Jasson de Oliveira Andrade
O escritor e pesquisador Paulo César de Araújo escreveu uma biografia não autorizada de Roberto Carlos, sob o título “Roberto Carlos em Detalhes”. O cantor entrou na Justiça e conseguiu proibir o livro, o qual, segundo ele, feria sua privacidade. A editora Planeta, que publicou a biografia, fez um acordo com Roberto Carlos, retirando a obra de circulação. O assunto estava encerrado. Agora reapareceu com uma acusação do autor da biografia.
O escritor e pesquisador Paulo César de Araújo escreveu uma biografia não autorizada de Roberto Carlos, sob o título “Roberto Carlos em Detalhes”. O cantor entrou na Justiça e conseguiu proibir o livro, o qual, segundo ele, feria sua privacidade. A editora Planeta, que publicou a biografia, fez um acordo com Roberto Carlos, retirando a obra de circulação. O assunto estava encerrado. Agora reapareceu com uma acusação do autor da biografia.
O jornalista Jotabê Medeiros, na reportagem “Biógrafo acusa Roberto Carlos de reunir citações falsas em processo” (Estado, 6/12/2007), revela: “Um pouco mais de lenha na fogueira da biografia proibida de Roberto Carlos: advogada do autor do livro, Deborah Sztejnberg, acusa defensores do cantor de terem adulterado (na queixa-crime que resultou no recolhimento do livro) palavras e trechos e distorcido argumentos para dar a impressão de que o cantor se envolveu com drogas no seu tempo de Jovem Guarda. No trecho mais polêmico, que caracterizaria adulteração intencional, segundo Deborah, a defesa de Roberto troca uma palavra na frase que diz, no livro, que havia na Jovem Guarda “uma combinação de sexo, garotas e playboys”. Na página 16 da queixa-crime à Justiça, a frase surge como “combinação de sexo, drogas [trocou garotas por drogas] e playboys” .” Segundo Paulo César de Araújo, autor da biografia, “por causa de erros como esse, o juiz (Tércio Pires) considerou as acusações graves e ameaçou duas vezes de fechamento a Editora Planeta”. O advogado de Roberto Carlos, Marco Antônio Campos, rebateu a acusação, dizendo que “numa petição em que são citados 20 ou 30 trechos do livro, não é uma palavra que pode induzir a um tipo de situação”. Ele disse que pode ter havido um equívoco, mas jamais teria sido por má-fé. Segundo Campos, o assunto está “juridicamente encerrado”, uma vez que as partes fizeram acordo perante o juiz em São Paulo”. Se encerrou ou não, a polêmica voltou à baila.
Como o assunto continua, vamos publicar a opinião do advogado Walter Ceneviva, em sua coluna jurídica da Folha, emitida em 12 de maio. O articulista diz: “Verifiquei que a biografia publicada não envolve informação desairosa sobre o cantor, que nem se queixou disso. Enuncia fatos, compatíveis com a importância histórica do artista, a contar dos anos 60 do século passado. (…) Roberto Carlos está no mundo artístico, com merecido destaque, há mais de 40 anos. Onde vá, terá apenas intimidade relativa. Seus atos interessam a grande parte das pessoas, não havendo como limitar a difusão. Nesse caso, o direito da privacidade entra em xeque, preponderante o da livre informação, quando não viole a honra do atingido”. Caetano Veloso, em entrevista à Folha, em 11de maio, pensa da mesma maneira: “Não gosto da decisão, o livro deveria estar sendo vendido livremente. (…) Não acho que no livro tenha havido um desrespeito, é favorável ao Roberto”.
Saulo Ramos, um dos maiores juristas brasileiros, em entrevista concedida a Jerônimo Teixeira (Veja, 28/11/2007), tem a mesma opinião de Caetano Veloso. O jornalista perguntou: “O senhor atuou, em 1979, na proibição de O Rei e Eu, livro em que Nichollas Mariano, mordomo de Roberto Carlos, fazia revelações sobre a intimidade do cantor. A recente proibição de Roberto Carlos em Detalhes, biografia de Paulo César de Araújo, é um caso comparável?” O jurista respondeu: “Os dois casos são muito diferentes. No tempo de O Rei e Eu, estávamos sob a Constituição de 1967, que não era tão liberal quanto a atual. E o livro do mordomo não tem um caso que seja verdade. Era tudo mentira. Foi uma briga judicial grande para apreender e queimar o livro antes de sair. Já o livro mais recente é uma biografia perfeita. Não tem um ataque moral contra o Roberto. O Roberto me consultou e eu o aconselhei a não tomar nenhuma providência. E recusei a causa, e ele procurou outros advogados. Agora, não houve, nesse caso, condenação, mas um acordo. A Planeta, que é a minha editora [publicou o livro dele Código da Vida, com 50.000 exemplares vendidos!] capitulou diante do desejo do Roberto”. Uma coisa podemos garantir, se ele não tivesse recusado a causa, e se tornasse advogado de Roberto Carlos, nunca iria utilizar-se de “equívocos” no processo! A censura e proibição de sua biografia foram um enorme erro. Roberto Carlos deveria ter ouvido os conselhos de Saulo Ramos, um dos mais respeitados juristas do Brasil, com renome internacional. Hoje o “caso” não estaria de volta aos jornais!
JASSON DE OLIVEIRA ANDRADE é jornalista em Mogi Guaçu
Dezembro de 2007
Postado por Redação Portal Mogi Guaçu
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