ENCALHE

fevereiro 15, 2008

Materiais sigilosos da Petrobrás, depositados em contêiners sob a guarda da famigerada Halliburton desaparecem!!! Mas na mão de quem foram deixar…!!

PF suspeita de espionagem na Petrobras
Folha de São Paulo
15/2/2008
Dois laptops e disco rígido foram levados de contêiner da empresa americana Halliburton, que presta serviço para estatal
Furto foi comunicado à PF na sexta de Carnaval, mas inquérito só foi aberto no dia 7; equipamento tinha dado de descoberta recente
PEDRO SOARES
SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
Dois laptops (computadores portáteis) e um disco rígido com informações sigilosas e estratégicas da Petrobras foram furtados de um contêiner que estava sob a guarda da Halliburton, empresa americana prestadora de serviços à estatal, em Macaé (a 188 km do Rio). A PF (Polícia Federal) suspeita que o crime seja parte de esquema de espionagem industrial.
Os dados desaparecidos são referentes às recentes descobertas de reservas de óleo e gás da estatal. Estavam armazenados nos equipamentos da Halliburton, que os transportaram do porto de Santos para a base da Petrobras na bacia petrolífera de Campos, em Macaé.
Entre as descobertas, está a do campo de Tupi (bacia de Santos), a maior já realizada no país. Suas reservas (ainda dependentes da certificação final) são estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris. Ao todo, o Brasil tem hoje 14 bilhões de barris. As primeiras revelações sobre o furto foram divulgadas na internet na manhã de ontem pelo portal Terra.
A Petrobras foi informada do furto no dia 1º deste mês, quando a Halliburton percebeu que o contêiner havia sido violado. A estatal realizou uma investigação interna e, no mesmo dia, véspera do Carnaval, informou sobre o desaparecimento do material à Superintendência da PF no Rio. O inquérito só foi aberto no dia 7. Ficou a cargo da Delegacia da PF em Macaé, cujas investigações ainda não avançaram. A Petrobras também faz suas apurações.
A Folha apurou que a estatal não descarta a possibilidade de se tratar de espionagem industrial, suspeita também citada à Folha pela delegada Carla de Melo Dolinski, presidente do inquérito. “Nós temos duas linhas de investigação: se foi furto com intuito de obter informações sigilosas e estratégicas ou se foi com o intuito de obter simplesmente materiais de informática. Furto simples, comum, que acontece muito em contêineres”, disse a delegada.
O que a PF sabe até agora, ainda de acordo com Melo Dolinski, é que o contêiner deixou o porto de Santos no dia 18 de janeiro, com passagem pelo Rio. No pátio da Halliburton em Macaé, o contêiner deu entrada no último dia 1º.
A Halliburton é uma das mais antigas prestadoras de serviço da estatal. Atua em várias áreas, com destaque em testes de vazão e pressão em reservatórios. Também foi responsável pela construção de duas plataformas (P-43 e P-48), cujos preços e prazos estouraram. O caso terminou numa corte arbitral.
Nos EUA, a Halliburton teve como presidente Dick Cheney, o atual vice-presidente do país, e teve forte atuação no Iraque.”Só sei dizer que o contêiner saiu de Santos em 18 de janeiro e no dia 1º de fevereiro foi encontrado violado. Saiu de Santos, passou pelo Rio e veio para cá [Macaé]. Não sei em que momento esse contêiner foi furtado”, disse a delegada.
Logo na chegada, os funcionários encarregados do transporte notaram que o lacre do contêiner tinha marcas de violação. A Petrobras foi chamada. Realizou uma vistoria e constatou que os laptops e o disco rígido tinham sumido. A Polícia Federal foi avisada em seguida.
Em nota, a Petrobras evitou referências à suspeita de que o furto foi cometido por pessoas interessadas em saber mais sobre os campos de petróleo do litoral brasileiro. A estatal informou apenas, no documento, que “houve um furto de equipamentos e materiais que continham informações importantes para a companhia, em instalações de empresa que presta serviços especializados”.
A estatal acrescentou na nota possuir cópias da íntegra dos dados furtados. Mas não revelou qual é o conteúdo das informações nem sobre quais áreas se referem. Procurada pela Folha no Rio, a Halliburton informou que por enquanto não se pronunciará sobre o desaparecimento do material e que recebeu a orientação da Petrobras para que todas as questões a respeito do tema fossem encaminhadas à estatal.

agosto 29, 2007

Em artigo, Aloysio Biondi mostrou até as minúcias do assalto na privatização da Vale do Rio Doce. Manual Completo e Guia de Truques.

