ENCALHE

março 31, 2009

"Prender rico" não é moda. "REINCIDÊNCIA" é moda. Fazendeiro reincide em prática escravista. Ô Gilmar, vamos trabalhar aí, hein?

Fazendeiro que está na “lista suja” repete prática criminosa
Grupo móvel de fiscalização encontrou 13 trabalhadores em condições análogas à de escravos na Fazenda Lagoinha. O dono Antônio Fernandes Camilo Filho, que faz parte da atual “lista suja”, não quis reconhecer vínculo
Um grupo de 13 pessoas foi libertado de trabalho análogo à escravidão pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no último dia 12 de março. Os trabalhadores estavam na Fazenda Lagoinha, pertencente à Antônio Fernandes Camilo Filho, que consta na “lista suja” do trabalho escravo, mantida pelo governo federal. Trata-se do cadastro de empregadores flagrados explorando mão-de-obra escrava que passaram por processos administrativos antes de compor a relação.
Antônio Fernandes Camilo Filho foi incluído na “lista suja” em dezembro de 2007 em decorrência de de uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA) ocorrida em março de 2006. Na ocasião, os fiscais libertaram 27 pessoas na mesma propriedade, que fica em Bom Jesus da Lapa (MA). Quem consta do cadastro sofre restrições de créditos federais e fica exposto ao corte de relações comerciais com mais de 190 signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Desta última vez, a fiscalização encontrou empregados trabalhando no “roço de juquira” ( preparação da área para pecuária bovina ) sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI). Eles não tinham registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CPTS) e estavam na área desde 24 de fevereiro de 2009. Segundo Maria Inês Chagas de Almeida, auditora que coordenou a ação, o local onde os trabalhadores estavam era de difícil acesso. Ficou constatado o isolamento geográfico dos empregados.
O alojamento oferecido pelo empregador reincidente era no estilo “palafita”, com frestas de até 4 centímetros no chão e no teto, possibilitando a entrada de animais e insetos.
“Quatro trabalhadores dividiam um quarto, onde dormiam em redes. O espaço era tão pequeno que eles não podiam se balançar na rede”, complementa a auditora fiscal do Trabalho Maria Inês. Em outro quarto vivia um casal com dois filhos pequenos. Um cômodo do abrigo, utilizado para armazenar sal destinado ao gado, também servia para um trabalhador dormir. A fiscalização encontrou ainda um dos empregados com febre, dormindo no alpendre, do lado de fora do alojamento. A alimentação se resumia ao tradicional arroz e feijão, mas a fiscalização encontrou carne guardada dentro da banheira utilizada para o banho das crianças. Segundo informações dos trabalhadores, um boi quebrou a perna e o dono teve que sacrificá-lo. A carne foi dada aos trabalhadores para que eles comessem. A água para consumo diário era retirada de um poço destampado e armazenada em recipientes plásticos.
Não havia instalações sanitárias adequadas no local. “Os próprios empregados improvisaram um chuveiro, utilizando um cano que vinha do poço. Porém, a água não chegava até o alojamento. Então, eles tomavam banho do lado de fora”, relata a coordenadora Maria Inês.
O empregador Antônio Fernandes Camilo Filho preferiu seguir as recomendações de seu advogado e não reconheceu o vínculo empregatício com os trabalhadores. “Ele se mostrou muito preocupado, pois já tinha sido autuado anteriormente”, conta a auditora fiscal. Antônio compareceu ao Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Açailândia (MA) para efetuar o pagamento dos trabalhadores, mas não apresentou os documentos pedidos pelos fiscais. “Nós já emitimos as guias para os empregados darem entrada no Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado e eles retornaram para suas casas, localizadas nos arredores de Açailândia”, adiciona Maria Inês.
A operação na Fazenda Lagoinha não teve acompanhamento de integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), mas a coordenadora já terminou o relatório que será encaminhado ao MPT e à Polícia Federal (PF), para que sejam tomadas providências junto às Justiças Comum e do Trabalho.
( REPÓRTER BRASIL, 31.03.09 )
VEJA: REINCIDÊNCIA

"Prender rico" não é moda. "REINCIDÊNCIA" é moda. Fazendeiro reincide em prática escravista. Ô Gilmar, vamos trabalhar aí, hein?

