ENCALHE

maio 21, 2009

"Blindagem do BC ", por Delfim Netto

20/05/2009
É cada vez mais evidente que o Brasil “importou” uma crise de crédito no dia 16 de setembro de 2008 em dimensão muito superior à necessária.
O nosso sistema bancário havia sido “saneado” com o Proer em 1997 ( alguns de seus autores ainda respondem por isso na Justiça! ), e suas “ligações” com o sistema financeiro mundial poderiam ter sido sustentadas ( pelo menos no curto prazo ) por uma ação mais enérgica e mais expedita do nosso Banco Central.
Na falta dela, nossos banqueiros, infelizmente, mas compreensivelmente, entraram em pânico naquele domingo à tarde, quando o Tesouro americano e o Fed comunicaram ao mundo a grande “barbeiragem” do século 21. Haviam destruído um “nó” importante da grande rede de crédito mundial com o abandono do Lehman Brothers à sua própria sorte. Isso levou ao colapso instantâneo de toda a rede, antes mesmo de os mercados abrirem na segunda-feira…
Entre 2002 e 2008, nossa situação mudou completamente, como resultado da expansão mundial:
1) nossas exportações, que cresciam à taxa de 4% ao ano, passaram a crescer a 22%;
2) nossa dívida externa, que representava quatro anos de exportações, foi reduzida a um ano;
3) nossas reservas, que representavam 10% da dívida externa, passaram a 100% dela, e nosso crescimento econômico anual duplicou, sem risco para a taxa de inflação ou o equilíbrio externo.
Durante esse período, o nosso Banco Central adquiriu musculatura suficiente para dar conforto imediato aos bancos nacionais. Como explicar que, depois de oito meses, ainda estamos fazendo o que deveríamos ter feito em setembro: amenizar a redução do crédito interbancário e frustrar a busca pela liquidez que a insegurança impôs a todos os agentes do mercado ( banqueiros, empresários e trabalhadores )?
Há muitas hipóteses. Talvez a mais plausível seja a de que a estrutura jurídica existente não dava (e ainda não dá) “conforto” ao próprio Banco Central. Ele não recebeu suporte jurídico necessário e criou uma perigosa filosofia: banco grande é melhor do que banco pequeno, e banco público é melhor do que banco privado, dificultando ainda mais o restabelecimento do crédito interbancário.
A situação do crédito está melhorando, mas ainda está muito longe da normalidade e, na margem, o seu custo continua absurdo. O BC agiu na direção correta, mas sem convicção, e estamos pagando um alto preço por isso.
Talvez seja hora de o “blindarmos”, de fato, para que ele possa, com maior desenvoltura e com sua musculatura, estimular a atividade neste meio ano de 2009 que nos falta viver…

"Blindagem do BC ", por Delfim Netto

20/05/2009
É cada vez mais evidente que o Brasil “importou” uma crise de crédito no dia 16 de setembro de 2008 em dimensão muito superior à necessária.
O nosso sistema bancário havia sido “saneado” com o Proer em 1997 ( alguns de seus autores ainda respondem por isso na Justiça! ), e suas “ligações” com o sistema financeiro mundial poderiam ter sido sustentadas ( pelo menos no curto prazo ) por uma ação mais enérgica e mais expedita do nosso Banco Central.
Na falta dela, nossos banqueiros, infelizmente, mas compreensivelmente, entraram em pânico naquele domingo à tarde, quando o Tesouro americano e o Fed comunicaram ao mundo a grande “barbeiragem” do século 21. Haviam destruído um “nó” importante da grande rede de crédito mundial com o abandono do Lehman Brothers à sua própria sorte. Isso levou ao colapso instantâneo de toda a rede, antes mesmo de os mercados abrirem na segunda-feira…
Entre 2002 e 2008, nossa situação mudou completamente, como resultado da expansão mundial:
1) nossas exportações, que cresciam à taxa de 4% ao ano, passaram a crescer a 22%;
2) nossa dívida externa, que representava quatro anos de exportações, foi reduzida a um ano;
3) nossas reservas, que representavam 10% da dívida externa, passaram a 100% dela, e nosso crescimento econômico anual duplicou, sem risco para a taxa de inflação ou o equilíbrio externo.
Durante esse período, o nosso Banco Central adquiriu musculatura suficiente para dar conforto imediato aos bancos nacionais. Como explicar que, depois de oito meses, ainda estamos fazendo o que deveríamos ter feito em setembro: amenizar a redução do crédito interbancário e frustrar a busca pela liquidez que a insegurança impôs a todos os agentes do mercado ( banqueiros, empresários e trabalhadores )?
Há muitas hipóteses. Talvez a mais plausível seja a de que a estrutura jurídica existente não dava (e ainda não dá) “conforto” ao próprio Banco Central. Ele não recebeu suporte jurídico necessário e criou uma perigosa filosofia: banco grande é melhor do que banco pequeno, e banco público é melhor do que banco privado, dificultando ainda mais o restabelecimento do crédito interbancário.
A situação do crédito está melhorando, mas ainda está muito longe da normalidade e, na margem, o seu custo continua absurdo. O BC agiu na direção correta, mas sem convicção, e estamos pagando um alto preço por isso.
Talvez seja hora de o “blindarmos”, de fato, para que ele possa, com maior desenvoltura e com sua musculatura, estimular a atividade neste meio ano de 2009 que nos falta viver…

maio 16, 2009

Poupança: "Foi uma solução engenhosa", diz Delfim Netto, "adotada por conta da irresponsabilidade monumental da oposição."

Foi uma solução engenhosa, diz Delfim
Mercado Aberto – Guilherme Barros
Folha de S. Paulo – 14/05/2009
O ex-ministro Delfim Netto considerou positivas as mudanças anunciadas ontem pelo governo para a caderneta de poupança. Para ele, foi uma boa solução, tanto do ponto de vista econômico como do político.”Foi uma solução engenhosa, acomoda todos os interesses.”Apesar de ter apoiado a medida, Delfim reconhece que o melhor teria sido a adoção de uma solução definitiva para o problema. Ou seja, a de baixar os juros da poupança.”Não pode existir uma taxa de juro real fixa. Isso não existe”, diz Delfim.
Mas o mais absurdo ainda, no caso da poupança, de acordo com Delfim, é ter uma aplicação que, ao mesmo tempo, é mais segura que todas as outras, de maior liquidez e que ainda pode proporcionar a maior taxa de retorno.
Segundo Delfim, o governo acabou sendo obrigado a adotar essa solução por conta do uso político que foi dado à questão. Alguns partidos de oposição espalharam o boato de que o governo estava estudando um confisco na poupança, a exemplo do que fez o governo Collor.
“O que fizeram foi uma irresponsabilidade monumental, em um momento de crise como agora. A sociedade ainda está esfolada pela maluquice do Collor”, diz. “O governo acabou dando uma solução economicamente razoável e politicamente a menos danosa.”
Delfim considera que o mais importante, no entanto, nem foi exatamente a mexida na poupança, mas a redução da tributação dos fundos de investimento.
Aliás, ele afirma que o maior benefício desta crise têm sido as medidas do governo de desoneração tributária, um hábito muito pouco comum na história do país.
A redução do imposto sobre os fundos será mais do que compensada com a economia que o governo vai fazer com o corte dos juros. De acordo com Delfim, a renda dos rentistas será transferida para o governo com a queda dos juros.”A economia não pode viver dos rentistas e sim de quem produz”, diz. “Não que os rentistas não produzam, mas o rentista não pode ter uma taxa de retorno muito superior à produtividade média da sociedade”, afirma.
O que Delfim espera, agora, com a mudança na poupança, é que o Banco Central baixe a taxa de juros.”Pelo menos o Banco Central não tem mais a justificativa de que não pode baixar um pouco mais os juros.”

