ENCALHE

maio 24, 2009

"O Lixo Reinaldo Azevedo e seus miquinhos que não pensam", por Chicão Dois Passos. Post demolidor!

O Lixo Reinaldo Azevedo e seus miquinhos que não pensam
Sábado, 23 de Maio de 2009
Não leio o tal Reinaldo Azevedo. Além de ser manipulador, ele não se encaixa no meu conceito de pessoa ética.
Ele tinha uma revista porcaria, que recebia MUITO DINHEIRO da gestão Alckmin. Foi tanto dinheiro que sofreu investigação. É lógico que o dinheiro chegou porque o tal Reinaldo não desgruda do saco do PSDB nem um segundo. O Serra, por exemplo, deve estar até contundido, coitado!
Coincidência ou não, foi secar a fonte do governo do Estado de São Paulo que a revista fechou. Ele descobriu um novo mercado para ganhar dinheiro: falar mal do Lula e do PT.Em 13 de novembro de 2008 escreveu um texto que seus miquinhos insistem em mandar para mim. O texto fala da Petrobras, fala um monte de merda.
Leia você trechos:”A Petrobras anunciou anteontem um lucro fabuloso, vocês sabem: nada menos deR$ 10,852 bilhões no terceiro trimestre… A ação preferencial da Petrobras encerrou com queda de 13,75%, a R$ 20,62. Segundo levantamento da Economática, foi a maior queda da ação em um pregão desde janeiro de 99. O papel ON da estatal caiu13,25%”.
O que o Reinaldo diz é que apesar do lucro da empresa ter subido, as ações cairam muito. A partir daí ele tenta ser dígno do título do texto: “A Petrobras em ritmo de país dos petralhas”.
O sujeito é tão ignorante que NÃO sabe que havia uma grande quantidade de investidores posicionados, prontos para venderem suas ações e realizarem lucros. Especulação pura! Alguém duvida que há muita especulação na Bolsa de Valores?
Ele disse que a Petrobrás é muito mal administrada. Traçou um cenário de horror. Disse que falou com um especialista que disse que era uma tragédia. E por aí vai.
O tal Reinaldo só esqueceu de combinar com o resto do planeta. Se tudo estivesse tão ruim como ele diz, porque as ações da Petrobrás (PETR4) estariam hoje em R$ 32,87?
Observe bem: um AUMENTO de aproximadamente 60%. SESSENTA POR CENTO.
Na certa deve existir um monte de malucos ao redor do mundo dispostos a perder dinheiro com a Petrobrás.
Sim, porque o planeta deve estar errado e o lixo do Reinaldo Azevedo deve estar certo. Pelo menos esta deve ser a opinião dos seus miquinhos que não pensam, que insistem em mandar este texto para as pessoas.
Observe o que o sujeito, amigo do Alckmin e do Serra disse e seus miquinhos repetem: “Também houve aumento do endividamento líquido — R$ 7 bilhões. Aumento de despesas e custos e resultado decepcionante num trimestre em que o preço médio do barril ficou em US$ 100? E como será, então, o quarto, quando a tendência é ficar abaixo de US$60 — fechou ontem pouco acima de US$ 56?”
O elemento não sabe que a Petrobras está investindo MUITO. Está investindo Bilhões de dólares? Que empresa investe sem financiamento? A empresa financia, aumenta a dívida, e depois paga com a renda do seu novo empreendimento.
Alguns dias atrás o Lula inaugurou em Paulínea-SP, uma fábrica da Petrobrás. A empresa investiu 275 milhões de dólares. Ela financiou esta nova fábrica. É tão simples.
A empresa que investe pega financiamento (faz dívida) e depois paga. É assim no mundo inteiro. Mas, para o lixo do autor, isto é um escândalo. Como disse o especialista que ele consultou: é uma “tragédia”.
Os miquinhos que leem os textos dele NÃO RACIOCINAM, então é fácil engana-los.
Leia o texto: Ação da Petrobras lidera sugestões pelo décimo sexto mês consecutivo
O texto diz que das 17 corretoras consultadas, 13 orientam seus clientes a comprarem ações da Petrobras.
O que significa isto: os jornais e revistas conservadores selecionam seus entrevistados. Falou bem da Petrobras, do governo Lula e do PT, nunca mais aparece nestes jornais.
Os miquinhos leem estes jornais e revistas e acreditam piamente no que leem.
Há 16 meses as ações da Petrobras são as mais indicadas, inclusive na época que o lixo Reinaldo Azevedo escreveu seu texto. E também depois que ele escreveu o texto.
Hoje as ações valem 60% a mais. Pessoas, empresas e fundos de todo o planeta compram as ações da Petrobras.
Porque será?
Se você é um miquinho, faça um esforço para não ser mais. Este é o conselho do Blog do Chicão.
Outro lixo que vocês devem tomar cuidado chama-se Mailson da Nóbrega.
Leia o texto:
Juros bancários: os histéricos querem te enganar
Leia também:
Mentiras do José Serra, enganação da mídia conservadora
Imprensa conservadora faz a cabeça até dos analistas dos bancos
Aumento de gastos com o funcionalismo em SP, MG e no Brasil

março 13, 2008

"Veja Q Porcaria" se despede, após perder a concorrência para Reinaldo Azevedo. Leiam a nota de despedida, redigida por José Chrispiniano

