ENCALHE

setembro 17, 2008

Conforme o prometido: "EDUCAR PARA CRESCER", por Roberto Civita ( UGHH!! )

Taí como prometido num post anterior. Leiam e vejam se dá para enxergar algum interesse oculto – e econômico, obvio – nessa “cruzada” educacional que irá mobilizar os talentos da Editora aBRIL. Se compararem com o post anterior mencionado, perceberão que cometi vários enganos: “cartilha” em lugar de “apostila” e “Editora Ática & Scipione” ao invés de “Editora Moderna” ( como escrevi ). Se eu continuar errando tanto, é capaz do cara querer me contratar para trabalhar na vEJA…
EDUCAR PARA CRESCER
A partir de agora, a revista que você está lendo, e trinta outras publicações da Editora Abril, lhe trará ainda mais informações sobre educação. Serão notas, dicas, reportagens, cartilhas e artigos dedicados a ajudar os pais a acompanhar melhor tanto a educação dos seus filhos como op andamento e a qualidade da educação nas escolas de sua comunidade.
A Abril – com o apoio do Ministério da Educação – resolveu fazer isso porquê temos a convicção de que é de fundamental importância tanto para o progresso pessoal de cada estudante, como para o desenvolvimento do país e o futuro de suas instituições democráticas.
Embora tenha melhorado nos últimos tempos, a qualidade da educação no Brasil ainda deixa muito a desejar. Por mais que educação seja uma das principais responsabilidades dos governos municipais, estaduais e federal e, naturalmente, dos professores e educadores, depende – em último caso – do nível de exigência da população. Se pais, irmãos, avós, tios, primos, empresários, contribuintes e eleitores em geral não se empenharem pessoal e energicamente na questão, demoraremos muito mais tempo para eliminar o enorme desnível de qualidade [ AFFFF!! Essa é nova... ] que atualmente nos separa dos países realmente desenvolvidos.
Em outras palavras ( e por mais difícil que possa ser acreditar nisso num primeiro momento ) o seu papel nesta cruzada é muito mais importante do que você provavelmente imaginava. É por isso que resolvemos mobilizar os múltiplos talentos e recursos das revistas da casa, das Editoras Ática & Scipione ( também do Grupo Abril ) e da Fundação Victor Civita ( que publica a revista NOVA ESCOLA, dirigida aos educadores de todo o país ) para ajudar você a se engajar ativamente no ensino dos seus filhos, na boa gestão das escolas em que estudam e na transformação da educação de qualidade* ( sic ) num dos grandes objetivos permanentes do Brasil.
Contamos com você! Obrigado.
Roberto Civita
Presidente e Editor
* Esse “de qualidade”… essa expressão é nefasta.

Conforme o prometido: "EDUCAR PARA CRESCER", por Roberto Civita ( UGHH!! )

Taí como prometido num post anterior. Leiam e vejam se dá para enxergar algum interesse oculto – e econômico, obvio – nessa “cruzada” educacional que irá mobilizar os talentos da Editora aBRIL. Se compararem com o post anterior mencionado, perceberão que cometi vários enganos: “cartilha” em lugar de “apostila” e “Editora Ática & Scipione” ao invés de “Editora Moderna” ( como escrevi ). Se eu continuar errando tanto, é capaz do cara querer me contratar para trabalhar na vEJA…
EDUCAR PARA CRESCER
A partir de agora, a revista que você está lendo, e trinta outras publicações da Editora Abril, lhe trará ainda mais informações sobre educação. Serão notas, dicas, reportagens, cartilhas e artigos dedicados a ajudar os pais a acompanhar melhor tanto a educação dos seus filhos como op andamento e a qualidade da educação nas escolas de sua comunidade.
A Abril – com o apoio do Ministério da Educação – resolveu fazer isso porquê temos a convicção de que é de fundamental importância tanto para o progresso pessoal de cada estudante, como para o desenvolvimento do país e o futuro de suas instituições democráticas.
Embora tenha melhorado nos últimos tempos, a qualidade da educação no Brasil ainda deixa muito a desejar. Por mais que educação seja uma das principais responsabilidades dos governos municipais, estaduais e federal e, naturalmente, dos professores e educadores, depende – em último caso – do nível de exigência da população. Se pais, irmãos, avós, tios, primos, empresários, contribuintes e eleitores em geral não se empenharem pessoal e energicamente na questão, demoraremos muito mais tempo para eliminar o enorme desnível de qualidade [ AFFFF!! Essa é nova... ] que atualmente nos separa dos países realmente desenvolvidos.
Em outras palavras ( e por mais difícil que possa ser acreditar nisso num primeiro momento ) o seu papel nesta cruzada é muito mais importante do que você provavelmente imaginava. É por isso que resolvemos mobilizar os múltiplos talentos e recursos das revistas da casa, das Editoras Ática & Scipione ( também do Grupo Abril ) e da Fundação Victor Civita ( que publica a revista NOVA ESCOLA, dirigida aos educadores de todo o país ) para ajudar você a se engajar ativamente no ensino dos seus filhos, na boa gestão das escolas em que estudam e na transformação da educação de qualidade* ( sic ) num dos grandes objetivos permanentes do Brasil.
Contamos com você! Obrigado.
Roberto Civita
Presidente e Editor
* Esse “de qualidade”… essa expressão é nefasta.

junho 12, 2008

"Delinqüentes da Imprensa" não conseguem direito de resposta sobre editorial do Jornal do Brasil, publicado ainda em 2001!!

Começando pelo passado:
Editorial Jornal do Brasil, publicado a 23/10/2001
Comunique-se
Delinqüentes da Imprensa
O bando de jornalistas dedicados à produção de “reportagens investigativas”, pressurosamente publicadas por órgãos de imprensa dispostos a surfar nas ondas do denuncismo, assemelha-se a uma matilha de pitbulls. Seus integrantes freqüentemente se lançam com fúria irracional contra inocentes. Basta sentir o cheiro do dono, contudo, para que os espécimes da raça se comportem como os mais dóceis de seus primos muito distantes. Encolhem-se com a delicadeza do cocker spaniel. Quando muito, latem sem sobressaltar ninguém, como um chihuahua.
Prenhes de valentia no momento de ataque a gente que desconhecem, esses talibãs especializados na confecção de notícias explosivas, ainda que escancaradamente falsas, exibem o recato de uma afegã quando lidam com assuntos que envolvem os próprios patrões. Examine-se, para ilustrar a tese, o comportamento dos “guerreiros da investigação” a serviço da revista Veja em relação a dois empresários. Um é Nelson Tanure, acionista da empresa que edita o Jornal do Brasil. Outro é Roberto Civita, presidente da Editora Abril e dono daquela publicação.
Na edição que está nas bancas, o semanário de Civita vale-se da papelada de um conhecido lobista e extorsionário de Brasília, Alexandre Paes dos Santos, para ministrar uma lamentável aula de imprensa marrom, subscrita irresponsavelmente pelo repórter Policarpo Júnior. A vítima é Nelson Tanure, aparentemente condenado à danação eterna por ter-se juntado ao esforço de recuperação financeira do Jornal do Brasil. Sob o título “O baú do lobista”, aparece não a foto de seu inspirador, Alexandre Paes dos Santos. Aparece a de Tanure, citado só duas páginas além, no último parágrafo do texto. Trata-se de uma inversão catalogada como delinqüência ética em qualquer bê-á-bá do jornalismo.
Não é só. A revista anexou à foto do empresário uma página contendo anotações manuscritas pelo extorsionário, vinculadas a Tanure. Homens de boa-fé ali encontram rabiscos que ali misturam trivialidades, todas ao alcance de uma conversa com amigos ou vizinhos do empresário – nome da secretária e número de filhos, por exemplo –, com ilações e insinuações delirantes. Sempre mais atilado que o restante do planeta, o repórter conseguiu enxergar, naquele baú de intrigas e malignidades, informações confiáveis.
Do alto desta dedução, o autor do texto ancorou-se no truque de insultar o empresário com “informações” colhidas na fonte suspeitíssima. Trata-se de um extorsionário, que ressalvara ao repórter jamais ter conversado com Tanure. Nada disso inibiu a ação do pitbull da imprensa. Veja, que se considera uma leitura indispensável, não tardará a descobrir os estragos, morais e econômicos, decorrentes do desprezo pela equanimidade, da discriminação ostensiva, do desrespeito por códigos éticos. Por enquanto, a revista da Editora Abril parece preocupada em preservar exclusivamente a maloca onde se aglomeram seus morubixabas.
Há poucos meses, o jornalista Mino Carta publicou um livro, O Castelo de Âmbar, em que relata, recorrendo a diferentes técnicas narrativas, sua longa e rica experiência. Há quem goste muito de Mino Carta, há quem dele não goste. Uns e outros jamais lhe negaram a condição de homem honrado e o talento profissional. Agudo observador de cabeças, almas e caracteres, a certa altura o jornalista insere na obra um capítulo de livro de memórias e, na terceira pessoa do singular, descreve momentos muito interessantes de seu convívio com Roberto Civita, então vice-presidente da Editora Abril. Mino era diretor de redação da revista Veja, que não publicou uma única palavra sobre O Castelo de Âmbar. Com a credibilidade que extorsionários não merecem, ele oferece informações que um bom repórter investigativo não deixaria passar ao largo. Os de Veja fingiram que não era com eles.
Mino conta que, em 1975, Roberto Civita promoveu manobras internas que resultaram na demissão do teatrólogo Plínio Marcos, titular de uma coluna de esportes na revista, e, depois, no afastamento do próprio diretor de redação, para que o governo militar do presidente Ernesto Geisel fosse mais generoso com a empresa. Civita tinha a promessa de ver a censura suspensa caso fizesse tais concessões. Sobretudo, ele e outros diretores sonhavam com a liberação pela Caixa Econômica Federal do empréstimo solicitado pela Abril, 50 milhões de dólares em valores da época, que daria consistência aos combalidos cofres da editora. Cabeças rolaram, a censura foi suspensa, o dinheiro saiu. E este é apenas um instante numa longa trajetória apimentada por lances indecorosos.
Trata-se de uma leitura pouco edificante, mas muito instrutiva. Como serão instrutivos os efeitos do combate impenitente que o Jornal do Brasil promete travar contra o império da arrogância leviana.
Agora, o presente:
STJ nega direito de resposta à Abril sobre editorial do Jornal do Brasil
Comunique-se, 11.06.08
A Editora Abril não terá direito de resposta por suposta ofensa em editorial do Jornal do Brasil de 23/10/2001, segundo decisão de terça-feira (10/06) do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para a editora, o texto, intitulado
“Delinqüentes da Imprensa” – sobre reportagem de Veja com a prisão de um lobista com telefones de Nelson Tanure, proprietário do jornal – ofendeu honra da empresa e funcionários com informações inverídicas.
Na decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, um editorial não é matéria jornalística. O editorial cita o livro “O Castelo de Âmbar”, de Mino Carta, que relata experiências do jornalista quando trabalhava na Abril. Os fatos comentados foram considerados públicos e não originalmente divulgados pelo jornal, o que fez com que o direito de resposta fosse negado.
A ministra Maria Thereza de Assis Moura manteve a decisão do TJ, argumentando que a controvérsia requere exame de prova, o que não compete ao STJ.


