ENCALHE

julho 22, 2009

GALERIA DE HERÓIS DO BLOG: OS FABULOSOS AMARELINHOS DA CET!

ESTES, EM NOSSO justo modo de ver as coisas, merecem o status de “heróis” tanto quanto os valorosos bombeiros. Imagine você ser apresentado à “opinião pública” como um “abusado” ou um “tirano”, quando você está apenas cumprindo uma função elementar: punir os maus motoristas ( que são, coincidentemente, maus cidadãos, más pessoas, más companhias… ).

Repito meu desafio aos nobres paulistanos: quando estiverem sem fazer nada, com tempo disponível ( por exemplo, no ponto de ônibus, quando costumamos gastar 30 minutos inutilmente à espera do transporte, que vem atrasado e cheio ) fiquem observando o comprtamento dos motoristas. Estão falando ao celular? Estão ocupando a faixa de pedestres enquanto aguardam o sinal verde? Estão na contramão? Estão estacionando em local permitido? Sobre a calçada? E a velocidade?
Oras, não é porque ( mesmo na condição natural de pedestre ) almeja tornar-se mais um motorista na cidade de SP, que você vai ignorar o que seus concidadãos fazem atrás do volante.
Um dos males desta “opinião pública” paulistana é desejar que a CET torne-se um exclusivo serviço de VALLET, mantido com o dinheiro de todos os cidadãos. Desejam que os fiscais de trânsito “eduquem”. Eis o sinônimo de “educar”, no dicionário paulistano:
CET: - O sr. está estacionado sobre a calçada, obrigando as pessoas a transiterem pelo meio da rua, rendendo-lhes riscos à vida. Será multado!
CIDADÃO EXEMPLAR, INDIGNADO E “PERSEGUIDO” PELA CET TIRANA: – Vocês só pensam em multar o pobre cidadão, em vez de nos educar para o trânsito!
CET ABORDANDO OUTRO MELIANTE: – Falando ao celular enquanto dirige? Tome multa!
CIDADÃO DE BEM: – Aiaiaiaiai… Vocês, da Indústria da Multa, só pensam em multar, para encher os cofres da Prefeitura, e aí prus pulíticus roubá!
CET: ( SUSPIRO! )
Que os justiceiros amarelinhos fechem os olhos para as barbaridades perpetradas pelas crianças adultas, que não se satisfazem abarrotando as ruas da capital em nome de um “estilo de vida” que só parece “independente” nas propagandas de TV, é isso o que a “opinião pública” deseja. Estas crianças que obedecem a um código de comportamento ( “escrito” sabe-se-lá quando ) que postula que somente será feliz, e se mostrará bem sucedido, aquele ( e também “aquela” ) cidadão ( ã ) que se dispuser a possuir um automóvel ( para depois, no fim das contas, ser possuído por este ). Parece que as “portas se abrirão”, que seremos “mais independentes” e “aceitos” pelos nossos pares. E um aviso subliminar: AI DAQUELE QUE OUSAR POR EM DÚVIDA TAIS POSTULADOS! Os “ousados” serão devidamente proscritos e desconsiderados pela sociedade do motor e barulho.
A recompensa para os que adentrarem tal “clube dos vencedores”? Sugere-se, por exemplo, que haveria uma vida sexual mais rica, diversificada e satisfatória. Pelo grau de tensão que se observa em nosso cotidiano, fica difícil acreditar nisso. Também há uma promessa meio contraditória, pelo menos no campo da imaginação: as ruas, nos comerciais, parecem vazias, dando a impressão de que vivencia uma “liberdade”. Ocorre que, todos buscando isso, ao mesmo tempo, acaba-se entulhando as ruas de carros, o que impede a realização desta promessa. Será impossível perceber e/ ou aceitar isso? Outra consideração sobre a “liberdade”: excluída a posibilidade física desta “liberdade” ocorrer por falta de espaços, há também a quetão da eterna escravização financeira do proprietário do automóvel. Vale a pena, mesmo?
Para botar ordem nessa zona ( psicológica, física ), são escalados os bravos cruzados, denominados “amarelinhos”, os bravos e heróicos fiscais de trânsito da CET.
Benvindos à GALERIA DOS HERÓIS DO BLOG!

julho 12, 2009

Eu sou A FAVOR das pessoas despejarem móveis velhos ( sofás, cadeiras ) na rua em São Paulo!

Nada como um título bacana para despertar a atenção do navegante incauto…
Antes, umas considerações, uns apontamentos balizadores:
As ruas da Capital paulistana devem, obrigatoriamente – eu insisto! – ser reformadas, recapeadas, aprumadas etc constantemente. Sem perder tempo com cálculos de custos e delongas inúteis. Não importa o preço! O motivo é simples, e revela a alma paulistana, de sua sociedade: as calçadas, o local designado aos pedestres, são intransitáveis. As ruas, ou seja, por onde circulam os veículos, são o melhor lugar para o pedestre transitar. A chamada opinião pública fica revoltada por causa dos buracos, valas, crateras e costelas-de-vaca encontrados nas pistas, pois isso danfica os carros. A imprensa ecoa essa revolta. Os governantes são eleitos com promessas tais como construir mais ruas, asfaltar e pavimentar mais vias. Isso rende votos.
As calçadas, por sua vez, são mantidas pelos proprietários dos imóveis, a quem cabe fazer a sua manutenção. As prefeituras ( por meio das administrações regionais ) fiscalizam essa manutenção. Mas, no entanto, cada trecho de calçada é construído da forma que mais agradar o dono do imóvel. Como este, geralmente, possui um carro no mínimo, a calçada deverá ser projetada para facilitar a entrada do carro na garagem ou vaga no imóvel. Se este tiver sido construído num patamar muito mais alto que o nível da calçada que atravessa a frente da propriedade, então tem-se aí um problema. Assim, o sujeito vai dar um jeito nisso, construíndo na calçada uma espécie de degrau / declive ligando a entrada da garagem ao meio fio. O carro terá seu acesso garantido, o pedestre ganhará um obstáculo no caminho, e a prefeitura não fará coisa alguma. Sabem o segredo? A “opinião pública” a quem me referi acima, que exige reformas e manutenções constantes nas vias de São Paulo, para a melhor circulação de seus carros e motos é formada, EXATAMENTE, pelos cidadãos que constroem as calçadas repletas de obstáculos para pedestres pela cidade afora. Eis aí a formação geral da “opinião pública” combativa.
Os pedestres, por sua vez, são seus cúmplices, já que esperam não permanecer no papel de “seres andantes” eternamente. De modo que consideram as demandas dos motoristas como sendo mais importantes que as suas próprias.
Diante deste quadro, resta ao pedestre que não tem a mentalidade de “wanna be” motorista, caminhar pela rua, pois o asfalto, geralmente, é lisinho e uniforme. Ou seja: ruas asfaltadas e recapeadas são do mais puro interesse até para quem não anda de carro por elas. Logo, a prefeitura faz muito bem em dedicar recursos e esforços em sua manutenção.
MÓVEIS
Quando você depara com um sofá, cadeira, armário velho, abandonados na rua, há de se observar duas coisas:
- Tem gente que não parece se importar com a possibilidade daquilo causar um acidente ou, mais comum, ajudar a provocar uma inundação;
- O objeto foi abandonado numa calçada;
- A pessoa que abandonou esse objeto acredita em mágica, poder do pensamento positivo, gênio da lâmpada ou alguma outra entidade fantástica.
O ítem dois é o mais revelador: revela a índole do cidadão que abandonou aquela porcaria ali, e sua relação com a idéia do “trânsito na Capital”. Explico: da mesma forma que um automóvel estacionado ( ou semi- ) sobre uma calçada “rouba” a parte que caberia aos pedestres, também é isso que ocorre quando abandonamos objetos nas calçadas, na esperança de que alguma força mágica ( a “entidade fantástica” supra mencionada ) se encarregue de sumir com aquilo. Ou seja: “rouba-se” o espaço do pedestre.
Oras, isso significa que, mesmo fazendo uma merda dessas, nota-se que o sujeito ainda tem a preocupação de não atrapalhar a circulação dos carros. Acho que é um tipo de pensamento similar ao daquelas culturas que fazem oferendas a totens. Não se pode desrespeitar e nem desagradar o ídolo, sob pena de receber castigos horrendos. E espera-se que a obediência seja recompensada. Algo como um mortal ser convidado para uma festa no Olimpo, apenas para pessoas exclusivas.
Isso explica por quê não se jogam sofás velhos no meio da rua. Não se pode ofender os deuses, na esperança de sermos acolhidos em suas graças. Por isso, somos obedientes, “humildes”, servis, solícitos. Desde muito cedo, somos apresentados ao culto. Às orações que reforçam a nossa fé

