ENCALHE

junho 24, 2009

Só o cigarro? Há muito o que proibir, creiam.

Não tenho o menor motivo para simpatizar com os fumantes que serão atingidos pela lei anti-tabaco do José Serra. Mas, dado que me parece uma – perdõe-me, por favor – “cortina de fumaça” para esconder o péssimo governo tucano, então estou com vocês, meus caros bodes expiatórios.
Entrementes, falando em “poluição” e “qualidade de vida”, se tivesse possibilidade de sugerir ao estimado governador, pediria que ele penssse seriamente em combater, sem fraquejar, um outro tipo de poluição que, no meu dicionário, também figura nos verbetes “agressão” e “violência”: a poluição sonora, mais especificamente as provenientes de escapamentos de motos e carros.
Sabemos que é quase impossível um motor ou um construto mecânico funcionar sem emitir ruídos, certo? Mas isso não quer dizer que devamos aceitar as agressões cotidianas que sofremos de indivíduos com problemas de auto-estima. No meu entender, um escapamento “aberto” ou motor “mexido”, que não contribuam com a “performance” do veículo [ isso me leva a outra questão ], são preparados apenas para fazer barulho. Só que, até onde sei, mesmo um entusiasta de automobilismo, por exemplo, sabe reconhecer quando está diante de barulho puro e simples. E, não deve gostar de ficar exposto a isso. Pois então, a questão: por quê alguém abriria um escapamento de moto para que o ruído proveniente seja apenas “mais alto” ou “tenha um nível de decibéis mais alto” que o motor quando sai da fábrica? Qual a finalidade?
Da mesma forma que existe a “comunicação não-verbal” numa conversa ( gestos inconscientes, por exemplo ), deve haver aí, na questão dos motores, uma “mensagem” para os outros, mensagem esta “dita” pelo dono do veículo, na forma de um escapamento barulhento e – por quê não – agressivo?
Não sei se servirá de exemplo: pensem no mundo animal, nas suas maiores e bestiais feras, e pensem em seus rugidos. Qual a função dos gritos, roncos e rugidos neste ambiente? Um som alto adverte os predadores? Um rugido potente avisa as demais espécies que há no pedaço um animal mais forte, maior, mais bestial e todos o outros deverão respeitá-lo e se submeter a ele?
Acho que esse é o princípio da coisa. Estes sujeitos estão nos “avisando” de que chegaram e estão bravos.
Mas isso é problema destes complexados, não nosso. Nosso papel é querer que esse barulho desnecessário desapareça. E o papel das autoridades constituídas é dar um jeito de acabar com isso. Só que essas autoridades sabem que estão lidando com bebês e crianças birrentas disfarçadas de cidadãos eleitores. Assim, não mexerão com os brinquedos destes eleitores, que continuarão perturbando o pacífico cidadão que deseja apenas um pouco mais de sossego ao seus tímpanos, numa cidade muitas vezes desnecessariamente barulhenta.
Eu também seria a favor de pedágios urbanos, não fosse o fato de que a tucanalha usaria a proposta de redução de automóveis em circulação como desculpa para colocar em prática objetivos menos nobres: a implantação de pedágios seria feita pela Prefeitura, mas depois a cobrança seria entregue à iniciativa privada, e haveria, no fim das contas, uma espécie de classe especial de motoristas, com capacidade de pagar os pedágios e bastante espaço para continuarem circulando, em um trecho exclusivo de cidade, dada a eles de bandeja. Portanto, no momento, sou contra.
Para terminar, há uma lei municipal em São Paulo, que data de 1965, proibindo o uso de aparelhos sonoros no interior dos ônibus urbanos. Com o advento do MP3, do celular e do “cada um, cada um”, muita gente desafia abertamente esta proibição, obrigando os demais passageiros a ouvir músicas ( nem sempre ) a contragosto.
Não sei que tipo de “aparelho sonoro” as pessoas poderiam levar consigo dentro de um ônibus, em 1965 ( em casa eu tinha um rádio de válvula, cujo gabinete era de madeira. Era enorme. ), mas parece que a lei tornou-se um ancronismo. E acabou criando uma classe privilegiada, cuja maior característica é a cara-de-pau e o desprezo pelo próximo.
Então, eu podeia sugerir o seguinte: da mesma maneira que o governo estadual recrutou “agentes” que terão a função de fiscalizar os estabelecimentos, para que a lei anti-tabaco seja cumprida, o mesmo deveria ser feito pela municipalidade, destacando agentes que zelariam pelo silêncio nos ônibus. Ou então, a Prefeitura manda para a Câmara Municipal a proposta de extinção da lei proibidora. Assim, qualquer um poderá escutar o som que desejar no busão, sabendo que não estará infringindo nenhuma lei, que não estará obrigando os demais passageiros a escutarem apenas o que ele quiser e, sobretudo, não estará fazendo papel de otário por respeitar uma lei razoável.
A música que eu sempre vou escutar dentro do busão, quando a lei cair, será L.A. Blues, dos STOOGES.

fevereiro 6, 2009

Jaz São Paulo: Sindicato de motoristas suspeita de que as empresas estão deixando os ônibus nas garagens, colocando menos carros nas ruas.

Essa daqui saiu hoje na coluna TRÂNSITO LIVRE do Diário de São Paulo, coluna assinada por Gabriel Batista:
“MENOS ÔNIBUS NAS RUAS
O SINDICATO dos condutores de ônibus da Capital ( Sindmotoristas ) vai fazer visitas às garagens das empresas, a partir da semana que vem para verificar se as viações estão reduzindo a frota em circulação. A entidade apura se os empresários estão colocando menos coletivos nas ruas para economizar por causa da crise econômica [ sic ].”
Bom, eu fui até o site deste sindicato e não vi nada a respeito. Agora, por quê eu coloquei “sic” ali? É que eu percebo uma tendência de se usar a expressão “por causa [ ou 'devido a' ] da crise econômica” em toda e qualquer situação, não importando se tem algo a ver, diretamente. Oras, que os empresários de ônibus em São Paulo são um bando de { PIIIIIII… } que a Marta se ferrou para fazê-los entrar na linha, isso não tem porr****a nenhuma a ver com a crise. Será possível que os sindicalistas tiveram o seguinte diálogo:
- Aí, companheiros, vamos sair à ruas e visitar as garagens das empresas para conferir se elas estão colocando menos carros nas ruas por causa da crise econômica!!
Percebam: apesar de não ser de meu conhecimento, se os donos de empresas ( talvez nem devesse estar no plural ) TIRAM carros de circulação, não importa se é por causa da crise, já que ele fizeram ( e fazem, vamos reconhecer ) isso tantas vezes sob outras desculpas.
Além disso, e os tais subsídios bilionários que a Prefeitura tem pago às empresas ( eventualmente assessoradas, como já mostrei neste blog, por um irmão do próprio Kassab )? Sem contar que deve haver um contrato entre Prefeitura e empresas, e é razoável supor não haver a existência de qualquer cláusula tipo: “Em caso de crise econômica mundial, pânico nas Bolsas, Bailout e marolinha, os signatários [ doravante denominados "Empresas" ] poderão deixar os veículos nas garagens sem perda de quaisquer receitas.”
E para finalizar: desde quando isso é tarefa de algum sindicato? Pra que serve a SPTrans?
Para finalizar II: De repente surgem denúncias de fraudes nas catracas eletrônicas. Pelos jornais, que li de relance, a citada SPTrans disse que “não é seu problema” e quem estaria perdendo são as empresas. Ué…

dezembro 11, 2008

Ex-prefeito de Bogotá: "Numa cidade avançada, os ricos usam o transporte público"