Veja q Porcaria – a volta e o (simultâneo) fim
O Veja Q Porcaria? Aquele blog (sic) que “fala mal” da Veja? Caput. Finito. Zéfini. Parrrtiu! E isso já faz tempo. Aqui é só porque cabe ainda acabar o porque. E lançar uma campanha mais urgente, um verdadeiro puxão de orelha pela liberdade da imprensa no Brasil.
O porque do fim do VQP é porque não tem mais porque. Hoje, a concorrência é grassa, grossa, ruge e urge por aí. Não estamos mais em 2002, e analisar a Veja como exemplo de péssimo jornalismo é tão redundante quanto fazer pipi no rio Pinheiros. E qualquer um teria mais a fazer do que ler, levando a sério (?!?) a “maior revista semanal do país” (cuja tiragem equivale a 0,5% da sua população, é bom lembrar para colocar o que parece grande na sua devida proporção). Hoje, quando algo sai na Veja, qualquer pessoa que não seja louca vai analisar a matéria para ver se pode ou não ser levada a sério. Nenhuma revista sofre leitura, ou melhor ainda, não-leitura, tão crítica.
Também posso ficar sossegado por conta de duas figuras de proa e convés, que hoje ocupam o espaço de ridicularizar a Veja de maneira mais eficiente do que eu jamais fui capaz. Em ordem alfabética, para não ser injusto, estou falando de Luis Nassif e Reinaldo Azevedo. O trabalho de ambos é incrível!
Para quem tem idade para se lembrar do Nassif da Folha de S. Paulo nos anos FHC, o Nassif do seu blog nos anos Lula é algo que merece ser chamado de “nunca antes nesse país”. Digo isso sem sacanagem. Acho legal. A entrevista dele na Caros Amigos deste mês é ótima, a análise dele sobre blogs, a emergência da classe D na opinião pública, e como idiotas cada vez mais idiotas se sucedem no comando da revista, se nunca escrevi isso já o disse em muitos botecos. O dossiê dele sobre a revista então, excelente. Vale a pena ler. Aliás, acho que a verdadeira razão desse texto é avisar aos amigos de uma vez só que eu sim, estou acompanhando-o, não precisam mandar indicá-lo mais para mim não… Nassif tem investigado os interesses escusos da revista, além da sua inépcia, que era mais o foco do VQP. Uma obviamente está ligada à outra, e é isso que ele mostra. Dá um google por “Nassif” e “Veja” e leia…
Agora, quem tem mandado bem mesmo em ridicularizar a Veja é Reinaldo Azevedo e seu blog. Essencial. Fantástico o quanto apenas um homem obstinado é capaz de fazer para estigmatizar um veículo de imprensa. Claro o terreno era fértil, adubado. Mas observe, até o Mainardi ficou pequeno após o incrível, educado, polido, roliço, democrático, investigativo, nada conspiratório, prolixo ou egocêntrico blog do Reinaldo Azevedo. Leitura obrigatória para aqueles que querem entender a realidade por meio do método da psicologia reversa aplicado ao pseudo-jornalismo. Basta usar a fórmula matemática de inverter os sinais e dividir pela metade tudo que ele diz que você vai ter uma opinião razoável e equilibrada sobre qualquer assunto.
Agora, respire fundo, que o período é longo, sisudo, mas vamos lá: ao agrupar toda a natureza raivosa e alucinada do mais tosco conservadorismo em um só lugar, e ainda agregar seguidores em torno dele, Azevedo faz o favor de explicitar a dimensão da merda alucinada do conservadorismo a brasileira, em tempo real, o que antes era uma mera hipótese. Lovely!
Gente, o cara ainda é trotskista e está comendo o sistema por dentro, não entenderam? Afinal, só pode ser como piada que alguém defenda a guerra do Iraque e o W. Bush hoje em dia ( desculpe Kamel, eu sei que você fala sério, mas é verdade).
Pena que Azevedo jamais terá o reconhecimento que de fato merece. A vida tem dessas mesmo. A direita brasileira jamais vai agradecer a esquerda por essa ter impedido que a paridade do real com o dólar fosse parar na Constituição, como na Argentina, o que faria ainda mais desastrosa a crise de 1999. Ou a privatização completa da Petrobras, o que faria a descoberta de Tupi quase indiferente para o país. E Lula jamais vai agradecer a imprensa que derrubou (na realidade, eles se derrubaram…) Antonio Palocci, José Dirceu e Luiz Gushiken. Com a substituição deles, o governo melhorou muito. É, as vezes ajudamos alguém ao tentar prejudicá-lo e vice-versa.
Mas já estou desviando do assunto, e ainda tem um relacionado a Veja que me incomoda. Desde que soube disso, ocupa a minha cabeça…
Uma questão importante, não abordada e fundamental para a liberdade do exercício do jornalismo no Brasil contemporâneo. O problema é sério.
OS JORNALISTAS DA VEJA NÃO PODEM USAR BRINCOS NA REDAÇÃO.
Verdade. Estamos no século XXI, os valores ocidentais da liberdade em permanente ameaça jihadista, e os jornalistas homens da Veja estão privados de se expressarem na redação pendurando adereços decorativos nas suas orelhas, mesmo que discretos. Incompreensível. Observe, eu entenderia, sem concordar, que não permitissem o uso de brincos ou algo aberrante durante uma entrevista com um chefe de estado conservador, ou em um país onde não fosse costume, mas proibir o uso da jóia no ambiente próprio da redação? Quem liga para isso?
É uma hipocrisia. Fala-se de liberalismo e ataca-se a obrigatoriedade do véu, e não liberam um mero brinquinho…
É uma injustiça. Defende-se a guerra do Iraque, publicam baboseiras e não se pede desculpas, quer para o Brasil a política externa e comercial do México, de tratados de livre comércio com os Estados Unidos. Esta fracassa e a brazuca dá certo e não se dá uma nota. Diz que o final de Fidel Castro é decadente ( sem dizer o mesmo do Bush ) só porque ele enfim, ficou velho, doente e vai morrer como absolutamente qualquer um ( pensando bem, acho que era um elogio, pensavam que era imortal?).
Inventam um furo mundial de 40 anos com a tese de que Che Guevara era apenas um psicopata. E nenhuma gratidão?
É isso gente, os jornalistas da Veja, que tantas fazem quando tantas fezes, apesar de tudo são obrigados a tirarem seus brincos no hall do edifício Abril. Será que nada vale aquela noite em que, corajosamente, após todas as redações evacuarem o prédio, fecharam a revista sob o risco de caírem no buracão das obras do Metrô? Fezes, evacuarem, buracão…este meu texto está um pouco gráfico demais…
Mas é impossível não pensar na importância da iniciativa privada ao falar da Veja. E claro, também da descarga.
O que será que existe em um brinco, talvez dois, de tão subversivo? Seria algo simbólico de uma coisa maior? Que neste gesto se encerra algo a mais sobre liberdade de escolha, de opções? Hoje um brinco, quem sabe amanhã pensam e escrevem por si mesmo, tomam outros rumos nas suas vidas ou até questionam as virtudes literárias e jornalísticas do Mario Sabino, e empresariais do doutor Roberto e seus Civita?
Assim não pode continuar!
Por isso, o VQP parte definitivamente dessa para muito melhor, deixando esta importante campanha: liberdade para as orelhas dos jornalistas da Veja! Porque liberdade de expressão já é pedir demais…
Grato pela atenção dispensada em todas as encarnações do boletim,
José Chrispiniano

março 10, 2008

“Fascista sem máscara” na Internet

Escrito por Altamiro Borges
Correio da Cidadania
05-Mar-2008

A disputa deste ano do Prêmio iBest – baseado no voto direto dos internautas e considerado por muitos como “o Oscar da internet brasileira” – revela que a sociedade também está dividida entre a esquerda e a direita no ciberespaço. Nos primeiros lugares na categoria de “cidadania-política” encontram-se três sites identificados com as idéias progressistas: Conversa Afiada, Vermelho e PT. Mas já na quarta colocação, com estreita diferença, está a página de ultradireita “Mídia Sem Máscara”. Isto não significa que o site seja “cachorro morto”, até porque a votação vai até maio e ele já levou o prêmio no ano passado, quando os critérios do iBest eram bem mais restritivos.