março 13, 2008

"Veja Q Porcaria" se despede, após perder a concorrência para Reinaldo Azevedo. Leiam a nota de despedida, redigida por José Chrispiniano

Veja q Porcaria – a volta e o (simultâneo) fim
O Veja Q Porcaria? Aquele blog (sic) que “fala mal” da Veja? Caput. Finito. Zéfini. Parrrtiu! E isso já faz tempo. Aqui é só porque cabe ainda acabar o porque. E lançar uma campanha mais urgente, um verdadeiro puxão de orelha pela liberdade da imprensa no Brasil.
O porque do fim do VQP é porque não tem mais porque. Hoje, a concorrência é grassa, grossa, ruge e urge por aí. Não estamos mais em 2002, e analisar a Veja como exemplo de péssimo jornalismo é tão redundante quanto fazer pipi no rio Pinheiros. E qualquer um teria mais a fazer do que ler, levando a sério (?!?) a “maior revista semanal do país” (cuja tiragem equivale a 0,5% da sua população, é bom lembrar para colocar o que parece grande na sua devida proporção). Hoje, quando algo sai na Veja, qualquer pessoa que não seja louca vai analisar a matéria para ver se pode ou não ser levada a sério. Nenhuma revista sofre leitura, ou melhor ainda, não-leitura, tão crítica.
Também posso ficar sossegado por conta de duas figuras de proa e convés, que hoje ocupam o espaço de ridicularizar a Veja de maneira mais eficiente do que eu jamais fui capaz. Em ordem alfabética, para não ser injusto, estou falando de Luis Nassif e Reinaldo Azevedo. O trabalho de ambos é incrível!
Para quem tem idade para se lembrar do Nassif da Folha de S. Paulo nos anos FHC, o Nassif do seu blog nos anos Lula é algo que merece ser chamado de “nunca antes nesse país”. Digo isso sem sacanagem. Acho legal. A entrevista dele na Caros Amigos deste mês é ótima, a análise dele sobre blogs, a emergência da classe D na opinião pública, e como idiotas cada vez mais idiotas se sucedem no comando da revista, se nunca escrevi isso já o disse em muitos botecos. O dossiê dele sobre a revista então, excelente. Vale a pena ler. Aliás, acho que a verdadeira razão desse texto é avisar aos amigos de uma vez só que eu sim, estou acompanhando-o, não precisam mandar indicá-lo mais para mim não… Nassif tem investigado os interesses escusos da revista, além da sua inépcia, que era mais o foco do VQP. Uma obviamente está ligada à outra, e é isso que ele mostra. Dá um google por “Nassif” e “Veja” e leia…
Agora, quem tem mandado bem mesmo em ridicularizar a Veja é Reinaldo Azevedo e seu blog. Essencial. Fantástico o quanto apenas um homem obstinado é capaz de fazer para estigmatizar um veículo de imprensa. Claro o terreno era fértil, adubado. Mas observe, até o Mainardi ficou pequeno após o incrível, educado, polido, roliço, democrático, investigativo, nada conspiratório, prolixo ou egocêntrico blog do Reinaldo Azevedo. Leitura obrigatória para aqueles que querem entender a realidade por meio do método da psicologia reversa aplicado ao pseudo-jornalismo. Basta usar a fórmula matemática de inverter os sinais e dividir pela metade tudo que ele diz que você vai ter uma opinião razoável e equilibrada sobre qualquer assunto.
Agora, respire fundo, que o período é longo, sisudo, mas vamos lá: ao agrupar toda a natureza raivosa e alucinada do mais tosco conservadorismo em um só lugar, e ainda agregar seguidores em torno dele, Azevedo faz o favor de explicitar a dimensão da merda alucinada do conservadorismo a brasileira, em tempo real, o que antes era uma mera hipótese. Lovely!
Gente, o cara ainda é trotskista e está comendo o sistema por dentro, não entenderam? Afinal, só pode ser como piada que alguém defenda a guerra do Iraque e o W. Bush hoje em dia ( desculpe Kamel, eu sei que você fala sério, mas é verdade).
Pena que Azevedo jamais terá o reconhecimento que de fato merece. A vida tem dessas mesmo. A direita brasileira jamais vai agradecer a esquerda por essa ter impedido que a paridade do real com o dólar fosse parar na Constituição, como na Argentina, o que faria ainda mais desastrosa a crise de 1999. Ou a privatização completa da Petrobras, o que faria a descoberta de Tupi quase indiferente para o país. E Lula jamais vai agradecer a imprensa que derrubou (na realidade, eles se derrubaram…) Antonio Palocci, José Dirceu e Luiz Gushiken. Com a substituição deles, o governo melhorou muito. É, as vezes ajudamos alguém ao tentar prejudicá-lo e vice-versa.
Mas já estou desviando do assunto, e ainda tem um relacionado a Veja que me incomoda. Desde que soube disso, ocupa a minha cabeça…
Uma questão importante, não abordada e fundamental para a liberdade do exercício do jornalismo no Brasil contemporâneo. O problema é sério.
OS JORNALISTAS DA VEJA NÃO PODEM USAR BRINCOS NA REDAÇÃO.
Verdade. Estamos no século XXI, os valores ocidentais da liberdade em permanente ameaça jihadista, e os jornalistas homens da Veja estão privados de se expressarem na redação pendurando adereços decorativos nas suas orelhas, mesmo que discretos. Incompreensível. Observe, eu entenderia, sem concordar, que não permitissem o uso de brincos ou algo aberrante durante uma entrevista com um chefe de estado conservador, ou em um país onde não fosse costume, mas proibir o uso da jóia no ambiente próprio da redação? Quem liga para isso?
É uma hipocrisia. Fala-se de liberalismo e ataca-se a obrigatoriedade do véu, e não liberam um mero brinquinho…
É uma injustiça. Defende-se a guerra do Iraque, publicam baboseiras e não se pede desculpas, quer para o Brasil a política externa e comercial do México, de tratados de livre comércio com os Estados Unidos. Esta fracassa e a brazuca dá certo e não se dá uma nota. Diz que o final de Fidel Castro é decadente ( sem dizer o mesmo do Bush ) só porque ele enfim, ficou velho, doente e vai morrer como absolutamente qualquer um ( pensando bem, acho que era um elogio, pensavam que era imortal?).
Inventam um furo mundial de 40 anos com a tese de que Che Guevara era apenas um psicopata. E nenhuma gratidão?
É isso gente, os jornalistas da Veja, que tantas fazem quando tantas fezes, apesar de tudo são obrigados a tirarem seus brincos no hall do edifício Abril. Será que nada vale aquela noite em que, corajosamente, após todas as redações evacuarem o prédio, fecharam a revista sob o risco de caírem no buracão das obras do Metrô? Fezes, evacuarem, buracão…este meu texto está um pouco gráfico demais…
Mas é impossível não pensar na importância da iniciativa privada ao falar da Veja. E claro, também da descarga.
O que será que existe em um brinco, talvez dois, de tão subversivo? Seria algo simbólico de uma coisa maior? Que neste gesto se encerra algo a mais sobre liberdade de escolha, de opções? Hoje um brinco, quem sabe amanhã pensam e escrevem por si mesmo, tomam outros rumos nas suas vidas ou até questionam as virtudes literárias e jornalísticas do Mario Sabino, e empresariais do doutor Roberto e seus Civita?
Assim não pode continuar!
Por isso, o VQP parte definitivamente dessa para muito melhor, deixando esta importante campanha: liberdade para as orelhas dos jornalistas da Veja! Porque liberdade de expressão já é pedir demais…
Grato pela atenção dispensada em todas as encarnações do boletim,
José Chrispiniano

fevereiro 13, 2008

Otavio Frias Filho: “Desconheço fatos que condenem Nassif”

Carla Soares Martin
Comunique-se

O diretor de redação da Folha de S.Paulo, Otavio Frias Filho, negou nesta terça-feira (12/02) que o colunista Luís Nassif teria deixado o jornal por qualquer motivo que possa desaboná-lo em sua ética profissional. “Apesar de divergir de Nassif sob vários aspectos, não conheço fatos que o possam condenar do ponto de vista profissional”, afirmou Frias, em resposta às requisições de entrevista do Comunique-se, desde a manhã de segunda (11/02). O diretor não comentou, porém, quais seriam estes aspectos de divergência.
Otavio Frias Filho ressaltou ainda que a saída de Nassif do conselho editorial do jornal deveu-se aos projetos pessoais que o ex-colunista buscava empreender. “Tanto ele (Nassif) como a Folha convieram que era tempo de mudanças”, afirmou.
Nassif versus Veja – um capítulo à parte