Essa aqui merece ser emoldurada. Vejam que o ex-prefeito de Bogotá faz suas considerações sem deixar de fora outros aspectos do cotidiano dos moradores das cidades, como o “convívio” nos shopping centers, a ocupação dos espaços, ou a qualidade das calçadas. Didaticamente, ele mostra aquilo que é muito óbvio, e destaco uma idéia: ao construír novas vias, ou túneis e fazer reformas [ cosméticos, na verdade ] , o administrador apenas faz as coisas melhorarem por um tempo, mas depois aqueles locais “chamam” as pessoas, que passam a ocupar ali também, com seus carros. Quanto aos ricos daqui passarem a utilizar o transporte público, não vejo ser possível mas, da mesma forma com a escola pública, seria ótimo que a classe-média passasse a frequentá-lo voluntária e efetivamente, forçando os governos a investir e dedicar esforços de verdade e cada vez mais. Mas, a realidade sombria: enquanto nos EUA a venda de utilitários tipo SUV decaía, adivinhem quem estava adquirindo-os, orgulhosamente: “Caminhão é transporte coletivo” , Candido Malta [ ler até o final ].
Numa cidade avançada, ricos usam o transporte público”
Folha de S.Paulo
08/12/2008
Para ex-prefeito de Bogotá, é preciso restringir o uso dos carros para melhorar trânsito
A única forma de reduzir os congestionamentos é restringir o uso do carro. Para Enrique Peñalosa, prefeito de Bogotá de 1998 a 2001 e responsável por iniciar a implantação do Transmilênio, sistema de ônibus rápido, nenhum transporte público resolve o problema do trânsito se os carros não forem retirados das ruas. Em São Paulo para o Urban Age, conferência internacional sobre urbanismo que acabou ontem, Penãlosa, que hoje atua como consultor, falou à Folha sobre a importância de uma boa calçada e de um transporte público eficiente e disse que a cadeira de rodas é a melhor máquina de planejamento urbano. (MARIANA BARROS)
FOLHA – O que faz uma boa cidade?
ENRIQUE PEÑALOSA – Jan Gehl [urbanista dinamarquês que defende que as cidades priorizem ciclistas e pedestres] diz que é aquela em que os moradores têm vontade de sair de casa, estar nas ruas -não no shopping. Uma cidade tem de ser boa para as pessoas mais vulneráveis: crianças, cadeirantes, idosos, pobres, ciclistas. Transporte não faz ninguém feliz, é apenas necessário, como água potável. Mas se há um parque, isso faz as pessoas felizes. O desafio é criar a cidade para as pessoas, e não para os carros.
FOLHA – Que coisas melhoram a vida urbana?
PEÑALOSA – Os parques são algo necessário ou um luxo? Acho que as pessoas precisam, sim, de um espaço desses, não para sobreviver, mas para serem mais felizes. Todos em São Paulo jogam bola. Por que não há campos ou quadras públicas?
FOLHA – O que caracteriza uma cidade avançada?
PEÑALOSA – Temos uma idéia de que progresso é ter mais pessoas usando carros, mas nas cidades mais avançadas do mundo, como Zurique, na Suíça, ou Tóquio, no Japão, as pessoas quase não usam automóvel. Uma cidade verdadeiramente avançada é aquela em que os ricos usam transporte público, caminham e vão a parques. O contrário disso é quando os ricos usam helicópteros, vão a clubes fechados, a shoppings, moram em condomínios.
Avanço é o que acontece no Central Park, em NY, onde 50 bilionários andam ao lado de pessoas que nem sabem onde vão dormir naquela noite.
FOLHA – Como fazer isso?
PEÑALOSA – Precisamos de segurança, diminuir a criminalidade. Agora, para fazer com que as pessoas usem transporte público é preciso restringir o uso de carros. Muita gente em SP tem carro, mas usa metrô. Não é porque adoram o metrô, mas porque é mais rápido, não precisa estacionar. De um lado, é preciso melhorar o transporte público; de outro, é preciso restringir o uso de automóveis. Há varias maneiras de se fazer isso. O rodízio é uma delas.
Nenhum transporte público do mundo acaba com os congestionamentos. A única maneira é restringir o uso de carros.
Tem de haver restrições a estacionamentos, sobretudo nas ruas. Outra forma é criar uma taxa, como em Londres, ou rodízio, como em SP e Bogotá.
FOLHA – Deve-se combater o carro?
PEÑALOSA – Não estou falando de restringir a compra, de colocar taxas na compra. É bom que as pessoas tenham carro, para poderem viajar, sair à noite.
Elas só não devem usá-lo nas horas de pico. Vamos cobrar pelo uso, não pela aquisição. Ou cobrar mais caro pelo combustível. Gasolina no Brasil deveria custar três vezes mais, e o dinheiro arrecadado deve ser investido em transporte.
FOLHA – É preciso optar entre carros ou pessoa? [OBS: essa pergunta foi didática ou completamente estúpida, como eu acho que foi? ]
PEÑALOSA – É possível medir a democracia analisando como o espaço público é distribuído entre pedestres, ciclistas, ônibus e carros. Quanto mais tender para os primeiros, mais democrática será. É uma questão política, não há nada técnico nisso. Se houver mais espaço para carros, haverá mais carros; menos espaço, menos carros.
As cidades ricas, há 15 anos, decidiram não fazer mais vias para melhorar o trânsito.
FOLHA – A piora é porque a população está crescendo?
[ OBS: repito a pergunta feita acima ]
PEÑALOSA – Não. Pode parecer que fazer mais estradas melhora o trânsito, mas isso não é verdade. Você conhece uma única cidade do mundo que tenha resolvido o problema do trânsito fazendo vias maiores? Não há.
Nos EUA, apesar das estradas gigantescas, o trânsito piora a cada ano. O que gera o trânsito é o número de viagens que cada automóvel faz e as distâncias que percorrem. Construir túneis e viadutos só faz com que os carros vão mais longe e façam mais viagens [ OBS: ou seja, "convida" as pessoas - que tenham a tendência a fazer isso - a aproveitarem as novas vias e passar a incluí-las em seu percurso automobilístico; em resumo, o efeito oposto daquele desejado ].
Nos primeiros anos, isso alivia o trânsito, como já ocorreu em SP. Depois piora de novo.
FOLHA – É uma questão cultural?
PEÑALOSA – Sim. A classe média, que tem carro, só quer mais espaço para os carros. Vão do estacionamento do prédio ao estacionamento do escritório, ao estacionamento do shopping, ao estacionamento do clube e podem passar meses sem andar em um quarteirão. A única coisa que querem do governo é polícia e rodovias. Querem metrô não para usar, mas porque querem que os ônibus vão para o subsolo. Não querem que o ônibus tire o espaço dos carros [ OBS: "NA MOSCA!!" ].
FOLHA – É melhor investir em ônibus ou em metrô?
PEÑALOSA – Em SP, há três vezes mais gente usando ônibus do que metrô; é muito mais prático e barato. Londres, para 10 milhões de habitantes, tem 1.850 km de metrô. Proporcionalmente, SP, que tem 20 milhões, teria de ter 3.700 km de metrô [Grande SP tem hoje 322 km de transporte urbano sobre trilhos]. Ainda assim, Londres desloca 1 milhão a mais de pessoas em ônibus do que em metrô. Mesmo com metrô, é preciso um bom sistema de ônibus.
A linha amarela que está sendo construída custa mais de US$ 150 milhões por km. Cada passageiro custa US$ 1,50. O Transmilênio custa US$ 10 milhões por km e cada passageiro, US$ 0,50. Leva 45 mil passageiros por hora por direção. Não estou dizendo que é melhor ou pior, mas é bom o suficiente.
FOLHA – E as calçadas?
PEÑALOSA – Calçadas são parte do sistema de transporte, porque a jornada começa quando saímos de casa. Uma calçada boa é símbolo de que o cidadão que caminha tem o mesmo valor de outro que tem um carro de US$ 30 mil. É símbolo de democracia. O que diferencia uma cidade boa de uma ruim é a qualidade das calçadas.
As de SP estão muito melhores agora do que há dez anos, principalmente nas áreas mais centrais. Se eu pudesse, amarrava o secretário de Planejamento numa cadeira de rodas e diria: vá andar pela sua cidade.
Uma cadeira de rodas é a máquina do planejamento urbano.
FOLHA – Como o sr. avalia o programa Cidade Limpa? [ OBS: o que isso tem a ver com o trânsito? Só faltou a reportagem dar um jeito de perguntar ao ex-prefeito se o crescimento econômico, ao permitir que a população possa comprar mais carros, pode ser apontado como um dos vilões e, com isso, mostrar a implicação do crescimento do País sob Lula, na questão dos congestionamentos. Assim, sobraria elogios a Kassab/ Serra e críticas a Lula ]
PEÑALOSA – É um exemplo para o mundo. É o que de mais importante se passou em SP nos últimos dez anos.

outubro 26, 2008

Jaz São Paulo busão: ônibus entra em buraco e caminhão da SPTrans que iria rebocá-lo não tinha óleo. Precisou tirar do busão!!