Alucinações do “filósofo”
Para quem tiver estômago, vale a pena conhecer as teses ultra-reacionárias do site, que é editado pelo “filósofo” Olavo de Carvalho. Já na apresentação da página, o fascistóide escancara a sua esquizofrenia. “Mídia Sem Máscara é um website destinado a publicar idéias e notícias que são sistematicamente escondidas, desprezadas e distorcidas em virtude do viés esquerdista da grande mídia brasileira”. Para este lunático, que teme o perigo comunista até na sombra, a revista Veja, os jornais Folha e Estadão e a TV Globo dão espaço em demasia para a “manipulação esquerdista”. Olavo de Carvalho gostaria que estes veículos, que já são direitistas, pregassem abertamente um novo golpe militar, novas prisões e torturas e o retorno à ditadura, e bradassem “Heil, Hitler!”.
Ridicularizado até por setores conservadores mais hábeis e sutis, ele se ressente do isolamento. “No Brasil, os poucos que tentam enfrentar essa situação são vítimas do ódio, da covardia e da mesquinhez de expedientes a que homens poderosos têm recorrido para nos calar. A má vontade surda e cega – quando não a ironia e a chacota – que os indiferentes e alienados opõem são indescritíveis. O que torna as coisas ainda mais difíceis é que nos últimos anos o estímulo geral à expressão de crenças esquerdistas encorajou todos os analfabetos do país”, resmunga num linguajar preconceituoso. Mas o fundamentalista é bem persistente: “Pouco nos importa a desproporção de forças. Quando os grandes se acovardam, os pequenos têm de dar o exemplo”.
“Minha defesa no Juízo Final”
Olavo de Carvalho, que hoje reside em Richmond (EUA), é mesmo um egocêntrico e se acha um enviado de Deus no combate às idéias “diabólicas” da esquerda. Em entrevista recente à Revista Atlântico, ele se jacta de ser um estudioso da “mente revolucionária”. Atormentado, alerta: “A esquerda assume cada vez mais orgulhosamente a sua identidade, ao mesmo tempo em que sua influência política se torna cada vez mais dominante. A direita, por seu lado, se encolhe numa timidez abjeta, negando a sua própria existência… Se eu conseguir lançar toda a claridade que pretendo, creio que terei feito alguma coisa de útil, pelo menos para dar a Nosso Senhor Jesus Cristo um pretexto que ele possa alegar em minha defesa no Juízo Final”.
Na mesma entrevista, ele elogia a sangrenta ditadura salazarista em Portugal. “O salazarismo foi uma estranha mistura de conservadorismo cristão com elementos extraídos do fascismo… Não tenho a menor dúvida de que Antonio de Oliveira Salazar foi um homem honesto e um grande administrador”. Também critica a democracia liberal e prega abertamente a ditadura fascista. “O liberalismo acredita que a liberdade é um princípio fundante da política, mas a liberdade é apenas uma regra formal que, elevada à condição de princípio, resulta no esvaziamento relativista de todos os valores, fomentando a mutação revolucionária e a extinção da própria liberdade”. Típico neocon do falido governo George Bush, Olavo de Carvalho defende os conservadores dos EUA.
“Mandei seu jornal à merda”
“Mídia Sem Máscara” expressa de forma grotesca este pensamento reacionário e doentio. Olavo de Carvalho e seus fiéis seguidores têm ódio do governo Lula. O site afirma, de maneira risível, que o atual presidente é um dos líderes do movimento comunista internacional. A prova seria a presença no Fóro São Paulo, que reúne partidos progressistas da América Latina. O tratamento dado ao governo é dos mais desqualificados, com acusações rastaqüeras contra os familiares do presidente, tentativas de ligá-lo ao terrorismo e ao narcotráfico e outras baixarias do gênero. O site não poupa nem os partidos do bloco liberal-conservador, que seriam frouxos na oposição.
“O PFL adaptou-se às circunstâncias, aceitou a condição de mero coadjuvante da esquerda light e mudou de nome para ficar parecido com o Partido Democrata americano, partido preferido de Hugo Chávez e Fidel Castro”. Indignado, Olavo de Carvalho acusa a direita de ter adotado “o programa esquerdista em todos os pontos, como o gayzismo, o abortismo, as cotas raciais e o anti-cristianismo militante”. As maluquices já lhe custaram o emprego no jornal gaúcho Zero Hora. Encerrada a eleição de 2006, este veículo de direita se livrou do seu pitbull. Magoado, Olavo de Carvalho esbanjou a sua filosofia após receber a carta de dispensa. “Ilustre editor, já mandei seu jornal à merda. Sua cartinha é desnecessária, assim como seu dinheiro”.
“Mídia Sem Máscara” ataca tudo o que há de progressista no país. Sua ira contra os movimentos sociais chega a ser ilegal, um atentado à democracia. Um artigo recente afirma que “o MST está mais para organização terrorista do que propriamente para o que se convencionou chamar de ‘movimento social’; ou um é sinônimo do outro… Para quem desconhece, é bom ressaltar que o MST e agregados (Via Campesina, MLST e outros) não são organizações comunistas nacionais. Estão vinculados e recebem dinheiro de organismos e associações internacionais, em especial da Venezuela, China… Para não falar nos bilhões de reais repassados ao ‘movimento’ pelo próprio governo que, a pretexto de assentar os ‘sem terra’, os abastece de afagos, comida e salário”.
“Chávez é um artefato de Lula e Fidel”
O reacionarismo também é patente nas análises internacionais, inclusive na tradução de notórios fascistas do mundo todo. Nos últimos dias, o site postou o “Réquiem para um assassino”, fazendo coro com os gusanos (vermes) contrários a Fidel Castro. Num artigo mentiroso e infame, Graça Salgueiro atacou todos os que apóiam a revolução cubana. “O anúncio do ditador Fidel Castro de que estaria se afastando do poder da ilha-cárcere provocou enorme comoção nos que defendem com unhas, dentes, lágrimas nos olhos e voz embargada a maior miséria humana do século XX, embora não se tenha notícia de que nenhum dos defensores do genocídio castrista tenham fugido do seu país para viver no ‘paraíso caribenho’. Que o digam os comunas que vivem como burgueses: Chico Buarque em Paris e o caquético Niemayer numa cobertura em Copacabana”.
Outro alvo constante dos ataques histéricos do site é Hugo Chávez, a encarnação do satanás na Terra. Ipojuca Pontes, ex-secretário de cultura de Collor de Mello, garante que o presidente da Venezuela é “uma crescente ameaça à estabilidade democrática no continente; um vendaval de poeira tóxica que convém a todo custo neutralizar… Chávez interfere na vida política dos países vizinhos, apóia o terrorismo narcotraficante das FARC, insulta líderes políticos que não rezam pela sua cartilha, abastece com dólares e petróleo a ditadura de Fidel Castro, contrabandeia armas…”. Ipojuca prega indiretamente a intervenção militar dos EUA na região e revela toda sua paranóia. “Se a CIA dedicasse o mínimo de atenção aos encontros periódicos em que o Foro de São Paulo trama a implantação do comunismo no Cone Sul, veria que Hugo Chávez não passa de artefato nas mãos de Lula e Fidel Castro para desempenhar o papel de ‘aríete da revolução socialista’”.
“Não Existe”
Como se observa, “Mídia Sem Máscara” é a expressão caricatural do que há de mais reacionário na sociedade brasileira. O sociólogo Emir Sader, outro que é sempre atacado nas páginas do site, ironiza ao dizer que “Olavo de Carvalho não existe”. Seria fruto de uma invenção. Segundo boatos, “esse infamante personagem trabalha financiado por uma rica empresa que explora o polpudo mercado do ensino privado… Os espaços que ele tem em jornais e revistas são comprados, fazendo parte dos custosos contratos de publicidade que a ‘universidade’ faz nos meios de comunicação”.
Sader conclui: “Todo país tem um pensador de extrema direita. Mas no Brasil inventaram este grotesco personagem, deram-lhe um tom improvável, ridículo, ignorante e o expõe à execração pública, personagem que a esquerda goza ou, pior, desconhece, diante dos patéticos apelos para polemizar, que ninguém aceita e o deixa na sua solidão exposto ao escárnio”. Os comentários de Emir Sader, como sempre, são consistentes. Mas, diante da boa colocação do site “Mídia Sem Máscara”, que revela que suas idéias ainda têm público, não custa alertar aos internautas sobre a importância da votação no prêmio iBest. É preciso derrotar os “fascistas sem máscaras” no país.

Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB e autor do livro “As encruzilhadas do sindicalismo” ( Editora Anita Garibaldi )

