ENCALHE

novembro 24, 2008

Moral da história: crise econômica americana acabou sendo melhor que a assinatura do Tratado de Kyoto

Filed under: crise econômica americana, General Motors, Sérgio Augusto — Humberto @ 2:16 pm
Eu sou mau.
Que coisa…A GM à beira da falência. Bem, impérios deixaram de existir. A URSS desapareceu, asssim como o Império Otomano.
E por quê não, a GM? Talvez essa empresa pudesse se transformar, dedicando-se não mais à produção de transporte individual mas – com os governos tendo que investir mais e mais vultosos recursos em grandes obras para tentar minimizar a crise – ao transporte de massa, como trens e metrô.
E, aproveitando, reproduzo um artigo do ótimo Sérgio Augusto, publicado no Estadão de Domingo em que se mostra favorável à ajuda financeira à montadora americana. Um dos poucos caras que me fazem ler o Estado.
E por que não reinventar a roda?
Crise revela o equívoco de uma indústria que apostou em mastodontes motorizados, o must dos novos-ricos
Sérgio Augusto
Pouco antes da invasão do Iraque, o magnata dos tablóides Rupert Murdoch estufou o peito e, fazendo coro com os Strangeloves do governo Bush, anteviu que a guerra seria “a melhor coisa do mundo do ponto de vista econômico”, provocando uma estabilização do preço do petróleo em torno de US$ 20 o barril. “Melhor do que redução de impostos em qualquer país”, arrematou. Vocês viram o que de fato aconteceu nos cinco anos e meio de uma guerra prevista, pelas mesmas cassandras, para durar algumas semanas. Em julho passado, o barril chegou a quase US$ 150. E se há três dias custava menos de US$ 50, a US$ 20 jamais chegará. A tendência, aliás, é que volte a subir. Se não subir uns 60%, crise à vista. Sem condições financeiras de investir, adequadamente, na exploração de novas fontes de petróleo e na produção de outros 45 milhões de barris por dia (a demanda estimada para daqui a 20 anos), e pressionada para adequar-se a padrões mínimos de salubridade ambiental, a indústria de combustíveis não tem um futuro dos mais promissores. Petróleo barato não é só má notícia para a Opep, Irã e Rússia, mas também para o meio ambiente e o trânsito nas grandes cidades. Quando o barril passou dos US$ 80, anunciou-se o fim da moda dos jipões, Hummers e demais utilitários sedentos de combustível, devidamente celebrado por todos aqueles que vêem no carro um veículo de transporte, não um arrogante emblema de auto-afirmação e novo-riquismo. Com o barril abaixo dos US$ 50, eles voltam a ser uma ameaça, certo? Teoricamente, sim. Mas como a bonança da gasolina a preço de banana tem prazo limitado e os carangos schwarzeneggerianos não bebem etanol, melhor encomendar logo o epitáfio. De lambujem, a crise das montadoras americanas. Que, convém ressaltar, não começou com os terremotos que desde setembro aterrorizam o mundo financeiro. Faz tempo que as vendas de carros vêm caindo acentuadamente no país que os inventou. Simples: os consumidores já estavam com a grana curta antes de o barril de petróleo beirar os US$ 90. Faz tempo também que a indústria automobilística enfia os pés pelas mãos, num show contínuo de soberba e incompetência administrativa. As Três Grandes do setor (General Motors, Ford e Chrysler, na verdade, um oligopólio que domina 95% do mercado) passaram anos investindo em mastodontes, em vez de concentrar esforços na pesquisa e fabricação de veículos que consumam menos energia e até utilizem outros tipos de combustível, como, por exemplo, o Chevy Volt, movido a energia elétrica, mais econômico que uma geladeira, previsto pela GM para 2010, mas perigando gorar antes do prazo, caso o pior aconteça. O que de pior pode acontecer? Para uns, o governo injetar US$ 50 bilhões numa indústria automobilística incapaz, superada, que por isso mesmo, dizem, merece ir à breca. Para outros, o governo deixar as montadoras falirem, aumentando em 3 milhões o número de desempregados no país e provocando uma quebradeira da indústria de autopeças, revendedoras, etc. Embora haja liberais, conservadores e progressistas compartilhando as duas posições, indistintamente, os mais ortodoxos defensores do livre mercado tendem a condenar qualquer tipo de ajuda federal, ainda que relativamente pequena e provisória, à indústria automobilística.
“Agora US$ 50 bilhões, depois mais US$ 50 bilhões”, empombou o comentarista do Washington Post George F. Will, antevendo um poço sem fundo. E a fortuna investida no Iraque e desviada para os cofres da Halliburton, da Blackwater e afins, em nome da “segurança” e do “patriotismo”? Por que os bancos, que só produzem papel, foram salvos com uma ajuda de US$ 700 bilhões, e as montadoras, que produzem bens de consumo e geram milhões de empregos, não podem receber US$ 50 bilhões?, cobrou Paul Craig Roberts. Assistente da Secretaria do Tesouro do governo Reagan, Roberts não pode ser acusado de estatizante ou algo similar.
Que tal aproveitar a oportunidade para reinventar a indústria automotora americana?, sugeriu um blogueiro da revista The New Republic, sintetizando o anseio de diversos políticos e analistas, que, ideologias à parte, condicionam qualquer ajuda governamental a um comprometimento das montadoras com a fabricação de carros mais econômicos e ecologicamente corretos. Sem salvaguardas como esta, não faz o menor sentido salvar as Três Grandes da bancarrota. Se bem que nem carros como o Chevy Volt o sectário Will aceita como garantia; até porque o considera uma concessão malévola aos congressistas “obcecados” pelo ambientalismo. Com cabeças assim, fica mais difícil carregar o andor capitalista.
É voz corrente que subsidiar uma indústria cheia de vícios só iria perpetuar uma estrutura improdutiva. Uma indústria automobilística revigorada, vibrante e competitiva teria um papel essencial na solução dos três maiores problemas da atualidade: a debacle financeira, a crise energética e a catástrofe ambiental, escreveu Jeffrey D. Sachs, que considera “vital” uma parceria com o governo. Tão vital que deveria ter sido iniciada, segundo ele, na semana passada. Mas o Congresso só tomará a decisão final daqui a 15 dias. Depois de ver os três principais executivos da GM (Richard Wagoner), Chrysler (Robert Nardelli) e Ford (Alan Mulally) descerem em Washington para mendigar US$ 50 bilhões, a bordo de luxuosos jatinhos executivos, o usualmente moderado comentarista político Eugene Robinson, colega de página de Will, não se conteve e sugeriu que o Congresso aprovasse logo a ajuda às montadoras, condicionando-a à demissão sumária do desmoralizado trio. Boa idéia. O exemplo não deve vir sempre de cima?

