ENCALHE

fevereiro 3, 2009

Líder de confederação de micro e pequenas empresas acusa imprensalão de fabricar e massificar uma "crise psicológica"

Micro e pequenas empresas não estão demitindo, até o momento
O segmento, que gera cerca de 60% dos empregos formais no País, não está demitindo, porque os efeitos da crise econômica mundial ainda não chegaram até ele
AGÊNCIA SEBRAE DE NOTICIAS, 30.01.09
Brasília - A crise financeira e econômica mundial só atingiu as grandes empresas e multinacionais no Brasil. Só elas estão demitindo até o momento. A cobertura da imprensa sobre os impactos da crise, tendo apenas as grandes empresas e determinados setores produtivos como referência, está provocando a redução do consumo. “A crise psicológica massificada é mais grave do que os efeitos da crise econômica, propriamente ditos”, afirma o presidente da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva.
De acordo com ele, as micro e pequenas empresas continuam vendendo e faturando normalmente, sem provocar desemprego no País. “Elas continuam fora do noticiário sobre os efeitos da crise. É como se elas não existissem, apesar de sua grande importância na economia nacional. Elas são responsáveis por quase 60% dos empregos formais no Brasil”.
Tarcísio avalia que a informalidade no País poderá cair a partir de julho próximo devido à instituição e entrada em vigor da nova pessoa jurídica Microempreendedor Individual (MEI).
Porém, segundo ele, os resultados dependerão de ampla campanha de informações e esclarecimento, especialmente para a ponta. “As notícias sobre os efeitos da crise podem desestimular quem está na informalidade a querer se formalizar como MEI”.
José Tarcísio da Silva foi entrevistado pela Agência Sebrae de Notícias sobre os efeitos da crise financeira e econômica mundial no grande segmento formado pelas micro e pequenas empresas (MPE). A Comicro foi criada no ano passado e está implantando um sistema representativo das MPE em todas as unidades da Federação.
ASN – Os efeitos da crise econômica mundial estão afetando os negócios das MPE?
Tarcísio - Essa crise não é das micro e pequenas empresas. Elas não investem em bolsas de valores, nem no mercado de risco. Quando as MPE ampliam seus negócios significa que estão aumentando espaço físico, diversificando mercadorias, aprimorando serviços, etc., por meio do esforço próprio e do reinvestimento de seus lucros nos negócios. Até o momento, as MPE não estão demitindo, estão mantendo os funcionários. Elas geram quase 60% dos empregos formais do País. No segundo semestre, as MPE serão impactadas, porque no momento em que os efeitos da crise se alastram, o consumidor reduz as compras. Se não houver nenhuma medida de proteção ao nosso segmento por parte do governo, como ocorre com os bancos, montadoras e outros setores formados por grandes empresas, as MPE vão sofrer.
ASN – Como o governo poderia proteger as MPE dos efeitos da crise?
Tarcísio - Seria necessário que o governo criasse um pacote específico para o segmento. Bancos e grandes empresas têm socorro do governo por meio de medidas específicas para eles. Normalmente as MPE empregam a mão-de-obra menos qualificada, inclusive a que é demitida pelas grandes empresas. Lembramos que o País possui grande informalidade, apesar da aprovação do MEI, que entrará em vigor em julho.
ASN – Concorda que a aprovação do MEI foi um grande passo para reduzir a informalidade?
Tarcísio - A implantação do MEI pode ser revolucionária. Segundo dados do IBGE de 2003, existiam 10,5 milhões de informais no País. Quer dizer, hoje devem ser em torno de 15 milhões de negócios informais. Nunca mais fizeram estatísticas a respeito. Para que o MEI seja uma revolução, ou seja, traga milhões de informais para a formalidade, é preciso que haja confiança por parte daquele que está na informalidade. Ele sabe que está fora da lei. Precisamos que nossas instituições esclareçam mais as vantagens e desvantagens de se tornar MEI. Na minha opinião, tem mais vantagens. Quem está na ponta e só vê notícias sobre a crise, fiscalizações, custos etc., pode ficar desanimado. É muita incerteza no ar. Os informais são pessoas com um pé atrás. É preciso levar informação e esclarecimento a respeito do MEI para a ponta, especialmente neste momento. Estimamos que pode haver ingresso de até 15% de informais na formalidade por meio do MEI. Mas os resultados vão depender do trabalho de divulgação sobre o que é o MEI, nos primeiros doze a dezoito meses (a lei está em vigor desde janeiro de 2009; o capítulo do MEI começa a valer em julho próximo).
ASN: A redução da taxa Selic foi uma boa notícia para as micro e pequenas empresas?
Tarcísio - Ainda não chegou na ponta. Os bancos não estão diminuindo os juros na ponta. Os spreads continuam muito altos. Se os bancos não baixarem o spread bancário e o governo não tomar outras medidas que venham beneficiar o segmento, a exemplo do que vem fazendo para multinacionais e grandes empresas, as MPE serão atingidas em cheio. Repito: as micro e pequenas empresas não estão desempregando. A crise psicológica massificada nos atinge muito.
ASN: O que quer dizer com crise psicológica massificada?
Tarcísio – Quero dizer que está havendo uma lavagem cerebral pela mídia. É um erro fatal a imprensa não conversar com as micro e pequenas empresas. Só falam com setores que investem no jogo do capital especulativo. O consumidor assiste a telejornais e fica na dúvida. A grande mídia não ouve nosso segmento. É como se a gente não existisse. E somos o sustentáculo da economia do País. O próprio governo deveria ouvir mais as MPE. O Conselhão (Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) só conta com representação das grandes empresas. Nós não estamos representados lá. Só convidaram as MPE uma vez para participar do Conselhão, mas convidaram uma entidade de São Paulo. O Brasil não é São Paulo. Somos 26 estados e a capital federal. Somos um segmento muito importante, mas precisamos ter mais atenção e reconhecimento do governo e da mídia.
ASN – Quanto custaria ao governo o socorro às micro e pequenas empresas? É possível calcular isso?
Tarcísio – Não custaria os milhões que estão sendo gastos no socorro às grandes empresas. O socorro às MPE custaria muito mais barato do que às grandes. O custo da MPE é entre 12 a 20 vezes menor do que uma grande empresa. Reconhecemos as vantagens da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e do Supersimples (Simples Nacional), foram avanços, mas precisamos de mais atenção e reconhecimento, inclusive de mais inclusão na economia e nos fóruns que debatem o desenvolvimento do País.
ASN – Crise nas grandes empresas necessariamente se transforma em crise na pequenas?
