobrados nem mesmo por seus próprios pais, são vítimas da falta de responsabilidade dos professores que “faltariam à vontade”… Que o sensacional governo tucano não consegue pôr em prática sua revolução educacional , por causa do “corporativismo” dos professores…

Por quê a categoria – posso arriscar – em sua maioria, se permite ser tão atacada e vilipendiada? O governo tucano fala, e as penas de aluguel correm a ampliar e divulgar a caçada! A prova disso é a seguinte: na mesma matéria, na página seguinte, o jornalzinho diz num título que o Estado de São Paulo teria só 3 colégios entre os melhores no Enem. No finalzinho da matéria, a informação que teve colocada sobre si uma pedra ( tipo do Metrô e do Fura-Fila ), que é para ficar bem escondidinha, senão o chefe tem chilique e desmaia…Ei-la: “(…) Para Paulo Fábio Salgueiro, que já coordenou vestibular ( sic ) da Uerj, não é possível determinar, nas escolas do Rio, uma característica única que explique o bom resultado dessas instituições [ OBS: "Eu arrisco uma: o Rio não teve 13 anos de governo tucano ] . Ele lembra, porém, que a origem social dos alunos explica bastante o resultado. “Mas os colégios valorizam também o professor”, afirma. (…)”.

Mmmm…Então os colégios bem sucedidos e melhor colocados valorizam o professor? Pois, de posse deste testemunho, já vislumbro uma bela manchete para os jornais de São Paulo: “Escolas super-campeãs do Enem valorizam professor e fazem SP comer poeira”.

Calma lá, Serra, não vai desmaiar, heim? Pois num mundo ideal ( parafraseando a secretária estadual de Educação ) o PSDB não vence eleição e não governa.

Prá finalizar: Parabéns Governador Requião. Seu currículo não foi manchado por ter sido “elogiado” pela vEJA. Deu-se, então, um certificado de confiabilidade e qualidade a sua administração! Pois isso não é notícia, e nem elogio: é quizumba!! Vade retro!

março 5, 2008

Apagão Elétrico Privatizado: Diretor da CTEEP diz que empresa teria que fazer "investimentos altíssimos". Mas não é essa a desculpa para privatizarem?

CTEEP: falta de investimento não causou apagão em SP ( sic )
Agência Estado
04/03/08
Uma falha em um disjuntor na subestação Bandeirantes da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP) causou um apagão na zona sul da capital paulista e em parte da cidade de Embu, informou hoje o diretor de operação da empresa, Celso Cerchiari. Cerca de 690 mil clientes da Eletropaulo ficaram sem luz na manhã de hoje, ou cerca de 12% do total de consumidores da distribuidora na região metropolitana de São Paulo.
Segundo o diretor, toda a energia foi restabelecida em menos de uma hora após a empresa detectar o problema. Cerchiari disse que, em situações como a de hoje, ocorre uma transferência automática de apenas parte da carga de energia para outra subestação próxima. “Para você ter 100% da cargas com backup o investimento é altíssimo, e isso refletiria na tarifa do consumidor”, afirmou Cerchiari.
O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (Stieesp) atribuiu o apagão à falta de investimento na transmissão e em fontes alternativas de energia. Segundo a entidade, o problema era “previsível”, por causa da sobrecarga de consumo de energia na capital paulista. “A questão do investimento não é uma atribuição da empresa ( !?!?? ) , todo o investimento hoje é regulado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE)”, disse o diretor da CTEEP. “Quando se fala em falta de investimentos, temos que olhar o que está planejado e ir ao órgão regulador.”
Apesar disso, o executivo reconheceu que o crescimento do Brasil impõe desafios ao setor energético. “Cada vez mais vamos ter que acelerar os investimentos, não só para atender a demanda mas para garantir a confiabilidade do sistema”, afirmou. “A expansão do sistema de transmissão está bem planejada, o que precisamos é viabilizar através do regulador que a obra saia a tempo e no momento certo.”
Aproveite a manhã, quando há a luz natural do Sol, e leia “O Brasil Privatizado“, para entender melhor o porquê de não ser surpresa este apagão.

fevereiro 28, 2008

Tucanalha e Demos dizem que economia brasileira está bem graças a eles. Imprensalão vai na deles. Greg Palast levantou o tapete e encontrou sangue…