Moral da história: crise econômica americana acabou sendo melhor que a assinatura do Tratado de Kyoto

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Eu sou mau.
Que coisa…A GM à beira da falência. Bem, impérios deixaram de existir. A URSS desapareceu, asssim como o Império Otomano.
E por quê não, a GM? Talvez essa empresa pudesse se transformar, dedicando-se não mais à produção de transporte individual mas – com os governos tendo que investir mais e mais vultosos recursos em grandes obras para tentar minimizar a crise – ao transporte de massa, como trens e metrô.
E, aproveitando, reproduzo um artigo do ótimo Sérgio Augusto, publicado no Estadão de Domingo em que se mostra favorável à ajuda financeira à montadora americana. Um dos poucos caras que me fazem ler o Estado.
E por que não reinventar a roda?
Crise revela o equívoco de uma indústria que apostou em mastodontes motorizados, o must dos novos-ricos
Sérgio Augusto
Pouco antes da invasão do Iraque, o magnata dos tablóides Rupert Murdoch estufou o peito e, fazendo coro com os Strangeloves do governo Bush, anteviu que a guerra seria “a melhor coisa do mundo do ponto de vista econômico”, provocando uma estabilização do preço do petróleo em torno de US$ 20 o barril. “Melhor do que redução de impostos em qualquer país”, arrematou. Vocês viram o que de fato aconteceu nos cinco anos e meio de uma guerra prevista, pelas mesmas cassandras, para durar algumas semanas. Em julho passado, o barril chegou a quase US$ 150. E se há três dias custava menos de US$ 50, a US$ 20 jamais chegará. A tendência, aliás, é que volte a subir. Se não subir uns 60%, crise à vista. Sem condições financeiras de investir, adequadamente, na exploração de novas fontes de petróleo e na produção de outros 45 milhões de barris por dia (a demanda estimada para daqui a 20 anos), e pressionada para adequar-se a padrões mínimos de salubridade ambiental, a indústria de combustíveis não tem um futuro dos mais promissores. Petróleo barato não é só má notícia para a Opep, Irã e Rússia, mas também para o meio ambiente e o trânsito nas grandes cidades. Quando o barril passou dos US$ 80, anunciou-se o fim da moda dos jipões, Hummers e demais utilitários sedentos de combustível, devidamente celebrado por todos aqueles que vêem no carro um veículo de transporte, não um arrogante emblema de auto-afirmação e novo-riquismo. Com o barril abaixo dos US$ 50, eles voltam a ser uma ameaça, certo? Teoricamente, sim. Mas como a bonança da gasolina a preço de banana tem prazo limitado e os carangos schwarzeneggerianos não bebem etanol, melhor encomendar logo o epitáfio. De lambujem, a crise das montadoras americanas. Que, convém ressaltar, não começou com os terremotos que desde setembro aterrorizam o mundo financeiro. Faz tempo que as vendas de carros vêm caindo acentuadamente no país que os inventou. Simples: os consumidores já estavam com a grana curta antes de o barril de petróleo beirar os US$ 90. Faz tempo também que a indústria automobilística enfia os pés pelas mãos, num show contínuo de soberba e incompetência administrativa. As Três Grandes do setor (General Motors, Ford e Chrysler, na verdade, um oligopólio que domina 95% do mercado) passaram anos investindo em mastodontes, em vez de concentrar esforços na pesquisa e fabricação de veículos que consumam menos energia e até utilizem outros tipos de combustível, como, por exemplo, o Chevy Volt, movido a energia elétrica, mais econômico que uma geladeira, previsto pela GM para 2010, mas perigando gorar antes do prazo, caso o pior aconteça. O que de pior pode acontecer? Para uns, o governo injetar US$ 50 bilhões numa indústria automobilística incapaz, superada, que por isso mesmo, dizem, merece ir à breca. Para outros, o governo deixar as montadoras falirem, aumentando em 3 milhões o número de desempregados no país e provocando uma quebradeira da indústria de autopeças, revendedoras, etc. Embora haja liberais, conservadores e progressistas compartilhando as duas posições, indistintamente, os mais ortodoxos defensores do livre mercado tendem a condenar qualquer tipo de ajuda federal, ainda que relativamente pequena e provisória, à indústria automobilística.
“Agora US$ 50 bilhões, depois mais US$ 50 bilhões”, empombou o comentarista do Washington Post George F. Will, antevendo um poço sem fundo. E a fortuna investida no Iraque e desviada para os cofres da Halliburton, da Blackwater e afins, em nome da “segurança” e do “patriotismo”? Por que os bancos, que só produzem papel, foram salvos com uma ajuda de US$ 700 bilhões, e as montadoras, que produzem bens de consumo e geram milhões de empregos, não podem receber US$ 50 bilhões?, cobrou Paul Craig Roberts. Assistente da Secretaria do Tesouro do governo Reagan, Roberts não pode ser acusado de estatizante ou algo similar.
Que tal aproveitar a oportunidade para reinventar a indústria automotora americana?, sugeriu um blogueiro da revista The New Republic, sintetizando o anseio de diversos políticos e analistas, que, ideologias à parte, condicionam qualquer ajuda governamental a um comprometimento das montadoras com a fabricação de carros mais econômicos e ecologicamente corretos. Sem salvaguardas como esta, não faz o menor sentido salvar as Três Grandes da bancarrota. Se bem que nem carros como o Chevy Volt o sectário Will aceita como garantia; até porque o considera uma concessão malévola aos congressistas “obcecados” pelo ambientalismo. Com cabeças assim, fica mais difícil carregar o andor capitalista.
É voz corrente que subsidiar uma indústria cheia de vícios só iria perpetuar uma estrutura improdutiva. Uma indústria automobilística revigorada, vibrante e competitiva teria um papel essencial na solução dos três maiores problemas da atualidade: a debacle financeira, a crise energética e a catástrofe ambiental, escreveu Jeffrey D. Sachs, que considera “vital” uma parceria com o governo. Tão vital que deveria ter sido iniciada, segundo ele, na semana passada. Mas o Congresso só tomará a decisão final daqui a 15 dias. Depois de ver os três principais executivos da GM (Richard Wagoner), Chrysler (Robert Nardelli) e Ford (Alan Mulally) descerem em Washington para mendigar US$ 50 bilhões, a bordo de luxuosos jatinhos executivos, o usualmente moderado comentarista político Eugene Robinson, colega de página de Will, não se conteve e sugeriu que o Congresso aprovasse logo a ajuda às montadoras, condicionando-a à demissão sumária do desmoralizado trio. Boa idéia. O exemplo não deve vir sempre de cima?