Poupança: "Foi uma solução engenhosa", diz Delfim Netto, "adotada por conta da irresponsabilidade monumental da oposição."

Foi uma solução engenhosa, diz Delfim
Mercado Aberto – Guilherme Barros
Folha de S. Paulo – 14/05/2009
O ex-ministro Delfim Netto considerou positivas as mudanças anunciadas ontem pelo governo para a caderneta de poupança. Para ele, foi uma boa solução, tanto do ponto de vista econômico como do político.”Foi uma solução engenhosa, acomoda todos os interesses.”Apesar de ter apoiado a medida, Delfim reconhece que o melhor teria sido a adoção de uma solução definitiva para o problema. Ou seja, a de baixar os juros da poupança.”Não pode existir uma taxa de juro real fixa. Isso não existe”, diz Delfim.
Mas o mais absurdo ainda, no caso da poupança, de acordo com Delfim, é ter uma aplicação que, ao mesmo tempo, é mais segura que todas as outras, de maior liquidez e que ainda pode proporcionar a maior taxa de retorno.
Segundo Delfim, o governo acabou sendo obrigado a adotar essa solução por conta do uso político que foi dado à questão. Alguns partidos de oposição espalharam o boato de que o governo estava estudando um confisco na poupança, a exemplo do que fez o governo Collor.
“O que fizeram foi uma irresponsabilidade monumental, em um momento de crise como agora. A sociedade ainda está esfolada pela maluquice do Collor”, diz. “O governo acabou dando uma solução economicamente razoável e politicamente a menos danosa.”
Delfim considera que o mais importante, no entanto, nem foi exatamente a mexida na poupança, mas a redução da tributação dos fundos de investimento.
Aliás, ele afirma que o maior benefício desta crise têm sido as medidas do governo de desoneração tributária, um hábito muito pouco comum na história do país.
A redução do imposto sobre os fundos será mais do que compensada com a economia que o governo vai fazer com o corte dos juros. De acordo com Delfim, a renda dos rentistas será transferida para o governo com a queda dos juros.”A economia não pode viver dos rentistas e sim de quem produz”, diz. “Não que os rentistas não produzam, mas o rentista não pode ter uma taxa de retorno muito superior à produtividade média da sociedade”, afirma.
O que Delfim espera, agora, com a mudança na poupança, é que o Banco Central baixe a taxa de juros.”Pelo menos o Banco Central não tem mais a justificativa de que não pode baixar um pouco mais os juros.”

POUPANÇA VAI "BOMBAR", DIZ JORNAL DE ECONOMIA ‘VALOR ECONÔMICO’

( O texto a seguir foi “surrupiado” ao Blog ENTRELINHAS; a imagem do porquinho, descolei na Internet )
Valor: poupança vai bombar
A reportagem reproduzida abaixo não saiu em nenhum veículo de comunicação oficial, mas no sempre correto Valor Econômico. A oposição vai continuar batendo na tecla do confisco ou já entendeu que a medida foi positiva?

A hora da caderneta

Por Adriana Cotias, Alessandra Bellotto e Angelo Pavini, de São Paulo – VALOR
Para valores menores, até R$ 50 mil, a caderneta será indiscutivelmente a melhor opção num cenário de juros baixos, inferiores a 10% ao ano. Só fundos com taxa de administração inferior a 1% ao ano serão páreo para o juro anual isento, de 6,17% ao ano, das cadernetas populares, que ficaram fora da complexa tributação prevista para começar em 2010. E isso mesmo com a prometida redução do imposto de renda sobre a renda fixa, de 22,5% para 15%. A caderneta de poupança vira, assim, alternativa interessante até para quem quiser diversificar parte de suas aplicações.
Se o juro voltar a superar os 10%, a vantagem da caderneta diminui e fundos que cobram até 1,5% ao ano voltam a ser atrativos. Mas como há fundos populares com taxas de administração muito mais altas, a mudança serve de deixa para o investidor que está em um deles rever suas aplicações. “A discussão sobre a poupança não anula a das taxas de administração porque, com o juro menor, o impacto da cobrança na rentabilidade é muito maior”, diz Ricardo Leal, do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Basta lembrar que uma taxa de 4% ao ano equivale a quase metade do juro previsto para o fim do ano, de 9%.
Fabio Colombo, administrador de investimentos, diz que as novas medidas vão afetar especialmente os investidores médios. Segundo ele, a alta renda já tem acesso a taxas de administração mais competitivas, além de alternativas com maior potencial de retorno, e os pequenos poupadores não vão ser pegos pela taxação da caderneta.
“A classe média, que tem mais de R$ 50 mil aplicados, mas não volumes tão maiores, vai ter de ficar atenta e começar a fazer conta para saber se vale a pena ficar em fundo ou poupança”, diz. Para este ano, a expectativa não é de grandes movimentações de investidores, já que as novas regras para poupança só são válidas para o próximo ano e os fundos ainda podem ter um desconto na tributação.
Segundo Colombo, já neste mês, um fundo que tenha rendimento bruto igual ao CDI, em torno de 10,15% ao ano, para ser comparável à poupança, tem de ter uma taxa de administração menor que 1% ao ano, levando em conta uma alíquota de 22,5% de IR para aplicações até seis meses. Se a Selic cair para 9,25% no fim do ano, a taxa de administração de equilíbrio cai para 0,5% a 0,6%. Ele observa, porém, que alguns fundos conseguem render mais que o CDI e podem até cobrar uma taxa maior.
No ano que vem, a conta para quem tem mais de R$ 50 mil na poupança não será assim tão trivial. O investidor terá de levar em consideração variáveis como a taxa Selic para a aplicação do redutor para a base de cálculo da parcela do rendimento tributável e a alíquota de imposto de renda da declaração anual. Uma das alternativas, segundo Colombo, pode ser deixar R$ 50 mil e diversificar o excedente.
O governo conseguiu empurrar com a barriga o problema do juro real da poupança, mas vai ter de voltar ao assunto no futuro, diz Otávio Vieira, diretor de investimentos da Safdié Gestão de Patrimônio. “É uma tributação muito complicada e tudo que é muito complexo acaba não funcionando bem”, diz.
Para ele, os maiores beneficiados pelas mudanças são os grandes investidores em fundos de renda fixa e DI, que podem ter as alíquotas de imposto de curto prazo reduzidas para 15%. Já os fundos de varejo dos grandes bancos ficam ameaçados. “Não vai dar mais para um fundo DI cobrar 2%, 3%, 4% ao ano como cobram hoje”, diz Vieira. “Vai ser um ajuste que terá de ser feito no varejo”, diz.
Se os juros realmente caírem abaixo de 10% ao ano, seria mais viável e rentável aos cotistas com menos de R$ 50 mil aplicados em fundos ir para a poupança, diz o consultor de investimentos Paulo Bittencourt. “Os bancos não vão reduzir as taxas de administração na proporção que torne essa alternativa mais vantajosa.”
O esforço da mobilidade pode ser, entretanto, em vão, pondera. “O investidor corre o risco de sair de um fundo DI que cobra taxa de 2,5% e, oito meses depois, ver a Selic de volta aos 11%; é muito difícil considerar que, num intervalo de 2010 a 2015, a inflação será estável, abaixo de 3%”, afirma o consultor.