Essa é sensacional!! Os grifos e destaques, como de praxe, são meus!!
Susto, confusão e trapalhadas: Ônibus cai em buraco na Vila Alpina
Gerson Rodrigues
FOLHA DE VILA PRUDENTE, ED. 856
Na manhã de ontem, por volta das 10h30, um ônibus da linha 476G Metrô Ana Rosa – Vila Industrial ficou entalado em um buraco na esquina da rua José Jeraissati com a rua Iguará, na Vila Alpina. O veículo permaneceu no local por cerca de duas horas e parte das duas vias foram interditadas atrapalhando o trânsito na redondeza. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foi acionada para coordenar o trânsito, mas a equipe de apoio chegou após duas horas do acidente, quando o ônibus já estava sendo rebocado.
No momento da queda, segundo o motorista José Lopes, cerca de 20 passageiros estavam sendo transportados. “Todas as pessoas saíram tranqüilamente. Graças a Deus que não aconteceu na minha primeira viagem do dia, quando o veículo levava cerca de 100 pessoas. [ Vocês viram? Um ônibus transportando 100 pessoas!! ] Nesse horário poderia ter ocorrido algo pior”, declara Lopes, que passa pelo local diariamente há quase quatro anos. “Quando parei na esquina o buraco não existia. Ele se abriu quando eu passei devido ao peso do ônibus”, acredita.

Veículo permaneceu “entalado” por cerca de duas horas

Caminhão rebocador, sem óleo diesel, precisou ser “ajudado” pelo ônibus acidentado
Por volta das 12h um caminhão rebocador ligado a São Paulo Transportes (SPTrans) chegou para retirar o veículo do buraco, mas o mesmo apresentou problemas e precisou ser “ajudado” pelo ônibus entalado. Funcionários da SPTrans tiveram que retirar óleo diesel do ônibus para o funcionamento do rebocador.

Após remoção do veículo, funcionários da Sabesp iniciaram os trabalhos de reparo no local

Com a retirada do veículo, equipes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) iniciaram os trabalhos para o conserto do buraco. Segundo funcionários da Companhia, a cratera se formou devido ao rompimento de uma tubulação da rede de água. A previsão é que o problema seja sanado até hoje. Também duas horas após o incidente, um funcionário da Subprefeitura de Vila Prudente / Sapopemba (SUB-VP) compareceu ao local. Ao tomar conhecimento que o problema não era de responsabilidade da SUB-VP, o funcionário foi embora.

outubro 21, 2008

"Socorram-me, subi no ônibus em São Paulo!! Assinado:KAFKA"

Antes de tudo, convém informar, aos mais avoados, que a SPTrans [ que acolhe queixas e ( tá bom! ) elogios, além de sugestões sobre o serviço de ônibus na capital paulista ] não atende mais no 156. Se ligar para essa central, digitará as opções oferecidas e, depois, só depois, é que te dirão para contatar o 0800 da companhia. Você já estará desistindo, claro. Será intencional? A propósito: num daqueles milagres que só acontecem de dois em dois anos e, geralmente, em Setembro e Outubro, o 156 tá atendendo legal. Agora, nosso conto maldito do mês:
- SPTrans boa noite, em que posso ajudá-lo?
- É o seguinte: eu gostaria de fazer uma reclamação?
- Do que se trata?
- Bom, deixa eu ver se consigo explicar: na sexta-feira, eu aguardava o ônibus da linha 666P no Ipiranga, sentido Small River, lá pelas 13:50 ( mais ou menos ); o ônibus estava demorando muito; ele veio, a gente embarcou e a viagem começou. A certa altura do trajeto, eu meio que percebi que o veículo ia devagar, só que mais devagar que o recomendável. Parecia que o motorista estava muito tranquilo; alguns passageiros começaram a olhar toda hora no relógio, meio se impacientando. E a gente ia e não chegava.
- Sim…
- Aí, seguiamos pela avenida Ricardo Chafé e, quando estávamos nos aproximando de uma rua que dá acesso à avenida Bosque do Ataúde, um ônibus que faz a mesma linha emparelhou com o nosso…
- Sim…
- E aí a gente fica naquelas: o ônibus já tinha demorado pacas, e quando vem, o motorista guia parecendo que dirige um cágado. Aí não dava para saber direito se o ônibus que nos alcançou saiu logo depois que esse que nós pegamos, ou se nosso motorista enrolou tanto que esse outro carro conseguiu nos alcançar.
- E o senhor quer reclamar da demora, ou da velocidade, ou do quê?
- Calma. É que eu tô repassando o que ocorreu. Eu anotei os números dos dois veículos na memória, que eu não tinha caneta e papel; quando desembarquei e cheguei em meu destino, já anotei para não esquecer; só que eu não encontrava essa anotação, só fui achar hoje, dois dias depois.
- O que eu quero saber é se a empresa fica segurando o busão e depois libera dois em seqüência, ou o quê? E o motorista vinha muito devagar. Aí, quando entramos no Bosque do Ataúde, o outro ficou para trás. Uma mulher no ponto deu sinal para o nosso, e o motorista apontou para trás, com o polegar, tipo “vem um atrás…”; quando chegamos na Traça da Árvore, fomos ultrapassados,voltamos a ficar na frente, aí eu desci e não sei mais o que deu.
- Tá. O senhor tem cadastro na SPTrans?
- Sim, meu nome é Servílio Gentil Lavapés.
- Qual o telefone?
- Deixa eu ver… 63… ah não, mudou o prefixo: é 2345-0000.
- O endereço permanece Rua Doutor Sócrates…?
- … Isso, esse mesmo!
- Qual o prefixo do ônibus do qual deseja fazer a reclamação?
- São dois, né? O que estávamos e o que veio logo a seguir. Para referência…
- Pode falar…
- Então, foi mais ou menos às 13:50 de sexta-feira, no único ponto da rua Pavor, no Ipiranga. O ônibus em que eu estava era o 23225 e o de trás era o 23221.
- Sim, só um minuto, por favor ( … ) só um minuto, por favor ( … ) só mais um minuto, por favor…
- Tá, tudo bem.
- Senhor Servílio, há um problema: em nosso cadastro não consta o veículo de prefixo 23225…
- O quê?! Ixiii… então tenta o outro, o 23221.
- Só mais um minuto ( … ) Senhor Servílio, tem certeza? Com o número 23221 também não consta em nossos cadastros.
- Mas será!? ( olhando as anotações; olhando de novo; e de novo ) Mas tá aqui: 23225…23221… Olha, tenta 22235 e 22231!!
- Só mais um minuto, por favor… ( tempinho ) Sim, senhor, esses dois existem…
- Então eu devo ter me enganado. Acho que alterei as dezenas… Dá para fazer?
- Sinto muito, senhor Servílio, mas não podemos dar continuidade à sua reclamação. Vai constar que o cliente não tem certeza do número.
- Mas, viu, será possível que estes carros estejam circulando, sem registros e coisa e tal?
- Olha senhor, não dá, porque no sistema esse tipo de coisa não pode… as coisas não são assim.
- ( Se irritando ) É, só que diziam a mesma coisa daquela Viação Tiradentes ou sei-lá-qual, toda irregular. Os caras fecham a empresa, e depois abrem outra – os mesmos caras – e voltam a operar. Não é isso?
- Olhe, senhor Servílio, quanto a isso não dá para falar, mas é que é assim mesmo.
- ( Compreensivo ) É cê tem razão… Olha, viu, eu vou tentar me informar melhor e eu ainda volto a ligar, tá bom?
- Sim senhor. Mais alguma coisa?
- Não, obrigado. Por enquanto é só.
- A São Paulo Transportes agradece e tenha uma boa noite.
- Obrigado, igualmente.
Passam se algumas dezenas de minutos ( meia hora, mais ou menos ) , nosso amigo Servílio desencana e, de repente, um busão passa por seu campo de visão. Sim, é o que você imaginou: 23225!!! Rapidamente, o bom Servílio cata o telefone e liga novamente para a SPTrans:
- SPTrans, boa noite em que posso ajudá-lo?
- Olha, vai parecer meio estranho, mas eu liguei há cerca de meia hora praí, e ocorreu o seguinte… ( e conta toda a história, que vocês já sabem )… só que – incrível! – eu ACABEI de ver o carro!! Ele existe!! A moça disse que não, mas eu vi! Acabou de passar na minha frente!
- Senhor, eu não posso falar sobre o que a outra atendente disse, mas o senhor quer refazer a reclamação?
- Sim, OPA! Anota o número do ônibus: 23225!
- Um minuto, por favor…
- Tá.
- Senhor, o número é esse mesmo?
- É. Por quê?
- É que não consta mesmo em nosso cadastro…
- Quê?! Tenta o 23221.
- Mmm… Olha seu Servílio, só um minuto…
( “Mas eu não disse meu nome…!?”, pensa. )
- Olha senhor Servílio…
- Mas eu não disse meu nome!
- Olha, SENHOR, esse número também não existe.
- Mas eu falei para você, eu acabei de ver o busão!
- Sim. Mas o senhor tem a placa?
- Não, eu mal consegui anotar o prefixo. Eu não tinha nem papel, foi de memória. Não dá para achar pelo horário?

