Mentiras verdadeiras, verdades mentirosas?
Eric Nepomuceno
Em tempos de meias-verdades e mentiras inteiras, de omissões insuspeitas e vaidades insuportáveis, não posso continuar calado sobre dois momentos especiais da minha vida. Quero deixar claro que não sou oportunista: não contei antes o que conto agora por respeito à intimidade, a minha e a das moças envolvidas. Além disso, por serem duas figuras públicas (aliás, por uma delas continuo sentindo irrestrita admiração). E também por modéstia.
Antes de revelar o que até agora guardei no mais absoluto segredo, confesso que careço de provas materiais. Jamais apelaria para recursos como fotografias, gravações de vídeos ou de fitas com os sons que surgiram, espontâneos, enquanto acontecia o que aconteceu. Mas vamos lá:
1) Aos meus 15 anos, aprendiz da vida, tomei um banho inesquecível com Brigitte Bardot, que estava no apogeu. Depois que saímos do banho, inebriados os dois, notei que ela, com aquela falsa e endemoniada ingenuidade que era sua marca mais fascinante e mortal, passou a não me dar importância. Não tornei a chegar perto dela (aliás, nem tentei). Pensando bem, aquele banho até que foi um tanto agitado e fugaz. Mas minha vida nunca mais foi a mesma.
2) Aos meus 38 anos, meio cansado de tanta aventura, no Aeroporto do Galeão olhei Malu Mader nos olhos e, com calma e frieza, disse a ela que não. Em voz baixa, pedi que continuasse o seu caminho e me deixasse seguir o meu. Malu começava a mostrar-se no apogeu que dura até hoje, estava queimada pelo sol de um verão inesquecível, os cabelos presos com displicência num rabo de cavalo, os ombros deixados livres pela camiseta branca. Recordo, nítido, meu esforço para ser firme na hora de dizer que apreciava profundamente seu interesse, mas que não iria com ela.
Essas são verdades absolutamente verdadeiras.
Claro que haverá o batalhão dos maldosos de sempre, prontos para duvidar. Elas e eu, em todo caso, sabemos que tudo isso aconteceu. Talvez deva acrescentar alguns pequenos detalhes que só confirmam o que guardo no melhor das minhas memórias:
1) No verão de 1964 meu pai me levou, numa velha Rural Willys, para conhecer Cabo Frio. De lá seguimos, numa estrada que era uma seqüência formidável de obstáculos, até Búzios. Fascinados pela beleza, paramos numa praia deserta. Corri e mergulhei, nu, naquele mar perfeito. Saí inebriado. Pouco depois, num almoço tardio, meu pai me contou que na mesma hora e na enseada vizinha Brigitte Bardot havia nadado exibindo, sem nenhum recato, sua nudez desaforada. Estávamos nus, era o mesmo mar, a mesma água. Ou seja: o mesmo banho, é lógico.
2) Em janeiro de 1987 eu chegava de volta ao Rio depois de 20 longos dias passados em Manaus, escrevendo o roteiro de um documentário sobre o Amazonas. Viajava com um ator amigo. Malu Mader estava no Galeão. Meu amigo nos apresentou e ela, cordial e belíssima, me ofereceu uma carona. Quando contei que morava em São Conrado, notei em seus olhos a passagem fugaz de uma ínfima contrariedade: teria de fazer um longo desvio. Agradeci, disse que não se preocupasse e fui embora de táxi.
Esses são os tais pequenos detalhes, mas é claro que jamais me importei com eles. Afinal, o que aconteceu, aconteceu. E de verdades como estas é feita a história neste país de anjos imaculados. Ou não?
JB
Antes de revelar o que até agora guardei no mais absoluto segredo, confesso que careço de provas materiais. Jamais apelaria para recursos como fotografias, gravações de vídeos ou de fitas com os sons que surgiram, espontâneos, enquanto acontecia o que aconteceu. Mas vamos lá:
1) Aos meus 15 anos, aprendiz da vida, tomei um banho inesquecível com Brigitte Bardot, que estava no apogeu. Depois que saímos do banho, inebriados os dois, notei que ela, com aquela falsa e endemoniada ingenuidade que era sua marca mais fascinante e mortal, passou a não me dar importância. Não tornei a chegar perto dela (aliás, nem tentei). Pensando bem, aquele banho até que foi um tanto agitado e fugaz. Mas minha vida nunca mais foi a mesma.
2) Aos meus 38 anos, meio cansado de tanta aventura, no Aeroporto do Galeão olhei Malu Mader nos olhos e, com calma e frieza, disse a ela que não. Em voz baixa, pedi que continuasse o seu caminho e me deixasse seguir o meu. Malu começava a mostrar-se no apogeu que dura até hoje, estava queimada pelo sol de um verão inesquecível, os cabelos presos com displicência num rabo de cavalo, os ombros deixados livres pela camiseta branca. Recordo, nítido, meu esforço para ser firme na hora de dizer que apreciava profundamente seu interesse, mas que não iria com ela.
Essas são verdades absolutamente verdadeiras.