POUPANÇA VAI "BOMBAR", DIZ JORNAL DE ECONOMIA ‘VALOR ECONÔMICO’

( O texto a seguir foi “surrupiado” ao Blog ENTRELINHAS; a imagem do porquinho, descolei na Internet )
Valor: poupança vai bombar
A reportagem reproduzida abaixo não saiu em nenhum veículo de comunicação oficial, mas no sempre correto Valor Econômico. A oposição vai continuar batendo na tecla do confisco ou já entendeu que a medida foi positiva?

A hora da caderneta

Por Adriana Cotias, Alessandra Bellotto e Angelo Pavini, de São Paulo – VALOR
Para valores menores, até R$ 50 mil, a caderneta será indiscutivelmente a melhor opção num cenário de juros baixos, inferiores a 10% ao ano. Só fundos com taxa de administração inferior a 1% ao ano serão páreo para o juro anual isento, de 6,17% ao ano, das cadernetas populares, que ficaram fora da complexa tributação prevista para começar em 2010. E isso mesmo com a prometida redução do imposto de renda sobre a renda fixa, de 22,5% para 15%. A caderneta de poupança vira, assim, alternativa interessante até para quem quiser diversificar parte de suas aplicações.
Se o juro voltar a superar os 10%, a vantagem da caderneta diminui e fundos que cobram até 1,5% ao ano voltam a ser atrativos. Mas como há fundos populares com taxas de administração muito mais altas, a mudança serve de deixa para o investidor que está em um deles rever suas aplicações. “A discussão sobre a poupança não anula a das taxas de administração porque, com o juro menor, o impacto da cobrança na rentabilidade é muito maior”, diz Ricardo Leal, do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Basta lembrar que uma taxa de 4% ao ano equivale a quase metade do juro previsto para o fim do ano, de 9%.
Fabio Colombo, administrador de investimentos, diz que as novas medidas vão afetar especialmente os investidores médios. Segundo ele, a alta renda já tem acesso a taxas de administração mais competitivas, além de alternativas com maior potencial de retorno, e os pequenos poupadores não vão ser pegos pela taxação da caderneta.
“A classe média, que tem mais de R$ 50 mil aplicados, mas não volumes tão maiores, vai ter de ficar atenta e começar a fazer conta para saber se vale a pena ficar em fundo ou poupança”, diz. Para este ano, a expectativa não é de grandes movimentações de investidores, já que as novas regras para poupança só são válidas para o próximo ano e os fundos ainda podem ter um desconto na tributação.
Segundo Colombo, já neste mês, um fundo que tenha rendimento bruto igual ao CDI, em torno de 10,15% ao ano, para ser comparável à poupança, tem de ter uma taxa de administração menor que 1% ao ano, levando em conta uma alíquota de 22,5% de IR para aplicações até seis meses. Se a Selic cair para 9,25% no fim do ano, a taxa de administração de equilíbrio cai para 0,5% a 0,6%. Ele observa, porém, que alguns fundos conseguem render mais que o CDI e podem até cobrar uma taxa maior.
No ano que vem, a conta para quem tem mais de R$ 50 mil na poupança não será assim tão trivial. O investidor terá de levar em consideração variáveis como a taxa Selic para a aplicação do redutor para a base de cálculo da parcela do rendimento tributável e a alíquota de imposto de renda da declaração anual. Uma das alternativas, segundo Colombo, pode ser deixar R$ 50 mil e diversificar o excedente.
O governo conseguiu empurrar com a barriga o problema do juro real da poupança, mas vai ter de voltar ao assunto no futuro, diz Otávio Vieira, diretor de investimentos da Safdié Gestão de Patrimônio. “É uma tributação muito complicada e tudo que é muito complexo acaba não funcionando bem”, diz.
Para ele, os maiores beneficiados pelas mudanças são os grandes investidores em fundos de renda fixa e DI, que podem ter as alíquotas de imposto de curto prazo reduzidas para 15%. Já os fundos de varejo dos grandes bancos ficam ameaçados. “Não vai dar mais para um fundo DI cobrar 2%, 3%, 4% ao ano como cobram hoje”, diz Vieira. “Vai ser um ajuste que terá de ser feito no varejo”, diz.
Se os juros realmente caírem abaixo de 10% ao ano, seria mais viável e rentável aos cotistas com menos de R$ 50 mil aplicados em fundos ir para a poupança, diz o consultor de investimentos Paulo Bittencourt. “Os bancos não vão reduzir as taxas de administração na proporção que torne essa alternativa mais vantajosa.”
O esforço da mobilidade pode ser, entretanto, em vão, pondera. “O investidor corre o risco de sair de um fundo DI que cobra taxa de 2,5% e, oito meses depois, ver a Selic de volta aos 11%; é muito difícil considerar que, num intervalo de 2010 a 2015, a inflação será estável, abaixo de 3%”, afirma o consultor.

POUPANÇA VAI "BOMBAR", DIZ JORNAL DE ECONOMIA ‘VALOR ECONÔMICO’

( O texto a seguir foi “surrupiado” ao Blog ENTRELINHAS; a imagem do porquinho, descolei na Internet )
Valor: poupança vai bombar
A reportagem reproduzida abaixo não saiu em nenhum veículo de comunicação oficial, mas no sempre correto Valor Econômico. A oposição vai continuar batendo na tecla do confisco ou já entendeu que a medida foi positiva?