Ela solta uma longa explicação sobre a impossibilidade de localizar o veículo pelo roteiro, número da linha e horários. São dados imprecisos e insuficientes, sabe? Com essa capacidade sherlockiana de seguir pistas e informações, a pessoa que desenvolveu esse sistema pode trabalhar na vEJA, no jornalismo investigativo minucioso que, como sabemos, só a vEJA sabe fazer.

- Senhor Servílio, se o senhor tivesse o número da placa…
- Olha, eu não sabia que era necessário puxar isso também. Por quê não dizem: “Não anote o prefixo, que não serve de nada: vejam a placa” , que daí o peão já sabe como proceder?
- É que, com a placa…
- ( cortando ): Olha, eu nem imaginava que ia ter esses problemas, quanto mais andar poraí, com bloco de rascunho e caneta, só para ficar fiscalizando os ônibus. Não é meu papel. E nem ia dar conta, pra falar a verdade.
- Sim, mas é que… Sabe, é capaz dos veículos serem novos, e já liberados pelo Detran. Aí, nós teríamos a placa registrada. Só que a companhia pode ter demorado para mandar o cadastro com o prefixo. Então, nós só teríamos como localizar pela placa.
- Mas é disso que eu tou falando: eu não conheço o sistema de vocês. A empresa de ônibus recebe pelo prefixo cadastrado na SPTrans ou pelo registro no Detran? Porque, se for pela placa, para que, então dar-lhes prefixos que em nada servirão? Não é meio furado? E outra: jamais ouvi falar disso, que o cidadão lesado tem que ficar esperto e observar principalmente o plaqueamento dos ônibus que nos causam transtornos, já que os veículos podem ser novos ( não é muito comum, claro ) e podem não valem seus prefixos decorativos. Não acho que os passageiros saibam disso ( não que eles liguem, claro ). Bom, deixa para lá. Eu vou ficar de olho, pro caso de ver esses carros novamente, daí eu anoto as placas e volto a ligar ( Mentira: acabou desistindo ) , tá bom?
- Mais alguma coisa em que possa ajudá-lo?
- Não, não tem mais nada ( Mentira: ia reclamar também que, nesse mesmo dia, quando ia para seu destino, pegou o busão da linha irônicamente chamada “Paraíso”, o 666T, onde umas 5 pessoas no fundão ouviam música em alto volume, que dava para ouvir lá da frente e muito bem, além de cantarem junto e baterem palmas; Servílio ia argumentar com a atendente que, talvez, o motorista pudesse ter parado ao lado do posto policial que há no trajeto. Afinal, como se cria uma lei, mas não se diz a quem será dado o dever de fazer cumprí-la? Mas desistiu desta queixa, também ), obrigado.
- SPTrans agradece sua ligação, e tenha uma boa noite.
- Obrigado, igualmente.
Servílio olhou para suas anotações dobrou e guardou, que é para o caso de, um dia, se deparar novamente com os ônibus fantasmas que sua imaginação diz existirem. Será que são os consultores irmãos do Kassab aqueles que dão essas idéias para os formuladores do transporte público coletivo paulistano?

setembro 23, 2008

A segurança da baixa velocidade

BLOG DO CHICÃO
No bairro carioca da Tijuca …. As ruas da Tijuca serão primeiras a experimentar a segurança das “Zonas 30″, áreas onde a velocidade dos motorizados será reduzida para aumentar a segurança de ciclistas e pedestres.
Além da Tijuca, outros bairros do Rio de Janeiro poderão ser beneficiados pela redução do limite de velocidade, caso o projeto das “Zonas 30″, apresentado pela associação Transporte Ativo, seja colocado em prática.
Máquinas pesadas e velozes são uma ameaça à vida e uma das grandes barreiras para quem está começando a usar um veículo a propulsão humana.
A equação é simples: mais velocidade = menos tempo de reação, tanto para o motorista, quanto para os demais ocupantes das ruas.
A redução da velocidade é imprescindível para a criação de cidades humanas. Permitir que automóveis, ônibus, caminhões e motos trafeguem a 70 ou 80km/h dentro do perímetro urbano é legitimar o genocídio motorizado, perpetuando o assustador índice da OMS, que aponta os “acidentes” de trânsito como a principal causa de mortes de jovens e crianças no mundo.
Em 1961, os estadunidenses Paul e Percival Goodman já afirmavam que não havia razão para que os veículos em circulação na ilha de Manhattan trafegassem em velocidades superiores a 40km/h. Mais ousada era a proposta de simplesmente banir os automóveis da “grande maçã”.
Infelizmente um dos pilares do lobby automobilístico é o estímulo à velocidades criminosas, perpetuando a ilusão de que o deslocamento em automóveis é algo instantâneo: basta entrar, girar a chave, acelerar e pronto, você já chegou ao seu destino.
A redução da velocidade e as iniciativas que visam propagar o respeito e a convivência nas ruas são tão ou mais importantes que a construção de ciclovias. Aliás, faixas segregadas para bicicletas não seriam sequer necessárias se a velocidade máxima permitida em algumas ruas fosse a velocidade média do trânsito, ou seja, 30km/h.
-
do Blog Apocalipse Motorizado
http://apocalipsemotorizado.net/2008/09/12/a-seguranca-da-baixa-velocidade/

