Valor Econômico, 24.10.08
O lucro líquido da Vale no terceiro trimestre superou as expectativas do mercado ao atingir R$ 12,4 bilhões, o maior já registrado em três meses, e 166% acima do ganho do mesmo período de 2007, de R$ 4,6 bilhões. O lucro por ação no período foi de R$ 2,36.
A desvalorização do real teve impacto positivo de R$ 2,8 bilhões antes do imposto de renda, já que a maior parte da receita é gerada na moeda americana devido as exportações e aos investimentos no exterior. Segundo comunicado da empresa, as operações com derivativos apresentavam um saldo positivo de R$ 62,3 milhões no fim de setembro.
Nos nove meses de 2008, a mineradora acumulou um lucro líquido de R$ 19,2 bilhões, 24% acima do acumulado no igual período do ano passado.
A receita bruta do terceiro trimestre também foi recorde, de R$ 21,4 bilhões, 33% acima. O desempenho deveu-se a preços mais elevados do minério de ferro, que contribuiu com 66% da receita da Vale no período. Os embarques de minério de ferro e pelotas, de 85,9 milhões de toneladas, os maiores já registrados pela companhia.
Os minerais não-ferrosos tiveram sua participação reduzida para 26% ante 42%. A queda do preço do níquel foi o que determinou em parte a redução dessa participação. Em termos de distribuição geográfica, 41% da receita foi obtida com vendas para a Ásia, 31% para as Américas, 25% para a Europa e 4% para outras regiões. Por país, a China firmou-se como o principal mercado, com fatia de 20% nas vendas da mineradora. O Brasil vem em segundo lugar, com 18%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização também foi a maior da história da companhia, de R$ 11,3 bilhões, 42% acima dos R$ 8 bilhões do terceiro trimestre de 2007. Nos nove primeiros meses do ano, o lajida ficou em R$ 28, 4 bilhões ante R$ 27, 1 bilhão de igual período de 2007. Por ordem de negócios, o minério de ferro respondeu com 77% do total e os não-ferrosos, com 19%.
A Vale tinha um caixa de US$ 15, 2 bilhões até 30 de setembro, por conta da operação de aumento de capital que lhe rendeu US$ 12 bilhões. Além disso, dispõe de linhas de crédito de 10 anos de quase US$ 10 bilhões, concedidas por instituições governamentais do Brasil e do Japão (BNDES e JBIC).
A dívida total da Vale em 30 de setembro somava US$ 19,1 bilhões, com prazo médio de endividamento de 9,3 anos e custo médio de 5,8% ao ano. A alavancagem medida pela relação dívida/lajida reduziu-se para 1 vez. A empresa investiu US$ 2,7 bilhões no terceiro trimestre e US$ 6,7 bilhões nos nove meses.
Lucro da Vale quase triplica no 3o tri e atinge recorde histórico
O lucro da Vale quase triplicou no terceiro trimestre do ano, para surpresa do mercado, e atingiu recorde de 12,4 bilhões de reais, contra 4,65 bilhões de reais registrados há um ano, ficando bem distante das previsões de analistas. A empresa justificou o bom resultado com receitas operacionais também recordes e um impacto cambial positivo de 2,849 bilhões de reais antes do Imposto de Renda. Reuters, 23.10.08
Ações caem e Vale ganha R$ 3,3 bi com recompra
Agência Estado, 23.10.08
São Paulo – O programa de recompra de ações anunciado neste mês pela Vale pode retirar de circulação um montante de papéis equivalente a 53,6% do que foi ofertado pela companhia em julho. A recompra inclui até 5,5% das ações ordinárias (com direito a voto) e 8,5% das preferenciais (sem direito a voto), o que soma um total de 239,1 milhões de ações, enquanto a oferta global totalizou a emissão de 445,9 milhões de papéis. O grande volume da recompra é explicado pela forte queda registrada pelos papéis nos últimos três meses, em meio à crise financeira internacional e à percepção de que um novo reajuste de minério de ferro em 2009 parece cada vez mais inviável.
Quando a companhia emitiu as ações em julho, a operação movimentou R$ 19,4 bilhões. Agora, com a queda dos preços, a Vale gastará R$ 6,7 bilhões para comprar 53% desses papéis – ao preço da oferta, eles custariam cerca de R$ 10 bilhões. Apesar de ser um sinal de que a mineradora tem confiança no futuro dos negócios e pretende mostrar que o preço das suas ações está baixo, o programa de recompra chamou a atenção do mercado porque consumirá parte dos recursos captados na oferta global. Na ocasião, a empresa havia anunciado que destinaria esses recursos para investimentos orgânicos ou eventuais aquisições.
“A Vale está gastando parte da oferta global para um objetivo diferente do que tinha programado, o que é ruim do ponto de vista de governança corporativa”, informou a Banif Corretora. Segundo a instituição, os investidores prefeririam que a companhia aplicasse esse dinheiro em investimentos para aumento de capacidade, e não nos próprios papéis. “A decisão é controversa e poderá causar uma reação negativa por parte de alguns investidores”, informou um analista, que não quis ser identificado.