Fazendeiro que está na “lista suja” repete prática criminosa
Grupo móvel de fiscalização encontrou 13 trabalhadores em condições análogas à de escravos na Fazenda Lagoinha. O dono Antônio Fernandes Camilo Filho, que faz parte da atual “lista suja”, não quis reconhecer vínculo
Um grupo de 13 pessoas foi libertado de trabalho análogo à escravidão pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no último dia 12 de março. Os trabalhadores estavam na Fazenda Lagoinha, pertencente à Antônio Fernandes Camilo Filho, que consta na “lista suja” do trabalho escravo, mantida pelo governo federal. Trata-se do cadastro de empregadores flagrados explorando mão-de-obra escrava que passaram por processos administrativos antes de compor a relação.
Antônio Fernandes Camilo Filho foi incluído na “lista suja” em dezembro de 2007 em decorrência de de uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA) ocorrida em março de 2006. Na ocasião, os fiscais libertaram 27 pessoas na mesma propriedade, que fica em Bom Jesus da Lapa (MA). Quem consta do cadastro sofre restrições de créditos federais e fica exposto ao corte de relações comerciais com mais de 190 signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Desta última vez, a fiscalização encontrou empregados trabalhando no “roço de juquira” ( preparação da área para pecuária bovina ) sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI). Eles não tinham registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CPTS) e estavam na área desde 24 de fevereiro de 2009. Segundo Maria Inês Chagas de Almeida, auditora que coordenou a ação, o local onde os trabalhadores estavam era de difícil acesso. Ficou constatado o isolamento geográfico dos empregados.
O alojamento oferecido pelo empregador reincidente era no estilo “palafita”, com frestas de até 4 centímetros no chão e no teto, possibilitando a entrada de animais e insetos.
“Quatro trabalhadores dividiam um quarto, onde dormiam em redes. O espaço era tão pequeno que eles não podiam se balançar na rede”, complementa a auditora fiscal do Trabalho Maria Inês. Em outro quarto vivia um casal com dois filhos pequenos. Um cômodo do abrigo, utilizado para armazenar sal destinado ao gado, também servia para um trabalhador dormir. A fiscalização encontrou ainda um dos empregados com febre, dormindo no alpendre, do lado de fora do alojamento. A alimentação se resumia ao tradicional arroz e feijão, mas a fiscalização encontrou carne guardada dentro da banheira utilizada para o banho das crianças. Segundo informações dos trabalhadores, um boi quebrou a perna e o dono teve que sacrificá-lo. A carne foi dada aos trabalhadores para que eles comessem. A água para consumo diário era retirada de um poço destampado e armazenada em recipientes plásticos.
Não havia instalações sanitárias adequadas no local. “Os próprios empregados improvisaram um chuveiro, utilizando um cano que vinha do poço. Porém, a água não chegava até o alojamento. Então, eles tomavam banho do lado de fora”, relata a coordenadora Maria Inês.
O empregador Antônio Fernandes Camilo Filho preferiu seguir as recomendações de seu advogado e não reconheceu o vínculo empregatício com os trabalhadores. “Ele se mostrou muito preocupado, pois já tinha sido autuado anteriormente”, conta a auditora fiscal. Antônio compareceu ao Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Açailândia (MA) para efetuar o pagamento dos trabalhadores, mas não apresentou os documentos pedidos pelos fiscais. “Nós já emitimos as guias para os empregados darem entrada no Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado e eles retornaram para suas casas, localizadas nos arredores de Açailândia”, adiciona Maria Inês.
A operação na Fazenda Lagoinha não teve acompanhamento de integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), mas a coordenadora já terminou o relatório que será encaminhado ao MPT e à Polícia Federal (PF), para que sejam tomadas providências junto às Justiças Comum e do Trabalho.
( REPÓRTER BRASIL, 31.03.09 )
VEJA: REINCIDÊNCIA

"Prender rico" não é moda. "REINCIDÊNCIA" é moda. Fazendeiro reincide em prática escravista. Ô Gilmar, vamos trabalhar aí, hein?