setembro 20, 2008

Jaz São Paulo: Homenzinho Amarelo é folgado, espaçoso e meio lento para pensar…

O Homenzinho Amarelo pensa ( !? ) que a Humanidade iniciou sua jornada, somente a partir do dia em que ele, Homenzinho Amarelo nasceu. Só existe o presente. Quem conhecesse o passado não teria o direito de cometer erros abissais iguais aos já cometidos. Sabendo disso, e pretendendo fazer de sua vida uma sucessão de erros abissais, o Homenzinho Amarelo escolhe ignorar voluntariamente a História, para depois, se o bicho pegar, alegar ignorância. E também para não ter que fazer algo coletivamente, e em prol da coletividade. Para o HA, os direitos, muitos dos quais ele usufrui atualmente, ou caíram do céu ou nasceram por geração espontânea. Porque se ele admitisse que muitos destes direitos foram conseguidos, por menores que sejam, por pessoas que se uniram em um objetivo comum, isso significaria que o “cada um, cada um” que ele tanto preza não seria muito defensável diante de uma confrontação qualquer.
Quando eu falei anteriormente que o Homenzinho Amarelo consegue tornar um espaço minúsculo como o interior de um ônibus um lugar horrível até para quem passou uma temporada de noites ( e dias ) de terror em Guantánamo, esqueci de uma coisa: o Homenzinho Amarelo digno de ser chamado assim, usa a mochila nas costas dentro do busão, fechando o corredor e impedindo uma melhor circulação dos demais passageiros.
As empresas K.da 1- K.da 1 estão patenteando uma invenção que mudará o rumo da História: uma mochila-celular, pronta para o uso, pelo Homenzinho Amarelo, em seu atarefado cotidiano.
O funcionamento é simples, o que garantirá até ao mais simplório dos Homenzinhos Amarelos, a compreensão e o manuseio para um aproveitamento de qualidade da revolucionária invenção.
Com isso, o HA poderá usar a mochila nas costas dentro do ônibus de sua preferência, ouvindo – e obrigando os outros a ouvirem também – aquela música de qualidade que tanto lhe apetece.
Para que o ruído externo excessivo não incomode seus delicados tímpanos, e ele consiga escutar devidamente sua música de qualidade no busão, o aparelho dispõe de 3 graduações de Volume: Alto, Muito Alto e Turbina.

A comparação é inevitável: com a mochila nas costas o tempo todo e em qualquer lugar, o HA até que parece uma tartaruga. A diferença é que a tartaruga se MOVE com vagar, e o Homenzinho Amarelo PENSA muito mais devagar ainda.

setembro 19, 2008

Jaz São Paulo: se o Homenzinho Amarelo conseguisse tudo o que almeja…

O Homenzinho Amarelo é o exemplo acabado do tipo de pessoa que nos tornamos quando adotamos a filosofia do “cada um, cada um”. Não existe qualquer ameaça de punição, nas campanhas do Metrô de SP que pedem aos passageiros que sejam conscientes, afim de tornar as viagens menos estressantes. Apenas pede-se alguma consciência e, sei lá, empatia. Mas com o Homenzinho Amarelo não tem dessa não.
Pois bem. O Homenzinho Amarelo consegue transformar um espaço minúsculo, como o de um ônibus, num local em que o suicídio como prescrição terapêutica se torna uma solução a ser considerada.
Sabem aqueles assentos dos ônibus, destacados em amarelo, exclusivos para idosos, gestantes, deficientes? Dá uma olhada lá…
SIM!! VOCÊ NÃO ESTÁ SONHANDO ( OU MELHOR, TENDO PESADELOS ): apesar de haver no busão, pessoas para as quais o assento está reservado, como aquela velhinha grávida e maneta ( que se segura como pode, segurando com a única mão um cano vertical, e mordendo uma peça de plástico no espaldar de um assento ), o Homenzinho Amarelo e sua fêmea ( devidamente caracterizados – os dois, diga-se de passagem [ sem trocadilho ] – com os indefectíveis bonés e óculos escuros comprados em camelôs ) estão ocupando descaradamente tais assentos.

É que o Homenzinho Amarelo acha que, por estarem destacados em AMARELO, os assentos em questão estariam reservados PARA ELE!!

Além desse quadro já ser suficientemente desanimador, tente ignorar que o Homenzinho Amarelo – que ocupa o banco reservado a idosos – viaja ouvindo música alta ao celular mesmo quando, acima de sua cabeça, na parte superior lateral interna do busão, está afixado o aviso de que é proibido o uso de aparelhos sonoros naquele local. Uma lei de 1965!!

E agora, imagine este sujeito conseguindo na vida tudo aquilo que deseja. Imagine o que um camarada desses almeja, baseando-se no comportamento que ele apresenta em locais públicos. Dê dinheiro a esse cara. Dê um cargo público a ele. Dê-lhe algum poder e veja o uso que ele fará disso.

FEITO ISSO, AJA NATURALMENTE…

E CORRA PARA AS MONTANHAS!!

setembro 18, 2008

Jaz São Paulo: A cabeça do Homenzinho Amarelo não se importa com o transporte coletivo

O Homenzinho Amarelo é fo**da. Ele lava carro e calçada com água potável. Ele é reponsável por não existir um transporte público “de qulidade” ( uma coisa eu deixo claro aqui: quando eu uso o “de qualidade”, é porque estou tirando sarro de um chavão hediondo, muito usado por Homenzinhos Amarelos país afora, de qualquer cor, classe e religião, já que qualidade é um termo bem neutro ).
Como assim, “responsável”? “A culpa é ‘duspulíticuladrão’ “, dirão os Homenzinhos Amarelos.
Ora, uma das principais características do Perfeito Homenzinho Amarelo Latino-Americano ( ou paulistano, neste caso em particular ) é a ambição. Ah, a ganância também.
E, se há algo que o Homenzinho Amarelo mais deseja, como sendo uma questão existencial crucial, esse algo é o automóvel.
Pois já está no, vai, inconsciente popular, que o carro simboliza “sucesso”. Status. Liberdade. Distinção social. E, se o Homenzinho Amarelo for do gênero masculino, isso significará comer as “fêmeas Homenzinhos Amarelos”. Numa roda de amigos, isso não se nega. Ao contrário, as discussões já têm isso como certeza. Se planeja em função dessa verdade. Mas é capaz que alguém venha aqui, ferido em seu brio, me xingar. As mulheres, por sinal, seguem o script à perfeição.
Pois o Homenzinho Amarelo encara o fato de utilizar o transporte público coletivo, como uma situação PROVISÓRIA. Esse é o ponto-chave.
Eu, Humberto, nascido e criado na Capital – ou seja, um paulistano da gema, prá usar um chavão – até hoje não me interessei em aprender a dirigir. Sou, portanto, uma aberração nesta cidade; mas uma aberração ofensiva que esfrega na cara a prova de que é perfeitamente possível não depender de carro na cidade; para mim não há nada de provisório em utilizar ônibus e metrô; eu não faço uso deles sonhando com o dia em que possuiria um automóvel. Esse dia jamais chegará.
O que eu quero dizer é que há muita desculpa. O camarada acredita nas propagandas de automóvel. E não quer nem saber se o transporte coletivo é bom ou ruim.
Os inúmeros prédios que estão tomando São Paulo e destruíndo bairros, quando se encontram próximos às estações de Metrô, ou via bem servidas em ônibus, estes prédios ainda assim dispõem de vagas para carros. Há até uma diferenciação de preços por causa disso. Todos sabem disso.
Repito: o Homenzinho Amarelo acha-se ( e acredita nisso ) numa condição provisória, quando se encontra utilizando o transporte coletivo. Não há muito o que conquistar nessa vida, mas o carro está entre elas, e é quase uma obrigatoriedade social imposta. Pouquíssimos têm coragem de ir contra essas determinações quase irresistíveis.
São as aspirações que movem o Homenzinho Amarelo: carreira, dinheiro. Mas com quais finalidades? Bom, você tem dinheiro para comprar coisas. Celulares, carros, até uma casa.
Há graus de possibilidades consumistas. Ou você compra um Fucabala, se caso pertencer à classe C, ou um SUV vampiro de petróleo, se for um dos mais de 200 mil milionários brasileiros.
Só que fala alto a questão da auto-estima, da macheza. Até por isso é que muitos indivíduos não aceitam restrições ao uso do automóvel. É quase um golpe na sua masculiniidade. O cara é um lixo, mas por meio do carro se imagina portador de alguma qualidade. Se você lhe impõe limites, o infantilóide mal-resolvido se achará pessoalmente atacado. Um “animal ferido”, para usar um clichê.
Em suma: o Homenzinho Amarelo não quer saber da “qualidade” do transporte público porque, simplesmente, ele não concebe o uso deste eternamente. É só até quando comprar um carro, e este é o que ele deseja fortemente. Suas energias são todas depositadas e empenhadas nesse projeto. Aí, não sobra muito para a preocupação com o coletivo.