( “Brasileiro adora carro! Hereges e ímpios, não!” ) e nos consolam, fazendo-nos acreditar que fomos aceitos pelo grupo e não estamos sós, que somos um rebanho unido, pro que der e vier.
Somos levados a crer que seremos ungidos e todas as graças recairão sobre nós, se escolhermos trilhar o caminho ( “Tá certo. Mas como é que faz pra comer mulher se não tiver carro? Estou em São Paulo tem 1 ano e descobri que a mulher paulistana só dá pra quem estiver motorizado. Elas dizem que homem de verdade tem que ter carro.” - Comentário publicado em “É O CARRO, ESTÚPIDO!”, publicado no portal do CMI ) e que somente se for assim nossa existência estará assegurada e garantida e tudo o mais fará sentido.

Eu sou A FAVOR das pessoas despejarem móveis velhos ( sofás, cadeiras ) na rua em São Paulo!

Nada como um título bacana para despertar a atenção do navegante incauto…
Antes, umas considerações, uns apontamentos balizadores:
As ruas da Capital paulistana devem, obrigatoriamente – eu insisto! – ser reformadas, recapeadas, aprumadas etc constantemente. Sem perder tempo com cálculos de custos e delongas inúteis. Não importa o preço! O motivo é simples, e revela a alma paulistana, de sua sociedade: as calçadas, o local designado aos pedestres, são intransitáveis. As ruas, ou seja, por onde circulam os veículos, são o melhor lugar para o pedestre transitar. A chamada opinião pública fica revoltada por causa dos buracos, valas, crateras e costelas-de-vaca encontrados nas pistas, pois isso danfica os carros. A imprensa ecoa essa revolta. Os governantes são eleitos com promessas tais como construir mais ruas, asfaltar e pavimentar mais vias. Isso rende votos.
As calçadas, por sua vez, são mantidas pelos proprietários dos imóveis, a quem cabe fazer a sua manutenção. As prefeituras ( por meio das administrações regionais ) fiscalizam essa manutenção. Mas, no entanto, cada trecho de calçada é construído da forma que mais agradar o dono do imóvel. Como este, geralmente, possui um carro no mínimo, a calçada deverá ser projetada para facilitar a entrada do carro na garagem ou vaga no imóvel. Se este tiver sido construído num patamar muito mais alto que o nível da calçada que atravessa a frente da propriedade, então tem-se aí um problema. Assim, o sujeito vai dar um jeito nisso, construíndo na calçada uma espécie de degrau / declive ligando a entrada da garagem ao meio fio. O carro terá seu acesso garantido, o pedestre ganhará um obstáculo no caminho, e a prefeitura não fará coisa alguma. Sabem o segredo? A “opinião pública” a quem me referi acima, que exige reformas e manutenções constantes nas vias de São Paulo, para a melhor circulação de seus carros e motos é formada, EXATAMENTE, pelos cidadãos que constroem as calçadas repletas de obstáculos para pedestres pela cidade afora. Eis aí a formação geral da “opinião pública” combativa.
Os pedestres, por sua vez, são seus cúmplices, já que esperam não permanecer no papel de “seres andantes” eternamente. De modo que consideram as demandas dos motoristas como sendo mais importantes que as suas próprias.
Diante deste quadro, resta ao pedestre que não tem a mentalidade de “wanna be” motorista, caminhar pela rua, pois o asfalto, geralmente, é lisinho e uniforme. Ou seja: ruas asfaltadas e recapeadas são do mais puro interesse até para quem não anda de carro por elas. Logo, a prefeitura faz muito bem em dedicar recursos e esforços em sua manutenção.
MÓVEIS
Quando você depara com um sofá, cadeira, armário velho, abandonados na rua, há de se observar duas coisas:
- Tem gente que não parece se importar com a possibilidade daquilo causar um acidente ou, mais comum, ajudar a provocar uma inundação;
- O objeto foi abandonado numa calçada;
- A pessoa que abandonou esse objeto acredita em mágica, poder do pensamento positivo, gênio da lâmpada ou alguma outra entidade fantástica.
O ítem dois é o mais revelador: revela a índole do cidadão que abandonou aquela porcaria ali, e sua relação com a idéia do “trânsito na Capital”. Explico: da mesma forma que um automóvel estacionado ( ou semi- ) sobre uma calçada “rouba” a parte que caberia aos pedestres, também é isso que ocorre quando abandonamos objetos nas calçadas, na esperança de que alguma força mágica ( a “entidade fantástica” supra mencionada ) se encarregue de sumir com aquilo. Ou seja: “rouba-se” o espaço do pedestre.
Oras, isso significa que, mesmo fazendo uma merda dessas, nota-se que o sujeito ainda tem a preocupação de não atrapalhar a circulação dos carros. Acho que é um tipo de pensamento similar ao daquelas culturas que fazem oferendas a totens. Não se pode desrespeitar e nem desagradar o ídolo, sob pena de receber castigos horrendos. E espera-se que a obediência seja recompensada. Algo como um mortal ser convidado para uma festa no Olimpo, apenas para pessoas exclusivas.
Isso explica por quê não se jogam sofás velhos no meio da rua. Não se pode ofender os deuses, na esperança de sermos acolhidos em suas graças. Por isso, somos obedientes, “humildes”, servis, solícitos. Desde muito cedo, somos apresentados ao culto. Às orações que reforçam a nossa fé