Moral da história: crise econômica americana acabou sendo melhor que a assinatura do Tratado de Kyoto

Filed under: crise econômica americana, General Motors, Sérgio Augusto — Humberto @ 2:16 pm
Eu sou mau.
Que coisa…A GM à beira da falência. Bem, impérios deixaram de existir. A URSS desapareceu, asssim como o Império Otomano.
E por quê não, a GM? Talvez essa empresa pudesse se transformar, dedicando-se não mais à produção de transporte individual mas – com os governos tendo que investir mais e mais vultosos recursos em grandes obras para tentar minimizar a crise – ao transporte de massa, como trens e metrô.
E, aproveitando, reproduzo um artigo do ótimo Sérgio Augusto, publicado no Estadão de Domingo em que se mostra favorável à ajuda financeira à montadora americana. Um dos poucos caras que me fazem ler o Estado.
E por que não reinventar a roda?
Crise revela o equívoco de uma indústria que apostou em mastodontes motorizados, o must dos novos-ricos
Sérgio Augusto
Pouco antes da invasão do Iraque, o magnata dos tablóides Rupert Murdoch estufou o peito e, fazendo coro com os Strangeloves do governo Bush, anteviu que a guerra seria “a melhor coisa do mundo do ponto de vista econômico”, provocando uma estabilização do preço do petróleo em torno de US$ 20 o barril. “Melhor do que redução de impostos em qualquer país”, arrematou. Vocês viram o que de fato aconteceu nos cinco anos e meio de uma guerra prevista, pelas mesmas cassandras, para durar algumas semanas. Em julho passado, o barril chegou a quase US$ 150. E se há três dias custava menos de US$ 50, a US$ 20 jamais chegará. A tendência, aliás, é que volte a subir. Se não subir uns 60%, crise à vista. Sem condições financeiras de investir, adequadamente, na exploração de novas fontes de petróleo e na produção de outros 45 milhões de barris por dia (a demanda estimada para daqui a 20 anos), e pressionada para adequar-se a padrões mínimos de salubridade ambiental, a indústria de combustíveis não tem um futuro dos mais promissores. Petróleo barato não é só má notícia para a Opep, Irã e Rússia, mas também para o meio ambiente e o trânsito nas grandes cidades. Quando o barril passou dos US$ 80, anunciou-se o fim da moda dos jipões, Hummers e demais utilitários sedentos de combustível, devidamente celebrado por todos aqueles que vêem no carro um veículo de transporte, não um arrogante emblema de auto-afirmação e novo-riquismo. Com o barril abaixo dos US$ 50, eles voltam a ser uma ameaça, certo? Teoricamente, sim. Mas como a bonança da gasolina a preço de banana tem prazo limitado e os carangos schwarzeneggerianos não bebem etanol, melhor encomendar logo o epitáfio. De lambujem, a crise das montadoras americanas. Que, convém ressaltar, não começou com os terremotos que desde setembro aterrorizam o mundo financeiro. Faz tempo que as vendas de carros vêm caindo acentuadamente no país que os inventou. Simples: os consumidores já estavam com a grana curta antes de o barril de petróleo beirar os US$ 90. Faz tempo também que a indústria automobilística enfia os pés pelas mãos, num show contínuo de soberba e incompetência administrativa. As Três Grandes do setor (General Motors, Ford e Chrysler, na verdade, um oligopólio que domina 95% do mercado) passaram anos investindo em mastodontes, em vez de concentrar esforços na pesquisa e fabricação de veículos que consumam menos energia e até utilizem outros tipos de combustível, como, por exemplo, o Chevy Volt, movido a energia elétrica, mais econômico que uma geladeira, previsto pela GM para 2010, mas perigando gorar antes do prazo, caso o pior aconteça. O que de pior pode acontecer? Para uns, o governo injetar US$ 50 bilhões numa indústria automobilística incapaz, superada, que por isso mesmo, dizem, merece ir à breca. Para outros, o governo deixar as montadoras falirem, aumentando em 3 milhões o número de desempregados no país e provocando uma quebradeira da indústria de autopeças, revendedoras, etc. Embora haja liberais, conservadores e progressistas compartilhando as duas posições, indistintamente, os mais ortodoxos defensores do livre mercado tendem a condenar qualquer tipo de ajuda federal, ainda que relativamente pequena e provisória, à indústria automobilística.
“Agora US$ 50 bilhões, depois mais US$ 50 bilhões”, empombou o comentarista do Washington Post George F. Will, antevendo um poço sem fundo. E a fortuna investida no Iraque e desviada para os cofres da Halliburton, da Blackwater e afins, em nome da “segurança” e do “patriotismo”? Por que os bancos, que só produzem papel, foram salvos com uma ajuda de US$ 700 bilhões, e as montadoras, que produzem bens de consumo e geram milhões de empregos, não podem receber US$ 50 bilhões?, cobrou Paul Craig Roberts. Assistente da Secretaria do Tesouro do governo Reagan, Roberts não pode ser acusado de estatizante ou algo similar.
Que tal aproveitar a oportunidade para reinventar a indústria automotora americana?, sugeriu um blogueiro da revista The New Republic, sintetizando o anseio de diversos políticos e analistas, que, ideologias à parte, condicionam qualquer ajuda governamental a um comprometimento das montadoras com a fabricação de carros mais econômicos e ecologicamente corretos. Sem salvaguardas como esta, não faz o menor sentido salvar as Três Grandes da bancarrota. Se bem que nem carros como o Chevy Volt o sectário Will aceita como garantia; até porque o considera uma concessão malévola aos congressistas “obcecados” pelo ambientalismo. Com cabeças assim, fica mais difícil carregar o andor capitalista.
É voz corrente que subsidiar uma indústria cheia de vícios só iria perpetuar uma estrutura improdutiva. Uma indústria automobilística revigorada, vibrante e competitiva teria um papel essencial na solução dos três maiores problemas da atualidade: a debacle financeira, a crise energética e a catástrofe ambiental, escreveu Jeffrey D. Sachs, que considera “vital” uma parceria com o governo. Tão vital que deveria ter sido iniciada, segundo ele, na semana passada. Mas o Congresso só tomará a decisão final daqui a 15 dias. Depois de ver os três principais executivos da GM (Richard Wagoner), Chrysler (Robert Nardelli) e Ford (Alan Mulally) descerem em Washington para mendigar US$ 50 bilhões, a bordo de luxuosos jatinhos executivos, o usualmente moderado comentarista político Eugene Robinson, colega de página de Will, não se conteve e sugeriu que o Congresso aprovasse logo a ajuda às montadoras, condicionando-a à demissão sumária do desmoralizado trio. Boa idéia. O exemplo não deve vir sempre de cima?