Sua Excelência Robert Rubin, Presidente do Brasil
Quando era menino, o secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, sonhava em ser presidente do Brasil. Em 1999 o seu sonho se realizou. É claro que, como tem endereço em Washington e nacionalidade americana, Rubin conquistou o controle do Brasil da única maneira que podia: por intermédio de um golpe brilhante.
Em outubro de 1998, o presidente nominal do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, foi reeleito para o cargo por um único motivo: tinha estabilizado o valor da moeda brasileira e, portanto, contido a inflação. Na verdade, não tinha. O real brasileiro estava ridiculamente supervalorizado. Mas, com a aproximação das eleições, sua taxa de câmbio contra o dólar simplesmente desafiava a gravidade. Esse milagre levou Cardoso à linha de chegada com 54% dos votos.
Mas, não existem milagres.
Quinze dias depois da posse de FHC. o real despencou e morreu. Seis meses depois da eleição, ele tinha aproximadamente a metade de seu valor no dia da eleição. A inflação está aumentando e a economia implodindo. A taxa de aprovação de Cardoso, que se revelou um incompetente e uma farsa, caiu para 23% do eleitorado. Tarde demais. Ele já havia colocado a presidência no bolso.
Quer dizer, mais ou menos. Não restava muito da presidência de Cardoso além do título. Todas as políticas importantes do orçamento ao emprego, são ditadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e seu órgão irmão, o Banco Mundial. E por trás deles, dando as cartas, estava o secretário do tesouro, Rubin que governou de fato como presidente do Brasil sem precisar perder uma única festa em Mahattan. Mas esse é o preço que Cardoso pagou pelos serviços de Rubin na campanha eleitoral. Pois foi o secretário do Tesouro quem, junto com o FMI, manteve a moeda brasileira alta.
Rubin tem bons motivos para manter a dúbia moeda brasileira, além de ajudar FHC. Sabendo muito bem que a moeda seria destroçada logo depois da eleição, o Tesouro dos EUA garantiu que os Bancos Americanos conseguissem tirar seu dinheiro do país em condições favoráveis. Entre julho de 2002 e a posse em janeiro do ano seguinte, as reservas em dólar do Brasil caíram de 70 bilhões de dólares para 26 bilhões de dólares, um sinal de que os banqueiros pegaram seu dinheiro e fugiram. Mas, a moeda permaneceu em alta antes da eleição porque os EUA deixaram clara sua intenção de substituir as reservas perdidas por um pacote de empréstimos do FMI.
E também se deixou muito claro para os eleitores que os fundos seriam entregues a FHC, e jamais ao Partido dos Trabalhadores, da oposição. O apoio da elite internacional a FHC foi selado pela presença em julho, no Rio, de Peter Mandelson, cão-de-caça político do primeiro ministro britânico, Tony Blair. O estranho e inédito apoio de Mandelson a FHC marcou o ingresso oficial de Cardoso no projeto da Terceira Via de Clinton e Blair.
Um mês após a reeleição de Cardoso, o FMI ofereceu devidamente ao Brasil, um crédito no total de 41 bilhões de dólares. O Brasil não ficou com nada disso, é claro. Qualquer parcela que tenha realmente pingado no país embarcou no primeiro avião com os investidores e especuladores que o abandonaram.
Agora, os brasileiros têm que pagar a dívida. Mas essa é a menor de suas preocupações. Como parte da magia negra para manter a taxa de câmbio antes da eleição, Washington pressionou o Banco do Brasil a elevar a taxa de juros básica para 39%. O FMI pressionou por 70%. Nas ruas de São Paulo, isso se traduziu de taxas de juros de até 200% sobre empréstimos privados e créditos a empresas.
A confirmação do esquema de Rubin para salvar tanto FHC quanto os Bancos Americanos vem de uma fonte das mais interessantes: Jeffrey Sachs, da Universidade de Harvard. Sachs é mais lembrado como a Mary Tifóide do neoliberalismo, que disseminou teoremas do mercado livre e a depressão econômica pela extinta URSS. Sachs, que continua entre o falante grupo de atores no circulo das finanças internacionais, disse-me: “Você podia ver a economia [brasileira] caindo do precipício. Foi uma câmera-lenta. Mas, em vez de evitar a queda pela desvalorização controlada Washinton e o FMI incentivaram vigorosamente taxas de juros acima de 50%”, ele disse. “Washington queria a reeleição de FHC” , dando seis meses aos financistas americanos para vender os títulos e moeda do Brasil em condições favoráveis.
Se o Golpe de Estado de Rubin pareceu bem praticado, foi porque ele usou o mesmo método em 1994 para tornar-se presidente de fato do México. Mais uma vez, um partido governante sem credibilidade voltou ao poder pela força de sua moeda e das promessas de apoio dos EUA. Quatro semanas depois da posse do presidente Ernesto Zedillo o peso despencou, enquanto os credores americanos do México foram salvos por um fundo de empréstimo especial dos EUA.
FHC sabe que não adianta culpar as manipulações de Rubin pelos problemas do Brasil. Em vez disso, com ajuda de uma imprensa de direita (marrom), ele e o FMI atribuem o colapso econômico a vilões conhecidos: funcionários públicos, aposentados e sindicatos. São acusados de estourar o orçamento do governo.
Isso é maluquice. Os pagamentos dos juros, comenta Sachs, equivalem a monstruosos 10% dos gastos do país e são totalmente responsáveis pela duplicação do déficit federal. Comparadas a isso, as aposentadorias dos funcionários, principal alvo dos cortadores de orçamento, são uma gota no oceano.
Mas a analise de Sach é incompleta, ele diz que o “FMI falhou” porque os juros altos causaram a crise e a depressão. Está enganado. A crise é um elemento deliberado do plano.
A crise tem suas utilidades. Somente em caso de pânico econômico Rubin e o FMI podem soltar os Quatro Cavaleiros da Reforma: eliminar os gastos sociais, cortar a folha de pagamento do governo, quebrar os sindicatos e, o verdadeiro prêmio, privatizar empresas publicas lucrativas.
Mas, FHC não estava contente no papel de marionete de Rubin. Originalmente um sociólogo especialista em Teoria da Dependência, Cardoso deve ter lamentado pessoalmente a perda da soberania financeira de seu país.
Ele sobreviveu às eleições, mas a oposição varreu seu partido dos principais Estados, os novos governadores não lamentaram. Mostraram os dentes. Em janeiro de 1999, o ex-presidente Itamar Franco, recém-eleito Governador do Estado de Minas Gerais, recusou-se a pagar as dívidas com o Tesouro Nacional. Então outros seis governadores disseram a FHC o que qualquer pessoa sensata diria a um agiota que aumenta as taxas de juros de 10% para 60%: vá para o inferno. A imprensa mostra Franco como um bufão, enciumado de Cardoso. Seu objetivo é desviar a atenção da verdadeira ameaça a FHC e ao FMI: Olívio Dutra, popular governador do Rio Grande do Sul, era a estrela ascendente do Partido dos Trabalhadores. Filho de agricultores sem-terra, um militante jovem e educado da era da televisão, Dutra transformou a capital do estado em vitrine de desenvolvimento para o país.
Eles atacam Franco, mas é a Dutra que temem. FHC. Fez o possível para punir os gaúchos por sua eleição. Dutra não suspendeu os pagamentos ao governo federal, mas pagou os fundos, cerca de 27 milhões de libras, nos tribunais. FHC. reagiu com crueldade, retendo 37 milhões de libras em impostos coletados para o Estado de Dutra. O FMI bloqueou empréstimos para o Rio Grande do Sul. Contatado por telefone em seu escritório em Porto Alegre, Dutra disse-me que aceitava o fato de a crise exigir sacrifícios. Ele demitiu funcionários públicos, mas teve à audácia de sugerir à General Motors e à Ford que participassem do sacrifício e desistissem de isenções fiscais, que agora sangravam os cofres do estado.
O Brasil é um país rico, com um PIB, mesmo em depressão, de meio trilhão de dólares. Mas, como um hamster frenético na rodinha, está perdendo a corrida para captar seu próprio capital em fuga, que deve recomprar com taxas de juros de usura. Foi por isso que Dutra se esforçou tanto contra a privatização do banco de desenvolvimento de seu Estado, um motor da expansão autofinanciada do Rio Grande do Sul.
O Governador, que não é bobo, não desperdiçou balas contra o humilhado FHC. Ao organizar a resistência às exigências de Rubin e às condições de crédito do FMI, Dutra habilmente não visou as marionetes, mas seus manipuladores.
Dutra foi derrotado, e embora seu Partido dos Trabalhadores esteja na presidência (com Dutra como ministro), Lula está na prisão dos devedores, algemado pelas obrigações com o Citibank e seu braço policial, o FMI. E Rubin foi eleito para o cargo muito mais alto que o de presidente-sombra do Brasil: é presidente do comitê executivo do Citigroup, a corporação que é dona do Citibank, que é dono do Brasil.
POSTAIS DO CARNAVAL DA DESVALORIZAÇÃO
Eu acabara de me servir mais uma dose da pinga caseira dE Zeb. Era dezembro de 1998. Estava brindando a três conquistas extraordinárias do Brasil que haviam ocorrido naquele dia.
A primeira era a aprovação de uma linha de crédito de 42 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial para o Brasil. A segunda, relacionada à primeira, era um salto de 4% no valor das ações na Bolsa do país. A terceira era o anúncio pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de que o Brasil finalmente havia superado o Chile como economia mais desigual do hemisfério.
O BID calcula que 10% das famílias mais ricas do Brasil, hoje, recebam 47% da renda do país. Os 10% mais pobres recebem menos de 1%.
A expectativa de vida no Brasil é hoje a mais alta das Américas. Menos de uma em cada cinco crianças mais pobres do país completam a escola primária, menos ainda que na Bolívia e no Peru.
No entanto, o economista-chefe do Banco Mundial aplaudiu as “boas condições dos fundamentos econômicos do Brasil”. A pergunta é: boas para quem?
O que marca os que visitam São Paulo não é a pobreza, mas sua riqueza organizada: fileiras e fileiras de luxuosos prédios de apartamentos, shopping centers e torres de escritórios – frutos de um BIP quase tão grande quanto o da Grã-Bretanha.
Se eu deixar cair um copo pela janela do meu hotel de luxo, matarei uma galinha na favela lá embaixo, uma das numerosas cidades de barracos que inundam os espaços entre as extravagantes torres urbanas.
A pinga me ajuda a entender essa louca mistura de pobreza e riqueza. Assim como um cartão-postal do Rio de Janeiro completamente preto. Os moradores do Rio, a Cidade Luz, enviaram centenas desses cartões escuros aos políticos locais, num protesto contra a light, a companhia de eletricidade do Rio, hoje apelidada de Dark.
Em 1997, o governo federal privatizou a Rio Light, vendendo-a para a Electricité de France e a Houston Industries, do Texas. Os novos proprietários, que haviam prometido melhorar o serviço, rapidamente eliminaram 40% da força de trabalho da empresa.
Infelizmente, o sistema elétrico do Rio não está totalmente mapeado. Os funcionários d companhia elétrica guardavam na cabeça a localização dos cabos e transformadores. Quando foram demitidos, levaram consigo os mapas mentais.
Quase todos os dias um novo bairro ficava às escuras. Os proprietários estrangeiros culpavam o clima no oceano Pacífico. O Rio fica no Atlântico, é claro.
Mas para os proprietários em Paris e no Texas nem tudo era escuridão. As conseqüências dos cortes de salários e aumento de tarifas ajudaram os donos estrangeiros a obter dividendos de mil por cento. O preço da ação da Rio Light saltou de 194 reais para 259 reais.
Em 1998, o governo brasileiro pôs em leilão a empresa de eletricidade de São Paulo. Apesar de gritos e processos movidos por organizações de consumidores, a companhia foi ganha pelo único licitante, que pagou o preço mínimo pedido: o mesmo consórcio corrupto Houston-Paris. Imediatamente os novos donos anunciaram um excesso de mil funcionários.