Claro que haverá o batalhão dos maldosos de sempre, prontos para duvidar. Elas e eu, em todo caso, sabemos que tudo isso aconteceu. Talvez deva acrescentar alguns pequenos detalhes que só confirmam o que guardo no melhor das minhas memórias:
1) No verão de 1964 meu pai me levou, numa velha Rural Willys, para conhecer Cabo Frio. De lá seguimos, numa estrada que era uma seqüência formidável de obstáculos, até Búzios. Fascinados pela beleza, paramos numa praia deserta. Corri e mergulhei, nu, naquele mar perfeito. Saí inebriado. Pouco depois, num almoço tardio, meu pai me contou que na mesma hora e na enseada vizinha Brigitte Bardot havia nadado exibindo, sem nenhum recato, sua nudez desaforada. Estávamos nus, era o mesmo mar, a mesma água. Ou seja: o mesmo banho, é lógico.
2) Em janeiro de 1987 eu chegava de volta ao Rio depois de 20 longos dias passados em Manaus, escrevendo o roteiro de um documentário sobre o Amazonas. Viajava com um ator amigo. Malu Mader estava no Galeão. Meu amigo nos apresentou e ela, cordial e belíssima, me ofereceu uma carona. Quando contei que morava em São Conrado, notei em seus olhos a passagem fugaz de uma ínfima contrariedade: teria de fazer um longo desvio. Agradeci, disse que não se preocupasse e fui embora de táxi.
Esses são os tais pequenos detalhes, mas é claro que jamais me importei com eles. Afinal, o que aconteceu, aconteceu. E de verdades como estas é feita a história neste país de anjos imaculados. Ou não?
JB
21/JUN/2005
( OBS: este acima até hoje me impressiona )
DICAS DE MARQUETEIRO
Embora a atual campanha municipal esteja mais para Xororó do que para Schopenhauer, é oportuna a chegada às livrarias de uma digressão do pensador alemão ( 1788 – 1860 ) – filosófica lá nos seus abismos, mas tão convidativa no título como se fosse um manual de auto-ajuda eleitoral assinado por um marketeiro de Fernanado Collor. Diz lá o denso Arhur Schopenhauer: “Como vencer um debate sem precisar ter razão”. Promete “38 estratagemas” ( OBS 1 : não tenho certeza, mas acho que o prefácio deste livro é assinado por Olavo de Carvalho ) . Carta Capital elegeu alguns artifícios aptos a enriquecer o embate da próxima quinta 14, na Band ( OBS 2 : este artigo foi publicado em Carta Capital de 12/10/04, na coluna ESTILO, de Nirlando Beirão ) :
1. “Provoca-se a cólera do adversário, para que, em sua fúria, não seja capaz de raciocinar corretamente e perceber sua própria vantagem. Podemos incitar sua cólera fazendo-lhe algo francamente injusto, vexando-o e, sobretudo, tratando-o com insolência”.
2. “Um golpe descarado é quando, depois de o adversário responder a muitas perguntas sem que as respostas fossemj adequadas à conclusão em mente, declaramos e proclamamos triunfalmente demonstrada a conclusão que pretendíamos. Se o adversário for tímido ou tolo, e se tivermos boa dose de descaramento e uma bela voz, este golpe poderá funcionar. Este estratagema corresponde à fallacia non causae ut causae ( tratar como prova o que não é prova )”.
3. “Desconcertar, atudir o adversário com um caudal de palavras sem sentido. Se no fundo ele está convencido de sua própria debilidade, podemos impressioná-lo oferecendo, com ar grave, um absurdo que soe como algo douto e profundo, e apresentá-lo como prova incontestável de nossa própria tese”.
4. “Se percebermos que vamos ser derrotados, recorremos a um desvio, isto é, começamos a falar de algo totalmente diferente, como se fosse pertinente à questão. Isso se faz com alguma modéstia se o desvio se mantém no campo do thema questionis; e de modo insolente, quando vai simplesmente contra o adversário e nada fala do tema”.
5. “Um modo rápido de eliminar ou, ao menos, de tornar suspeita uma afirmação sua é reduzí-la a uma categoria geralmente detestada, ainda que a relação seja pouco rigorosa e tão-só de vaga semelhança. Por exemplo: ‘Isso é maniqueísmo’”.
6. “Em vez de argumentos, utilize autoridades. Diz Sêneca: ‘Qualquer um prefere crer a julgar por si mesmo’. O jogo nos é mais fácil quando temos a nosso lado uma autoridade respeitada pelo adversário”.
É isso aí, nativos. Desde já elejo este post como um dos meus preferidos deste blog. Um curso Madureza para reconhecer um charlatão. Ou, pelo menos, não permitir que um lazarento qualquer passe por “autoridade”.

TRIVELA
Carta Maior
CASA VIDA
Celso Lungaretti
CONVERSA AFIADA c/ Paulo Henrique Amorim
Desemprego Zero
Dicionário Jurídico – A a Z – Nota Dez
HORA DO POVO
IBGF – Instituto Brasileiro Giovanni Falcone
NOSSA HAPPYLÂNDIA
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PROFESSOR HARIOVALDO ALMEIDA PRADO
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REVISTA FÓRUM – Outro mundo em debate
Y. COPRÓFAGOS ANÔNIMOS
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