A hora da caderneta

Por Adriana Cotias, Alessandra Bellotto e Angelo Pavini, de São Paulo – VALOR
Para valores menores, até R$ 50 mil, a caderneta será indiscutivelmente a melhor opção num cenário de juros baixos, inferiores a 10% ao ano. Só fundos com taxa de administração inferior a 1% ao ano serão páreo para o juro anual isento, de 6,17% ao ano, das cadernetas populares, que ficaram fora da complexa tributação prevista para começar em 2010. E isso mesmo com a prometida redução do imposto de renda sobre a renda fixa, de 22,5% para 15%. A caderneta de poupança vira, assim, alternativa interessante até para quem quiser diversificar parte de suas aplicações.
Se o juro voltar a superar os 10%, a vantagem da caderneta diminui e fundos que cobram até 1,5% ao ano voltam a ser atrativos. Mas como há fundos populares com taxas de administração muito mais altas, a mudança serve de deixa para o investidor que está em um deles rever suas aplicações. “A discussão sobre a poupança não anula a das taxas de administração porque, com o juro menor, o impacto da cobrança na rentabilidade é muito maior”, diz Ricardo Leal, do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Basta lembrar que uma taxa de 4% ao ano equivale a quase metade do juro previsto para o fim do ano, de 9%.
Fabio Colombo, administrador de investimentos, diz que as novas medidas vão afetar especialmente os investidores médios. Segundo ele, a alta renda já tem acesso a taxas de administração mais competitivas, além de alternativas com maior potencial de retorno, e os pequenos poupadores não vão ser pegos pela taxação da caderneta.
“A classe média, que tem mais de R$ 50 mil aplicados, mas não volumes tão maiores, vai ter de ficar atenta e começar a fazer conta para saber se vale a pena ficar em fundo ou poupança”, diz. Para este ano, a expectativa não é de grandes movimentações de investidores, já que as novas regras para poupança só são válidas para o próximo ano e os fundos ainda podem ter um desconto na tributação.
Segundo Colombo, já neste mês, um fundo que tenha rendimento bruto igual ao CDI, em torno de 10,15% ao ano, para ser comparável à poupança, tem de ter uma taxa de administração menor que 1% ao ano, levando em conta uma alíquota de 22,5% de IR para aplicações até seis meses. Se a Selic cair para 9,25% no fim do ano, a taxa de administração de equilíbrio cai para 0,5% a 0,6%. Ele observa, porém, que alguns fundos conseguem render mais que o CDI e podem até cobrar uma taxa maior.
No ano que vem, a conta para quem tem mais de R$ 50 mil na poupança não será assim tão trivial. O investidor terá de levar em consideração variáveis como a taxa Selic para a aplicação do redutor para a base de cálculo da parcela do rendimento tributável e a alíquota de imposto de renda da declaração anual. Uma das alternativas, segundo Colombo, pode ser deixar R$ 50 mil e diversificar o excedente.
O governo conseguiu empurrar com a barriga o problema do juro real da poupança, mas vai ter de voltar ao assunto no futuro, diz Otávio Vieira, diretor de investimentos da Safdié Gestão de Patrimônio. “É uma tributação muito complicada e tudo que é muito complexo acaba não funcionando bem”, diz.
Para ele, os maiores beneficiados pelas mudanças são os grandes investidores em fundos de renda fixa e DI, que podem ter as alíquotas de imposto de curto prazo reduzidas para 15%. Já os fundos de varejo dos grandes bancos ficam ameaçados. “Não vai dar mais para um fundo DI cobrar 2%, 3%, 4% ao ano como cobram hoje”, diz Vieira. “Vai ser um ajuste que terá de ser feito no varejo”, diz.
Se os juros realmente caírem abaixo de 10% ao ano, seria mais viável e rentável aos cotistas com menos de R$ 50 mil aplicados em fundos ir para a poupança, diz o consultor de investimentos Paulo Bittencourt. “Os bancos não vão reduzir as taxas de administração na proporção que torne essa alternativa mais vantajosa.”
O esforço da mobilidade pode ser, entretanto, em vão, pondera. “O investidor corre o risco de sair de um fundo DI que cobra taxa de 2,5% e, oito meses depois, ver a Selic de volta aos 11%; é muito difícil considerar que, num intervalo de 2010 a 2015, a inflação será estável, abaixo de 3%”, afirma o consultor.

maio 15, 2009

"Confisco da Poupança": Quanta lorota. Quanto golpismo.

Mudanças só vão atingir 1% dos poupadores
Brasília – As aplicações em caderneta de poupança até R$ 50 mil continuarão isentas da cobrança do Impostos de Renda (IR). O governo decidiu fazer mudanças porque, com a queda da taxa básica de juros, a Selic, a rentabilidade da aplicação tem se aproximado à dos fundos de renda fixa. Como a previsão é que de os cortes na Selic continuem, a poupança tende até mesmo a ficar mais atrativa do que os fundos, o que acaba por provocar uma migração de grandes investidores para a caderneta de poupança. Existem atualmente 89,9 milhões de contas de poupança no país, totalizando depósitos de R$ 270 bilhões. No entanto, apenas 3.822 contas têm saldo superior a R$ 1 milhão. As cadernetas entre R$ 50 mil e R$ 600 são cerca de 601 mil. A retenção do imposto será por CPF, para dificultar a abertura de várias contas pelo correntista em diferentes bancos. No caso de várias cadernetas, ou se os dependentes também tiveram contas, será considerada a soma de todos os rendimentos em poupança para a tributação. As mudanças, que entrarão em vigor em 2010, se forem aprovadas pelo Congresso, só atingirão 1% dos poupadores , já que 99% das pessoas têm aplicações entre R$ 100 e R$ 50 mil. Pela regra, toda vez que a Selic ficar abaixo de 10,50% haverá uma tributação progressiva para quem tem mais de R$ 50 mil. A tributação valerá para o período de rendimento iniciado em janeiro do próximo ano, ou seja, poderá haver recolhimento de imposto na fonte para os rendimentos obtidos a partir de fevereiro. ABr 14/5/2009

Mantega assegura que não haverá confisco
Brasília – O ministro do Fazenda, Guido Mantega, assegurou que não haverá confisco de aplicações em poupança. “Não sei quem levantou essa hipótese absurda de confisco”, disse. Segundo Mantega, quem levantou essa “especulação” deveria ser processado por pessoas que possam ter retirado dinheiro da poupança por medo de confisco. “Não tem o menor sentido mexer no instrumento mais sagrado da população de baixa renda”. “A caderneta de poupança continuará a sendo o melhor investimento para a população de baixa renda”, garantiu Mantega. Segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não haverá também mudanças no cálculo da Taxa Referencial (TR) que remunera a poupança. Ontem (13), foi anunciado a tributação dos rendimentos da caderneta de poupança com valores superiores a R$ 50 mil. Com isso, o governo espera evitar a migração de grandes investimentos para a poupança.

"Confisco da Poupança": Quanta lorota. Quanto golpismo.

Mudanças só vão atingir 1% dos poupadores
Brasília – As aplicações em caderneta de poupança até R$ 50 mil continuarão isentas da cobrança do Impostos de Renda (IR). O governo decidiu fazer mudanças porque, com a queda da taxa básica de juros, a Selic, a rentabilidade da aplicação tem se aproximado à dos fundos de renda fixa. Como a previsão é que de os cortes na Selic continuem, a poupança tende até mesmo a ficar mais atrativa do que os fundos, o que acaba por provocar uma migração de grandes investidores para a caderneta de poupança. Existem atualmente 89,9 milhões de contas de poupança no país, totalizando depósitos de R$ 270 bilhões. No entanto, apenas 3.822 contas têm saldo superior a R$ 1 milhão. As cadernetas entre R$ 50 mil e R$ 600 são cerca de 601 mil. A retenção do imposto será por CPF, para dificultar a abertura de várias contas pelo correntista em diferentes bancos. No caso de várias cadernetas, ou se os dependentes também tiveram contas, será considerada a soma de todos os rendimentos em poupança para a tributação. As mudanças, que entrarão em vigor em 2010, se forem aprovadas pelo Congresso, só atingirão 1% dos poupadores , já que 99% das pessoas têm aplicações entre R$ 100 e R$ 50 mil. Pela regra, toda vez que a Selic ficar abaixo de 10,50% haverá uma tributação progressiva para quem tem mais de R$ 50 mil. A tributação valerá para o período de rendimento iniciado em janeiro do próximo ano, ou seja, poderá haver recolhimento de imposto na fonte para os rendimentos obtidos a partir de fevereiro. ABr 14/5/2009