Luís Nassif escreveu uma coluna no Caderno Dinheiro na Folha de S.Paulo por 15 anos. Deixou o jornal em julho de 2006. Em agosto do ano anterior, Diogo Mainardi começou a disparar ataques a Nassif, por supostas relações de tendência ética duvidosa do jornalista – fato que teria impulsionado sua saída da Folha, porém negada agora por Otavio Frias Filho.
Nassif teria reproduzido em sua coluna uma mensagem de Luiz Roberto Demarco, que processava à época Daniel Dantas, dono do Opportunity e empresário à frente da concessionária de telefonia Brasil Telecom. A interconexão dos fatos estaria na criação de Nassif do site Projeto Brasil, patrocinado pelo BNDES, cujo maior acionista é a Telemar, concorrente da Brasil Telecom, de Dantas. Nassif, portanto, estaria defendendo a Telemar e indo contra Dantas.
No início deste ano, Nassif lançou uma
empreitada contra a Veja. As acusações são as mesmas que Mainardi levantou em 2005: relações de interesses comerciais no conteúdo editorial da revista.
No 9º capítulo da série, “Os Primeiros Serviços”, Nassif responde às acusações de Mainardi. Segundo o jornalista, não haveria qualquer ligação entre o patrocínio do BNDES a uma campanha no site Projeto Brasil com o artigo que escreveu citando Demarco e o investimento da Telemar numa empresa do filho do presidente Lula, a Gamecorp.
“Apesar de sócio da Telemar, o banco (BNDES) não tem por norma participar de decisões de investimentos de nenhuma empresa da qual seja acionista – menos ainda em valores tão insignificantes (para o porte da Telemar) quanto o que foi aportado na Gamecorp. E a campanha do BNDES, de apenas um mês, tinha sido montada especificamente para sites na Internet, e contemplado dezenas deles”, escreve.
Em resposta aos ataques de Nassif, o diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, e o editor-colunista Lauro Jardim vão
entrar na Justiça por danos morais. Veja não vai se manifestar sobre as acusações do jornalista.
E a história continua. Nassif informa que vai postar novos argumentos sobre a Veja em seu
blog, às terças e aos sábados.
Trivial da vigília
Por Luis Nassif ( http://www.projetobr.com.br/web/blog/ )
Na próxima edição provavelmente a revista Veja virá com seu contra-ataque. Em entrevista ao Comunique-se, Lauro Jardim informou que ele e Eurípedes entrarão na Justiça, mas nada escreverão sobre o tema.
É mais ou menos óbvio. Esse tipo de trabalho sempre foi atribuído ao para-jornalista da revista, não há novidade nisso. Já soube que colocaram repórteres atrás de informações. E, conhecendo-se o padrão Veja, tratarão de transformar em escândalo qualquer coisa que lhes caia à mão.
O que solicitaria a vocês;
1. Saindo o ataque de Veja ou de seu para-jornalista, prepararei uma resposta com os esclarecimentos que se fizerem necessários. Com a resposta irão os links da série que estou escrevendo, acrescida de novos capítulos. Necessito do apoio de vocês para disseminar essas informações, especialmente para pessoas que não freqüentam o mundo dos blogs. Que cada um divulgue a resposta para sua lista de e-mails e peça para quem receber a mensagem passar para frente.
2. Será importante que cada comentarista que tenha acesso a blogs, listas de discussão e publicações especializadas, me ajude a difundir a resposta. Principalmente se o ataque contiver calúnia, injúria ou difamação.
Acesse Dossiê Veja:
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=330
Roberto Requião: “Robert Civita é o Al Capone da imprensa brasileira”

agosto 15, 2007

Hora do Povo: Civita, um "laranja" de esquema?

Filed under: Anatel, Editora Abril, Roberto Civita, Roberto Requião, Telefónica, TVA — Humberto @ 9:33 pm

Conselheiro: transação entre a Abril e a Telefónica é ilegal
Artifício da Reunião Prévia dá controle da TVA ao estrangeiro e faz de Civita um laranja
O relatório de Plínio de Aguiar Júnior, conselheiro diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sobre a anuência prévia para a venda da TVA (Grupo Abril) para a Telefónica (Telecomunicações de São Paulo S.A), demonstra claramente a violação da Lei do Cabo, que estabelece um limite de 49% de ações com direito a voto (ordinárias) para estrangeiros. Para burlar a legislação, a Abril e a Telefónica estabeleceram no Acordo de Acionistas da Comercial Cabo e da TVA Sul que todas as deliberações do Conselho de Administração e da Assembléia Geral dependerão da aprovação de uma “Reunião Prévia”, na qual participam e votam todos os acionistas, inclusive os detentores de ações preferenciais.
ARTIFÍCIO
A decisão da Anatel, tomada na reunião do dia 18 de julho por 3 votos a 2, foi para se adequar à Lei do Cabo. Mas, por esse artifício, é a tal da Reunião Prévia que tem o poder de mando, mostrando quem terá o controle independente dos percentuais das ações ordinárias, uma vez que todos votam na referida reunião: a Telefónica, com 86,7% do capital total da Comercial Cabo e 91,5% da TVA Sul, o que torna o Civita um simples laranja da empresa oficialmente espanhola, mas que tem por trás os fundos de pensão norte-americanos.
Sinteticamente: a Telefónica (Telesp S.A.), através da Navytree, ficou com 86,7% do capital total da Comercial Cabo (TV a Cabo em São Paulo), com 19,9% das ações com direito a voto (ordinárias), e 91,5% do capital total da TVA Sul (TV a Cabo em Curitiba, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Camboriú), com 49% das ações com direito a voto – além de 100% da Lightree, prestadora de serviços de MMDS (microondas).
Formalmente essa distribuição estaria dentro da lei, porém, como observou o conselheiro, “além das participações societárias devem ser observadas, contudo, outros aspectos para a verificação efetiva do controle”.
E assim, demonstra Plínio Aguiar, que a existência e a finalidade da Reunião Prévia é inequívoca para a definição das decisões. Diz o item 4.1 do Acordo de Acionistas da Comercial Cabo acertado entre Telefónica e grupo Abril: “Os Acionistas concordam em sempre comparecer às assembléias gerais da Companhia e a exercer os direitos de voto inerente às suas Ações de modo uniforme”. Ainda no mesmo item, “a Holding Cabo SP se compromete a fazer com que os membros do Conselho de Administração da Companhia por ela indicados sempre compareçam e votem nas reuniões do referido órgão no tocante aos Assuntos Materiais do Conselho (conforme definido na Cláusula 4.3) de acordo com o que for determinado em reuniões realizadas previamente a cada uma das assembléias gerais e/ou reuniões do Conselho de Administração da Companhia (“Reunião Prévia”) em que sejam deliberados os Assuntos Materiais do Conselho ou da Assembléia, conforme o caso”. O negrito é nosso.
Estabelecida a Reunião Prévia como instância responsável pelas decisões, o item 4.3 do Acordo de Acionistas define quem vota: “A aprovação das matérias submetidas à Reunião Prévia e que sejam relacionadas a questões patrimoniais e de investimentos da Companhia, de acordo com o disposto nas Cláusulas 6.4 e 7.4 deste Acordo (“Assuntos Materiais do Conselho” e “Assunto Materiais da Assembléia”, respectivamente e, em conjunto, “Assuntos Materiais”) deverá contar com o voto favorável de cada um dos acionistas da Companhia e de cada um dos Acionistas da Holding Cabo SP”. Com isso, fica patente que a aprovação das matérias depende da anuência da Telefónica. Ou seja, no dizer de Plínio Aguiar, “o art. 7º da Lei nº 8.977, de 6 e janeiro de 1995 (Lei do Serviço de TV a cabo) não estaria sendo observado, uma vez que o seu objeto é assegurar que as decisões em concessionárias de TV a Cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros, o que não ocorrerá no presente caso”.
Cabe destacar do Acordo que “as decisões tomadas nas Reuniões Prévias servirão como orientação de voto para todos os efeitos legais e vincularão os votos de todos os Acionistas nas assembléias gerais da Companhia, bem como os votos dos membros do Conselho de Administração eleitos nas reuniões respectivas”, inclusive entre as questões patrimoniais de investimentos, como “aprovação e modificação do Plano Anual de Negócios e do Orçamento Anual da Companhia”. Caso não defina uma posição na Reunião Prévia, os acionistas se comprometem a “realizar uma nova Reunião Prévia para dirimir o impasse”. Isto é, mais uma vez fica evidente a subordinação do Conselho de Administração e da Assembléia Geral da Holding Cabo SP às decisões da Reunião Prévia.
O conselheiro sublinha que sob a ótica do Regulamento para Apuração do Controle e de Transferência de Controle Acionário em Empresas Prestadoras de Serviços de Telecomunicações, fica claro quem terá o controle, conceituado como “poder de dirigir, de forma direta ou indireta, interna ou externa, de fato ou de direito, individualmnente ou por acordo, as atividades sociais ou o funcionamento da empresa”. Para Plínio Aguiar, “a Telesp [Telefónica] possuirá 86,7% do capital total da prestadora. A Telesp será, portanto, a grande fonte de recursos financeiros da prestadora, inclusive nas situações de necessidade de aporte de capital”.
Sobre este Regulamento, no item sobre o “uso comum de recursos, sejam eles materiais, tecnológicos ou humanos”, ele frisou que o Acordo de Acionistas estabelece que a operação e o gerenciamento da parte de telecomunicações ficará a cargo da Telefónica: “A Holding Geral é concessionária de serviços de telefonia fixa comutada na área de São Paulo e uma das maiores empresas de telecomunicações do país, contando portanto com alto nível de experiência no gerenciamento e operação de redes de comunicação, bem como de infra-estrutura de comunicação”.
TRANSAÇÃO
No Regulamento para apuração de controle é citado a “adoção de marca ou estratégia mercadológica ou publicitária comum”. Conforme o conselheiro, “já existe acordo firmado entre a Telesp e a TVA para comercialização conjunta de produtos”. De fato, a estratégia mercadológica comum já vinha ocorrendo muito antes da anuência prévia da Anatel. A esse respeito, em entrevista ao HP, em março, o diretor-executivo da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, declarou: “Isso já está acontecendo e a gente percebe inclusive pela propaganda comercial que está sendo feita. Você abre os jornais e vê as propagandas conjuntas, sendo oferecido ao consumidor que ele pode ter como provedor de internet o Speedy, da Telefónica, ou o Ajato, da TVA. A Telefónica já está oferecendo pacotes de TV por assinatura, o que mostra que a operação comercial já está em andamento”.
As questões que foram abordadas referem-se ao controle acionário da Comercial Cabo (TV a Cabo em São Paulo). No caso da TVA Sul, formalmente, há uma diferença por estar fora da área de concessão da Telefónica (Telesp). Contudo, segundo Plínio Aguiar, “observa-se que no Acordo de Acionistas da TVA Sul (fls. 277 a 298, do Processo) as cláusulas 4.1 a 4.5, 5.3, 6.4 e 7.4 são semelhantes às cláusulas de mesmo número da Comercial Cabo, já comentadas”.
A transação, anunciada desde outubro do ano passado, rendeu R$ 922 milhões para os cofres do grupo Abril.
Meses antes, em maio, já havia repassado 30% do seu capital para o conglomerado de mídia nazi-africâner Naspers, por US$ 422 milhões (cerca de R$ 820 milhões, em câmbio atual).
VALDO ALBUQUERQUE