Tarcísio - A crise psicológica é a mais pesada de todas, pois mete medo no consumidor. As notícias sobre a crise é que estão tirando o dinheiro de circulação. Nos meus dois negócios, não temos crise. Trabalho no varejo há 30 anos em Recife. Tenho um mercadinho e uma loja de confecção em bairros da cidade. Até agora, insisto, não existe crise nas MPE. Só as grandes empresas estão demitindo. Crise é para os grandes empresários, para quem tem investimentos nas bolsas e no capital de risco. Empresários de pequeno porte não contam com o governo para socorrê-los. A choradeira é dos grandes, mas influencia todo o mercado. No mercado livre, a MPE não depende exclusivamente das grandes empresas. Agora, se há monopólio ou cartel no fornecimento de determinado produto, não tem jeito: as MPE acabam sendo atingidas. Mas se não existe cartel, as MPE correm para outros fornecedores. Se existissem centenas de bancos e instituições de microcrédito no País, certamente as taxas de juros seriam menores.
ASN – Existem muitos setores que dependem do fornecimento de produtos via monopólios?
Tarcísio - Ainda há determinados produtos que são fornecidos por poucas empresas, como ferro e derivados do petróleo. No setor de alimentação é o contrário, as MPE não têm problema, porque há um mundo de fornecedores. A crise dos grandes acaba contaminando todo o mercado. Se os grandes diminuem a produção, por exemplo, vai faltar produto no mercado. Ou quando voltarem a produzir, o preço estará mais alto. Pode ser uma estratégia: tem indústria que interrompe a produção para reajustar preços e lucrar mais, depois da crise. Observe esses carros que estão sendo vendidos nas promoções, hoje. Vamos ver o preço deles daqui a um ano.
ASN – Qual é seu recado para o empresário de pequenas empresas?
Tarcísio – Continue otimista. Reinvista cada centavo no seu negócio. Todo recurso nosso é para melhorar nossos negócios. A nossa diferença está na qualidade do serviço que prestamos e na satisfação do cliente. Meu conselho para os companheiros é o seguinte: desliga a televisão e vá trabalhar e buscar clientes. Em época de dificuldades é que se realizam grandes negócios. Crise reforça a nossa criatividade e nossas estratégias. Se ela chegar às micro e pequenas empresas, lembre que crise também passa.
Serviço:
Agência Sebrae de Notícias – (61) 3348-7138 e 2107-9362
www.agenciasebrae.com.br
Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – (81) 3222-1985
www.comicro.org.br
Efeito psicológico faz brasileiro postergar compras, diz Abram Szajman
Presidente da Fecomércio e do Conselho Administrativo do Sebrae em São Paulo afirma que comércio tem folha de pagamento enxuta
São Paulo -
O brasileiro deverá postergar suas compras até passar o efeito psicológico da crise, acredita o presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), Abram Szajman. Os efeitos da crise mundial têm sido mais sentidos no Brasil, segundo ele, na indústria de bens duráveis, com reflexo no comércio de produtos com alto valor unitário, como é o caso dos automóveis.
“A mídia está assustando e o trabalhador fica com receio. A cabeça das pessoas começa a postergar as compras. Quem quer comprar um carro, vai esperar até março ou abril para ver se a coisa fica mais cara. Ele vai continuar com seu televisor comum em vez de plasma”, diz.
Para ele, o que a indústria automobilística está vivendo é um ajuste, já que em 2008 foram produzidos 2,8 milhões de automóveis. “A quantidade produzida foi muito grande e mostra que teve gente que antecipou as compras que iria fazer em 2009, 2010 por conta das facilidades no pagamento. Agora, será feita uma acomodação”.
Diferente da indústria de bens duráveis, o comércio, no entanto, ainda não começou a desempregar. “O empresário do comércio tem uma empresa muito enxuta. Acredito que não chegaremos a um desemprego muito exagerado. Eu acho que nós vamos passar por uma situação de ajuste muito pequena”, diz Szajman, que preside a Fecomércio há 23 anos e recentemente foi empossado como presidente do Conselho do Sebrae em São Paulo.
Ele lembra que neste começo de ano houve o reajuste do salário de grandes categorias, que continuam trabalhando com renda positiva. “Nós temos uma massa salarial que cresceu muito nos últimos cinco anos e temos o salário mínimo que a partir de fevereiro será reajustado. Além disso, o presidente assinou um decreto expandindo o Bolsa-Família. Isso tudo é injeção de dinheiro no mercado”.Apesar das dificuldades em alguns setores, o empresário afirma que o Brasil aprendeu nas épocas de inflação alta a ter um comportamento mais adequado. “É preciso ter uma nova legislação trabalhista, tributária, partidária, previdenciária, mas mesmo com essas faltas, o Brasil tem uma posição mais confortável de reserva de dólares e sistema financeiro intacto”.
Abram Szajman lembra que o endividamento no Brasil é baixo, cerca de 40% do PIB, enquanto que nos Estados Unidos chega a 160% e, na Europa, 120%. “Quer dizer que temos um espaço muito grande para progredir, desde que voltemos à normalidade do sistema financeiro que também tem seus problemas e também tem seus receios de inadimplência, em função da psicologia que está embutida na cabeça das pessoas”.
Mas faz um alerta: o desemprego não pode disparar, fazendo com que seja impossível a pessoa pagar as prestações e seus compromissos. “A nossa perspectiva é que a economia, crescendo pouco, vai crescer 2%, 2,5%, não chega a 4%, como o governo quer, mas é um crescimento que possibilitará resgatar a massa salarial, a manutenção da renda e com isso a manutenção do emprego”.
Medidas do governo
Segundo ele, apesar das medidas de incentivo a alguns setores, há espaço para que o governo federal faça mais para incrementar a economia, como a prorrogação dos impostos a serem pagos, a diminuição da taxa de juros, a política monetária dos compulsórios. Abram Szajman defende a taxa Selic de um dígito. “O País não pode funcionar como um país de política social justa com uma taxa de juros, que, na ponta para o consumidor, chega a 50%. O importante é o governo ter uma taxa de juro básica baixa para poder gastar menos com juros, fazer investimentos gerando empregos, na área de infra-estrutura, precisa de portos, aeroportos, vias navegáveis, etc., e baixar o juro na ponta para o consumidor para o produtor em geral para que ele possa trabalhar com custos mais baixos e com isso manter o emprego, todo mundo trabalhando, comprando”.