março 7, 2008

Para Nassif, ’Veja’ está num processo de deterioração moral

NOVAE
Por trás da escalada “neocon” da revista Veja, há uma trama que envolve dossiês falsos — “os planos Cohen da vida” —, lobbies com políticos e empresários, “assassinatos de reputações”, manipulações e outros desprezos à lei. Em entrevista ao Vermelho, reproduzida na NovaE, Luis Nassif revela como e por que resolveu desmascarar a farsa, através do “dossiê Veja”, publicado em capítulos no blog Luis Nassif Online.
Por André Cintra e Priscila Lobregatte, do www.vermelho.org.br
Luis Nassif: dossiê anti-Veja Diz a série: o conservadorismo da maior revista semanal do Brasil ganhou ainda mais ênfase com a ascensão de Eurípedes Alcântara e Mario Sabino aos cargos, respectivamente, de diretor de Redação e redator-chefe. Com eles no comando, também tiveram projeção o editor especial Lauro Jardim, da seção “Radar”, e o colunista Diogo Mainardi. Estava formado o “quarteto de Veja”, responsável — segundo Nassif — pelo “maior fenômeno de antijornalismo dos últimos anos”.
O dossiê conta os bastidores e as evidências desse processo. Mostra as relações promíscuas entre Eurípides e o banqueiro Daniel Dantas, o clima bélico injetado por Veja contra jornalistas de outros veículos, a campanha ostensiva e golpista contra o governo do presidente Lula, entre outros descalabros. A repercussão é estrondosa. Da página de Nassif na internet, a série já é reproduzida em mais de 800 blogs.
Para Nassif, enfrentar a Veja é lutar em defesa do jornalismo. Mas o dossiê só tem êxito, segundo ele, porque a internet começou a democratizar a comunicação no Brasil, permitindo denúncias de abusos, além de contrapontos fora da grande mídia. E Nassif acredita que uma outra entrevista sua ao Vermelho, concedida em 2006, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, “foi a primeira que rompeu com essa cortina de silêncio”.
Você já escreveu um livro (O Jornalismo dos Anos 90) para tentar explicar mudanças paradigmáticas da imprensa na última década. Após as eleições 2006, soltou o artigo “A longa noite de São Bartolomeu”, que é quase um apêndice do livro, com um resumo e atualizações a respeito dessas transformações. O que houve nesse período? Como e por que a grande mídia mudou?
O livro terminava relativamente otimista. Eu achava que, com o avanço do discernimento por parte dos leitores, a imprensa seria mais seletiva e mais rigorosa na apuração de notícias. Mas nos anos 90 e nesta década entre 2000 e 2010, ao menos até agora, ocorreu uma confluência de fatores que piorou muito o ambiente midiático.
Tivemos, de um lado, a crise das empresas jornalísticas, que cometeram o que chamamos de ato de fraqueza como forma de não só saírem da crise como também de enfrentarem um outro cenário adverso que viria pela frente.
Cederam à mídia internacional, com grandes grupos entrando e um novo padrão sendo introduzido — e nossos homens da mídia eram sempre acostumados com um ambiente fechado, sem uma visão estratégica para sobreviver num ambiente de competição.
Isso levou a um pacto de autodefesa entre esses grupos, porque eles precisariam fazer parcerias também com grandes investidores. É aí que aparece a figura dos banqueiros dos anos 90, alguns bem barra-pesada, que passam a ser uma das bóias de salvação da mídia. E aí você vende a alma.
Quando você vende a alma e tem essa falta de critério jornalístico em algumas publicações, você dá tanto poder para seus diretores que eles saem do próprio controle da organização.
Nessa série da Veja que estou fazendo, há muitos episódios que não têm Abril no meio. A Abril perdeu o controle. A comparação que faria é a de uma empresa que usa o caixa 2 e sistemas não-formais para poder conseguir negócios — e que perde o controle de quem está fazendo as coisas. Na Veja, você tem matérias que são muito estranhas. Você olha e diz: que justificativa tem para isso? É a Abril que está pedindo isso? São os diretores?
Você está nos dizendo que a “hierarquia militar” da Abril foi violada? Ou o Roberto Civita (presidente da Editora Abril) poderia intervir e não interveio?
O Roberto Civita foi alvo, em momentos passados, de ataques pessoais pesados. E aí vem um pessoal pistoleiro de reputação e oferece a chance de fazer com eles o que antes fizeram com o Civita. E então ele libera esses mastins para sair atacando todo mundo. O que acontece? Ele não é um cara ideológico. Esse negócio de dizer que os sócios sul-africanos é que estão levando a essa posição da Veja é mentira.
O Civita é um sujeito que se guia pelo mercado e que se baseia muito no que acontece nos Estados Unidos. E nos Estados Unidos tem início esse movimento neocon, de agressividade na linguagem. Ele pensou: “Vamos trazer isso para cá”. E entregou essa função para as piores mãos possíveis — um pessoal jornalisticamente incompetente e inescrupuloso no trato da informação. Começaram a radicalização, a grosseria, os ataques contra todo mundo e os beneficiamentos pessoais. O que aconteceu com o livro do Mário Sabino? Ele usou todo o ferramental disponível inclusive para mudar critérios dos livros mais vendidos e, assim, se beneficiar. Isso aí não é coisa da Abril. É inacreditável um negócio desses.
Se essa série tivesse saído no ano passado, o que eles alegariam? São os inimigos políticos da Veja, são os chapas-brancas E atrás desse discurso, dessa blindagem, eles faziam tudo. A qualquer crítica que surgisse, eles diziam: “Ah, são os chapas-brancas”. O Diogo Mainardi foi usado pelo Mário Sabino, é um doente. Foi utilizado para isso: se alguém chegar perto, cria a marca “é da equipe do governo”, “é chapa-branca”. Com isso, você libera a direção para fazer o que desse na telha.
Foi o que fizeram com o Franklin Martins, com a Tereza Cruvinel…
Você pega o Franklin Martins. Eles conseguiram jogar nos braços do governo o melhor jornalista político do país: “Ah, agora está provado que o Franklin era governista”. Provado coisa nenhuma! O Franklin ficou fora do mercado e foi trabalhar no governo. A Tereza Cruvinel era uma das melhores colunistas que havia. Começaram com esses ataques baixos, desqualificadores, e ela foi trabalhar no governo. A questão toda não é somente os ataques, mas a maneira como os jornais reagiram a isso. No Globo, o (diretor-executivo de jornalismo) Ali Kamel fechou com eles. O que o Ali Kamel fez com o Franklin quando foi atacado? Rompeu contrato com ele.
Isso foi uma deslealdade que intimidou todos os demais colunistas do O Globo. Na Folha, o Otavinho (Otávio Frias Filho, diretor de Redação) não saiu em defesa quando seus colunistas foram atacados. Não digo nem a mim — mas ao Kennedy Alencar, ao Marcelo Coelho e a outros. Isso criou uma insegurança geral nos colunistas. Nos anos 90, havia diversidade jornalística dada por eles.
Quando se cria essa guerra e essa unanimidade para derrubar o Lula — e se permite que os seus jornalistas sejam atacados —, você induz todos eles a fazerem discurso único por uma questão de sobrevivência profissional. Eu pulei fora.
Nos anos 50, havia um jornalismo bastante carregado de opiniões. Isso voltou tal como era antes ou você vê diferenças?
Voltou com tudo, inclusive com os planos Cohen da vida. Toda aquela manipulação, inclusive dossiês falsos, passou a ser usada. Isso é uma loucura! Estamos na era da internet, da comunicação, e a Veja passa a usar dossiês falsos, passa a misturar a notícia com fantasia. Aquele negócio de dólares de Cuba é um exemplo. A qualidade da notícia deveria ser melhor até por uma questão de cautela. Se hoje não há mais aquele controle da informação que se tinha antes, você não pode se dar à imprudência de sair inventando história, porque vai ser desmascarado.
Há um capítulo do dossiê em que você diz que, a cada sucessão no comando da Veja, entram jornalistas cada vez mais desqualificados e incompetentes…
É. A Veja está num processo de deterioração moral. Recebo vários e-mails de jornalistas que trabalharam lá, e há um que fala que, a cada edição, morria de medo de involuntariamente fuzilar alguma reputação. Porque eles pegam as matérias e alteram tudo. Existem vários exemplos de jornalistas que faziam parte de um grande veículo e que, agora, têm seus sites e blogs, estão “nadando contra a corrente”.
Temos o Paulo Henrique Amorim e o Luiz Carlos Azenha, que eram da Globo. Há você, que saiu da Folha. A internet virou uma válvula de escape? Vou falar da minha experiência. Na Folha, sempre procurei jogar no contrafluxo. Um exemplo foi a Escola Base.
Esse negócio de não seguir a manada, para mim, sempre foi um oxigênio. Qualquer forma de restrição ao pensamento, para mim, é um terror. E a restrição ao pensamento pode vir da empresa, pode vir do governo ou pode vir do leitor. Ao longo dos anos 90, um grande fator de restrição à imprensa foram essas pesquisas de opinião.
Os jornais criavam um escândalo, o leitor queria mais daquele escândalo, e o jornal ficava prisioneiro daquela opinião do leitor que ele mesmo tinha criado. Era um círculo vicioso. O que aconteceu nos últimos anos foi que você não podia mais jogar no contrafluxo por conta dessa frente que se formou contra o governo. Uma das características do jornalismo é que a capacidade que você tem de fazer um elogio é que te garante credibilidade e a eficiência quando você faz a crítica. Se for sistematicamente a favor ou sistematicamente contra, não se faz jornalismo.
Só que quando, começou aquela campanha maluca contra o Lula, você tinha que ficar sistematicamente contra. Tinha denúncia verdadeira? Tinha. Mas também havia denúncias falsas.
O jornalismo coerente tinha que separar o falso do verdadeiro. Só que o patrulhamento foi um negócio tão intenso — e essa frente da mídia foi tão emburrecedora — que acabou essa diferenciação. Quando fomos para a internet, o público que estava lá era o público dos jornais. Mas a internet também é uma armadilha; você tem que tomar cuidado para não ficar prisioneiro dela também. Meu público é 80% a favor do Lula. Mas, se você cede a esse público, você perde a liberdade.
Que pressões você sofreu na Folha?
Ali foram desgastes internos, que já vinha há algum tempo. Quando entrou a “guerra santa” e eu comecei a fazer o contraponto, gerei insatisfação e não teve jeito.
Existe na blogosfera um “ativismo jornalístico” cujos principais nomes seriam o seu, o do Paulo Henrique Amorim?