Renan: transação da editora Abril com “grupos estrangeiros é uma fraude”
“A transferência desses percentuais [ações da TVA (Veja) para a Telefônica], como os senhores sabem, para grupos estrangeiros é ilegal, imoral e o método sub-reptício é absolutamente reprovável. Para tentar fraudar a lei, ludibriar o país, a editora (Abril), que se arvora em guardiã da lei, que se autoproclama defensora dos interesses brasileiros, que vive a enxovalhar pessoas sem provas, é a mesma editora que recorre a métodos pouco ortodoxos de formação de um verdadeiro pomar, de um verdadeiro laranjal, tamanha a quantidade de ‘laranjas’ criados”, denunciou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na última quinta-feira, no discurso em que voltou a citar a transação ilegal entre a editora Abril e a Telefônica (ver matéria ao lado).
Renan anunciou que encaminhou a denúncia “sobre o escuso e pantanoso negócio” para o Ministério Público, Polícia Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), ao Ministério das Comunicações, à Comissão de Valores Mobiliários, ao presidente Lula, ao governo e ao parlamento espanhol.
Renan afirmou que a transação “fere a soberania nacional, agride os interesses brasileiros, estapeia a concorrência, desrespeita o mercado e rasga definitivamente a legislação brasileira”. “Só agora começo a entender as edições antecipadas da revista, o desespero em desmoralizar em desfavor da instituição que presido, a gana em me linchar com mentiras, leviandades, perseguições e, repito até ficar rouco, uma campanha persecutória sem provas, sem uma prova sequer. Eles sabem, sr. presidente, o quanto lutarei para impedir que a ganância sem limites lese o interesse nacional. Não me silenciarão. Não temo os seus arreganhos, não me acovardo diante deles, não abaixo a cabeça para os seus interesses menores”, denunciou o senador.
Logo após o discurso de Renan, o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), presidente da Comissão de Comunicação, Ciência e Tecnologia, informou que, “diante de uma denúncia tão grave”, iria apresentar um requerimento para convocar os representantes do grupo Abril, da Telefônica e os membros da Anatel. Em discurso no dia seguinte, Salgado reiterou: “tenho de fazer um requerimento e convocar tanto o presidente da Telefônica, Valente, meu conhecido, quanto o representante da Abril e também os membros da Anatel para que possam esclarecer não só aos membros da Comissão, como também à sociedade em geral o que aconteceu naquela concessão”.
O presidente Renan informou ainda que recebeu um documento – e encaminhado ao Conselho de Ética – em que a empresa Schincariol desmente “categoricamente a mentira publicada pela revista Veja, de que eu tenha, srs. senadores, interferido na transação de compra de uma unidade sua no Nordeste”. Renan afirmou também que enviou para a Polícia Federal, na quinta-feira, os primeiros lotes de cheques depositados em sua conta e que comprovam as operações da venda de gado de suas fazendas.
Na quarta-feira passada, o presidente do Senado recebeu das mãos de lideranças de aposentados e parlamentares um abaixo-assinado em apoio ao projeto do senador Paulo Paim (PT-RS), que trata da atualização das aposentadorias e pensões.

HORA DO POVO

ARQUIVOS DO CATA-MILHO:
Leia o discurso do Senador Roberto Requião em 1999 em que denuncia, naquela Casa, as chantagens que a Editora Abril fez ao ex-dono do Bamerindus, em troca de patrocínio nas páginas da Veja. Além disso, Requião plantou uma dúvida pertinente à aquisição, por parte de Robert Civita, de um apartamento nos Jardins ( SP- Capital ) de forma subfaturada.

abril 17, 2006

Roberto Requião: "Robert Civita é o Al Capone da imprensa brasileira"