O presidente da Fecomércio diz que junto com outras entidades de classe tem procurado amenizar “essa guerra psicológica entre o emprego e o desemprego, entre o que tem medo de perder o emprego e o que tem medo de gastar. “Estamos tentando introduzir uma modernização de negociações entre os sindicatos de trabalhadores e dos empregadores. Tentando encontrar uma alternativa para que nesses segmentos mais suscetíveis ao desemprego, como calçados, setor de aço e bens duráveis, os trabalhadores sejam menos afetados. Nós sabemos que desde a Constituição de 88 existem mecanismos de ajuste de temporário, de manutenção de emprego com redução de horas de trabalho, de salário, com afastamento para melhoria da qualificação profissional. “Não podemos ficar amarrados ao problema do desemprego”.Ele diz ter encontrado boa vontade de todas as partes. Além disso, a Fecomércio está conversando com a Secretaria de Fazenda do Estado e com o governador José Serra para que seja agilizada na Assembléia Legislativa a votação do Simples estadual. “Queremos também que a microempresa tenha uma escala de faturamento menos tributada do que está hoje no Estado e no município. Colocar a isenção num limite mais alto e permitir que o faturamento se alongue acima de R$ 2,4 milhões para R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões. Já estamos conversando com a Secretaria da Fazenda”.
Outra proposta da Fecomércio é baratear os custos para a implantação da nota fiscal eletrônica. De acordo com o empresário, existe um esforço para reduzir muito esse encargo, que será o custo da nota fiscal paulista. “Estamos também vendo as possibilidades para não ter um custo exagerado da escrituração eletrônica, que será obrigatória em breve”.
Demitir na crise pode aumentar gastos de pequenas empresas
Especialistas ouvidos pela ASN sugerem maior controle de custos fixos e liquidações para amenizar os efeitos da crise
Brasília -
Em tempos de crise, uma das notícias mais divulgadas pela imprensa diz respeito às demissões em massa. Muitos empresários vêem nessa medida uma saída para ajustar as contas de seu negócio e reduzir custos na tentativa de minimizar os efeitos da crise. No entanto, especialistas do Sebrae afirmam ser esse um erro clássico, apesar de ser a primeira opção para muitos empresários.
O gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Nacional, Enio Duarte Pinto, afirma que o empresário deve colocar na ponta do lápis os custos com a rescisão contratual de um empregado, já que os encargos são altos e acabam sendo um gasto a mais num momento crítico como esse. Além disso, como as micro e pequenas empresas são muito voláteis, a necessidade de contratar pessoal virá em um curto espaço de tempo. “Com isso, além de ter gasto com a rescisão contratual, o empresário terá de gastar na hora de contratar, com o processo seletivo, com o contrato, com treinamento. É um pensamento contraprodutivo demitir hoje para contratar pouco tempo depois”, avalia.
Em vez de demitir, a pequena empresa tem outras opções de ajustar seus custos como promover férias em rodízio, o que é muito propício nesse primeiro trimestre, ter mais rigor nos controles de custos fixos, como estoque e contas a pagar e a receber, fazer um controle de caixa mais seguro e procurar renegociar prazos de pagamentos em contratos já firmados. “Ninguém quer perder cliente nesse momento de crise. Os fornecedores de pequenas empresas também não. Esse é o momento para dilatar prazos de pagamento”, exemplifica Enio Pinto.
É hora também de o empresário repensar e reorganizar suas formas de aprovação de crédito junto ao cliente. O gerente do Sebrae explica que vendas a prazo, que antes eram mais facilitadas, hoje devem ter um maior rigor, até mesmo para não cair numa inadimplência alta. Buscar alternativas de obtenção de crédito com juros mais atrativos é também outra dica em momentos de incerteza. Além disso, o gerente do Sebrae aconselha aos empresários a socializar a compra de seus insumos. Ou seja, procurar seu concorrente para fazer compras conjuntas ajuda a reduzir os valores dos insumos e barganhar o preço e o prazo de pagamento com os fornecedores. “Unir esforços é uma saída importante nesse momento”, avalia.
Investir em liquidações dos produtos para gerar uma rotatividade de mercadorias paradas no estoque é uma opção para quem tem contas a pagar e não pode perder tempo e dinheiro.
A gerente comercial da indústria paulista de tijolos ecológicos Tijol-Eco, Juliana Magalhães, informa que a empresa não sentiu até agora os efeitos da crise. Pelo contrário, com o setor da construção civil em alta, a indústria teve que contratar mais funcionários para operar as máquinas que produzem os tijolos de maneira ecologicamente correta. Uma das alternativas estudadas pela indústria é a mudança de horário dos funcionários para que atuem das 6h às 18h, em vez de trabalharem em três turnos. Isso porque, depois das 19h, a empresa de energia do estado cobra da indústria uma taxa extra por ela estar funcionando. “Isso vai nos dar uma economia interessante”, diz Juliana. Além disso, a gerente comercial conta que foi contratado um profissional para fazer a manutenção das máquinas, reduzindo assim os gastos com conserto de equipamentos. Juliana Magalhães explica que o processo de produção dos tijolos utiliza terra e cimento e um sistema hidráulico de secagem, o que torna o custo final da obra 40% menor em comparação com o uso de outro tipo de tijolo.
Esse tipo de alternativa é bastante recomendada pelos especialistas em gestão de crise. O economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Francisco Barone diz que a pequena empresa também sente os efeitos de uma crise na medida em que negocia com fornecedores, toma crédito e precisa ajustar seus custos. No entanto, Barone afirma que há um ponto positivo para os pequenos empresários: o de ter maior proximidade com os funcionários e poder negociar com eles, de maneira mais fácil, as questões trabalhistas, diferentemente do que ocorre com as grandes empresas. “Flexibilizar a jornada de trabalho é sim uma opção interessante que não onera o empregador, não dispensa o empregado e ainda há certa economia de gastos fixos na empresa, como água, luz e telefone”, defende o economista.
Barone aconselha aos donos de pequenos negócios procurar nichos de mercado diferentes para atender a vários públicos. Outro conselho é não usar o crédito pessoal para pagar dívidas da empresa. “Esses empréstimos têm juros muito mais altos. O mais interessante é procurar linhas de crédito voltadas para pequenas e microempresas, principalmente de bancos públicos, que já estão orientados para praticar juros menores”, afirmou.
Por fim, o economista acredita que a crise pode representar uma oportunidade de investimento para quem deseja abrir um negócio. A dica, segundo ele, é não perder a oportunidade. “Com um plano de negócios bem estruturado e um estudo de mercado em mãos, o empresário pode sim investir e ter bons resultados, mesmo em época de crise”, afirmou. “Além disso, a busca por consultorias e orientação para pensar o empreendimento a longo prazo também são boas alternativas para se planejar e até mesmo se preparar para momentos econômicos mais complicados como esse”, conclui.

