NY privilegia pedestre e combate o carro
24/05/2009 – O Globo
O prefeito Michael Bloomberg anda sonhando com uma Nova York sem carros.
Nos anúncios que começaram a ser veiculados na TV e que lançam a sua candidatura para o terceiro mandato na eleição de 2010, Bloomberg revela seus planos de transformar a maior metrópole americana numa cidade ecologicamente correta, reduzindo o tráfego de veículos em pelo enos 30% até 2013.
Ele começa a executar seus planos hoje, com o fechamento da Broadway entre as ruas 42 e 47 e entre as ruas 33 e 35, em Manhattan. O tráfego na área vai ser deslocado para a Sétima Avenida. O prefeito quer fazer da Times Square um espaço exclusivo de pedestres — o maior outdoor de sua campanha por uma “Nova York verde”.
Bloomberg também já iniciou projetos semelhantes em outras regiões de Nova York. Já existem “ilhas de pedestres” em vários pontos da cidade: no Meatpacking District (na Nona Avenida, na altura da Rua 12, em frente a pontos noturnos badalados como o restaurante Pastis e a danceteria do Hotel Gansevoort), ou em Dumbo, no Brooklyn, nas cercanias da Water Street, uma área repleta de teatros e de restaurantes à beira do Rio Hudson.
Nos fins de semana do verão, também trechos da Park Avenue, no Upper East Side, serão fechados para pedestres.
Planos incluem a ampliação do metrô
As iniciativas visam a habituar os nova-iorquinos com o novo plano de metas, o PlaNYC.
Além de reduzir em 30% a emissão de gases poluidores, Bloomberg quer plantar um milhão de árvores, obrigar condomínios e empresas a seguirem novas regras de economia de energia e de água, implantar parques nas escolas, incentivar o uso de fontes alternativas de energia, aumentar as taxas de pedágio e estacionamento, ampliar a rede de metrô e as áreas exclusivas para pedestres e bicicletas.
Bloomberg quer fazer com que uma nova mentalidade ecológica leve os nova-iorquinos a usarem ainda mais a rede de metrô.
Por isso fez um acordo com o governador David Patterson, que possibilitará à prefeitura trabalhar junto com a MTA, a empresa estadual que administra a rede de transportes, a fim de trazer parte dos investimentos do pacote de estímulo à economia para a ampliação do metrô.
Mesmo com o orçamento público apertado pela crise, Nova York terá a ampliação de três linhas: em julho, a linha G, no Brooklyn, vai ser estendida por mais cinco estações, até Prospect Park; a linha 7, que atravessa Manhattan, vai ganhar mais duas estações; e a construção de uma nova linha no Lower East Side, partindo da estação de Fulton Street, vai consumir US$ 424 milhões do pacote de Barack Obama até 2014. Tudo para incentivar os habitantes a deixarem de lado o carro.
ENTREMENTES, NO 3º. MUNDO ( OU MELHOR, THE THIRD WORLD, pois em inglês é mais cosmopolita e as pessoas que aparecerão são tudo de melhor de nossa cidade amada e moderna ):
Aversão a dar carona é maior no Itaim Bibi ( lê-se: “Eeh-ta-him Bee-Bee” )
BOL, 24.05
Quem mora no Itaim Bibi considera os engarrafamentos o principal problema da região onde vive. Também, pudera: o distrito nobre da zona oeste de São Paulo, que atrai a maior quantidade de viagens de carro por dia, atrai também os motoristas com hábitos mais individualistas da capital paulista.
De cada cinco motoristas que têm o Itaim Bibi como destino diariamente (o que inclui quem mora no distrito ), só um leva passageiro. É quase o dobro da média da cidade, que é de um motorista com acompanhante a cada dois carros, segundo a pesquisa Origem/Destino do Metrô, espécie de censo dos transportes.
Apontado por especialistas como agravante do caos do trânsito, o uso do automóvel quase sempre com ocupação mínima ( chamado de “irracional” por alguns, já que o compartilhamento ajudaria a tirar carros da rua e melhorar o trânsito e a qualidade do ar ) tem como protagonistas desde motoristas que não dão carona por convicção até quem nunca se ofereceu para levar o vizinho ou o colega simplesmente porque ignora para onde ele vai.
Os outros nove distritos que mais atraem carros por dia também fazem a média de caronas da cidade comer poeira.Junto com o Itaim, Pinheiros, Jardim Paulista e Perdizes, na zona oeste, e Vila Mariana, Saúde, Moema, e Santo Amaro, na região sul, formam a “mancha” do individualismo no trânsito no mapa da cidade.
Os “ingredientes” para atrair carros são mais ou menos os mesmos: são de classe média [ NOTA: em seguida, notícias importantes sobre esta parcela da nossa sociedade ] alta, ficam na região central, têm alta concentração de carros por família e grande densidade de prédios altos.
Nesses distritos a quantidade de viagens atraídas por dia supera 100 mil e, em geral, só um a cada três motoristas leva passageiro. A exceção é Perdizes, que com Sacomã (sul) e Santana (único da zona norte) completa o “top 10″ do individualismo –a média nos três é de uma carona a cada dois carros.