Moral da história: crise econômica americana acabou sendo melhor que a assinatura do Tratado de Kyoto

Filed under: crise econômica americana, General Motors, Sérgio Augusto — Humberto @ 2:16 pm
Eu sou mau.
Que coisa…A GM à beira da falência. Bem, impérios deixaram de existir. A URSS desapareceu, asssim como o Império Otomano.
E por quê não, a GM? Talvez essa empresa pudesse se transformar, dedicando-se não mais à produção de transporte individual mas – com os governos tendo que investir mais e mais vultosos recursos em grandes obras para tentar minimizar a crise – ao transporte de massa, como trens e metrô.
E, aproveitando, reproduzo um artigo do ótimo Sérgio Augusto, publicado no Estadão de Domingo em que se mostra favorável à ajuda financeira à montadora americana. Um dos poucos caras que me fazem ler o Estado.
E por que não reinventar a roda?
Crise revela o equívoco de uma indústria que apostou em mastodontes motorizados, o must dos novos-ricos
Sérgio Augusto
Pouco antes da invasão do Iraque, o magnata dos tablóides Rupert Murdoch estufou o peito e, fazendo coro com os Strangeloves do governo Bush, anteviu que a guerra seria “a melhor coisa do mundo do ponto de vista econômico”, provocando uma estabilização do preço do petróleo em torno de US$ 20 o barril. “Melhor do que redução de impostos em qualquer país”, arrematou. Vocês viram o que de fato aconteceu nos cinco anos e meio de uma guerra prevista, pelas mesmas cassandras, para durar algumas semanas. Em julho passado, o barril chegou a quase US$ 150. E se há três dias custava menos de US$ 50, a US$ 20 jamais chegará. A tendência, aliás, é que volte a subir. Se não subir uns 60%, crise à vista. Sem condições financeiras de investir, adequadamente, na exploração de novas fontes de petróleo e na produção de outros 45 milhões de barris por dia (a demanda estimada para daqui a 20 anos), e pressionada para adequar-se a padrões mínimos de salubridade ambiental, a indústria de combustíveis não tem um futuro dos mais promissores. Petróleo barato não é só má notícia para a Opep, Irã e Rússia, mas também para o meio ambiente e o trânsito nas grandes cidades. Quando o barril passou dos US$ 80, anunciou-se o fim da moda dos jipões, Hummers e demais utilitários sedentos de combustível, devidamente celebrado por todos aqueles que vêem no carro um veículo de transporte, não um arrogante emblema de auto-afirmação e novo-riquismo. Com o barril abaixo dos US$ 50, eles voltam a ser uma ameaça, certo? Teoricamente, sim. Mas como a bonança da gasolina a preço de banana tem prazo limitado e os carangos schwarzeneggerianos não bebem etanol, melhor encomendar logo o epitáfio. De lambujem, a crise das montadoras americanas. Que, convém ressaltar, não começou com os terremotos que desde setembro aterrorizam o mundo financeiro. Faz tempo que as vendas de carros vêm caindo acentuadamente no país que os inventou. Simples: os consumidores já estavam com a grana curta antes de o barril de petróleo beirar os US$ 90. Faz tempo também que a indústria automobilística enfia os pés pelas mãos, num show contínuo de soberba e incompetência administrativa. As Três Grandes do setor (General Motors, Ford e Chrysler, na verdade, um oligopólio que domina 95% do mercado) passaram anos investindo em mastodontes, em vez de concentrar esforços na pesquisa e fabricação de veículos que consumam menos energia e até utilizem outros tipos de combustível, como, por exemplo, o Chevy Volt, movido a energia elétrica, mais econômico que uma geladeira, previsto pela GM para 2010, mas perigando gorar antes do prazo, caso o pior aconteça. O que de pior pode acontecer? Para uns, o governo injetar US$ 50 bilhões numa indústria automobilística incapaz, superada, que por isso mesmo, dizem, merece ir à breca. Para outros, o governo deixar as montadoras falirem, aumentando em 3 milhões o número de desempregados no país e provocando uma quebradeira da indústria de autopeças, revendedoras, etc. Embora haja liberais, conservadores e progressistas compartilhando as duas posições, indistintamente, os mais ortodoxos defensores do livre mercado tendem a condenar qualquer tipo de ajuda federal, ainda que relativamente pequena e provisória, à indústria automobilística.
“Agora US$ 50 bilhões, depois mais US$ 50 bilhões”, empombou o comentarista do Washington Post George F. Will, antevendo um poço sem fundo. E a fortuna investida no Iraque e desviada para os cofres da Halliburton, da Blackwater e afins, em nome da “segurança” e do “patriotismo”? Por que os bancos, que só produzem papel, foram salvos com uma ajuda de US$ 700 bilhões, e as montadoras, que produzem bens de consumo e geram milhões de empregos, não podem receber US$ 50 bilhões?, cobrou Paul Craig Roberts. Assistente da Secretaria do Tesouro do governo Reagan, Roberts não pode ser acusado de estatizante ou algo similar.
Que tal aproveitar a oportunidade para reinventar a indústria automotora americana?, sugeriu um blogueiro da revista The New Republic, sintetizando o anseio de diversos políticos e analistas, que, ideologias à parte, condicionam qualquer ajuda governamental a um comprometimento das montadoras com a fabricação de carros mais econômicos e ecologicamente corretos. Sem salvaguardas como esta, não faz o menor sentido salvar as Três Grandes da bancarrota. Se bem que nem carros como o Chevy Volt o sectário Will aceita como garantia; até porque o considera uma concessão malévola aos congressistas “obcecados” pelo ambientalismo. Com cabeças assim, fica mais difícil carregar o andor capitalista.
É voz corrente que subsidiar uma indústria cheia de vícios só iria perpetuar uma estrutura improdutiva. Uma indústria automobilística revigorada, vibrante e competitiva teria um papel essencial na solução dos três maiores problemas da atualidade: a debacle financeira, a crise energética e a catástrofe ambiental, escreveu Jeffrey D. Sachs, que considera “vital” uma parceria com o governo. Tão vital que deveria ter sido iniciada, segundo ele, na semana passada. Mas o Congresso só tomará a decisão final daqui a 15 dias. Depois de ver os três principais executivos da GM (Richard Wagoner), Chrysler (Robert Nardelli) e Ford (Alan Mulally) descerem em Washington para mendigar US$ 50 bilhões, a bordo de luxuosos jatinhos executivos, o usualmente moderado comentarista político Eugene Robinson, colega de página de Will, não se conteve e sugeriu que o Congresso aprovasse logo a ajuda às montadoras, condicionando-a à demissão sumária do desmoralizado trio. Boa idéia. O exemplo não deve vir sempre de cima?