( “Brasileiro adora carro! Hereges e ímpios, não!” ) e nos consolam, fazendo-nos acreditar que fomos aceitos pelo grupo e não estamos sós, que somos um rebanho unido, pro que der e vier.
Somos levados a crer que seremos ungidos e todas as graças recairão sobre nós, se escolhermos trilhar o caminho ( “Tá certo. Mas como é que faz pra comer mulher se não tiver carro? Estou em São Paulo tem 1 ano e descobri que a mulher paulistana só dá pra quem estiver motorizado. Elas dizem que homem de verdade tem que ter carro.” - Comentário publicado em “É O CARRO, ESTÚPIDO!”, publicado no portal do CMI ) e que somente se for assim nossa existência estará assegurada e garantida e tudo o mais fará sentido.

maio 26, 2009

Jaz São Paulo: "NO 1º. MUNDO PODE: 3º.Mandato e cidades sem carros"

NY privilegia pedestre e combate o carro
24/05/2009 – O Globo
O prefeito Michael Bloomberg anda sonhando com uma Nova York sem carros.
Nos anúncios que começaram a ser veiculados na TV e que lançam a sua candidatura para o terceiro mandato na eleição de 2010, Bloomberg revela seus planos de transformar a maior metrópole americana numa cidade ecologicamente correta, reduzindo o tráfego de veículos em pelo enos 30% até 2013.
Ele começa a executar seus planos hoje, com o fechamento da Broadway entre as ruas 42 e 47 e entre as ruas 33 e 35, em Manhattan. O tráfego na área vai ser deslocado para a Sétima Avenida. O prefeito quer fazer da Times Square um espaço exclusivo de pedestres — o maior outdoor de sua campanha por uma “Nova York verde”.
Bloomberg também já iniciou projetos semelhantes em outras regiões de Nova York. Já existem “ilhas de pedestres” em vários pontos da cidade: no Meatpacking District (na Nona Avenida, na altura da Rua 12, em frente a pontos noturnos badalados como o restaurante Pastis e a danceteria do Hotel Gansevoort), ou em Dumbo, no Brooklyn, nas cercanias da Water Street, uma área repleta de teatros e de restaurantes à beira do Rio Hudson.
Nos fins de semana do verão, também trechos da Park Avenue, no Upper East Side, serão fechados para pedestres.
Planos incluem a ampliação do metrô
As iniciativas visam a habituar os nova-iorquinos com o novo plano de metas, o PlaNYC.
Além de reduzir em 30% a emissão de gases poluidores, Bloomberg quer plantar um milhão de árvores, obrigar condomínios e empresas a seguirem novas regras de economia de energia e de água, implantar parques nas escolas, incentivar o uso de fontes alternativas de energia, aumentar as taxas de pedágio e estacionamento, ampliar a rede de metrô e as áreas exclusivas para pedestres e bicicletas.
Bloomberg quer fazer com que uma nova mentalidade ecológica leve os nova-iorquinos a usarem ainda mais a rede de metrô.
Por isso fez um acordo com o governador David Patterson, que possibilitará à prefeitura trabalhar junto com a MTA, a empresa estadual que administra a rede de transportes, a fim de trazer parte dos investimentos do pacote de estímulo à economia para a ampliação do metrô.
Mesmo com o orçamento público apertado pela crise, Nova York terá a ampliação de três linhas: em julho, a linha G, no Brooklyn, vai ser estendida por mais cinco estações, até Prospect Park; a linha 7, que atravessa Manhattan, vai ganhar mais duas estações; e a construção de uma nova linha no Lower East Side, partindo da estação de Fulton Street, vai consumir US$ 424 milhões do pacote de Barack Obama até 2014. Tudo para incentivar os habitantes a deixarem de lado o carro.
ENTREMENTES, NO 3º. MUNDO ( OU MELHOR, THE THIRD WORLD, pois em inglês é mais cosmopolita e as pessoas que aparecerão são tudo de melhor de nossa cidade amada e moderna ):
Aversão a dar carona é maior no Itaim Bibi ( lê-se: “Eeh-ta-him Bee-Bee” )
BOL, 24.05
Quem mora no Itaim Bibi considera os engarrafamentos o principal problema da região onde vive. Também, pudera: o distrito nobre da zona oeste de São Paulo, que atrai a maior quantidade de viagens de carro por dia, atrai também os motoristas com hábitos mais individualistas da capital paulista.
De cada cinco motoristas que têm o Itaim Bibi como destino diariamente (o que inclui quem mora no distrito ), só um leva passageiro. É quase o dobro da média da cidade, que é de um motorista com acompanhante a cada dois carros, segundo a pesquisa Origem/Destino do Metrô, espécie de censo dos transportes.
Apontado por especialistas como agravante do caos do trânsito, o uso do automóvel quase sempre com ocupação mínima ( chamado de “irracional” por alguns, já que o compartilhamento ajudaria a tirar carros da rua e melhorar o trânsito e a qualidade do ar ) tem como protagonistas desde motoristas que não dão carona por convicção até quem nunca se ofereceu para levar o vizinho ou o colega simplesmente porque ignora para onde ele vai.
Os outros nove distritos que mais atraem carros por dia também fazem a média de caronas da cidade comer poeira.Junto com o Itaim, Pinheiros, Jardim Paulista e Perdizes, na zona oeste, e Vila Mariana, Saúde, Moema, e Santo Amaro, na região sul, formam a “mancha” do individualismo no trânsito no mapa da cidade.
Os “ingredientes” para atrair carros são mais ou menos os mesmos: são de classe média [ NOTA: em seguida, notícias importantes sobre esta parcela da nossa sociedade ] alta, ficam na região central, têm alta concentração de carros por família e grande densidade de prédios altos.
Nesses distritos a quantidade de viagens atraídas por dia supera 100 mil e, em geral, só um a cada três motoristas leva passageiro. A exceção é Perdizes, que com Sacomã (sul) e Santana (único da zona norte) completa o “top 10″ do individualismo –a média nos três é de uma carona a cada dois carros.
Conversa fiada
“Dar carona para ajudar a melhorar o trânsito é conversa fiada. É como vestir camisa branca para protestar contra a violência: não resolve nada”, diz o comerciante Gilberto Giusepone, 61, que trabalha no Itaim Bibi, onde chega de carro sozinho todos os dias. “O que ajuda a diminuir o trânsito é mais metrô, linhas de ônibus mais inteligentes e menos ruas usadas como estacionamento.” [ OBS: Ele tem razão, gente. Se você tem um problema difícil de resolver, o ideal é não fazer nada. Você não deve ousar abrir mão de seus objetivos. Isso que dizer que, como os crimes e a violência estão no DNA da Humanidade, desde Caim & Abel Bros., não devemos gastar dinheiro em Segurança, pois se trata de um problema insolúvel. E além disso, o problema do trânsito não passa necessária e obrigatoriamente pela questão do mero "transporte das pessoas". A questão é de outra natureza: auto-estima, exibicionismo, status, padrão de consumo, ambição. Por isso, investir em Metrô e Fura-Fila é desperdício. As pessoas -os PEDESTRES inclusive - respeitam e LOUVAM o automóvel ]
Dona de um consultório no mesmo centro empresarial onde Giusepone trabalha, a médica Regina Messina, 38, até costuma dar carona. Mas só para os amiguinhos de escola de seus dois filhos de 9 e 7 anos –o restante das atividades ela faz “sozinha mesmo”.”Tenho carro e tenho onde estacionar. Então, nem cogito [pegar carona]“, diz ela, que mora nos Jardins (oeste), a 4,5 km (a 12 minutos de carro) do trabalho. Na casa, são dois carros: um dela, outro do marido.
O centro empresarial onde a médica e o comerciante trabalham recebe 2.000 carros por dia. Em 30 minutos, na manhã de quarta-feira, de 36 veículos que passaram por uma das entradas do estacionamento, só cinco levavam passageiros.
Regina diz que não se incomodaria em levar um vizinho ou um colega de trabalho se os locais onde mora e frequenta criassem algum projeto de incentivo à carona solidária -algo que, porém, diz jamais ter visto. Ir de carona ou de transporte público? Jamais. “A comodidade [de andar de carro] é muito atraente”, confessa.

