Debate sobre transgênicos reúne 250 técnicos e estudantes em Ponta Grossa
14/05/2008
A segunda palestra “O Veneno em Nossos Pratos” reuniu cerca de 250 participantes, em Ponta Grossa, nesta quarta-feira (14). O evento é organizado pela Casa Civil e traz especialistas para debaterem com a sociedade os riscos do excesso de agrotóxico nos alimentos e a falta de informação em torno dos alimentos geneticamente modificados. O evento é realizado nas universidades estaduais e já passou pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e terá uma próxima edição em Marechal Cândido Rondon, no início de junho.Segundo o mestre em Segurança Alimentar Alfredo Benatto, o encontro é uma oportunidade para a sociedade conhecer mais sobre os riscos de contaminação por agrotóxico e obter mais informações sobre alimentos transgênicos.
“Todos conhecem os riscos que envolvem as contaminações por bactérias, mas poucos sabem sobre o princípio da precaução, recomendado e aplicado por vários países, em relação aos transgênicos”, explica. Benatto ressalta que ainda existe pouca informação e tempo para analisar quais são as conseqüências que a contaminação por transgenia pode gerar. “Sabemos que o resultado com ratos em laboratório não são nada animadores”, comenta.
Alfredo critica a afirmação que defende a modificação genética como fator essencial para aumento da produção de alimentos, sobretudo nos países mais pobres. “Não há aumento da produção. E quando as empresas que fabricam transgênicos dizem que haverá uma diminuição no uso de herbicidas, eles estão falando do veneno dos outros (fabricantes), porque querem o monopólio no fornecimento da semente e do veneno”, afirma. Ele se baseou em pesquisas que revelam aumento no resíduo de glifosato, presente na soja transgênica, principal produto alterado geneticamente à venda.
ORGÂNICOS – O palestrante aponta a opção pela produção orgânica como a melhor alternativa para evitar a contaminação por agrotóxicos e os riscos que envolvem o consumo de transgênicos. Ele destaca que 70% dos agricultores do Paraná fazem parte da agricultura familiar.
“A Secretaria da Agricultura tem programas de incentivo específicos para agricultura orgânica, que é comprovadamente mais saudável. Cabe à sociedade exigir seu direito à informação, saber se determinado produto é transgênico ou não e evitar os alimentos que podem ter excesso de agrotóxicos”, explica.
A opinião é compartilhada pela representante da Divisão de Vigilância Sanitária de Alimentos, Eliana Scutato. Ela destaca o resultado do monitoramento de nove culturas, entre elas tomate e mamão, em que foram verificados resíduos de agrotóxico acima do permitido.
“O consumidor pode adotar atitudes simples, como preferir os produtos da estação”, recomenda.Para o assessor especial da Casa Civil e coordenador do Grupo de Trabalho sobre Rotulagem de Transgênicos, Álvaro Rychuv, o que o Governo do Paraná faz pode ser resumido na defesa do direito de informação do consumidor. “Se os alimentos transgênicos não fazem mal algum, por que as empresas fabricantes impõem resistência à identificação nos rótulos?”, questiona.
Apesar de aberta para todo público, a palestra teve participação massiva de engenheiros agrônomos e de segurança alimentar da Universidade Estadual de Ponta Grossa e de técnicos em agronomia de instituições de ensino da região. O debate contou ainda com palestras do representante da Secretaria da Agricultura, Adriano Luiz Riesemberg, e do coordenador de Recursos Naturais do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia, Júlio Carlos Veiga.


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