Líder de confederação de micro e pequenas empresas acusa imprensalão de fabricar e massificar uma "crise psicológica"

Micro e pequenas empresas não estão demitindo, até o momento
O segmento, que gera cerca de 60% dos empregos formais no País, não está demitindo, porque os efeitos da crise econômica mundial ainda não chegaram até ele
AGÊNCIA SEBRAE DE NOTICIAS, 30.01.09
Brasília - A crise financeira e econômica mundial só atingiu as grandes empresas e multinacionais no Brasil. Só elas estão demitindo até o momento. A cobertura da imprensa sobre os impactos da crise, tendo apenas as grandes empresas e determinados setores produtivos como referência, está provocando a redução do consumo. “A crise psicológica massificada é mais grave do que os efeitos da crise econômica, propriamente ditos”, afirma o presidente da Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Comicro), José Tarcísio da Silva.
De acordo com ele, as micro e pequenas empresas continuam vendendo e faturando normalmente, sem provocar desemprego no País. “Elas continuam fora do noticiário sobre os efeitos da crise. É como se elas não existissem, apesar de sua grande importância na economia nacional. Elas são responsáveis por quase 60% dos empregos formais no Brasil”.
Tarcísio avalia que a informalidade no País poderá cair a partir de julho próximo devido à instituição e entrada em vigor da nova pessoa jurídica Microempreendedor Individual (MEI).
Porém, segundo ele, os resultados dependerão de ampla campanha de informações e esclarecimento, especialmente para a ponta. “As notícias sobre os efeitos da crise podem desestimular quem está na informalidade a querer se formalizar como MEI”.
José Tarcísio da Silva foi entrevistado pela Agência Sebrae de Notícias sobre os efeitos da crise financeira e econômica mundial no grande segmento formado pelas micro e pequenas empresas (MPE). A Comicro foi criada no ano passado e está implantando um sistema representativo das MPE em todas as unidades da Federação.
ASN – Os efeitos da crise econômica mundial estão afetando os negócios das MPE?
Tarcísio - Essa crise não é das micro e pequenas empresas. Elas não investem em bolsas de valores, nem no mercado de risco. Quando as MPE ampliam seus negócios significa que estão aumentando espaço físico, diversificando mercadorias, aprimorando serviços, etc., por meio do esforço próprio e do reinvestimento de seus lucros nos negócios. Até o momento, as MPE não estão demitindo, estão mantendo os funcionários. Elas geram quase 60% dos empregos formais do País. No segundo semestre, as MPE serão impactadas, porque no momento em que os efeitos da crise se alastram, o consumidor reduz as compras. Se não houver nenhuma medida de proteção ao nosso segmento por parte do governo, como ocorre com os bancos, montadoras e outros setores formados por grandes empresas, as MPE vão sofrer.
ASN – Como o governo poderia proteger as MPE dos efeitos da crise?
Tarcísio - Seria necessário que o governo criasse um pacote específico para o segmento. Bancos e grandes empresas têm socorro do governo por meio de medidas específicas para eles. Normalmente as MPE empregam a mão-de-obra menos qualificada, inclusive a que é demitida pelas grandes empresas. Lembramos que o País possui grande informalidade, apesar da aprovação do MEI, que entrará em vigor em julho.
ASN – Concorda que a aprovação do MEI foi um grande passo para reduzir a informalidade?
Tarcísio - A implantação do MEI pode ser revolucionária. Segundo dados do IBGE de 2003, existiam 10,5 milhões de informais no País. Quer dizer, hoje devem ser em torno de 15 milhões de negócios informais. Nunca mais fizeram estatísticas a respeito. Para que o MEI seja uma revolução, ou seja, traga milhões de informais para a formalidade, é preciso que haja confiança por parte daquele que está na informalidade. Ele sabe que está fora da lei. Precisamos que nossas instituições esclareçam mais as vantagens e desvantagens de se tornar MEI. Na minha opinião, tem mais vantagens. Quem está na ponta e só vê notícias sobre a crise, fiscalizações, custos etc., pode ficar desanimado. É muita incerteza no ar. Os informais são pessoas com um pé atrás. É preciso levar informação e esclarecimento a respeito do MEI para a ponta, especialmente neste momento. Estimamos que pode haver ingresso de até 15% de informais na formalidade por meio do MEI. Mas os resultados vão depender do trabalho de divulgação sobre o que é o MEI, nos primeiros doze a dezoito meses (a lei está em vigor desde janeiro de 2009; o capítulo do MEI começa a valer em julho próximo).
ASN: A redução da taxa Selic foi uma boa notícia para as micro e pequenas empresas?
Tarcísio - Ainda não chegou na ponta. Os bancos não estão diminuindo os juros na ponta. Os spreads continuam muito altos. Se os bancos não baixarem o spread bancário e o governo não tomar outras medidas que venham beneficiar o segmento, a exemplo do que vem fazendo para multinacionais e grandes empresas, as MPE serão atingidas em cheio. Repito: as micro e pequenas empresas não estão desempregando. A crise psicológica massificada nos atinge muito.
ASN: O que quer dizer com crise psicológica massificada?
Tarcísio – Quero dizer que está havendo uma lavagem cerebral pela mídia. É um erro fatal a imprensa não conversar com as micro e pequenas empresas. Só falam com setores que investem no jogo do capital especulativo. O consumidor assiste a telejornais e fica na dúvida. A grande mídia não ouve nosso segmento. É como se a gente não existisse. E somos o sustentáculo da economia do País. O próprio governo deveria ouvir mais as MPE. O Conselhão (Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) só conta com representação das grandes empresas. Nós não estamos representados lá. Só convidaram as MPE uma vez para participar do Conselhão, mas convidaram uma entidade de São Paulo. O Brasil não é São Paulo. Somos 26 estados e a capital federal. Somos um segmento muito importante, mas precisamos ter mais atenção e reconhecimento do governo e da mídia.
ASN – Quanto custaria ao governo o socorro às micro e pequenas empresas? É possível calcular isso?
Tarcísio – Não custaria os milhões que estão sendo gastos no socorro às grandes empresas. O socorro às MPE custaria muito mais barato do que às grandes. O custo da MPE é entre 12 a 20 vezes menor do que uma grande empresa. Reconhecemos as vantagens da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e do Supersimples (Simples Nacional), foram avanços, mas precisamos de mais atenção e reconhecimento, inclusive de mais inclusão na economia e nos fóruns que debatem o desenvolvimento do País.
ASN – Crise nas grandes empresas necessariamente se transforma em crise na pequenas?