Gráfico: Dos 10 distritos onde o “Meu pirão primeiro” é a regra, 9 estão nas Zonas Oeste e Sul. Se eu tivesse o trabalho de comparar este gráfico com outro apontando quais foram os candidatos vencedores nestes locais, nas eleições para Prefeito e Governador, que resultado vocês acham que daria?
Técnicos divergem sobre carona solidária
FOLHA DE S. PAULO – SP, 24.05.09
Editoria: COTIDIANO
Para consultor, tendência de viajar sozinho é preocupante; engenheiro insiste que a solução é investir em transporte público
Grupos que organizam carona dizem que procura ainda é muito baixa; em site, dos 500 cadastrados, 250 são de São Paulo
DA REPORTAGEM LOCAL
Em dez anos, a taxa de ocupação dos automóveis particulares em São Paulo caiu 5% -de 1,5 para 1,4 passageiro por veículo. Significa que, além do número de automóveis, a quantidade de motoristas que não leva ninguém também cresceu.
A tendência ao uso individualista do carro é considerada preocupante por especialistas. “É uma tendência burra, contrária a uma visão de cidade solidária”, diz o ex-técnico do Metrô Luis Otávio Calagian, hoje consultor independente.
Eles se dividem, porém, entre os que consideram esse individualismo uma consequência da deterioração das condições de mobilidade na cidade e os que o veem também como causa do problema, a ser combatida com ações específicas.
“Carona solidária é uma boa ideia, mas não boto muita fé [que melhore o trânsito]. O que tira o cidadão do automóvel é transporte público e tornar a viagem cada vez mais cara [aumentar estacionamento]“, diz o engenheiro de transportes da USP Jaime Waisman.
Já Calagian considera necessário, além dessas políticas, ações do poder público e da sociedade civil para fomentar a carona. “É preciso propaganda e campanhas educativas, para mostrar que a forma atual de usar o carro é uma idiotice”.
Para Waisman, a carona solidária jamais terá grande abrangência. “Colegas de trabalho podem até ir juntos, mas, e a volta? Alguém sempre sobra”, diz ele, entusiasta, entretanto, das redes de carona entre pais de alunos. “Essa funciona, porque concilia os interesses de todos. E ajuda o trânsito.”
Sem rede
Não faltam, na internet, opções de sites que cadastram origens, trajetos e destinos de pessoas dispostas a dar e pegar carona. Mas a rede ainda não é capaz de fazer com que parte expressiva dos motoristas partilhe o carro ou deixe-o em casa.
Criador do Caroneiros.com em 2007, primeiro site de oferta e procura de caronas do país, o analista de sistemas Rafael Chagas diz que, dos cerca de 500 “caronistas” cadastrados, 250 são de São Paulo (56% dos trajetos são dentro da capital). Desses, só um terço são pessoas se oferecendo para dar carona.
O número ainda é insignificante frente às 4,6 milhões de viagens diárias de carro na cidade -fica longe, por exemplo, das 2.890 viagens que acontecem diariamente no distrito menos movimentado da capital (Marsilac, no extremo sul).
Criador do Urbanias, site que dá informações sobre trânsito, Ricardo Joseph diz que um cadastro de interessados em caronas criado pelo site, no início do ano, até agora não atraiu “nem cem pessoas”.
“Preocupação com a segurança é uma desculpa fácil [para não dar/pegar carona]. As pessoas não abrem mão de escolher a hora que querem sair de casa, não querem ir para o trabalho conversando com quem não conhecem ou ouvindo música que não gostam.”
O professor Waisman, porém, não minimiza os riscos em relação à segurança ligados à ideia. “Um único caso trágico já faria um revertério [à carona solidária].”
(RICARDO SANGIOVANNI)
NEM TUDO É MÁ NOTÍCIA:
Homens de classe média são vítimas preferidas de assaltantes ( ESTADO, 23.05.09 )
Não é ótimo?

março 17, 2009

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

"O trânsito somos nós!"