junho 10, 2008

Jaz São Paulo: Pelo fim URGENTE do desperdício de dinheiro público!! BAAAASTAAAA!!! URGGGGHHH!!!

INTRODUÇÃO
Imaginemos um evento: alguém ( doravante denominado “Alguém” ) faz uma coisa “X”.
Mas “Alguém” não vive isolado neste mundão. Ele faz parte de uma comunidade ( doravante denominada “comunidade” ). Ele não pediu para nascer, e nem fazer parte desta “comunidade”. E nem de qualquer outra. Mas, queira ele , quer não, ele já faz. Mas isso não é tão ruim, e ele sabe disso. Apesar dos deveres e obrigações para com os outros, ele também sabe que os outros têm deverem com relação a ele. São práticas mútuas. Pelo menos ele não tem que se virar sozinho para matar um tigre de bengala, já que os outros dão uma mão contra as ameaças. E vice-versa.
A tal “comunidade” já existia antes dele nascer. E, num determinado momento de sua História, a comunidade percebeu que nem tudo que era bom para um, seria bom para todos. E vice-versa. Mas, quisessem ou não, até por um interesse egoísta, uns precisavam dos outros. E vice-versa.
Discutiram. Conversaram. Deliberam. Se mataram. Os que sobraram chegaram a um consenso. E estabeleceram regras básicas que todos, em comum, deveriam acatar e seguir. Isso, por exemplo, acabou com o canibalismo infantil, já que as fêmeas carregavam aquele barrigão por diversas Luas e Invernos para que, quando terminassem de parir, os machos devorariam as crias. As fêmeas não gostavam, pois elas – não sabiam o porquê – é que traziam aquela criaturinha na barriga, sentiam aquelas putas dores e, no final, os machos comiam tudo e não deixavam nem cordão umbilical para elas provarem. O índice de natalidade daquele grupo era baixo. Existia, mas era baixo. Perigavam se extinguir. Poucas cresciam seguindo o curso de suas naturezas.
Depois do código de regras adotado, as crianças – todas – nasceriam e não seriam devoradas.
Há outras regras. Este foi só um exemplo de como e por quê se fazem leis e regras.
Acordos e consensos. Queira eu ou não. Queira você ou não. Os piratas têm suas próprias leis e regras de conduta. Mas SÃO LEIS. O PCC tem suas leis. A Camorra, a Gestapo, o FBI.
SEGUE O FLUXO
Na primeira linha do bloco acima, ficamos sabendo que “Alguém”, que vive numa “comunidade”, fez uma coisa “X”. Ele adorou. A “comunidade”, quando soube, detestou. O conjunto chamou-o para que desse explicações. Ele se negou, e então mataram-no. Mentira. Ele foi, explicou seus motivos ( que foram ouvidos atenta e democraticamente ) e, só então, é que mataram-no.
Mas não foi suficiente.
Os outros da “comunidade”, após confabularem, decidiram que enfiar o dedo no nariz não era legal. E, em comum acordo, após ouvidos todos os integrantes do grupo, decidiram que tal ato não seria tolerado. Quem fosse pego, morreria. Quem não gostasse da lei ( que expressava o desejo da maioria ) poderia ir caçar em outro lugar, morar noutra cabana e deixar de contar com qualquer auxílio quando estivesse em perigo. Ninguém saiu. E a vida prosseguiu, sem muitos sobressaltos.
Passados séculos, leis continuavam a ser discutidas, criadas, implantadas, acatadas, combatidas, burladas, deixadas de lado. As comunidades gostaram da brincadeira.
E, além das leis, haviam as convenções. São, de certa forma, leis não escritas, que teriam sido definidas por seu próprio uso. Símbolos determinam ações. Cores representam ações.
Por exemplo: o VERMELHO pode significar “Perigo” ( Alerta Vermelho ). A maioria das pessoas sabe disso, meio que instintivamente. Convencionou-se adotar esta cor para designar a necessidade de se prestar atenção a algo. É mais ou menos isso.
Séculos mais depois ainda, o VERMELHO aparece – outro exemplo – em placas, indicando direções a não se tomar. Ou algo que não se deve fazer. NÃO!!!
Foi só um exemplo ilustrativo.
E chego, finalmente, aos dias atuais
Dirijo-me, agora, aos habitantes da cidade de São Paulo. Vejam só as portas dos vagões do Metrô. São divididas em duas partes. Convencionou-se que, para organizar o fluxo de pessoas, entradas e saídas, o lado DIREITO é por onde se entra, quando se está do lado de fora ( didático, não? ). Por sua vez, o lado DIREITO é por onde se sai, quando se está dento do vagão.
Para facilitar e não haver confusão ( pois é algo muito difícil de se aprender e decorar, eu sei ), a Companhia do Metrô implantou um sistema que funciona da seguinte forma: além de contar com a ciência do cidadão, o Metrô colocou, nas portas dos vagões, dois adesivos ( vale para a entrada e para a saída ), observe: do seu lado DIREITO, não importa onde você se encontre, há uma SETA VERDE, indicando que é por ali que você deve se dirigir.
Do seu lado ESQUERDO, no entanto, há a proibição velada: uma SETA VERMELHA, a dizer que não seria de bom-tom que as pessoas tomassem aquele caminho. Pois acabariam colidindo contra quem vinha da direção contrária ( seguindo o fluxo ditado pela SETA VERDE ).
Geralmente, as estações de Metrô têm, em suas dependências, algumas escadarias. Para organizar, também aqui, o fluxo de pessoas, adotou-se uma idéia inteligente: uma placa AMARELA pede, aos usuários, que usem os corrimãos do lado DIREITO das escadarias, deixando o lado ESQUERDO livre para quem quiser passar mais rapidamente. Tal pedido vale tanto para as escadarias fixas quanto as rolantes.
Cidadãos de bem e pagadores de impostos extinguem, na prática, convenções seculares questionáveis e leis caducas
Pense, por um momento, em seu cotidiano. O mundo que o cerca, as pessoas que vê. Analise os hábitos dessas pessoas. Cada um, cada um. Correndo atrás, fazendo a diferença. Note como elas superam as dificuldades.
Neste exato momento, dentro de algum ônibus da cidade de São Paulo, “Alguém” está escutando ( fazendo uma coisa “X” ) música alto, em seu celular. Sem se importar com os outros ( a “comunidade” ) e, se seu ato está lhes incomodando. Cada um, cada um. “Alguém” aliás, está sentado num banco onde, bem acima dele, está colado um adesivo em que se diz ser proibido o uso de aparelhos sonoros dentro do veículo, de acordo com uma lei de 1965. Uma lei, aliás, promulgada antes mesmo do nascimento de “Alguém”.
O inútil adesivo, situado acima da cabeça de Alguém, custou dinheiro. Que entrará no custo do preço das passagens.
Como também entra no custo das passagens a tinta amarela com a qual são pintados os bancos reservados para idosos, gestantes e pessoas com necessidades especiais. Pinta-se desta cor, uma parte do banco, para lembrar aos demais passageiros, que aquele local deverá ser ocupado por alguém nessas condições, exceto quando estiver ausente ( óbvio ); para reforçar o aviso, também foram colocadas placas no interior dos ônibus. Não é por falta de aviso que os passageiros utilizariam esses bancos diante da presença, por exemplo, de um idoso. É por falta de caráter, mesmo. Ah!! E recordando: tinta amarela e placas custam dinheiro, nunca é demais lembrar.
Mas você ainda não chegou a seu destino. E agora, se encontra na plataforma de uma estação do Metrô. O trem chega e pára. Você se prepara para subir. Se postou do lado direito da porta, onde está colada a SETA VERDE.
Abrem as portas e antes mesmo de botar o pé próximo à entrada, é atropelado por uma manada descontrolada que veio em sua direção!!! O quê houve??!
Simples. A manada saiu pelo seu ( teu ) lado, contrariando a convenção. Se estivesse de olhos abertos, e não caído ao chão tentando lutar por sua vida, teria visto que outra convenção fora quebrada: pessoas entravam nos vagões, só que pelo lado esquerdo, mesmo com a SETA VERMELHA a tentar botar-lhes juízo na cabeça.
Entretanto você conseguiu, a muito custo, entrar no vagão. O banco CINZA ( pintado nesta cor para designar uso preferencial, igual aos ônibus, e para as mesmas pessoas ) está ocupado por uma loirinha de cabelo alisado, tendo um óculos escuro gigantesco a cobrir-lhe a cara quase por inteiro, bem garota de programa, mesmo. As sacolas indicam que fez compras no shopping. Tipo, puta que quer pagar de dondoca da Oscar Freire. O diabo se disfarça, minha filha, mas o rabo ( e que rabo, heim, minha filha? ) aparece. Nem que seja pelos maus modos.
Enquanto isso, uma velhinha cega, sem uma das pernas, tenta se equilibrar, de pé no vagão. E a putinha segue ouvindo o MP3, confortável.
***
***
O mesmo desconforto para descer do vagão, como foi para subir. Depois, você se dirige à escadaria que dá para a saída da estação. O povo também. Você toma o lado direito da escada ( fixa ), para subir na manha o primeiro lance. E é atropelado por um grupo de adolescentes-mutantes-gigantes com camisteas do Objetivo que, a despeito da placa amarela ( que pede para que utilizemos o corrimão do lado direito, e é o que você está fazendo ), vem em sua ( tua ) direção contrária, pelo seu ( teu ) lado direito ( e esquerdo deles; mas tanto faz pois “cada um, cada um” ).
No segundo lance de escadas ( rolante, desta vez ) você pega o corrimão esquerdo, para subir andando. O lado direito ficaria ( se depender da placa amarela ) para quem quiser ficar parado, sendo conduzido pela escada. O esquerdo ficaria para quem quiser exercitar as pernas ou está com pressa. Mas o lado esquerdo está obstruído por uma multidão à sua frente: o rapaz do celular no busão, a putinha do Metrô e os adolescentes do Objetivo, que empacaram todos na escada, impedindo você de se apressar.
“MORAL DA HISTÓRIA: o próprio povo se encarregou de promover suas próprias mudanças nas leis, códigos e convenções; placas, avisos, cores diferentes, faixas restritivas, adesivos, tudo isso caiu em desuso e não possuem maior significado. As leis somente são burladas por existirem.
Esta é a mesma natureza dos impostos, a partir da visão de quem sonega.
O melhor que o poder público, nas suas áreas de responsabilidade, se conforme e deixe de despender os vultosos recursos na confecção dos mencionados avisos e placas, pois não surtem o menor efeito, e representam descomunal gasto para o bolso dos contribuintes. Se o adesivo que diz ser proibido ouvir aparelho sonoro no busão custa R$ 0,01, ainda assim está superfaturado, já que é um gasto tolo e sem probabilidade de resultados. Agora falta apenas cair em desuso a lei que proibe fumar no busão.
Mas tal mudança virá do povo mesmo.