O objetivo desta história de privatização é esclarecer os detalhes sórdidos, raramente relatados, do que o Banco Mundial chama de “criar um ambiente amigo do mercado”.
As condições dessa liquidação de ativos brasileiros são ditadas por um volumoso documento da consultoria americana Coopers & Lybrand (hoje chamada Price Waterhouse-Coopers). Enquanto o termo “mercado” é borrifado por todo o texto, o projeto é feudal e não capitalista. A Coopers divide a infra-estrutura vendável do país em monopólios legalmente aceitáveis, destinados a garantir superlucros aos novos donos, na maioria estrangeiros, sem empecilhos do controle do governo ou da concorrência.
Ele tem como modelo o sistema medieval de “arrendamento fiscal”, em que, por um único pagamento, os reis permitiam que coletores de impostos limpassem os camponeses. Os termos da privatização beneficiaram outros clientes da Coopers, as mesmas companhias que faziam ofertas pelos ativos brasileiros.
O Banco Mundial afirma que a liquidação de todas as empresas públicas do Brasil foi lançada pelo governo brasileiro. “sem pressão externa”. Ah, claro!
A venda acelerada dos bens brasileiros – no valor de 40 bilhões de dólares em 2003 – é uma condição inegociável das linhas de crédito de banco e agências internacionais.
Supostamente, a venda de empresas públicas, portos e rodovias reduz as dívidas do país. Não é verdade. Privatizar a infra-estrutura reduz a dívida do governo, mas não a dívida pública. A menos que os cidadãos desistam da eletricidade e da água, o público ainda é responsável pelas dívidas desses serviços. Na verdade, o governo está cobrindo os custos dos seus empréstimos por meio de um terrível imposto regressivo, na forma de aumento dos preços da eletricidade e da água cobrados aos trabalhadores do país (e aos desempregados das favelas)
É claro que a elite brasileira recebe uma parte do saque. O governo exige que qualquer consórcio estrangeiro que compre propriedade estatal inclua um sócio da língua portuguesa. Provavelmente, você não ficará chocado ao saber que amigos do partido governante estão recebendo tratamento especial.
Em 1998, o Ministério das Comunicações e o diretor do programa de privatizações demitiram-se depois que transcrições de conversas em telefones celulares interceptadas revelaram suas tentativas de influenciar as ofertas por companhias telefônicas estatais, para favorecer amigos ligados a operadoras européias.
O processo de “reformas” imposto por credores externos não se limita à tomadas de bens estatais.
O Brazilian Council da Grã-Bretanha promoveu uma reunião em Londres, em novembro de 1998, sobre os serviços públicos do Brasil. Foi apresentado um plano para “melhorar a eficiência no mercado de trabalho”, financiado pelo Banco Mundial. Os brasileiros não deveriam ver o documento. Mas eu obtive uma cópia e decidi contar o que há nele.
O Plano Mestre do Banco Mundial propõe cinco aperfeiçoamentos para esse país que tem o menor compromisso com a educação e outros serviços públicos do hemisfério. Ele diz claramente;
Reduzir salários e benefícios Cortar pensões Aumentar as horas de trabalho Reduzir a estabilidade no emprego e o emprego.
Mas a recompensa, a linha de crédito de 42 bilhões de dólares, não vai, em última instância, pingar sobre pessoas nos barracos?
Não, diz Ildo Sauer, professor de energia da Universidade de São Paulo (licenciou-se para exercer o cargo de diretor de Gás e Energia da Petrobrás – N.E.). “Tudo vai para saldar os prejuízos do jogo”. – o esforço frenético do governo para manter a taxa de câmbio do real contra o ataque de especuladores.
O Brasil está pagando juros incríveis de 40% sobre sua dívida interna para convencer sua elite a guardar o dinheiro em São Paulo, em vez de Miami. Os 42 bilhões de dólares não vão cobrir os juros de um ano.
Estive hospedado numa casa maravilhosa na praia, perto de Santos (por motivos de pesquisa, legitimamente cobrada do The Observer). O proprietário diz que a residência vale cerca de 500 mil dólares. É sua terceira casa. Ele paga imposto de propriedade de apenas mil dólares por ela.
Os pobres do município não mandam seus filhos à escola porque a captação de impostos não é suficiente para pagar livros, uniformes ou o transporte dos alunos.
E agora, dois anos depois, vemos que os 42 bilhões de dólares do FMI simplesmente permitiram que o banco americano deixasse o Brasil e os ricos espertos mandassem seu dinheiro para o exterior.
É março de 2000. Com a aproximação de terça-feira de carnaval, as conversas políticas ao som da batucada são sobre o salário mínimo, que a Constituição do país efetivamente fixa em 100 dólares pro mês. Com a desvalorização da moeda e a inflação maciça dos bens básicos (a eletricidade aumentou 250%), o mínimo deveria subir automaticamente de 130 reais para menos 170 reais
Sobre esse socorro à população de baixa renda, o presidente Fernando Henrique Cardoso, portados da tocha da Terceira Via na América Latina, permanecia inescrutavelmente perplexo. Mas seus ministros, as câmaras de comércio e seus acadêmicos encheram colunas de jornais com argumentos para se eliminar a “inflexibilidade” da Constituição.
Como tudo o mais durante o carnaval, o debate sobre o salário mínimo é uma farsa. A questão já fora decidida e anunciada em novembro de 1998 pelo Banco Mundial e seu primo, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, em um relatório ao British Council em Londres (cujo segredo agora violo com alegria).
Em troca dos empréstimos usados para sustentar o valor do real – um completo fracasso -, o Brasil teria de cortar os salários e aposentadorias do governo e, em especial, fazer cortes nos serviços básicos como saúde e educação. Alguns salários e aposentadorias do Estrado são definidos como múltiplos do salário mínimo – por isso tem de ser cortado sem piedade.
Para aplicar sua decisão (ou, como diz o banco, para “ajudar”), o BID transferiu 160 milhões de dólares das verbas de saúde e seguridade social do Brasil para esse projeto “estrutural”. Nem todo o dinheiro foi desperdiçado. Minha própria dispendiosa viagem pelo Brasil foi paga com essas verbas, numa coordenação do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da velha frente da CIA, a USIA. (Não pergunte)
Meu trabalho era instruir os brasileiros em processo democráticos para consumidores e sindicatos dentro dos direitos básicos de uma sociedade civil. Isso é bem americano: primeiro atire em suas pernas, depois dê a eles aulas de samba.
***
A disputa sobre o salário mínimo é um tanto teórica nos estados do Norte do Brasil que cercam a bacia Amazônica, onde qualquer salário é um luxo. Por isso fiquei especialmente tocado pela batalha de um grupo, na maior parte dessa área da Amazônia, conhecido simplesmente como Donas da Casa. As mulheres, cujo trabalho típico consiste em colocar alimentos e roupas para os mais pobres dos pobres do país, deram um susto no complexo bio-industrial internacional com uma ação legal, aberta para elas pelos advogados do IDEC, uma associação de consumidores do Brasil, para impedir a venda pela Monsanto de soja “Round Up Ready”.
A Monsanto modifica o DNA dessas sementes mágicas para sobreviver a uma forte dosagem do herbicida da companhia, Round Up. Andréa Libério, uma líder da Casa, enfurece-se diante da alegação condescendente da indústria de que esse produto vai alimentar os pobres brasileiros, enquanto ela lê que os supermercados britânicos Tesco se recusam vender produtos contaminados por ele. No início, a briga das Donas de Casa parecia a de um peixe de aquário contra Godzilla. Mas os peixinhos estão ganhando.
A Monsanto, em vez de apresentar evidências num tribunal, entregou a defesa da companhia ao juiz em sua casa, à noite. Mas escolheu o juiz errado. Este, aparentemente, lembrava-se de um tempo não muito distante em que o governo militar ia à noite entregar as decisões “certas” aos juízes, ou os levava embora. O juiz Antonio Souza Prudente decidiu que os brasileiros não lutaram pára depor a ditadura militar e vê-a substituída por um comercial. Em seu tribunal, denunciou os visitantes noturnos e proibiu a venda das sementes manipuladas.
A decisão de agosto de 1999 encorajou o diretor da agência ambiental do país a aliar-se aos consumidores e às donas de casa. Não foi uma decisão profissional acertada – o presidente Cardoso o demitiu do cargo. Depois, o governo FHC foi favorável na apelação da Monsanto.
Mas a decisão do juiz parece juridicamente intocável. O Brasil, segundo meus conselheiros da embaixada americana, tem leis ambientais mais rígidas que os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha, com multas maiores contra os poluidores. Olhei pela janela do carro para as colunas de fumaça cáustica que dá a partes de São Paulo a aparência do terceiro anel de Hades, “ah… Todo ano o presidente Cardoso decreta uma anistia, assim ninguém paga as multas”.
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Antes de me reunir com o vice-presidente da Justiça do Estado de São Paulo, meu guia do Departamento de Estado sugere que eu use a nova linguagem criada por consultorias de grupos de interesse. Os cidadãos não são mais cidadãos, e sim “clientes”. O poder do mercado substitui os direitos humanos. “Existe toda uma atitude no Brasil em relação ao público”. Passamos por cima de alguns “clientes” que dormiam sobre as saídas de ventilação do hotel.
O secretário ficou contente ao me ver. Isso lhe deu uma desculpa para escapar de duras negociações com líderes dos Sem-Terra e Sem-Teto que haviam ameaçado montar um acampamento permanente em volta da Secretaria. Eu comentei em inglês: “The roofles meet the rubles” [ Os sem-teto encontram os sem-piedade]. Acho que a tradução foi difícil.
Enquanto garçons serviam xícaras de café, o homem do Departamento de Estado estava ansioso para me mostrar o lado progressista de FHC.. Apontou para a maquete de um grande edifício que ocupava a mesa do secretário. “Acho que é o novo projeto habitacional do governo”.
O secretário sorriu. “Na verdade, é nossa nova prisão. O mais moderno projeto americano. Imagino que seja colocar os “clientes” em ALGUM LUGAR.
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Notas da entrevista.
Por que aquele homem estava cortando árvores? Para obter lenha para cozinha. Ele não pode comprar gás engarrafado. O preço aumentou 150% em um ano.
E por que? Porque o governo FHC. Eliminou os subsídios e controles do gás engarrafado.
Por que aumentou o preço do gás do país? Para que os que podem pagar prefiram o gás encanado ao engarrafado.
Por que o governo não promoveu o gás encanado? Para tornar a privatização da companhia estatal, Comgás, mais interessante aos investidores estrangeiros.
Por que vender a Comgás? Cardoso precisava de dez bilhões de dólares por mês só para pagar os empréstimos para salvar a moeda.
Quem a comprou? A Shell Oil e a British Gás.
Quando? Em 1997, pouco depois que Tony Blair mandou seu principal assessor em visita ao presidente Cardoso.
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“Relaxe, é carnaval” , me diz a embaixada. Lá está o presidente Cardoso num pequeno fio-dental verde, ajoelhado na frente de Bill Clinton. Ele cantando a balada de Jobim “Eu serei palhaço…”. De certa forma, os humoristas do desfile são mais verossímeis que a coisa real. Bem, chega. Tenho de vestir minhas plumas. Como diz o Departamento de Estado, “se você não consegue enriquecer, pelo menos pode ficar nu”.
Greg Palast é um dos mais importantes jornalistas investigativos Americanos, trabalha para o “The Guardian”, “The Observer”, asssim como a BBC, destaca-se entre os jornalistas, com suas obcessões pelas provas documentadas e seus minucioso métodos de pesquisa. Autor do Livro ” “A melhor democracia que o governo pode comprar”