Mantega assegura que não haverá confisco
Brasília – O ministro do Fazenda, Guido Mantega, assegurou que não haverá confisco de aplicações em poupança. “Não sei quem levantou essa hipótese absurda de confisco”, disse. Segundo Mantega, quem levantou essa “especulação” deveria ser processado por pessoas que possam ter retirado dinheiro da poupança por medo de confisco. “Não tem o menor sentido mexer no instrumento mais sagrado da população de baixa renda”. “A caderneta de poupança continuará a sendo o melhor investimento para a população de baixa renda”, garantiu Mantega. Segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, não haverá também mudanças no cálculo da Taxa Referencial (TR) que remunera a poupança. Ontem (13), foi anunciado a tributação dos rendimentos da caderneta de poupança com valores superiores a R$ 50 mil. Com isso, o governo espera evitar a migração de grandes investimentos para a poupança.

maio 2, 2009

"A reunião (do Copom) terá que ser televisionada", por BETO ALMEIDA

É preciso um novo jornalismo capaz de revelar que forças são estas que estão sabotando os que trabalham, sabotando o pequeno empresário, sabotando o agricultor familiar, sabotando a aplicação criativa e produtiva de recursos empoçados, estagnados e esterilizados em títulos da dívida pública
BETO ALMEIDA*
“…a dor da gente não sai no jornal” (Luiz Reis e Haroldo Barbosa)
Apesar do presidente Lula pregar a redução dos juros praticamente todos os dias, apesar do vice-presidente José Alencar reclamar diuturnamente que “o nosso discurso de campanha de 2002 ainda não chegou ao poder”, forças aparentemente misteriosas e supostamente sobrenaturais fazem com que o Brasil ainda tenha a mais elevada taxa de juros do mundo. O que acontece de fato? Inspirado no título do excelente documentário “A revolução não será televisionada”, reivindicamos aqui que o palco onde estão sendo tomadas todas as decisões para manter os juros nas alturas – a Reunião do Comitê de Política Monetária – precisa ser iluminado, precisa ser escancarado à opinião pública, precisa ser didaticamente televisionado.
É passada a hora de revelar com clareza e sem subterfúgios de um economês propositalmente indecifrável quais são estas forças que estão sabotando o presidente e o vice-presidente. É preciso um novo jornalismo capaz de revelar que forças são estas que estão sabotando os que trabalham, sabotando o pequeno empresário, sabotando o agricultor familiar, sabotando a aplicação criativa e produtiva de recursos empoçados, estagnados e esterilizados em títulos da dívida pública. É preciso que a televisão cumpra o seu papel social de esclarecer o papel anti-social e anti-nacional dos que sabotam e impedem a aplicação deste crédito empoçado na geração de empregos, seja construindo casas, estradas, hospitais, ferrovias, ou fabricando roupas, sapatos, móveis e utensílios domésticos que as enxurradas levam a cada nova chuvarada. Enfim, quando será que esta maravilhosa tecnologia que é a televisão terá o uso didático e educativo para – televisionando a Reunião do Copom – revelar quais são os que defendem os juros altos, com o seu linguajar enrolado, sua insensibilidade de grande organizador das derrotas do mundo do trabalho, levando a pequena produção à falência, as cooperativas à paralisia, os assentamentos da reforma agrária ao desesperante beco sem saída e toda uma geração sem rumo para o crime? Quem é o maior criminoso? Uma juventude proibida de trabalhar e tangida para a prisão ou os que produzem as políticas que levam toda uma geração para o crime e a prisão?
Que estupendo efeito político teria sobre a sociedade brasileira a simples colocação na tela, e com explicações didáticas e compreensíveis sobre economia, de todos os que impedem que este país saia da crise pela via da produção de bens do consumo necessário, ao invés de criminosamente fazer rodar apenas a especulação estéril que tão somente cria uma república dos rentistas – a dos que enriquecem sem trabalhar – e a outra, a dos que trabalham e produzem escravizados pelos rentistas, ou gostariam de trabalhar e de produzir, se esta oportunidade não estivesse sendo criminosamente sabotada na cara de todos nós! Afinal, para que serve tanta televisão?? Afinal, para que serve uma tv pública?
TÉCNICO E POLÍTICO
Observa-se toda uma tentativa dos meios de comunicação capturados pela tirania vídeo-financeira privada de desmoralizar algumas das tímidas mas acertadas medidas de Lula para facilitar o acesso ao crédito, para baixar os juros, para estimular a produção. Durante seis anos de governo, apesar da chiadeira diuturna e militante do vice-presidente José Alencar denunciando os juros altos como sabotagem à produção e à geração de emprego, apenas muito suavemente se observa uma redução parcial nos juros. Mas, as resistências são gigantescas. Os comentaristas da tirania vídeo-financeira – os mesmos que recomendaram as políticas neoliberais de estado mínimo e desregulamentação que levaram à crise do capitalismo atual – agora tentam esconder sua responsabilidade incontornável pela crise fugindo para a frente. Um verdadeiro tom de campanha é o que vemos no tratamento nada jornalístico sobre a recente demissão do presidente do Banco do Brasil, apresentada como se fosse uma temerária intervenção política de Lula numa instituição financeira que “está dando certo”. Ora, dando certo para quem se o banco público, desafiando Lula e José Alencar, chegou a praticar os mais elevados juros do mercado? Dando certo para quem, cara pálida? Tenta-se passar a idéia de que baixar juros é voluntarismo político, ao mesmo tempo indicam que juros altos é responsabilidade técnica. Seria esta a única alternativa que não merece qualquer crítica. Ora, por que elevar os juros às alturas não é também uma clara opção política pela especulação, pelo rentismo que enriquece ricos, uma clara escolha contra os que querem créditos para a produção??? Isto é opção política sim, e opção preferencial pelos ricos!!!
O ECONOMÊS INDECIFRÁVEL
Se a televisão simplesmente colocasse este tema em debate – hoje há nas telas apenas a defesa da tese subliminar de que juros altos é prova de responsabilidade técnica e que juros baixos é populismo e intervencionismo político – já seria uma enorme contribuição para elevar a compreensão na sociedade brasileira sobre quem são os que querem produzir e quais os que querem manter o dinheiro empoçado, esterilizado e rodando apenas a especulação financeira para enriquecer os já ricos. Por exemplo, se a tv cumprisse sua função pública definida na Constituição e veiculasse todas as opiniões em torno da decisão governamental de reduzir o superávit primário, sobretudo aquelas que estão vedadas atualmente nas telinhas, como o argumento de que com uma maior aplicação de recursos na produção, em obras públicas, deverá trazer efeitos concretos e benéficos seja lá nos grotões mais isolados da sociedade brasileira e até ao mais simples pipoqueiro ou vendedor de bandeirolas nos estádios de futebol, já seria uma relevante contribuição prática para a democracia da informação. Superemos as discussões conceituais intermináveis, pratiquemos democracia informativa. Este argumento hoje não é veiculado, não circula, é sonegado pela tv privada.
Também é preciso divulgar que a redução do superávit primário permitirá, por exemplo, aumentar em 15 bilhões o volume de investimentos da Petrobrás no Pré-Sal, na construção de novas refinarias. Debatamos: que efeitos isto trará na indústria naval, no fortalecimento do poder aquisitivo dos trabalhadores, nos índices de emprego formal, na arrecadação da previdência, no comércio de bens da indústria leve? Esta é a missão pública da televisão. Antes desta decisão – sim, de verdade uma decisão política de Lula – estes recursos ficavam esterilizados no superávit primário. Entrevistado pela TV Globo sobre o tema, um “especialista”, destes sempre convidados para defender redundantemente a mesma tese, definiu candidamente porque a redução do superávit primário não era medida recomendável: “isso pode gerar intranquilidade nos credores externos”. Quais credores externos ficariam intranquilos? Os que estão indo à bancarrota nos EUA? Os que estão pregando novo calote no sistema financeiro internacional através da impressão (não emissão) de mais dólar furado, moeda sem lastro, papel pintado, mas com capacidade de comprar uma riqueza real, não fictícia, como a Vale do Rio Doce ou ações da Petrobrás????
É de se lamentar que não tenhamos uma televisão com a decisão suficiente para fazer cumprir o direito dos brasileiros à informação plural, diversificada, com caráter educativo como estabelece a Constituição. Ontem mesmo, reconstruída a bancada das Meninas do Jô, uma delas chegou a sentenciar “Este país acabou!!!”. Não se ouviu uma crítica sequer ao epicentro da crise que está no coração do capitalismo, os EUA, país que estes “comentaristas” têm como modelo. Aliás, ouvimos ontem na CBN uma pérola analítica sobre a redução do superávit primário no Brasil: aqui esta medida é temerária, dizem eles, porque aqui se dá calote (mas o Brasil não pagou a dívida com o FMI?), mas nos EUA é diferente porque, segundo os dois comentaristas, “lá trata-se de um endividamento sério e responsável”. Será que não viram o presidente chinês advertindo os EUA para que honrem sua monumental dívida financeira com a China? Endividamento sério e responsável com a impressão de papel moeda sem lastro que a economia mundial tem que aceitar? Por que o Brasil não poderia emitir moeda a partir de riqueza real, o petróleo pré-sal, o urânio, a maior jazida conhecida de nióbio do mundo???? Aí seria populismo, intervencionismo político na economia?!!! Nunca estes outros ângulos ganham espaço para a discussão democrática na televisão capturada pela ditadura do mercado, que impõe o seu “dirigismo editorial de pensamento único”.
Enquanto na Globo se recompõe a bancada das Meninas do Jô, permitindo prever o que vem por aí – uma espécie de reedição da campanha do mensalão que tentou em vão impedir a reeleição de Lula – a TV Brasil, no mesmo horário, parecia estar em outro país, estava exibindo o Sem Censura reprisado, com uma dupla caipira e um apresentador do Fantástico falando de suas viagens pelo mundo. Convenhamos, é um desperdício de oportunidades. Por que não realizar com a frequência gritantemente necessária mesas de debate ao vivo, com a participação do público, convidando todas as vozes normalmente proscritas nas emissoras da tirania vídeo-financeira??? Quem proíbe? Quem não se anima? Os mesmo que sabotam o discurso de Lula e de José Alencar a pregar no deserto, por mais de 6 anos, a queda dos juros???
A FUNÇÃO DA TV E DOS BANCOS PÚBLICOS
É hora de audácia. A mesma audácia presente na determinação do presidente Lula em retirar o Banco do Brasil do esquema de sabotagem aos que querem produzir e trabalhar, mudando seu presidente e sua orientação, deveria estar presente também na TV Brasil, que pode muito bem inaugurar um novo jornalismo. Um jornalismo que faça o contraponto democrático a este que predomina nas emissoras prisioneiras da tirania vídeo-financeira, repetindo no plano comunicacional a mesma concepção que rege a fraude monetária especulativa que levou o mundo à crise econômica atual. Moeda sem lastro, moeda falsa, moeda fictícia, acompanhada de informação que não revela o potencial do mundo do trabalho, do mundo da produção e constrói uma realidade falsa, normalizando a especulação, na qual qualquer outra visão que proponha uma revolução produtiva é liminarmente excluída de divulgação, é sonegada, e, sem direito de defesa, taxada de intervencionismo político no mundo financeiro, de populismo. A partir daí, resta apenas a sacrossanta opção, igualmente política, de que responsabilidade fiscal e financeira só e somente só é possível com os juros altos. Paralela à fraude monetária, ocorre uma fraude midiática. Elas se realimentam.
Que tal colocarmos tudo isto em debate, afinal já estamos há 45 anos do golpe militar de 1964? Que tal revelarmos as forças nada sobrenaturais ou misteriosas que na Reunião do Copom, protegidas pelo linguajar economês impenetrável, continuam a defender, apesar do colapso do capitalismo, os indecentes privilégios dos banqueiros que recusam a aplicação dos recursos na produção e geração de emprego e renda? Que tal inaugurarmos o debate sobre a função dos bancos públicos que poderiam seguir de fato a orientação do presidente da república e do seu incansável vice-presidente e terem, finalmente, audácia de colocar em prática o discurso da campanha de 2002? Que tal ampliarmos mais ainda o debate sobre o papel da televisão, sobretudo sobre a obrigação das emissoras de cumprirem a função pública inscrita na Constituição? Por que a reunião do Copom não pode ser televisionada se ali são tomadas decisões que levam milhões e milhões de pequenos empresários, pequenos agricultores à falência e à ruína e se ali são inviabilizados, com uma simples canetada baseada em pesquisas encomendadas pelos próprios bancos (Pesquisa Focus) inúmeros projetos de emancipação nacional? Não será um direito constitucional do povo brasileiro saber de cor e salteado quem são os que sabotam a desesperante e inadiável necessidade de reduzir os juros? Não será uma obrigação da tv pública mostrar, revelar, explicar o que acontece nestas reuniões onde se decide ou a tragédia dos que são impedidos de produzir ou a cadeia da indecente felicidade dos que enriquecem sem trabalhar e produzir?
Se televisionam um sujeito animalizado surrando um outro até sangrar, se há canais televisionando leilões de gado, tapetes ou jóias, ou oferecendo o sexo-mercadoria, se são televisionados os mais indigentes diálogos de grupos de descerebrados a debater a edificante questão do sexo anal por satélite nos Big-Brother, se somos obrigados a ver mais de mil horas de tv estimulando o consumo de cerveja quando se deveria educar no amor aos livros, no amor às bibliotecas, ou educar para a solidariedade por meio da difusão de informações sobre nossa trágica liderança mundial em hanseníase, a pergunta é clara e direta: por que a reunião do Copom não pode ser televisionada?
* É jornalista e presidente da TV Comunitária de Brasília