Pronunciamento de Roberto Requião

Senado Federal
24/09/99

O SR. PRESIDENTE (Antonio Carlos Magalhães) – Concedo a palavra ao nobre Senador Roberto Requião.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR). Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) –
Sr. Presidente, Srªs e Srs. Senadores, há um ditado chinês que diz o seguinte. “Metal puro não teme o fogo”, o fogo da injúria, da calúnia e da difamação, porque o metal puro se solidifica mais adiante na sua íntegra singularidade.
Sou um cidadão e um político íntegro. Fui ofendido, difamado e caluniado por um grupo de gângsteres da imprensa marrom, por meio da revista Veja. Não tenho por que me recusar ao combate. Talvez o destino tenha traçado para mim o sentido dessa missão: limpar o movimento editorial brasileiro desse tumor que, hoje, em metástase, avança por diversos setores de empreendimentos empresariais, sempre à sombra do Estado, dos incentivos fiscais, das facilidades e da corrupção.
Compro essa briga, empenho-me nessa parada. A integridade da minha vida e do meu comportamento me aconselham a não recuar. É uma espécie de guerra santa, um novo jihad(*) de um Senador íntegro contra um grupo empresarial que achava que seguiria eu o caminho de tantos outros, o medo da mídia e do desgaste, e curvar-me-ia diante do milhão de exemplares que a revista Veja diz editar a cada semana.
Muito bem, Presidente. Apresentei à Mesa um requerimento nos seguintes termos:
Nos termos do disposto no art. 216 do Regimento Interno do Senado Federal, combinado com o previsto no art. 50, §2º, da Constituição Federal, requeiro seja encaminhada a seguinte solicitação de informação ao Secretário da Receita Federal, por intermédio do Ministro de Estado da Fazenda
1 – Existe origem declarável das remessas feitas ao exterior pelo Grupo Abril (TVA Participações; Abril Vídeo da Amazônia; Abril Coleções Ltda.; Editora Abril S.A; Televisão Abril SA; TVA – Sistema de Televisão SA; Tevecap SA e suas subsidiárias; MTV Brasil Ltda. (MTV Brasil)), a partir das chamadas contas CC-5? Qual?
Por que estaria o Grupo Abril utilizando as contas CC-5? Se a remessa é lícita, poderia ser feita naturalmente por um “doc”, por um documento, em qualquer agência de qualquer banco em funcionamento no País. Por que a CC-5? A CC-5 é, sem sombra de dúvida, um instrumento de “lavagem de dinheiro” mal-havido. E essas remessas que ultrapassam os US$260 milhões têm origem? Foram tributadas?
É uma indagação que deve ser respondida pela Receita Federal
Prossigo em meu requerimento.
2 – Houve a tributação devida nas remessas supracitadas? Qual a base de tributação e quanto foi recolhido pelas empresas do Grupo Abril nas remessas ao exterior?
A justificação do requerimento, Presidente, é a seguinte:
A Comissão Parlamentar de Inquérito, instalada para analisar a situação do Sistema Financeiro (CPI do Bancos), deparou-se, durante as suas investigações, com enorme volume de recursos remetidos ao exterior a partir das contas dos não-residentes, contas CC-5.
Estas contas deveriam ser de titularidade de empresas multinacionais e de estrangeiros. Mas, de repente, são utilizadas, sem nenhuma explicação racional, por empresas que mandam recursos mal-havidos ao exterior.
O estudo dos dados referentes a remessa de recursos ao exterior, efetuado pelo Ministério Público Federal (conforme documentação em anexo) – anexo a relação do Banco Central das remessas da Abril para exterior por meio das CC-5 –, evidencia a grande participação das empresas do Grupo Abril na utilização das contas CC-5 (que monta a centenas de milhões de dólares).
Levando-se em consideração a audiência proferida na supracitada CPI pelo Secretário da Receita Federal, onde este afirmou que as contas CC-5 eram ostensivamente utilizadas por empresas em operações de “lavagem de dinheiro” ou fuga da tributação, o presente requerimento tem por objetivo averiguar como um dos grandes utilizadores das CC-5 tem se comportado frente às autoridades tributárias e, fundamentalmente, qual é a origem desse dinheiro. De repente, temos remessas de centenas de milhões de dólares de empresas rigorosamente insignificantes situadas na Zona Franca. Não sei de onde esses recursos poderiam ter sido havidos.
Nesse contexto, e levando-se em consideração as atribuições constitucionais desta Casa, torna-se essencial a pronta resposta ao presente requerimento, a fim de que o Congresso Nacional possa ter informações suficientes para impedir que ocorram prejuízos ao Erário Público, bem como a toda a sociedade, causados pela movimentação de milhões de dólares feita por grandes empresas.
Sr. Presidente, isso é quanto ao Grupo Abril. Mas tem o Capo di tutti i-capi*, o Al Capone do grupo empresarial. O indivíduo que tem a coragem de detratar pessoas sérias em edições safadas de uma revista que ele diz ter um milhão de exemplares. É o Sr. Robert. Sim, o nome da peça é Robert Civita.
Trago ao Plenário do Senado Federal uma denúncia minha, pessoal, à Receita Federal a respeito do Sr. Robert Civita. Uma denúncia que mostra com clareza que ele está a sonegar e a fazer compras subfaturadas evidentemente com dinheiro mal-havido.
O Sr. Robert Civita comprou, há algum tempo, o apartamento nº 11, localizado no 11º do Edifício Fábio Prado, à Rua Escócia, nº 253, em São Paulo, capital, com área de quase mil metros quadrados, exatamente 993,34m² , num terreno de mais de quatro mil metros, e escriturou este imóvel pelo singelo preço, reduzido em dólares, na ocasião, de US$390 mil; preço em Cruzeiros, na época, de Cr$97.600 milhões.
Ora, Sr. Presidente, naquela ocasião, esses apartamentos estavam sendo vendidos pela quantia de US$2.500 milhões. O Sr. Civita o escriturou por cerca de US$390 mil na ocasião. É evidente que há um subfaturamento, é evidente que há um pagamento por fora e é evidente que há sinais externos extraordinariamente claros para o Dr. Everardo Maciel, da Receita Federal, de sonegação, enriquecimento ilícito, fraude, roubo de dinheiro público através do impedimento da tributação.
O apartamento localiza-se no 11º andar, mas no 14º pavimento do Edifício Fábio Prado, em São Paulo. Além de o apartamento, na época, estar sendo vendido a US$2.500 milhões, mesmo na planta, durante a construção, jamais se vendeu um apartamento no Edifício Fábio Prado por menos de US$1.800 milhão.
Então, quero, através da tribuna do Senado, informar à opinião pública do Brasil de mais esta façanha do gângster da revista Veja.
Não será com a intimidação da calúnia, da infâmia e da difamação que irão calar as denúncias que tenho feito, Sr. Presidente.
A que posso atribuir a tentativa de desmoralização e de intimidação realizada pela revista Veja? A forma dura com que trato a corrupção no Paraná; A forma austera com que governei o Estado, contrariando tantos interesses. A denúncia de chantagem que fiz nessa tribuna, na presença do ex-Senador José Eduardo de Andrade Vieira, sofrida pelo Bamerindus pela revista Veja, pedindo informações ao Governo do Estado e trocando o silêncio por seis páginas de publicidade durante quase um ano do Banco Bamerindus. Ou talvez, Sr. Presidente, a insistência com que tenho reclamado do Ministério Público Federal o enquadramento dos Srs. Lázaro Brandão e Katsumi kihara*, do Bradesco, no escândalo dos precatórios, comprometimento demonstrado documentalmente pelo depoimento pessoal do proprietário da Corretora Paper; sem o Bradesco comprando na ponta, ninguém teria roubado um tostão de dinheiro público no Brasil, através da ciranda dos precatórios. Mas o Banco forçava os Estados e os municípios a venderem com deságio de 40% e, um hora, uma hora e meia depois, comprava jogando nos fundos de renda fixa de curto prazo, pelo preço de face dos títulos. É evidente que o depoimento do dono da Paper e os documentos que ele trouxe à CPI dos Precatórios mostraram, à exaustão, que a operação era programada anteriormente, e os documentos detalhavam com quanto ficava cada corretora fantasma ou factoring dos 40% que eram absorvidos uma hora, uma hora e meia depois pelo Banco Bradesco. Não bastou o depoimento do ex-Governador Divaldo Suruagy, quando declarou que procurou pessoalmente o Presidente do Bradesco, e esse disse que não comprava os títulos diretamente do Estado de Alagoas, mas compraria na “ciranda da felicidade”. O Banco foi roubado pela sua direção. Não é uma denúncia que faço contra uma instituição financeira brasileira importante para o desenvolvimento do comércio, da indústria, no oferecimento de créditos, mas é uma denúncia clara a um Presidente e a um Diretor.
Será esta a origem da retaliação da Revista Veja, que repica na edição desta semana sem conseguir levantar nada sobre minha vida e que coloca dezenas de repórteres a entrevistar pessoas e a investigar a minha vida pública e pessoal?
O Senador Osmar Dias foi procurado por um repórter da revista Veja. O Promotor Público Federal foi novamente procurado, aquele mesmo Promotor que assegurou à revista Veja que a famosa conversão de dólares feita pela minha mulher dos recursos de um apartamento vendido da herança de seu pai era rigorosa e absolutamente lícita; que ela vendeu um bem, poderia ter comprado dólar, doado para a Cruz Vermelha, comprado um automóvel ou uma chácara, como pode fazer qualquer cidadão brasileiro. Mas numa reportagem sinuosa tentou fazer o grande público entender que minha mulher estava envolvida com remessas de dinheiro mal havido para o exterior. O problema da compra de moeda é o problema da origem como da compra de qualquer coisa: alguém que compra um bem e não tem origem para justificar os recursos que empregou, está evidentemente, num processo de lavagem de recursos. Não ocorreu isso comigo. A revista Veja sabia que não tinha ocorrido. Mandei para aquela revista a escritura que vinculava o cheque administrativo da venda do apartamento. Entretanto, não publicaram a escritura e prosseguiram na infâmia. E, mais uma vez, na edição desta semana, dedicam-me uma página inteira: “Roberto Requião” – na falta de qualquer denúncia que pudessem fazer à minha pessoa – “é uma Senador destemperado, é um Senador impulsivo”. Impulsivo, sim! O sangue que corre nas minhas veias é vermelho, não é o sangue aguado dos que se acovardam diante da grande mídia. Não tenho por que temer os canalhas, porque a minha vida é íntegra e limpa. Mas estou promovendo um novo jihad*. Voltarei a esta tribuna com informações sobre algo que a imprensa já esqueceu: os Parlamentares mais antigos devem se lembrar da CPI da Quatro Rodas*- Quadro Rodas são aqueles hotéis e a revista editada pelo Grupo Abril -, em que incentivos fiscais para a construção de hotéis foram desviados, com prejuízo para a Fazenda Nacional, para a construção de um parque gráfico. A CPI é extremamente interessante.
No entanto, a indagação que faço aos “jornalões” que publicaram remessa de recursos para o exterior de várias personalidades – lembro-me que até o Ratinho teria comparecido, porque enviou US$4 milhões para o exterior, como se ele não pudesse fazê-lo, uma vez que se tratava de dinheiro havido legalmente com o seu programa de televisão. Mas esses sigilos todos foram quebrados e estampados nos principais jornais brasileiros.
Será que algum jornal brasileiro, o Estadão, o JB ou o Globo publicará as denúncias que fiz a respeito do Grupo Abril? Ou do apartamento escriturado do Sr. Robert Civita* por US$380 mil, quando seu valor real, na ocasião, era US$2,500 mil? Será que encontraremos ainda, nas divergências da Imprensa brasileira, o espaço para a denúncia legítima e a informação correta? Ou existe um “acordão” entre proprietários de meios de comunicação em que os desmandos são ocultados e reforçados os patifes e os caluniadores?
É uma questão interessante, que pretendo acompanhar a partir de agora. Resta ainda espaço na imprensa para dar vazão, publicidade e informar as críticas sérias e documentadas que estou fazendo, ou não resta? Será que o nosso maravilhoso O Estado de S.Paulo serve apenas para agredir o Senador Osmar Dias, que defende o equilíbrio fiscal quando se recusou a apoiar um empréstimo rigorosamente irregular de São Paulo?
Meu Deus, mas o Estadão não é o jornal que defende o equilíbrio fiscal, a lei de responsabilidade fiscal!? No entanto, no momento em que o interesse do Governo de São Paulo está em jogo, o Estadão toma uma posição absolutamente regional e tenta desmoralizar o Senador Osmar Dias. Fez a mesma coisa com o Senador Pedro Simon. E não temos um instrumento para responder. Não estou propondo censura à imprensa. Sou um libertário. A minha vida é uma vida do combate pela liberdade, mas precisamos de uma lei que garanta imediatamente o direito de resposta. Não é possível que eu tenha sido agredido pelos canalhas da revista Veja, duas edições, três páginas inteiras dedicada à calúnia, e não tenha um instrumento de resposta.