fevereiro 27, 2008

Trabalhadores e estudantes convocam protesto contra privatização da Cesp

Trabalhadores e estudantes convocam protesto contra privatização da Cesp
Agência Sindical
Várias entidades sindicais e estudantis realizarão, na próxima sexta-feira (29), às 14 horas, ato público em frente ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, em protesto contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), marcada para ocorrer no próximo mês. Entre as entidades que convocam a manifestação, estão Apeoesp, Sindsaúde, as Centrais CUT, CGTB e CTB, além da UNE e UBES.
Em manifesto, as entidades denunciam que o governo de São Paulo pretende abrir mão de “um importante instrumento de indução do desenvolvimento”, a partir da privatização de uma das maiores geradoras de energia elétrica do País. “Geração de energia não é qualquer atividade econômica, mas sim interesse de Estado com importantes repercussões na vida da população, na atividade industrial e na economia em geral”, diz o texto.
Neoliberalismo - O manifesto de convocação do ato denuncia também que o principal banco de fomento de São Paulo, a Nossa Caixa ” é mais uma das estatais na mira do governo do Estado”. “Os ventos neoliberais, soprados pelo PSDB, têm varrido o Estado de São Paulo nos últimos 13 anos, com conseqüências desastrosas para os serviços públicos”, diz .
“O setor de transportes, especialmente do Metrô, também tem sofrido com a falta de investimentos público, com a terceirização de mão-de-obra e com a privatização da Linha 4. Conseqüências: sucateamento do serviço, especialmente da manutenção preventiva, com constantes acidentes. As obras da Linha 4, em andamento, deixaram de ser fiscalizadas pelo Metrô, gerando o grande acidente em Pinheiros”, acrescenta.
Mais informações:
www.apeoesp.org.br
www.metroviarios-sp.org.br

fevereiro 23, 2008

TCU conclui que Bolsa Família não teve uso eleitoral

Um relatório de acompanhamento do Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que o governo não fez uso eleitoral do programa Bolsa Família em 2006, durante a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um dos principais trunfos eleitorais da administração federal, o Bolsa Família foi apresentado pela oposição como uma das causas fundamentais da vitória de Lula.”No plano nacional, não há evidências de favorecimento a partido político nem descumprimento de normas relativas à execução orçamentária e financeira no processo de expansão do programa que pudessem caracterizar desvio de finalidade para utilização do programa visando a fins eleitoreiros. O percentual de cobertura e o número de benefícios do programa nos municípios administrados pelos quatro maiores partidos políticos brasileiros não apresentaram diferenças significativas, em que pesem discrepâncias existentes em algumas localidades específicas”, diz o parecer. De acordo com o TCU, pode ter havido usos locais do projeto como ferramenta eleitoral, mas não uma aplicação generalizada como publicidade política. (AE )

fevereiro 13, 2008

Na Assembléia paranaense, Requião apresenta os números da administração que o credencia à Presidência!! Tremei, censores, facínoras e serviçais!!