maio 29, 2008

Jaz São Paulo: nem no busão a gente tá livre da televisão!! Silêncio, por***a!!!

As instalações do Metrô estão virando camelódromo. E, para quem lembra como era, é muito estranho observar lixo, como copos de refrigerantes e Mc Sundays, embalagens de salgadinhos gordurosos, papéis de bala e outros detritos espalhados até mesmo nas plataformas!
Claro que não é o lixo que vemos nas ruas, mas é uma tendência. Pois antes você não via nem cisco no chão. Observem e façam um esforço de memória. Claro, não me sirvo de Metrô tanto quanto muita gente, e nem passo em todas as estações. Mas deixo aqui o registro do que tenho visto e não lembro que tenha sido assim. Acho que é sintoma de sucateamento, vulgo, redução de custos.
A respeito do título do post, não há muito o que falar: não bastasse os imbecis que insistem em dividir seu nefasto mau-gosto musical com os outros passageiros, via celular ( acho que vocês devem ter percebido que a parada de sucessos dos celulares é Créu e outras merdas tum-tum-tss, tum-tum-tss, e não Stravinsky ), ainda vem a Prefeitura permitir uma bosta de televisão no busão!! Pegadinhas, “humor”, “cultura”, “informação”… tudo entre aspas, pois deve-se questionar a qualidade da merda que nos é jogada na cara sem pedirmos.
Óbvio que, para o público a que se destina, tá bom até demais, já que não adiantaria querer também, que no lugar disso, a Prefeitura emprestasse livros para a população ler durante suas viagens. Mas parece que há uma relação causal entre mau gosto musical e comportamento social inadequado. Quem alimenta quem? Por exemplo, não se vê fã de Joy Division escutando música no ônibus.
O comportamento social dos neanderthais do busão merece estudo mais aprofundado, por parte da comunidade científica.
Falei sobre o som que os idiotas ouvem no busão, mas os idiotas ( seriam os mesmos? ) que transitam pelas ruas de São Paulo, com o booster no último volume, possuidores de hediondo gosto musical, similar ao dos passageiros de ônibus, merecem que todo o tipo de desgraça possível neste mundo caia sobre suas cabeças!! O que querem? Impressionar a alguém? Ser “invejados”? O que os faz agir dessa forma? Claro, desejam algum tipo de aprovação social, é óbvio. Mas o que lhes leva a concluir que é isso que devem fazer para conseguí-la?
Pior, é esta a tendência majoritaria do comportamento popular, é A SUA PRÓPRIA CULTURA, não se tratam de exceções!!
Fala-se alto, berra-se por qualquer coisinha, grita-se para comunicar inutilidades. Algozes do silêncio. Não gostam de silêncio. Deve ser porque o silêncio obriga a gente a pensar, ou a ficarmos conosco, nossos sentimentos e refletir sobre eles.

maio 27, 2008

O mundo vai acabar!! A gente só precisa ajudar!! Método K.Da1 K.Da1 de Auto – A – Judas! O Çegredo!