Retomo o post anterior ( “Ateus e ciclistas pelados” ). O que me motivou a escrevê-lo, e que acabei esquecendo de mencionar, é que a bicicletada foi mostrada num telejornal, e o ( a ) repórter perguntou, a certa altura, a u’a moça, o que ela achava, se não estava prejudicando o trânsito etc ( foi algo assim, OK? ) e a ciclista meio que titubeou, mas depois tascou essa, lapidar e linda:
“NÓS somos o trânsito!”.
Não retiro nada do que falei no post em questão, mas essa frase merece ser pixada nos muros de São Paulo e além.

dezembro 11, 2008

Ex-prefeito de Bogotá: "Numa cidade avançada, os ricos usam o transporte público"

Essa aqui merece ser emoldurada. Vejam que o ex-prefeito de Bogotá faz suas considerações sem deixar de fora outros aspectos do cotidiano dos moradores das cidades, como o “convívio” nos shopping centers, a ocupação dos espaços, ou a qualidade das calçadas. Didaticamente, ele mostra aquilo que é muito óbvio, e destaco uma idéia: ao construír novas vias, ou túneis e fazer reformas [ cosméticos, na verdade ] , o administrador apenas faz as coisas melhorarem por um tempo, mas depois aqueles locais “chamam” as pessoas, que passam a ocupar ali também, com seus carros. Quanto aos ricos daqui passarem a utilizar o transporte público, não vejo ser possível mas, da mesma forma com a escola pública, seria ótimo que a classe-média passasse a frequentá-lo voluntária e efetivamente, forçando os governos a investir e dedicar esforços de verdade e cada vez mais. Mas, a realidade sombria: enquanto nos EUA a venda de utilitários tipo SUV decaía, adivinhem quem estava adquirindo-os, orgulhosamente: “Caminhão é transporte coletivo” , Candido Malta [ ler até o final ].
Numa cidade avançada, ricos usam o transporte público”
Folha de S.Paulo
08/12/2008
Para ex-prefeito de Bogotá, é preciso restringir o uso dos carros para melhorar trânsito
A única forma de reduzir os congestionamentos é restringir o uso do carro. Para Enrique Peñalosa, prefeito de Bogotá de 1998 a 2001 e responsável por iniciar a implantação do Transmilênio, sistema de ônibus rápido, nenhum transporte público resolve o problema do trânsito se os carros não forem retirados das ruas. Em São Paulo para o Urban Age, conferência internacional sobre urbanismo que acabou ontem, Penãlosa, que hoje atua como consultor, falou à Folha sobre a importância de uma boa calçada e de um transporte público eficiente e disse que a cadeira de rodas é a melhor máquina de planejamento urbano. (MARIANA BARROS)
FOLHA – O que faz uma boa cidade?
ENRIQUE PEÑALOSA – Jan Gehl [urbanista dinamarquês que defende que as cidades priorizem ciclistas e pedestres] diz que é aquela em que os moradores têm vontade de sair de casa, estar nas ruas -não no shopping. Uma cidade tem de ser boa para as pessoas mais vulneráveis: crianças, cadeirantes, idosos, pobres, ciclistas. Transporte não faz ninguém feliz, é apenas necessário, como água potável. Mas se há um parque, isso faz as pessoas felizes. O desafio é criar a cidade para as pessoas, e não para os carros.
FOLHA – Que coisas melhoram a vida urbana?
PEÑALOSA – Os parques são algo necessário ou um luxo? Acho que as pessoas precisam, sim, de um espaço desses, não para sobreviver, mas para serem mais felizes. Todos em São Paulo jogam bola. Por que não há campos ou quadras públicas?
FOLHA – O que caracteriza uma cidade avançada?
PEÑALOSA – Temos uma idéia de que progresso é ter mais pessoas usando carros, mas nas cidades mais avançadas do mundo, como Zurique, na Suíça, ou Tóquio, no Japão, as pessoas quase não usam automóvel. Uma cidade verdadeiramente avançada é aquela em que os ricos usam transporte público, caminham e vão a parques. O contrário disso é quando os ricos usam helicópteros, vão a clubes fechados, a shoppings, moram em condomínios.
Avanço é o que acontece no Central Park, em NY, onde 50 bilionários andam ao lado de pessoas que nem sabem onde vão dormir naquela noite.
FOLHA – Como fazer isso?
PEÑALOSA – Precisamos de segurança, diminuir a criminalidade. Agora, para fazer com que as pessoas usem transporte público é preciso restringir o uso de carros. Muita gente em SP tem carro, mas usa metrô. Não é porque adoram o metrô, mas porque é mais rápido, não precisa estacionar. De um lado, é preciso melhorar o transporte público; de outro, é preciso restringir o uso de automóveis. Há varias maneiras de se fazer isso. O rodízio é uma delas.
Nenhum transporte público do mundo acaba com os congestionamentos. A única maneira é restringir o uso de carros.
Tem de haver restrições a estacionamentos, sobretudo nas ruas. Outra forma é criar uma taxa, como em Londres, ou rodízio, como em SP e Bogotá.
FOLHA – Deve-se combater o carro?
PEÑALOSA – Não estou falando de restringir a compra, de colocar taxas na compra. É bom que as pessoas tenham carro, para poderem viajar, sair à noite.
Elas só não devem usá-lo nas horas de pico. Vamos cobrar pelo uso, não pela aquisição. Ou cobrar mais caro pelo combustível. Gasolina no Brasil deveria custar três vezes mais, e o dinheiro arrecadado deve ser investido em transporte.
FOLHA – É preciso optar entre carros ou pessoa? [OBS: essa pergunta foi didática ou completamente estúpida, como eu acho que foi? ]
PEÑALOSA – É possível medir a democracia analisando como o espaço público é distribuído entre pedestres, ciclistas, ônibus e carros. Quanto mais tender para os primeiros, mais democrática será. É uma questão política, não há nada técnico nisso. Se houver mais espaço para carros, haverá mais carros; menos espaço, menos carros.
As cidades ricas, há 15 anos, decidiram não fazer mais vias para melhorar o trânsito.
FOLHA – A piora é porque a população está crescendo?
[ OBS: repito a pergunta feita acima ]
PEÑALOSA – Não. Pode parecer que fazer mais estradas melhora o trânsito, mas isso não é verdade. Você conhece uma única cidade do mundo que tenha resolvido o problema do trânsito fazendo vias maiores? Não há.
Nos EUA, apesar das estradas gigantescas, o trânsito piora a cada ano. O que gera o trânsito é o número de viagens que cada automóvel faz e as distâncias que percorrem. Construir túneis e viadutos só faz com que os carros vão mais longe e façam mais viagens [ OBS: ou seja, "convida" as pessoas - que tenham a tendência a fazer isso - a aproveitarem as novas vias e passar a incluí-las em seu percurso automobilístico; em resumo, o efeito oposto daquele desejado ].
Nos primeiros anos, isso alivia o trânsito, como já ocorreu em SP. Depois piora de novo.
FOLHA – É uma questão cultural?
PEÑALOSA – Sim. A classe média, que tem carro, só quer mais espaço para os carros. Vão do estacionamento do prédio ao estacionamento do escritório, ao estacionamento do shopping, ao estacionamento do clube e podem passar meses sem andar em um quarteirão. A única coisa que querem do governo é polícia e rodovias. Querem metrô não para usar, mas porque querem que os ônibus vão para o subsolo. Não querem que o ônibus tire o espaço dos carros [ OBS: "NA MOSCA!!" ].
FOLHA – É melhor investir em ônibus ou em metrô?
PEÑALOSA – Em SP, há três vezes mais gente usando ônibus do que metrô; é muito mais prático e barato. Londres, para 10 milhões de habitantes, tem 1.850 km de metrô. Proporcionalmente, SP, que tem 20 milhões, teria de ter 3.700 km de metrô [Grande SP tem hoje 322 km de transporte urbano sobre trilhos]. Ainda assim, Londres desloca 1 milhão a mais de pessoas em ônibus do que em metrô. Mesmo com metrô, é preciso um bom sistema de ônibus.
A linha amarela que está sendo construída custa mais de US$ 150 milhões por km. Cada passageiro custa US$ 1,50. O Transmilênio custa US$ 10 milhões por km e cada passageiro, US$ 0,50. Leva 45 mil passageiros por hora por direção. Não estou dizendo que é melhor ou pior, mas é bom o suficiente.
FOLHA – E as calçadas?
PEÑALOSA – Calçadas são parte do sistema de transporte, porque a jornada começa quando saímos de casa. Uma calçada boa é símbolo de que o cidadão que caminha tem o mesmo valor de outro que tem um carro de US$ 30 mil. É símbolo de democracia. O que diferencia uma cidade boa de uma ruim é a qualidade das calçadas.
As de SP estão muito melhores agora do que há dez anos, principalmente nas áreas mais centrais. Se eu pudesse, amarrava o secretário de Planejamento numa cadeira de rodas e diria: vá andar pela sua cidade.
Uma cadeira de rodas é a máquina do planejamento urbano.
FOLHA – Como o sr. avalia o programa Cidade Limpa? [ OBS: o que isso tem a ver com o trânsito? Só faltou a reportagem dar um jeito de perguntar ao ex-prefeito se o crescimento econômico, ao permitir que a população possa comprar mais carros, pode ser apontado como um dos vilões e, com isso, mostrar a implicação do crescimento do País sob Lula, na questão dos congestionamentos. Assim, sobraria elogios a Kassab/ Serra e críticas a Lula ]
PEÑALOSA – É um exemplo para o mundo. É o que de mais importante se passou em SP nos últimos dez anos.