ÍNTEGRA DO DISCURSO DO GOVERNADOR ROBERTO REQUIÃO
Requião reabre trabalhos na Assembléia Legislativa com um relato sobre os resultados alcançados na sua administração
PMDB/ PR
13/02/08
Venho a esta Assembléia sob o signo da censura. Passaram-se semanas e confesso que o meu espanto hoje é o mesmo dos primeiros minutos seqüentes ao conhecimento da assombrosa medida. A decisão – que eu saiba inédita – é de tal forma drástica que pergunto às senhoras e aos senhores deputados se não temem que minha presença, neste momento, na tela da TV Assembléia, que transmite ao vivo a sessão, não poderá causar transtornos à emissora. Afinal, em minha fala, inevitavelmente, como é meu dever constitucional, vou dar publicidade às ações do Governo, o que talvez possa ser entendido como promoção pessoal; farei críticas à oposição pelo açodamento e irresponsabilidade de algumas denúncias; e não pouparei parte da imprensa pelo comportamento no episódio, omissa quando não entusiasta da censura.
Senhoras, senhores deputados é exatamente isso que proíbem que faça na Paraná Educativa. É possível, então, entender a exorbitância do que foi imposto? Aproveito a ocasião para agradecer às tantas, comoventes e firmes, manifestações de solidariedade. Elas não cessam de chegar. A solidariedade não é devida a mim. O protesto não é a meu favor. Não sou eu o objeto da indignação. Não estou em causa, não sou a causa. Sendo assim, não lamento as declarações a favor da censura, porque não há o que esperar de quem se alegra com a mordaça em adversários. Da mesma forma, não deploro o silêncio de entidades que, pela sua natureza, deveriam se por na vanguarda dos protestos, porque não há o que prantear na tibieza, na frouxidão.
Há certas coisas que consideramos impossíveis, improváveis, até que aconteçam.
Examinemos a história, meditemos sobre os precedentes, não desprezemos tantas lições e alertas, não subestimemos a capacidade do homem de reincidir. Sejamos tão radicais quanto Voltaire e sua frase síntese em defesa da liberdade de expressão: “Posso discordar de tudo o que você diz, mas vou morrer defendendo a sua liberdade de dizê-lo”.
Ao mesmo tempo, quero que não restem dúvidas quanto ao meu apreço pelo Judiciário e pelo Ministério Público. É impressionante o esforço de alguns para emaranhar, enredar, embaraçar, comprometer as minhas relações com um e outro. Que os intrigantes ensaquem a viola e vão açular em outra paróquia.
Não afronto, confronto. Discordo e manifesto as minhas divergências. Legitimamente. Enfaticamente. Lealmente. Harmonia não quer dizer submissão. Respeito não é sinônimo de servilismo.
Não afronto, confronto. Divirjo. Ao longo de minha vida pública, toda ela sustentada pela mais legítima das confirmações que é o voto popular, tenho enfrentado incompreensões e dissabores por minha obstinação em defender pontos de vista nem sempre tão palatáveis, tão dulcinosos ao gosto de alguns. São os percalços das posições que assumo.
Senhoras e senhores deputados, de todo modo, trago a esta Assembléia uma mensagem de otimismo. Uma mensagem de alegria e satisfação pelos avanços e conquistas nesses últimos cinco anos.
Olhando para trás, sinto orgulho do que fizemos e, confesso, não imaginei que fosse possível corrigir tantas distorções em tão pouco tempo, retificar caminhos, melhorar extraordinariamente os indicadores sociais, recuperar as finanças, equilibrar a gestão, resgatar as funções típicas do Estado, investir fortemente em infra-estrutura, gerar empregos, melhorar a vida das pessoas.
Olhando para trás, confronto-me com o balanço da Copel de 2002 e afronta-me o prejuízo recorde de 320 milhões de reais. A curtíssimo prazo, o pior dos cenários: a empresa teria dificuldade para pagar a folha de março e não sobreviveria a outubro de 2003, quebraria. A sangria da Copel, sua contínua e implacável exaustão dava-se principalmente por contratos de compra de energia. Contratos altamente lesivos que ninguém, em sã e boa consciência, entendia como tinham sido assinados. Decidi, então, rever os contratos, renegocia-los. Foi um deus-nos-acuda. Poucas vezes em minha vida fui tão agredido. Foram dias de solidão, de isolamento. Lembram-se do “Risco Requião”? Lembram-se da quantidade de editoriais furiosos, dos discursos coléricos e dos vitupérios?
Entre as tantas e irritadas críticas, lembro-me das declarações do então líder do Governo Senado, Aloísio Mercadante, dizendo que estava afugentando investimentos estrangeiros no País.
No entanto, depois de longas, difíceis, cansativas, mas sempre respeitosas negociações com os nossos parceiros espanhóis e norte-americanos refizemos os contratos e a Copel livrou-se da condenação à insolvência. De tal forma que, já no primeiro ano, em 2003, fechamos o balanço com lucro acima de 171 milhões de reais. De lá, até setembro do ano passado, a Copel acumulou lucros superiores a três bilhões de reais. E investiu dois bilhões e 500 milhões de reais em obras para ampliar, modernizar e melhorar os sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia, e na sua rede de fibras óticas.
A disponibilidade de energia para o desenvolvimento e bem-estar dos paranaenses aumentou com a construção das usinas do complexo do Rio Jordão, com as incorporações da Termelétrica de Araucária e da Usina Eólica de Palmas. E será fortemente ampliada a partir de 2011 com a entrada em operação da Usina de Mauá, onde investiremos 950 milhões de reais.
Observe-se que a Copel tem hoje a menor tarifa de energia elétrica do País e que perto de um milhão de paranaenses estão incluídos no programa “Luz Fraterna”, portanto não pagam a conta de luz. Além das tarifas diferenciadas para a irrigação noturna, para setores da nossa economia que precisam do apoio do Governo, como a criação de aves e de suínos.
Não quero elogios por ter cumprido o meu dever como governante, e nem espero que a oposição e a mídia penitenciem-se dos graves erros de avaliação, para dizer o mínimo, sobre o episódio.
Quebramos o dogma do “Pacta sunt servanda”. Mostramos que todos os contratos lesivos ao interesse público podem e devem ser renegociados.
Olhando para trás, confronto-me com a difícil situação das empresas paranaenses, especialmente os micros e pequenos empreendimentos. E afrontam-me os privilégios régios de que se beneficiavam investimentos multinacionais. De uma só penada, logo nos primeiros meses de 2003, isentamos as microempresas do ICMS e cortamos fundo o imposto das pequenas empresas. Hoje, das 214 mil empresas cadastradas na Receita Estadual, 165 mil beneficiam-se do programa. Registre-se que, em 2006, radicalizamos o programa, cortando ainda mais a carga tributária das pequenas empresas.
Não apenas isso. De 2003 a dezembro do ano passado, assinei 62 decretos isentando, diminuindo, diferindo, suspendendo pagamento de impostos ou concedendo crédito presumido de ICMS.
Transformamos a política fiscal em um forte e ativo instrumento de apoio ao desenvolvimento paranaense, de incentivo a quem quer empreender, investir, crescer e vencer. E os resultados estão aí, tão cristalinos, incontestáveis.
Hoje, o Paraná apresenta o menor índice nacional de mortalidade de micro e pequenos empreendimentos. Uma taxa em torno de 2,1 por cento. Quando assumimos, em 2003, o índice era de 4,5 por cento. Também aqui, um avanço significativo.
Dias desses, vi repercutida com destaque a afirmação de um deputado oposicionista dizendo que o nosso Governo não trouxera nenhuma grande fábrica ao Paraná. Não acredito que a eficiência de uma administração possa ser medida pelo tamanho da fábrica que atrai. E sim pela qualidade do investimento, pelos empregos e impostos que gera. Não parece que o governo que me antecedeu possa dar bons exemplos disso.
De qualquer forma, quero compartilhar com o deputado ótimas notícias. Além da isenção e corte de impostos das pequenas e microempresas, temos ainda o programa “Bom Emprego”, que estimula a implantação, reativação e expansão de indústrias, dilatando em até 48 meses o recolhimento de parte do ICMS. Com um detalhe: quanto menor for o IDH do município onde houver o investimento, maior a vantagem da empresa, cuja dilação de imposto poderá chegar a 90 por cento. Embora poucos saibam – afinal, parece que boa notícia não é notícia – esse programa é um sucesso. Até o momento, ele totalizou três bilhões e 100 milhões de reais em incentivos. São 88 médias e grandes empresas beneficiadas, instaladas em 40 municípios diferentes, especialmente em regiões mais pobres do Estado, gerando perto de 50 mil empregos diretos e indiretos. E se querem grandes fábricas, podemos falar de grandes fábricas e de outros grandes investimentos. Como a Hexal, em Cambé, com 550 empregos diretos; a SIG, em Campo Largo, com 250 empregos; a Zadville, em Pato Bragado, mais cem empregos; o Centro de Distribuição Destro, na Cidade Industrial de Curitiba, com mil empregos; o Centro de Distribuição das Casas Bahia para a região Sul, em São José dos Pinhais; a Prati Donaduzzi, uma grande unidade de medicamentos, em Toledo; expansões e novas unidades da Klabin, da Sadia, da Perdigão, da Petrobrás, da Mascarello. Um dos preceitos básicos do jornalismo – de resto, da vida – é buscar a verdade nos fatos. Vamos, então, em um esforço de reportagem, aos fatos e, através deles, à verdade. O fato é: esse conjunto de políticas fez com que o Paraná se transformasse, em proporção ao seu número de habitantes, no Estado que mais gera empregos diretos no País. Nesses cinco anos, foram criados mais de 460 mil empregos com carteira assinada. Enquanto que, nos oito anos do governo que me precedeu, o governo das grandes fábricas, foram gerados apenas 37 mil e 882 empregos formais. Isso é fato. Isso está registrado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho, o CAGED.
O Paraná, sozinho, acumula hoje perto de 50 por cento dos empregos com carteira assinada da região Sul. Embora a discrepância seja tanta, ainda assim, não vi ninguém interessado em investigar o assunto. Sem querer pauta-los, isso me parece uma boa pauta. Ainda em relação à economia, partilho outras boas notícias. As nossas exportações elevaram-se de sete bilhões e 200 milhões, em 2003, para 12 bilhões e 350 milhões, em 2007. Nossos negócios com o exterior crescem acima da média nacional. As missões comerciais para os países do Mercosul, à Europa, Canadá, Estados Unidos e Ásia reuniram mais de 500 empresas paranaenses, grande parte delas realizando sua primeira experiência internacional. Só com os nossos vizinhos, elas fizeram transações superiores a 500 milhões de dólares.O dinamismo de nossa economia revela-se ainda no aumento da arrecadação ano passado, 25 por cento maior que em 2006, contra o crescimento médio nacional de 16 por cento.
Mais boas novas: os empregos com carteira assinada na indústria de alta tecnologia tiveram um incremento de 41 por cento, nos dois últimos anos. Isso é mais do que a metade do crescimento registrado em uma década. Quer dizer, a indústria de alta tecnologia paranaense experimenta uma expansão extraordinária, colocando o nosso Estado entre os mais avançados no setor.
Aqui, destaco a grande contribuição de nossas universidades, de nossos institutos de pesquisas, do Tecpar, do Lactec, do Iapar, da Fundação Araucária. A pesquisa científica no nosso Paraná fixou-se como prioridade. Hoje, mais de 300 projetos de ciência e tecnologia estão em andamento, através de redes de inovação.
Alta tecnologia significa o futuro. Estamos abraçando o futuro.
Olhando para trás, confronto-me com tarifas de pedágio abusivas e com a malha rodoviária estadual destruída. Dupla afronta aos paranaenses.
As recentes licitações para a implantação de pedágio em rodovias federais que cortam o Paraná demonstraram, de vez por todas, que tínhamos razão em classificar as tarifas vigentes como um verdadeiro assalto à economia paranaense. E consolida a nossa decisão de rever contratos.São mais de 40 ações na Justiça. Ao contrário do que os detratores caluniam, não recuso a negociação. O que não aceito são os pequenos descontos, ridículas concessões tendo em vista o desaforo das tarifas em vigor, e ao que já arrecadaram, em relação ao que pouco investiram. Os paranaenses não me elegeram para fazer salamaleques e genuflexões a esse verdadeiro sancta-sanctorum da selvageria neoliberal.
Ao mesmo tempo dessa disputa, tratamos de recuperar a malha rodoviária estadual. Todos, indistintamente, são testemunhas da vergonha que eram as nossas estradas. Como hoje testemunham a recuperação, construção e pavimentação de mais de cinco mil quilômetros. Mais de um bilhão e cem milhões de reais de investimentos. Até 2010, investiremos outro bilhão de reais. Duas publicações da Editora Abril, que não me tem entre seus favoritos, o Guia Quatro Rodas Rodoviário 2007 e o Anuário da revista Exame 2006-2007, informam, a primeira, que o Paraná tem apenas um por cento de rodovias em situação precária; outra, que somos o segundo Estado com o melhor índice de conservação de rodovias.
Até o final do ano, os corredores entre Londrina e Paranavaí e entre Maringá e Foz do Iguaçu, do programa Estradas da Liberdade, alternativa ao assalto do pedágio, estarão concluídos. Já a ligação entre Curitiba e o Norte do Estado, via Estrada do Cerne, avança com a parceria com o Exército Brasileiro e estará pronta em 2010. Cuidamos também de recuperar os aeroportos, um equipamento cada vez mais necessário para a economia, a segurança pública e a vida. Recuperamos 14, três estão em obras, 18 outros receberam melhorias. Vamos pavimentar o de Castro, construir os de Irati e Guaraqueçaba. E implantar o de cargas, em Paranaguá.
Já o programa “Patrulhas Rodoviárias” está provocando uma verdadeira revolução nas rodovias rurais municipais. O foco é os caminhos da produção e do transporte escolar. A meta é recuperar dez mil quilômetros de estradas rurais, até 2010. Nunca se fez nada semelhante no Paraná.
Dá para perceber porque o pedágio é uma excrescência, uma anomalia e que sua voracidade tarifária não se justifica?