Fazendeiro que está na “lista suja” repete prática criminosa
Grupo móvel de fiscalização encontrou 13 trabalhadores em condições análogas à de escravos na Fazenda Lagoinha. O dono Antônio Fernandes Camilo Filho, que faz parte da atual “lista suja”, não quis reconhecer vínculo
Um grupo de 13 pessoas foi libertado de trabalho análogo à escravidão pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no último dia 12 de março. Os trabalhadores estavam na Fazenda Lagoinha, pertencente à Antônio Fernandes Camilo Filho, que consta na “lista suja” do trabalho escravo, mantida pelo governo federal. Trata-se do cadastro de empregadores flagrados explorando mão-de-obra escrava que passaram por processos administrativos antes de compor a relação.
Antônio Fernandes Camilo Filho foi incluído na “lista suja” em dezembro de 2007 em decorrência de de uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA) ocorrida em março de 2006. Na ocasião, os fiscais libertaram 27 pessoas na mesma propriedade, que fica em Bom Jesus da Lapa (MA). Quem consta do cadastro sofre restrições de créditos federais e fica exposto ao corte de relações comerciais com mais de 190 signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Desta última vez, a fiscalização encontrou empregados trabalhando no “roço de juquira” ( preparação da área para pecuária bovina ) sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI). Eles não tinham registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CPTS) e estavam na área desde 24 de fevereiro de 2009. Segundo Maria Inês Chagas de Almeida, auditora que coordenou a ação, o local onde os trabalhadores estavam era de difícil acesso. Ficou constatado o isolamento geográfico dos empregados.
O alojamento oferecido pelo empregador reincidente era no estilo “palafita”, com frestas de até 4 centímetros no chão e no teto, possibilitando a entrada de animais e insetos.
“Quatro trabalhadores dividiam um quarto, onde dormiam em redes. O espaço era tão pequeno que eles não podiam se balançar na rede”, complementa a auditora fiscal do Trabalho Maria Inês. Em outro quarto vivia um casal com dois filhos pequenos. Um cômodo do abrigo, utilizado para armazenar sal destinado ao gado, também servia para um trabalhador dormir. A fiscalização encontrou ainda um dos empregados com febre, dormindo no alpendre, do lado de fora do alojamento. A alimentação se resumia ao tradicional arroz e feijão, mas a fiscalização encontrou carne guardada dentro da banheira utilizada para o banho das crianças. Segundo informações dos trabalhadores, um boi quebrou a perna e o dono teve que sacrificá-lo. A carne foi dada aos trabalhadores para que eles comessem. A água para consumo diário era retirada de um poço destampado e armazenada em recipientes plásticos.
Não havia instalações sanitárias adequadas no local. “Os próprios empregados improvisaram um chuveiro, utilizando um cano que vinha do poço. Porém, a água não chegava até o alojamento. Então, eles tomavam banho do lado de fora”, relata a coordenadora Maria Inês.
O empregador Antônio Fernandes Camilo Filho preferiu seguir as recomendações de seu advogado e não reconheceu o vínculo empregatício com os trabalhadores. “Ele se mostrou muito preocupado, pois já tinha sido autuado anteriormente”, conta a auditora fiscal. Antônio compareceu ao Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Açailândia (MA) para efetuar o pagamento dos trabalhadores, mas não apresentou os documentos pedidos pelos fiscais. “Nós já emitimos as guias para os empregados darem entrada no Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado e eles retornaram para suas casas, localizadas nos arredores de Açailândia”, adiciona Maria Inês.
A operação na Fazenda Lagoinha não teve acompanhamento de integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), mas a coordenadora já terminou o relatório que será encaminhado ao MPT e à Polícia Federal (PF), para que sejam tomadas providências junto às Justiças Comum e do Trabalho.
( REPÓRTER BRASIL, 31.03.09 )
VEJA: REINCIDÊNCIA

"Prender rico" não é moda. "REINCIDÊNCIA" é moda. Fazendeiro reincide em prática escravista. Ô Gilmar, vamos trabalhar aí, hein?