outubro 21, 2008

Eu, Prefeito

Caso eu, hipotéticamente, tivesse o cargo almejado pelos dois atuais postulantes, eu proporia isso, por uma São Paulo quase utópica:
- ÔNIBUS GRATUITO PARA TODOS: Sim, já houve alguém – acho que foi a Erundina, em 2004 – que lançou essa idéia. Eu mesmo, à época, não levei a sério. Hoje, mais velho e maduro ( rsrsrs ), com toda a sabedoria que o mundo me deu nessses últimos anos, acho viável adotar essa revolução.
Na ponta do lápis, muito dinheiro na caixinha
Haverá custos, claro. Mas que serão satisfatoriamente cobertos com um saudável e óbvio aumento e/ ou remanejamento de determinados tributos municipais. Porém, fazendo pequena pesquisa, eu que sou leigo pacas, descobri que parcelas de impostos estaduais, como o IPVA, são repassados aos municípios. Bom saber disso. Essas receitas devem ser compreendidas minuciosamente, tanto pelo gestor ( AAii!! ) municipal quanto pela própria população.
Os cofres públicos terão um belo retorno financeiro, já que a população, com mais grana em seu surrado bolso, comprará mais e, principalmente, ítens sobre os quais incidem cascatas e cascatas de taxas das quais o pobre [ sem a "engenharia contábil" que salva a pele de muitos poraí ] não escapa. Essa bola de neve fiscal garantirá recursos para implementar nososo busão grátis.
O famigerado “Mercado de Trabalho”
Além disso, pensem em termos de “empregabilidade” ( AAii!! ): o patrão poderá, finalmente, deixar de procrastinar e contratar aqueles funcionários de que tanto necessita, sem precisar desembolsar o Vale-Transporte. Mais dinheiro no caixa do patrão. Por sua vez, o candidato a um emprego não será preterido devido às dificuldades que o Vale-Transporte traria aos patrões, e descolará um trabalho muito mais rápido, mesmo morando nos Confins do Judas. Morar longe e não ter dinheiro para se deslocar não será mais empecilho.
Inclusão social e cordão umbilical cortado
Imagine você, aí longe, onde você mora. A escola é uma merda. Biblioteca depredada, inclusive pelos próprios moradores. Só tem campão de terra para tirar um lazer, mas a birita, as brigas e tretas, até mesmo o tráfico, não te dão vontade de circular por seu próprio bairro. Mas a falta de grana nem mesmo para comer uns pães de queijo 12 x R$ 1,00 te diz: “Você vai ficar aqui, queira ou não.” Que desespero, querer botar a cabeça para fora do insuportável cotidiano paupérrimo e sem perspectivas, e não poder sair. Tipo um gigantesco campo de concentração perverso, confinado e perdido nas distâncias da Metrópole.
E se você pudesse ir para longe? Não muito longe: tipo o “Parque do Povo” ou o “Centro Cultural São Paulo”, ou algum SESC da vida? Ou naqueles lugares lindíssimos perto dos Jardins, olhar as vitrines da Oscar Freire?
Levar seus filhos para conhecer através do muro. Sair daí nem que seja pelo alívio de estar longe. Espairecer de verdade. Longe do cenário deprimente ( e muito pior que ) descrito acima. Quantos Domingos você poderia ter passado longe daí, se tivesse um mínimo de dinheiro?
Com 10 contos, dá para comer um pastel na feira do Pacaembú, catar o busão grátis ( de acordo com nosso projeto ) até o Ibirapuera e, no fim do dia, voltar para casa, sem gastar grana de condução. Parece sonho, né? Ainda é. Mas alguém, um dia, pensará nisso, não só na questão empresarial e financeira.
Cara de palhaço, pinta de palhaço
Digamos, caro cidadão, você seja um desses felizardos que conseguem pagar a condução, ali, diariamente, na justa.
Aí você cata o busão, demora para descolar um lugar para sentar, som ilegal rolando dentro do veículo e coisa e tal. Para ajudar a compor com maior fidelidade este quadro Guantanamero, o busão pára num ponto, e de fora você ouve:
- Aê motô… dá por favor, na umildade ( sem “h”, errado até para falar ), dá prá dar uma carona aê?
“Sobe lá atrás”, responde o motô.
Sobem uns 3 moleques, que alugam logo o fundão do busão, mexendo com as pessoas na rua, cuspindo nos transeúntes, aquela merda. E eles logo desolam lugar para sentar, ao contrário de você. Um deles tira da bermuda modelo “cagada” um…celular. E começa a ouvir um som alto.
Você se sente um idiota por obedecer certas regras de convívio social impostas em priscas eras e, de quebra, um perfeito idiota paulistano, por pagar condução, enquanto lixos viajam gratuitamente? Pois bem, com nosso projeto de busão grátis, não podemos garantir paz dentro dos transportes, mas a sensação de inutilidade que lhe assenhora diante dessas situações vai acabar. Melhor, esses babacas não poderão se achar os mais malandrões por andarem de graça enquanto nós, os “otários” pagamos por eles. A auto-estima deles vai cair bastante. Talvez deixem de pegar ônibus, depois desse golpe.
- RECUPERAÇÃO DA “INDÚSTRIA DA MULTA”. AGORA A AUTORIDADE VAI MANDAR: Desde 2007, a PM manda para as ruas de São Paulo, um contingente de policiais que ajuda a heróica CET. Isso meio que desagradou o cidadão de bem, que não pôde [ quer dizer, não que não continue fazendo ] mais fazer as cavalices de costume. Além disso, uns desses cidadãos de bem argumentam, do alto de todo o seu saber a respeito do aparelho repressivo – prerrogativa do Estado -, que a PM não poderia estar tratando de ficar multando a gente boa paulistana. E que seu papel é “pegar bandido” [ excluíndo-se, lógico, o do trânsito ]. Por sua vez, vários policiais se sentiram rebaixados ao papel de “guardinha de trânsito”. Bom, todo esse esforço não parece ter surtido um efeito considerável. Do jeito que devia ter sido, claro.
Nossa proposta é simples: vamos fazer o “guardinha de trânsito” atingir o status de “Tropa de Elite”. Os PMs serão – muito agradecido! – devolvidos à sua condição anterior, e a Prefeitura fechará um convênio em que a ROTA assumirá o papel desses PMs. Conosco na Prefeitura, a ROTA vai pra rua. Multar sim. Guinchar, talvez. Engolir sapo de “cidadão de bem” mau-caráter e mau motorista, JAMAIS. Olha o dinheiro entrando no caixa da Prefeitura, permitindo que nós implantemos o busão gratuito. Talvez possamos encarregar-lhes, até mesmo, da tarefa de fazer cumprir a lei que proíbe o uso de aparelhos sonoros dentro dos ônibus. Nextel inclusive.

