Postado no finado blog O Cata-Milho, em 23 de Janeiro deste ano e, até onde percebo, permanece atual. Infelizmente.
Humberto
Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
Um dia desses quando, para a minha maior alegria, São Pedro decidiu – finalmente – abrir as comportas – caindo até granizo, legal – claro que não pude ignorar que um volume daqueles não deixaria de causar alguma pequena devastação.
Para mim é difícil entender o porquê das pessoas ainda se mostrarem surpresas com as chuvas, ainda mais quando caem fortemente. Vejam só, o ser humano morria de medo de raios e trovões. Com a Natureza ninguém pode. Chorem à vontade, isso não mudará nada. Ou tentem “gerenciar” sua relação com ela. Se começa a chover quando você sai do trabalho, tente parar e tomar um café até que passe. Não é auto-ajuda, é apenas aceitar nossa insignificância. Lembre-se de quando você levava a maior surra quando ficava jogando bola na chuva. Você não tinha medo e nem pudor de ficar debaixo do toró. Não estou dizendo que se deva tomar chuva cada vez que cai uma, mas não precisa dar uma de Cascão.
O que isso tem a ver com o título do post?
Quase nada. É que naquele chuvaréu de duas semanas atrás, lembrei, até por força da data, do craterão do Metrô ( seu primeiro aniversário, que comemorei com bolo ). Aos poucos, no decorrer dos dias de Janeiro, foram noticiados incêndios no HC ( hoje mesmo teve um ), e seguidas panes no Metrô.
Então fica aquela coisa: o primeiro incêndio no HC, passa um tempo, e vem outro; pane no Metrô, passam-se uns dias, outra pane, passam-se mais uns dias, outra pane, mais uns dias, e outra pane.
E eu passo a me perguntar – não devo ser o único – o que REALMENTA estria acontecendo? O que não está sendo dito pelo imprensalão? A notícia boa, a verdadeira informação DEVE SER ou TEM QUE SER o que não está sendo dito. Quer dizer que, de repente, o Metrô começou a ter seguidas panes dando assunto pros jornais porem na capa? De repente assim e em vários dias seguidos? Baixou um David Icke em mim.
Prosseguindo: eu falava sobre “o que não teria sido dito ou noticiado”. Nada muito sério, só umas impressões.
O que é notícia? Longe de ser uma pergunta retórica. Vou apelar para o velho axioma: “Se um cão morde um homem, não é notícia. Agora, se um homem morde um cão, isso é notícia.”
Lembram-se do túnel Vieira de Mello, construído na administração Marta Suplicy, como parte da revitalização viária da tristemente famosa Avenida Rebouças ( São Paulo, Capital ) ? Lembram do bafafá que se fez, teve até uma líder de “movimento totalmente cívico e não-partidário”, a dona Bandeira de Mello que aporrinhou a prefeitura por causa da obra, e os microfones sempre lhe deram bastante espaço? Ela, todos sabem, conseguiu um carguinho bacana na Emurb depois que José Serra ganhou a Prefeitura. Mas isso são águas passadas, e eu não resisti ao trocadilho.
Lembram das manchetes, das fotos? “TÚNEL CONSTRUÌDO POR MARTA INUNDA. FALHA NA OBRA”; “MORADORES DA AVENIDA REBOUÇAS QUEREM EXPLICAÇÔES DE MARTA SUPLICY”; “‘SUSPEITAS EM OBRA DE MARTA SUPLICY. SERRA ANULA CONTATOS’”; “PREFEITO SERRA COBRARÁ EXPLICAÇÕES DE MARTA SUPLICY. CONTRATOS NA JUSTIÇA”; “SERRA ANULA CONTRATOS DE TÚNEL DA REBOUÇAS PELA 8a. VEZ ESTE MÊS”; “KASSAB ASSUME E ANULA PELA 7a. VEZ DESDE O MEIO-DIA CONTRATOS DE TÚNEL CONSTRUÍDO POR MARTA SUPLICY”…
E a dentista do factóide, que sumiu ( as profundezas a engulam )? Dedo em riste na cara da Marta, “indignação cidadã”, foto bem enquadrada cruzando o Brasil. E a mulher desapareceu após ter cumprido sua missão ( as profundezas a engulam ), Marta saiu, Serra entrou, saiu, entrou Kassab, mas as cheias permanecem. Como sempre. Cão morde homem.
Em resumo: o governante de plantão teve que ouvir as cobranças. Era Marta Suplicy. A prefeita de São Paulo. O sujeito da oração. Sujeito definido.
Peguemos, agora, caso da tragédia da obra do Metrô e das panes que vêm ocorrendo, dos incêndios e da falta de medicamentos no HC, só para pinçar alguns episódios. Quem é o “sujeito”, que não aparece na oração e que, portanto, não é jamais exposto à desaprovação pública? O “túnel” era de Marta, mas a crateta e as panes são do “Metrô”, é isso o que o imprensalão golpista passa.
Para piorar – e é disso que eu deveria estar tratando – alguém soube se o famoso “Túnel construído pela Marta” teria inundado com estas últimas tempestades que caíram sobre São Paulo? Eu procurei na Internet, e apenas consegui saber que houve um dia de trânsito lento na Rebouças, mas foi por causa de uma árvore que desabou.
Mas o túnel inundou? Inundou, é? E cadê as capas e manchetes que o imprensalão sempre trouxe, insistentemente?
Não inundou? Que bom. E isso não é notícia, dado o passado polêmico da obra? Ou é a confissão de que “o que é bom para Marta” o imprensalão esconde?