Fazendeiro que está na “lista suja” repete prática criminosa
Grupo móvel de fiscalização encontrou 13 trabalhadores em condições análogas à de escravos na Fazenda Lagoinha. O dono Antônio Fernandes Camilo Filho, que faz parte da atual “lista suja”, não quis reconhecer vínculo
Um grupo de 13 pessoas foi libertado de trabalho análogo à escravidão pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no último dia 12 de março. Os trabalhadores estavam na Fazenda Lagoinha, pertencente à Antônio Fernandes Camilo Filho, que consta na “lista suja” do trabalho escravo, mantida pelo governo federal. Trata-se do cadastro de empregadores flagrados explorando mão-de-obra escrava que passaram por processos administrativos antes de compor a relação.
Antônio Fernandes Camilo Filho foi incluído na “lista suja” em dezembro de 2007 em decorrência de de uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA) ocorrida em março de 2006. Na ocasião, os fiscais libertaram 27 pessoas na mesma propriedade, que fica em Bom Jesus da Lapa (MA). Quem consta do cadastro sofre restrições de créditos federais e fica exposto ao corte de relações comerciais com mais de 190 signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Desta última vez, a fiscalização encontrou empregados trabalhando no “roço de juquira” ( preparação da área para pecuária bovina ) sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI). Eles não tinham registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CPTS) e estavam na área desde 24 de fevereiro de 2009. Segundo Maria Inês Chagas de Almeida, auditora que coordenou a ação, o local onde os trabalhadores estavam era de difícil acesso. Ficou constatado o isolamento geográfico dos empregados.
O alojamento oferecido pelo empregador reincidente era no estilo “palafita”, com frestas de até 4 centímetros no chão e no teto, possibilitando a entrada de animais e insetos.
“Quatro trabalhadores dividiam um quarto, onde dormiam em redes. O espaço era tão pequeno que eles não podiam se balançar na rede”, complementa a auditora fiscal do Trabalho Maria Inês. Em outro quarto vivia um casal com dois filhos pequenos. Um cômodo do abrigo, utilizado para armazenar sal destinado ao gado, também servia para um trabalhador dormir. A fiscalização encontrou ainda um dos empregados com febre, dormindo no alpendre, do lado de fora do alojamento. A alimentação se resumia ao tradicional arroz e feijão, mas a fiscalização encontrou carne guardada dentro da banheira utilizada para o banho das crianças. Segundo informações dos trabalhadores, um boi quebrou a perna e o dono teve que sacrificá-lo. A carne foi dada aos trabalhadores para que eles comessem. A água para consumo diário era retirada de um poço destampado e armazenada em recipientes plásticos.
Não havia instalações sanitárias adequadas no local. “Os próprios empregados improvisaram um chuveiro, utilizando um cano que vinha do poço. Porém, a água não chegava até o alojamento. Então, eles tomavam banho do lado de fora”, relata a coordenadora Maria Inês.
O empregador Antônio Fernandes Camilo Filho preferiu seguir as recomendações de seu advogado e não reconheceu o vínculo empregatício com os trabalhadores. “Ele se mostrou muito preocupado, pois já tinha sido autuado anteriormente”, conta a auditora fiscal. Antônio compareceu ao Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Açailândia (MA) para efetuar o pagamento dos trabalhadores, mas não apresentou os documentos pedidos pelos fiscais. “Nós já emitimos as guias para os empregados darem entrada no Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado e eles retornaram para suas casas, localizadas nos arredores de Açailândia”, adiciona Maria Inês.
A operação na Fazenda Lagoinha não teve acompanhamento de integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), mas a coordenadora já terminou o relatório que será encaminhado ao MPT e à Polícia Federal (PF), para que sejam tomadas providências junto às Justiças Comum e do Trabalho.
( REPÓRTER BRASIL, 31.03.09 )
VEJA: REINCIDÊNCIA

"Prender rico" não é moda. "REINCIDÊNCIA" é moda. Fazendeiro reincide em prática escravista. Ô Gilmar, vamos trabalhar aí, hein?