Intimidação, conselhos surgem, propostas de intermediação. “—Requião, se você parar de agredir o Civita, provavelmente conseguiremos que ele não fale mais em você.” Ouro puro não teme o fogo. Não teme as chamas da calúnia, da infâmia e da difamação. Vou em frente nesse projeto que culmina com a aprovação do direito de resposta, que o Senado já aprovou por unanimidade e que está agora na Câmara Federal.
Precisamos ter instrumentos de defesa da honra, instrumentos de defesa da cidadania, desses grupos empresarias que aderem aos governos como verdadeiros carrapatos, que estiveram presos nas partes pudendas do Sr. Fernando Collor de Mello, e que, hoje, estão aderentes, da mesma forma, ao Governo Federal. São revistas que se transformam em órgãos de defesa da desnacionalização, do rompimento da soberania e do fim da nacionalidade, revistas que defendem interesses rigorosamente irresponsáveis mas que são alimentadas pelo papel sem imposto das exonerações fiscais, que não pagam tributos de espécie alguma, que servem não para informar com liberdade, não para garantir o contraditório e o direito de resposta de cidadãos honrados mas para, estipendiadas pelos grandes capitais, fulminarem a soberania do País, agredirem os projetos nacionais permanentes e se transformarem numa espécie de quinta coluna impressa na mídia brasileira.
Temos que corrigir leis que deram essa possibilidade e esse poder de caluniar e difamar sem limites a órgãos de imprensa. Temos que garantir a liberdade. Não podemos nos socorrer a leis de imprensa montadas no período da Ditadura. As questões de honra e de difamação devem ser resolvidas dentro do Código Civil e do Código Penal. Não é possível que brasileiros sejam atingidos na sua honra, com o objetivo claro da intimidação e da tentativa sórdida de calar vozes, que vem acompanhada de propostas de acordo de silêncio. O silêncio imposto pela Máfia aos covardes não será nunca imposto a um Parlamentar do Estado do Paraná.
Vim para esta Casa com a segunda maior votação em relação ao número de eleitores dentre todos os Senadores do Brasil. E quando me agridem, agridem os paranaenses; quando me agridem, agridem uma história que se inicia quando entrei na política para ser um tribuno do povo, para não ser igual aos políticos que eu conhecia, que eram aqueles que a imprensa me apresentava: frouxos, conciliadores, complacentes e auto-complacentes com a corrupção. Não! A revista Veja pediu e eu comprei essa parada. Vou até o fim! Nada tenho a temer. A temer têm os sonegadores, os patifes, os canalhas, os anti-nacionais, os vendidos e os instrumentos de todos os governos. Porque cá entre nós, Srªs e Srs. Senadores, a Veja nada mais é, hoje, do que uma separata do Diário Oficial, como foi uma separada do Diário Oficial de Fernando Collor de Mello.
O Sr. Osmar Dias (PSDB – PR) – V. Exª me concede um aparte, Senador Roberto Requião?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR)
Pois não, Senador Osmar Dias, concedo o aparte a V. Exª.
O Sr. Osmar Dias (PSDB – PR)
Senador Roberto Requião, aguardei a evolução do discurso de V. Exª para fazer um pequeno aparte. Fui um dos que o aconselhou a deixar esse assunto no esquecimento, ou a procurar um outro caminho, ou que fosse à Justiça para colocá-lo adiante. Quando o fiz, em primeiro lugar, não acreditei que o meu conselho fosse ser aceito, porque sei que V. Exª não é de vergar a espinha e muito menos de se calar diante de agressões que sofre. No entanto, tomei essa iniciativa em nome da nossa amizade, que não é uma amizade que começou aqui, no Senado, mas foi construída ao longo dos anos, num trabalho conjunto. Quando V. Exª era Governador e eu Secretário, desenvolvemos um trabalho muito sério em prol da agricultura do Estado do Paraná. Não me esqueço, evidentemente, da oportunidade que V. Exª me deu para desenvolver um trabalho sério, ao lado de um Governo sério. Dou este depoimento, não na forma como, costumeiramente, se faz no Senado, até como praxe; dou este depoimento, porque nós fizemos no Paraná um governo rigorosamente sério. Uso essa pessoa, nós, porque participei efetivamente do Governo de V. Exª. Quando fiz a consideração de que, talvez, fosse melhor usar uma outra estratégia, ao invés desse enfrentamento que V. Exª promove, fi-lo, evidentemente, porque não tenho nenhuma satisfação em ler na imprensa, no final de semana, agressões a um amigo, principalmente quando sei que muitas das agressões, a grande maioria delas, não lhe são devidas. V. Exª não tem esses defeitos que lhe estão imputando. Pode ter até outros – que conheço -, mas não tem esses. Nós nos conhecemos bem e, por isso, posso dizer que V. Exª tem defeitos, mas não reconheço esses em V. Exª efetivamente. Em relação à imprensa, quando V. Exª cita o caso do jornal O Estado de S. Paulo, fui também agredido naquela reportagem. Pedi um espaço para responder e não o tive. Prometeram publicar minha carta no painel dos eleitores, aquele que ninguém lê.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR)
Claro, Senador: agredido pelo editorial, a resposta vem no painel dos leitores.
O Sr. Osmar Dias (PSDB – PR) -
Não aceitei. Pedi que não publicassem a minha carta. Aliás, não escrevi a carta, porque achei que não seria justo. Considero que seria muito justo que a revista Veja lhe proporcionasse o mesmo espaço, não para que possa acusar o dono da revista, porque eles não publicariam a sua acusação, mas para que V. Exª pudesse reparar os fatos e recolocar a verdade dos fatos. Dessa forma, estaríamos estabelecendo justiça na divulgação dos fatos. Peço o mesmo direito ao jornal O Estado de S. Paulo, embora saiba que não vou tê-lo. Era apenas esse depoimento breve, para dizer que não aconselhei V. Exª com medo das conseqüências que poderão vir, mas como seu amigo.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR)
Na verdade, Senador Osmar Dias, não me referia a V. Exª. Entendi como uma brincadeira o seu conselho de: “Requião, pare, para que a Veja não continue”. O seu temperamento e o meu não nos colocam com facilidade na defensiva. Em função da limpeza das nossas vidas, temos condição de “comprar as paradas” na sua plenitude em todas as oportunidades. Referi-me a outra pessoa, a grupos empresariais que se propuseram a mediar uma situação. Não há mediação. Os canalhas publicaram dois milhões de exemplares em duas edições, tentando intimidar-me e calar-me. E não vou fazer acordo de espécie alguma.
Hoje, graças ao ex-Presidente José Sarney, temos a TV Senado. Não tem a influência e a penetração da revista Veja, mas nos dá alguma condição para responder as críticas que temos sofrido.
Por ocasião da Lei das Patentes, tomei algumas atitudes nacionalistas em defesa do empresariado nacional, e o jornal O Estado de S. Paulo agrediu-me num editorial. Mandei um artigo para ser publicado, que poderia ser publicado até na seção de cartas. Eles não me responderam. Durante 15 ou 30 dias – não me recordo mais – enviei ao jornal O Estado de S. Paulo, todas as manhãs, quando chegava ao gabinete, uma cópia do artigo por fax à mesa de todos os diretores e proprietários. E não recebi, sequer, uma resposta. Os meus argumentos não foram colocados. Simplesmente, a agressão.
Outro dia, o editorialista do Estadão chamou-me de demagogo. Demagogo, por quê? O que existe de demagogia na minha vida? Fui extraordinariamente duro no exercício dos cargos executivos que ocupei. Talvez eu tenha defeitos – devo tê-los, como todo mundo -; mas entre eles não está a demagogia. Nunca cedi ao populismo, nunca me acovardei diante de situações, e uma prova concreta disso é que eu topo essa parada com a Veja. Quero mostrar ao Brasil quem é o Sr. Robert Civita e como vive o seu grupo, às expensas dos favores públicos, do achaque e do exercício da imprensa marrom.
O Sr. José Eduardo Dutra (Bloco/PT – SE) – Permite V. Exª um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) -
Senador José Eduardo Dutra, concedo o aparte a V. Exª.
O Sr. José Eduardo Dutra (BLOCO/PT – SE) – Senador Roberto Requião, votei a favor do projeto de V. Exª, aprovado por esta Casa, que estabelecia o direito de resposta, com punições duras àqueles órgãos de imprensa que não cumprissem esse direito. Temos visto, muitas vezes, a imprensa divulgar notícias e acusações a respeito de parlamentares, de um modo geral – senadores, deputados. Tenho visto ao longo do tempo também, pelo menos nesses cinco anos, manifestações de parlamentares rebatendo acusações da imprensa. Ficamos, muitas vezes, sem um critério para mensurar quem está com a razão. Assisti, recentemente, à sessão da Câmara dos Deputados que estava decidindo a cassação do Deputado Talvane Albuquerque*, suspeito de ter assassinado a Deputada Ceci Cunha*. Lembro-me do encaminhamento do Deputado Arthur Virgílio, que relatou um episódio de quando era um jovem Deputado, recém-chegado à Câmara. Estava acontecendo um processo semelhante, de cassação de um deputado. O deputado acusado, à época – não lembro quem era – assomou à tribuna e começou a fazer a sua defesa, tecnicamente perfeita. O Deputado Arthur Virgílio relatou, então, que procurou um deputado mais experiente – se não me engano, o Deputado Freitas Nobre – para perguntar a sua opinião sobre aquele discurso do deputado acusado. E o Deputado Freitas Nobre lhe t
eria dito o seguinte: “Falta-lhe a indignação do inocente caluniado.” Quero dizer que o pronunciamento de V. Exª – não só este, como o anterior – é exatamente este símbolo: a personificação da indignação do inocente caluniado. Parabéns a V. Exª. Muito obrigado.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) -
Muito obrigado, Senador. Agora, o importante, Senador José Eduardo Dutra, é que não se cerceie a liberdade de imprensa. A imprensa pode, inclusive, errar quanto àquilo que diz sobre as pessoas, mas o direito de resposta tem de ser garantido, o erro deve ser reconhecido, e a questão deve ser resolvida civil e criminalmente. Não é possível que um grupo, que detém um monopólio, mamado nas tetas da República, livremente calunie, injurie e achaque, e nós tenhamos esta sensação angustiante de impotência porque não podemos responder, nem pelo veículo que atacou indevidamente, nem pelos outros, porque há uma cadeia absurda de solidariedade.
Hoje mostrei que o Robert Civita escriturou um apartamento por US$380 mil, quando, na verdade, deve tê-lo comprado por US$2,5 milhões. Que jornal dará seqüência a essa denúncia? Será que este Governo, que faz da Veja uma separata do seu Diário Oficial, vai tomar as providências que estou requerendo aqui para fazer com que o Sr. Robert Civita, tal como Al Capone*, vá parar atrás das grades, não pelos inúmeros crimes que cometeu, mas pelo crime de sonegação fiscal? Não sei, mas cumpro o meu papel: não me dobro e não cedo.
A Srª Marina Silva (Bloco/PT – AC) -
Senador Roberto Requião, V. Exª me permite um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Com todo o prazer, Senadora Marina Silva.
A Srª Marina Silva (Bloco/PT – AC)
Senador Roberto Requião, depois do brilhante aparte do meu querido Senador José Eduardo Dutra, eu já me poderia sentir contemplada. Acho que foi muito inteligente da parte dele. Basta olhar para V. Exª. Quando o Jornal do Senado publicou aquela fotografia de V. Exª, no seu primeiro pronunciamento a esse respeito, com uma cara indignada, eu disse: “Meu Deus, para que colocar o Requião com essa cara de indignação tão perversa?” Mas, após o aparte do Senador Dutra, sinto-me confortada. A indignação de V. Exª é a indignação de um inocente. A coragem mostrada por V. Exª ao dizer todas essas coisas que acaba de dizer, ao não fazer o acordo, ao não vergar a espinha, essa coragem tem base numa única coisa: a inocência de V. Exª. A coragem dos inocentes prova que nos podem tirar tudo, menos a nossa dignidade; podem-nos tirar tudo, menos a nossa ética. Se não formos capazes de ser éticos conosco mesmos, como poderemos ser com os outros? Como V. Exª poderia ser ético com alguém nesta Casa que fosse agredido, caluniado, se V. Exª não tivesse a coragem de erguer a voz para defender a sua própria ética? Sempre repito uma frase muito bonita de alguém que falou sobre as árvores: dizem que a boa madeira não cresce em sossego; quanto mais forte o vento, mais fortes são as árvores. Aquelas árvores que nunca enfrentaram uma pequena ventania são muito frágeis. Mas V. Exª é uma árvore fincada – talvez um daqueles pinhos nativos do Paraná -, é uma árvore fincada com raízes profundas, que deve ter passado por muitas tempestades. E é por isso que V. Exª tem essa fúria, mas essa fúria é a fúria da inocência. Quero me solidarizar com V. Exª. Esta Casa, o Brasil, a juventude precisam dessa fúria inocente, porque senão estaremos todos nos calando diante daqueles que têm o poder – o poder da mídia, o poder da Justiça, que muitas vezes pratica a injustiça, ou seja lá qual o tipo de poder. Mede-se a dignidade de um homem pela forma como usa o seu poder, e usar o poder de forma covarde, contra um inocente, não é edificante para a democracia, não é edificante para o Brasil. Parabenizo V. Exª, porque tem a fúria, a coragem e a indignação do inocente.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR)