( Publicado no Hora do Povo, edição 2761, 01 a 05.05.09 )
NOTA DESTE BLOG: Sobre este texto de Beto Almeida, mandei o seguinte email para o glorioso HP:
“Achei genial a sugestão de Beto Almeida, a de televisionar as reuniões do Copom, e gostaria de acrescentar à sua idéia, caso um dia seja posta em prática: essas reuniões poderiam resultar em ganhos para os cofres públicos, bastando com que, para isso, fosse “leiloado” algum espaço publicitário, a ser veiculado durante as transmissões. Por exemplo, o sr. Meirelles e demais membros do Copom poderiam comparecer à reunião vestindo macacões semelhantes àqueles dos pilotos de Fórmula 1, repletos de anúncios de patrocinadores ( quem pagar mais, leva e estatais anunciam de graça ). É uma forma destas reuniões darem, ao contrário do que vem ocorrendo, resultados de nosso interesse ou, pelo menos, ganharmos alguma coisa mesmo quando esta turma mantiver seus juros estratosféricos. Bem, acho que a proposta não é muito original, já que José Serra quis adotá-la nos uniformes dos estudantes municipais, enquanto ocupou a Prefeitura paulistana.”

março 24, 2009

Scrooges e escroques como Gustavo Loyola querem diminuir os já parcos rendimentos da Caderneta de Poupança!