Tarcísio - A crise psicológica é a mais pesada de todas, pois mete medo no consumidor. As notícias sobre a crise é que estão tirando o dinheiro de circulação. Nos meus dois negócios, não temos crise. Trabalho no varejo há 30 anos em Recife. Tenho um mercadinho e uma loja de confecção em bairros da cidade. Até agora, insisto, não existe crise nas MPE. Só as grandes empresas estão demitindo. Crise é para os grandes empresários, para quem tem investimentos nas bolsas e no capital de risco. Empresários de pequeno porte não contam com o governo para socorrê-los. A choradeira é dos grandes, mas influencia todo o mercado. No mercado livre, a MPE não depende exclusivamente das grandes empresas. Agora, se há monopólio ou cartel no fornecimento de determinado produto, não tem jeito: as MPE acabam sendo atingidas. Mas se não existe cartel, as MPE correm para outros fornecedores. Se existissem centenas de bancos e instituições de microcrédito no País, certamente as taxas de juros seriam menores.
ASN – Existem muitos setores que dependem do fornecimento de produtos via monopólios?
Tarcísio - Ainda há determinados produtos que são fornecidos por poucas empresas, como ferro e derivados do petróleo. No setor de alimentação é o contrário, as MPE não têm problema, porque há um mundo de fornecedores. A crise dos grandes acaba contaminando todo o mercado. Se os grandes diminuem a produção, por exemplo, vai faltar produto no mercado. Ou quando voltarem a produzir, o preço estará mais alto. Pode ser uma estratégia: tem indústria que interrompe a produção para reajustar preços e lucrar mais, depois da crise. Observe esses carros que estão sendo vendidos nas promoções, hoje. Vamos ver o preço deles daqui a um ano.
ASN – Qual é seu recado para o empresário de pequenas empresas?
Tarcísio – Continue otimista. Reinvista cada centavo no seu negócio. Todo recurso nosso é para melhorar nossos negócios. A nossa diferença está na qualidade do serviço que prestamos e na satisfação do cliente. Meu conselho para os companheiros é o seguinte: desliga a televisão e vá trabalhar e buscar clientes. Em época de dificuldades é que se realizam grandes negócios. Crise reforça a nossa criatividade e nossas estratégias. Se ela chegar às micro e pequenas empresas, lembre que crise também passa.
Serviço:
Agência Sebrae de Notícias – (61) 3348-7138 e 2107-9362
www.agenciasebrae.com.br
Confederação Nacional das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – (81) 3222-1985
www.comicro.org.br
Efeito psicológico faz brasileiro postergar compras, diz Abram Szajman
Presidente da Fecomércio e do Conselho Administrativo do Sebrae em São Paulo afirma que comércio tem folha de pagamento enxuta
São Paulo -
O brasileiro deverá postergar suas compras até passar o efeito psicológico da crise, acredita o presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), Abram Szajman. Os efeitos da crise mundial têm sido mais sentidos no Brasil, segundo ele, na indústria de bens duráveis, com reflexo no comércio de produtos com alto valor unitário, como é o caso dos automóveis.
“A mídia está assustando e o trabalhador fica com receio. A cabeça das pessoas começa a postergar as compras. Quem quer comprar um carro, vai esperar até março ou abril para ver se a coisa fica mais cara. Ele vai continuar com seu televisor comum em vez de plasma”, diz.
Para ele, o que a indústria automobilística está vivendo é um ajuste, já que em 2008 foram produzidos 2,8 milhões de automóveis. “A quantidade produzida foi muito grande e mostra que teve gente que antecipou as compras que iria fazer em 2009, 2010 por conta das facilidades no pagamento. Agora, será feita uma acomodação”.
Diferente da indústria de bens duráveis, o comércio, no entanto, ainda não começou a desempregar. “O empresário do comércio tem uma empresa muito enxuta. Acredito que não chegaremos a um desemprego muito exagerado. Eu acho que nós vamos passar por uma situação de ajuste muito pequena”, diz Szajman, que preside a Fecomércio há 23 anos e recentemente foi empossado como presidente do Conselho do Sebrae em São Paulo.
Ele lembra que neste começo de ano houve o reajuste do salário de grandes categorias, que continuam trabalhando com renda positiva. “Nós temos uma massa salarial que cresceu muito nos últimos cinco anos e temos o salário mínimo que a partir de fevereiro será reajustado. Além disso, o presidente assinou um decreto expandindo o Bolsa-Família. Isso tudo é injeção de dinheiro no mercado”.Apesar das dificuldades em alguns setores, o empresário afirma que o Brasil aprendeu nas épocas de inflação alta a ter um comportamento mais adequado. “É preciso ter uma nova legislação trabalhista, tributária, partidária, previdenciária, mas mesmo com essas faltas, o Brasil tem uma posição mais confortável de reserva de dólares e sistema financeiro intacto”.
Abram Szajman lembra que o endividamento no Brasil é baixo, cerca de 40% do PIB, enquanto que nos Estados Unidos chega a 160% e, na Europa, 120%. “Quer dizer que temos um espaço muito grande para progredir, desde que voltemos à normalidade do sistema financeiro que também tem seus problemas e também tem seus receios de inadimplência, em função da psicologia que está embutida na cabeça das pessoas”.
Mas faz um alerta: o desemprego não pode disparar, fazendo com que seja impossível a pessoa pagar as prestações e seus compromissos. “A nossa perspectiva é que a economia, crescendo pouco, vai crescer 2%, 2,5%, não chega a 4%, como o governo quer, mas é um crescimento que possibilitará resgatar a massa salarial, a manutenção da renda e com isso a manutenção do emprego”.
Medidas do governo
Segundo ele, apesar das medidas de incentivo a alguns setores, há espaço para que o governo federal faça mais para incrementar a economia, como a prorrogação dos impostos a serem pagos, a diminuição da taxa de juros, a política monetária dos compulsórios. Abram Szajman defende a taxa Selic de um dígito. “O País não pode funcionar como um país de política social justa com uma taxa de juros, que, na ponta para o consumidor, chega a 50%. O importante é o governo ter uma taxa de juro básica baixa para poder gastar menos com juros, fazer investimentos gerando empregos, na área de infra-estrutura, precisa de portos, aeroportos, vias navegáveis, etc., e baixar o juro na ponta para o consumidor para o produtor em geral para que ele possa trabalhar com custos mais baixos e com isso manter o emprego, todo mundo trabalhando, comprando”.
