Caso eu, hipotéticamente, tivesse o cargo almejado pelos dois atuais postulantes, eu proporia isso, por uma São Paulo quase utópica:
- ÔNIBUS GRATUITO PARA TODOS: Sim, já houve alguém – acho que foi a Erundina, em 2004 – que lançou essa idéia. Eu mesmo, à época, não levei a sério. Hoje, mais velho e maduro ( rsrsrs ), com toda a sabedoria que o mundo me deu nessses últimos anos, acho viável adotar essa revolução.
Na ponta do lápis, muito dinheiro na caixinha
Haverá custos, claro. Mas que serão satisfatoriamente cobertos com um saudável e óbvio aumento e/ ou remanejamento de determinados tributos municipais. Porém, fazendo pequena pesquisa, eu que sou leigo pacas, descobri que parcelas de impostos estaduais, como o IPVA, são repassados aos municípios. Bom saber disso. Essas receitas devem ser compreendidas minuciosamente, tanto pelo gestor ( AAii!! ) municipal quanto pela própria população.
Os cofres públicos terão um belo retorno financeiro, já que a população, com mais grana em seu surrado bolso, comprará mais e, principalmente, ítens sobre os quais incidem cascatas e cascatas de taxas das quais o pobre [ sem a "engenharia contábil" que salva a pele de muitos poraí ] não escapa. Essa bola de neve fiscal garantirá recursos para implementar nososo busão grátis.
O famigerado “Mercado de Trabalho”
Além disso, pensem em termos de “empregabilidade” ( AAii!! ): o patrão poderá, finalmente, deixar de procrastinar e contratar aqueles funcionários de que tanto necessita, sem precisar desembolsar o Vale-Transporte. Mais dinheiro no caixa do patrão. Por sua vez, o candidato a um emprego não será preterido devido às dificuldades que o Vale-Transporte traria aos patrões, e descolará um trabalho muito mais rápido, mesmo morando nos Confins do Judas. Morar longe e não ter dinheiro para se deslocar não será mais empecilho.
Inclusão social e cordão umbilical cortado
Imagine você, aí longe, onde você mora. A escola é uma merda. Biblioteca depredada, inclusive pelos próprios moradores. Só tem campão de terra para tirar um lazer, mas a birita, as brigas e tretas, até mesmo o tráfico, não te dão vontade de circular por seu próprio bairro. Mas a falta de grana nem mesmo para comer uns pães de queijo 12 x R$ 1,00 te diz: “Você vai ficar aqui, queira ou não.” Que desespero, querer botar a cabeça para fora do insuportável cotidiano paupérrimo e sem perspectivas, e não poder sair. Tipo um gigantesco campo de concentração perverso, confinado e perdido nas distâncias da Metrópole.
E se você pudesse ir para longe? Não muito longe: tipo o “Parque do Povo” ou o “Centro Cultural São Paulo”, ou algum SESC da vida? Ou naqueles lugares lindíssimos perto dos Jardins, olhar as vitrines da Oscar Freire?
Levar seus filhos para conhecer através do muro. Sair daí nem que seja pelo alívio de estar longe. Espairecer de verdade. Longe do cenário deprimente ( e muito pior que ) descrito acima. Quantos Domingos você poderia ter passado longe daí, se tivesse um mínimo de dinheiro?
Com 10 contos, dá para comer um pastel na feira do Pacaembú, catar o busão grátis ( de acordo com nosso projeto ) até o Ibirapuera e, no fim do dia, voltar para casa, sem gastar grana de condução. Parece sonho, né? Ainda é. Mas alguém, um dia, pensará nisso, não só na questão empresarial e financeira.
Cara de palhaço, pinta de palhaço
Digamos, caro cidadão, você seja um desses felizardos que conseguem pagar a condução, ali, diariamente, na justa.
Aí você cata o busão, demora para descolar um lugar para sentar, som ilegal rolando dentro do veículo e coisa e tal. Para ajudar a compor com maior fidelidade este quadro Guantanamero, o busão pára num ponto, e de fora você ouve:
- Aê motô… dá por favor, na umildade ( sem “h”, errado até para falar ), dá prá dar uma carona aê?
“Sobe lá atrás”, responde o motô.
Sobem uns 3 moleques, que alugam logo o fundão do busão, mexendo com as pessoas na rua, cuspindo nos transeúntes, aquela merda. E eles logo desolam lugar para sentar, ao contrário de você. Um deles tira da bermuda modelo “cagada” um…celular. E começa a ouvir um som alto.
Você se sente um idiota por obedecer certas regras de convívio social impostas em priscas eras e, de quebra, um perfeito idiota paulistano, por pagar condução, enquanto lixos viajam gratuitamente? Pois bem, com nosso projeto de busão grátis, não podemos garantir paz dentro dos transportes, mas a sensação de inutilidade que lhe assenhora diante dessas situações vai acabar. Melhor, esses babacas não poderão se achar os mais malandrões por andarem de graça enquanto nós, os “otários” pagamos por eles. A auto-estima deles vai cair bastante. Talvez deixem de pegar ônibus, depois desse golpe.
- RECUPERAÇÃO DA “INDÚSTRIA DA MULTA”. AGORA A AUTORIDADE VAI MANDAR: Desde 2007, a PM manda para as ruas de São Paulo, um contingente de policiais que ajuda a heróica CET. Isso meio que desagradou o cidadão de bem, que não pôde [ quer dizer, não que não continue fazendo ] mais fazer as cavalices de costume. Além disso, uns desses cidadãos de bem argumentam, do alto de todo o seu saber a respeito do aparelho repressivo – prerrogativa do Estado -, que a PM não poderia estar tratando de ficar multando a gente boa paulistana. E que seu papel é “pegar bandido” [ excluíndo-se, lógico, o do trânsito ]. Por sua vez, vários policiais se sentiram rebaixados ao papel de “guardinha de trânsito”. Bom, todo esse esforço não parece ter surtido um efeito considerável. Do jeito que devia ter sido, claro.
Nossa proposta é simples: vamos fazer o “guardinha de trânsito” atingir o status de “Tropa de Elite”. Os PMs serão – muito agradecido! – devolvidos à sua condição anterior, e a Prefeitura fechará um convênio em que a ROTA assumirá o papel desses PMs. Conosco na Prefeitura, a ROTA vai pra rua. Multar sim. Guinchar, talvez. Engolir sapo de “cidadão de bem” mau-caráter e mau motorista, JAMAIS. Olha o dinheiro entrando no caixa da Prefeitura, permitindo que nós implantemos o busão gratuito. Talvez possamos encarregar-lhes, até mesmo, da tarefa de fazer cumprir a lei que proíbe o uso de aparelhos sonoros dentro dos ônibus. Nextel inclusive.
Aí foram algumas das propostas formuladas por nossa equipe de governo. Novas idéias para transtornos simples de resolver. Contamos com seu voto, num futuro ainda incerto.

TRIVELA
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