Olhando para trás, confronto-me com o Porto de Paranaguá sem dinheiro em caixa, com uma dívida trabalhista de 230 milhões de reais, pagando uma das maiores demourrages dos portos brasileiros, com as vias de acesso intransitáveis, sem logística, sem lógica, transformado em “mercado spot”, na “pedra” dos mercadores. E o Paraná era afrontado por mais de duas mil reclamações internacionais, denunciando impurezas misturadas à soja exportada e roubo na balança. Hoje, o Porto de Paranaguá serve de referência para o Governo Federal suspender o programa de privatização de portos brasileiros. As contas estão saneadas. Investimos mais de 200 milhões de reais em obras e temos 330 milhões de reais em caixa para novas obras e projetos. Acabaram-se as filas de caminhões e elas subsistem apenas nas imagens de arquivo, freqüentemente utilizadas para uma e outra bobagem global. As filas desapareceram mesmo com o aumento de número de caminhões em direção ao Porto.
As reclamações em relação à qualidade e ao peso dos grãos exportadas reduziram-se a zero. A espera do navio para embarque e desembarque – a demourrage – é hoje uma das menores do País.
A receita cambial saltou de pouco mais de quatro bilhões de dólares, em 2002, para 11 bilhões e 800 milhões de dólares, em 2007. Embora Paranaguá mantenha o título de maior porto graneleiro da América Latina, ele se transformou em um porto multicargas. São os congelados, os contêineres, fertilizantes, madeira, papel e veículos. A movimentação de veículos, por exemplo, que era de 61 mil unidades, em 2002, passou a 165 mil unidades, ano passado.
Vencemos também a batalha do Porto. Olhando para trás, confronto-me com a Sanepar sob controle do sócio privado e minoritário. Investimentos congelados, a tarifa social da água, que eu criara em meu primeiro Governo, reduzida a quase nada e a maximização do lucro eleita como meta central. Afrontava o Paraná a privatização de um bem fora do comércio desde o Direito Romano. A Sanepar voltou às mãos dos paranaenses. Agora, mais de um milhão e quatrocentas mil pessoas beneficiam-se da tarifa social. Água e esgoto tratados significam saúde e todos devem ter acesso ao benefício.
De 2003 até hoje, investimos um bilhão e 750 milhões de reais na expansão do sistema estadual de saneamento. Até 2010, ultrapassaremos os dois bilhões de reais. Afora os 900 milhões de reais já garantidos pelo PAC do Governo Federal. Criamos ainda uma diretoria de Meio Ambiente, que incorporou definitivamente a questão ambiental ao saneamento básico. Um assunto não pode apartar-se de outro.
No ritmo em que a empresa está sendo tocada, até o final da década, o Paraná poderá se orgulhar de exibir os melhores índices de tratamento de água e de esgoto do País. Isso é qualidade de vida, isso é saúde, isso é respeito às pessoas.
Olhando para trás, confronto-me com professores e alunos desestimulados, com colégios agrícolas fechados, com o ensino profissionalizante negligenciado, com a falta de salas de aulas e um déficit preocupante de novas escolas. Afrontavam-nos centenas de milhares de paranaenses que não sabiam ler e escrever.
O compromisso de tratar a educação sem cavalos e com respeito está sendo cumprido.Os professores tiveram reajustes salariais de mais de 50 por cento, contra zero, nos oito anos anteriores. É o suficiente? Não. Mas estamos fazendo todo o esforço, trabalhando no limite do possível, para restabelecer a dignidade salarial e corrigir as distorções acumuladas. Plano de Cargos e Salários, capacitação continuada, concursos públicos são outras iniciativas que demonstram nosso apreço aos mestres de nossos filhos.
O Portal Dia-a-Dia Educação, cujos conteúdos vários estados brasileiros já acessam, o Livro Didático Gratuito, elaborado pelos nossos professores, a TV Paulo Freire, o Paraná Digital, os computadores em cada sala de aula, a TV Multimídia. É a tecnologia mais avançada a serviço da formação de nossas crianças e jovens.
Ações interdisciplinares de largo alcance e magníficos resultados como o FERA, Educação Com Ciência, Jogos Colegiais trazem alegria e ambiente saudável às salas de aula.
A educação profissional foi retomada, os colégios agrícolas recuperados, as escolas chegaram aos assentamentos rurais, às aldeias indígenas e às comunidades quilombolas.
E, em um esforço que está mobilizando todo o Paraná, investimos com entusiasmo na campanha de erradicação do analfabetismo. Já alfabetizamos cem mil pessoas e até 2010, com a participação de todos, poderemos declarar o Paraná livre dessa mancha. Seremos o primeiro Estado brasileiro a atingir a meta.
Paralelamente, fizemos expressivos avanços no ensino superior público estadual. De um orçamento de pouco mais de 500 milhões de reais, em 2002, aplicamos hoje em nossas universidades mais de um bilhão e cem milhões de reais. Ampliamos os cursos de graduação e pós-graduação; aumentamos o número de matrículas; fizemos concursos públicos para a admissão de mais professores; reestruturamos o plano de cargos e salários dos agentes universitários e regularizamos situações funcionais há anos anômalas.
E, agora, começamos a pôr em prática outro magnífico programa, a “Universidade sem Fronteiras”, inserindo de forma ativa as nossas escolas de ensino superior na vida dos paranaenses.
Hoje, as nossas universidades e faculdades públicas obtêm, seguidamente, avaliações exemplares em exames nacionais feitos pelo Ministério da Educação.
Olhando para trás, confrontava-me com bons programas na agricultura, continuidade de iniciativas de tantos governos, como o “Paraná 12 Meses”, a “Fábrica do Agricultor”, mas ainda insuficientes para fortalecer a agricultura familiar e a pequena agricultura. Afrontava-nos a sangria contínua do número de pequenas propriedades agrícolas, empurrando a cada ano milhares de paranaenses para as cidades, inchando-as de novos excluídos.
Desde 2003, a nossa política agrícola direciona as ações para a agricultura familiar e para a pequena agricultura.
O agro-negócio vai muito bem e tem pernas robustas para caminhar.
Criamos o “Fundo de Aval”, para garantir a inclusão dos pequenos agricultores nos programas de financiamento à produção. É um instrumento inédito em nosso País e acaba de vez com aquele drama do pequeno não poder tomar emprestado porque não tinha garantias. O Estado do Paraná é o avalista.
O Paraná prioriza agora ações como o abastecimento de água, equipamentos básicos para modernizar a bovinocultura leiteira e projetos de infra-estrutura. Estamos aplicando 165 milhões de reais nessa frente. A “Fábrica do Agricultor” foi ampliada e dinamizada. Hoje, isentos de impostos, os produtos da “Fábrica” ganham as prateleiras dos nossos supermercados. E as feiras, realizadas em todos os cantos do Paraná com esses produtos, são um sucesso.
A pequena pecuária leiteira e os pequenos e médios laticínios receberam um impulso poderoso com o programa “Leite das Crianças”. Em uma ponta, 175 mil crianças alimentadas com um litro de leite por dia e sendo salvas da desnutrição; na outra ponta, mais de dez mil produtores e quase uma centena de laticínios com renda garantida. O programa “Trator Solidário” é um outro notável sucesso. Até o final do mês passado, 400 tratores já haviam sido faturados. Até agosto, chegaremos a dois mil tratores. É a modernização da pequena agricultura, é a libertação dos métodos primitivos e rústicos de amanho à terra.
Esses tratores têm um desconto de até 35 por cento em relação ao preço de mercado. Melhor ainda: o Governo garante o financiamento com a equivalência em produto, no caso, o milho. O preço do milho é a moeda de pagamento. Dois mil tratores até agosto, estima-se. Pergunto aos que estão preocupados com novas fábricas: quanto isso significa em empregos, em renda, em impostos, em fornecimentos e serviços?
O programa “Irrigação Noturna” também avança. A irrigação é hoje um dos insumos básicos para o aumento da produção e da produtividade. Visitei recentemente propriedades que estão no programa. Eu vi o milagre.
Estímulo à cafeicultura, com a volta do Paraná ao primeiro plano na produção de cafés de altíssima qualidade, fruticultura, sericicultura, plantação de oleaginosas para a produção de biodiesel, estimulando a pequena agricultura a gerar sua própria energia, são outros programas em desenvolvimento. Pois bem, senhoras e senhores deputados, pela primeira vez em décadas, o Paraná deixou de perder pequenas propriedades. E pequenas cidades do interior, em processo contínuo de esvaziamento, deixaram de perder habitantes. O conjunto de ações que enumerei está dando resultado.
Olhando para trás, confronto-me com ambulâncias transportando doentes para a capital e outras grandes cidades, por falta de assistência médica nos locais de origem. Afrontava o paranaense o pouco caso com a atenção básica à saúde, o descaso com a assistência à saúde da mulher e da criança, e a falta de apoio aos hospitais municipais e regionais.
Resolvemos todos os problemas? Não. Mas avançamos significativamente. A regionalização da assistência à saúde é uma forte realidade. Repassamos, anualmente, 24 milhões de reais para 21 hospitais estrategicamente distribuídos pelo Estado e damos sustentação para 19 Consórcios Regionais de Saúde, para que ampliem o número de consultas e exames especializados.
Quanto à atenção básica, aumentamos em 42 por cento o número das equipes do programa Saúde da Família, o médico da família.
Já construímos 63 Centros da Saúde da Mulher e da Criança, unidades de atenção integral para reduzir a mortalidade materno-infantil e cuidar com desvelo mães e filhos. Até o mês que vem, vamos licitar a construção de mais 70 centros como esses.Para melhorar o atendimento avançado, aumentamos em 46 por cento o número de leitos nas UTIs.
A regionalização da saúde, para atender o paranaense lá onde ele mora, completa-se com a construção, reforma e ampliação de 24 hospitais, um investimento de mais de cem milhões de reais.Olhando para trás, confronto-me com o avanço acelerado e celerado da destruição do meio ambiente. Afrontavam-nos muita firula e pouca ação. Que a fábrica de automóvel em área de mananciais não nos deixe mentir.
Não existe como conciliar: ou radicalizamos políticas e ações em defesa do meio ambiente ou logo aí na esquina vamos nos deparar com o desastre. Neste verão, ainda mais uma vez, vimos as conseqüências da agressão ao mar.Estamos fazendo a nossa parte. Nos últimos anos, investimos mais de 200 milhões de reais para proteger o meio ambiente paranaense, incluindo aqui ações de preservação de florestas, dos recursos hídricos e atmosféricos e educação ambiental.
Com a criação da Força Verde, intensificamos a fiscalização do patrimônio natural dos paranaenses. E um dos maiores avanços foi a redução em 88 por cento do desmate da Mata Atlântica. Queremos mais, queremos e vamos chegar a 100 por cento.
Dobramos a quantidade de áreas protegidas. Temos hoje mais de um milhão e trezentos mil hectares preservados, parques e reservas estaduais. E posso dizer com justo orgulho: 90 por cento dessa área tornou-se protegida em minhas gestões. A área do Parque Marumbi, por exemplo, foi ampliada em quatro vezes, no ano passado.
Estamos incentivando cada vez mais a visitação às áreas protegidas. Desse contato com a natureza estimula-se a consciência preservacionista. Hoje são 26 áreas, abertas à população.
Olhando para trás, confronto-me com contratos milionários na área de informática. Afrontavam as nossas então combalidas finanças estaduais convênios de 450 milhões de reais, absolutamente injustificados e desnecessários. Sob uma grita ensurdecedora, cancelamos os contratos, especialmente os da Secretaria da Saúde e do Detran. Na imprensa, anunciavam o bug do milênio, dizendo que todo o sistema de marcação de consultas, de agendamento de procedimentos médicos entraria em pane. Assim como todo o conjunto do trabalho do Detran. Cancelamos os contratos, e o bug fez “puff”.
Agora, onde tem Governo tem Celepar, empresa pública de informática que, como as outras empresa públicas estaduais, havia sido fortemente atingida pela onda privatista, restando sucateada, ultrapassada.Com a recuperação e saneamento da empresa, temos hoje independência tecnológica e serviços de qualidade para o Governo e para os cidadãos.
A revolução da informática pública paranaense começou com a opção pelo “software livre”, trazendo extraordinária economia de recursos públicos e abrindo condições para a modernização da Celepar. Com o Programa “Inclusão Digital”, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, a Celepar implantou 120 telecentros, especialmente em regiões de baixo IDH, tornando possível o acesso de milhares de pessoas à internet e à informática.
Olhando para trás, confronto-me com totens, desses que a gente via em gibis do Batman, substituindo policiais em praças e ruas de Curitiba e outras grandes cidades. Afrontavam os paranaenses as graves denúncias de envolvimento da cúpula policial com o crime organizado.
É dura, muito difícil a batalha da segurança pública. Talvez seja a mais complexa de todas as áreas da administração pública estadual. Mesmo porque nenhuma outra reflete tão direta e fortemente as condições sociais e econômicas de nosso País. No entanto, é inegável que, também aqui, avançamos. A idéia básica é a Polícia Comunitária, um novo conceito de policiamento. A polícia mais próxima das pessoas, integrada às áreas onde elas moram e trabalham. Nesse sentido, são três frentes de atuação: o Projeto Povo, a Patrulha Escolar e os Conselhos Comunitários de Segurança. O Projeto Povo é a síntese por excelência da polícia comunitária. É a interação completa do policial com a população. Sempre os mesmos policiais, conhecidos e reconhecidos, patrulhando as ruas dos bairros com carros, motos e munidos de celulares e rádio. Hoje, o Projeto Povo já está nas principais cidades do Estado.
Para apoiar o Projeto Povo, foram criados os Conselhos Comunitários de Segurança, dirigidos por pessoas da própria comunidade. Mensalmente, moradores e policiais se reúnem para debater a segurança dos bairros.