Fazendeiro que está na “lista suja” repete prática criminosa
Grupo móvel de fiscalização encontrou 13 trabalhadores em condições análogas à de escravos na Fazenda Lagoinha. O dono Antônio Fernandes Camilo Filho, que faz parte da atual “lista suja”, não quis reconhecer vínculo
Um grupo de 13 pessoas foi libertado de trabalho análogo à escravidão pelo grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), no último dia 12 de março. Os trabalhadores estavam na Fazenda Lagoinha, pertencente à Antônio Fernandes Camilo Filho, que consta na “lista suja” do trabalho escravo, mantida pelo governo federal. Trata-se do cadastro de empregadores flagrados explorando mão-de-obra escrava que passaram por processos administrativos antes de compor a relação.
Antônio Fernandes Camilo Filho foi incluído na “lista suja” em dezembro de 2007 em decorrência de de uma fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Maranhão (SRTE/MA) ocorrida em março de 2006. Na ocasião, os fiscais libertaram 27 pessoas na mesma propriedade, que fica em Bom Jesus da Lapa (MA). Quem consta do cadastro sofre restrições de créditos federais e fica exposto ao corte de relações comerciais com mais de 190 signatários do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Desta última vez, a fiscalização encontrou empregados trabalhando no “roço de juquira” ( preparação da área para pecuária bovina ) sem qualquer Equipamento de Proteção Individual (EPI). Eles não tinham registro na Carteira de Trabalho e da Previdência Social (CPTS) e estavam na área desde 24 de fevereiro de 2009. Segundo Maria Inês Chagas de Almeida, auditora que coordenou a ação, o local onde os trabalhadores estavam era de difícil acesso. Ficou constatado o isolamento geográfico dos empregados.
O alojamento oferecido pelo empregador reincidente era no estilo “palafita”, com frestas de até 4 centímetros no chão e no teto, possibilitando a entrada de animais e insetos.
“Quatro trabalhadores dividiam um quarto, onde dormiam em redes. O espaço era tão pequeno que eles não podiam se balançar na rede”, complementa a auditora fiscal do Trabalho Maria Inês. Em outro quarto vivia um casal com dois filhos pequenos. Um cômodo do abrigo, utilizado para armazenar sal destinado ao gado, também servia para um trabalhador dormir. A fiscalização encontrou ainda um dos empregados com febre, dormindo no alpendre, do lado de fora do alojamento. A alimentação se resumia ao tradicional arroz e feijão, mas a fiscalização encontrou carne guardada dentro da banheira utilizada para o banho das crianças. Segundo informações dos trabalhadores, um boi quebrou a perna e o dono teve que sacrificá-lo. A carne foi dada aos trabalhadores para que eles comessem. A água para consumo diário era retirada de um poço destampado e armazenada em recipientes plásticos.
Não havia instalações sanitárias adequadas no local. “Os próprios empregados improvisaram um chuveiro, utilizando um cano que vinha do poço. Porém, a água não chegava até o alojamento. Então, eles tomavam banho do lado de fora”, relata a coordenadora Maria Inês.
O empregador Antônio Fernandes Camilo Filho preferiu seguir as recomendações de seu advogado e não reconheceu o vínculo empregatício com os trabalhadores. “Ele se mostrou muito preocupado, pois já tinha sido autuado anteriormente”, conta a auditora fiscal. Antônio compareceu ao Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Açailândia (MA) para efetuar o pagamento dos trabalhadores, mas não apresentou os documentos pedidos pelos fiscais. “Nós já emitimos as guias para os empregados darem entrada no Seguro Desemprego do Trabalhador Resgatado e eles retornaram para suas casas, localizadas nos arredores de Açailândia”, adiciona Maria Inês.
A operação na Fazenda Lagoinha não teve acompanhamento de integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), mas a coordenadora já terminou o relatório que será encaminhado ao MPT e à Polícia Federal (PF), para que sejam tomadas providências junto às Justiças Comum e do Trabalho.
( REPÓRTER BRASIL, 31.03.09 )
VEJA: REINCIDÊNCIA