Moral da história: crise econômica americana acabou sendo melhor que a assinatura do Tratado de Kyoto

Filed under: crise econômica americana, General Motors, Sérgio Augusto — Humberto @ 2:16 pm
Eu sou mau.
Que coisa…A GM à beira da falência. Bem, impérios deixaram de existir. A URSS desapareceu, asssim como o Império Otomano.
E por quê não, a GM? Talvez essa empresa pudesse se transformar, dedicando-se não mais à produção de transporte individual mas – com os governos tendo que investir mais e mais vultosos recursos em grandes obras para tentar minimizar a crise – ao transporte de massa, como trens e metrô.
E, aproveitando, reproduzo um artigo do ótimo Sérgio Augusto, publicado no Estadão de Domingo em que se mostra favorável à ajuda financeira à montadora americana. Um dos poucos caras que me fazem ler o Estado.
E por que não reinventar a roda?
Crise revela o equívoco de uma indústria que apostou em mastodontes motorizados, o must dos novos-ricos
Sérgio Augusto
Pouco antes da invasão do Iraque, o magnata dos tablóides Rupert Murdoch estufou o peito e, fazendo coro com os Strangeloves do governo Bush, anteviu que a guerra seria “a melhor coisa do mundo do ponto de vista econômico”, provocando uma estabilização do preço do petróleo em torno de US$ 20 o barril. “Melhor do que redução de impostos em qualquer país”, arrematou. Vocês viram o que de fato aconteceu nos cinco anos e meio de uma guerra prevista, pelas mesmas cassandras, para durar algumas semanas. Em julho passado, o barril chegou a quase US$ 150. E se há três dias custava menos de US$ 50, a US$ 20 jamais chegará. A tendência, aliás, é que volte a subir. Se não subir uns 60%, crise à vista. Sem condições financeiras de investir, adequadamente, na exploração de novas fontes de petróleo e na produção de outros 45 milhões de barris por dia (a demanda estimada para daqui a 20 anos), e pressionada para adequar-se a padrões mínimos de salubridade ambiental, a indústria de combustíveis não tem um futuro dos mais promissores. Petróleo barato não é só má notícia para a Opep, Irã e Rússia, mas também para o meio ambiente e o trânsito nas grandes cidades. Quando o barril passou dos US$ 80, anunciou-se o fim da moda dos jipões, Hummers e demais utilitários sedentos de combustível, devidamente celebrado por todos aqueles que vêem no carro um veículo de transporte, não um arrogante emblema de auto-afirmação e novo-riquismo. Com o barril abaixo dos US$ 50, eles voltam a ser uma ameaça, certo? Teoricamente, sim. Mas como a bonança da gasolina a preço de banana tem prazo limitado e os carangos schwarzeneggerianos não bebem etanol, melhor encomendar logo o epitáfio. De lambujem, a crise das montadoras americanas. Que, convém ressaltar, não começou com os terremotos que desde setembro aterrorizam o mundo financeiro. Faz tempo que as vendas de carros vêm caindo acentuadamente no país que os inventou. Simples: os consumidores já estavam com a grana curta antes de o barril de petróleo beirar os US$ 90. Faz tempo também que a indústria automobilística enfia os pés pelas mãos, num show contínuo de soberba e incompetência administrativa. As Três Grandes do setor (General Motors, Ford e Chrysler, na verdade, um oligopólio que domina 95% do mercado) passaram anos investindo em mastodontes, em vez de concentrar esforços na pesquisa e fabricação de veículos que consumam menos energia e até utilizem outros tipos de combustível, como, por exemplo, o Chevy Volt, movido a energia elétrica, mais econômico que uma geladeira, previsto pela GM para 2010, mas perigando gorar antes do prazo, caso o pior aconteça. O que de pior pode acontecer? Para uns, o governo injetar US$ 50 bilhões numa indústria automobilística incapaz, superada, que por isso mesmo, dizem, merece ir à breca. Para outros, o governo deixar as montadoras falirem, aumentando em 3 milhões o número de desempregados no país e provocando uma quebradeira da indústria de autopeças, revendedoras, etc. Embora haja liberais, conservadores e progressistas compartilhando as duas posições, indistintamente, os mais ortodoxos defensores do livre mercado tendem a condenar qualquer tipo de ajuda federal, ainda que relativamente pequena e provisória, à indústria automobilística.
“Agora US$ 50 bilhões, depois mais US$ 50 bilhões”, empombou o comentarista do Washington Post George F. Will, antevendo um poço sem fundo. E a fortuna investida no Iraque e desviada para os cofres da Halliburton, da Blackwater e afins, em nome da “segurança” e do “patriotismo”? Por que os bancos, que só produzem papel, foram salvos com uma ajuda de US$ 700 bilhões, e as montadoras, que produzem bens de consumo e geram milhões de empregos, não podem receber US$ 50 bilhões?, cobrou Paul Craig Roberts. Assistente da Secretaria do Tesouro do governo Reagan, Roberts não pode ser acusado de estatizante ou algo similar.
Que tal aproveitar a oportunidade para reinventar a indústria automotora americana?, sugeriu um blogueiro da revista The New Republic, sintetizando o anseio de diversos políticos e analistas, que, ideologias à parte, condicionam qualquer ajuda governamental a um comprometimento das montadoras com a fabricação de carros mais econômicos e ecologicamente corretos. Sem salvaguardas como esta, não faz o menor sentido salvar as Três Grandes da bancarrota. Se bem que nem carros como o Chevy Volt o sectário Will aceita como garantia; até porque o considera uma concessão malévola aos congressistas “obcecados” pelo ambientalismo. Com cabeças assim, fica mais difícil carregar o andor capitalista.
É voz corrente que subsidiar uma indústria cheia de vícios só iria perpetuar uma estrutura improdutiva. Uma indústria automobilística revigorada, vibrante e competitiva teria um papel essencial na solução dos três maiores problemas da atualidade: a debacle financeira, a crise energética e a catástrofe ambiental, escreveu Jeffrey D. Sachs, que considera “vital” uma parceria com o governo. Tão vital que deveria ter sido iniciada, segundo ele, na semana passada. Mas o Congresso só tomará a decisão final daqui a 15 dias. Depois de ver os três principais executivos da GM (Richard Wagoner), Chrysler (Robert Nardelli) e Ford (Alan Mulally) descerem em Washington para mendigar US$ 50 bilhões, a bordo de luxuosos jatinhos executivos, o usualmente moderado comentarista político Eugene Robinson, colega de página de Will, não se conteve e sugeriu que o Congresso aprovasse logo a ajuda às montadoras, condicionando-a à demissão sumária do desmoralizado trio. Boa idéia. O exemplo não deve vir sempre de cima?

