O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, assistiu, na noite de terça-feira (29), a uma apresentação do documentário Sicko — S.O.S. Saúde do cineasta americano Michael Moore. Apresentado no Festival de Cannes em maio do ano passado, é uma articulada seqüência de duríssimas críticas ao sistema de Saúde dos Estados Unidos. O filme também defende, apaixonadamente, o direito universal e gratuito à saúde.
Depois de os senadores derrubarem a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), em dezembro, Temporão entrou em campanha para defender fontes de financiamento para o Sistema Único de Saúde (SUS). Encerrada a sessão, o ministro conversou com os jornalistas e comentou que o filme é um convite à reflexão sobre as políticas públicas.
“É preciso ter consciência política sobre o direito à saúde, mas nada é de graça. É a arrecadação de tributos que sustenta esse direito universal”, afirmou. O evento da terça-feira foi realizado no tradicional Cine Brasília, organizado pelo Ministério da Saúde e pela distribuidora Europa Filmes. Em breve, os brasileiros poderão conferir o documentário Sicko — S.O.S. Saúde nos cinemas.
Neste ano, o SUS completa 20 anos e Temporão disse estar disposto a resolver o problema do financiamento do sistema. Não sabe o que vai ser definido pelo Congresso, mas garantiu que vai “ouvir as lideranças”.
Depois da traumática derrota da CPMF — que tirou R$ 40 bilhões do orçamento deste ano e atingiu principalmente a saúde —, o Palácio do Planalto deu sinais claros de que não vai apoiar a volta do tributo. Há quem defenda a criação de uma nova contribuição para a Saúde no âmbito da reforma tributária. Os secretários estaduais querem vincular 10% da receita bruta e ainda existe a possibilidade de destinar parte da arrecadação da seguridade social.
Os planos particulares de saúde dão, na avaliação de Temporão, uma falsa sensação de segurança para as pessoas. Isso porque, em sua avaliação, atos complexos e até mesmo a vacinação contra a febre amarela são exemplos da importância do SUS. O ministro disse que a má impressão dos primeiros contatos com o sistema, nas unidades de urgência e nas policlínicas, é totalmente mudada nas internações. “Nos ambulatórios e na média complexidade, a situação é mais grave e a hotelaria é ruim. Na Inglaterra, também há fila para cirurgias eletivas”, admitiu.
Ele atribuiu ao abandono a fuga da classe média das escolas públicas e alertou que isso não pode ser consolidado na rede de Saúde. Defendeu o que chamou de “características especiais” do SUS — como o uso da rede hospitalar privada com recursos públicos e a participação da sociedade por meio dos conselhos municipais de Saúde.
O documentário de Moore distribui pancadas nos políticos americanos — Bill e Hillary Clinton
Além da humilhante comparação com a ilha inimiga dos Estados Unidos, Moore aproveita o abismo que separa o sistema americano das políticas públicas de Canadá, Inglaterra e França para chocar. Revela que muitos europeus têm benefícios “inalcançáveis” pelos americanos.
Em uma entrevista com um médico britânico, o documentário também destaca que o salário desse profissional pode ser aumentado se seus pacientes apresentam evolução significativa nos índices de gordura no sangue, na perda de peso ou no abandono do tabagismo. Tudo isso é paradigma para Moore e representa exatamente o oposto da crueldade de mercado que vem sendo imposta à sociedade americana.
Da Redação
VERMELHO, com informações do Valor Econômico
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