setembro 23, 2008

Relatório rastreia cinco culturas que podem gerar combustível

Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da Repórter Brasil avalia projetos de dendê, algodão, pinhão-manso, milho e babaçu. Desmatamento, contaminação e ameaça à soberania alimentar fazem parte dos impactos
Por
Repórter Brasil
Desmatamento na Amazônia e no Cerrado, contaminação por agrotóxicos, ameaça à soberania alimentar de pequenos agricultores e concentração da renda e da terra são alguns dos impactos da expansão de cultivos que podem ser utilizados como fonte de energia no país. O Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) da Repórter Brasil lança, nesta segunda-feira (22), o relatório “O Brasil dos Agrocombustíveis – Palmáceas, Algodão, Milho e Pinhão-Manso – 2008″ (em pdf), que examina os projetos dessas culturas já em funcionamento ou em fase de instalação.
Para a realização deste trabalho, quatro pesquisadores da organização não-governamental (ONG) Repórter Brasil
percorreram 11 Estados brasileiros – Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pará, Amazonas, Maranhão e Tocantins – e um total de 25 mil km. Este é o segundo estudo lançado pelo CMA: em abril deste ano, os impactos da soja e da mamona foram analisados.
Contexto
Passados quatro anos do lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) pelo governo federal, a pesquisa constata que a diversificação de culturas e a ampla participação de pequenos agricultores não se concretizaram. A soja fornece a maior parte do óleo para a produção do biodiesel brasileiro. E o segundo produto mais utilizado para o mesmo fim é o sebo bovino. Os demais cultivos não chegam a participar com mais de 1% cada do volume total da produção nacional.
Já a participação da agricultura familiar no PNPB também se mostra bem menor do que as projeções iniciais das autoridades. No início do projeto, previa-se que 200 mil famílias participariam da produção de agrocombustíveis no Brasil. Hoje, apenas 36,7 mil famílias fazem parte da cadeia do biodiesel.
Dendê
Oleaginosa mais produtiva entre as culturas comerciais utilizadas na produção de biodiesel, o dendê vem impulsionando novos projetos na região amazônica. O relatório avalia três casos: a integração de pequenos produtores pela empresa Agropalma, em Tailândia (PA), que tem pressionado o cultivo de alimentos e acarretado no endividamento dos colonos, impactando negativamente a segurança alimentar e a autonomia das comunidades; a compra de terras pela Biopalma, empresa de capital canadense que tem pressionado comunidades quilombolas da região de Concórdia (PA) e favorecido a concentração fundiária; e o projeto de cessão de terras, por parte do governo estadual do Amazonas, à empresa Braspalma, representante do governo da Malásia, em Tefé (AM), que pode desalojar mais de três mil famílias em decorrência dos desmatamentos para a implantação do projeto.
A expansão do dendê depende especialmente de um projeto de lei que permite a utilização do cultivo na recuperação de reservas legais na Amazônia. Defendida pelos ruralistas e vista com simpatia pelo governo federal, a proposta que tramita no Congresso Nacional não têm apoio de ambientalistas. A modificação no Código Florestal (que exige a preservação de 80% das propriedades na região) desvirtua, segundo eles, a função de proteção da biodiversidade da reserva legal e pode incentivar o desmatamento de áreas intermediárias às terras degradadas, já que a produção da palma de dendê adota o modelo da monocultura.
A adoção do monocultivo também é considerada uma ameaça à biodiversidade da Amazônia, às práticas agroflorestais e à subsistência das comunidades tradicionais. Na Bahia, onde o dendê é praticamente nativo e mantido por famílias, o levantamento verifica os benefícios da cultura para os pequenos agricultores em termos de geração de emprego e renda.
Algodão
Existem hoje no país 24 usinas que podem transformar óleo de algodão em biodiesel. Mesmo assim, ainda é muito pequena a quantidade de combustível produzida com o óleo de algodão. Não apenas porque o preço do caroço subiu demais, mas também porque a indústria de óleos vegetais e fabricantes de ração disputam o caroço no mercado com os produtores de biodiesel.