A Vale do Rio Doce, retrato de um país *
Aloysio Biondi
O autor cita a absurda sonegação de Imposto de Renda por parte das grandes empresas, mostra a situação atual da Vale do Rio Doce, e como o governo de FHC privilegia as elites às custas do povo.
Classe média e trabalhadores pagam até 27,5% de Imposto de Renda sobre tudo que ganham – isto é, sem o direito de descontar as despesas feitas para trabalhar, ter renda. Abatimentos? Só ridículos valores para mensalidades escolares, despesas médicas, dependentes. A Vale do Rio Doce, ex-estatal portentosa, “dona” de outras 30 empresas das áreas de mineração, navegação, portos, celulose, madeira, doada por FHC a um grupo liderado pelo sr. Steinbruck, teve um lucro de 1,25 bilhão de reais em 1999, para um faturamento de 4,4 bilhões de reais. Quanto vai pagar de imposto de renda? Segure-se na cadeira: míseros 5,0 (c-i-n-c-o) milhões de reais. Ou menos de 0,5% do lucro, ou 0,125% do faturamento… Como isso é possível? O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, já havia dado um pista sobre aberrações como essa, ao depor no congresso Nacional em meados do ano passado, na CPI sobre o socorro do Banco Central a bancos quebrados, na crise do Real em janeiro de 1999. Maciel, tão sério que vivem pedindo sua demissão, apontou distorções na cobrança dos impostos no Brasil, fazendo revelações inacreditáveis, que em outros países derrubariam governos.
Primeiro: foi ele quem mostrou que o Governo estava perdendo bilhões de reais, em imposto, com as privatizações. Como? Porque o “ágio”, ou diferença entre o preço pedido pelo Governo, nos leilões, e o preço oferecido pelo “comprador”, é devolvido pelo Tesouro, sob a forma de abatimento do imposto de Renda.
Segundo: Maciel revelou ao Congresso que metade da 500 maiores empresas do Brasil não pagam um tostão de Imposto de Renda, e a outra metade paga em média apenas 5%. Por quê? Sonegação? Não. Há “brechas” na lei, disse ele, de forma diplomática, mas que na verdade são privilégios e vantagens oferecidas pelo governo FHC às grandes empresas e bancos, para reduzir o imposto devido.
O balanço da Vale, com 0,5% de Imposto de Renda sobre o lucro, é um retrato do Brasil de FHC/ Malan que aumenta impostos e corta verbas para as áreas sociais em nome do “equilíbrio do Tesouro” e abre buracos no Tesouro para favorecer os grupos de elite. Mas ele mostra muito, muito mais, sobre esse Brasil.
Ele mostra, por exemplo, que realmente as elites perderam qualquer traço de vergonha em matéria de mentir à opinião pública – e de assaltar o cidadão brasileiro. Na época da publicação do balanço, os “donos” da vale divulgaram anúncio de página inteira nos jornais, alardeando “novos recordes”, e surgiram entrevistas de seus diretores e editoriais exaltando a “eficiência” da administração privada e as “vantagens da privatização”. É tudo mentira descarada, pois a Vale andou de marcha-à-ré em 1999 – e ela deveria ser obrigada a publicar outro anúncio, se retratando, por imposição do Conar, que cuida da ética em propaganda, ou da CVM, que deveria evitar propaganda enganosa de empresas com ações em Bolsas. Os recuos da Vale são mostrados no próprio balanço houve queda em todas as atividades da Vale e coligadas, a saber, venda e exportação de minérios, transporte ferroviário, terminais portuários, transporte marítimo (exceções, segundo o balanço destaca: papel e celulose, siderurgia e alumínio).
O anúncio diz a verdade em um caso, isto é, quando aponta que o lucro de 1,25 bilhão é recorde – apesar da queda, que ele omite, nas operações. Explicação para o aparente paradoxo? Eficiência administrativa? Nada a ver. Basicamente, o lucro da Vale foi provocado por uma coisa muito diferente: a desvalorização do Real no começo de 1999, que aumentou em mais 50% a quantidade de reais recebida na troca de cada dólar obtido nas exportações de minérios – que na verdade também, caíram, de 2,7 para 2,3 bilhões de dólares. Mas houve outros macetes, típicos do Brasil de FHC, que também incharam os lucros da Vale. Ela ganhou 350 milhões de reais porque “previu” a queda do Real, e especulou com o dólar (operações de “hedge”). Além disso, ela e alguma de suas coligadas receberam de volta nada menos de 340 milhões de reais do…. Imposto de Renda, graças principalmente a devoluções concedidas como “incentivo” para a compra ou fusão de empresas, inclusive nas privatizações ( outra “brecha” à qual Everardo Maciel fez referência ).
Ah, sim, o grupo Vale do Rio Doce acumulou empréstimos aqui dentro e no exterior no total equivalente de 4,4 bilhões de reais, dos quais 1,05 bilhão lá fora com o aval do tesouro ( que, segundo o Governo FHC, não tinha condições de levantar empréstimos no exterior, e, no entanto é aceito como fiador dos novos “donos-sem-dinheiro-e-sem-pudor” da Vale ). Desses empréstimos, diz o balanço, apenas 250 milhões de reais arcaram com taxas de juros superiores a 11% a ao ano – o que significa que os lucros da Vale estão sendo engordados, também, com juros baixos (as empresas em geral pagam 40% ao ano no Brasil) no exterior graças ao aval do governo, ou aqui dentro, graças a empréstimos de pai pra filho do banco estatal BNDES. Com lucros tão fantásticos, os novos “donos” da Vale seguiram a tradição da empresa à época em que era estatal, realizando investimentos para reforçar estrategicamente sua posição no mercado mundial, inclusive com pesquisas de novas jazidas – ou para melhora dos serviços ferroviários, portuários, de navegação marítima, que também lhes foram doados na privatização? Não. A Vale cortou seus investimentos em 25%, de 420 para 350 milhões de reais ( a empresa, sempre marotamente, alardeia um investimento recorde de 1,0 bilhão – porém, para este ano…). Os gastos com pesquisa ficaram em ridículos 46 milhões de reais. O que os “donos” da Vale fizeram com o dinheiro do lucro? Embolsaram nada menos de 70%, algo como 850 milhões de reais, pagos a eles mesmos, como juros sobre o capital próprio – que também é outra “brecha”, tem “incentivos”do Imposto de Renda”.
O balanço da Vale mostra recuos da empresa e “progresso financeiro” para os “donos” – às custas de todos os brasileiros, de quem, no final das contas, saem o dinheiro do Imposto de Renda, a diferença de juros do BNDES, o custo da desvalorização do Real. Um retrato da privatização e da “política” tributária e de crédito, favoráveis aos grandes grupos, do Governo FHC. E o Congresso, hein?
Revista Bundas
número 41
28 de Março de 2000
( * Extraído do site Brasil, Ame-o ou Deixe-o )