Isso aí é malandragem desse pessoal da Veja. Quando a Veja resolveu montar a blindagem para a revista, o álibi encontrado contra as críticas foi dizer que se formou uma frente contra ela. Quando comecei minha série, o Paulo Henrique ligou me apoiando. E eu falei: “Não me apóia”. Daí, quando eu lancei o primeiro capítulo, ele fez um carnaval lá, e eu publiquei uma coluna até deselegante com ele, mas não tive outro jeito. Falei que não tenho nada a ver com Paulo Henrique — só para deixar bem claro que não havia essa ligação. Você pega esses blogs da Veja e tem lá: “Porque o iG tem o Paulo Henrique, o Mino, o Nassif…”. Isso é malandragem. Qualquer crítica que você faz, eles dizem: “Você está fazendo a crítica porque existe uma frente”. Então a maior precaução que eu tomei quando comecei a escrever foi deixar bem claro que não havia essa ligação.
Trabalhei com o Paulo Henrique há alguns anos e, nos últimos dois ou três anos, encontrei com ele em uma ou outra palestra. Não tenho intimidade com ele, nem ele comigo. Fazemos tipos diferentes de jornalismo. Esse negócio de frente foi malandragem da Veja. A discussão que quero ter é jornalística.
A Veja tem o direito de ser de direita ou de esquerda — quem define é o dono. Não tenho a pretensão de achar que tenha que haver uma assembléia de jornalistas definindo isso. O jornalista, quando quer ter opinião, vem para a internet. Minha crítica é que a Veja não obedeceu aos princípios jornalísticos. Manipulou, jogou, assassinou reputações, atropelou a lei.
Quando foi entrevistado por nós, em outubro de 2006, você já dava indícios de que havia esses problemas na Veja, mas apenas passava de raspão. Falava nos superpoderes do Eurípedes, comentou também da relação entre a revista e o Daniel Dantas. Por que você resolveu abrir a tampa e ir a fundo só agora, chegando ao dossiê?
Olha, eu teria assunto para mais uns 15 dossiês, se eu tivesse tempo. O meu método de trabalho é um pouco diferente do da Veja. Quando, lá atrás, sofri o ataque da Veja, fui procurar entender o que estava por trás daquilo. Estava na cara que era o Mainardi atuando na defesa do Daniel Dantas, mas não estavam claras as ligações e quem era quem no jogo. Passei esse período todo tentando entender.
Depois que você coloca as peças no lugar, basta pegar todas as matérias que estão lá e ir encaixando. Há uns oito meses, comecei a dar uns cutucões na Veja e o blog desse rapaz ficou oito meses me atacando, dizendo que eu era ladrão. Dizia coisas inacreditáveis. Sabe aquela coisa de você encontrar o cara de madrugada, bêbado, e ele vem xingar sua mãe, seu pai (risos). Depois que você fecha a lógica, é só encaixar as matérias.
Você levanta quatro nomes à frente dessa linha na Veja – Eurípedes, Sabino, Jardim e Mainardi. Por que o Reinaldo Azevedo, outro radical, não entra nessa lista?
O Azevedo é menor. Você tem o Mário Sabino, certo? E o Reinaldo Azevedo é um Sabininho. Pegue o último capítulo da série que foi publicado, sobre os livros — que tem o Azevedo escrevendo resenha. Aquilo lá é só Sabino. Você pega o texto do Azevedo, pega um professor de literatura, e compara. São as impressões e as marcas do Sabino.
O que o Mario Sabino faz na Veja? Ele tem dois ou três ali que ele usa para atacar: o Sérgio Martins, o Jerônimo Teixeira, por exemplo. Ele altera os textos deles. No caso do Reinaldo, o Sabino dá o texto pronto. O Reinaldo é apenas uma caricatura. E isso é importante porque, sendo uma caricatura, ele deixa mais à mostra o que é esse jogo. Outro dia, ele escreveu sobre o Obama (Barack Obama, pré-candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos), descendo o cacete, e de repente a Veja sai com uma visão diferente. Ele entrou em pânico, porque ele não representa nada. Como caricatura, todos os defeitos da Veja ficam mais evidentes com ele. Mas ele é apenas um Sabininho.
E quem é Daniel Dantas? Como ele aparece na história?
Nos anos 90, você teve o avanço dessas colunas de negócios, que passaram a ser utilizadas como ferramentas de lobbies empresariais. Não estou generalizando. Isso começa a ficar muito pesado mesmo nos anos 90, e esses lobistas maiores passam a recorrer aos serviços de assessorias de imprensa barras-pesadas. Com o tempo, eles passam a entrar direto com seus jornalistas.
A IstoÉ é um caso clássico de uso de jornalistas para jogadas comerciais. Só que quando se chega na maior revista do país, quando se atinge e coopta o seu centro, aí é demais. O Daniel Dantas é o maior exemplo de como degringolou política no país.
No dia em que ele contar suas histórias, não sobrarão grandes próceres tucanos e não sobrarão grandes figuras petistas também, nem jornalistas expressivos, Poder Judiciário. Ele conseguiu montar uma rede de influência inacreditável. Nos Estados Unidos, talvez no século passado houve esses abusos — mas a sociedade americana criou formas de autodefesa. Aqui não. Aqui se fecha em torno dos novos homens do dinheiro. Esse é um grande mal que o Fernando Henrique deixou para o país, um mal que vai ter — aliás, já está tendo — desdobramentos terríveis. E com a mídia se dispondo a fechar com eles, você tem uma parte relevante dos poderes institucionais que vão pro vinagre.
A mídia é muito poderosa, cria mitos inacreditáveis. O Mainardi é um exemplo. Começou-se a criar um mito de que ele seria o novo Paulo Francis. Mas quando você vê as coisas que ele escreve… E não estou entrando em juízo de valor, mas em juízo de qualidade. De repente, você o transforma num personagem. E, nesses grupos de autodefesa, você tem o Sabino elogiando o Ali Kamel, que elogia o Mainardi, etc. Ou seja, cria-se dentro da imprensa um negócio fora das estruturas de controle dos jornais, grupos de autopromoção que são uma coisa mafiosa. Destrói-se pessoa que não seja do grupo e passa-se a tentar criar reputações intelectuais. Foi o que o Sabino faz na Veja, com essas manipulações com relação ao livro dele.
Ele escreve e assina sobre o Otavinho, sobre o Ali Kamel. Mas, na hora de tentar destruir o Davi Arrigucci, o Silviano Santiago (críticos literários e professores acadêmicos), ele coloca outros para assinar. Tentaram destruir o (também crítico José Miguel) Wisnik, o Santiago, o Arrigucci. E quem são as novas personalidades intelectuais que surgem? Ali Kamel, Mário Sabino, Mainardi. É inacreditável! Mainardi! Duas das maiores organizações do país — Abril e Globo — passaram a ser manipuladas por três ou quatro pessoas, criando esses mitos. É uma loucura.
Então você tinha uma clara dimensão de onde estava se metendo quando iniciou o dossiê?
Quando entrei, me preparei para o pior. Vamos pegar um exemplo. Há oito meses, esse rapaz (Reinaldo Azevedo) me ataca. Há oito meses, o Reinaldo escrevia baixaria contra os professores da USP. Dava no Jornal Nacional e dava na Veja. Aí percebi que, quando começasse a série, eles usariam esse cara para me fazer ataques. Minha reputação continua a mesma. Estava até esperando coisa pior, que deve vir ainda.
Mas usei esses oito meses para preparar minha família. Dizia: “Olha, vão lendo isso aqui. Essa baixaria vai estar ampliada quando eu começar a cutucar esse pessoal”. Minha preocupação maior era com os meus familiares.
Cada vez que minha mulher ficava mais horrorizada com os ataques, eu dizia: “Maravilha — estão se enforcando na própria corda”. Desse pessoal, eu esperava tudo. Acho que a Abril está um pouco mais cuidadosa do que eles. Mas, se dependesse deles, estariam falando da minha mãe, das minhas filhas. Eles não têm limites. Por outro lado, para mim era terrível, como jornalista, essa história de ver um grupo que conseguia ficar incólume com superpoderes para injúrias e difamações.
No jornalismo, em qualquer lugar democrático, toda vez que você vê manifestações de superpoder, ou essa arrogância, é um desafio para a gente. Mas ninguém queria desafiar por que? Porque os jornais foram covardes na hora de defender os seus profissionais. Não tem nenhum jornalista neste país que respeite o jornalismo da Veja. Eles temem. Temem porque a Veja tem autorização para atirar em cima deles, e seus jornais não vão defendê-los. Foi o que aconteceu comigo na Folha. Quando eu saí de lá, eu falei: “Bom, agora estou por minha conta”. Esperei um tempo para o blog pegar e para a radicalização política diminuir, e aí comecei. Vamos ver no que vai dar.
Se bem que, logo depois do artigo do Leonardo Attuch contra você (“Nassif: o fracasso lhe subiu à cabeça”), o Otavinho deu uma declaração a seu favor…
Esse negócio de que fui demitido da Folha porque eu recebia propina — o blog deles estava há oito meses falando sobre isso. Os meus leitores vinham e diziam: “Você não vai responder?”. Não. Se responder, você vai dar munição para um cara desqualificado. Você vai desviar toda a discussão para se defender de maluquices.
O Attuch é conhecido. A Veja, no começo, o atacava — até que fizeram um acordo. Quando veio o ataque do Attuch, foi bom, porque aí o Comunique-se e a Imprensa procuraram o Otávio Frias Filho, e ele esclareceu tudo. Agora, você vê: foram oito meses em que os caras ficaram falando isso aí no portal da Veja, que é maior revista do país. Quer dizer, será que não tem nada de errado com a mídia? Se isso não for uma deformação completa, eu não sei o que é.
Sobre a Globo…
A Globo não tem a mesma baixaria da Veja. A Globo é Ali Kamel.
Mas tem essa questão da superexploração da febre amarela, das crises…
Isso é coisa do Ali Kamel. O jornal O Globo caminhava para ser o melhor do país. Aí entrou o Ali Kamel com essas maluquices dele: o caso da TAM, da febre amarela, apagão, atletas cubanos, etc. O Globo tinha tudo para ocupar o espaço que a Folha deixou e foi comprometido pelo Ali Kamel.
Essa situação tem a ver com a questão da concentração da mídia?
Tem tudo a ver, mas a internet já está democratizando a mídia. Eu recebi aqui alguns e-mails que falam do Mário Sabino brigando com a Folha. A característica desse pessoal é que são todos puxa-sacos. Eles elogiam suas empresas de um tal jeito… Qualquer ser humano com um mínimo de pudor teria vergonha. Faz parte desse perfil. E é interessante quando você pega o Sabininho. Como ele é caricatura, fica ele todo dia falando do Victor Civita (fundador da Editora Abril), comovido. É inacreditável. Fico vermelho por eles. Aí tinha o Kamel mandando carta toda semana para a Folha, para atacar a Folha e defender O Globo. A Folha era o grande agente de tensão e exerceu um papel de equilíbrio muito importante. Num determinado momento, a Folha deixa de exercer esse papel, e cria-se um pacto tácito entre os jornais. E eles acham que, com esse pacto fechando a atuação deles, nada do que não quisessem viraria notícia. Não se deram conta do fenômeno da internet. Esse foi o grande engano. Aquela entrevista que a gente fez, acho que foi a primeira que rompeu com essa cortina de silêncio. Isso é resultado do fenômeno da internet.
Saiba +
Dossiê Veja – Luis Nassif assina reportagem denúncia contra revista. Revista NovaE foi uma das pioneiras no combate ao jornalismo marrom da publicação.