Obrigado, Senadora Marina Silva.
Rui Barbosa já dizia – aprendemos isso nos bancos escolares – que é preciso, é necessário que os homens sérios tenham a mesma coragem dos canalhas. Eu não posso ser menos corajoso do que o patife da editora Abril que tentou me difamar e caluniar.
O Sr. Tião Viana (Bloco/PT-AC) – V. Exª me permite um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO – Ouço V. Exª com prazer.
O Sr. Tião Viana (Bloco/PT-AC)
Senador Roberto Requião, quero externar também – pela segunda vez – a minha admiração e o meu respeito por V. Exª. Para a minha geração é um estímulo, é uma referência a coragem e a dignidade com que V. Exª trata a defesa da honra e da dignidade humana. O escudo da dignidade humana se fortalece com esse pronunciamento e é uma grande lição para a minha geração. Em 1994, também fui vítima de um jornal que levantou calúnias a meu respeito depois de uma disputa eleitoral pelo governo do Estado do Acre. Impetrei uma ação na Justiça com o apoio solidário de um advogado que sabia que eu não tinha recursos para bancar um trabalho profissional de defesa, mas até hoje esse processo não foi encerrado. Continuo, contudo, aguardando ansiosamente que esse País possa ter leis que permitam a defesa da dignidade humana. Por isso, reafirmo esse respeito enorme que tenho por V. Exª. Não podemos nos esquecer de homenagear os jornalistas humildes e corajosos que tentam construir uma imprensa verdadeira no nosso País, mas fatos como esse, de uma revista que agride a sua honra, devem ser repudiados por todos.; Devemos tê-los presentes ao procurar estabelecer uma lei em defesa da ética na vida pública. O Lula foi muito feliz no último debate realizado pela Rede Cultura; ele disse no Programa Roda Viva que hoje em dia parece que na hora em que um cachorro morde uma pessoa na rua não vira manchete, mas se uma pessoa morde um cachorro na rua vira manchete. Setores da imprensa estão perdendo o norte, parecem não saber o que é a verdadeira notícia para este País. Parabéns a V. Exª, receba a homenagem do povo acreano.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR)
Senador Tião Viana, como eu disse, é uma cruzada, é um jihad, uma guerra santa e o meu gabinete, o meu fax, o meu e-mail e meus telefones estão à disposição de todas as pessoas que tiverem informações a respeito desse Robert Civita e do grupo Abril. Temos que expor essa gente na sua verdadeira natureza, temos que mostrar a essência desse grupo. Não é um grupo editorial, é um grupo de gângsteres que atua na imprensa brasileira. Vou levar à frente esse processo e preciso de ajuda, preciso de informações.
Hoje recebi a informação de que o apartamento de Robert Civita foi escriturado por R$380 mil e comprado, certamente, por US$2,5 milhões e estou encaminhando-a à Receita Federal. Quero mais informações. Essa gente precisa ter uma resposta e quem vai dar essa resposta é a sociedade brasileira informada.
Coloco o meu mandato e a minha voz na tribuna do Senado da República a serviço da demolição dessa quadrilha.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS) – Permite-me V. Exª um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR)
Ouço V. Exª.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS)
V. Exª mais uma vez ocupa a tribuna e mais uma vez defende uma tese da maior importância. V. Exª é muito feliz quando diz que não passa pela cabeça de V. Exª – como não passa pela cabeça de nenhum de nós – a censura à imprensa. A imprensa tem que ser livre, tem que ter liberdade para debater, discutir, acusar e até de errar. É normal. É normal que isso aconteça. Nós, homens públicos, estamos numa vitrine e estamos expostos permanentemente às agressões da sociedade. Nós somos vidraça. Aceitamos ocupar essa posição e por isso muitas vezes somos agredidos. O que não se pode admitir – aí é que V. Exª está correto – é que não tenhamos uma lei que esclareça a sociedade. O que está acontecendo é uma tremenda injustiça com V. Exª, eu sei. V. Exª é um homem de bem, é um homem sério, é um homem íntegro – isso é dito pelos seus maiores adversários, que o odeiam; eles dizem que V. Exª é insuportável, mas reconhecem a sua seriedade. O que não se pode mais tolerar é o que vem acontecendo há dez ou há vinte anos: uma revista, um jornal, a televisão, ou o rádio, de repente, disparam uma metralhadora contra o fulano e tal e ficar por isso mesmo. Alguns, como V. Exª, respondem, mas outros nem respondem. A sociedade brasileira tem o direito de saber sobre o desdobramento de fatos como esse. Por exemplo, saiu no jornal, saiu na revista que o Pedro Simon é ladrão, é vigarista. É verdade? Isso tem que ser levado adiante. Diante de uma acusação desse tipo, o promotor tem a obrigação de apresentar uma denúncia, tem que levá-la adiante para mostrar que o Pedro Simon é ladrão, é vigarista ou não. Se não é, se é um cidadão sério, isso também tem que ser mostrado à sociedade. As pessoas que lêem jornais e revistas precisam estar em condições de distinguir o que é verdade do que não é verdade, o que está certo do que está errado. Como fica o leitor, como fica o telespectador que está em casa e que não conhece o Requião, nem o Pedro, nem o João nem o Manoel? Muitas vezes, Senador, sejamos claros, a imprensa publica a verdade, fatos que são escandalosos.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR)
E por isso não pode ser censurada.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS) -
Exatamente. Há o caso recente desse deputado que foi cassado. Foi um escândalo. Um homem que serrava suas vítimas… É um escândalo. Não se pode entender como esse indivíduo chegou ao Congresso e levou tanto tempo para sair. Como é que o leitor ou o telespectador vai fazer a diferença entre o cafajeste do deputado que devia estar na cadeia, com prisão perpétua decretada, e o outro cidadão que está sendo vítima de uma tremenda injustiça? Será que o Sr. Antonio Carlos Magalhães e nós do Senado não vamos encontrar uma fórmula para fazer isso? Temos um representante, temos um cidadão que é encarregado de fazer a fiscalização, a coordenação…
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR)
O corregedor.
O Sr. Pedro Simon (PMDB-RS) – O corregedor deve atuar. Uma revista publica um caso envolvendo o Pedro Simon ou o João, o Manuel ou o Antonio e o corregedor percebe que o assunto é sério. Então, que entre com uma representação, dizendo: “V. Exª tem que explicar.” E eu vou ter que explicar. Essa é uma das possíveis formas: o corregedor tomar providências. Processos envolvendo esse tipo de acusação deveriam tramitar em regime de urgência urgentíssima. Deveríamos elaborar uma emenda por meio da qual se garantisse o direito de resposta. E, além do direito de resposta, na minha opinião, é necessário que processos desse tipo tramitem com urgência urgentíssima: que se abra o inquérito e, se for confirmada a acusação, ser for verdadeira a denúncia, que se mande para a cadeia o envolvido. É mentira? Há o direito à reparação. V. Exª fez uma monstruosidade de depoimento e digo-lhe que graças a Deus temos a TV Senado, o que é mais do que V. Exª imagina. O que existe de pessoas que assistem a TV Senado, que a conhecem e que espalham para outras pessoas é muito mais do que se está imaginando. Temos que agradecer ao Sarney e ao Antonio Carlos, porque hoje pelo menos existe isso, mas, na verdade, para o grande público não há. Imagine V. Exª se tudo que saiu na Veja fosse verdade. V. Exª estaria aí, bancando o bacana? V. Exª teria que ser punido, teria que ser advertido, teria que ser tomada uma providência, mas nada aconteceu. Agora, e se é mentira, se é invenção, se não há nada contra V. Exª? Também não acontece nada? É essa crueldade que fizemos com o povo. Como é que o povo brasileiro vai se orientar? Por isso é que o político é orientado por baixo. Você vê um jogador de futebol, “o fulano é craque, o Ronaldinho é um baita de um craque, o outro é um perna-de-pau”, porque a referência é feita entre eles; você vai a um médico, “aquele médico é um grande médico”, “aquele médico é um irresponsável, não o procure porque ele não entende nada”; você vai a uma costureira ou a um costureiro, “vai naquele cara que ele faz um baita de um vestido”; aquele outro “é uma porcaria, não vai”. Nós somos nivelados por baixo! Por quê? Porque há anarquismo, “os políticos são todos iguais”, “os políticos são uns irresponsáveis”, “os políticos são uns incompetentes”, “essa gente não vale nada”. Quando falei em fazer a campanha política com dinheiro público, o que recebi de paulada! “Mas roubam de montão, ainda querem fazer campanha com o dinheiro do povo!” Nós somos nivelados por baixo porque não nos dão a chance de fazer a diferença entre o que está certo e o que está errado. A imprensa publica muita corrupção, muita vigarice dos políticos, e é verdade; poderia publicar de empresários, mas geralmente não publica; poderia publicar de banqueiro, geralmente não publica; poderia publicar de homens políticos importantes, só publica depois que eles largam os cargos. Mas de nós, políticos, eles publicam sempre. E a grande verdade é que não podemos separar o joio do trigo. O que foi dito aqui é uma outra triste realidade. O Lula falou no Roda Viva, mas isso já vem de muito tempo. Já falei dessa tribuna sobre quando fui a um jornal em Porto Alegre me queixar porque tinha havido uma manchete enorme de um coitado de um parlamentar, que tinha entrado há dois dias, porque nas primeiras cassações podia substituir. Ele chegou na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre – nem conhecia Porto Alegre -, e às quatro horas da tarde, viu um negócio com música – um espécie de inferninho – e entrou. Logo depois houve um tiroteio, e ele se viu envolvido. E foi capa de jornal, manchete de jornal, o que liquidou a sua vida. Fui, então, falar com as pessoas, dizendo como era, e a resposta foi exatamente essa que foi dita aqui pelo Lula: meu filho, você quer ser manchete, morda um cachorro. Se você morder um cachorro você é capa de jornal. Agora, ser mordido por cachorro não vale nada. Em outras palavras, o escândalo, as coisas que estão erradas vendem jornal, vendem revista, faz com que se assista à televisão; as coisas que estão certas, que estão corretas, é
tua obrigação, tu não fazes mais nada do que a tua obrigação. Não estou discutindo isso nem pedindo que publique ou deixe de publicar as manchetes, mas, pelo menos, que se dê chance àquele que tem resposta para aquilo que for publicado que não corresponder ao que ele acha ser verdadeiro, ou seja, que ele possa falar. É como V. Exª disse: fez uma afirmativa, mandou diariamente, 15 vezes, para um jornal, e este não respondeu. E ele pode fazer isso porque não há nada que o obrigue. É isso que temos que determinar. Penso que o Sr. Antonio Carlos, que está tomando posições importantes, significativas, poderia estudar com a sua equipe jurídica exatamente isso. Que haja liberdade de imprensa, que ela publique, fale, critique, porque é muito bom, mas que nos dê chance de publicar a nossa versão, para que o eleitor compare as duas e tire a sua opinião.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR)