Ex-presidente do Banco Central defende mudanças na poupança
SÃO PAULO – O ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola, afirmou nesta terça-feira (24) que é preciso tomar providências em relação ao rendimento das cadernetas de poupança. “Nesse processo de evolução que temos passado, precisamos nos livrar de alguns aspectos do passado. Nosso sistema financeiro foi moldado com um cenário de inflação. Se estamos migrando para outro momento, temos de mudar”. Loyola falou durante evento da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) e da Serasa sobre os desafios do crédito. As mudanças nas cadernetas são defendidas porque o rendimento dessa aplicação está alto, diante de um cenário de queda da taxa de juro. A aposta da Tendências para este ano é de que a Selic chegue a 9,5% ao ano.
Ativo versus passivo
De acordo com ele, a solução mais simples seria diminuir de 6% para 3% ou 4% ao ano a taxa de juros que, junto com a TR (taxa referencial), determina o rendimento da poupança.
“Mas deveria fazer diminuição dos juros no estoque de crédito concedido”, afirmou Loyola, a respeito do fato de 65% dos recursos da poupança serem destinados ao crédito imobiliário. “Não seria justo diminuir só para a instituição financeira. Não seria razoável dar ganho para as instituições financeiras. Tem de mexer no ativo e no passivo”, completou.
Ainda de acordo com ele, o fato de 65% dos recursos da poupança serem destinados ao crédito imobiliário não deveria ser modificado nesse momento [ sic ].
VOU TE FALAR O “ATIVO E PASSIVO” AÍ NESSA HISTÓRIA SEU MELIANTE. POR QUÊ VOCÊ NÃO TIROU DINHEIRO DO SEU BOLSO PARA DAR AOS BANQUEIROS NAQUELA PO**RRA DE PROER? VOCÊ QUER DIZER, ENTÃO, QUE A GRANA GORDA QUE OS BANCOS TIRAM NA ESPECULAÇÃO COM PAPÉIS DO GOVERNO, SEM EMPRESTAR A NINGUÉM, NÃO SÃO “ALTOS”, MAS A MISERÁVEL CADERNETA DE POUPANÇA É UM RISCO PARA O PAÍS? E AINDA TEM QUEM DÊ OUVIDOS A UM LIXO DESSA LAIA COMO SE ELE FOSSE UM MOISÉS DECLAMANDO OS MANDAMENTOS CONTIDOS NA TÁBUA.

BC apoia redução do rendimento dos pobres
Bancos propõem corte na renda da caderneta de poupança em prol do achaque ao Erário

Objetivo é que prossiga a especulação com os juros dos papéis públicos
Os bancos e o BC querem reduzir os rendimentos das cadernetas de poupança porque, segundo eles, senão os especuladores tirarão o dinheiro dos títulos públicos para se juntar aos pobres – recebendo na poupança metade do que recebem na especulação com os títulos… A ideia é se apropriar dos recursos dos mais pobres, pagando menos a eles e acabando com a destinação social das cadernetas, que hoje financiam habitação, saneamento e infra-estrutura, para continuar a especular com os papéis da dívida pública.
BC condena “contracionismo” que os seus juros provocaram
“Contracionismo” econômico resultou na queda de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008
Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no dia 19, o Banco Central avalia que o desaquecimento da demanda “criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção”. Em outras palavras, contidas na mesma ata, após ter registrado um período de expansão, “a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica”.
O “contracionismo” econômico, como é sabido, resultou na queda de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2008, na comparação com o terceiro trimestre imediatamente anterior. Naturalmente, o BC atribuiu a Deus e ao diabo a responsabilidade pelo desaquecimento da demanda, pela ociosidade ou influências contracionistas, menos, é claro, aos juros cavalares estabelecidos pelo Copom, que ainda mantém o Brasil com a maior taxa real de juros do mundo.
No período referido acima, a Formação Bruta de Capital Fixo – o investimento – teve uma queda de 9,8%. Não era para menos, haja vista a condução da política monetária, mesmo quando a crise já havia estourado de forma aguda nos Estados Unidos, em meados de setembro do ano passado. Cinco dias antes da derrocada do Lehman Brothers, o Copom elevou a taxa Selic de 13% para 13,75% e só foi reduzi-la em apenas 1 pontinho percentual em 21 de janeiro de 2009.
Convém lembrar que o BC já vinha elevando a taxa básica de juros desde setembro do ano anterior. Portanto, os juros altos haveriam de cobrar o seu preço…
Foi preciso chegar à situação de “desaquecimento da demanda” para o Copom colocar em sua ata que “esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias”, “abrindo espaço para flexibilização da política monetária”.
Diz o BC que “as expectativas inflacionárias para 2009 mostraram recuo desde a última reunião do Comitê” e que “a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas”.
A economia em desaceleração não deve produzir mesmo nenhuma pressão inflacionária. Ocorre que em período de expansão também não havia nenhum descontrole da inflação. Nos três primeiros trimestres o PIB teve uma expansão acumulada de 6,4% e, mesmo com queda verificada no quarto trimestre, fechou o ano com um crescimento de 5,1%. Enquanto isso, o IPCA, que mede a inflação, registrou 4,51% nos três primeiros trimestres e 5,9%, no ano de 2008. Ou seja, a inflação ficou estritamente dentro da meta. O que mostra que não havia outro objetivo do BC em manter os juros altos senão a intenção deliberada de derrubar o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, manter abarrotar os cofres dos especuladores.
Segundo levantamento do jornal “Valor Econômico” junto a analistas do mercado financeiro, a anunciada “flexibilização monetária adicional” – em função da situação econômica e sob a chibata do movimento sindical – deverá reduzir os gastos com juros de 5,6% do PIB em 2008 para 4,7% do PIB este ano. Nessa situação, ainda assim seriam torrados com juros cerca de R$ 146 bilhões, em termos absolutos. Isso equivale a 13 vezes o valor previsto para o Bolsa Família, na ordem de R$ 11,4 bilhões. Ainda comparativamente, seria superior à injeção de R$ 101,4 bilhões de gastos públicos estimados como necessários pelo Ipea (Comunicado nº 18 da Presidência) para preencher vazio de demanda em “conseqüência da queda da demanda agregada na forma de consumo doméstico, investimento e exportações”, caso “o crescimento do PIB se confirmar de 0,5%”.
Tal situação não foi derivada da noite para o dia. É o conjunto da obra de Henrique Meirelles à frente do BC. Acelerar a queda dos juros é a única alternativa que se apresenta. Até porque, como já disse o Ipea, em uma situação de crise, a Selic em 7% ao ano ainda é um patamar alto. E ela ainda se encontra em 11,25%.

A CAPIVARA DO “CIDADÃO DE BEM” E AUTORIDADE SOBRE ASSUNTOS ECONÔMICOS, GUSTAVO LOYOLA:

- A incrível história do filho adotivo de Andrade Vieira – O ex-presidente do Bamerindus revela como o Banco Central [ o tal do Loyola ] queria fabricar um “laranja” para comprar o banco ;
- BC gastou 12% do PIB com bancos ;
- Presidente do STF [ adivinhem quem?? ] arquiva ações contra ex-ministros do governo FHC relativas ao Proer ;

Scrooges e escroques como Gustavo Loyola querem diminuir os já parcos rendimentos da Caderneta de Poupança!