No reinício das aulas, uma ótima notícia aos paranaenses: o programa Patrulha Escolar Comunitária vai estar atuante em todos os nossos 399 municípios. A Patrulha é um outro caso de sucesso e que caiu no agrado de todos. Hoje, nossas escolas e nossas crianças estão mais protegidas, contra a violência e as drogas. A Patrulha tem ajudado também a combater a evasão escolar.
Investimos na capacitação de nossos policiais, reajustamos os salários, promovemos o maior aumento de efetivo das últimas décadas, renovamos a frota e os armamentos, fixamos um seguro de vida de bom valor, lembrando que no governo anterior o policial não tinha seguro de vida.
Obtivemos êxitos consideráveis no combate ao crime organizado, com a criação do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos, o Nurce, e o Núcleo de Repressão ao Tráfico de Drogas. O Nurce já desmantelou quadrilhas responsáveis por rombos de mais de um bilhão de reais. O Serviço 181 tem se mostrado um grande aliado das ações de combate ao tráfico de drogas. Essa integração polícia-população já tirou das ruas toneladas de drogas e centenas de traficantes. O Geoprocessamento, o Mapa do Crime, tem se revelado uma arma preciosa no combate à delinqüência. E a modernização do Instituto de Identificação é mais um instrumento eficaz a serviço da segurança dos paranaenses.Para dar mais segurança aos nossos agricultores, estamos implantando a Patrulha Rural, com veículos e motos potentes fazendo a ronda no campo.
Quando assumi, em 2003, vivíamos a grave crise da superlotação de penitenciárias e cadeias. Construímos 11 novas penitenciárias, dobramos o número de vagas, imaginando que, assim, teríamos o problema resolvido pelas próximas décadas.
Não foi bem assim. Todas as vagas já foram ocupadas e autorizei a construção de mais três penitenciárias. De seis mil e 500 vagas, em 2003, vamos chegar a 17 mil novas vagas até o final deste ano. Isso dá bem a idéia do rápido avanço da violência, da criminalidade em nosso País.Novas penitenciárias, contratação de novos agentes, um intenso trabalho de profissionalização, escolarização e recuperação dos detentos, segurança e rigor. Fazemos bem a nossa parte.
Olhando para trás, confronto-me com municípios esvaziando-se, empobrecendo-se, sem perspectivas. Afrontava-nos saber que apenas 28 municípios, dos 399, tinham plano diretor e algum grau de planejamento de suas vidas, para que o dinheiro investido não se esvaísse pelo ralo do imediatismo e da ineficiência.
Hoje, 332 municípios ou já concluíram ou estão fazendo seus planos diretores. Sem plano diretor, não há como passar recursos. Isso está sendo uma verdadeira revolução em todo o Paraná. Agora se planeja, pensa-se a vida do município, projeta-se seu crescimento, buscam-se alternativas para o desenvolvimento. Agora, sabemos onde, para que será investido o dinheiro repassado.Ao mesmo tempo, elaboramos os Planos Regionais de Desenvolvimento Estratégico, bases para a sistematização da Política de Desenvolvimento do Estado. Quer dizer, hoje, no Paraná, nada se faz sem planejamento, foram-se os tempos da improvisação, do voluntarismo, da distribuição anárquica de recursos. Iniciativas como a Conferência Estadual das Cidades, o Programa de Estudos Avançados para Líderes Públicos e o Programa de Qualificação de Servidores Públicos completam esse esforço de pensar, planejar, transformar os nossos municípios.
Nesses últimos cinco anos, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano/Paranacidade já investiu mais de um bilhão de reais em obras e ações de infra-estrutura. São obras e ações com um norte certo: melhorar a vida lá onde as pessoas nascem, crescem, se casam, formam sua família, arquitetam planos de vida. Afinal, ninguém deve ser obrigado a romper com suas raízes por falta de condições de viver bem em sua cidade, em seu município.
Olhando para trás, vejo o descaso com que eram tratados os que tinham a ousadia de empreender, de montar seu próprio negócio, de progredir. Afrontavam-nos as tantas benesses a quem não precisava e o desamparo dos nossos.
Além da isenção e redução de imposto para os pequenos empresários, abrimos uma linha de crédito para quem quiser começar um negócio ou ampliar o já existente. É o Programa do Micro Crédito, para o qual, inicialmente, destinamos 40 milhões de reais.
Vamos concentrar esse programa em 127 municípios paranaenses de menor IDH. São empréstimos entre 300 reais a 10 mil reais, com juros quase que simbólicos e carência para se pagar. Nossa gente tem iniciativa, é trabalhadora, quer avançar. Estamos dando recursos para isso.
Mais ainda, para impulsionar o desenvolvimento desses 127 municípios mais pobres do nosso Estado, estamos contratando um investimento de 50 milhões de dólares do Banco Mundial. Serão desenvolvidas inúmeras ações para elevar o nível de vida da população dessa área do centro do nosso Estado e do Vale do Ribeira.
Olhando para trás, confronto-me com milhares de pessoas chegando a Curitiba, fugindo do interior, na esperança de uma vida melhor. Afrontavam-nos a propaganda enganosa, prometendo 470 mil empregos na região da capital, com a vinda das montadoras.
E as pessoas vieram. Aos milhares, fixando em áreas de mananciais, de risco, favelizando-se.Hoje, desenvolvemos no bairro de Guarituba, em Piraquara, o maior programa de regularização de moradias, de desfavelização e de proteção de mananciais do País. Lá moram 45 mil pessoas, em cima do manancial que fornece 75 por cento da água que abastece Curitiba e a Região Metropolitana.
Ainda na Região Metropolitana de Curitiba, estamos desfavelizando a Vila Zumbi, outra ocupação de risco e irregular que hoje se transforma em um agradável bairro.
Desde 2003, já construímos 18 mil moradias, em 385 municípios paranaenses. Só neste 2008, vamos construir mais oito mil. São habitações para pequenos agricultores, para pescadores, em assentamentos, em aldeias indígenas e comunidades quilombolas.
São boas casas, construídas com capricho e com o coração e cujas prestações cabem perfeitamente no orçamento de nossos trabalhadores.
Olhando para trás, vejo aqui em frente um horroroso esqueleto de um prédio público inacabado e, um pouco adiante, uma velha penitenciária plantada em um dos bairros mais tradicionais da capital. Afrontavam a todos tão evidentes descasos.
Hoje, o Palácio Araucária é a sede do Governo do Paraná e a Penitenciária do Ahu foi desmobilizada e lá será erguido o Centro Judiciário de Curitiba.
A Secretaria de Obras administra atualmente 752 obras públicas, por todo o Estado, com investimentos de 353 milhões de reais. Já investimos outros 500 milhões de reais na construção de escolas, hospitais, centros de saúde, centros de sócioeducação, reformas e melhorias.
Olhando para trás, vejo o funcionalismo público estadual desestimulado, depois de quase uma década de salários defasados, sem plano de carreira ou planos desatualizados, sem programas de capacitação profissional. Afrontavam-nos o ataque neoliberal ao Estado e a destruição de toda a sua estrutura.
Nunca se investiu tanto no funcionalismo público estadual como nesses cinco anos. Foi um longo, difícil, árduo trabalho de reconstrução. Todas as categorias tiveram reajustes salariais; as carreiras foram reformuladas; um amplo programa de cursos de capacitação em Gestão Pública foi implantado, inclusive em nível de pós-graduação.
É o melhor dos mundos? Ainda não, mas o trabalho de reconstrução continua. O importante é dotar o Estado de um corpo permanente, estável de servidores altamente preparados para bem servir os paranaenses. Hoje, tenho orgulho dos nossos servidores.Olhando para trás, confrontava-me com cidadãos absolutamente desamparados pelos serviços estatais. Sem carteira de identidade, de trabalho, certidões de nascimento. Afrontava-nos essa distância do Estado de seus cidadãos.
O programa “Paraná em Ação” é hoje a maior e a mais bem organizada feira de serviços gratuitos do País. Já demos mais de três milhões de atendimentos, beneficiando mais de um milhão de paranaenses. Com emissão de identidade, carteira de trabalho, CPF, certidão de nascimento, casamentos, exames de saúde, encaminhamento de solicitações e pendências junto a órgãos públicos. Enfim, respeito pelo cidadão.
E o cidadão paranaense tem agora o seu próprio canal direto para reclamar, denunciar, fazer consultas. E o Estado conta com um órgão especializado para fiscalizar todas as suas ações. É a Corregedoria, Ouvidoria Geral. Nesses cinco anos, ela já fez perto de 60 mil atendimentos e realizou centenas de auditorias e investigações.
Paralelamente, o sistema de controle interno de todo o complexo do serviço público estadual está em pleno funcionamento.
Também na área da cultura registramos avanços. O Museu Oscar Niemeyer colocou definitivamente o Paraná no mapa das grandes exposições, nacionais e internacionais, no Brasil. O circuito das artes plásticas, antes quase que circunscrito ao tal eixo Rio-São Paulo, tem agora uma parada obrigatória em nosso Estado. Nesse período, foram 111 mostras oficiais nacionais e internacionais e 118 mostras paralelas, levando ao Museu centenas de milhares de visitantes.
O Teatro Guaíra vibra novamente com óperas, com as audições de nossa maravilhosa Orquestra Sinfônica, com o tão admirado e competente Balé, com festivais e ótimos espetáculos.
Só no ano passado, as 822 apresentações realizadas nos quatro auditórios do Guaíra receberam um público de 382 mil pessoas. Uma maravilha.
A Secretaria da Cultura descentraliza suas atividades e alcança agora todo o Paraná, integra-se com os nossos vizinhos do Mercosul. O Programa “Biblioteca Cidadã” já instalou cem unidades, com acervos de 2 mil livros, acesso à internet, televisões, vídeos e dvds. E a meta é: um a biblioteca por município.
Olhando para trás, vejo minguarem os investimentos públicos, desmontar-se o sistema de planejamento estatal, triunfar a privatização. Afrontava-nos a exclusão do cidadão das preocupações e atenções do Estado.
Nesses cinco anos, recuperamos a capacidade do Estado pensar e planejar as suas ações. Hoje, temos uma Política de Desenvolvimento Econômico com começo, meio e fim. Sabemos onde estamos e para onde caminhamos. Até 2010, a PDE, o PAC do Paraná, vai investir 18 bilhões de reais. A prioridade são os mais pobres, os excluídos, as regiões com menor IDH. Somados aos nossos 18 bilhões os 11 bilhões de reais de investimentos previstos pelo PAC federal, os recursos totalizam a magnífica soma de 30 bilhões de reais.
Esses investimentos, todos eles pensados, planejados, vão transformar a economia do Paraná, trazendo desenvolvimento econômico, melhorando a vida das pessoas, tornando o Paraná um lugar melhor e mais justo de se viver. Ainda assim, eu tenho que ouvir em nossas manhãs radiofônicas alguns caudalosos e outros ciciantes comentaristas dizerem que faltam investimentos, que não se planeja, que o Governo está paralisado. Meu Deus, quanto desperdício de saliva.
Senhoras e senhores deputados.Talvez tenha sido longa – certamente não tediosa – a prestação de contas desses cinco anos que nos foram dados a governar o Paraná. Como disse e repeti, não vivemos no melhor dos mundos. Há muito ainda que andar. No entanto, nos limites de nossas possibilidades e responsabilidades temos avançado. E as perspectivas para os próximos três anos são as melhores possíveis. Com a ajuda de todos, o Paraná haverá de vencer. Não poderia terminar sem que me referisse a alguns assuntos que mobilizaram a oposição e parte da imprensa, recentemente. O meu Governo foi acusado, aqui neste plenário, de ter gasto 120 mil reais para comemorar o reveillon em uma pousada. Estou repetindo textualmente a acusação. A imprensa, especialmente nossas manhãs radiofônicas, deram enorme repercussão à tal denúncia.
Qual a verdade? Leitura equivocada do sítio Gestão do Dinheiro Público. Aquela quantia era o total reservado para o gasto com alimentação e hospedagem de funcionários para o ano de 2007. Pousada, no caso, era sinônimo de hospedagem. É claro que o desmentido não teve o mesmo espaço e eco da mentira.Ganhou também enorme repercussão uma matéria, também baseada no sítio Gestão do Dinheiro Público, dizendo que o meu gabinete consumira, ano passado, 69 milhões de reais. E entre os exemplos de gastos abusivos, estava a confecção de uma bolsa de couro, que teria custado 21 mil reais.
A matéria foi muito elogiada, como belo exemplo de esforço de reportagem , um grande furo. O autor da matéria, incensado, saudado.
A verdade: dos 69 milhões, 49 milhões eram repasses para a construção de casas populares; e a tal “bolsa de couro” também era uma mentira. Na verdade, tratava-se de recurso para a confecção de centenas de carteiras funcionais para nossos servidores.
Feitos os esclarecimentos, nenhum espaço para a verdade que acabou escondida em notas de pé de página.
Citei esses exemplos, mas são centenas de exemplos. Não se filtram as informações, não se checam os dados. Publica-se tudo. Nihil obstat.
Conta-se que um juiz deu como punição para um caluniador espalhar uma grande quantidade de penas, do alto de uma torre, em um dia de muito vento. Sem entender muito a intenção do juiz, o caluniador fez o determinado e voltou para falar com o magistrado, que ordenou: “Vá agora e recolha pena por pena”. O caluniador disse que aquilo era impossível, que as penas haviam se espalhado por todo canto. Disse-lhe o juiz: “Assim são as suas calúnias, depois de espalhadas não há como desfazê-las”.
Pois é, ainda há quem queira me impedir de falar pela televisão do Estado. E outros chegam ao absurdo de tentar impedir que o Governo divulgue suas ações, comunique-se com a população, preste contas do que faz.
A mentira, a calúnia, a difamação, esse agredir contínuo, sem tréguas, isso pode. Essa linguagem ofensiva, grosseira, isso pode. Esse desrespeito ao governador, isso pode.
Senhoras e senhores deputados, vamos em frente, vamos continuar trabalhando, que os paranaenses que nos elegeram esperam muito de nós. E da mesma forma que nas legislaturas anteriores, manteremos um relacionamento harmonioso, saudável e produtivo.
ROBERTO REQUIÃO
Governador do Paraná