Uma das explicações para a mudança de planos é a recente restrição ao crédito em todo o mundo, que afastou a chance de aquisições por parte da mineradora, mesmo com a oferta de ativos mais baratos. “Agora que o mercado, secou a Vale resolveu repensar os investimentos em compras”, disse o analista da Corretora Geração Futuro, Carlos Kochenborger.
Mesmo com caixa elevado, a companhia precisaria obter financiamentos adicionais para fazer aquisições de outras mineradoras de grande porte. Segundo ele, já que a empresa não vai partir para as compras, não é vantajoso manter todos estes recursos no caixa enquanto as ações estão em queda. “Dentro do cenário atual, que é negativo, a iniciativa é boa”, disse.
MEGACONTRATO DA VALE
Valor, 16.10.08
A Companhia Vale do Rio Doce informou ontem que firmou novo contrato de longo prazo com a siderúrgica anglo holandesa Corus UK Ltd. (Corus), controlada pela indiana Tata Steel, para fornecimento de minério de ferro a suas usinas na Europa. Foi acertada pelo prazo de cinco anos a entrega de cerca de 63 milhões de toneladas. Segundo a Vale, o fornecimento à Corus vem de longa data, desde 1942, e é um dos maiores já assinados entre uma siderúrgica e um fornecedor de minério de ferro.
da Folha Online, 18.02.08
As siderúrgicas Nippon Steel, Nisshin Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e JFE Steel, do Japão, e Posco, da Coréia do Sul, aceitaram um aumento de 65% no preço do minério de ferro que importam da Vale do Rio Doce, que passa a valer para as compras do minério a partir de 1º de abril.
Em geral, o primeiro acordo de preços entre grandes siderúrgicas e grandes fornecedoras de minério de ferro estabelece o preço base para o setor como um todo.
A Nippon Steel e a Posco, que negociaram em conjunto com a Vale, concordaram em pagar US$ 78,90 por tonelada do minério fino do sistema Sul da Vale, contra US$ 47,81 no período anterior. A JFE Steel (uma unidade da JFE Holdings) também concordou com o aumento.
Por meio de comunicado enviado ao mercado, a Vale afirma que “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. A Vale informou ainda que o preço do minério de Carajás terá um aumento de 71%.
Outras siderúrgicas, incluindo companhias chinesas, também estariam próximas de aceitar um aumento similar para o preço do minério que terão de importar no período fiscal de 2008/2009.
As outras duas gigantes do setor de mineração –Rio Tinto e BHP Billiton– viram como positivo o aumento no preço do minério. Entre as siderúrgicas, por sua vez, o aumento foi visto como um ganho, sendo que havia o temor de que teriam de aceitar um reajuste ainda maior, devido ao aumento na demanda.
“Estamos investindo para aumentar a produção de minério de ferro de alta qualidade para atender às necessidades dos nossos clientes, tendo como meta alcançar capacidade de produção de 450 milhões de toneladas anuais ao final de 2012, que demandará a realização de significativos investimentos em novas minas e ampliação de nossas ferrovias e portos”, afirma ainda a companhia brasileira.
Recorde
Na semana passada, a Vale anunciou recordes de produção em 2007 dos principais minérios que extrai. No caso do minério de ferro –do qual a Vale é a maior extratora mundial– a produção cresceu 12% sobre 2006, atingindo 295,9 milhões de toneladas métricas.
Vale corta produção para se adequar a cenário global
Agência Estado, 26.09.08
A decisão das siderúrgicas chinesas de usarem suprimentos domésticos foi tomada após a Vale ter interrompido parte de seus embarques para o país, em razão de uma disputa de preços, segundo informa a edição online de hoje do jornal China Daily, que cita como fonte um membro da Associação de Aço e Minério de Ferro da China.
A versão divulgada pela publicação contrasta com a informação do jornal chinês ShangaiDaily, citando outro jornal, o China Securities Journal. Segundo essas publicações, a China é que decidiu interromper as importações de minério de ferro da Vale no curto prazo.
Segundo o chefe de pesquisa de mercado da associação, Chen Xianwen, em entrevista para o China Daily, a companhia só está fazendo embarque de finos de minério com teor de 62% de minério para a China, enquanto suspendeu a remessa de produtos de teor mais elevado de 64% e 65% de minério de ferro.
Xianwen disse que representantes da Wuhan Iron & Steel Co e de outras siderúrgicas locais se encontraram com mineradoras domésticas, ontem, para discutir compras de minério de ferro.
A Vale está tentando elevar os preços de seus produtos para empresas asiáticas com o intuito de alinhá-los aos valores que cobra de siderúrgicas européias. A associação tem afirmado que as demandas da Vale são “irracionais” e as siderúrgicas têm rejeitado o reajuste, em razão do esfriamento da demanda por parte de seus clientes finais, como montadoras e construtoras.
“Foi acertado no encontro que o uso de finos de minério domésticos é absolutamente viável”, declarou Chen. Ele informou que mais detalhes do encontro serão publicados amanhã pelo China Metallurgical News.
Os clientes asiáticos pagam um valor cerca de 11% a 11,5% inferior ao desembolsado pelos clientes europeus, segundo informou a Vale no dia 9 de setembro. A empresa brasileira tem negado informações divulgadas pelo relatório Lloyds de que estaria atrasando exportações para a China.

TRIVELA
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Desemprego Zero
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