Entre os impactos verificados estão o desmatamento do Cerrado, a contaminação ambiental decorrente do uso massivo de agrotóxicos e a ocorrência de trabalho escravo. No Mato Grosso, há problemas em pelo menos três áreas de avanço da cotonicultura: “Sapezal/Campos de Júlio”, “Nascentes do Juruena” e “Terra do Papagaio”. No Oeste baiano, São Desidério (BA) é o município com maior área plantada de algodão no país (132,4 mil hectares), e Barreiras mantém o quarto posto, com 48,9 mil hectares. As preocupações no Cerrado baiano se concentram nas bacias dos rios Corrente e Grande, em função do uso irregular dos recursos hídricos, da contaminação por agroquímicos, da grilagem de terras e da concentração fundiária.
Em relação às contaminações por agrotóxicos, teme-se por possíveis conseqüências ao Pantanal, pois 60% das plantações brasileiras de algodão estão no Centro-Oeste. Quanto ao trabalho escravo, nove fazendas de algodão entraram para a “lista suja” desde a criação da mesma, em 2003. Atualmente, cinco continuam no cadastro de infratores, entre elas duas no Mato Grosso (fazendas Brasília, em Alto Graças, e Maringá, em Novo São Joaquim), duas na Bahia (fazendas Guará do Meio, em Correntina, e Correntina, em Jaborandi) e uma no Piauí (fazenda Perímetro Irrigado da Gurguéia, em Alvorada do Gurguéia). No total, 431 trabalhadores foram libertados da condição de escravidão nas áreas algodoeiras.
Pinhão-manso
As iniciativas de produção de combustível a partir do pinhão-manso, por sua vez, são marcadas pela falta de conhecimento sobre o manejo e potencial de geração de óleo em escala. Liberada recentemente para plantio pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a espécie cobiçada pela alta concentração de óleo sequer dispõe de sementes certificadas no mercado.
Objeto de alguns investimentos estrangeiros – a empresa espanhola CIE Automotive apóia empreendimentos, por exemplo, em Minas Gerais e Mato Grosso – o pinhão-manso não tem empolgado muito os assentados integrados com a Biotins, no Tocantins. A baixa produtividade desestimula e até pressiona a segurança alimentar dos pequenos agricultores, que se endividaram para instalar a cultura e para firmar acordo com a empresa.
No Rio Grande do Sul, o cultivo de pinhão-manso recebe investimentos do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), como fonte alternativa de energia. Características favoráveis como a perenidade e a boa adaptação à região contrastam com o déficit de informações sobre o processo de produção. Por enquanto,
a cautela reina entre os pequenos produtores que estão experimentando o cultivo.
Milho
O milho não está sendo utilizado para fins energéticos no Brasil, mas vive um boom. A valorização e o interesse são motivados por profundas transformações no mercado global da commoditie, influenciado em grande medida pelo programa dos EUA de geração de etanol a partir do grão.
No Brasil, este fenômeno tem gerado elevação dos preços do grão e o aumento da área cultivada. As mudanças têm pressionado a liberação de variedades transgênicas, potencialmente contaminadoras de cultivares tradicionais, colocando em risco a manutenção do milho crioulo e pressionado as pequenas criações de aves e suínos, altamente dependentes do milho.
Babaçu
O babaçu é a palmeira nativa com maior volume de pesquisas referentes ao potencial de participação da produção nacional de biodiesel, mas nenhum projeto concreto com foco no produto está em execução. O relatório mostra, contudo, os significativos impactos da valorização do babaçu – cada vez mais demandado pelas siderúrgicas do Maranhão e do Pará para produção de carvão vegetal (essencial para a produção do ferro-gusa a partir do minério de ferro das minas de Carajás) – na vida e na cultura das quebradeiras de coco de babaçu no Maranhão. E prevê ainda que os impactos nessas comunidades devem se agravar caso o produto também passe a ser disputado pelos produtores de combustível.
Leia o relatório “O Brasil dos Agrocombustíveis – Palmáceas, Algodão, Milho e Pinhão-Manso – 2008 (na íntegra, em pdf)”, segundo de uma série de documentos sobre o tema
Clique
aqui e confira o site do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis

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