Um dia desses quando, para a minha maior alegria, São Pedro decidiu – finalmente – abrir as comportas – caindo até granizo, legal – claro que não pude ignorar que um volume daqueles não deixaria de causar alguma pequena devastação.
Para mim é difícil entender o porquê das pessoas ainda se mostrarem surpresas com as chuvas, ainda mais quando caem fortemente. Vejam só, o ser humano morria de medo de raios e trovões. Com a Natureza ninguém pode. Chorem à vontade, isso não mudará nada. Ou tentem “gerenciar” sua relação com ela. Se começa a chover quando você sai do trabalho, tente parar e tomar um café até que passe. Não é auto-ajuda, é apenas aceitar nossa insignificância. Lembre-se de quando você levava a maior surra quando ficava jogando bola na chuva. Você não tinha medo e nem pudor de ficar debaixo do toró. Não estou dizendo que se deva tomar chuva cada vez que cai uma, mas não precisa dar uma de Cascão.
O que isso tem a ver com o título do post?
Quase nada. É que naquele chuvaréu de duas semanas atrás, lembrei, até por força da data, do craterão do Metrô ( seu primeiro aniversário, que comemorei com bolo ). Aos poucos, no decorrer dos dias de Janeiro, foram noticiados incêndios no HC ( hoje mesmo teve um ), e seguidas panes no Metrô.
Então fica aquela coisa: o primeiro incêndio no HC, passa um tempo, e vem outro; pane no Metrô, passam-se uns dias, outra pane, passam-se mais uns dias, outra pane, mais uns dias, e outra pane.
E eu passo a me perguntar – não devo ser o único – o que REALMENTA estria acontecendo? O que não está sendo dito pelo imprensalão? A notícia boa, a verdadeira informação DEVE SER ou TEM QUE SER o que não está sendo dito. Quer dizer que, de repente, o Metrô começou a ter seguidas panes dando assunto pros jornais porem na capa? De repente assim e em vários dias seguidos? Baixou um David Icke em mim.
Prosseguindo: eu falava sobre “o que não teria sido dito ou noticiado”. Nada muito sério, só umas impressões.
O que é notícia? Longe de ser uma pergunta retórica. Vou apelar para o velho axioma: “Se um cão morde um homem, não é notícia. Agora, se um homem morde um cão, isso é notícia.”
Lembram-se do túnel Vieira de Mello, construído na administração Marta Suplicy, como parte da revitalização viária da tristemente famosa Avenida Rebouças ( São Paulo, Capital ) ? Lembram do bafafá que se fez, teve até uma líder de “movimento totalmente cívico e não-partidário”, a dona Bandeira de Mello que aporrinhou a prefeitura por causa da obra, e os microfones sempre lhe deram bastante espaço? Ela, todos sabem, conseguiu um carguinho bacana na Emurb depois que José Serra ganhou a Prefeitura. Mas isso são águas passadas, e eu não resisti ao trocadilho.
Lembram das manchetes, das fotos? “TÚNEL CONSTRUÌDO POR MARTA INUNDA. FALHA NA OBRA”; “MORADORES DA AVENIDA REBOUÇAS QUEREM EXPLICAÇÔES DE MARTA SUPLICY”; “‘SUSPEITAS EM OBRA DE MARTA SUPLICY. SERRA ANULA CONTATOS’”; “PREFEITO SERRA COBRARÁ EXPLICAÇÕES DE MARTA SUPLICY. CONTRATOS NA JUSTIÇA”; “SERRA ANULA CONTRATOS DE TÚNEL DA REBOUÇAS PELA 8a. VEZ ESTE MÊS”; “KASSAB ASSUME E ANULA PELA 7a. VEZ DESDE O MEIO-DIA CONTRATOS DE TÚNEL CONSTRUÍDO POR MARTA SUPLICY”…
E a dentista do factóide, que sumiu ( as profundezas a engulam )? Dedo em riste na cara da Marta, “indignação cidadã”, foto bem enquadrada cruzando o Brasil. E a mulher desapareceu após ter cumprido sua missão ( as profundezas a engulam ), Marta saiu, Serra entrou, saiu, entrou Kassab, mas as cheias permanecem. Como sempre. Cão morde homem.
Em resumo: o governante de plantão teve que ouvir as cobranças. Era Marta Suplicy. A prefeita de São Paulo. O sujeito da oração. Sujeito definido.
Peguemos, agora, caso da tragédia da obra do Metrô e das panes que vêm ocorrendo, dos incêndios e da falta de medicamentos no HC, só para pinçar alguns episódios. Quem é o “sujeito”, que não aparece na oração e que, portanto, não é jamais exposto à desaprovação pública? O “túnel” era de Marta, mas a crateta e as panes são do “Metrô”, é isso o que o imprensalão golpista passa.
Para piorar – e é disso que eu deveria estar tratando – alguém soube se o famoso “Túnel construído pela Marta” teria inundado com estas últimas tempestades que caíram sobre São Paulo? Eu procurei na Internet, e apenas consegui saber que houve um dia de trânsito lento na Rebouças, mas foi por causa de uma árvore que desabou.
Mas o túnel inundou? Inundou, é? E cadê as capas e manchetes que o imprensalão sempre trouxe, insistentemente?
Não inundou? Que bom. E isso não é notícia, dado o passado polêmico da obra? Ou é a confissão de que “o que é bom para Marta” o imprensalão esconde?
“Temporal alaga ruas na capital. Chuva já matou quatro pessoas e deixou 15 mil desalojadas”
O Globo Online
14/01/08
O Globo Online
14/01/08

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