Aí foram algumas das propostas formuladas por nossa equipe de governo. Novas idéias para transtornos simples de resolver. Contamos com seu voto, num futuro ainda incerto.

outubro 4, 2008

Poucas horas para eu não votar em [ quase ] ninguém…

Antes de mais nada, parece que a Marta e o Kassab disputarão a prefeitura. Alckmin vem caindo [ de acordo com as pesquisas ] há tempos. Kassab conta com mais tempo no Horário Eleitoral Nada Gratuito, além de continuar como prefeito de São Paulo. Isso tem lhe garantido bastante visibilidade. O Imprensalão, como de praxe, está a seu lado, já que é o candidato de Serra. Este último conseguiu lhe transferir a habitual cobertura favorável da imprensa. Portanto, as denúncias de casos de corrupção em Subprefeituras – a última em Santana – não significam nada ainda.
Além disso, a crise da “economalia” americana tem conseguido ofuscar um monte de coisas daqui, como os eventos acima mencionados ( das Subprefeituras ) e o golpe dos advogados de Dantas que requerem a destruição de dados conseguidos pela PF.
A notícia deste expediente saiu, bem pequeno, na página A9 da Folha, como “Defesa de Dantas pede destruição de dados – Advogado nos EUA alegou, em carta enviada para Condoleezza Rice, que a PF violou ‘sigilo profissional’”. No Folha Online está “Defesa de Dantas pede ajuda a Condoleezza Rice para destruição de dados “. Noutros tempos [ tempos de golpe ] isso estaria na capa, nos editoriais e até na seção de Horóscopo.
Pois bem, voltando às eleições municipais. No segundo turno, o tempo na TV e rádio será igual para os dois que passarem de Domingo próximo. Alguns dias atrás, surgiu um papo dando conta que covistas e montoristas poderiam votar em Marta. E que desgostosos no PV e PMDB – partidos da coligação de Kassab – também poderiam fazer o mesmo. Isso, se não me engano, começou a correr quando Alckmin ainda estava bem na fita. Como também estou conseguindo – e vocês podem comprovar isso neste blog mesmo, onde as postagens não estão atingindo aquele patamar de produtividade a que acostumei minha nobre audiência, e o assunto “eleição” tampouco tem vindo à baila por aqui – ficar praticamente imune ao noticiário, não sei bem o que está rolando, só ouço falar e olhe lá.
Porque já me decidi: eu quero que São Paulo afunde. Que as águas de Março, Abril, Maio e tudo o mais transformem essa cidade numa Atlântida tropical do Terceiro Mundo. Acho que deixei isso claro, com meus posts sobre o “Homenzinho Amarelo”, em que busco retratar o cidadão daqui, em seus costumes e cotidiano.
Acho que,em grande parte, aquilo que as pessoas conseguem fazer retrata aquilo que as pessoas querem/são.
Há bastante tempo eu não falo do seguinte: o bairro onde moro, eu continuo sem fazer compras aqui. São uns 7 meses já. Não é muito o meu gasto, eu não tenho uma compulsão consumista. Pelo contrário. Também não tenho muita grana, mesmo… O que não signifique que os meus familiares acompanhem minha ação nesse sentido. As despesas continuam sendo feitas ali.
Mas eu não gosto do que se tornou este lugar, com a consequência da especulação imobiliária e razoável verticalização que tem ocorrido. Um pouco por causa da Economia do país, que tem feito a alegria do setor imobiliário e da construção, o nível de emprego, o crédito, enfim, essas coisas; além disso, a vinda do Metrô para Vila Prudente – que, apesar de ser apontado como fator para as pessoas deixarem de comprar carros – parece ter trazido mais gente para cá e eles trouxeram seus carros junto.
Para quem mora em locais que se tornaram “vedetes” imobiliárias, como Vila Leopoldina, aquilo que eu entendo como tendo havido uma “destruição” do meu bairro, não deve ser nada. Mas não precisa muito, já que o bairro é pequeno. Se você quisesse ir nalgum lugar ( uma farmácia, um “petshop” ), bastaria ir a pé. Mas não é o que ocorre. O trânsito – minúsculo, se compararmos com outros bairros – de que tanto falam os jornais, programas de rádio, aqui virou um caso perdido, já que os moradores ( na verdade, não sei se são novos moradores, ou se estão de passagem, se estão aqui por causa de algum desvio causado pelas obras do Metrô e do Fura-Fila nas proximidades ) preferem cobrir um percurso de 500 metros até o Largo de carro, ao invés de ir a pé.
Teve um tempo que surgiu aqui uma moça, que depois elegeu-se deputada estadual pelo PV, filha do prefeito de Mauá, e “liderou” a campanha da população deste bairro, que em tese, desejava melhoras no trânsito do Largo, onde fica boa parte do comércio local. Estavam ocorrendo acidentes, principalmente atropelamentos. Os jornais de bairro do pedaço faziam a cobertura do andamento da coisa, reunião com a CET, projetos de reforma viária.
Aí, fizeram algumas pequenas coisas ( duas “ilhas”, pinturas de faixas ) e tudo ficou nisso. A moça do PV sumiu ( acho que tem até a ver com um processo que ela e papai enfrentam no município de onde ele é o prefeito ), mas deixou um candidato a vereador como seu “preposto”. O que o PV fez para impedir as coisas de chegar a tal ponto, eu desconheço ( em lista publicada num jornal, dando os nomes dos candidatos a vereador paulistano, percebi que o PV tem mais candidatos que o PT ) , já que a especulação continuou. Recentemente, uma grande rede de farmácias inaugurou uma loja bem no Largo, onde antes funcionava um bar e restaurante. No ponto, vagas para 3 ou 4 carros. O local não podia ser mais impróprio. Se um zé ruela tiver dificuldade de manobrar para entrar/ sair, o fluxo todo vai se complicar. É como se estreitasse ainda mais a boca de um funil. Então: quem teria permitido uma abominação dessas? A Prefeitura? A vizinhança, claro, compra no local, chegando até lá obviamente de carro.