outubro 7, 2008

Sarah Palin, truta de Kissinger ( amigo do peito de Pinochet e FHC ) não gosta de terroristas!!!

“Yeh, Sarah, meu bom amigo FHC me deu uma medalha…”
OS PIORES PESADELOS
McCain promete ser o sonho mau do Hamas e de Cuba. Por que não faria a insensatez de atacar o Irã?
Sérgio Augusto
31.05.08
Amanhã os americanos festejam o Memorial Day. Instituído há 140 anos, em honra aos soldados mortos na Guerra Civil (1861-1865), acabou virando uma solenidade patrioteira a serviço de todas as guerras em que os EUA se meteram nas últimas 11 décadas. Seguindo a tradição, o presidente Bush irá ao cemitério nacional de Arlington depositar flores no túmulo do Soldado Desconhecido e louvar “os homens que deram suas vidas pelo país e pela democracia”. Respeitando o momento, ninguém ousará perguntar quantas daquelas vidas foram realmente dadas ou compulsoriamente sacrificadas, de maneira estúpida e descuidada, na guerra do Iraque.
O Memorial Day já se chamou Decoration Day. Pelo andar dos tanques, ainda será rebatizado de Depression Day. Em cinco anos, uma invasão arquitetada a partir de uma mentira e com duração prevista de algumas semanas já causou a morte de milhares de soldados americanos, ferimentos em outros 30 mil combatentes, e uma média de 65 óbitos diários entre os civis iraquianos. Sem fim à vista, conseguiu transformar Bagdá num inferno pior que o mantido a ferro e fogo pelo finado Saddam Hussein.
Nenhum dos três postulantes à sucessão de Bush sabe exatamente quando e como sair de lá. Só porque já visitou o Iraque oito vezes, John McCain pensa que sabe. Por ele, as tropas americanas se retiram do Iraque em 2013. Detalhe: vitoriosas. Seus assessores ainda não divulgaram se o veterano da guerra do Vietnã pretende comemorar o triunfo no Iraque caminhando sobre as águas do Tigre ou do Eufrates ou se deixará para fazê-lo no Golfo Pérsico, depois de arrancar Osama bin Laden pela barba de uma caverna afegã.
A guerra sempre foi e continua sendo um malogro de proporções épicas. Com brutais repercussões na terra de quem a provocou. Ou melhor, provocou-as; porque, na realidade, são duas guerras: a do Iraque e a do Afeganistão. Juntas, já produziram 655 mil mortos e feridos; mais 620 mil com problemas psicológicos e sérias avarias no cérebro. Os dados são de um estudo de 500 páginas, divulgado em abril pela (no caso, insuspeita) Rand Corporation. Segundo a pesquisa, 18,5% dos que estiveram nos dois conflitos, como soldados ou intendentes, sofrem de depressão e stress pós-traumático, e 19% padecem de algum tipo de lesão cerebral. Levam uma vida desgraçada e sem perspectiva, atormentados por dores físicas e mazelas psicológicas, insônias, pesadelos, surtos de apatia, irritação e fúria. Efeito colateral: cerca de mil tentativas de suicídio por mês.
Terapia infalível não há. Na revista The New Yorker desta semana, Sue Halpern dá detalhes de uma opção psicoterápica, aparentemente promissora, que atualiza as experiências cognitivo-behavioristas de Pavlov com os avanços da simulação computadorizada (leia-se realidade virtual). Imerso numa versão modificada do videogame Full Spectrum Warrior, que simula a guerra no Iraque, o paciente trabalha aos poucos os traumas que os combates reais lhe deixaram.
E ainda pensam numa guerra contra o Irã. Tamanha insensatez não passa pelas cabeças de Barack Obama e Billary (perdão, Hillary) Clinton, mas pela de Bush III (ou melhor, John McCain), passa. Como também faz parte dos devaneios das corporações (Blackwater, Halliburton, etc.) que grandes bocas arrumaram graças às duas guerras, impondo um rombo de bilhões de dólares aos contribuintes americanos, conforme apurou uma auditoria do Pentágono nas despesas do Exército americano, divulgada na quinta-feira. Isso só fará aumentar o interesse em torno do filme de John Cusack War, Inc., que no dia seguinte estreou em Nova York e Los Angeles.