julho 19, 2007

Surfando em cadáveres 3: a culpa é da pista

Filed under: Congonhas, esquerda X direita, Reinaldo Azevedo, TAM, tragédia — Humberto @ 3:37 pm

Os blogs de direita começam a ficar um tanto contrariados com alguns fatos que insistem em não bater com a tese de que o presidente Lula é o grande culpado pelo acidente com o avião da TAM em Congonhas. Ontem, logo após a tragédia, a direita, animadíssima com o acontecimento, já tinha uma tese pronta para explicar o que ocorreu em São Paulo: a “culpa” só podia ser da pista de Congonhas, recém-reformada, que não recebeu o chamado “grooving”, conjunto de sulcos no asfalto que ajuda a evitar alagamentos. Logo, se o problema era da pista, a “culpa” então seria da Infraero e, por consequência, do governo federal. Em última instância, de Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo.
O problema é que hoje o presidente da TAM disse que a falta de grooving não interfere na aderência da aeronave. Disse mais: a medição da quantidade de água na pista havia sido feita logo antes do pouso do avião que se acidentou.
É chato, mas não foi a pista. Frustrado, o direitoso Reinaldo Azevedo insinua que o presidente da TAM quer “preservar” seu negócio e não falaria mal da pista para não “inviabilizar” Congonhas. O Reinaldo podia pesquisar no Google antes de falar besteira: diversos aeroportos do mundo não utilizam o grooving e nem por isto reportam acidentes.
Surfar em cadáveres para politizar uma tragédia é muito feio. Mas ainda mais feio é usar argumentos capciosos e incorretos para surfar nos cadáveres. No fim, revela não apenas falta de caráter, mas de competência também.
ENTRELINHAS

maio 16, 2007

Editorial do Hora do Povo – ed. 2567

Filed under: Hora do Povo, MR8, Reinaldo Azevedo, revista Veja — Humberto @ 4:47 pm
“vEJA” recolheu-se, nesta semana, mas como certos elementos alojados em veículo de menor expressão houveram por bem corroborar seus insultos contra nós é oportuno relembrar o significado da relação do HP com o MR8.
O HP não pertence ao MR8, mas existe há 27 anos e chegou ao número 2.567 – duas mil quinhentas e sessenta e sete edições – graças ao apoio das forças políticas democráticas, que não se curvam à monopolização da mídia; aos milhares de leitores e colaboradores que nos enviam textos e sugestões de pauta; e a um abnegado corpo de redatores que trabalha praticamente de graça para produzir as matérias do jornal, tendo que dividir o seu tempo com outros afazeres para colocar na mesa o feijão nosso de cada dia. Muitos deles são militantes do MR8 – o que muito nos orgulha. E seria impossível fazer o jornal, nas condições em que ele é feito, sem o concurso de uma militância aguerrida.
Todas as forças políticas nacionais conhecem o HP de longa data e sabem que é assim que ele funciona. Sabem que o HP é um órgão livre e independente, que não emite opinião mediante favores de qualquer espécie, e que já provou enfrentando bombas e cadeia, quando isso foi necessário, que é capaz de sustentar as suas opiniões e divulgar seu noticiário sob céu claro ou nebuloso, com o vento a favor ou contrário.
Nunca nenhum político ou quem quer que seja se queixou de ter sido chantageado pelo HP. E nunca ninguém tentou nos seduzir vendendo facilidades. Porque o HP não disfarça suas simpatias e antipatias, e não confunde hipocrisia com “objetividade jornalística”. Nossa linha editorial é muito clara: aqueles que pela sua atuação prática se confrontam ou passam a contrariar as forças que representam os interesses do imperialismo norte-americano, tornando-se por isso mesmo alvo de seus ataques, são nossos amigos. Os que compactuam com elas não são.
Esta é a razão pela qual a Hora do Povo possui um número de leitores crescente. E, assim como todos os demais veículos que compõem a imprensa independente no Brasil, não deve ser discriminada no acesso à publicidade oficial.
A luta pela democratização da mídia está em curso. É natural que os interesses contrariados lavrem o seu protesto, valendo-se dos métodos compatíveis com a sua estatura moral.

maio 15, 2007

E não é que funciona???

Filed under: Hora do Povo, Reinaldo Azevedo, revista Veja — Humberto @ 2:11 pm
Dei uma olhada nas estatísticas do Google Analytics, e descobri que, das poucas – como sempre – visitas ( rápidas, como sempre ) que este blog recebeu, a maioria buscava informações sobre o pugilato Hora do Povo X a rapa ( Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Veja, Augusto Nunes ) e os resultados, nos mecanismos de busca, nos são favoráveis.
Isso corrobora a tese já levantada aqui: a polêmica é mero jogo de cena, para suscitar interesse junto ao público, e alavancar as vendas do glorioso Hora do Povo.
Bastou este blog postar dois ou três pequenos textos a respeito ou reproduzir artigos do jornal, que o nosso tráfego aumentou exponencialmente!!!!

