Corrupção na Polícia Civil
Um vídeo divulgado na página da internet do jornal O Estado de S. Paulo denunciou práticas de corrupção dentro da Polícia Civil paulista. As imagens, feitas com uma câmera escondida, mostravam a venda de cargos dentro da instituição, além da venda de sentenças para reintegrar policiais expulsos. Um cargo no Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) valia R$ 200 mil ou R$ 300 mil. Uma absolvição em processo administrativo saía por R$ 100 mil. O ex-secretário adjunto de Estado da Segurança Pública, Lauro Malheiros Neto, e seu ex-sócio e advogado, Celso Augusto Valente, seriam os mandantes deste tipo de esquema. O fato foi postado no blog do delegado Roberto Conde Guerra, que costuma fazer críticas às práticas ilícitas que ocorrem dentro da Polícia. Há mais de 20 anos no cargo, o delegado já atuou em cinco regiões do estado de São Paulo. Em entrevista à Radioagência NP, Conde Guerra afirmou que o caso Malheiros não é um acontecimento isolado. Segundo ele, as práticas de corrupção estão alastradas na Polícia Civil.
Um vídeo divulgado na página da internet do jornal O Estado de S. Paulo denunciou práticas de corrupção dentro da Polícia Civil paulista. As imagens, feitas com uma câmera escondida, mostravam a venda de cargos dentro da instituição, além da venda de sentenças para reintegrar policiais expulsos. Um cargo no Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) valia R$ 200 mil ou R$ 300 mil. Uma absolvição em processo administrativo saía por R$ 100 mil. O ex-secretário adjunto de Estado da Segurança Pública, Lauro Malheiros Neto, e seu ex-sócio e advogado, Celso Augusto Valente, seriam os mandantes deste tipo de esquema. O fato foi postado no blog do delegado Roberto Conde Guerra, que costuma fazer críticas às práticas ilícitas que ocorrem dentro da Polícia. Há mais de 20 anos no cargo, o delegado já atuou em cinco regiões do estado de São Paulo. Em entrevista à Radioagência NP, Conde Guerra afirmou que o caso Malheiros não é um acontecimento isolado. Segundo ele, as práticas de corrupção estão alastradas na Polícia Civil.
Radioagência NP – Roberto, por que o senhor resolveu fazer um blog?
Roberto Conde Guerra – Resolvi fazer depois que a Associação dos Delegados suprimiu um espaço dos associados [na internet] denominado fórum, onde debatíamos os problemas da nossa classe e da Polícia Civil. Mas, antes disso, uma matéria que eu escrevi no site da Associação foi utilizada para me punir e me remover de Santos para cá [município de Hortolândia]. Na matéria, eu questionava o apadrinhamento em Santos e também o recebimento de vantagens ilícitas, a corrupção. Então, a partir de maio de 2007, passei a escrever no blog os problemas da Polícia e também algumas denúncias de irregularidades.
RNP – O seu blog foi excluído. Por que ele foi tirado da internet?
RCG – Foram dois blogs que eles excluíram. O primeiro foi durante a greve da Polícia Civil, no dia 30 de outubro. Agora em nove de janeiro, o segundo blog foi excluído. Mais uma vez, pelo mesmo juiz, foi expedida uma ordem e o Google o retirou do ar. Em janeiro, o Google me encaminhou o ofício do juiz e lá diz “vítima: José Serra e outros”. Na verdade, o motivo mesmo eu não conheço. Poderia ser ofensa ao governador do estado.
RNP – O senhor desconfia de algum motivo?
RCG – O menos criticado ali é o governador José Serra. O nome do governador para mim foi um pretexto, porque o meu blog, naquele momento, centralizava todas as informações sobre a greve, então ele era uma referência para toda a Polícia Civil. Tanto que tinham dias com mais de oito mil visitantes. As pessoas encaminhavam notícias de todas as cidades em tempo real, por meio dos comentários. Então, a finalidade foi justamente essa, impedir a troca de informação.
RNP – O que o senhor fez para recuperar as informações e continuar com o blog?
RCG – O WordPress tem uma ferramenta que importa todo o conteúdo do blog. Assim, tudo o que eu fazia no blog da Google eu importava depois para o WordPress como se fosse um backup. Então, quando extinguiram os dois, eu deixei o WordPress aberto [público].
RNP – Na última semana, foi divulgado um vídeo que mostrava um esquema de corrupção para reintegrar policiais expulsos da instituição e negociar cargos da Polícia Civil. O que o senhor achou da denúncia?
RCG – Essa denúncia eu fiz há dois anos. Claro que não citei o nome do Malheiros, mas isso é uma coisa já muito antiga. A venda de cargos existe mais ou menos desde 2001, desde o governo Geraldo Alckmin. A corrupção na Polícia sempre existiu, mas era uma opção pessoal, individual. Hoje, praticamente é uma obrigação funcional, porque alguns compram os seus cargos e começam a impor a todos os demais o silêncio ou a cegueira em relação a determinadas práticas.
RNP – Para finalizar, tem algum mecanismo na Polícia para evitar a corrupção?
RCG – Nenhum. Não há nenhum mecanismo. Nem o instrumento formal não existe. Não adianta você representar, requerer. Você vai ser perseguido de todas as formas e não vão dar nenhuma atenção. O único instrumento é a imprensa e quando ela se cala para não prejudicar interesses do governo em questão, aí a corrupção se alastra mesmo. E o dinheiro arrecadado não pára só na Polícia não. Veja bem, a Polícia está sendo usada como uma fonte de arrecadação. Não pense que pára aqui. O pessoal pega aqui, fica com a sua parte e encaminha para os seus padrinhos e aonde vai parar eu não posso dizer.
12/03/09

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