O presidente da Fecomércio diz que junto com outras entidades de classe tem procurado amenizar “essa guerra psicológica entre o emprego e o desemprego, entre o que tem medo de perder o emprego e o que tem medo de gastar. “Estamos tentando introduzir uma modernização de negociações entre os sindicatos de trabalhadores e dos empregadores. Tentando encontrar uma alternativa para que nesses segmentos mais suscetíveis ao desemprego, como calçados, setor de aço e bens duráveis, os trabalhadores sejam menos afetados. Nós sabemos que desde a Constituição de 88 existem mecanismos de ajuste de temporário, de manutenção de emprego com redução de horas de trabalho, de salário, com afastamento para melhoria da qualificação profissional. “Não podemos ficar amarrados ao problema do desemprego”.Ele diz ter encontrado boa vontade de todas as partes. Além disso, a Fecomércio está conversando com a Secretaria de Fazenda do Estado e com o governador José Serra para que seja agilizada na Assembléia Legislativa a votação do Simples estadual. “Queremos também que a microempresa tenha uma escala de faturamento menos tributada do que está hoje no Estado e no município. Colocar a isenção num limite mais alto e permitir que o faturamento se alongue acima de R$ 2,4 milhões para R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões. Já estamos conversando com a Secretaria da Fazenda”.
Outra proposta da Fecomércio é baratear os custos para a implantação da nota fiscal eletrônica. De acordo com o empresário, existe um esforço para reduzir muito esse encargo, que será o custo da nota fiscal paulista. “Estamos também vendo as possibilidades para não ter um custo exagerado da escrituração eletrônica, que será obrigatória em breve”.
Demitir na crise pode aumentar gastos de pequenas empresas
Especialistas ouvidos pela ASN sugerem maior controle de custos fixos e liquidações para amenizar os efeitos da crise
Brasília -
Em tempos de crise, uma das notícias mais divulgadas pela imprensa diz respeito às demissões em massa. Muitos empresários vêem nessa medida uma saída para ajustar as contas de seu negócio e reduzir custos na tentativa de minimizar os efeitos da crise. No entanto, especialistas do Sebrae afirmam ser esse um erro clássico, apesar de ser a primeira opção para muitos empresários.
O gerente da Unidade de Atendimento Individual do Sebrae Nacional, Enio Duarte Pinto, afirma que o empresário deve colocar na ponta do lápis os custos com a rescisão contratual de um empregado, já que os encargos são altos e acabam sendo um gasto a mais num momento crítico como esse. Além disso, como as micro e pequenas empresas são muito voláteis, a necessidade de contratar pessoal virá em um curto espaço de tempo. “Com isso, além de ter gasto com a rescisão contratual, o empresário terá de gastar na hora de contratar, com o processo seletivo, com o contrato, com treinamento. É um pensamento contraprodutivo demitir hoje para contratar pouco tempo depois”, avalia.
Em vez de demitir, a pequena empresa tem outras opções de ajustar seus custos como promover férias em rodízio, o que é muito propício nesse primeiro trimestre, ter mais rigor nos controles de custos fixos, como estoque e contas a pagar e a receber, fazer um controle de caixa mais seguro e procurar renegociar prazos de pagamentos em contratos já firmados. “Ninguém quer perder cliente nesse momento de crise. Os fornecedores de pequenas empresas também não. Esse é o momento para dilatar prazos de pagamento”, exemplifica Enio Pinto.
É hora também de o empresário repensar e reorganizar suas formas de aprovação de crédito junto ao cliente. O gerente do Sebrae explica que vendas a prazo, que antes eram mais facilitadas, hoje devem ter um maior rigor, até mesmo para não cair numa inadimplência alta. Buscar alternativas de obtenção de crédito com juros mais atrativos é também outra dica em momentos de incerteza. Além disso, o gerente do Sebrae aconselha aos empresários a socializar a compra de seus insumos. Ou seja, procurar seu concorrente para fazer compras conjuntas ajuda a reduzir os valores dos insumos e barganhar o preço e o prazo de pagamento com os fornecedores. “Unir esforços é uma saída importante nesse momento”, avalia.
Investir em liquidações dos produtos para gerar uma rotatividade de mercadorias paradas no estoque é uma opção para quem tem contas a pagar e não pode perder tempo e dinheiro.
A gerente comercial da indústria paulista de tijolos ecológicos Tijol-Eco, Juliana Magalhães, informa que a empresa não sentiu até agora os efeitos da crise. Pelo contrário, com o setor da construção civil em alta, a indústria teve que contratar mais funcionários para operar as máquinas que produzem os tijolos de maneira ecologicamente correta. Uma das alternativas estudadas pela indústria é a mudança de horário dos funcionários para que atuem das 6h às 18h, em vez de trabalharem em três turnos. Isso porque, depois das 19h, a empresa de energia do estado cobra da indústria uma taxa extra por ela estar funcionando. “Isso vai nos dar uma economia interessante”, diz Juliana. Além disso, a gerente comercial conta que foi contratado um profissional para fazer a manutenção das máquinas, reduzindo assim os gastos com conserto de equipamentos. Juliana Magalhães explica que o processo de produção dos tijolos utiliza terra e cimento e um sistema hidráulico de secagem, o que torna o custo final da obra 40% menor em comparação com o uso de outro tipo de tijolo.
Esse tipo de alternativa é bastante recomendada pelos especialistas em gestão de crise. O economista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Francisco Barone diz que a pequena empresa também sente os efeitos de uma crise na medida em que negocia com fornecedores, toma crédito e precisa ajustar seus custos. No entanto, Barone afirma que há um ponto positivo para os pequenos empresários: o de ter maior proximidade com os funcionários e poder negociar com eles, de maneira mais fácil, as questões trabalhistas, diferentemente do que ocorre com as grandes empresas. “Flexibilizar a jornada de trabalho é sim uma opção interessante que não onera o empregador, não dispensa o empregado e ainda há certa economia de gastos fixos na empresa, como água, luz e telefone”, defende o economista.
Barone aconselha aos donos de pequenos negócios procurar nichos de mercado diferentes para atender a vários públicos. Outro conselho é não usar o crédito pessoal para pagar dívidas da empresa. “Esses empréstimos têm juros muito mais altos. O mais interessante é procurar linhas de crédito voltadas para pequenas e microempresas, principalmente de bancos públicos, que já estão orientados para praticar juros menores”, afirmou.
Por fim, o economista acredita que a crise pode representar uma oportunidade de investimento para quem deseja abrir um negócio. A dica, segundo ele, é não perder a oportunidade. “Com um plano de negócios bem estruturado e um estudo de mercado em mãos, o empresário pode sim investir e ter bons resultados, mesmo em época de crise”, afirmou. “Além disso, a busca por consultorias e orientação para pensar o empreendimento a longo prazo também são boas alternativas para se planejar e até mesmo se preparar para momentos econômicos mais complicados como esse”, conclui.