Coisas para se fazer em Teerã, enquanto ainda se está vivo.

Filed under: Reinaldo Azevedo, religião, revista Veja — Humberto @ 1:11 pm
Uma idéia genial merece ser reconhecida. Abaixo, vai uma frase pinçada daquela seção ENTRE ASPAS da gloriosa revista vEJA:
“Pregar a morte de Deus no Ocidente é covardia. Corajoso seria pregar a morte de Alá em Teerã”
Reinaldo Azevedo
Espirituosidade com foco em crítica religiosa anti-fundamentalista islâmica, não?
Pega-se uma porção enorme do globo ( “o Ocidente” ) e compara-se a um local em particular ( “Teerã”, a capital de um país localizado no Oriente Médio; ou “Oriente”, que foi isso que RA quis dizer ). E fica comprovado, para o leitor-qualquer-nota da vEJA, o choque de civilizações.
Vou desenvolver um pouco mais a idéia do jornalista, e apresentar mais alguns nada recomendáveis comportamentos de risco que, se praticados em locais específicos determinados arbitrariamente, poderão resultar em danos à sua saúde:
- pregar a morte de Deus numa convenção do Likud;
- pregar a morte de Deus numa convenção do Partido Republicano do Alabama;
- pregar a morte de Deus numa sede qualquer do Opus Dei;
- pregar a morte de Deus num encontro da TFP;
- pregar a morte de Alá numa rua do Bom Retiro;
- pregar a morte de Deus em Higienópólis;
- gritar “Pal-mêê-ras” na sede da Gaviões;
- gritar “Timão e-ô” na sede da Mancha;
Se você tiver amor à sua vida, NÃO cometa essas heresias.

maio 10, 2007

Após dizimar Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, HORA DO POVO trucida Augusto Nunes!!! Quem será o próximo?

Filed under: Carlos Lopes, Hora do Povo, Reinaldo Azevedo, revista Veja — Humberto @ 2:11 pm
( Um a um, os inimigos do povo são vencidos, humilhados e guardados no porão do HP, como troféus )
O falsário Augusto Nunes
CARLOS LOPES
O ex-PFL contemplou o HP, e particularmente o autor destas linhas, com uma referência inusitada. No blog do partido, apareceu uma nota intitulada “Governo Lula financia a bandidagem?” (a interrogação mostra pouca segurança no que escreveram, o que, como veremos, é procedente). Segundo a nota, “o jornalista Augusto Nunes (Jornal do Brasil) confirmou, ao entrevistar Carlos Lopes, diretor de redação do Hora do Povo, que Diogo Mainardi, da revista Veja, está sofrendo ameaça de morte. A ameaça saiu na primeira página do Hora do Povo e Nunes abordou o assunto com o chefe de redação do jornal. ‘Carlos Lopes tentou aparentar surpresa: não houvera ameaça nenhuma, sorriu. Acabou por reafirmá-la ao concluir a declaração: ‘Só estamos dizendo que quem faz qualquer coisa pelo vil metal se arrisca. É a vida’, disse Carlos Lopes”.
Há algumas incorreções nesta nota. A primeira é que o sr. Augusto Nunes jamais entrevistou-me ou falou comigo – pessoalmente, ou por telefone, ou por e-mail, ou, nem mesmo, usando sinais de fumaça ou batuques de tambor. Ele simplesmente usou uma matéria publicada por “O Globo”, deformando-a e falsificando-a. Realmente, concedi uma entrevista ao “O Globo”. Mas, quanto ao Nunes, a última vez que o vi foi há mais de 30 anos, quando arrastava-se pelas universidades perguntando sobre supostas “organizações clandestinas” que atuariam no movimento estudantil, e era tratado muito justamente como um informante dos órgãos de repressão da ditadura e, segundo alguns jornalistas, da CIA.
A segunda incorreção é que não confirmei, nem poderia confirmar uma fraude. Não houve qualquer ameaça a Mainardi, e nem tocaríamos em seu nome, se ele não desrespeitasse a memória de Bacuri. Basta ler o nosso texto original. Além disso, até o próprio Mainardi, se tiver algum rasgo de lucidez – pois, apesar dos pesares, não é um Nunes – talvez compreenda que não tem importância suficiente para nos fazer mudar nossa linha editorial…
FRAUDE
A terceira coisa errada é que é impossível a mim, como a qualquer um, apresentar surpresa diante de uma canalhice quando ela parte de canalhas. Seria como ficar surpreso porque os ladrões cometem roubos, ou porque os traidores perpetram traições, ou porque os padeiros produzem pão.
A quarta coisa incorreta na nota do ex-PFL é que não tenho por hábito ficar sorrindo para meretrizes degeneradas como o sr. Augusto Nunes. E, aliás, ele sabe disso. Já tentou, no passado, algo semelhante, e não se deu bem. Por isso mesmo é que, estando ele no Rio e eu em São Paulo, nem telefonou. Preferiu esconder-se atrás do sr. Mainardi, ou seja, usá-lo para perpetrar uma falcatrua pura e simples.
Assim, não é justo culpar o ex-PFL pela nota, exceto na medida em que resolveram acreditar em quem não merece crédito. Mas, não por acaso, acrescentaram a interrogação do título. O que mostra que também os ex-pefelistas sabem que a confiabilidade do sr. Augusto Nunes, no mínimo, deve ser mantida em dúvida. A verdade é que os atuais Democratas – entre os quais temos amigos de muitos anos – são, em média, gigantes morais, se comparados ao Nunes.
Eles não serão os primeiros nem os últimos a serem tapeados por um vigarista. No caso, Nunes quis passar a impressão, no texto que publicou no JB de 6 de maio, que havia falado comigo. Como sempre sibilino e tortuoso, ele não diz isso explicitamente. Deixa que outros acreditem nisso, para que, se for desmascarado, possa dizer que jamais disse aquilo que os induziu a acreditar. O que se pode concluir de uma frase como “Carlos Lopes tentou aparentar surpresa: não houvera ameaça nenhuma, sorriu”? Como ele pode ter visto esse sorriso (pois ouvir um sorriso pelo telefone é algo difícil), senão tendo estado comigo? No entanto, não vi esse piolho na minha frente. E, na matéria de “O Globo” da qual ele pinçou a minha frase, não há nada sobre isso. Lá está escrito: “O diretor de redação do “Hora do Povo” e membro do comitê central do MR-8, Carlos Lopes, negou que houvesse qualquer tom de ameaça na reportagem publicada pelo jornal”. Só isso. Portanto, Nunes falsificou a matéria e inventou o contexto, com o único objetivo de passar suas mentiras como verdade. É, portanto, um exagero dos ex-pefelistas chamá-lo de “jornalista”.
De resto, a sua coluna é, do princípio ao fim, uma infâmia. A começar pela ilustração, uma montagem sem vergonha e sem escrúpulos. Não somos nós que temos proximidade com o PCC, CV, ADA e outras quadrilhas. O Nunes sabe disso, também. Assim como também sabe que o governo não está nos financiando.
CARREIRA
Que Nunes é um mentiroso, falsário e, de resto, um semovente do meretrício fascista, é coisa sabida. Sua carreira na imprensa é a de um puxa-saco exacerbado dos patrões, sempre escalando postos para perseguir colegas, e sempre, ao fim e ao cabo, traindo a confiança de seus benfeitores. É de justiça reconhecer que os proprietários de jornais e revistas também não conseguiram suportar sua falta de caráter e de limites. Roberto Marinho o demitiu pela publicação de um necrológio de Jorge Amado na “Época”, quando o escritor, colega de Marinho na Academia Brasileira de Letras, ainda estava vivo, mas Nunes queria matá-lo antes da hora. O dono de “Época”, diga-se de passagem, não foi o único a tomar essa providência. Por isso, Nunes tem hoje que se conformar com o refúgio que lhe proporcionou o empresário Nelson Tanure, no JB. No entanto, ele é demasiado pervertido para ser grato ao patrão por essa benção. Sua tentativa atual de cortejar os Civita, certamente não passou despercebida. Embora, ao que parece, nem a decadente “Veja” o quer de volta.

maio 9, 2007

Falsa polêmica: Reinaldo Azevedo é agente do MR8, infiltrado na Editora Abril!!!!