Digamos: você aí, meu amigo, minha amiga…digamos que você possua um mínimo de “consciência ecológica”, essas coisas. Ou, talvez, que ache bacana o trabalho das muitas ONGs conservacionistas. Legal, né? Mas, havemos de reconhecer, nem todos queremos passar o resto da vida salvando crustáceos do Himalaia, não é? Mas, sabemos que algo podemos fazer: não desperdiçar alimentos, água, evitar o consumo exagerado, a produção de detritos, lixo, reduzir o uso do automóvel, de petróleo. Não é porque a vEJA diz que o aquecimento global não existe, e alguns cientistas dizem que existe; que alguns colunistas de direita dizem que não existe, mas colunistas “de esquerda” dizem que existe; que alguns cientistas dizem que não existe, mas algumas revistas dizem que existe…Enfim!! Não é pelo fato de não existir consenso, que não possamos dar nosso pitaco. Aliás, nós estamos mais do que envolvidos nisso tudo. Ou você acha que o planeta em que, dizem, haverá guerra pela posse dos recursos hídricos é qual? Marte? Besteira. Em Marte deve ter é petróleo.
Voltando. Se você acha que vem agindo “bem”, e que, apesar das freqüentes farpas entre a direita e a esquerda, as ONGs fazem o trabalho certo – sendo, então, alvos de direita e esquerda, cada qual acusando as ONGs de pertencerem, camufladamente, ao outro lado – apesar disso, vai que você não saiba, e ambos estejam com a razão. Haveria, sim, um consenso. Paz, finalmente.
Você, meu amigo, sabe de que lado está? Você pode provar que o aquecimento global existe? E, pode provar, por outro lado, que não existe? Lógico que não.
Então, liberte-se: para quê continuar agindo “bem”? No More, Mr. Nice Guy.
Pense agora, principalmente, naqueles que não crêem ( ou são pagos para isso ) no aquecimento global. Seja honesto. Você não tem – repito – como provar. Como eles também não podem.
Mas, digamos que exista mesmo e eles estejam enganados. Ou que estejam a soldo de interesses que não dizem o nome. Pense nos colunistas de direita. E pense em seus filhos e netos.
Agora eu pergunto: que catzo nós temos na cabeça, que nos inibe, e nos leva a querer que o planeta continue existindo? Para quê deixar o mundo para o filho do Diogo Mainardi, ou para os netos do Olavo de Carvalho ( se é que ele têm algum ), do Rush Limbaugh, do Reinaldo Azevedo, do Fernando Henrique, do Klan Civita? Se eles mesmos não pensam em catástrofe…quem, eu me preocupar? Economize água, recicle papel e plástico, e deixe um mundo para os descendentes dos personagens mencionados comandarem.
Isso é injustiça para conosco!!
A solução é: POLUIR!! MAIS E MAIS!!
Por quê não emporcalhar o mundo agora mesmo? Traga para si o sucesso e o prestígio que tanto buscas! Tenha o destino do mundo em suas mãos, e a prosperidade te iluminará!
Garantindo, assim, a inviabilidade da vida neste planeta, daqui uns 50 anos e alguma lambuja. Pense nisso. Abra a torneira, deixe a água correr por umas duas horas, para começar. Deixe-a escorrer pelo ralo. Relaxe. Medite. Sem estas estúpidas amarras morais, você se sentirá livre, leve. É aí que nosso método demonstra – claramente – seus efeitos inegáveis e benéficos para sua vida!!
É claro que você não precisa fazer isso pensando apenas nos netos do Olavo, do Reinaldo, dos Civita. Eles ( os avôs ) nem sabem que você existe.
Pense naqueles seus vizinhos de classe-média. Ignaros, mal-educados e ( sabe-se-lá o motivo ) narcisistas. Observe seus ( dos vizinhos ) filhos: mimados, igualmente mal-educados. Perceba o quanto o pai se empenha para garantir ao filho um futuro “de qualidade”: refeições regulares, escola particular, revista Recreio, dentista, jiu-jitsu, cursinho, facú ( USP, pois o cara não faz isso pensando naquelas que cobram caro e estão abaixo dos quesitos do MEC ), inglês, informática. Tranca o filho numa redoma contra o mundo lá fora. Preparando o moleque para que este ganhe seu primeiro milhão antes dos trinta mortos, digo, anos.
Pense: esse tipo de gentalha se detém diante de questões morais e éticas? Isso não dá dinheiro, cara!!
Princípios não enchem a carteira.
Eles é que estão certos. Se “as empresas” ( eu adoro quando eles falam assim: “as empresas” têm vida própria ) pagam, não importa o que façam, você vai lá, cumpre, e tchau e bença.
Por exemplo: os professores da rede estadual de São Paulo. Olha o massacre a que estão submetidos pela holding Governo do PSDB/ P ( iG )/ imprensalão. Quem lê o eSTADÃO ou a vEJA, pensa que os professores “não têm preparo”. O leitor da vEJA, claro, engole esta fácil, fácil.
A verdade é que, sem o diploma universitário, não se pode dar aula. Quer dizer, não vou dizer que toda a rede estadual exige isso. Mas um professor me garantiu que a grandessíssima maioria do quadro docente é diplomada.
Mas, quem liga?
Pois então. Encanadores são muito mais úteis hoje em dia, que professores. Óbvio concluir que TODO O QUADRO docente da rede estadual deveria ABANDONAR as aulas. Deixa para o Serra e sua Secretária de Educação irem para a frente do quadro-negro.
Por quê o exemplo e o que isso tem a ver com o que foi explanado acima?
Outrora profissão de destaque e reconhecimento social, a docência deixou de ser importante para a própria população. Vejam o caso do aluno que discutiu com a professora por esta não deixá-lo sair da sala, para que ele assistisse a um jogo de futebol. Foi o primeiro jogo entre São Paulo e Fluminense, pela Libertadores. Ameaçou a professora, a diretora e brigou com PMs em plena sala de aula. Foi auxiliado por outros alunos que arremessaram carteiras nos guardas. No final das contas, irá responder por destruição de patrimônio público e, talvez, desacato. As funcionárias da escola, por medo de represálias ( um eufemismo, claro ) têm se recusado em comparecer ao trabalho. Como ainda há Justiça, mesmo que a do acaso, o São Paulo se fudeu e foi desclassificado pelo Flu.
Ou seja: o camaradinha pode ter ferrado seu futuro, por causa de uma bosta de um jogo de futebol. Sua educação não é prioridade, em sua própria avaliação!!
Oras, se os próprios jovens de hoje – que só utilizam a cabeça para usar boné, e ainda usam o boné de modo errado, observem – não se preocupam com o futuro das coisas, e seus pais menos ainda, por quê haveríamos nós de fazê-lo?
Num próximo post: O relato de um feliz usuário de nosso método que, depois de ter sido agredido por rapazes dentro dum ônibus em São Paulo, após ter solicitado a eles que observassem a lei e parassem de ouvir som alto dentro do veículo, finalmente descobriu “O Çegredo” e atingiu o sucesso. Leiam um trecho de seu espontâneo depoimento:
” ( … ) Parece mágica!! Depois que pus em prática o que aprendi pelo ‘Método K.Da1, K.Da1 de Auto-a-Judas’, minha vida melhorou em 1000%! Eu que, antes da agressão que sofri, segurava sacolas para passageiros do ônibus em que viajo, parei de fazer isso. Ignoro solenemente as dificuldades alheias. Não faço favores. Como trabalho em banca de jornal, sou muito solicitado por pessoas que desejam informações, como a localização de locais e ruas. Eu apenas digo “não sei” e, mesmo que saiba, nego. Não é problema meu. Na verdade, os jovens que me agrediram, acabaram me libertando. Passei a observar melhor o mundo à minha volta. Percebi que aqueles jovens NÃO SÃO OS ÚNICOS passageiros de transportes coletivos a ouvir música alta ao celular dentro do veículo, apesar da proibição por lei. Graças a pessoas assim, estou desobrigado de fazer coisas, além de minha obrigação!!! Graças a eles, eu não faço mais gentilezas para os outros. Vai saber, até mesmo a mãe deles precisou de mim um dia, e eu neguei-lhe meu auxílio, sem culpa. Muito obrigado a vocês, jovens e a – PRINCIPALMENTE – você, Método K.Da1, K.Da1 de Auto-a-Judas !!! ( … )”.
COMECE HOJE MESMO A UTILIZAR OS ENSINAMENTOS PRECIOSOS DO MÉTODO K.DA1, K.DA1 DE AUTO-A-JUDAS
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