Cusack, obsessivo monitor da dominação corporativa da máquina de guerra americana, retrata a loucura da invasão do Iraque por meio da ação das 630 empresas que faturam 40% dos mais de US$ 2 bilhões que Washington gasta por semana com a ocupação. Se for, como dizem, uma mistura de Dr. Fantástico com Laranja Mecânica e O Mágico de Oz, para alguma boa causa, além de acelerar o desprestígio de Bush, a guerra terá servido.
Incorrigível, Bush passou três dias no Oriente Médio, na semana passada, tentando remediar às pressas os erros que cometeu ao longo de sete anos, quando só teve olhos para os monarcas da Arábia Saudita, aos quais voltou a pedir que aumentassem a produção de petróleo. Um editorial do New York Times qualificou a viagem de inútil. Totalmente inútil, não foi. Ao repelir, mais uma vez, qualquer diálogo com os países que apóiam os militantes do Hamas e o Hezbollah, Bush desqualificou aqueles que propõem uma conversa com o Irã e a Síria, velada pichação em Obama, supostamente útil à campanha de McCain, que aproveita qualquer circunstância e qualquer microfone para caracterizar Obama como um político não só inexperiente em política externa como ingênuo no trato com países indignos da confiança dos americanos.
Nessas horas, a palavra-chave é appeasement, que significa conciliação, apaziguamento. Se proposta por um democrata, é sinal de fraqueza diante do inimigo; se proposta por um republicano, é um ato de coragem, um gesto de estadista. Na falta de melhor picuinha, McCain e os que o apóiam encanaram na predisposição de Obama de procurar alguma forma de entendimento com Irã, Síria, Coréia do Norte e Cuba. No dia 9, McCain voltou a afirmar que seu presuntivo adversário democrata era o candidato favorito dos palestinos do Hamas. Ora, entre Obama e um esquentado veterano de guerra que já ameaçou expulsar a Rússia do Grupo dos Oito e prometeu ser “o pior pesadelo” do Hamas, o conselheiro político da organização, Ahmed Yousef, tinha mais era que torcer pelo democrata.
Implícita na aleivosia de McCain a suposição de que o senador por Illinois, se eleito presidente, trataria o Irã com chá e simpatia. Inúmeras vezes Obama reconheceu o Hamas como uma organização terrorista, e nunca defendeu negociações imediatas, diretas e incondicionais com Mahmud Ahmadinejad, o balandrão presidente iraniano – até porque sabe, ao contrário de McCain e alguns analistas conservadores, que quem discute assuntos militares, diplomáticos e nucleares no Irã é o aiatolá Ali Khamenei.
E se fosse Ahmadinejad, qual o problema? Quantos países estrangeiros ele já bombardeou e quantos civis matou? Se minimamente coerente, McCain nem sequer cumprimentaria Bush, nem pediria conselhos a Henry Kissinger, notório criminoso de guerra, como fez em dezembro de 2007.
Esquecido de que na campanha de 2000 defendera a suspensão do embargo a Cuba, mesmo com Fidel no poder, McCain aproveitou os festejos da independência cubana, terça-feira passada, para se retratar. Agora que as coisas parecem estar mudando em Cuba, a tal ponto que o próprio Bush prometeu liberar o envio de celulares americanos para Havana, McCain mudou de posição. É contra qualquer appeasement com Raúl Castro. Também quer ser o pior pesadelo de Cuba. Só para se distinguir ainda mais de Obama. Como se isso fosse necessário.

Sarah Palin, truta de Kissinger ( amigo do peito de Pinochet e FHC ) não gosta de terroristas!!!