Mais uma coisa: também, há pouco, houve uma série de reformas num cruzamento movimentado ( Rua das Heras X Av. Zelina X Pinheiro Guimarães X Francisco Falconi ). Tudo a facilitar para os automóveis. Acontece que essa rua das Heras é uma via estreita, de duas mãos de direção além de ser uma ladeira estilo “perseguição de carros em São Francisco”. Não há muito comércio, apenas pequenos mercados, oficinas.
Por essa rua, passam inclusive caminhões. Dois sentidos, lembrem-se.
Só que as calçadas, de ambos os lados, além de estreitíssimas, têm a irregularidade como norma em sua superfície. Digamos que ao pedestre parece, ao passear por estas calçadas, que ele sobe ou desce uma escada. São degraus. Os passeios não são lisos ou possuem sutis elevações. Nada disso. Os moradores rebaixam para a entrada de carros e, como seu imóvel está num nível acima do vizinho, ele termina sua parte exatamente na divisa com este, formando um declive ( acho que é isso ) em 90º. Ou seja, um degrau. Calçada estreita, degraus e árvores. Mas já não dá para andar no meio da rua, pois o trânsito é violento, e nos dois sentidos. AH! Faltou dizer que carros estacionados sobre estas calçadas são praxe.
Oras, ninguém pôs um revólver na cabeça destes moradores, obrigando-os a manterem assim tais calçadas. Eles fazem porque assim desejam e fazem. E, já que não há fiscalização, K.da 1-K.da 1…
Só falei do trânsito, mas poderia ter falado sobre os jardins cimentados, sobre as mesas nas calçadas…
Ah, sobre as mesas…sim…
Quando instalaram um posto policial móvel no Largo, os policiais faziam o que lhes competia: multavam os carros que faziam barbaridades em seus narizes. Acontece que a comunidade, a mesma que pediu pela instalação desse posto, começou a chiar; um cidadão até mandou uma carta para um jornal do bairro reclamando que isso era “um absurdo”, que as coisas pelas quais o motorista estava sendo autuado, JÁ ERAM COSTUME!!
Ou seja, os crimes eram cometidos impunemente, desde a fundação do bairro.
E os policiais deveriam relevar, então.
Além disso, um bar famoso ( por aqui, claro ) começou a botar mesas na calçada, geralmente aos domingos. Ele ganha dinheiro a partir de um delito: as pessoas poderiam não frequentar o local, se este estivesse “lotado”. A solução encontrada pelo dono, para aumentar a capacidade do estabelecimento, e assim, atender muito mais pessoas, foi simples: método K.da 1-K.da1.
Meliante ele e os clientes. É necessário reforçar isso: os clientes são igualmente meliantes.
E são eleitores. Assim como eu e vocês.
Aí eu pergunto: o que eu tenho ( em termos de querer algo ) em comum com tais cidadãos? NADA.
O que eu tenho em comum com pessoas que escutam música – sem os fones – dentro do ônibus, e fazendo com que os outros passageiros também sejam obrigados a escutar? NADA.
O que eu tenho em comum com sujeitos que estacionam em local proibido, em calçadas, passam no sinal vermelho, que colocam auto-falantes no carro e aumentam ainda mais a poluição sonora duma cidade cada dia mais estressante e barulhenta? NADA.
Ou com pessoas que jogam móveis nas ruas quando compram novos?
Que desperdiçam água potável lavando a calçada ( em tese, por gostarem de coisas “bonita” ) mas não se intimidam em jogar na cidade todo o tipo de detrito que puderem produzir?
Gente que não consegue pedir uma informação no ponto de ônibus, usando expressões como “por favor” e “obrigado”. Isso, meus caros, virou português arcaico!
Eu podia seguir o resto do dia enumerando atitudes que têm tornado o cotidiano – uma simples saída de casa – insuportável. Pequenos gestos de incivilidade cujos efeitos resultam em desculpas para mais incivilidades.
Pensamentos que deveriam ser classificados como absurdos. Vejam: se um candidato prometesse e pudesse cumprir a promessa de fazer com que NUNCA MAIS CHOVESSE EM SÃO PAULO, o que pareceria ser uma brincadeira, uma pândega, teria apoio da grande maioria da população. Chuva atrapalha, a natureza atrapalha. Eis o modo de pensar que prevalece.
Portanto, a depender dos moradores de São Paulo, nunca mais choveria no município, em parte por causa do trânsito, e outra porque sol o ano inteiro é bom. Respirar é ruim.
Em resumo: o que eu vejo como problema, os eleitores vêm como solução; o que entendo por absurdo, eles enxergam como desejável.
Sou voto vencido. Por isso, quero que as pessoas tenham aquilo que desejarem. E não quero que a Marta ( em quem eu, a princípio, pretendia votar ) passe de novo pela dor de cabeça de comandar este Zoológico. Então, mesmo que ela ganhe ( o que, antigamente, a meu ver, poderia ser visto como uma atitude positiva do eleitorado ) para mim tanto faz. E não vai levar meu voto. É um voto de protesto, não contra “us pulíticus”, mas contra a população.
Como a Lídia Correa, do PMDB, falou contra a especulação imobiliária e contra as privatizações do DEMo-tucanato, vai ganhar, pela primeira vez, o meu voto.
Para terminar:
Atenção adolescentes “grávidas para chamar a atenção” ( como saiu no Estadão domingo passado ) e que vêm a gravidez precoce como projeto de vida: eu decidi que não vou tomar a vacina contra a rubéola. De propósito. Eu posso lidar com uma gripezinha. Mas, se ficar doente, farei questão de sair de casa todos os dias, pegar ônibus e Metrô lotados. Se seus filhos nascerem deformados ou mortos por isso, lembrem-se da velha canção que toca nos celulares paulistanos: “K.da1-K.da1…”.
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