fevereiro 11, 2008

Privatização da CESP: Mais um crime na interminável lista de malfeitos dos tucanos do Demo.

A luz que falta
Enquanto outros estados continuam investindo na geração de energia num momento delicado e estratégico para o crescimento do país, São Paulo tem engatilhada uma megaprivatização
Por Lílian Parise
Revista do Brasil
Edição 21 – Fevereiro de 2008
Julho de 1996. Em sessão durante a madrugada, a base de apoio do governo tucano na Assembléia Legislativa de São Paulo aprova a Lei nº 9.361, que institui o Programa Estadual de Desestatização (PED). O programa prevê a divisão das três concessionárias de energia (Cesp, Eletropaulo e CPFL) em mais de 20 empresas, a pretexto de ampliar o número de interessados em assumir o negócio e “induzir a competição”.
O PED paulista é cria de uma resolução formulada um ano antes. Em 25 de abril de 1995 fora anunciada pelos ministros Raimundo Brito (Minas e Energia) e José Serra (Planejamento) a decisão do Conselho Nacional de Desestatização de incluir o Sistema Eletrobrás na rota das privatizações. Nenhum estado segue tão à risca como São Paulo o projeto “Estado mínimo” conduzido durante a era FHC. Para especialistas, acadêmicos, sindicalistas e trabalhadores do setor foi o começo da privataria que provocaria aumento de tarifas, desemprego de profissionais especializados, queda da qualidade dos serviços – e, como se pode notar, em nada “induziu a competição”.
Fevereiro de 2008. José Serra já não está na “cabeça” do programa federal de desestatizações, mas no governo de São Paulo. E retoma com vigor o projeto de privatizar o que restou do patrimônio energético paulista – a Cesp, terceira maior geradora do Brasil, responsável por 63% da energia produzida em São Paulo e por 10% da geração nacional. São 7,5 megawatts gerados por seis usinas hidrelétricas dos rios Paraná, Tietê e Paraíba do Sul.
A Cesp foi fatiada em três empresas. Duas passaram ao controle de investidores de capital norte-americano em 1999 e se transformaram nas atuais AES Tietê (que controla outras usinas no rio) e Duke Energy (que opera usinas no Rio Paranapanema). E estão sendo denunciadas em ação popular por não cumprirem os contratos que as obrigavam a expandir a capacidade instalada do seu sistema de geração em no mínimo 15% em oito anos. A ação responsabiliza também a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o governo estadual, por não exercerem seu dever de fiscalizar. A terceira fatia da Cesp, a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), havia sido excluída da lista de privatizações pela lei que criou o PED.
Todas as dívidas da antiga Cesp, mais de R$ 10 bilhões, permaneceram com o que restou de seu comando estatal. Depois de duas tentativas frustradas de venda e do desgaste sofrido durante a última campanha presidencial, o ex-governador Alckmin deixou para Serra a continuação do serviço. Antes, alterou a lei que criou o PED e incluiu a CTEEP – única e rentável empresa de transmissão paulista, comprada pela estatal colombiana ISA em 2006. O dinheiro arrecadado foi injetado para sanear o mico da Cesp e voltar a atrair compradores.

Serra tem engatilhada uma megaprivatização, anunciada em outubro, com 18 estatais na mira, incluindo a Sabesp, a Nossa Caixa e o Metrô. Candidato, o tucano reconhecia a importância estratégica das empresas públicas. Eleito, apressa-se em vendê-las para distanciar o desgaste da eleição presidencial de 2010. No apagar das luzes de 2007, anunciou nos grandes jornais que está tudo pronto para a venda da Cesp. Será a terceira tentativa de leilão dos 95,31% das ações ordinárias (com direito a voto) e dos 17,99% das preferenciais sob controle do estado, o que representa 43,31% do capital total da companhia. Duas fracassaram. A primeira, em 2000, por falta de interesse da iniciativa privada diante da dívida. Outro leilão, em 2001, não andou devido ao “apagão”.
Uma liminar concedida em ação popular movida por parlamentares e por dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de SP (Sinergia) também impediu a realização do leilão. A decisão da Justiça Federal, que julgou o mérito da ação popular, saiu em meados do ano passado e reconheceu a ilegalidade do preço mínimo do edital de venda, então de R$ 1,7 bilhão. Se o leilão tivesse ocorrido, depois de seis anos a decisão da Justiça tornaria sem efeito todo o processo.
Artur Henrique da Silva Santos, dirigente do Sinergia e presidente da CUT, relembra que, se o fracasso aconteceu, não foi por falta de aviso: “Alertamos que o mais sensato seria suspender qualquer privatização. Se o capital privado quer investir no setor, que invista na expansão da oferta de energia. Aliás, o problema crônico de falta de investimentos alimenta o temor de crise e de novos apagões”.
Para Ildo Sauer, professor titular do Instituto de Energia e Eletrotécnica da Universidade de São Paulo, privatizar a Cesp agora continua sendo um equívoco: “Por motivos estratégicos e históricos, pois a energia volta à cena em situação delicada”. Sauer destaca o vínculo da Cesp com o uso múltiplo das águas, irrigação, saneamento e transporte fluvial da hidrovia Tietê/Paraná. “Não é admissível que o estado abra mão dessa capacidade de fomentar o desenvolvimento. Ainda há tempo para voltar atrás, adotando a mesma postura dos governos do Paraná e de Minas, que continuam participando do esforço para garantir a energia elétrica para o Brasil.”
Mesmo sem ter definições importantes, como cronograma de venda, o governo deu início aos trâmites legais para a privatização. A audiência pública obrigatória para prestar esclarecimentos à sociedade ocorreu em 15 de janeiro, na Bolsa de Valores de São Paulo. As respostas aos questionamentos variaram entre “ainda não há definição” e “estamos estudando”. Entre as regras definidas, continuam valendo a possibilidade de participação de estatais estrangeiras e a proibição para estatais locais. O governo desistiu de exigir o compromisso de ampliação da capacidade de geração em 15% em oito anos e abriu mão da golden share, ação especial que lhe daria direito de continuar participando de decisões depois de eventual venda. Com o edital publicado logo após o Carnaval, o leilão pode acontecer a partir do dia 20 de fevereiro. O lance mínimo, ainda indefinido, é estimado em R$ 5 bilhões.

A falta de informações frustrou eventuais compradores, jornalistas e sindicalistas. “Se estivesse presente à audiência, a população certamente sairia com muitas dúvidas. Justo ela, a verdadeira dona desse patrimônio e que será a maior prejudicada”, diz Gentil Teixeira de Freitas (foto), funcionário da Cesp e secretário-geral do Sinergia. Os trabalhadores, que conquistaram algumas garantias em privatizações anteriores, convivem com a insegurança. No dia da audiência, protestaram diante da Bovespa e com paralisações nas usinas de Ilha Solteira, Porto Primavera e Jupiá. “A resistência pode chegar até uma greve por tempo indeterminado”, avisa Gentil. A categoria quer manutenção de direitos e um acordo coletivo por três anos. “Seria uma garantia mínima de proteção em caso de mudança de controle da empresa.”

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