Ex-presidente do Banco Central defende mudanças na poupança
SÃO PAULO – O ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada, Gustavo Loyola, afirmou nesta terça-feira (24) que é preciso tomar providências em relação ao rendimento das cadernetas de poupança. “Nesse processo de evolução que temos passado, precisamos nos livrar de alguns aspectos do passado. Nosso sistema financeiro foi moldado com um cenário de inflação. Se estamos migrando para outro momento, temos de mudar”. Loyola falou durante evento da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) e da Serasa sobre os desafios do crédito. As mudanças nas cadernetas são defendidas porque o rendimento dessa aplicação está alto, diante de um cenário de queda da taxa de juro. A aposta da Tendências para este ano é de que a Selic chegue a 9,5% ao ano.
Ativo versus passivo
De acordo com ele, a solução mais simples seria diminuir de 6% para 3% ou 4% ao ano a taxa de juros que, junto com a TR (taxa referencial), determina o rendimento da poupança.
“Mas deveria fazer diminuição dos juros no estoque de crédito concedido”, afirmou Loyola, a respeito do fato de 65% dos recursos da poupança serem destinados ao crédito imobiliário. “Não seria justo diminuir só para a instituição financeira. Não seria razoável dar ganho para as instituições financeiras. Tem de mexer no ativo e no passivo”, completou.
Ainda de acordo com ele, o fato de 65% dos recursos da poupança serem destinados ao crédito imobiliário não deveria ser modificado nesse momento [ sic ].
VOU TE FALAR O “ATIVO E PASSIVO” AÍ NESSA HISTÓRIA SEU MELIANTE. POR QUÊ VOCÊ NÃO TIROU DINHEIRO DO SEU BOLSO PARA DAR AOS BANQUEIROS NAQUELA PO**RRA DE PROER? VOCÊ QUER DIZER, ENTÃO, QUE A GRANA GORDA QUE OS BANCOS TIRAM NA ESPECULAÇÃO COM PAPÉIS DO GOVERNO, SEM EMPRESTAR A NINGUÉM, NÃO SÃO “ALTOS”, MAS A MISERÁVEL CADERNETA DE POUPANÇA É UM RISCO PARA O PAÍS? E AINDA TEM QUEM DÊ OUVIDOS A UM LIXO DESSA LAIA COMO SE ELE FOSSE UM MOISÉS DECLAMANDO OS MANDAMENTOS CONTIDOS NA TÁBUA.

BC apoia redução do rendimento dos pobres
Bancos propõem corte na renda da caderneta de poupança em prol do achaque ao Erário

Objetivo é que prossiga a especulação com os juros dos papéis públicos
Os bancos e o BC querem reduzir os rendimentos das cadernetas de poupança porque, segundo eles, senão os especuladores tirarão o dinheiro dos títulos públicos para se juntar aos pobres – recebendo na poupança metade do que recebem na especulação com os títulos… A ideia é se apropriar dos recursos dos mais pobres, pagando menos a eles e acabando com a destinação social das cadernetas, que hoje financiam habitação, saneamento e infra-estrutura, para continuar a especular com os papéis da dívida pública.
BC condena “contracionismo” que os seus juros provocaram
“Contracionismo” econômico resultou na queda de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008
Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada no dia 19, o Banco Central avalia que o desaquecimento da demanda “criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção”. Em outras palavras, contidas na mesma ata, após ter registrado um período de expansão, “a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica”.
O “contracionismo” econômico, como é sabido, resultou na queda de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no quarto trimestre de 2008, na comparação com o terceiro trimestre imediatamente anterior. Naturalmente, o BC atribuiu a Deus e ao diabo a responsabilidade pelo desaquecimento da demanda, pela ociosidade ou influências contracionistas, menos, é claro, aos juros cavalares estabelecidos pelo Copom, que ainda mantém o Brasil com a maior taxa real de juros do mundo.
No período referido acima, a Formação Bruta de Capital Fixo – o investimento – teve uma queda de 9,8%. Não era para menos, haja vista a condução da política monetária, mesmo quando a crise já havia estourado de forma aguda nos Estados Unidos, em meados de setembro do ano passado. Cinco dias antes da derrocada do Lehman Brothers, o Copom elevou a taxa Selic de 13% para 13,75% e só foi reduzi-la em apenas 1 pontinho percentual em 21 de janeiro de 2009.
Convém lembrar que o BC já vinha elevando a taxa básica de juros desde setembro do ano anterior. Portanto, os juros altos haveriam de cobrar o seu preço…
Foi preciso chegar à situação de “desaquecimento da demanda” para o Copom colocar em sua ata que “esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias”, “abrindo espaço para flexibilização da política monetária”.
Diz o BC que “as expectativas inflacionárias para 2009 mostraram recuo desde a última reunião do Comitê” e que “a política monetária pode ser flexibilizada sem colocar em risco a convergência da inflação para a trajetória de metas”.
A economia em desaceleração não deve produzir mesmo nenhuma pressão inflacionária. Ocorre que em período de expansão também não havia nenhum descontrole da inflação. Nos três primeiros trimestres o PIB teve uma expansão acumulada de 6,4% e, mesmo com queda verificada no quarto trimestre, fechou o ano com um crescimento de 5,1%. Enquanto isso, o IPCA, que mede a inflação, registrou 4,51% nos três primeiros trimestres e 5,9%, no ano de 2008. Ou seja, a inflação ficou estritamente dentro da meta. O que mostra que não havia outro objetivo do BC em manter os juros altos senão a intenção deliberada de derrubar o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, manter abarrotar os cofres dos especuladores.
Segundo levantamento do jornal “Valor Econômico” junto a analistas do mercado financeiro, a anunciada “flexibilização monetária adicional” – em função da situação econômica e sob a chibata do movimento sindical – deverá reduzir os gastos com juros de 5,6% do PIB em 2008 para 4,7% do PIB este ano. Nessa situação, ainda assim seriam torrados com juros cerca de R$ 146 bilhões, em termos absolutos. Isso equivale a 13 vezes o valor previsto para o Bolsa Família, na ordem de R$ 11,4 bilhões. Ainda comparativamente, seria superior à injeção de R$ 101,4 bilhões de gastos públicos estimados como necessários pelo Ipea (Comunicado nº 18 da Presidência) para preencher vazio de demanda em “conseqüência da queda da demanda agregada na forma de consumo doméstico, investimento e exportações”, caso “o crescimento do PIB se confirmar de 0,5%”.
Tal situação não foi derivada da noite para o dia. É o conjunto da obra de Henrique Meirelles à frente do BC. Acelerar a queda dos juros é a única alternativa que se apresenta. Até porque, como já disse o Ipea, em uma situação de crise, a Selic em 7% ao ano ainda é um patamar alto. E ela ainda se encontra em 11,25%.

A CAPIVARA DO “CIDADÃO DE BEM” E AUTORIDADE SOBRE ASSUNTOS ECONÔMICOS, GUSTAVO LOYOLA:

- A incrível história do filho adotivo de Andrade Vieira – O ex-presidente do Bamerindus revela como o Banco Central [ o tal do Loyola ] queria fabricar um “laranja” para comprar o banco ;
- BC gastou 12% do PIB com bancos ;
- Presidente do STF [ adivinhem quem?? ] arquiva ações contra ex-ministros do governo FHC relativas ao Proer ;
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