Filed under: MR8, Reinaldo Azevedo, revista Veja — Humberto @ 7:59 pm

Pensa que nós, cidadãos de bem, somos trouxas?
Vou contar-lhes uma história. Foi no Domingo passado, quando tentava comprar a edição do glorioso Hora do Povo que havia saído na sexta-feira.
Fui até a banca de jornais de sempre, no largo Ana Rosa, pegar meu jornal de sempre, o Hora do Povo ( HP ). Era Domingo e a edição que eu queria tinha ido às bancas na sexta-feira.
Eu já deveria ter estranhado quando procurei no expositor a pilha do jornal que costuma estar lá, e não achei nada. Até pensei que não tivesse saído. Olhei nos que estavam expostos, abertos e encontrei um. Conferi para certificar-me de que era recente, e era mesmo. Tava todo amarelado e empoeirado. Mas só sobrara aquele único. Mas que estranho. Bom pro HP.
Quando fui puxar o jornal, uma mão apareceu e pegou-o pela outra ponta. Os dois ao mesmo tempo.
Puxei de novo, olhando seco para o jornal, e nem vi quem era o dono da mão. Me ocorreu que talvez fosse algum conhecido tirando um sarro.
Mas não era.
- Ahham – pigarreei, dando um puxão e cuidando para não rasgar o papel.
- Posso pegar? – perguntou cordial e agressivamente o sujeito.
- Não. Desculpaí, mas eu peguei primeiro – respondi.
Mas, é claro que eu não discutiria com o cara e nem ele comigo. Somos camaradas leitores do HP, não é? Chegaríamos a um acordo. Aliás, eu estava prestes a desistir e procurar em outro lugar, quando dei uma olhada melhor no camarada.
OPS!
Mas que coisa esquisita!! Vejam se concordam comigo.
Eu, outrora varão pujante, e tendo vivido nos últimos anos sob esta ditadura petista-apedeuta, agora me vejo reduzido a escombros. Uma carcaça chupada, em perfeito acordo com o que dizem a respeito da situação dos que sofrem a mão pesada do tacão comunista, um garoto propaganda das obras do governo Pol Pot.
Diante de mim, e competindo comigo pelo último exemplar da edição de sexta-feira do Hora do Povo, um vitaminado que parecia ter saído de uma propaganda de pasta de dente ou de Campari. Camisa pólo listrada branca e azul, bermuda cáqui, sandália, óculos escuro e boné. Percebi que estava de carro, acompanhado por uma sósia de Juliana Paes. Aquele tipo de casal que passa o domingo consumindo cultura e visitando canteiros de obras de futuros lançamentos imobiliários de sonho.
Ele carregava um exemplar da veja ( com “v” minúsculo ), um Folhão, uma Exame e umas duas ou três revistas de decoração. Mas, não sei qual o motivo, queria ler o Hora do Povo. O meu.
- Meu chapa – perguntei – você não se enganou não?
- Não, brother. É esse aí mesmo – ele respondeu.
Domingo cedo, e o cara tinha hálito de Trident verde. Eu, o proleta, cheirava a café preto forte. Já tinha tomado cinco xícaras. Eu gosto, e daí?
- Môôô… , miou a gatosa, vai logoooo…
- Já vou, morê!! Tou só pegando aquele jornal que o Reinaldo Azevedo falou.
AHÁ!!!
Então era isso!! Tem a ver com aquele papo de ameaça contra o Diogo Mainardi. O boysão nunca ouviu falar do HP e agora, só porque o Reinaldinho mencionou-o em seu blog, quis saber do que se tratava.
Não com o meu jornal.
Rapidamente, saquei o canivete sem corte que uso como chave-de-fenda e apontei pro cidadão. Se ficasse insistindo comigo, ele ia terminar visitando o Stálin. A balalaika ia piar pro lado dele Nós, revolucionários, sabemos muito bem como tratar gente da sua laia. O Czar que o diga. E o Diogo Maricas já está tendo o dele. Quer ser o próximo?
O figurão olhou a peça apontada para ele. Viu a ferrugem. Ficou com medo de sujar o shortinho, ou a pólo.
- Ô meu! Vai comprar outro que esse daqui já é meu! – alertei.
Não precisei falar duas vezes. Ele não ia passar vergonha na frente da namorada. Não que eu tivesse qualquer chance em uma briga com o cara. Ele desistiu para não arruinar sua imagem impecável e limpa. Pegou um Estadão – mais de acordo com sua figura – e foi embora. UFA!!!
À noite, e fisicamente inteiro ( na medida do possível ), acessei o Google Analytics para ver alguma estatística sobre o glorioso Cata-Milho. As pouquíssimas pessoas que nos visitaram, vieram em busca de informações sobre o caso “Mainardi-MR8-Veja-Reianldinho”.
Foi então que me dei conta da situação.
O Hora do Povo não vende tanto assim, que chegue a esgotar o reparte das bancas. Nem quando o Lula ganhou a eleição houve tanta venda.
A indicação e posterior polêmica criada pelo Reinaldo, a partir das páginas da veja ( com “v” minúsculo ) alavancou as vendas do jornal. Tudo combinado. Tudo planejado, de acordo com o manual gramsciano de infiltração cultural, fomentada por um agente estratégicamente postado nas engrenagens da indústria cultural do mainstream. Por isso que na edição que saiu hoje, o editorial diz que o Mainardi é deles e ninguém tasca. Que a saúde do jornalista é preocupação do Hora do Povo.

maio 2, 2007

Incapaz de entender uma piada, Diogo Mainardi pede a Reinaldo Azevedo que o defenda contra o glorioso Hora do Povo!!!!!

O Blog Entrelinhas comenta:

Direita quer evitar democratização da mídia
O jornalista Reinaldo Azevedo está reclamando, em seu blog, de uns anúncios do governo federal no jornal Hora do Povo. Reinaldo, porém, não reclama dos anúncios do governo federal na revista Veja, para a qual ele trabalha. Se a idéia de Azevedo é proibir publicidade estatal em publicações com colorido político-ideológico nítido, este panfleto direitista chamado Veja deveria ser o primeiro a deixar de receber dinheiro público. O jornalista pede também que o Congresso “investigue” o MR8, grupo que edita o jornal.
A razão para tal investigação seria uma “ameaça” de morte do jornal ao colunista de Veja Diogo Mainardi, ameaça esta que não passa de uma piada.
Ora, se for para levar tudo ao pé da letra, o Congresso deveria investigar primeiro a Editora Abril, responsável pela publicação de Veja, uma vez que o próprio Mainardi se vangloria de estar a serviço da “derrubada de Lula”, ou seja, é um golpista assumido. Neste contexto, Mainardi poderia perfeitamente estar na cadeia – só não está porque o presidente Lula teria sido benevolente e preferido não processar o colunista…
O que Reinaldo Azevedo na realidade pretende é provocar polêmica e chamar atenção para os anúncios do HP, certamente a fim de constranger os responsáveis pela publicidade estatal e evitar que os anúncios continuem sendo inseridos no jornal do Oito.
Ora, uma das boas coisas do governo Lula é a tentativa, ainda muito discreta e medrosa, de democratizar os meios de comunicação. Para tanto, evidentemente, é preciso romper um círculo vicioso e acabar com o critério de distribuição dos anúncios de acordo com o alcance (audiência ou tiragem) do veículo, porque desta forma o Estado ajuda a perpetuar um sistema em que os grandes são grandes porque têm acesso à propaganda estatal e os pequenos não crescem justamente porque não têm este acesso. O governo Lula deveria dar ainda menos anúncios para a Veja e aumentar a inserção nas publicações alternativas, sejam elas de inciativa de sindicatos, organizações da sociedade civil ou grupos com o colorido ideológico do MR8.

Tema: Silver is the New Black. Blog no WordPress.com.

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