“Yeh, Sarah, meu bom amigo FHC me deu uma medalha…”
OS PIORES PESADELOS
McCain promete ser o sonho mau do Hamas e de Cuba. Por que não faria a insensatez de atacar o Irã?
Sérgio Augusto
31.05.08
Amanhã os americanos festejam o Memorial Day. Instituído há 140 anos, em honra aos soldados mortos na Guerra Civil (1861-1865), acabou virando uma solenidade patrioteira a serviço de todas as guerras em que os EUA se meteram nas últimas 11 décadas. Seguindo a tradição, o presidente Bush irá ao cemitério nacional de Arlington depositar flores no túmulo do Soldado Desconhecido e louvar “os homens que deram suas vidas pelo país e pela democracia”. Respeitando o momento, ninguém ousará perguntar quantas daquelas vidas foram realmente dadas ou compulsoriamente sacrificadas, de maneira estúpida e descuidada, na guerra do Iraque.
O Memorial Day já se chamou Decoration Day. Pelo andar dos tanques, ainda será rebatizado de Depression Day. Em cinco anos, uma invasão arquitetada a partir de uma mentira e com duração prevista de algumas semanas já causou a morte de milhares de soldados americanos, ferimentos em outros 30 mil combatentes, e uma média de 65 óbitos diários entre os civis iraquianos. Sem fim à vista, conseguiu transformar Bagdá num inferno pior que o mantido a ferro e fogo pelo finado Saddam Hussein.
Nenhum dos três postulantes à sucessão de Bush sabe exatamente quando e como sair de lá. Só porque já visitou o Iraque oito vezes, John McCain pensa que sabe. Por ele, as tropas americanas se retiram do Iraque em 2013. Detalhe: vitoriosas. Seus assessores ainda não divulgaram se o veterano da guerra do Vietnã pretende comemorar o triunfo no Iraque caminhando sobre as águas do Tigre ou do Eufrates ou se deixará para fazê-lo no Golfo Pérsico, depois de arrancar Osama bin Laden pela barba de uma caverna afegã.
A guerra sempre foi e continua sendo um malogro de proporções épicas. Com brutais repercussões na terra de quem a provocou. Ou melhor, provocou-as; porque, na realidade, são duas guerras: a do Iraque e a do Afeganistão. Juntas, já produziram 655 mil mortos e feridos; mais 620 mil com problemas psicológicos e sérias avarias no cérebro. Os dados são de um estudo de 500 páginas, divulgado em abril pela (no caso, insuspeita) Rand Corporation. Segundo a pesquisa, 18,5% dos que estiveram nos dois conflitos, como soldados ou intendentes, sofrem de depressão e stress pós-traumático, e 19% padecem de algum tipo de lesão cerebral. Levam uma vida desgraçada e sem perspectiva, atormentados por dores físicas e mazelas psicológicas, insônias, pesadelos, surtos de apatia, irritação e fúria. Efeito colateral: cerca de mil tentativas de suicídio por mês.
Terapia infalível não há. Na revista The New Yorker desta semana, Sue Halpern dá detalhes de uma opção psicoterápica, aparentemente promissora, que atualiza as experiências cognitivo-behavioristas de Pavlov com os avanços da simulação computadorizada (leia-se realidade virtual). Imerso numa versão modificada do videogame Full Spectrum Warrior, que simula a guerra no Iraque, o paciente trabalha aos poucos os traumas que os combates reais lhe deixaram.
E ainda pensam numa guerra contra o Irã. Tamanha insensatez não passa pelas cabeças de Barack Obama e Billary (perdão, Hillary) Clinton, mas pela de Bush III (ou melhor, John McCain), passa. Como também faz parte dos devaneios das corporações (Blackwater, Halliburton, etc.) que grandes bocas arrumaram graças às duas guerras, impondo um rombo de bilhões de dólares aos contribuintes americanos, conforme apurou uma auditoria do Pentágono nas despesas do Exército americano, divulgada na quinta-feira. Isso só fará aumentar o interesse em torno do filme de John Cusack War, Inc., que no dia seguinte estreou em Nova York e Los Angeles.
Cusack, obsessivo monitor da dominação corporativa da máquina de guerra americana, retrata a loucura da invasão do Iraque por meio da ação das 630 empresas que faturam 40% dos mais de US$ 2 bilhões que Washington gasta por semana com a ocupação. Se for, como dizem, uma mistura de Dr. Fantástico com Laranja Mecânica e O Mágico de Oz, para alguma boa causa, além de acelerar o desprestígio de Bush, a guerra terá servido.
Incorrigível, Bush passou três dias no Oriente Médio, na semana passada, tentando remediar às pressas os erros que cometeu ao longo de sete anos, quando só teve olhos para os monarcas da Arábia Saudita, aos quais voltou a pedir que aumentassem a produção de petróleo. Um editorial do New York Times qualificou a viagem de inútil. Totalmente inútil, não foi. Ao repelir, mais uma vez, qualquer diálogo com os países que apóiam os militantes do Hamas e o Hezbollah, Bush desqualificou aqueles que propõem uma conversa com o Irã e a Síria, velada pichação em Obama, supostamente útil à campanha de McCain, que aproveita qualquer circunstância e qualquer microfone para caracterizar Obama como um político não só inexperiente em política externa como ingênuo no trato com países indignos da confiança dos americanos.
Nessas horas, a palavra-chave é appeasement, que significa conciliação, apaziguamento. Se proposta por um democrata, é sinal de fraqueza diante do inimigo; se proposta por um republicano, é um ato de coragem, um gesto de estadista. Na falta de melhor picuinha, McCain e os que o apóiam encanaram na predisposição de Obama de procurar alguma forma de entendimento com Irã, Síria, Coréia do Norte e Cuba. No dia 9, McCain voltou a afirmar que seu presuntivo adversário democrata era o candidato favorito dos palestinos do Hamas. Ora, entre Obama e um esquentado veterano de guerra que já ameaçou expulsar a Rússia do Grupo dos Oito e prometeu ser “o pior pesadelo” do Hamas, o conselheiro político da organização, Ahmed Yousef, tinha mais era que torcer pelo democrata.
Implícita na aleivosia de McCain a suposição de que o senador por Illinois, se eleito presidente, trataria o Irã com chá e simpatia. Inúmeras vezes Obama reconheceu o Hamas como uma organização terrorista, e nunca defendeu negociações imediatas, diretas e incondicionais com Mahmud Ahmadinejad, o balandrão presidente iraniano – até porque sabe, ao contrário de McCain e alguns analistas conservadores, que quem discute assuntos militares, diplomáticos e nucleares no Irã é o aiatolá Ali Khamenei.
E se fosse Ahmadinejad, qual o problema? Quantos países estrangeiros ele já bombardeou e quantos civis matou? Se minimamente coerente, McCain nem sequer cumprimentaria Bush, nem pediria conselhos a Henry Kissinger, notório criminoso de guerra, como fez em dezembro de 2007.
Esquecido de que na campanha de 2000 defendera a suspensão do embargo a Cuba, mesmo com Fidel no poder, McCain aproveitou os festejos da independência cubana, terça-feira passada, para se retratar. Agora que as coisas parecem estar mudando em Cuba, a tal ponto que o próprio Bush prometeu liberar o envio de celulares americanos para Havana, McCain mudou de posição. É contra qualquer appeasement com Raúl Castro. Também quer ser o pior pesadelo de Cuba. Só para se distinguir ainda mais de Obama. Como se isso fosse necessário.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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