No entanto, Senador Pedro Simon, não vamos comparar o Estadão de São Paulo à Veja, porque são de natureza diferente. O Estadão tem um viés ideológico que não me agrada, e esse viés autoritário de não conceder espaço de resposta. Se V. Exª lembra, no artigo em que tentaram responder a mim e a V. Exª, pelos pronunciamentos aqui, no plenário, o editorialista do Estadão dizia que havia me elogiado quando da CPI dos Precatórios, concedo mais do que isso, foi o jornalista Ribamar, de O Estado de S.Paulo, que deu início às denúncias que desaguaram na CPI dos Precatórios. Transformaram-se em CPI quando o nosso brilhante e íntegro Senador Vilson Kleinübing, já falecido, transformou a questão na sua guerra santa.
E o Estadão me elogiou quando denunciei o Divaldo Suruagy, que era do meu Partido; quando denunciei o Paulo Afonso Vieira, que era Governador de Santa Catarina, para o qual eu tinha feito campanha, a cujo palanque eu tinha subido – fui obrigado a fazer a denúncia porque os fatos estavam ali, gritando -; quando denunciei Pernambuco, com Miguel Arraes, que era o ídolo político da minha juventude. Fui elogiado pelo Estadão, tive espaço, páginas, textos, fotografias, mas quando cheguei ao Banco Bradesco, ao Lázaro Brandão e Katsumi Kihara*, o Estadão calou. E, de repente, no editorial, o editorialista diz: “Nós elogiamos o Requião até que ele começou a atirar a torto e à direita. Não foi a torto e à direita. Foi nos tortos da direita, e eram dois só. Daí o Estadão parou. O Estadão e toda imprensa nacional, que ainda hoje faz rememorações da CPI dos Precatórios: a brilhante CPI que pôs um roubo, uma sangria nos cofres públicos do Brasil à exposição e fez com que o processo cessasse. Mas nenhum deles fala lá na ponta, naqueles que tornaram possível a patifaria, nos que davam cobertura a factorings e pequenas corretoras que não tinham nenhuma condição de arcar com o negócio que estavam fazendo, como o Banco Bradesco, representado por Katsumi Kihara e por Lázaro Brandão, que, hoje, continua Presidente de honra, sei lá o que ele quer. O genro do Lázaro estava fazendo isso no Paraná, estavam emitindo dois bilhões de títulos frios, o que só não ocorreu porque o Kleinübing denunciou antes, e o processo parou.
A Srª Heloisa Helena (Bloco/PT – AL) – V. Exª me permite um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR)
Ouço o seu aparte com prazer, Senadora Heloisa Helena.
O SR. PRESIDENTE (Ademir Andrade. Fazendo soar a campanhia.) –
Quero informar que o tempo de V. Exª já está esgotado, e eu pediria aos aparteantes que fossem breves.
A Srª Heloisa Helena (Bloco/PT – AL)
Senador Requião, mais uma vez, faço um aparte ao pronunciamento de V. Exª no sentido de compartilhar de sua indignação. Já disse várias vezes que V. Exª ocupa o espaço não no sentido de se defender, porque não precisaria desse espaço para isso, pois a sua própria vida já é a sua defesa, mas no sentido de possibilitar que este Senado e os poucos que nos ouvem, neste momento, possam debater, porque a minha mãe miserável e analfabeta já dizia que “é covardia calar quando se faz necessário falar.” Então, quero parabenizar V. Exª e dizer que, às vésperas do ano 2000, o advento tecnológico e os meios de comunicação são importantes para que a humanidade possa conhecer as duas visões do mundo e, conhecendo-o, possa transformá-lo pois sabemos que só conhecendo o mundo é que podemos transformá-lo conforme os nossos sonhos e as nossas aspirações. Seria bom que os meios de comunicação alardeassem o que está contido nos corações de milhares de pessoas, desnudassem as muitas personalidades políticas, empresariais e econômicas deste País. No entanto, eles não desnudam essas personalidades políticas que mereciam ser desmoralizadas perante a opinião pública, mas pinçam uns ou outros, especialmente aqueles que não se curvam e não se ajoelham covardemente com medo dos meios de comunicação, como é o caso de V. Exª. Portanto, parabenizo-o mais uma vez pelo gesto de indignação e que consigamos, mesmo alguns poucos, entender isso: é covardia calar quando se faz necessário falar. Um abraço.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR) – Senadora Heloisa Helena, V. Exª falou em um sonho e tive um sonho esta noite. Sonhei que o Presidente da Câmara, Michel Temer, havia me telefonado e dito: Senador Requião, o seu projeto de direito de resposta foi colocado em votação e foi aprovado.” E sonhei, em seguida, num insight* estranho, sem cores, um sonho em branco e preto, que eu estava assistindo à prisão do Al Capone, nos Estados Unidos, por sonegação fiscal. E de repente, como numa propaganda da Rede Globo, esse quadro em branco e preto se ilumina em muitas cores e o Al Capone se transforma no Robert Civita*, sendo conduzido a uma enxovia
pública.
O Sr. Antonio Carlos Valadares (Bloco/PSB – SE) -
V. Exª me concede um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB – PR)
Ouço V. Exª com prazer.
O Sr. Antonio Carlos Valadares (Bloco/PSB – SE)
Senador Roberto Requião, quem conhece a vida política e a carreira pública de V. Exª compreende a indignação de V. Exª com as acusações desferidas contra uma pessoa de sua família, sua esposa, quem conheço de perto e sei da sua dignidade e da sua dedicação às causas sociais do Paraná. V. Exª fala com a fúria santa de quem não aceita uma acusação gratuita, que atinge, na realidade, o sentimento de revolta de um homem público limpo como V. Exª. Nesta oportunidade, ao lado de tantos colegas que aqui se manifestaram, apresento a nossa mais inteira e irrestrita solidariedade ao comportamento exemplar de V. Exª na vida pública brasileira. Quando V. Exª foi Governador, seus adversários fizeram tudo para manchar sua vida, sua passagem pelo Governo, mas não encontraram ponto algum que pudesse destoar do seu comportamento político e da sua lisura frente à administração pública. V. Exª apresentou um projeto da maior importância – já destacado por outros Senadores -, que se refere ao direito de resposta. Temos um outro sobre a reparação de danos – o dano moral sofrido por uma pessoa acusada injustamente, não só pela imprensa mas por qualquer pessoa, física ou jurídica -, que regulamenta o art. 5º da Constituição Federal e que está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania. V. Exª tem nossa compreensão, solidariedade e admiração cada vez maior.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR) -
Agradeço ao aparte de V. Exª, nobre Senador Antero Paes de Barros.
O Sr. Antero Paes de Barros (PSDB-MT)
Permite V. Exª um aparte?
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PSDB-PR)
Pois não. Ouço o aparte de V. Exª, nobre Senador Antero Paes de Barros.
O Sr. Antero Paes de Barros (PSDB-MT)
Nobre Senador Roberto Requião, V. Exª dá um exemplo extraordinário à juventude brasileira. Nesses tempos de descrença com quase tudo, V. Exª mostra que não podemos perder a capacidade da indignação diante das injustiças. E existem duas situações que merecem uma consideração, a mais urgente possível, do Congresso Nacional, do poder político brasileiro, da imprensa brasileira e do Poder Judiciário. Primeiro, com relação ao projeto de V. Exª. É inadmissível que exatamente o Poder Legislativo não urgencie a votação do projeto sobre o direito de resposta. Não se está pedindo que os políticos ocupem as páginas dos veículos de comunicação. Está-se pedindo que a verdade sobre a honra não fique sepultada e que se tenha o direito de defesa da honra. Li a primeira matéria publicada na revista Veja. Tenho – posso até mudar o verbo -, tinha pela Veja a mais profunda admiração e tinha a quase absoluta certeza de que as explicações de V. Exª estariam contempladas na próxima edição. Tinha essa convicção, porque a revista tratou outros assuntos dessa forma. E no caso de V. Exª, a Veja não deveria agir diferente, porque se tratava de uma resposta à revista ou até ao seu proprietário. Ainda que viessem à tréplica, eles tinham que ter oportunizado, democraticamente, o direito de resposta. A Veja se diminuiu ao não publicá-lo. Ela tem todo o direito de ter qualquer opinião sobre qualquer membro do Congresso Nacional, mas não tem o direito de distorcer o fato, de maltratar o fato, de inverter os fatos e de sepultar a verdade. Nem ela, nem órgão algum da imprensa brasileira. No entanto, além da urgência do Congresso e da Câmara em votar o assunto, é preciso estabelecer uma outra urgência: que nos ataques à honra haja também – já que discutiremos a reforma do Poder Judiciário – prioridade absoluta do Poder Judiciário para conceder a oportunidade urgente de defesa da honra. Se assim fosse, a honra de V. Exª, a honra da família de V. Exª não seria defendida daqui a 365 dias. É preciso que, dentro da reformulação do Poder Judiciário, estabeleçamos a urgência para o direito de defesa da honra, da mesma forma que houve urgência para permitir ao empresário Josino Guimarães* o direito de ficar calado na CPI do Judiciário, porque a Constituição Federal assegura-lhe tal prerrogativa. Não pode haver nada mais importante que a honra, ainda mais em um homem público, em um homem cujo principal capital é exatamente a credibilidade diante dos seus concidadãos. Ao chegar nesta Casa a reforma do Judiciário, teremos que pensar em estabelecer mecanismos para que a questão da honra não seja protelada e sepultada. Mais uma vez – é o máximo que podemos fazer -, receba nossa solidariedade. Quem conhece V. Exª sabe que V. Exª não é um homem perfeito, mas, seguramente, V. Exª não tem o defeito que a Veja quer lhe imputar.
O SR. ROBERTO REQUIÃO (PMDB-PR)
Mas a Veja publica um milhão de exemplares em cada edição e agrediu-me em duas edições, portanto, com dois milhões de exemplares. E a Veja é lida por pessoas que não me conhecem, que não vivem em Curitiba – cidade em que nasci -, que não conhecem a minha história e que não acompanham a minha vida. A calúnia permanece. É como aquela história de jogar um travesseiro de penas nas pás do moinho: elas se espalham e, dificilmente, serão juntadas novamente.
Espero, no entanto, colher, desse processo em que saio abalado, a vitória da legislação do direito de resposta e ver esse Al Capone* da imprensa brasileira, o Robert Civita*, finalmente numa enxovia pública, condenado por sonegação de impostos. Temos grandes dificuldades de condená-los na nossa ordem judicial vigente, pelas chantagens que praticam, de difícil comprovação, e pela utilização de um meio de comunicação altamente subsidiado pelo Estado brasileiro para infâmia, calúnia e difamação.
Para encerrar, Sr. Presidente, quero contraditar uma afirmação reiterada do meu velho amigo Pedro Simon: “O Requião é íntegro, mas as pessoas que conheço dizem que ele é intolerável, louco e doido”. Não aceito isso.
Sou absolutamente intolerante com a corrupção, com a auto-complacência com a corrupção. E as pessoas que reclamam do meu comportamento são aquelas que, fazendo política comigo, se desviaram do caminho proposto inicialmente, de forma coletiva, e acreditaram que, por serem do mesmo partido e freqüentarem a minha casa, seriam objeto de uma espécie de indulgência plenária.
Não pode existir indulgência plenária, fundamentalmente, para um Senador que chegou aqui com a maior votação proporcional da história do Paraná, que é o segundo Senador mais votado do Brasil, o segundo Senador mais votado desta Casa. Apenas o Senador Iris Rezende teve uma homenagem dos eleitores de Goiás maior do que a minha.
É evidente que esse compromisso e essa responsabilidade não derivam diretamente do número de votos, mas do fato de estarmos aqui representando o nosso povo, a nossa gente. Não pode haver tolerância. O Pedro me considera um herege na política; aconselhado por amigos comuns que foram meus amigos, hoje são inimigos políticos e amigos do Pedro.
Gostaria de lembrar ao Pedro – que está ausente, mas não estou a agredi-lo, posso falar na sua ausência – que essa heresia também foi a heresia do Cristo, que se contrapunha ao comportamento ético da sua época, que andava acompanhado de mendigos e que, simbolicamente, multiplicava pães para alimentar os pobres. Cristo também foi chamado de herege, e José Ortega Y Gasset*, abordando essa característica dessa nova mensagem, dessa mensagem de rebeldia e alegria do Cristo, disse que, se Cristo foi herege, hoje todos conhecem o seu nome e uma grande maioria segue os seus conselhos. Mas ninguém se lembra do nome dos seus perseguidores.
Eu acho que vou marcar a minha passagem pela vida pública, pela administração de meu Estado e pelo Senado. Mas acredito que depois de presos os que me insultam hoje cairão no ouvido e no esquecimento que a história dedica aos canalhas menores.
Era o que tinha a dizer, Sr. Presidente.

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