agosto 3, 2007

Vale privatizada tem lucro mais de 3 vezes maior que seu preço

O lucro da Companhia Vale do Rio Doce no primeiro semestre deste ano atingiu o recorde de R$ 10,937 bilhões, 79,6% maior do que foi registrado no mesmo período no ano passado. Em todo o ano de 2006, o lucro líquido da Vale foi de R$ 13,431 bilhões.
“O lucro da Vale do Rio Doce no primeiro semestre é o maior entre empresas de capital aberto nos últimos 20 anos e o terceiro maior depois do da Petrobrás”, diz o relatório da empresa de consultoria Economática. No período, as exportações chegaram a R$ 6,4 bilhões nos primeiros seis meses, bem acima dos R$ 4,8 bilhões do primeiro semestre de 2006.
Nos últimos anos, os lucros da Vale vêm sendo turbinados pela alta do preço do minério de ferro no mercado mundial, isso graças à ação do cartel formado pela própria Vale privatizada, BHP Bilinton (australiana) e Rio Tinto (inglesa), que controla 70% do mercado mundial do minério. A concentração aumentou ainda mais com a aquisição da canadense Inco pela Vale.
O lucro registrado pela Vale dá a dimensão do assalto ao país quando a estatal foi privatizada durante o governo de FHC, em 1997. Na época, a empresa foi entregue por simbólicos R$ 3,338 bilhões. Para chegar ao preço vil, os privatistas delegaram a avaliação da estatal à empresa de consultoria norte-americana Merril Linch, que não incluiu em sua avaliação a maior jazida de ferro do mundo, localizada em Carajás (PA), tampouco os demais minérios explorados pela empresa, como manganês, bauxita, ouro, nióbio etc. A infra-estrutura da estatal, composta pelos complexos industriais, usinas, ferrovias, portos e navios também ficaram fora da avaliação.
Com tantas irregularidades, a leiloata da vem sendo contestado na Justiça desde a sua realização, além de mobilizar a sociedade para rever a entrega da estatal. Em maio deste ano, um comitê composto por 34 entidades lançou no Paraná a campanha nacional pela anulação do leilão da Vale. O comitê está organizando para setembro deste ano um plebiscito em todo o país para tentar anular a leiloata da Vale. Os comitês já foram constituídos no Pará, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Distrito Federal, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
“Não podemos admitir que um governo tenha alienado a preço vil um patrimônio que significa a auto-suficiência do Brasil em matérias-primas importantíssimas”, afirma a ex-deputada Dra. Clair da Flora Martins (PMDB-PR).

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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