fevereiro 1, 2009

"Governo Serra diz que Nota Fiscal Paulista é a responsável por aumento de arrecadação. Mentira: eles apertaram os prazos!", diz Fecomércio-SP

Um entrevista ( “Não há nenhum motivo para pânico” ) com Abram Szajman, presidente do Sebrae-SP e da Fecomercio de São Paulo, publicada na Isto É Dinheiro desta semana ( edição 591 ) tem alguns elementos reveladores [ os grifos são meus ]. A parte que me interessa vem mais a seguir. A entrevista pode ser lida, inteirinha, no site da revista.
“( … )
DINHEIRO – Dê exemplos.
SZAJMAN – Vou citar alguns. Além de negociar bem a flexibilização das leis trabalhistas, como já falamos, o governo precisa estender o prazo de recolhimento de impostos, aumentar as linhas de crédito para os pequenos, rever a carga tributária sobre setores essenciais, pressionar o Banco Central para reduzir a taxa de juros… E por aí vai.
DINHEIRO – Isso tem sido feito.
SZAJMAN – Tem, mas de forma muito tímida. O governo federal estendeu em até sete dias o prazo para recolhimento dos impostos federais. É muito pouco, quase ridículo. Antigamente, a gente pagava imposto a 100 dias, 120 dias. Hoje, você vende um produto a prazo, mas tem que recolher os tributos no próprio mês. No caso do INSS, são apenas cinco dias após a folha de pagamento. Incoerência semelhante acontece no governo estadual, que não deu nada de prazo. Parece que não enxergaram a gravidade do problema.
DINHEIRO – Sua crítica se baseia no recente aumento da arrecadação?
SZAJMAN – Também. Parece que o Estado está soberbo, faturando mais. A arrecadação do Estado de São Paulo cresceu 20% em meio à crise. Disseram que foi graças ao programa da Nota Fiscal Paulista. Isso é conversa. Na verdade, o governo exagerou, inflacionou os preços na ponta, está recolhendo tudo antes com um número inflado. O comerciante vende com promoção e paga imposto sobre o valor cheio. ( … )”

José Serra, governador de São Paulo

“São Paulo está arrecadando mais em meio à crise porque apertou os prazos”Abram Szajman, Sebrae-SP e Fecomércio-SP

"Governo Serra diz que Nota Fiscal Paulista é a responsável por aumento de arrecadação. Mentira: eles apertaram os prazos!", diz Fecomércio-SP

Um entrevista ( “Não há nenhum motivo para pânico” ) com Abram Szajman, presidente do Sebrae-SP e da Fecomercio de São Paulo, publicada na Isto É Dinheiro desta semana ( edição 591 ) tem alguns elementos reveladores [ os grifos são meus ]. A parte que me interessa vem mais a seguir. A entrevista pode ser lida, inteirinha, no site da revista.
“( … )
DINHEIRO – Dê exemplos.
SZAJMAN – Vou citar alguns. Além de negociar bem a flexibilização das leis trabalhistas, como já falamos, o governo precisa estender o prazo de recolhimento de impostos, aumentar as linhas de crédito para os pequenos, rever a carga tributária sobre setores essenciais, pressionar o Banco Central para reduzir a taxa de juros… E por aí vai.
DINHEIRO – Isso tem sido feito.
SZAJMAN – Tem, mas de forma muito tímida. O governo federal estendeu em até sete dias o prazo para recolhimento dos impostos federais. É muito pouco, quase ridículo. Antigamente, a gente pagava imposto a 100 dias, 120 dias. Hoje, você vende um produto a prazo, mas tem que recolher os tributos no próprio mês. No caso do INSS, são apenas cinco dias após a folha de pagamento. Incoerência semelhante acontece no governo estadual, que não deu nada de prazo. Parece que não enxergaram a gravidade do problema.
DINHEIRO – Sua crítica se baseia no recente aumento da arrecadação?
SZAJMAN – Também. Parece que o Estado está soberbo, faturando mais. A arrecadação do Estado de São Paulo cresceu 20% em meio à crise. Disseram que foi graças ao programa da Nota Fiscal Paulista. Isso é conversa. Na verdade, o governo exagerou, inflacionou os preços na ponta, está recolhendo tudo antes com um número inflado. O comerciante vende com promoção e paga imposto sobre o valor cheio. ( … )”