Conversa fiada
“Dar carona para ajudar a melhorar o trânsito é conversa fiada. É como vestir camisa branca para protestar contra a violência: não resolve nada”, diz o comerciante Gilberto Giusepone, 61, que trabalha no Itaim Bibi, onde chega de carro sozinho todos os dias. “O que ajuda a diminuir o trânsito é mais metrô, linhas de ônibus mais inteligentes e menos ruas usadas como estacionamento.” [ OBS: Ele tem razão, gente. Se você tem um problema difícil de resolver, o ideal é não fazer nada. Você não deve ousar abrir mão de seus objetivos. Isso que dizer que, como os crimes e a violência estão no DNA da Humanidade, desde Caim & Abel Bros., não devemos gastar dinheiro em Segurança, pois se trata de um problema insolúvel. E além disso, o problema do trânsito não passa necessária e obrigatoriamente pela questão do mero "transporte das pessoas". A questão é de outra natureza: auto-estima, exibicionismo, status, padrão de consumo, ambição. Por isso, investir em Metrô e Fura-Fila é desperdício. As pessoas -os PEDESTRES inclusive - respeitam e LOUVAM o automóvel ]
Dona de um consultório no mesmo centro empresarial onde Giusepone trabalha, a médica Regina Messina, 38, até costuma dar carona. Mas só para os amiguinhos de escola de seus dois filhos de 9 e 7 anos –o restante das atividades ela faz “sozinha mesmo”.”Tenho carro e tenho onde estacionar. Então, nem cogito [pegar carona]“, diz ela, que mora nos Jardins (oeste), a 4,5 km (a 12 minutos de carro) do trabalho. Na casa, são dois carros: um dela, outro do marido.
O centro empresarial onde a médica e o comerciante trabalham recebe 2.000 carros por dia. Em 30 minutos, na manhã de quarta-feira, de 36 veículos que passaram por uma das entradas do estacionamento, só cinco levavam passageiros.
Regina diz que não se incomodaria em levar um vizinho ou um colega de trabalho se os locais onde mora e frequenta criassem algum projeto de incentivo à carona solidária -algo que, porém, diz jamais ter visto. Ir de carona ou de transporte público? Jamais. “A comodidade [de andar de carro] é muito atraente”, confessa.

Gráfico: Dos 10 distritos onde o “Meu pirão primeiro” é a regra, 9 estão nas Zonas Oeste e Sul. Se eu tivesse o trabalho de comparar este gráfico com outro apontando quais foram os candidatos vencedores nestes locais, nas eleições para Prefeito e Governador, que resultado vocês acham que daria?
Editoria: COTIDIANO
Para consultor, tendência de viajar sozinho é preocupante; engenheiro insiste que a solução é investir em transporte público
Grupos que organizam carona dizem que procura ainda é muito baixa; em site, dos 500 cadastrados, 250 são de São Paulo
DA REPORTAGEM LOCAL
Em dez anos, a taxa de ocupação dos automóveis particulares em São Paulo caiu 5% -de 1,5 para 1,4 passageiro por veículo. Significa que, além do número de automóveis, a quantidade de motoristas que não leva ninguém também cresceu.
A tendência ao uso individualista do carro é considerada preocupante por especialistas. “É uma tendência burra, contrária a uma visão de cidade solidária”, diz o ex-técnico do Metrô Luis Otávio Calagian, hoje consultor independente.
Eles se dividem, porém, entre os que consideram esse individualismo uma consequência da deterioração das condições de mobilidade na cidade e os que o veem também como causa do problema, a ser combatida com ações específicas.
“Carona solidária é uma boa ideia, mas não boto muita fé [que melhore o trânsito]. O que tira o cidadão do automóvel é transporte público e tornar a viagem cada vez mais cara [aumentar estacionamento]“, diz o engenheiro de transportes da USP Jaime Waisman.
Já Calagian considera necessário, além dessas políticas, ações do poder público e da sociedade civil para fomentar a carona. “É preciso propaganda e campanhas educativas, para mostrar que a forma atual de usar o carro é uma idiotice”.
Para Waisman, a carona solidária jamais terá grande abrangência. “Colegas de trabalho podem até ir juntos, mas, e a volta? Alguém sempre sobra”, diz ele, entusiasta, entretanto, das redes de carona entre pais de alunos. “Essa funciona, porque concilia os interesses de todos. E ajuda o trânsito.”
Sem rede
Não faltam, na internet, opções de sites que cadastram origens, trajetos e destinos de pessoas dispostas a dar e pegar carona. Mas a rede ainda não é capaz de fazer com que parte expressiva dos motoristas partilhe o carro ou deixe-o em casa.
Criador do Caroneiros.com em 2007, primeiro site de oferta e procura de caronas do país, o analista de sistemas Rafael Chagas diz que, dos cerca de 500 “caronistas” cadastrados, 250 são de São Paulo (56% dos trajetos são dentro da capital). Desses, só um terço são pessoas se oferecendo para dar carona.
O número ainda é insignificante frente às 4,6 milhões de viagens diárias de carro na cidade -fica longe, por exemplo, das 2.890 viagens que acontecem diariamente no distrito menos movimentado da capital (Marsilac, no extremo sul).
Criador do Urbanias, site que dá informações sobre trânsito, Ricardo Joseph diz que um cadastro de interessados em caronas criado pelo site, no início do ano, até agora não atraiu “nem cem pessoas”.
“Preocupação com a segurança é uma desculpa fácil [para não dar/pegar carona]. As pessoas não abrem mão de escolher a hora que querem sair de casa, não querem ir para o trabalho conversando com quem não conhecem ou ouvindo música que não gostam.”
O professor Waisman, porém, não minimiza os riscos em relação à segurança ligados à ideia. “Um único caso trágico já faria um revertério [à carona solidária].” (RICARDO SANGIOVANNI)
NEM TUDO É MÁ NOTÍCIA:
Não é ótimo?