José Serra, governador de São Paulo

“São Paulo está arrecadando mais em meio à crise porque apertou os prazos”Abram Szajman, Sebrae-SP e Fecomércio-SP

"Governo Serra diz que Nota Fiscal Paulista é a responsável por aumento de arrecadação. Mentira: eles apertaram os prazos!", diz Fecomércio-SP

Um entrevista ( “Não há nenhum motivo para pânico” ) com Abram Szajman, presidente do Sebrae-SP e da Fecomercio de São Paulo, publicada na Isto É Dinheiro desta semana ( edição 591 ) tem alguns elementos reveladores [ os grifos são meus ]. A parte que me interessa vem mais a seguir. A entrevista pode ser lida, inteirinha, no site da revista.
“( … )
DINHEIRO – Dê exemplos.
SZAJMAN – Vou citar alguns. Além de negociar bem a flexibilização das leis trabalhistas, como já falamos, o governo precisa estender o prazo de recolhimento de impostos, aumentar as linhas de crédito para os pequenos, rever a carga tributária sobre setores essenciais, pressionar o Banco Central para reduzir a taxa de juros… E por aí vai.
DINHEIRO – Isso tem sido feito.
SZAJMAN – Tem, mas de forma muito tímida. O governo federal estendeu em até sete dias o prazo para recolhimento dos impostos federais. É muito pouco, quase ridículo. Antigamente, a gente pagava imposto a 100 dias, 120 dias. Hoje, você vende um produto a prazo, mas tem que recolher os tributos no próprio mês. No caso do INSS, são apenas cinco dias após a folha de pagamento. Incoerência semelhante acontece no governo estadual, que não deu nada de prazo. Parece que não enxergaram a gravidade do problema.
DINHEIRO – Sua crítica se baseia no recente aumento da arrecadação?
SZAJMAN – Também. Parece que o Estado está soberbo, faturando mais. A arrecadação do Estado de São Paulo cresceu 20% em meio à crise. Disseram que foi graças ao programa da Nota Fiscal Paulista. Isso é conversa. Na verdade, o governo exagerou, inflacionou os preços na ponta, está recolhendo tudo antes com um número inflado. O comerciante vende com promoção e paga imposto sobre o valor cheio. ( … )”

José Serra, governador de São Paulo

“São Paulo está arrecadando mais em meio à crise porque apertou os prazos”Abram Szajman, Sebrae-SP e Fecomércio-SP

"Governo Serra diz que Nota Fiscal Paulista é a responsável por aumento de arrecadação. Mentira: eles apertaram os prazos!", diz Fecomércio-SP

Um entrevista ( “Não há nenhum motivo para pânico” ) com Abram Szajman, presidente do Sebrae-SP e da Fecomercio de São Paulo, publicada na Isto É Dinheiro desta semana ( edição 591 ) tem alguns elementos reveladores [ os grifos são meus ]. A parte que me interessa vem mais a seguir. A entrevista pode ser lida, inteirinha, no site da revista.
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DINHEIRO – Sua crítica se baseia no recente aumento da arrecadação?
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José Serra, governador de São Paulo

“São Paulo está arrecadando mais em meio à crise porque apertou os prazos”Abram Szajman, Sebrae-SP e Fecomércio-SP

"Governo Serra diz que Nota Fiscal Paulista é a responsável por aumento de arrecadação. Mentira: eles apertaram os prazos!", diz Fecomércio-SP

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SZAJMAN – Tem, mas de forma muito tímida. O governo federal estendeu em até sete dias o prazo para recolhimento dos impostos federais. É muito pouco, quase ridículo. Antigamente, a gente pagava imposto a 100 dias, 120 dias. Hoje, você vende um produto a prazo, mas tem que recolher os tributos no próprio mês. No caso do INSS, são apenas cinco dias após a folha de pagamento. Incoerência semelhante acontece no governo estadual, que não deu nada de prazo. Parece que não enxergaram a gravidade do problema.
DINHEIRO – Sua crítica se baseia no recente aumento da arrecadação?
SZAJMAN – Também. Parece que o Estado está soberbo, faturando mais. A arrecadação do Estado de São Paulo cresceu 20% em meio à crise. Disseram que foi graças ao programa da Nota Fiscal Paulista. Isso é conversa. Na verdade, o governo exagerou, inflacionou os preços na ponta, está recolhendo tudo antes com um número inflado. O comerciante vende com promoção e paga imposto sobre o valor cheio. ( … )”

José Serra, governador de São Paulo

“São Paulo está arrecadando mais em meio à crise porque apertou os prazos”Abram Szajman, Sebrae-SP e Fecomércio-SP

"Governo Serra diz que Nota Fiscal Paulista é a responsável por aumento de arrecadação. Mentira: eles apertaram os prazos!", diz Fecomércio-SP

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SZAJMAN – Vou citar alguns. Além de negociar bem a flexibilização das leis trabalhistas, como já falamos, o governo precisa estender o prazo de recolhimento de impostos, aumentar as linhas de crédito para os pequenos, rever a carga tributária sobre setores essenciais, pressionar o Banco Central para reduzir a taxa de juros… E por aí vai.
DINHEIRO – Isso tem sido feito.
SZAJMAN – Tem, mas de forma muito tímida. O governo federal estendeu em até sete dias o prazo para recolhimento dos impostos federais. É muito pouco, quase ridículo. Antigamente, a gente pagava imposto a 100 dias, 120 dias. Hoje, você vende um produto a prazo, mas tem que recolher os tributos no próprio mês. No caso do INSS, são apenas cinco dias após a folha de pagamento. Incoerência semelhante acontece no governo estadual, que não deu nada de prazo. Parece que não enxergaram a gravidade do problema.
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SZAJMAN – Também. Parece que o Estado está soberbo, faturando mais. A arrecadação do Estado de São Paulo cresceu 20% em meio à crise. Disseram que foi graças ao programa da Nota Fiscal Paulista. Isso é conversa. Na verdade, o governo exagerou, inflacionou os preços na ponta, está recolhendo tudo antes com um número inflado. O comerciante vende com promoção e paga imposto sobre o valor cheio. ( … )”

José Serra, governador de São Paulo

“São Paulo está arrecadando mais em meio à crise porque apertou os prazos”Abram Szajman, Sebrae-SP e Fecomércio-SP

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